Notas iniciais
Chegando com mais um capítulo especialmente para vocês!! *_*
Estou amando os comentários e adorando saber que estão gostando tanto da fic!

Então, sem mais delongas...tenham uma boa leitura. =D

O dia seguinte começou ainda na madrugada, Mary acordou e viu a filha completamente perdida num sono profundo. Levantou-se com cuidado e observou a mulher morena na cama ao lado igualmente adormecida. Ela sorriu, aquele era o único modo de ver as duas juntas em total paz e tranquilidade. Ela saiu do quarto, deixando-as.

Lá fora, David e Hook estavam ajeitando as velas do barco e Gold mantinha-se sentado junto ao manche. O céu ainda estava escuro em sua grande maioria, o sol começaria a nascer em poucos minutos. Ela deu um beijo de bom dia no marido e falou o cumprimento em voz alta para os demais. Recebeu dois desejos de bom dia de volta e então desceu para o depósito para preparar algo pro café da manhã.

Enquanto isso, no quartinho, Emma começou a virar-se de um lado para o outro na cama. Estava tendo um terrível pesadelo com o filho Henry e com Regina.

“Emma estava em meio à floresta escura. Tentava, de todas as maneiras, encontrar Regina. A morena havia sumido em sua fumaça roxa e deixado Emma sozinha para trás. A loira sabia exatamente o que a prefeita faria, iria enfrentar sozinha a sombra do mal. Ela não poderia permitir aquilo, permitir que Regina corresse aquele risco. Não quando havia acabado de descobrir que a amava.

Ela corria em meio à vegetação, quanto escutou os gritos de Henry. Aumentou a velocidade e logo encontrou o menino, preso no que parecia uma espécie de gaiola gigante, pendurado em uma grande árvore. Logo abaixo, Regina travava sua luta com a sombra. Emma gritou o nome da rainha e correu em sua direção. Queria ajudá-la. Entretanto, ao ouvir a voz da loira, a morena distraiu-se, virando o rosto para vê-la, e foi atingida em cheio pela magia da sombra. Regina foi atirada longe e bateu forte contra uma árvore. Emma pensou poder ter ouvido o som da coluna da mulher se partindo ao meio enquanto ela deslizava para o chão, inconsciente.

Seu grito e o do filho se misturaram em um único som de dor. Ela correu para amparar Regina, porém a forte e destemida prefeita não passava de uma boneca em seus braços. Desajeitada, sem vida.”

Emma acordou no susto, estava suada, os cachos loiros completamente desgrenhados. Havia arranhado a parede de madeira e investido contra ela tantas vezes que seus joelhos estavam ficando roxos e doloridos. E ela notou que seu rosto estava encharcado pelas lágrimas. Seu primeiro reflexo foi olhar para a cama ao lado. Um sorriso de verdadeiro alívio se formou em seus lábios ao ver a mulher morena despertando com seu mau humor habitual.

– Mas que diabos, Swan. Estava fazendo uma reforma no quarto? – Ela sentou-se na cama, levando as mãos à cabeça.

Emma apenas sorria. E chorava. Sua felicidade ao ver a mulher ali, diante dela, com os cabelos morenos já totalmente secos da água do mar, mas ainda desgrenhados pela noite de sono, era algo que ela não conseguia controlar. Era uma felicidade imensa.

– Regina, você está bem. Está viva! – Ela sorriu, sentando-se na cama também para ter uma visão melhor da morena.

– Mas que bobagem é essa que está dizendo? Um banho de água fria não iria me matar, Miss Swan. Infelizmente, para você e toda aquela cidade, eu ainda estou viva e muito bem de saúde. – Ela cuspiu as palavras.

– Se depender de mim, é assim que sempre estará. – Emma sorriu de um jeito abobalhado.

