For The First Time

1 Talking about future and past


Vestido preto, com manguinhas apertadinho até a altura da cintura e rodado, praticamente na altura dos joelhos. Estava um pouco mais largo do que na última vez que o usei, mas servia. Havia tanto tempo que não saía que devo ter perdido o senso de moda. Segunda, Melanie, minha cunhada, noiva do meu irmão e minha melhor amiga, eu estava deslumbrante, o que eu discordava, porém levando em conta minha baixa auto-estima, resolvi confiar. Estava em dúvida se arriscava no salto ou em uma sapatilha. Confesso que estava receiosa com essa festa, afinal sou caloura, e os veteranos não costumam nos pregar peças? Tinha um pressentimento de que essa festa não era apenas de boas-vindas, mas como Melanie estudava lá há mais tempo que eu e não havia escutado nenhum boato sobre trotes, resolvi arriscar.

De qualquer forma, apesar de vela, eu não estaria desacompanhada, iria com meu irmão e Mel, então me tranquilizei. Nick parecia tãofeliz por eu estar saindo de casa que a felicidade dele me contagiou. Resolvi arriscar nos saltos, aprovados por minha cunhada e deixei a maquiagem por conta da mesma. Ela me disse que colocaria tons mais claros nos olhos para contrastar com os lábios que teria um tom avermelhado. Preferimos deixar meu cabelo ao natural mesmo, eu mal conseguiria agradecer por ter cabelos fáceis de lidar, não imaginaria como seria se eles me dessem trabalho.

A festa estava cheia e animada, acredito que a maioria dos alunos estavam ali. Okay, talvez não a maioria mas havia tanta gente que parecia que toda a faculdade estava aglomerada naquele espaço.

A organização da festa foi desta maneira: um grupo de alunos, todos veteranos, propuseram-se a fazer uma lista com todo o material que precisariam para fazer tudo acontecer, incluindo buffet, DJ, iluminação, os enfeites ornamentais e enfim. Passaram todos os preços para nós, fizeram uma estimativa de quantos alunos poderiam comparecer, levando em consideração a quantidade presencial dos anos anteriores e fizeram a divisão, tendo, então, preço do ingresso.

O espaço estava lotado, algumas pessoas me olharam de cima baixo, então pensei comigo mesma, ou eu estava muito ridícula ou eu estava bonita. Opa, aquilo foi um sorriso? Okay, foi. Eu olhei para baixo e ignorei.

Continuei andando ao lado de Nicholas e Melanie que andavam de mãos dadas. Eles eram o casal mais lindo. Não haviam palavras suficientes para agradecer a ela por ser tão boa ao meu irmão e a mim. Mel está nos ajudando muito a superar essa fase difícil na qual estamos passando. Enfim, não queria deixar que meus pensamentos vagassem por esses assuntos pois Nicholas, Melanie, dona Diana e minha avó Dilalah estavam tão dedicados em me distraírem que resolvi me esforçar. Alguma música eletrônica berrava nas caixas de som do DJ, de modo que tínhamos de gritar para nos comunicar com alguém e foi isso que Nick fez ao encontrar alguma mesa na qual podíamos sentar.

– Vocês querem beber alguma coisa? — Nicholas nos perguntou.

– Eu quero uma água. — falei.

– Eu quero um suco de laranja. — Mel disse.

– Tudo bem, esperem aqui que irei pegar. — deu um selinho nela e saiu em direção ao bar que havia ali.

– E aí? — Melanie falou debruçando sobre a mesa. — Está se divertindo?

– Bom, — eu ri — festas assim não são muito minha praia, sabe?! Bebida rolando solta, pessoas quase fazendo coisas inapropriadas para menores em público, mas se bem que aqui está bem tranquilo. O pessoal parece estar se divertindo bastante.

– Pois é, ano passado também foi bem legal. Ajudou os calouros a se enturmarem. — Mel contou. — Sabe, eu gosto muito da faculdade e do meu curso. Espero que você goste. Lembre-se, um passo de cada vez. Tudo vai se acertar. — eu assenti e apertei levemente suas mãos.

