For My Demons

2 Capitulo 2 - A primeira impressão é a que fica.


Tudo começou com a invocação de Belphegor:

O ritual tinha sido feito corretamente: Sangue, sigilos, velas, um sacrifício (que no caso foi um papagaio, também fiquei surpreso pela escolha) e a garota fez o circulo com sangue. Tudo pronto, as palavras da invocação foram ditas corretamente, mas nada aconteceu.

A garota começou novamente, dessa vez foi como planejado, na ultima palavra pronunciada tudo se apagou e não era possível ouvir nada, ela esperava ouvir o barulho do papagaio ficando possuído ou algo do gênero. Mas não se ouvia nada na cabana abandonada.

Veronica acordou, sua cabeça doía, estava confusa, entretanto logo se lembrou do que havia acontecido, mas só acreditou quando olhou para o lado. A sua direita, a dois metros de distância há o circulo e dentro dele, onde antes não havia nada, agora há alguém sentado. Assim que percebe isso sorri, por ter conseguido fazer o ritual e por ainda estar inteira. Sua visão está embaçada, não via nitidamente o demônio dentro do circulo.

Depois de algum tempo com os olhos fechados, tentando ouvir qualquer coisa do lado de fora e conseguindo ouvir apenas a própria respiração, conseguiu abrir os olhos. Mas não entendia, olhava para os lados procurando Belphegor, uma criatura medonha, com a aparência de um velho sujo, com chifres, uma calda, barba grande, unhas gigantescas e com a carranca. Era assim nas imagens. O demônio era retratado desta forma grotesca nos livros e pinturas.

Mas esse dentro do circulo não parecia nada com Blephegor .
Droga, devo ter dito algo errado, a garota pensou em quanto se forçava a levantar.

Olhando bem para a criatura no centro do circulo ela teve a breve vontade de leva-lo para casa, como um animal de estimação. Ficou parada observando a pessoa que a olhava com igual interesse.

Passados alguns minutos em completo silêncio, ele disse fazendo-a se assustar:

_O que quer?

Veronica não sabia o que dizer, o discurso que tinha preparado desapareceu, agora só pensava uma coisa É ele, só pode ser ele.

_Preciso, Preciso conversar com o senhor... Realeza?

_Peça logo o que deseja e me liberte!

Ele fazia uma cara de asco em quanto a olhava, já ela, estava nervosa e tentava ser convincente em sua interpretação do papel de uma bruxa forte e experiente, mas estava fracassando.

Veronica não conseguia falar, o demônio percebendo isso sorriu triunfante, triunfante de mais para quem estava preso num circulo sagrado.

_Se a senhorita me libertasse, poderíamos conversar.

Vendo o sorriso amigável do demônio e sorriu de volta.

_Não te libertarei, não agora.

O sorriso do demônio se desfez e ele praguejou

_Então termine logo com isso, não tenho a eternidade ao seu dispor.

Tomando um pouco de coragem a garota perguntou:

_Porque você não assume sua própria fisionomia?

O demônio gargalhou e a olhou com desdém.
_Essa é minha forma original.

Ela olhou de cima a baixo, ele tinha a aparência de um cara de um modelo da Calvin Klein, poderia se passar por um modelo se quisesse.

_Todos os demônios são como você, com aparência humana?

Ele pareceu entediado.

_Não, alguns ficaram marcados por batalhas, outros se transformaram por escolha própria, como forma de renegar qualquer coisa que os lembrassem do que foram.

_Porque você decidiu permanecer assim?

_Minha vaidade é maior que o ódio. Não ficaria eternamente com a aparência de um animal, um mutante para renegar a beleza que me foi concedida. Isso seria burrice.

Veronica estava cada vez mais boquiaberta.

_Você fala muito bem para alguém que tem alguns milênios.

_Dou ideias de invenções para humanos, acabo ouvindo-os falar. Achei que seria a forma mais apropriada para me comunicar com você e sair daqui.

Ela ainda não acreditava que Belphegor não estava se recusando a responder suas perguntas, a vontade de sair do circulo devia ser maior que o orgulho. Pareciam estar tendo uma conversa amigável. Se ela não estivesse pronta para revidar qualquer ataque a qualquer momento e se ele não estivesse preso num circulo sagrado.

Veronica chegou bem perto do circulo, sua curiosidade era maior que o medo. Entre a humana e o demônio apenas o circulo de sangue.

_O que você quer?

Os olhos do demônio eram negros e fitavam o rosto da jovem.

O som estridente do toque do celular fez com que Veronica desse um pulo para trás e corresse para um canto da cabana onde tinha deixado a Hermès Diamond Birkin, que ganhou de sua tia.

Na tela do celular mostrava a foto de sua amiga Samantha. Mesmo não querendo atender, preferiu aceitar a ligação, pois não sabia o que fazer com o demônio que não parava de olha-la de um jeito estranho.

_Oi! _ Ela tentou parecer tranquila.

_Veronica, a Lia sofreu um acidente, elo menos é isso que parece, não sei direito.

Notas finais
sigil: símbolo criado para um propósito mágico específico. Um sigil é geralmente composto por uma combinação complexa de vários símbolos comuns específicos ou figuras geométricas, cada uma com um significado ou intenção próprio. Belphegor da mitologia: http://img78.photobucket.com/albums/v249/zebosss/demos/belphegor2.gif