Só então Regina notou que a loira tinha lágrimas nos olhos. Deveria ter tido algum pesadelo, por isso debatia-se tanto na cama. “Ela sonhou que eu morri e está feliz por me ver viva? Não, não pode ser.” – Regina pensou enquanto encarava os olhos verdes brilhantes e avermelhados de Emma. Ambas foram tiradas de seu transe pela voz masculina de David gritando lá em cima.

– Terra à vista! Uma ilha!

Ambas se recompuseram o mais depressa que podiam, subiram correndo e viram o príncipe pendurado no mastro principal, olhando para frente com a luneta de Hook.

– Dez graus a bombordo, Gold! – Ele dizia sorrindo, enquanto descia e o velho se colocava a girar o manche.

– Essa não é Neverland. – Disse Hook ao olhar pela luneta. – Primeiro que não me lembro deste lugar. Segundo que, se fosse mesmo Neverland, os seguidores da sombra já estariam nesse barco.

O príncipe abraçou e beijou sua mulher, em seguida ambos foram abraçar a filha, buscando dar forças a ela. Regina apenas observou aquela cena. Ela se dirigiu à proa do barco e se colocou no mesmo lugar onde havia tomado seu banho na noite anterior. Olhava fixamente para frente, os olhos começando a encher de lágrimas.

Embora sufocada pelo abraço dos pais, Emma viu a reação de Regina e tudo o que mais queria era saber o que ela estava pensando, sentindo. Após se soltar dos braços de Snow e David, ela caminhou até onde a morena estava. Parou ao lado dela e debruçou-se na borda.

– Veio em busca de um segundo banho, Madam Mayor? – Ela riu e então olhou para Regina. Seu riso minguou imediatamente após ver as lágrimas que escorriam, marcando o rosto da rainha. – Regina, o que houve?

– Estávamos perto, Miss Swan, perto de onde? Esse nem é o lugar certo. Eu desejo tanto ter meu filho comigo outra vez. – Ela mantinha os olhos fixos na ilha, que começava a aparecer, enquanto falava. – Eu só quero encontrar logo o meu menino.

Emma sentiu uma vontade enorme de tomar Regina em seus braços num abraço forte e caloroso. Sentiu vontade de aninhar a cabeça dela entre seu ombro e seu pescoço e afagar aqueles cabelos negros com todo o amor. Mas quem entenderia? Ela só conseguiu balbuciar algumas palavras de conforto, enquanto ela mesma se punha a chorar.

– Nós vamos achá-lo, Regina. E eu vou te ajudar a trazê-lo de volta pra casa. De volta pra mãe dele. – Ela mantinha o olhar baixo, como se contasse as ondas do mar.

Regina ficou surpresa novamente com a atitude de Emma. A xerife agia de uma forma que não fazia sentido para ela. “Como assim trazê-lo de volta para a mãe dele? E você, Miss Swan, não é mãe dele tanto quanto eu?” – Ela apenas conseguiu pensar nas palavras, não teve coragem de reproduzi-las.

Elas permaneceram ali, paradas lado a lado, sem pronunciar uma palavra. Quando o barco aproximou-se o bastante da ilha, Hook ancorou Jolly Rogers e David anunciou:

– Passaremos essa noite na ilha. Usaremos o restante do dia para procurar alimentos e água potável para abastecer nosso navio.

A rainha encarou o barco a remo e revirou os olhos, bufando.

– Quem foi que o fez capitão? – Regina acreditava que havia sido só um pensamento, mas notou que pensou alto ao ouvir a risada de Emma ao seu lado.

– Andem, todos a bordo! – Gritou David divertido.

– Mas nem morta! – Regina revirou os olhos. – Tenho métodos mais eficazes para ir e vir, Charming. – Ela debochou.

– Você vem, Emma? – Ela ouviu a voz do pai, mas viu Hook estender a mão para ela subir no pequeno barco e fez uma careta.

Gold já havia deixado sua fumaça roxa, quase negra, para trás. Assim que a loira notou que Regina faria o mesmo, segurou em sua mão, entrelaçando seus dedos em um gesto desesperado.

