For My Demons
4 Capitulo 4 - Fogo
Belphegor permanecia em silêncio e Veronica dirigia, isso estava deixando-a nervosa, pois quanto mais ele ficava quieto e com aquela cara de quem esta armando um plano diabólico (o que provavelmente é o que ele esta fazendo em quanto permanece silencioso olhando pela janela). E o fato dele estar indo com ela sem nem ter discutido era extremamente suspeito.
Por enquanto Veronica ia apenas aguardar um ataque, estaria pronta para qualquer coisa. Sempre que parava num semáforo olhava o demônio pelo canto do olho.
_Você mora sozinha?
No inicio humana ficou muito surpresa com aquela pergunta, mas depois imaginou que fosse apenas curiosidade. Mas também poderia ser que ele estivesse planejando contra uma suposta família.
_Não, moro com minha tia.
_Você trabalha? O que faz?
Agora ele estaria planejando armar para eu ser demitida?
_O que você quer?
_Só estou tentando manter um dialogo normal, já que serei obrigado a ficar em sua presença.
_Você não é normal, não tem como termos tal dialogo.
Depois de um longo e exagerado suspiro de Belphegor (que parecia estar se divertindo com a situação) seguiu-se longos minutos de silêncio.
_Você ficará aqui. _Disse Veronica em quanto mostrava o quarto de hospedes a Belphegor.
Ele observou o quarto que não era grande, mas não deixava de ter um pouco de requinte; poucos móveis, uma cama grande e uma janela enorme com vista para toda a cidade.
_É um belo quarto não acha? _Veronica perguntou mesmo sabendo que o quarto era bonito até para os padrões de um demônio que provavelmente está acostumado às coisas mais luxuosas. Mas ela queria ouvir do próprio demônio, queria que ele elogiasse quem escolheu o quarto (no caso Veronica).
_Ele servirá por um tempo. Pelo menos você teve o bom censo de não me enfiar num porão.
Não seria fácil fazer Belphegor dar o braço a torcer, sua espécie é orgulhosa, cruel e desprezível. Ele só esta esperando eu baixar guarda, assim que fizer isso ele atacará sem hesitar, pensava a jovem.
_Isso já aconteceu?_ Ela perguntou com o cenho franzido.
_Não, mas se deve ser o primeiro lugar em que pensam para esconder um demônio.
***
Depois de três semanas:
Nenhuma mudança drástica de comportamento de nenhum dos dois: A humana continuava esperando um ataque e o demônio aguardava por um pedido, qualquer pedido.
Numa tarde fria, Veronica fazia anotações e Belphegor mexia em seus livros. Ela detestava essa mania que o demônio tinha de invadir seu quarto repentinamente e vasculhar seus livros sem sua permissão, como se procurasse por algo. O livro que usei para mantê-lo aqui, sem que pudesse fugir, ela pensou e sorriu ao lembrar-se que o livro não estava ali. Veronica nunca deixaria um livro tão importante e perigoso exposto, onde sua tia poderia encontrar mesmo ela não sendo do tipo que entrava no quarto da sobrinha.
_Agradeceria se guardasse tudo depois de vasculhar meus livros. _Disse a jovem fingindo um tom de voz irritado.
A raiva que o demônio sentia não era uma encenação, ela não havia feito nada por três semanas, ele esperou que o pedido viesse (mesmo que em forma de ordem), mas não veio.
Então teve que procurar por algo que o tirasse daquele lugar, daquele maldito século e de perto dela, essa maldita feiticeira que o olhava com arrogância. Isso era algo que ele costumava levar em consideração ao matar: arrogância do oponente, coragem e lealdade às crenças seguidas. Mas quando se trata da feiticeira, tinha vontade de esquecer o que presava num oponente; ela tinha tudo, não podia negar que aquela pequena humana que parecia frágil era muito corajosa, que em três semanas o enfrentou incontáveis vezes, sempre com o queixo erguido (não só para poder encara-lo mesmo com a falta de altura), ela sempre olhava em seus olhos sem medo durante seus ataques que ela apenas defendia, o deixava sempre afastado e se protegia.
Depois de um demorado banho quente, Veronica vestiu seu pijama mais confortável: uma camiseta da banda Belphegor. Ela havia rido ao perceber a óbvia ligação, a banda de black metal com o nome de seu primeiro e menos favorito invocado.
A vida é um bipolar com síndrome do pânico, sem estar medicado, é claro, foi o que ela pensou em quanto olhava a camiseta, deitava-se sob as cobertas e depois desligava a luz do abajour.
A jovem dormia tranquilamente quando sentiu que o ar lhe carecia aos pulmões, ao abrir os olhos com muito esforço percebeu que não era mais um dos antigos pesadelos, como os que tinha na infância.
Veronica estava acordada e havia fogo no que um dia foi uma linda estante com inúmeros livros, esse fogo seguia pelo seu tapete. Em cima do tapete em chamas estava Belphegor, que ostentava um grande sorriso que fez humana ferver de ódio.
_Você tem dois minutos para acabar com essa palhaçada e me deixar voltar a dormir._ Avisou Veronica em quanto tentava respirar em meio a fumaça, que não a deixava pensar direito.
_Acha que irei lhe acatar? _ Perguntou o demônio com descrença.
_Se for um pouco esperto irá.
_Seu cérebro já foi afetado pela falta de oxigênio? _O demônio perguntou sem esperar por uma resposta.
_Eu te prendi, apenas eu posso te deixar ir e matar-me não muda isso, não te dá liberdade, apenas te prende aqui entre os humanos... Pense bem antes de tentar me matar, ninguém irá intervir ao seu favor._ Veronica disse com muita dificuldade por causa da falta de ar, falta de ar que se esvaiu aos poucos junto com as chamas e com o sorriso do demônio.
***
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