For Grissom
11 Quando o tempo para
Notas iniciais
E os dias foram passando. Dois dias após a cirurgia, cinco, uma semana. O quadro de saúde de Grissom se estabilizava, levando em conta as pequenas mudanças em seu estado. Os médicos diziam um grande progresso apesar do estado delicado em que o supervisor se encontrava; porém, para as pessoas mais próximas a ele a impressão era de que Grissom parou no tempo. Continuava respirando por aparelhos, precisava estar sob os cuidados constantes da equipe médica e a qualquer momento seu estado poderia mudar. Dias duros que a equipe e Sara encaravam.
Sara o visitava todos os dias. Não deixou um único dia escapar desde quando chegou a Vegas, ainda que foi impedida de se aproximar do quarto nos momentos mais críticos. Para quem não o via pessoalmente há alguns meses, a sensação era de que continuavam a quilômetros de distância.
Era um dia parcialmente nublado. Uma chuva moderada caiu em Las Vegas e causou alguns transtornos pontuais. O engarrafamento consequente atrasou o caminho para o hospital, motivo para desanimar qualquer um; menos ela. Sara acordou, fez o de sempre, comeu alguma coisa e foi para o Memorial. Todos os dias pedia por informações de quando poderia ficar como acompanhante de Grissom, só que sempre recebia negativas. Não teria permissão até que seu estado melhorasse.
Sara se habituou ao cheiro do "quarto de hospital". A fragrância leve de desinfetante e o friozinho do ar condicionado já não lhe faziam diferença alguma. Era como se o lugar tivesse se tornado uma espécie de terceira casa. Diferente do lado de fora da movimentada Vegas, assim que alguém entrava no quarto havia uma sensação de que o tempo congelou, não se movia da mesma forma que a pulsação da grande cidade.
Ela se sentou na cadeira próxima ao lado da cama, quase do jeito que deixara no dia anterior. Visou e analisou o noivo como sempre fazia antes de falar qualquer coisa. Sua barba cresceu um pouco, assim como o cabelo. Seus olhos, fechados, pareciam que iriam se abrir de repente; lento, mas iriam.
— Oi, Gilbert. Sou eu. Sara.
Falar seu nome de um jeito inocente na esperança de que ele reconhecesse e esboçasse alguma reação foi uma das coisas que adotou em sua rotina ao visitá-lo. Assim como segurar sua mão e acariciá-la sem pressa.
Sara ficou quieta por alguns segundos enquanto observava o noivo. Sua respiração era ditada por uma máquina e seu corpo permanecia imóvel. Em seguida ela notou que os curativos em seu pescoço haviam sido trocados.
— Ao menos você não está sentindo dor — comentou após suspirar. — Eu espero que não.
A mulher observou o local à sua volta e notou detalhes dos quais não havia percebido antes, já que sempre focava sua atenção em Grissom. Ela passou a mão pelo braço esquerdo por conta da espontânea onda de frio que tomou seu corpo. Então se voltou para o noivo.
— O pessoal no laboratório tá se apertando para dar conta — brincou ao pensar em alguma coisa para dizer.
Sara virou o rosto para o lado e gradativamente seu sorriso foi apagando.
— Catherine tem se saído muito bem como supervisora chefe. Parece que nasceu pra isso. — A morena se ajeitou na cadeira. — O pessoal tem se saído muito bem além dela. Chamaram uma CSI do turno do dia para suprir a vaga...
A mulher fez uma pausa e checou para saber se estava tudo bem com ele.
— Já me pediram para voltar, nem que fosse para dar uma ajuda enquanto você não voltasse. — Sara suspirou. — Eu não aceitei. Será que eu devia...? — Ela passou a língua pelos lábios e olhou pela janela bloqueada pelas persianas. — Para falar a verdade eu... não queria voltar. Não quero.
Só de pensar em voltar àquela rotina lhe fazia lembrar dos bons e maus momentos. Os maus apareciam em primeiro lugar e depois vinham as memórias com seu noivo e seus amigos do trabalho. Os momentos no deserto debaixo daquele carro lhe davam calafrios. Mas não era só isso que a fez tomar a decisão de sair. Havia muito mais que isso.
— Talvez eu esteja sendo egoísta, mas não é doloroso ficar em um lugar que te faz sofrer? — questionou a ele, quando na verdade questionava a si mesma.
Sara olhou para o chão. O semblante ficou sério, melancólico. Pensar nisso era enfrentar um conflito interno. Se decidiu voltar temporariamente foi apenas por causa dele. Longe dela querer voltar e ser uma criminalista em Las Vegas, mas faria um esforço pelo homem que amava em ficar ali.