– Por favor, me leve com você? – Ela olhou fundo nos olhos castanhos com uma carinha de gatinho sem dono.

Regina ficou completamente tensa ao sentir aquele toque, mas algo também se agitava dentro dela. Era quase como uma corrente elétrica de carinho que percorria todo seu corpo. Ela não respondeu com palavras, apenas suspirou e meneou um sim com a cabeça.

Hook e David subiram a bordo, junto com Mary Margaret, e baixaram o barco a remo no mar. Regina revirou os olhos, impaciente, e ambas desapareceram do barco. Assim que os pés de das duas tocaram a areia da ilha, Emma abriu um sorriso e olhou Regina.

– Você precisa me ensinar a fazer isso. – Ela riu, brincalhona.

– Diga-me que vai se livrar daquele liquidificador ambulante que você chama de carro e eu o faço com prazer. – A rainha riu. Emma se pegou pensando se já a tinha visto rir daquele jeito antes.

A risada de Regina morreu no segundo em que ela notou que Emma ainda segurava sua mão. Ela ficou tensa e puxou o braço com força, libertando-se. Seu rosto estava fechado novamente e Emma lamentou-se por isso.

– Eu... eu... vou esperar meus pais. – Foi tudo o que a loira conseguiu gaguejar. Depois saiu em direção ao pequeno barco que estava próximo à praia.

– Onde está o Gold? – Regina olhou de um lado para outro.

– Bem aqui, querida. – Ele deu um meio sorriso sarcástico, se aproximando da mulher lentamente. – Assistindo a algo muito interessante, eu diria.

– E o que é, Rumple? – Ela estava impaciente outra vez.

– O pequeno romance que se instalou no ar entre você e Emma Swan. – Ele riu.

– Não diga tolices! – Regina alterou-se. – Até mesmo aquele pirata maldito seria um par melhor do que Emma Swan. – Ela olhou em direção ao barquinho que atracava. Porém seu olhar ficou perdido em Emma, seus braços expostos pela regata deixavam os músculos torneados à mostra enquanto ela fazia força para segurar e puxar a embarcação até a areia.

Hook desceu do barco para ajudá-la, espalhando água suficiente para que a regata de Emma ficasse molhada e colada ao corpo, transparente em alguns pontos. Regina nunca tinha notado como a loira era forte, nem mesmo em como era sensual o seu corpo sarado e alvo. Ela meneou a cabeça e voltou-se a Gold, que tinha um riso irônico no rosto.

– Eu sei de algo quando o vejo, Regina. E eu vi seus sentimentos pela salvadora há muito tempo. – Ele riu e afastou-se. Aquele ato deixou a prefeita transtornada.

– Volte aqui Rumple! – Ela gritou e correu na direção dele, mas o mesmo havia sumido na fumaça roxa e ela sentiu seus pés afundarem até o tornozelo na areia fofa da praia assim que forçou o passo para alcançá-lo. – Mas que inferno! – Ela estava tão irada que não notou Emma vindo em sua direção.

– Eu avisei. – Ela ria, enquanto olhava a prefeita atolada na areia.

– Cale essa sua boca e me tire já daqui. – Regina gritou, estava tão alterada que as maçãs de seu rosto estavam ficando rubras de raiva.

– Ok, ok, Vossa Majestade. – Ela debochou, fazendo a morena trincar os dentes de raiva. Regina não teve tempo de reagir direito ao que veio a seguir; Emma passou seus braços em volta de seu pescoço e agarrou sua cintura com os braços fortes, porém macios, que tinha. Apertou-a com força e deu um impulso, erguendo-a com certa facilidade do chão e deixando-a num ponto mais firme da areia. – Mais uma em sua lista de salvamentos pessoais, Madam Mayor? – Emma riu alto.

A rainha simplesmente lhe deu as costas, sem desferir nenhuma palavra em sua direção ou seria capaz de matá-la. Foi sentar-se em uma pedra mais adiante e tirar os saltos cheios de areia que estavam incomodando seus pés.