For My Demons

18 Capítulo 18 - Consciência


Notas iniciais
Obrigada pelos comentários, continuem assim. Talvez algumas pessoas não entendam, mas o capítulo se chama consciência por ter muitos pensamentos e a consciência de cada personagem de certa forma. Boa leitura.

Veronica acordou com o sol invadindo o quarto, olhou para o relógio no criado mudo e lembrou-se vagamente do sonho da noite passada. Sentiu-se patética e tentou espantar qualquer pensamento sobre o sonho ou Belphegor. Levantou-se e foi ao banheiro fazer sua higiene, ao voltar checou os e-mails e procurou alguma ligação perdida, mas não havia nada, mas na caixa de mensagens apenas uma de sua tia que dizia: Cuide bem de Brigitte.

Quê?! Mas... Quem é Brigitte?, ela perguntava-se fazendo uma careta.

Depois de alguns segundos relendo a mensagem e tentando entender, a feiticeira saiu do quarto correndo e foi até a cozinha.

_Judith, que é Brigitte?_ Veronica perguntou como se sua vida dependesse da resposta da empregada.

_É a cadelinha da sua tia. Ela soube que você estava de folga por um tempo e deixou o Brigitte pra você ter companhia._ Respondeu a empregada sorridente.

Veronica estava estática, não gostava muito de animais, eles faziam muita sujeira e precisavam de muitos cuidados. A vida já era muito complicada e ela tinha que cuidar apenas da própria vida, imagine se precisasse cuidar da vida de um animal de estimação?

_Mas, onde tia Tácia está? _ Ela perguntou irritada.

_Pelo que sei ela foi viajar com o novo namorado_ Disse a empregada falando em tom mais baixo como se fosse um segredo.

_Onde ela está?_ Veronica pergunta desanimada.

Judith aponta para de baixo da mesa e Veronica abaixa-se, encontrando uma bolça rosa, cheia de enfeites, ela levanta a bolça com facilidade e põe em cima da mesa para olhar melhor, mas antes que ela ponha os olhos dentro da bolça, uma cabecinha com orelhas grandes e olhos maiores ainda sai da bolça, dando um susto nela.

_Por que ela não poderia ter um cão normal? Tinha que ser um chihuahua . E ela nem gosta de animais._ Veronica fala olhando a criaturinha com cara esnobe.

_Ela ganhou do novo namorado._ Judith disse distraidamente em quanto mexia algo na panela.

Veronica resmungou algumas coisas durante algum tempo mas foi interrompida.

_Ah! E ela também disse outra coisa._ A empregada disse dando a volta na mesa e indo para perto de Veronica, que aguardou curiosa_ Ela viu seu amigo da faculdade e levou um susto muito grande mas, ela mandou eu ficar de olho nele e dizer pra senhora que e ele for um delinquente, drogado ou violador de criptas é bom dar um jeito de mandar ele embora._ A empregada disse falando baixinho e olhando para a porta certificando-se que estavam sozinhas.

Veronica imaginou a cena cômica de sua tia encontrando Andy andando pela casa, ela quis rir mas preferiu manter uma expressão seria na presença de Judith. Para uma socialite conservadora, o Andy pareceria um garoto alto e revoltado, que usa roupas pretas e cabelos grandes.

_Ele é meio estranho e come muitos doces né?_ Judith perguntou fazendo uma careta.

Você mal sabe o quanto ele é estranho Judith, pensou a feiticeira.

_Andy é meio diferente, ele é austríaco. Na época da faculdade ele estava fazendo intercambio._ Explicou Veronica, e a empregada pareceu convencida de que ele era só diferente.

_Quem estava fazendo intercambio?_ Andy perguntou entrando na cozinha e assustando as duas que estavam ali.

_Samantha._ Veronica disse, pois já havia percebido que esse era o nome que fazia Andy fugir dos assuntos, ele estava evitando a ruiva por algum motivo que a feiticeira estava louca para saber, e logo daria um jeito de tirar a resposta da amiga.

_Judith pode preparar aquelas panquecas? _ o demônio perguntou evitando olhar para a feiticeira.

Judith respondeu com um aceno positivo.

_Que porcariazinha é essa?_ Andy pergunta olhando para a cadelinha que não tira os olhos de seus cereais açucarados.

