For The First Time

2 Friends? Forever


Estava perdida em pensamentos enquanto Tyler e eu íamos até à faculdade. Ele passava todos os dias para levar-me até a aula. No carro tocava uma música animada. Eu sorri com os pensamentos. Tyler e eu já havíamos passado por tantas coisas juntos. Ele era meu maior apoio. E eu nunca vou querer perder isso.

Flashback On.

– Um jogo de perguntas e respostas, vai. Você começa, pode ser?

– Perdão?

– Essa é sua primeira pergunta? — arqueou as sobrancelhas com uma cara debochada.

– Não, idiota. — revirei os olhos — O que quis dizer? Como assim jogo de perguntas e respostas?

– Ué, você me pergunta o que quer saber, e eu pergunto também.

– Hm, — larguei meu copinho de sorvete na mesa e cruzei os braços apoiando na mesma. — que tal se eu te perguntar alguma coisa e você me responder com uma palavra só, como a primeira coisa que vier em sua cabeça?! Fica mais dinâmico. — sorri desafiando-o.

Tyler relaxou na cadeira e assentiu.

– Okay, eu começo. Hm, — continuei e fiz um cara pensativa — Qual é seu filme preferido?

– Ah, essa pergunta é difícil. Não dá para ter um filme preferido.

– Eu tenho, mas talvez dois. Ou três. — contei nos dedos enquanto ele ria. — Tudo bem. Essa realmente foi complicada. Deixe-me ver... Qual o seu gênero de filme preferido? Ou gêneros, como preferir.

– Hm, melhorou. Aventura e Ação. Curto 007 e esses filmes de agentes. E os seus? — Eu gosto muito de comédia romântica, também curto um drama, às vezes. Gosto de aventura e ação também. Amo desenho animado, principalmente os da Disney. — ele riu. — Ei, não ria. — fingi estar zangada.

– Não estou debochando de você. Eu também gosto de desenhos animados. — eu ri. — "Procurando Nemo" é meu preferido.

– Também é um dos meus preferidos. Esse jogo já não está seguindo as regras, deveríamos responder apenas com uma palavra. — ele riu. — Nós estamos parecendo duas crianças nos lambuzando de sorvete e conversando sobre desenho animado.

– Quem está se lambuzando aqui é você, bobona. Eu estou limpo. — Eu fingi que estava chateada segurando uma risada enquanto cruzava os braços. Ele gargalhou e limpou o canto da minha boca sujo de sorvete. — Sabe que em um filme de romance essa seria uma perfeita cena para um primeiro beijo, não é? — Ambos estávamos sérios encarando um ao outro. Ele desviou o olhar de meus olhos para minha boca, enquanto sua mão acariciava minha bochecha carinhosamente, eu quase fechei os olhos.

– Mas isso aqui não é um filme de romance, você sabe. — eu sorri levemente. — E você sabe, também, que nós não seríamos o casal principal clichê que se odeia e depois se apaixona. — afastei-me devagar até encostar minhas costas na cadeira.

– É verdade, até porque eu não te odeio. — ele riu.

– Hm, isso me lembrou que ainda estamos jogando e eu tenho uma pergunta. É verdade que você tinha uma queda por mim na sétima série?

– Você ainda insiste nisso? — gargalhei.

– Responda, "deus grego" — fiz aspas com as mãos ainda rindo. — Sim, é verdade. Você era gatinha. "Era" não. É. — sorriu galanteador.

– Hm, por que você escolheu fazer Direito? — Enquanto perguntei percebi que ele tinha uma expressão desconfortável. — Você era tão bom em biologia, imaginei que você fosse fazer algo relacionado. Bom, e pela sua cara esse era o tipo de pergunta que eu não deveria ter feito.

– Não, tudo bem. É só que é um pouco complicado.

