Notas iniciais
Jolly Rogers está em mar aberto, a aventura começou! Como será que esses seis irão conviver juntos?

Boa leitura!!

Após o tortuoso portal pelo qual passou, o barco de Hook pousou calmamente em mar aberto. Uma vastidão de água os cercava e Regina notou que seria uma viagem longa e cansativa. Ela não tinha tempo a perder, ninguém ali tinha.

– Certo, vamos deixar uma coisa bem clara aqui... – Emma disse ao voltar ao convés, sendo seguida por Mary. – Não há espaço para todo mundo lá embaixo. Rapazes, vocês vão ter que se virar no depósito.

– O que? Mas que droga de barco é esse, Hook? Onde eu irei dormir? – A rainha encarou os olhos do pirata com fúria.

– Vocês dividem o quarto. Nós nos ajeitamos aqui fora. – Foi David quem respondeu a morena.

– Mas David, só há duas camas... – Ela encarou o marido enquanto fazia uma pausa e sussurrou as próximas palavras. – De solteiro.

– Que ótimo! – A rainha se exaltou ao ouvir as palavras de Mary. Emma logo tomou a iniciativa.

– Regina, você e minha mãe dormirão nas camas. Eu me ajeito no depósito. – Hook abriu um grande sorriso ao ouvir as palavras da loira, mas David havia notado e logo cortou sua alegria.

– Eu não deixarei minha filha dormir no depósito. Emma, se for para você se ajeitar em algum lugar, será em uma daquelas camas. – Ele disse em tom sério, sem dar margem para a loira discutir.

A loira ouviu o suspiro de Regina e a morena se encaminhou para o interior do barco, queria observar de perto a furada em que tinha se metido. Snow completou as palavras do marido.

– Nós dividiremos uma cama, filha. Regina pode ficar com a outra.

– Acho bom. – A voz da prefeita soou de dentro da embarcação, enquanto subia novamente os degraus.

Gold interrompeu toda aquela discussão sem sentido com repetidas batidas de sua bengala no chão de madeira do navio.

– Podemos nos concentrar em nossos objetivos? – Ele encarou cada par de olhos presentes e parou nos do pirata. – Você ao menos tem alguma noção de onde estamos?

– No meio do mar. – Ele riu, mas ao ver os rostos zangados dos demais, ergueu o gancho em sinal de rendição. – Não faço ideia. – Todos fizeram menção de reclamar ou mesmo de agredi-lo, mas ele novamente ergueu o gancho em busca de atenção. – Calma. Eu não sei onde estamos, mas estamos no caminho certo.

– E como você pode saber isso? – Regina o encarava. – Acaba de dizer que não tem noção de onde estamos.

– O feijão. – Hook se apressou em explicar. – O portal não pode nos levar até aquela terra maldita, mas nos deixará no caminho certo. É só mantermos o curso e chegaremos.

– E quanto tempo isso vai demorar? – Snow disse enquanto se abraçava a David.

– Não sei. – David ameaçou ir para cima, mas Mary o segurava. Já Emma não tinha ninguém que a impedisse. Ela segurou o pirata pelo colarinho.

– Hook! Precisamos encontrar o Henry. – Ele não deixou que ela dissesse mais nada.

– Calma, dará tempo. – Ele piscou para ela e deixou sua mão a segurar pela cintura.

A loira o soltou imediatamente, dando-lhe um empurrão ao sentir o contato. David sentiu-se orgulhoso de sua garotinha. Snow também, embora não esboçasse tanto quanto o sorriso bobo do marido.

Regina revirou os olhos para a cena e desceu os degraus novamente. Lá embaixo, ela começou a olhar o ambiente e, em uma prateleira baixa sobre a cama, havia um livro que sua mãe deixara para trás quando esteve no navio com Hook, a caminho de StoryBrooke. Ela segurou o objeto nas mãos e sentou-se em uma das camas, apertou o livro contra o peito e deixou que uma lágrima solitária rolasse por seu rosto.

A loira entrou no quarto apertado chutando a porta e resmungando de algo que provavelmente havia ouvido de Hook, fazendo com que Regina tomasse um grande susto. Ela não deu pela presença da rainha e jogou-se na cama. Era a cama à qual Regina estava encolhida junto à cabeceira. Emma caiu com a cabeça em seu colo, os cachos loiros se espalhando sobre as pernas da prefeita.