— Todo mundo sente sua falta. — Sara preferiu mudar de assunto em vez de falar sobre aquele outro — E eu... Acho que não consigo medir — Ela tocou em seu braço delicadamente. — Sinto falta de ver os seus olhos abertos, de ouvir sua voz dizendo que está tudo bem. Ver você por uma tela não é a mesma coisa sentir o calor da sua pele.
Sara se apoiou sobre as pernas e cruzou as mãos.
— É estranho isso... — A ex-CSI sorriu por incredulidade. — Não tem outro lugar que eu queria estar senão junto de você naquela noite. Se isso acontecesse talvez... Talvez você não fosse parar nessa cama.
Ela ergueu a cabeça para encarar a figura ao seu lado. Aproximou-se e então envolveu a mão dele nas suas o quanto pôde. Médicos nunca puderam afirmar notoriamente que pacientes em coma podiam perceber ou sentir o mundo à sua volta com clareza, mas estudos indicavam que a presença de pessoas próximas poderia causar alterações e respostas neurológicas. Ou seja, sempre era bom ter membros da família ou amigos por perto.
— Você sempre me diz para não se lamentar por eventos que já passaram, não é? Então me ajude a não lamentar por este. — Ela suspirou. — Me ajude, porque... está muito difícil.
Em uma de suas conversas com ele por telefone, Sara chegou a convidá-lo a passar um tempo com ela em São Francisco para relembrar os velhos tempos e aproveitar o momento a dois. Por mais que tivesse o desejo de aceitar Grissom acabou recusando. "Trabalho" era a sua resposta, para quase tudo que Sara planejava para eles. Nenhum dos dois queria abdicar um pouco de suas vidas, na verdade. Ela não queria voltar para o Laboratório e ele não queria deixar o trabalho. Ficavam presos em seus próprios mundos, "acomodados" numa vida aparentemente aceitável.
— Todo esse tempo aqui e eu nem pensei no que fazer quando você sair daqui. — Ela sorriu. — Queria viajar. Seguir os passos de Darwin... Acho que você iria gostar.
Ao fazer uma pausa, a morena soltou um breve suspiro e olhou para as mãos enquanto deslizava o polegar sobre a mão esquerda. Pensou em muita coisa, inclusive num anel que nunca repousou em seu dedo. Pensou numa vida a dois novamente, em como se veria caso permanecesse em Vegas ou, se de alguma forma, Grissom viesse para São Francisco junto dela. Sorrindo ao imaginar a cena, ela olhou em sua volta e percebeu que vivia uma realidade diferente. O sorriso se apagou aos poucos.
Será que eles poderiam recomeçar ou tomar o caminho de onde pararam?
Na sala havia apenas o som do silêncio. Já acostumada com o barulho dos aparelhos de suporte de vida, Sara não ouvia mais nada no quarto. Não queria, mas por alguns instantes sentiu que era a única pessoa presente no quarto. Um vazio aterrorizante enchia o espaço; medo que lhe acompanhava no momento em que recebeu a notícia do atentado.
— Está doendo.
As palavras ditas após um período perturbador de silêncio ecoaram pelo quarto frio. Sara disse isso logo após engolir em seco enquanto lutava para não chorar. Não era o que gostaria de falar, queria dizer coisas positivas, como desejar que ele se recuperasse logo ou que em breve ele estaria acordado. Para quê disfarçar o que sentia na frente dele, se é que ele a ouvia mesmo?
— Não me deixe sozinha aqui, por favor.
Havia um buraco em seu peito no qual ela temia nunca cicatrizar. Sara perdeu muito em sua vida, mas perder a única pessoa por quem se apaixonou seria um golpe doloroso, cruel. Mesmo morando distante, nada apagaria o amor que sentia por ele. Queria voltar no tempo, dar um jeito de evitar o presente. Não passava por sua mente um futuro sem Grissom. Por alguns segundos, assim como o vapor se esvaía no ar, Sara perdeu todas as esperanças de que o veria acordado novamente. Na tentativa de afastar os maus devaneios, a ex-CSI agarrou sua mão e com todas as suas forças, pediu a si mesma para nunca mais pensar daquela forma.