– Desculpe, não quis intrometer em sua privacidade. Perdoe-me. Eu, quer dizer, você não precisa responder se não quiser, de qualquer forma esse jogo era só uma brincadeira... — atropelei as palavras, fiquei sem graça. Imaginei que toquei em um assunto totalmente pessoal e eu não gostava disso por também ter minha privacidade. Era como se ele perguntasse pela minha mãe, eu também não me sentiria confortável.

– Hey Liz, tudo bem. — sua mão tocou as minhas. Eu só tenho um pouco de dificuldade em me abrir. Mas nós somos amigos, não é? Eu confio em você. — eu assenti. — Então... Eu tenho dificuldade em me relacionar com meu pai. Ele sempre foi uma pessoa muito cabeça dura, principalmente depois de entrar numa vida de vício. Ele é alcoólatra, alguém totalmente seduzido pelo álcool e que consequentemente tem sua vida influenciada por conta do vício. — ele tinha um olhar triste, tão triste que mal pude colocar em palavras. — Bom, meu pai se formou em Direito e desde pequeno eu acompanho sua carreira. Quando ele estava estudando, eu sentava ao lado dele e lia os livros, mesmo sem entender algumas coisas ainda. Quando terminei a escola, ele quis que eu seguisse o mesmo caminho que seguiu. Eu gosto de História também, eu cresci lendo os livros de meu pai, também me dava bem nesta matéria quando estava no colegial. Mas como você disse, eu sempre fui apaixonado por Biologia. Eu tentei dizer a ele que queria cursar Medicina, mas ele foi contra, alegando que eu deveria pensar em minha estabilidade primeiro, fazer algo seguro, algo que trouxesse boa remuneração rapidamente e algo concreto. Basicamente, eu teria futuro por conta de sua carreira. Bom, eu sempre tive dificuldade em aproximar-me dele, era bem mais fácil com minha mãe, eu conversava com ela sobre qualquer coisa. Juntando tudo isso ao fato de ele ter entrado em um área perigosa, que é do álcool, você deve imaginar que tudo complicou. Ele tenta se controlar, mas, às vezes, parece ser impossível, quando o mundo é tomado por essa propaganda que fazem ao álcool. Recaídas são terríveis e tristes. É difícil encontrar alguém que não beba hoje em dia, por isso, gosto de sentir orgulho de mim mesmo. — ele olhou para baixo. Imaginei que deveria ser muito difícil falar sobre isso. Afastei minhas mãos das suas e acariciei seu cabelo. Queria que ele soubesse que poderia confiar em mim, sabia como ele se sentia, sabia como era complicado colocar os sentimentos em palavras quando você está em uma confusão, quando você mesmo não se compreende.

– Você é um bom menino, Tyler. Saiba disso. Espero que um dia seu pai perceba que tendo esforço, todos conseguimos o que queremos. E, quando eu digo isso, quero dizer que concordo que você tenha maturidade e seja bom o suficiente para cursar Medicina e se estabilizar.

– Sabe, às vezes, nós apenas precisamos que alguém diga o quanto acredita em nós. — ele sorriu levemente olhando em meus olhos. Eu o imitei e depois de alguns segundos depositei um beijo demorado em sua bochecha.

– Talvez devêssemos ir. Está escurecendo, preciso cuidar de minha avó. Sabe que ela pergunta por você? Ela disse que adora quando "o menino grandão" faz uma "visitinha". — ri.

– Vamos lá, eu te levo em casa. Preciso fazer uma visitinha à dona Dilalah. Chegamos a casa rapidamente. Minha avó esperava ansiosamente. Enquanto batia toda sua comida no liquidificador, por conta do engasgo frequente, toda sua refeição era batida para evitar maiores preocupações, Tyler e ela conversavam na sala. Dona Dilalah adorava as palhaçadas que ele fazia para fazê-lá rir. Ela provavelmente não sabia quem ele era, mas o reconhecia de algum lugar. Quando lembrava-se dele, chamava-o de "menino grande".0

– Será que você pode deixar minha avó agora? Ela é minha!

