For My Demons

9 Capítulo 9 - Amizade?


Notas iniciais
Belphegor mais soltinho? Que loucura é essa?

_Veronica sou um demônio, não tente enganar-me ou discutir comigo, sei essas coisas sobre você pelo tempo que fiquei em sua casa. O que acha que eu fazia em quanto você saia além de assombrar suas empregadas?_ Ele perguntou erguendo uma sobrancelha.

_Achei que estivesse procurando meu livro de feitiços.

_Procurei por um tempo, mas eu imaginei que seria mais fácil encontrar se soubesse mais sobre você, e também poderia usar essas coisas contra você em outras situações._ Falou Belphegor com naturalidade.

_Descobriu algo que possa usar contra mim?_ Perguntou Veronica despreocupadamente.

_Algumas..._Ele respondeu pensativo.

Depois de algum tempo observando-o ela disse:

_Obviamente não dirá quais são essas coisas.

_Prefiro manter o suspense._ Disse o demônio olhando o torso de um modelo anatômico.

_Não desmonte._ Avisou Veronica.

_Droga! Já desmembrei humanos de verdade, isso é só um manequim que imita o corpo humano, saberei montar novamente antes que você pisque. Parece que se esquece que sou um demônio...

_Não esqueço, pode acreditar._ Ela falou fitando-o nos olhos.

_Então deixe-me desmembrar esse maldito manequim em paz, a não ser que queira que eu desmembre aquela enfermeira ruiva com um grande par de seios._ Falou impaciente em quanto já levantava-se e tirava a caixa torácica do modelo anatômico.

_A Margareth? Fique a vontade para desmembra-la_ Disse a jovem dando de ombros.

_Quem diria, a "senhora ética" desejando a morte de uma dermatologista, sua pobre colega de trabalho. Maldade._ Ele diz com divertimento na voz, em quanto separa os órgãos do modelo anatômico.

_Não estou desejando a morte dela, estou dizendo que não ligo se um acidente acontecer._ Defendeu-se com tom ofendido.

_Não, Você me deu total apoio para desmembra-la._ Disse ele sorrindo com um fígado nas mãos.

_Não é porque eu não ligo que estou te dando apoio, eu só não ligo. Não me torno uma mandante de crime por isso._ Ela falou de mãos erguidas como se estivesse sido pega pela policia.

_O que ela fez pra você?_ Belphegor pergunta um pouco mais serio.

_Por que ela tem que ter feito algo? Não posso simplesmente não ligar para a existência dela?_ Veronica rebate irritada.

Ele dá uma pequena gargalhada e finalmente olha em direção a ela, deixando os órgãos de plástico na mesa e voltando a se sentar na frente de Veronica.

_Você não é assim._ É a única coisa que ele diz, e permanece parado olhando-a.

_Você não...

_Você não sabe como eu sou, pare de dizer isso. Sei que você não é indiferente á vida das pessoas que nunca fizeram nada a você, seu ódio não é gratuito. Sua antipatia para com essa bela ruiva não é em vão, sei disso e sei do motivo, mas quero que diga._ Ele disse sem parar de olha-la nos olhos.

_Essa sua visão sobre mim, faz-me parecer uma boa pessoa._ Ela falou com humor forçado, e tentando mudar de assunto.

_Não exagere._ Retrucou o demônio com uma careta.

Belphegor não iria insistir naquele assunto, mesmo adorando o desconforto dos humanos, ele preferiu não continuar insistindo... Haviam coisas mais importantes que ele queria saber, ele queria confiança para conseguir o que precisa, e essa confiança só seria conquistada se ele conquistasse um pouco da amizade da feiticeira.

***

_Esse hospital tem necrotério?_ Belphegor perguntou depois de montar o modelo anatômico pela terceira vez, e de ter ouvido mais cinco consultas.

Veronica assustou-se com a pergunta, mesmo sempre esperando coisas ruins do demônio, ainda ficava surpresa pela capacidade que ele tinha de assusta-la.

Droga, agora ele vai brincar de Lego com os corpos. Era só o que faltava! Ele é um demônio, eu queria o quê? Que ele brincasse com as crianças da pediatria?, pensou Veronica.

_Tem, é um hospital bem grande, com várias alas. Mas porque a pergunta?_ Ela perguntou quase sem querer saber a resposta.

_Posso sentir o cheiro daqui._ Ele disse farejando o ar, Veronica o imitou, entretanto não sentiu nada.

_Os corpos ficam numa temperatura entre 2 ° C e 4 ° C, não tem como sentir o cheiro._ Ela disse confusa.

_Não falo do odor dos corpos, mas o da morte, desde que cheguei aqui sinto esse cheiro misturado com outros. É quase como as ruas durante o século XIV, nunca trabalhei tanto como naquela época._ Ele dizia com adoração.

_Século XIV?... Foi quando houve a Peste Negra._ Veronica disse desconfortável.

_Peste noire..._ Ele disse em francês suspirando.

Veronica mal conseguia respirar, pensando que seus pulmões poderiam estar enchendo-se de um ar contaminado pela morte. Suas preocupações foram interrompidas por batidas na porta.

_Entre._ Veronica gritou depois de checar se estava tudo no lugar e se Belphegor já tinha voltado de seus pensamentos sobre o passado.

Caroline colocou a cabeça dentro da sala e depois o corpo.

_Veronica, você soube?_ A enfermeira disse num tom baixo e Veronica soube do que se tratava.

_Do que?_ A jovem perguntou, fingindo não saber.