– Miss Swan! Quanta delicadeza! – Ela disse, exasperada, enquanto retraía o corpo, evitando maiores contatos com a xerife.

– Regina! – A loira se assustou. – Desculpe, eu não vi que estava aqui. – Emma começou a atropelar as palavras e então notou a posição em que estava, olhando a rainha logo acima dela, praticamente de ponta cabeça. Ela levantou-se, corando, permanecendo sentada na cama. – Pensei que estivesse lá em cima, com todo mundo.

– Poupe-me das suas desculpas, Swan. – Regina endireitou-se na cama, colocando as pernas para fora da mesma e procurando os saltos que Emma, acidentalmente, havia chutado para baixo da cama quando se jogou. – Eu não estou com cabeça, nem mesmo com paciência, para assistir seus conflitos amorosos, Miss Swan.

A morena não entendeu exatamente o motivo, mas aquela cena entre Hook e Emma realmente a incomodou. Mas por que diabos aquilo a incomodaria? Hook era a última pessoa em todos os reinos com quem Regina iria querer um romance. Não poderia estar, nem de longe, com ciúme do pirata. Ela saiu de seus devaneios quando estressou-se procurando os sapatos com os pés tocando a madeira vazia e empoeirada.

– Mas que inferno! – Regina abaixou a cabeça, fitando o chão, os olhos atentos.

– Regina... – A loira falou em tom calmo, mas foi bruscamente interrompida pela rainha.

– Agora não, xerife Swan! – Seus olhos varriam toda a extensão de chão ao lado da cama.

– Madam Mayor, acho que está procurando por isso, não é? – Regina se deixou olhar para a loira diante dela e viu que Emma tinha os seus sapatos pendurados nas pontas de seus dedos.

– Que diabos, Swan! Por que não os entregou logo? – Ela pegava os sapatos com raiva, enquanto suspirava e tirava a poeira de seus pés para voltar a calçá-los.

– De nada, Regina. Quando te vi esfregar o pé no chão pela segunda vez, eu lembrei que chutei algo para baixo da cama e me abaixei pra pegá-los. – Emma revirou os olhos. – Faz uns cinco minutos que estou tentando te devolver essas porcarias de saltos, mas você parece que estava perdida em outro mundo. – A loira encarava o rosto de Regina, que encaixava o pé direito no sapato de um jeito estranhamente sexy e se colocava a limpar o outro pé.

– Eles não são uma porcaria, Miss Swan. São muito melhores que essa sua bota horrorosa. – Regina sorriu com desdém, enquanto encaixava o pé esquerdo no salto.

– Quero que você me repita isso quando eles afundarem na areia da praia e te deixarem encalhada como uma baleia.

A xerife levantou-se daquela cama e se jogou na outra. Aquela lhe pareceu completamente desconfortável, mas ela ergueu os braços e colocou as mãos atrás da cabeça, encarando a morena a sua frente, que tinha uma expressão de fúria nos olhos castanhos.

– Você verá quem é a baleia... – Regina ameaçou confrontá-la, mas Snow desceu as escadas, aparecendo na porta.

– Emma, Regina... Acho bom que se preparem, pois tempos difíceis virão. Hook e David estão tentando pescar o nosso jantar. – Mary riu.

– Era só o que me faltava. – Regina revirou os olhos. – Henry está perdido, estou dividindo um cubículo com uma arrogante, sem educação, e ainda passarei fome. – Ela deixou o corpo pesar para trás, deitando-se na cama e cobrindo o rosto com o livro de Cora que tinha em mãos.

Emma pensou em retrucar o “arrogante, sem educação” que Regina soltou nitidamente para ela, mas outra coisa chamou sua atenção. Apenas nesse momento a loira notou a presença do objeto.

– Regina, o que isto? – Ela ergueu a cabeça da cama para ter uma visão melhor da mulher, que agora estava deitada.

– Nada que lhe interesse, Swan! – Regina foi categórica e então enfiou o livro embaixo de seu travesseiro e deitou sua cabeça mais forte sobre ele.

