For My Demons
17 Capítulo 17 - De Volta à realidade
Notas iniciais
Veronica foi dormir naquela noite muito mais preocupada do que nunca, pensava em tudo que Andy havia dito, tinha um ar de ressaca moral preenchendo o quarto. Ela rolou pela cama sem encontrar uma posição certa, sentia como se a camiseta larga que usava de pijama estivesse apertada como as roupas de couro da mulher gato.
Depois de mais algum tempo mexendo-se, conseguiu dormir. Mas nem em seus sonhos feiticeiras descansam.
Veronica viu-se num quarto escuro, parecia-lhe um calabouço, entretanto não estava acorrentada a uma parede e o lunar não era sujo; era mal iluminado mas ela pode ver que a Veronica do sonho estava deitada numa grande cama com tecidos bordados, parecia cansada em quanto dormia.
Algo se movimentou nas sombras do quarto, Veronica preparou-se para o auge dos seus sonhos, a tensão do pesadelo. Aquela que a fazia acordar-se na infância e pedir por ajuda.
Mas Veronica ficou ainda mais aterrorizada do que em seus pesadelos, pois o que estava se aproximando não era uma sombra e no sonho não era possível sentir algo ameaçador.
Era Belphegor que se aproximava lentamente, com o olhar fixo na Veronica que dormia tranquilamente.
A feiticeira assistia tudo sem conseguir pensar em nada além da estranheza de tudo que acontecia ali, o demônio parecia tranquilo de uma forma que ela nunca viu, como se um enorme peso tivesse sido tirado de seus ombros, e tinha um olhar que ela reconheceu como sendo o mesmo do dia em que ele descobriu que o feitiço para afasta-lo não funcionava como antes. Era um olhar que queimava, tinha aquele brilho desafiador, aquela força que Veronica podia sentir mesmo através de um sonho.
Belphegor parou ao lado da cama, esticou o braço e tirou uma mecha de cabelo que caia pelo rosto de Veronica, foi um gesto sutil em meio a tanta intensidade. O leve toque fez com que Veronica despertasse lentamente.
É agora? A tensão vem agora, sairei correndo e ele me esquartejará?, ela se perguntava com os olhos presos na cena.
A Veronica deitada na cama sorriu e segurou a mão do demônio puxando o para mais perto, ele debruçou-se sobre ela e trocaram um beijo que foi aprofundando-se fazendo Veronica suspirar e deixar escapar um gemido.
A feiticeira que assistia a tudo estava surpresa pelo rumo que o sonho estava tomando, era como aqueles sonhos quentes que tinha na adolescência, onde o menino mais bonito da escola era o protagonista. Mas agora era um demônio que e fazendo par com ela, e eles sequer tinham falas.
Belphegor livrou-se do cobertor que era a única coisa que cobria Veronica, então pode ver o corpo da humana: os seios fartos, a pele branca que fazia suas mãos formigarem de desejo de toca-la. Os olhos do demônio passaram por todo o pequeno e delicado corpo e voltaram a fitar os olhos de Veronica que estava ligeiramente enrubescida. Os dois voltaram a se beijar, agora com mais urgência.
Belphegor desceu os beijos ate o pescoço da humana, que lhe arranhava as costas levemente. Os lábios foram descendo até os seios de Veronica.
A feiticeira boquiaberta por tudo que via, preferia ter um pesadelo, até gostava dos pesadelos, sempre acordava rindo de tudo que se passava nos pesadelos, ,mas sonhar que está tranzando, ou que está em vias de, com um demônio não era nada bom.
Ela acordou, esfregou os olhos, percebeu que estava arrepiada, estava tremulo. Olhou o relógio ao lado da cama, ainda era madrugada, sentou-se vagarosamente
Foi só a sua mente pervertida Veronica, só isso., Ela dizia a si mesma passando as mãos nos cabelos úmidos de suor.
Depois de um banho e de comprimidos para dormir , ela conseguiu relaxar.