_É Brigitte._ Respondeu Veronica sem ânimo.

_Como a Brigitte Bardot? _Andy perguntou olhando para a roupinha do animal.

_É..._ Respondeu a feiticeira olhando para o demônio com o cenho franzido._ Você é hetero ? _Ela perguntou antes de conter-se.

_Sim._ Andy respondeu olhando-a confuso e depois sorriu._ Isso é um estereótipo, que heterossexuais não podem saber quem é a Brigitte Bardot.

_É que foi automático, a maioria dos caras não conhecem Brigitte Bardot, e não ligariam o nome da cadelinha da minha tia ao do símbolo sexual dos anos 50._ Ela justificou dando de ombros.

_Não faço parte da maioria dos caras._ Andy disse olhando-a com olhos completamente negros por alguns segundos, e depois voltou a sorrir com seus olhos azuis.

Judith que estava de costas preparando as panquecas não viu nada, mas pode sentir um frio na espinha, ela trabalhava naquela casa a muitos anos e nunca havia sentido o ar tão pesado quanto nos últimos três meses.

Veronica bebia seu café forte em quanto pensava o que iria fazer com Brigitte para não ter que cuidar dela e não acabar pisando nela sem querer.

A humana nunca gostou de ter alguém que precisasse dela, isso era uma responsabilidade muito grande, e imaginava que esse talvez fosse um dos motivos pelos seus relacionamentos nunca terem durado muito; no momento em que as coisas começam a evoluir para uma coisa mais séria ela terminava arrumando uma desculpa para acabar com tudo.

Ela preferia o inicio de tudo, quando era sem cobranças, sem responsabilidades, sem dependências, sem mentiras ou verdades; apenas duas pessoas. Mas isso nunca durava muito, com o tempo alguém começava a falar de assuntos sérios, depois mais coisas sobre família e ás vezes até falavam de outros relacionamentos. Até que chegavam no campo minado que era o vamos deixar as coisas mais sérias?

Na adolescência o que Veronica mais queria era ser livre, com o tempo foi percebendo que essa ideia de liberdade era uma ilusão, ninguém era livre; todos estão presos a algo. Ela desistiu do sonho de liberdade plena, mas procura a solução para o problema que a tornou mais presa a tudo, nessa busca desesperada, ela apenas está conseguindo se prender ainda mais.

Porque ela não desiste? , se está se perguntando isso é porque não aprendeu nada sobre essa humana insolente. Ela não desistirá, já arriscou tudo e não pode desistir agora nem se quisesse.

Andy olhava para as panquecas que acabaram de ser servidas e colocava a calda de baunilha distraidamente, em quanto migrava para vários pensamentos: Preciso certificar-me que as legiões estão como sempre em minha ausência, se algo ficar fora de ordem Lúcifer descobrirá que não estou em meu devido lugar na ordem dos tronos ou nos mares de almas, uma das partes quase inacessíveis do submundo; então serei massacrado, precioso manter meus olhos na Veronica, se algo a acontecer em quanto Belphegor estiver fora os nove reinos do inferno serão pintados com sangue de uma longa batalha, pois eu não deixarei que ele acabe comigo tão facilmente...

Andy parou subitamente seus pensamentos, e sentiu uma energia diferente na casa, no inicio pensou ser a de algum inimigo, mas, com o passar de alguns segundos as vibrações da presença tornaram-se mais fortes e com traços de Belphegor. Eram como vibrações sonoras só que imperceptível aos humanos e demônios fracos. Alguns animais e pessoas sensitivas conseguiam sentir essas vibrações.

O demônio olhou para Veronica que estava ao seu lado bebendo mais um gole do café e com um olhar meio perdido.

_Tem uma surpresa no quarto de hospedes._ Ele disse baixo, a humana não entendeu direito._ Belphegor voltou._ Ele disse por fim, num tom ainda mais baixo, para que Judith não ouvisse.

Veronica estava com os grandes olhos castanhos abertos, sem piscar pela notícia repentina. Ela não sabia se seria muito estranho levantar sem ter terminado o café e ir até o quarto de hospedes ver como estava Belpheor, o que foi decidido na reunião com Lilith.

