For My Demons
5 Capítulo 5 - Cicatriz
Depois de quatro semanas:
Belphegor ainda procurava o livro e Veronica estava sempre tendo que apagar um incêndio. Aprendeu tanta coisa sobre objetos inflamáveis, formas de se apagar um incêndio de acordo com o ambiente incendiado e até ganhou uma queimadura de primeiro grau, essa foi a gota dagua pra ela. Até então não havia se importado com os objetos queimados, com exesão aos livros, alguns dos que foram queimados eram raros e ela tinha grande amor por eles. Mas relevou por achar que o demônio iria perceber que ela tinha o controle da situação. Estava completamente enganada.
_Você ficará trancado neste quarto em quanto não parar com seus hábitos incendiários.
Por um milésimo de segundo Veronica juraria ter visto surpresa na face de Belphegor.
_Porque acha que pode prender-me neste quarto de hospedes?
_Pelo simples motivo de já ter te prendido uma vez, e posso prender novamente_ Ela disse dando de ombros.
De repente Veronica ouviu um barulho de coisas se quebrando, parecia ser um vaso de porcelana, logo depois de ter ouvido o som estridente sentiu dor na parte frontal da cabeça e viu sangue.
Acabar num hospital não era como ela havia imaginado o final da conversa com Belphegor.
Ele a atingiu com um pequeno vaso de cerâmica, daqueles que alguns humanos insistem em chamar de obras de arte. Atingir mulheres com objetos não era uma coisa que Belphegor costumava fazer, o demônio sentiu-se patético no mesmo segundo em que o vaso atingiu Veronica na testa, fazendo a cair desacordada em quanto um rasgo de sua testa escorria sangue.
Uma das empregadas ouviu o barulho e foi correndo até o quarto de hospedes. Assim que abriu a porta entrou em desespero por ver Veronica no chão. A primeira coisa que pensou foi em chamar uma ambulância, depois disso se aproximou de Veronica mas não a tocou. A empregada já havia se envolvido em muitos problemas por causa de patrões que se mataram ou mataram alguém, ela não tocava em corpos estendidos no chão, muito menos se eles estivessem sangrando. Ela não via Belphegor, mas ele ainda estava lá.
Belphegor via a empregada baixa e rechonchuda que falava nervosamente com a atendente da emergência, quando desligou o telefone parecia um pouco mais calma, mas andava de um lado para o outro e resmungava alguma coisa, o demônio prestou mais atenção na forma como os lábios dela se mexiam, e entendeu... Ela estava fazendo algum tipo de oração, pedindo ajuda para algo invisível.
Penso que isso seja algo típico dos humanos, até dos que dizem não acreditarem. Sou um demônio barqueiro e já levei muitas almas, e já vi várias expressões de medo arrependimento e até raiva.
Muitos dos que chegam diretamente para embarcar e serem levados por mim, não parecem acreditar ao perceber para onde estão sendo levados, mas não posso dar muitas informações sobre meu trabalho.
A jovem feiticeira ganhou um grande hematoma e pontos na testa que foram ocultados com sucesso pela franja.
Os pontos e o hematoma não eram o que mais a incomodava, o maior incomodo era pensar o que iria fazer com Belphegor. Iria puni-lo, disso tinha certeza, mas ainda não sabia como.
Depois de repetir pela terceira vez a história que criou sobre seu acidente Veronica correu até seu quarto e trancou a porta. Como se trancar a porta me desse privacidade e o impedisse de entrar, pensou a jovem, recordando que Belphegor ainda podia andar pela casa. Ela jogou-se na cama e tirou as sapatilhas.
O sol entrava pela janela junto com uma leve brisa que agitava os cabelos castanhos da humana, era uma visão até perturbadora de tão doce, de tanta luz que invadia o quarto e aquecia a pele alva e delicada da feiticeira.
Maldita feiticeira.
Veronica adormeceu e foi desperta por batidas em sua porta, quando abriu, a empregada perguntou a ela se queria jantar no quarto, a jovem recusou o jantar e dispensou as empregadas, (ela pode fazer isso por sua tia estar viajando num de seus trabalhos sobre povos antigos).
Com a casa vazia a jovem não teria que se preocupar em ser ouvida pelas empregadas em quanto falava com Belphegor. Ela entrou no quarto de hospedes, as luzes estavam apagadas, para qualquer pessoa o quarto pareceria desocupado.