– Muito obrigada por tudo o que tem feito por nós e principalmente por Nick. Sei que ele pode ser um pouco difícil de lidar às vezes, por entender certas coisas errado e ser um pouco cabeça dura, mas ele ama você. Demais. — meus olhos arderam um pouco. — Ele faria qualquer coisa para vê-la feliz. — sorri levemente.

– Um pouco cabeça dura? Aquele ali é demais. — Mel sorriu deixando uma lágrima escapar, limpando-a logo em seguidada e eu sorri junto. — Eu o amo demais, Lizzie. Faria tudo o que estivesse em meu alcance para que ele encontrasse a felicidade. Nunca estive tão feliz em minha vida. Nunca pensei que fosse encontrar alguém me me amasse, apoiasse e me entendesse. Mas então apareceu seu irmão com o pacote completo, melhor amigo, namorado, noi... — ela rapidamente cobriu a boca com as mãos como se quase tivesse deixado escapar um segredo de estado.

– Meu Deus, Mel, o que houve? — ela fazia uma cara divertida como se não conseguisse conter o sorriso e assustada ao mesmo tempo. — Me fala, se não eu faço cosquinha. — quando eu ameacei levantar meu irmão chegou ao nosso lado com nossas bebidas.

– O que vocês tanto fofocam, hein? — Nick riu. Quando Mel ia abrir a boca para falar eu protestei.

– Sua noivinha, deixou escapar uma coisinha. — disse olhando para ela em tom ameaçador segurando minha gargalhada. Eu não podia acreditar, eles estavam noivos. Acho que acabei de receber melhor notícia do século.

– Nós? Noivos? Tá doida? — ele fez uma cara de desentendido também segurando uma risada.

– Nem adianta esconder, sua gatinha quase soltou o babado e você nem para me contar, mas é um safado mesmo. — Gargalhei abraçando-o forte. E depois fui até Mel e a abracei.

– Mas tu é uma safada mesmo, Melanie, não podia ter se segurado até amanhã? — Nick falou fazendo cosquinha nela. — Nós íamos contar para você, dona Diana e vovó amanhã. Mas esta danada não se aguenta. — gargalhou sentando-se ao lado de sua recém-noiva e beijou a bochecha da mesma.

– Eu estou tão feliz por vocês dois. — falei emocionada. Mas antes que recebesse uma bronca por estar quase chorando me adiantei. — Mas sem mais choros, vamos brindar o mais novo e mais lindo casal do mundo inteiro. — falei levantando o copo d'água enquanto eles levantaram a bebida deles. Nick tinha um braço ao redor de Mel e ambos sorriam bobamente. Quando os via é que acreditava em verdadeiro amor, ainda havia esperanças. Trocaram um beijinho rápido e sorriram um para o outro.

– Poupem-me desta cena, por favor. — falei para implicar com eles e fiz cara de nojo ainda rindo. Nicholas virou os olhos e Mel gargalhou sendo acompanhada por ele. — Deixarei os pombinhos à sós enquanto vou ver o que tem para comer. — sai rapidamente antes que eles protestassem. Fui em direção a mesa de frios que havia perto de onde estávamos, fiquei por ali durante alguns minutos fazendo uma boquinha.

Após dar uma enganada no estômago, fui até o bar para pegar alguma bebida. Como estava um pouco cheio, resolvi esperar até que alguém pudesse me atender. Enquanto isso, tentei sentar-me em um daqueles bancos altos ainda que com um medo danado de me desequilibrar nos saltos outra vez, tendo um pouco de dificuldade, encontrei uma boa posição para apoiar os saltos e subir, porém quando finalmente consegui dar impulso, alguém que estava ao meu lado esbarrou em mim, derrubando um pouco de bebida em meu vestido. Rapidamente tentei passar o guardanapo que estava em minhas mãos em uma tentativa frustrada de secar um pedaço da saia do vestido que estava molhado. Ainda bem que era de cor escura e eu torcia de coração que a bebida fosse água. Como não senti nenhum cheiro de álcool, imaginei que fosse isso mesmo. Graças aos Céus! Pelo menos não ficaria fedida.