– Ei! — ele protestou.

– E ela vai comer agora. — ri enquanto Tyler fez cara feia. Sentei no sofá enquanto apoiava seu prato em meu colo. Em seu estágio, suas refeições já eram feitas de colher e sua comida pastosa para evitar engasgos, como eu havia sido dito. Por vezes, ela recusava a comida e eu agradecia a Deus que em casos como esse, ela aceitava sua vitamina de banana. Era complicado, não é tão fácil quanto parece, principalmente quando acontece essas recusas.

– Hm, que gostoso! Está bom assim, princesa? — ela balançou a cabeça afirmando. Ela ainda entendia algumas coisas. Poucas. Mas ainda possuía alguma noção.

– Essa comida que a Lizzie fez tá ruim, né dona Dilalah? — ele fez uma cara feia fazendo-a rir.

– Não faz isso, Thomas. Ela se engasga. — cutuquei ele com o cotovelo.

– Tá bom, desculpe. — ele levantou as mãos rendendo-se. — Vou ao banheiro.

Após ter dado comida a minha avó e ajudado dona Diana com a louça, resolvi jogar um jogo de tabuleiro com Tyler para passar o tempo. Ri de suas palhaçadas e implicâncias e depois de algumas horas, ele resolveu que já estava na hora de ir.

– Vamos lá que te levo até à porta. Obrigada por hoje, Ty. Minha avó o adora. — sorri levemente enquanto abria a porta e apoiava-me no batente da mesma. Ele abriu um sorriso enorme e ficamos em silêncio por alguns segundos apenas trocando olhares.

– Sabe, Liz... Hoje eu estava falando sério sobre o filme de romance. — ele falava sobre nosso quase beijo mais cedo, eu tinha certeza.

– Hm. — eu não soube o que dizer. Por que ele tinha que tocar nesse assunto? Ele aproximou-se de mim. Senti seus dedos acariciam meu rosto levemente e então fechei meu olhos e deixei acontecer, eu não tinha nada a temer ou tinha? Seus lábios tocarem os meus em um leve carinho, então, pus minhas mãos em torno de seu pescoço e acariciei aquela região. Havia tanto carinho no beijo que quase me emocionei. Mas Tyler era meu amigo, não era? Meu único amigo a propósito. E eu não podia estragar isso. Separei nossos lábios bruscamente.

– Ty, não podemos... — seus dedos ainda acariciavam minhas bochechas e seu olhar era confortante, apesar de me lembrar o que eu perdi pausando aquele beijo.

– Tudo bem, Liz... E-eu entendo.

– Ty, você é meu amigo, meu único amigo. E eu não posso perder isso. Você me entende? — não sei como consegui controlar minha voz porque meu nervosismo fazia presença.

– Hey, Liz. Tá tudo bem. Você também é minha amiga. Minha melhor amiga, se é que posso assim dizer. -ele deu ênfase no "melhor" — E eu também não quero perder isso. — ele respirou fundo como se tivesse receio do que fosse dizer a seguir.

– E-eu já amo você. — Sorri abertamente.

– Eu também amo você. — disse baixinho abraçando-o. Não fazia tanto tempo assim que nos conhecemos para valer. Havia apenas um ano, mas ainda assim parecia haver mais. Tínhamos alguma conexão que eu mal podia descrever.

– Amigos?

– Sempre.

Flashback Off.

– No que você está pensando? — ele perguntou curioso.

– Estava lembrando-me daquele dia... — disse rindo.

– Que dia? — ele perguntou com os olhos no trânsito. Ele era sempre muito atento quando se tratava de direção.

– Àquele dia. — dei ênfase para que ele entendesse que fora o dia em que nos beijamos. Primeira e única vez. Era engraçado relembrar.

– Ah sim... Amigos? — ele riu também.

– Sempre. — gargalhamos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.