For My Demons
8 Capítulo 8 - O que sabe sobre mim?
Notas iniciais
_ Sua vida é uma das mais entediantes que já vi, até pessoas em coma têm vidas mais agitadas._ Reclama o demônio pela decima vez.
_Porque você não vai atormentar outra pessoa, ou vai pro inferno?_ Cochichou em quanto fazia uma prescrição medicamentosa para uma senhora que tinha fortes enxaquecas e usava grandes pulseiras douradas.
_ Eu sei o que ela tem: tem um grave problema com o álcool, é uma consumista maluca e o marido dela tem uma amante com hepatite e o inicio de gonorreia. É isso que ela tem, e não precisei ver exames para saber disso._ Ele disse no tom de voz de sempre, e com uma cara de tédio.
Belphegor não precisava falar baixo estando invisível e isso irritava ainda mais Veronica, que tinha que cochichar respostas para ele, pois ignorar não funcionava.
_Aqui está senhora_ Disse ela entregando a prescrição para a senhora e sem saber o que fazer com a informação dada por Belphegor.
_Obrigada doutora._ Falou a senhora, que estranhava os cochichos quase inaudíveis, mas incompreensíveis da médica.
Assim que a paciente fechou a porta atrás de si, Veronica disse num tom amargo:
_Vá curtir mais um pouco sua liberdade longe de mim.
Veronica não ficava confortável com sua presença. Isso era compreensível, aliás, ele era um Demônio. Mas quando ele sumia, também se sentia mal, ficava paranoica e não parava de pensar nele.
_Oooh! Você ficou magoada! _Ele gargalhava, divertia-se muito em pensar que ela estava magoada por ele ter sumido e depois dizer que estava de férias dela. Mas ao mesmo tempo estava surpreso, Para ele, ela nunca demonstrava muito, sempre pareceu só alguém que escondia algo e queria algo.
Para ele era ganhar na loteria descobrir que ela tinha um ego que poderia ser fragilizado só com a hipótese de ser uma má companhia. É claro que ela havia escondido isso, e com razão.
***
Regra Numero um: Não deixe seus sentimentos visíveis aos olhos de demônios, eles usarão isso contra você...Eles usarão tudo contra você. Veronica anotou em seu pequeno caderno de experimentos três anos antes de invocar Belphegor.
***
_Querido Bel, não estou magoada, só acho meio grosseiro você dar a entender que sou insuportável, mas se tratando de um demônio isso deve ser uma coisa boa._ Ela falou forçando doçura na voz.
_Quem é Bel?_ Ele perguntou parecendo chocado.
_Um apelidinho carinhoso que criei, mas se preferir pode ser Gor, ou Pheg, ou Gorbel. Esse eu acho meio ruim, soa como um nome de um gato gordo: Gorbel hoje iremos ao veterinário._ Ela sorria estonteante pela cara de completo horror de Belphegor.
_Você enlouqueceu?! Não ouse chamar-me assim!_ O demônio gritou e Bateu a mão na mesa á frente de Veronica que se assustou e pensou que a mesa iria quebrar pelo tamanho barulho que fez, mas ela tentou manter o sorriso.
_Mas por que não? Belphegor é um nome muito grande e...
_Você que decidiu me invocar, poderia ter invocado o Ose, é um nome curto._ interrompeu Belphegor.
_Ele me pareceu meio estranho, meio...
_ Ah! E eu pareci normal, com um rabo enorme, uma língua gigantesca, chifres e sentado num vaso. Completamente normal_ ele interrompeu falando com ironia e deliberada acides.
_ Na verdade Você me pareceu o menos agressivo, tirando a aparência; quer dizer; Você não tinha um exercito como o Ose.
_Você não parou pra pensar que talvez eu não precisasse de um exercito? Sou um dos sete príncipes do inferno, sou o Senhor do Fogo. Não preciso de um exercito._ Ele disse parecendo ameaçador aos olhos da jovem.
_Mas... Algumas coisas me fizeram esquecer um pouco esses fatos._ Veronica disse um pouco insegura.
_O que?_ Ele perguntou mal humorado.
_O fato da língua em formato de falo._ Ela disse segurando o riso.
Belphegor não aguentou e acabou deixando a carranca de lado.
Ela é corajosa, tem mais potencial que muitos demônios que conheço. Pensou ele, com um pequeno sorriso. Será Ótimo acabar com ela.
_Essa foi outra coisa que acabou com minha imagem, uma língua em formato de pênis._ Ele falou com indignação.
_A primeira coisa que eu pensei é que era um demônio que estava constantemente fazendo um boquete._ Disse Veronica rindo abertamente e tomando uma coloração avermelhada.
_Estou muito ofendido, aquela imagem horrenda era para as pessoas ficarem com medo, não para fazer piada. E, médicos podem usar esse linguajar baixo?_ O demônio falou fazendo falsa cara de raiva.
_Sou Medica Geral, não uma beata_ Ela falou recompondo-se.
_Humm, isso parece bom... _Ele falou com malícia.
Sem duvida prefiro o Belphegor jogando coisas em mim, do que tentando me seduzir Ela pensou meio sem jeito.
_Pois, se você fosse uma beata eu teria que te matar, é mais forte que eu._ Ele falou com um sorriso.
_Sabe que isso é pecado né? _Ela disse brincalhona.
_ Não ligo muito pra isso. Então, o que sabe sobre mim que é real?_ Ele perguntou como uma criança que desafia outra.
_Vejamos... Belphegor foi um anjo como todos os outros demônios, é o demônio da preguiça, das invenções, da libertinagem, é contra casamentos e relações monogâmicas, é o senhor do fogo, se quiser anda entre os humanos, um dos sete príncipes do inferno e só está abaixo de Lilith._ Veronica disse.
_O básico. _ Ele falou aconchegando-se mais a poltrona em frente a mesa.
_ Imagino que não deve querer que eu saiba tudo._ Ela falou um pouco curiosa, para saber mais.
_Não ligo que saiba de tudo, ou que pense que sabe.
_Vai me contar?
_Claro que não, descubra sozinha_ Belphegor disse num tom cansado.
_E sobre mim? _Veronica perguntou depois de um tempo.
_ O que tem?_ Ele perguntou entediado.
_O que sabe sobre mim?_ Ela perguntou enfrentando-o.
Depois de uma gargalhada e ele disse parecendo exausto:
_Sei que você é uma bruxinha chata, tem uma coleção de camisetas velhas de bandas, tem uma fixação por livros antigos, tem vinte e seis anos, mas parece que tem dezessete, tem uma tia mau caráter, algumas amigas, mas parece muito solitária, se dedica muito em tudo que faz, tem problemas em receber ordens, teve um namorado horrendo quando tinha quinze anos, é órfã desde os nove anos, queria fazer artes plásticas, entretanto, acabou gostando de medicina mesmo detestando todo o ambiente branco, tem t.o.c.(Transtorno Obsessivo Compulsivo) e tem problemas com alimentos apimentados._ Ele falou como se nada fosse interessante, e não era.
_Não, essa parte de ter t.o.c não é verdade
Fale com o autor