_Você parece melhor _ O demônio disse com humor.
_Não graças a você _ A jovem respondeu com um tom que foi tão melancólico que a surpreendeu, ela queria parecer irritada, insana, corajosa ou qualquer outra coisa do gênero, mas não queria parecer melancólica.
Belphegor não disse mais nada, esperava que ela dissesse algo ofensivo para que ele pudesse dar-lhe uma resposta nada cavalheiresca, e até fazer com que ela o mande de volta ao lar.
_Você ficará aqui até que eu decida o que fazer.
Belphegor estava perplexo, a feiticeira insistia em tranca-lo mesmo ele tendo feito pequenas tentativas de homicídio contra ela, aquilo era admirável mas não deixava de ser tolice.
Antes que Belphegor falasse algo, ela disse nervosa:
_E não adianta tentar derrubar-me novamente, dessa vez revidarei e não será nada bom pra você!
O demônio riu, ou pelo menos foi algo próximo de uma risada. A jovem ficou surpresa ao ouvir aquele som meio rouco que parecia tão legitimo. Os cantos dos olhos dele se franziram formando ruguinhas por causa do grande sorriso.
Ao perceber que Veronica o olhava fixamente ele parou de sorrir ficando com uma fisionomia sóbrea. Belphegor estava tão surpreso quanto ela e tentava manter-se sob controle.
Nada havia dado certo. Ele tentou entrar em sua mente e sugerir algumas coisinhas, mas parecia que a garota tinha paredes de aço com sigils muito poderosos protegendo sua mente, seus sentimentos. Ela deve ter premeditado tudo antes de me invocar, pensou ele.
Estava sendo muito difícil para um embaixador de Satanás ser preso por uma humana. A pior parte é era pensar que talvez Lilith pudesse mandar algum demônio o resgatar, então todos saberiam que Belphegor, um dos sete lendários demônios, um dos mais importantes, foi pego por uma feiticeira humana sem nenhuma experiência em invocações e que acabou de sair da adolescência. Ele seria humilhado perante os de sua espécie.
_Não precisa prender-me. _O demônio disse rapidamente, já pensando no que dizer em seguida, em algum argumento que convencesse Veronica a não prendê-lo no quarto de hóspedes.
Se não posso lutar e sair de perto dessa feiticeira maldita, é melhor continuar ligado a ela mas podendo andar, sair um pouco dessa casa e voltar quando ela chamar.
_Se eu não prender, você irá incendiar minha casa ou jogar objetos em mim, ou os dois. Como não quero isso...
_Não farei._ Disse ele, meio exasperado.
Belphegor havia se aproximado, Veronica o olhava nos olhos, como se pudesse ler os olhos de um demônio.
_Não farei, pois percebi que não adiantaria; você iria me prender nesse quarto, eu queria que você me libertasse.
_Tive muito trabalho até conseguir te invocar, não te libertarei antes de ter o que quero. _Disse a jovem ainda olhando o demônio.
Belphegor deu um meio sorriso, pensando em como ela teria se tornado tão corajosa.
_Então...Não vai prender-me nesse quarto? _Belphegor perguntou e se surpreendeu no quanto soou inseguro.
Depois de um longo suspiro, Veronica disse:
_Só mais uma chance, a ultima.
_É a primeira vez que quero uma segunda chance sua. Os humanos não costumam ter três chances quando erram?_ Disse o demônio com humor, numa tentativa de diminuir a tensão do ambiente.
_Você não é humano.
_Está tão visível?_ perguntou Belphegor, com uma sobrancelha levantada e com uma falsa cara de espanto que logo teve o lugar roubado por um grande sorriso.
Ele está flertando comigo?, pensou Veronica.
_Não, para dizer a verdade, você parece um humano; quer dizer...Para pessoas que não sabem o que você realmente é, elas pensariam que é um humano.
_Ficou aliviada por eu não ser como dizem?
Isso mesmo, preciso conversar com ela, me aproximar, pensou Belphegor em quanto esperava a resposta da jovem que estava muito desconfiada.
_Não fez diferença. Horrendo ou com a aparência de um humano, você continua sendo um demônio e não ficará aqui por muito tempo. Não se preocupe._ Respondeu parecendo muito séria.
Veronica começou a andar em direção a porta e Belphegor deu alguns passos em sua direção.