– Desculpe! De verda... — a pessoa parou de falar no mesmo instante, então levantei minha cabeça e encontrei olhos surpresos. Por alguns segundos pensei que ele não estivesse olhando para mim e chequei se havia alguém atrás de mim, mas não vi ninguém com quem ele pudesse estar fazendo contato. Então virei-me novamente e fiz uma cara confusa. Tentei controlar os meus pensamentos, mas estava um pouco difícil. Ele era tão lindo, cabelo um pouco despenteado, sorriso de lado, camisa social preta dobrada até os cotovelos, calça jeans escura e apertada o que dava-me uma bela visão de suas coxas. Apesar de tudo, ele não parecia-me estranho. Talvez já tivesse esbarrado com ele na rua.

– Desculpe, quero dizer, desculpe pelo vestido. Não foi com a intenção. — ele não me parecia estranho, tive a sensação de que eu o conhecia de algum lugar. — Era água, de qualquer forma, não vai causar grandes estragos. Mas, ainda assim, perdão!

– Está tudo bem, não se preocupe. Daqui um pouco seca. — ele assentiu e durante alguns segundos encarei-o. Ele pareceu sem graça, por isso tentei explicar-me. — Desculpe, mas eu conheço você de algum lugar?

– Sétima série. Quero dizer, estudamos juntos na sétima série. — fiz uma cara pensativa, tentei lembrar-me do nome dele, era alguma coisa com Thomas, pelo que eu me lembre.

– Perdão, estou tentando lembrar-me de você. Seu nome seria Thomas?

– Sim, Thomas é meu segundo nome. Tyler Thomas, na verdade. — foi então que ele sorriu e estendeu-me uma de suas mãos e me puxou para um beijo na bochecha. Ele cheirava extremamente bem. Várias imagens pipocaram em minha cabeça. Ele era um dos bagunceiros da sala, mas ele era do tipo que fazia bagunça mas ainda assim estudava. Ele era muito inteligente, principalmente em biologia. Lembro até que fiz um trabalho em grupo com ele, como fora sorteio não tive muita escolha, era um grupo de cinco pessoas e dentre elas estavam Tyler e um de seus amigos. Eles bagunçaram um pouco, mas no final das contas, ajudaram e ele me auxiliou bastante em Genética, que era uma matéria na qual eu tinha algumas dúvidas e dificuldades. Devo ter estudado com ele por um um ano e meio, mas depois ele saiu da escola e desde então nunca mais o vi.

– Tyler Thomas, lembro-me de você. Desculpe a perda de memória assim, é que você está... diferente. — "e ainda mais bonito" porém guardei para mim.

– Você também está muito gata, Lizzie. — ele me chamou pelo apelido e eu me surpreendi.

– Retiro o que disse. Talvez você não tenha mudado tanto assim. Continua sendo um conquistador meia boca. — Disse revirando os olhos e segurando uma risada. — Ainda te considero o deus grego que todas as meninas babavam, mais conhecido como o idiota que sentava atrás de mim e puxava meu cabelo. Por que você me perturbava tanto afinal? — levantei uma das sobrancelhas. Ouvi uma gargalhada gostosa. Dei uns dois passos para trás com medo de que a bebida caísse em minha roupa novamente.

– Calma, não vou deixar cair de novo. — ele respirou fundo como se escolhesse melhor as palavras e trocou uma gargalhada por um sorriso um tanto quanto tímido, creio eu. — Eu meio que... Tinha queda por você e como você parecia nunca me notar eu tentei chamar sua atenção de alguma forma errada, eu sei. Eu te admirava, você passava a sensação de estar sempre tão segura de si — quando eu fiz uma cara confusa, ele continuou. — Ah, qual é, você era gatinha. — Eu fiquei um pouco sem graça com a confissão dele, então decidi não aprofundar muito no assunto. Soltei uma gargalhada.

– Então quer dizer que você me achava "gatinha"?

– Então quer dizer que você me achava um "deus grego"? — ele rebateu rindo.

– Perguntei primeiro.

– Ah, qual é, está na primeira série por acaso?

– Tudo bem. — me rendi. — Sim, eu disse que "todas as meninas te achavam um 'deus grego'". Porém, como toda regra tem sua exceção, aqui estou. — sorri convencida.

– Você é boa. — ergueu seu copo em minha direção de riu.

– É. — concordei. — Foi o que eu imaginei.