For My Demons
6 Capítulo 6 - Efeito Colateral
As coisas estavam mais tranquilas depois do pequeno confronto, isso não parecia bom aos olhos de Veronica, pois quando Belphegor estava furioso e demonstrava isso queimando ou jogando objetos, ela sabia como ele estava e poderia preparar-se para qualquer ataque do demônio. Mas ele estando tão quieto era imprevisível.
Ele está planejando algo, pensava Veronica a todo momento: em quanto escovava os dentes, antes de dormir, quando acordava, quando andava pelos corredores da clínica onde trabalhava, durante o almoço e em quanto tomava banho. Ela estava completamente paranóica, uma feiticeira paranóica pode causar muitos problemas.
Não é a primeira vez que ouço falar de uma feiticeira paranóica, isso costuma acontecer. Algumas não têm tanto poder quanto imaginam e acabam sendo atormentadas por demônios ou até mesmo outras bruxas. Isso aconteceu muito durante a Idade Media e bem antes também.
Eu como guia de almas, vi espíritos chegarem totalmente atormentados e outros aliviados por terem morrido, mal sabiam que o sofrimento tinha só começado. Mas Veronica é uma maldita feiticeira persistente e se recusaria a perder sua vida por causa de um demônio. Mesmo sendo forte era quase impossível controlar a sensação de constante perigo, de perseguição. Era como estar sob efeito de ecstasy sem a parte inicial, quando se tem maior interesse sexual, sensação de bem-estar, grande capacidade física e mental e aumento da sociabilização e extroversão.
Ela só sentia os efeitos colaterais como aumento da tensão muscular e da atividade motora, aumento da temperatura corporal, enrijecimento e dores na musculatura dos membros inferiores e coluna lombar, dores de cabeça, náuseas, perda do apetite, visão borrada, boca seca, insônia, grande oscilação da pressão arterial, alucinações, agitação, ansiedade, crise de pânico e episódios breves de psicose. Isso estava levando ela ao aumento no estado de alerta pode levar à hiperatividade e à fuga de ideias.
Preciso acabar com isso, pensou a feiticeira no final do dia, quando seus nervos já estavam em farrapos e ela ia até o quarto de hospedes onde prendeu Belphegor depois de chuta-lo entre as pernas.
_Belphegor..._ Chamou a jovem quando não viu sinais de que o demônio estava no quarto.
Depois de alguns segundos ele saiu do banheiro, e a mente de Veronica ganhou várias perguntas, pois não sabia se um demônio tinha as mesmas necessidades que os humanos.
"Ele tem um corpo com a anatomia humana, mas... Só tem um jeito de saber..." Pensou ela.
_Você come?
_O que, depois de me prender quer me levar para jantar? _Perguntou ele com um meio sorriso e um olhar desafiador.
_Não foi isso que quis dizer, eu... Eu só tive curiosidade. _Disse Veronica logo se arrependeu: Droga! Estou recuando, estou gaguejando na frente do oponente. Tenho que parar com isso e atacar, pois a melhor defesa é o ataque.
_Respondendo sua pergunta: Eu só me alimento quando eu quero e do quê quero.
_Isso parece interessante...
_O que deseja? Obviamente você não veio conversar sobre minha alimentação.
A interrupção abrupta e hostil não foi uma grande surpresa para ela, e também não o culpou por isso. No lugar dele ela faria pior.
_Achei que iria querer conversar, depois de tanto tempo trancado aqui, sem poder sair e fazer suas coisas que demônios fazem_ Falou a humana com humor.
_Achou errado.
_Certo.
Ela deu três passos em direção a porta mas ele a deteve.
Novamente a eletricidade corria pelo corpo do demônio, mas dessa vez não foi tão doloroso, ele não sentiu a agonia tomar conta de seu ser, dilacerando seus nervos. Foi apenas como se formigas andassem por seu corpo.
_Fique. _Foi a única coisa que ele conseguiu dizer em meio ao formigamento de sua pele.