– É claro que me interessa. Se tratando de você, me interessa. E muito. – A loira soltou as palavras atropeladas e só então notou o que dizia. – Estamos todos juntos aqui pelo Henry e, para o bem de todos, não é hora de manter segredos. – Ela orgulhou-se por ter conseguido se corrigir a tempo. Mary notou o clima tenso que se instalou e achou melhor deixar que as duas se resolvessem sozinhas.

– Me deixe em paz, Miss Swan. – Ela virou-se para o lado da parede de madeira e encolheu levemente o seu corpo. A voz dela ainda tinha o mesmo tom imperativo, só que mais brando.

A xerife levantou-se da cama em silêncio e, com dois passos, estava ao lado da cama de Regina. De uma vez, sem aviso prévio, ela enfiou a mão sob o travesseiro da morena, fazendo-a ter um susto tão grande que bateu com a cabeça na prateleira acima dela quando se sentou, fazendo com que outros objetos ali caíssem sobre o seu corpo.

– Mas que droga, Swan! – Regina levou a mão à cabeça dolorida, mas não teve tempo para terminar de demonstrar sua irritação. Emma exibia o livro em suas mãos, olhando-o atentamente. – Me devolva isso. Agora! – Sua voz parecia um rugido zangado.

– Não sem que me diga antes o que é isso. – Os olhos verdes encararam os castanhos e a prefeita notou que eles estavam irredutíveis.

– É um livro de magia, Miss Swan. – Ela suspirou. – Pertencia à minha mãe.

Emma sentiu-se culpada na mesma hora em que ouviu aquelas palavras. Olhou mais uma vez o objeto em suas mãos e suspirou, estendendo-o para Regina com o olhar baixo.

– Me desculpe de novo. – Ela olhou fixamente nos olhos da rainha.

Regina não se pronunciou, apenas pegou o livro das mãos da salvadora e o acariciou com os dedos. Emma sentou-se na cama ao seu lado e ela olhou a loira com certo estranhamento.

“Como se atreve?” – Miss Swan... – O tom de voz de Regina era bem mais calmo, embora continuasse gélido. – Isso é algo pessoal. Se puder me fazer o favor... – Ela não completou a frase, mas Emma soube do que ela estava falando quando acompanhou o olhar da prefeita até a cama ao lado.

– Certo. É claro. – Ela levantou-se, sentindo-se uma idiota. – Eu... vou lá fora. Quero ver o que estão aprontando. – Ela soltou um meio sorriso na direção de Regina. – Você ficará bem? – “Mas por que diabos está perguntando isso Emma?” – A loira pensou assim que as palavras deixaram seus lábios.

– Certamente, Miss Swan. – Regina não correspondeu ao seu sorriso.

Assim que a loira se retirou, fechou a porta, deixando a prefeita a sós no pequeno quarto que dividiriam. Assim que a morena se viu sozinha, juntou novamente o livro ao peito e chorou. Sentiu um imenso ódio da mulher que estava no convés, aquela que parecia destinada a matar todos a quem ela amava. Primeiro havia sido Daniel e, por uma vingança inútil, Regina perdeu seu pai e agora ela lhe obrigara a tirar a vida da própria mãe.

A morena apertou o livro com mais força, tentando afastar esses pensamentos. Ela deixou o corpo cair sobre a cama outra vez, mas sentiu algo desconfortável contra as costelas. A mão de Regina buscou o objeto sobre a cama e, quando o puxou, era um pequeno pato feito de madeira. Não, aquilo era um cisne. Ela revirou os olhos e suspirou. “Detesto cisnes. Eles sempre se metem onde não foram chamados.” Ela não pode conter o sorriso que brotou em seus lábios com o pensamento.

A prefeita ajoelhou-se na cama e tratou de colocar os objetos, que haviam caído sobre a cama com sua desajeitada pancada, de volta ao seu lugar de origem. Ela olhou o estado empoeirado de tudo ali e fez uma careta. Não conseguiria passar uma noite sequer naquele chiqueiro.

Notas finais
Então, o que acharam? Reviews são super bem vindos e me deixarão muito feliz, seja com elogios, críticas, correções, sugestões...