Desde quando me preocupo com o que pode parecer estranho?, ela pensou levantando-se indo até as escadas que levavam a um corredor longo com alguns quadros que não representavam nada para o comprador além de status.

Sem parar muito tempo na porta do quarto, Veronica entrou quase que correndo, ela queria acabar com aquilo o mais rápido possível.

Belphegor estava de frente pra janela, observando as flores do jardim e fazendo algumas murcharem, era um passa tempo, assim como o das crianças que matam formigas... A diferença é que se ele tinha um poder real, ele podia decidir quem viveria ali, no lugar de formigas ele poderia usar humanos.

Ele virou-se, já sabendo quem entrava sem sequer bater na porta.

Veronica bateu a porta atrás de si e encarou o demônio a sua frente, ele não usava nada além do jeans preto que pendia um pouco na cintura. Ela não pode evitar lembrar-se do sonho da noite passada, e desviou o olhar rapidamente para se recompor.

_Quando você chegou?_ Perguntou a humana olhando para o rosto do demônio. Tentando parecer um pouco solícita.
_Isso não é o que você quer perguntar de verdade._ Respondeu ele dando passos lentos na direção dela.

Veronica ergue uma sobrancelha e recorda-se de ter ouvido algo semelhante do demônio em outra situação, quando ele conseguiu quebrar a barreira do feitiço de proteção, quando ele a beijou para provar que ela já não estava mais tão segura.

Bel e sua mania de querer saber mais do que eu sobre o que quero ou não..., pensou ela dando um pequeno sorriso com escarnio.

_Então, o que eu quero saber de verdade?_ Veronica perguntou encarando-o.

Belphegor parou a dez centímetros de distancia da humana, que o encarava e a olhou no fundo dos olhos. O que você está escondendo bruxinha? Porque Lilith suspeita de você?..., ele pensou sondando os olhos da feiticeira.

_Você quer saber se não corre perigo, se já pode começar a por em pratica os planos para conseguir o que ainda quer, e começar a tentar colocar-me em situações ; desconfortáveis, para tirar proveito. Não tentou nada até agora por precisar de mim._ O demônio diz e vê a expressão da humana tornar-se de completo ódio._ Ah! O que? Não gosta de ouvir que precisa de um demônio?_ Continua ele fazendo uma cara de falsa tristeza, como se estivesse arrependido pelo que disse, mas logo deu um largo sorriso.

Veronica engole a bola de raiva que se formava em sua garganta, endireita a postura e enfrenta o demônio a sua frente.

_Por causa de um maldito imprevisto ainda estou te suportando, mas assim que isso for resolvido teremos um enfrentamento justo e te usarei como planejado antes desses problemas.

_Sabe... Tenho vontade de deixar que os servos do Molock te levem, aliás, tenho vontade de te levar eu mesmo, e esperar até que você esteja completamente queimada e não tenha sobrado nada, para que eu possa ter certeza que tudo acabou ._ Belphegor falou.

_É ele que está atrás de mim?_ Ela perguntou já sem a raiva de antes.

_Agora já não sei... Mas coloquei alguém para investigar isso._ Ele respondeu percebendo o quanto ela mudou, ela estava mesmo preocupada.

Ela é uma humana, eles sentem medo e se preocupam. Finalmente ela está se comportando normalmente, mas nesse momento talvez não seja a hora certa para ela ser tão humana., pensou o demônio.

_Quem? É de confiança?_ Veronica perguntou indo para outro lado do quarto, distanciando-se do demônio.

_Um incubo, descobrirei se ele é de confiança. _Belphegor disse colocando as mãos nos bolsos da calça casualmente.

Ele está fazendo isso de propósito, será que ele sabe do sonho?, ela pensou, e essa ideia a atingiu como uma bigorna que atinge um coelhinho branco. Os grandes olhos castanhos da humana quase saíram das orbitas.Ele é muito poderoso, pode fazer algo como visitar humanas em sonhos ou fazer ilusões, como miragens. Mas... Ele não faria isso. Veronica convenceu-se de que era tudo fruto de sua grande imaginação e do libido quase tão grande.

Notas finais
Comentem, comentem, comentem mais e mais um pouco. Estou pensando em preparar algo especial para o Capítulo 20, o que acham? Algum pedido? Algum palpite sobre o que terá no Capítulo 20?