**********
Belphegor entrou na caverna onde Alef ficava quando não estava dormindo com alguma ingênua humana, ou não tão ingênua assim.
Já devem ter ouvido falar de Íncubos, esses sangue- sugas de energia, até eles são mais famosos que eu, e eles só sugam a energia de humanas (ou humanos) e passam metade dessa energia para alguns demônios que já não recebem tantas oferendas, não fazem mais rituais em sua homenagem, foram esquecidos depois que algumas tribos foram dizimadas. Então os íncubos dão metade do poder que conseguem para esses demônios.
Os demônios esquecidos, já fazem alianças com outros demônios a algum tempo, em busca de que os humanos voltem a venera-los por causa desses demônios que já os influenciam. Os negócios funcionam assim.
_Senhor, a que devo a honra de sua visita?_ Perguntou o Íncubo ao ver Belphegor adentrar a caverna. Ele estava um pouco nervoso, por saber que algo havia dado errado.
O Senhor do Fogo não viria aqui se não houvesse algo grave acontecendo, e se há algo grave e ele veio aqui, então tenho grandes chances de perder algum membro ou a existência, pensou Alef tentando não mostrar em seu rosto o quanto queria sair daquele lugar. Mas não adiantava fingimento, pois Belphegor podia sentir a insegurança do outro.
_Como Lilith soube onde eu estava? Você deveria me manter informado sobre tudo que acontece aqui._ Belphegor disse dando um passo na direção do Íncubo, ele não precisava usar um tom de voz alto ou fazer as paredes da caverna tremerem para ser temido. Sua história e seu poder já eram o suficiente, e agora seus olhos inexpressivos. Se Alef fosse um humano já estaria em desespero pedindo por clemencia, mas sendo um demônio ele apenas pensou na melhor forma de se explicar.
_Senhor, cheguei a sentir um poder diferente circulando na Desidia Circum Primus algum tempo atrás, mas não soube o que era, tentei descobrir mas não cheguei a nenhum lugar_ Alef disse refletindo._ Agora imagino que fosse Lilith, ela tem poder o suficiente para entrar e sair sem ser percebida. Eu não contei ao senhor por achar que não foi nada importante. Não lhe peço perdão por meu engano, mas peço uma serventia para minha gana de poder, de muito poder... E de vingança._ Concluiu o íncubo determinado, e já sem tanto medo.
Belphegor observou o Íncubo por alguns instantes, e constatou que o que ele dizia era verdade.
_Está dizendo que quer que eu lhe diga o que fazer contra os que estão contra mim? Está pedindo para eu te mande trair Lilith? Sua mãe?_ Belphegor perguntou ainda encarando o íncubo.
_Sim Senhor, cometi um erro e quero mostrar que ainda tenho serventia, que ainda posso lhe ser útil._ Alef respondeu.
Belphegor observou atentamente o íncubo, procurando algum sinal de que ele estivesse mentindo , mas não encontrou. Ele sabia que deixar Alef contra seus inimigos seria um bom negócio, ele poderia investigar Lilith e até Moloch mais de perto, pois fora criado por Lilith e era a cima de suspeitas.
Para todos Alef era apenas mais um íncubo que Lilith criara. Belphegor era o único que sabia o quanto Alef detestava Lilith. Só não sabia se ele seria capaz de trair sua criadora, mas estava disposto a descobrir.
_Descubra o que Lilith anda tratando com Moloch._ O demônio disse com tom autoritário de sempre e saiu da caverna deixando o íncubo menos nervoso.
Belphegor queria sair do submundo o quanto antes, mas ainda precisava saber se as suspeitas de Lilith sobre Veronica eram reais ou se ela estava blefando, ela não era de blefar, mas talvez só quisesse ver sua reação.
"É hora de voltar, ver se Veronica ainda está intacta", ele pensou em quanto caminhava lentamente e imaginava o quarto onde ficou por tanto tempo. E depois de alguns segundos de olhos fechados ele pode sentir a leve brisa que sempre entrava pela janela. Ele abriu os olhos e pronto, estava de volta.
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