_Você já tem uma data, já sabe quando poderei ir embora?
Ela virou se e quase esbarrou no demônio, por causa da proximidade dos corpos. Dando dois passos para trás respondeu:
_Ainda não há data, mas lhe asseguro que será o mais rápido possível._ Veronica falou rapidamente, sentindo-se tremula.
Belphegor a segurou pelo braço, sentiu um tipo de eletricidade passar pelo seu corpo e depois se distanciou sentindo sua mão queimar, ao olha-la se deparou com sua mão em carne viva. Seus olhos estavam quase fora das orbitas.
Veronica havia sentido o tipo de choque, mas não queimou, apenas sentiu-se quente .Esse era o outro feitiço dando certo, estava orgulhosa de si, mas no fundo ficou com um pouco de pena do demônio que estava com cara de dor, surpresa e estranhamento.
_Não toque-me_ Veronica disse dando mais um passo em direção a porta.
_Como você...
_Na verdade é bem fácil: é preciso testar milhares de vezes, depois escolher o que deu certo_ Veronica interrompeu.
_É assim que você encontra os sigils e feitiços certos?
Parecia que Belphegor teria um colapso nervoso a qualquer momento.
_Sim, e esse é bem antigo, foi meio complicado encontra-lo_ Ela disse com um sorriso plastificado no rosto.
_Se é só isso, então ... Vamos ao que interessa. _Falou a jovem começando a recitar em línguas antigas e fazer sigils no ar.
_Não, não terminei _ O demônio falou rapidamente, tentando atrasar o feitiço da jovem.
_Mas eu terminei e decidi não dar chance alguma a você. Entende isso?
_Sim.
Três letras, um piscar de olhos.
Veronica não teve tempo para se defender, não chegou nem a ver o momento em que foi atacada, apenas sentiu o poder através da eletricidade que foi conduzida em sua pele. Belphegor estava imobilizando-a, mantendo seus braços para trás.
A primeira coisa que a feiticeira sentiu foi confusão, a segunda foi um grande constrangimento por estar numa posição como aquela, a mercê do demônio, sem conseguir sequer mover os ombros. Ela tentou sacudir o corpo para liberar-se do aperto de aço em seus braços, mas foi em vão.
Tentando pensar o mais rápido possível teve a ideia de recitar algum feitiço que não necessitasse de sigils, mas assim que começou Belphegor tampou sua boca.
A jovem estava com os dois braços nas costas sendo presos por uma das mãos do demônio e com a boca tampada pela outra. Os dois estavam tão próximos que Veronica conseguia sentir a leve respiração do demônio em seu pescoço, conseguia sentir o duro peito musculoso pressionado em suas costas. Belphegor sentia o quanto a Veronica estava com os músculos rígidos, o quanto ela lutava para se soltar.
Ambos estavam desconfortáveis, mas tinham objetivos: a feiticeira queria recuperar o controle e mostrar quem manda. Já o demônio, queria sua liberdade, queria que a feiticeira desistisse de quaisquer que fossem os seus planos e o mandasse embora. Nenhum estava disposto a ceder.
Depois de duas horas de negociações, Veronica já nem sentia os punhos e seus ombros estavam muito doloridos, mas não dava o braço a torcer que ironia.
Belphegor já pensava em começar a torturar a feiticeira, para que conseguisse sair daquele lugar antes que mandassem busca-lo, entretanto, ainda queria saber o que ela desejava, devia ser algo importante, e ele queria ter o prazer de negar.
_Vamos fazer um trato: você diz o que quer de mim e eu te solto.
_Não faço tratos sem olhar nos olhos.
Belphegor já estava girando o corpo da jovem, continuando por cima do pequeno corpo, quando foi atacado.
Veronica chutou-o entre as pernas com o máximo de força que tinha, quando Belphegor rolou encolhendo-se de dor, ela pode levantar-se.
O demônio disse uma enxurrada de xingamentos em diversas línguas e Veronica só preparava-se para ser atacada por um demônio furioso e com as partes intimas chutadas.
A jovem agradecia seu ótimo poder de dedução, por ter sido capaz de imaginar que ele teria um pênis, por ter um corpo aparentemente humano e pelas lendas que dizem que Blphegor era o demônio das orgias.
_Não negocio com demônios._ Veronica disse, logo depois achou a frase muito clichê.
Fale com o autor