_Não é assim que se pede._ Ela falou provocando-o, mas logo se arrependeu pensando tenho que parar com isso, não quero que ele jogue coisas em mim.
_Você está mentindo.
_Quê?
Depois de um longo suspiro ele prosseguiu:
_Você não se importa se posso enlouquecer aqui dentro, ou como sinto-me.
_É, não importo-me. _ Disse a feiticeira dando de ombros.
_Então veio aqui para testar-me? Quer saber até quando isso vai? Talvez testar suas habilidades?
Um segundo, não pisque, não respire, não grite.
Veronica estava presa com as costas coladas na parede, Belphegor continuava no centro do quarto.
_Ainda quer me testar?
_Você vai se arrepender.
_Talvez._ O demônio já estava muito próximo da feiticeira e fez algo que a pegou desprevenida, ele a beijou.
Droga...Ele está..., ela não terminou o pensamento por sentir-se absorta pelo beijo que foi aprofundado.
Veronica estava encostada na parede com Belphegor a beijando apaixonadamente, um beijo cheio de luxuria, que causava arrepios e calores.
Que diabos ele está fazendo?, Ela pensou tentando afasta-lo, mas não teve sucesso.
O feitiço, porque não está funcionando?, pensou antes de ter o lábio inferior mordido com força.
_Pare._ Veronica conseguiu dizer com a boca meio tampada pela do demônio.
_Você não quer isso._ Disse o demônio com a voz rouca.
_Sei o que quero, e agora quero que pare com isso._ Respondeu tentando parecer o mais firme possível.
_Sabe por que não estou me queimando, ao tocar-te ? _Ele perguntou sem esperar por uma resposta_ É que esse seu feitiço só funcionou da primeira vez porque eu não estava esperando. Agora que estou preparado para ele, não faz mais efeito, posso tocar sua pele.
Assim que disse as ultimas palavras, Belphegor acariciou o rosto de da feiticeira como se fosse algo muito precioso.
Veronica começou a pensar em formas de sair daquela situação: Chutar? Não, já havia feito isso, ele deve estar preparado para isso, gritar chamaria atenção das empregadas que pensariam que ela está completamente louca e logo diriam para sua tia que não hesitaria em manda-la para um hospício.
_Você já mostrou que meu feitiço não funciona mais. Agora pode me soltar?_ Perguntou olhando nos olhos do demônio.
_Não sei..._ Falou brincando com uma mecha do cabelo de Veronica que escapou do rabo de cavalo quando foi arremessada na parede.
_O que você quer?_ Disse a feiticeira.
_Sabe muito bem o que quero..._ Respondeu Belphegor em seu ouvido, fazendo a feiticeira arrepiar-se.
_Quero que acabe logo com essa "macumba" que me prende aqui.
_Não.
_Você não está em posição de negar esse meu pedido._ Falou o demônio com um grande sorriso, e um ar de vitória.
_Quem garante que você não irá me matar quando estiver livre?
_É um risco a correr._ Rebateu o demônio com um sorriso de orelha a orelha.
_Mas...
_Você aceita minha proposta ou não?_ Indagou o demônio com uma expressão seria.
_Ok, ok. _ Disse Veronica com um tom triste.
_Ótimo, pode começar_ Falou em quanto se distanciava da garota e ficava no centro do quarto.
_Não é assim, preciso pegar o feitiço, uns sigils para te libertar e preciso de tempo...
Belphegor alcançou Veronica em questão de milésimos de segundo, pressionando-a na parede em quanto segurara seu pescoço.
_Não ouse tentar me enganar, estou sendo até bonzinho com você, estou te dando uma chance de se arrepender disso tudo e implorar para se tornar minha cerva como um pedido de clemencia!_ Gritou Belphegor e depois soltou o pescoço da pequena feiticeira distanciando-se.
Veronica tentava esconder o quanto estava tremula, mas era quase impossível.
_Não perca tempo, vá!_ O demônio bradou.
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