_Doutor Ribeiro morreu._ Caroline disse parecendo um pouco triste, triste como uma pessoa comum que se sente um pouco triste quando alguém morre.

_Caramba... Ele..._ Veronica tentou parecer mais surpresa possível.

_É, eu também achei repentino. Ele nem tinha problemas cardíacos e sempre fazia exames, tinha uma saúde de touro._ Ela falou.

_É verdade_ Veronica concordou.

_Mas vim aqui perguntar se você vai fazer hora extra._ Caroline falou num tom mais alegre.

_Não, eu já estava de saída. Até amanhã Caroline._ Veronica disse em quanto pegava a bolsa e saia da sala.

_Até amanhã.

***

Belphegor gargalhava em quanto seguia Veronica pelo estacionamento do hospital.

_Você poderia ser atriz, deveria ter tentado a dramaturgia._ Ele disse quando conseguiu parar de rir.

_Isso não tem graça, eu não sou boa em improvisar e não gosto de mentir._ A humana falou tentando manter o tom de voz baixo.

_Não está mentindo, está dissimulando. É diferente, você fez parecer uma coisa ruim.

_Então, não gosto de dissimular._ Ela disse irritada.

_Ótimo! Volte lá e diga que já sabia que ele estava morto._ Ele disse como quem desafia.

_N- não farei isso._ Ela falou e continuou andando até a vaga em que seu carro estava estacionado.

_Que bom, não seria legal passar por uma longa investigação, caso ela chamasse a policia, ou ficar como estranha.

_Você vai entrar?_ Perguntou firme, olhando para o banco ao seu lado.

_Claro que sim achou que eu iria andando?_ Ele pergunta erguendo uma sobrancelha, incrédulo.

_Você não precisa ir andando e nem de carro. Pode desafiar a gravidade e usar o poder de sua mente para ir onde quiser._ Ela falou como se fosse obvio.

_É meio monótono ir de um lugar ao outro tão rápido._ Disse ele entrando no carro.

_Imagino.

***

_Sabe Demônio, eu estava pensando... Porque você não vai embora de vez?_ Veronica perguntou em quanto virava numa esquina, próximo a uma escola.

_Já respondi essa pergunta, mas, estou muito bonzinho, responderei novamente: Não vou por ainda ter coisas para terminar.

_Quais coisas?_ Veronica perguntou instintivamente.

Depois de um longo suspiro Belphegor respondeu.

_Preciso do livro e de sua cabeça numa bandeja de prata._ Ele disse bruscamente, esquecendo toda a história sobre confiança.

_Está falando serio? Mas..._ Ela disse olhando para todos os lados.

_Nunca falei tão serio, a parte mais seria é a sobre sua cabeça numa bandeja._ o demônio disse em quanto olhava pela janela.

_Mas você já está livre. É só ir, vá para luz!_ Ela gritou afetada, mas logo se controlou por achar que os passageiros do carro ao lado poderiam ouvir.

Belphegor deu um sorriso triste.

_Não é tão fácil. Você acabou com minha honra, prendeu-me. Logo os outros estarão sabendo, se já não souberem...

_Então... Porque ainda não arrancou minha cabeça? _Veronica perguntou com um pouco de receio da resposta que ouviria.

_Acho que esperei muito de sua inteligência... Não sei onde o livro está, ele é a prova de como conseguiu manter-me preso.

_Entendo._ Ela fala voltando a dirigir.

_Vamos no Mc Donalds?!_ Belphegor pediu com um grande e falso sorriso, sabendo que a resposta seria negativa.

_Não, eu vou para casa._ A humana falou com frieza.

Depois de incontáveis minutos em silencio Belphegor perguntou sem muito interesse:

_Sabia que sua tia volta mês que vem?

_Não, não sabia._ Ela respondeu surpresa.

_É, eu sabia que você não sabia. Ela queria te fazer uma surpresa. _ O demônio disse em completo tédio.

Veronica explodiu em risos, uma gargalhada histérica, em quanto o Belphegor a olhava sem entender.

_Agora você, O Grande Belphegor está, está se limitando esse tipo de coisa? Estragar surpresas de socialites de meia idade? _ A jovem disse contendo o riso.

_Você tem muita sorte que eu ainda não encontrei essa porcaria de livro. Assim que eu estiver com ele em mãos veremos onde estará esse seu humor._ O demônio falou, e era palpável o ódio que ele sentia, entretanto, a jovem feiticeira não sentiu medo, já havia sentido medo de mais num dia só.

_Não se chateie._ Veronica disse fazendo biquinho, como se falasse com uma criança, E esticou o braço para bater em seu ombro, mas por estar com os olhos no transito acabou afagando os cabelos do demônio, que arregalou os olhos surpreso.

Veronica também surpreendeu-se, mas a surpresa foi pela maciez dos fios negros e por sua vontade de repetir o gesto viciosamente.

Ela tirou a mão dos cabelos de Belphegor como se estivesse sido queimada, e tratou de endireitar-se no banco, ele fez o mesmo em quanto observava os pedestres apressados.

Tenho que encontrar esse maldito livro e decepa-la o quanto antes, pensou o demônio mantendo os olhos nos humanos que passavam por ali.

Tenho que manter o livro seguro, encontrar algum feitiço para prende-lo (o que será bem mais complicado, pois ele está preparado), conseguir o que quero e manter minhas mãos longe dele em situações possivelmente afetivas, pensava Veronica em quanto mantia os olhos presos ao farol.

Notas finais
Comentários? Pedidos? O que acham? Alguém prevê algo?