A enfermeira entrou no quarto avisando que o tempo de visita chegava ao fim. Triste para Sara, que gostaria de ter dito muito mais, ainda que ele não estivesse apto para ouvi-la. Ela aproximou sua testa em sua mão coberta e fechou os olhos. Fez seus pedidos em silêncio, desejando que seu noivo suportasse o período naquele "deserto". Teve de levantar após meio minuto, porém antes de deixá-lo, beijou sua mão com todo o carinho de alguém que o amava de todo o coração.
— Eu vou esperar você voltar.
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Dia seguinte. O CSI Brown entrou no quarto calmamente. Fechou a porta e, por ali mesmo, observou o interior da quarto como se fosse a primeira vez. A vergonha lhe bateu, como se estivesse diante de uma figura imponente que possuía de um poder e influência inalcançáveis. Quieto ao prestar respeito, Warrick se aproximou do homem na cama e puxou a cadeira ao seu lado para o mais próximo possível dele.
— Ei. Quanto tempo, não? — Warrick suspirou uma vez e depois cruzou as pernas. — Me desculpe por não ter vindo te visitar antes. — Ele olhou para baixo, um pouco abatido. Ficou por meio minuto encarando a mão que apoiava a própria perna. — Você escapou de novo, Gil. Disseram que esta cirurgia era de risco, que... você poderia não aguentar.
O som da máquina de suporte constante o incomodava, todavia era o sinal de que Grissom seguia firme. Ele resolveu ignorar o barulho e focar no homem frente a ele.
— Você me salvou, cara. Eu... Se não fosse por você talvez tivesse sido eu nessa cama ou... num caixão. — O homem deu de ombros.
Warrick fez um gesto positivo com o pescoço. Não sorriu, mas por dentro sentia-se terrivelmente agradecido por tudo que o supervisor lhe fez. Mal conseguia se recordar de quantas vezes Grissom o tirou de situações complicadas. Teve a oportunidade de demiti-lo ao menos duas vezes, porém não o fez porque sempre acreditou em seus subordinados.
— Queria você por perto na audiência. Mas se isso não for possível então queria que conhecesse o Eli, quem sabe dar uns conselhos a ele quando crescer.
Após saber pelo teste de paternidade que Eli era realmente seu filho, Warrick mudou de postura e pensamento. Na verdade ele começou a mudar muito antes, num momento anterior à descoberta. Seu desejo era de ter a guarda e cuidar da criança como um pai deveria fazer.
— Eu quero que ele seja como você. — Ele riu. — Bem, não tanto, mas... que ele aprenda os valores que você tem. Se torne um homem honesto... — Warrick respirou fundo. — Quero muito que esteja por perto, Gil. Eli vai gostar muito de você.
Ao receber uma mensagem pelo celular, Warrick pegou o aparelho e passou o olhar para saber se era importante ou não. Infelizmente era. Pior, não podia demorar muito ali, mesmo se quisesse; seu tempo de visita estava acabando, pois havia prometido a si mesmo em ficar por menos de meia-hora.
— Não importa o que diga, você ainda tem muito para nos ensinar, Gil. Principalmente a mim. — O CSI se levantou e encarou o supervisor em silêncio. — Se eu pudesse trocar meu trabalho, minha carreira para ter você de volta nesse momento eu faria sem pensar.
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Nick e Greg vieram juntos ao Memorial para ver o supervisor. Eles ficaram de passar no hospital, só que o trabalho intenso e uma série de imprevistos adiou a visita por várias vezes.
O CSI Stokes foi primeiro. Disse ao amigo que seria rápido, que falaria pouco e apenas entraria no quarto para ver a situação de Grissom com os próprios olhos, cansado de saber de notícias apenas por outras vozes. Eles não poderiam demorar muito, afinal, havia trabalho a fazer no laboratório que consumia boa parte do tempo deles.
— Como estão as coisas, amigo? — Sentando-se na cadeira ao lado dele, ele se inclinou para a frente e se apoiou sobre as pernas. — Estão cuidando bem de você? Eu espero que sim, se não... vão se ver comigo.
Rindo da própria piada, Nick mexeu por instinto no anel que carregava na não. O sorriso foi se apagando do rosto. Dois minutos passaram como num instante.
— Eu não consegui terminar o trabalho, Grissom. — A seriedade em seu rosto e a declaração dada indicavam o evento de dias atrás. McKeen.
As palavras saíram de modo espontâneo, nem era este o assunto que Nick quis abordar, porém era algo preso em sua garganta que precisava sair.
— Provavelmente você ficaria orgulhoso ou... algo do tipo. Eu não atirei nele, não consegui. Antes disso eu só esperava por uma... oportunidade, um movimento em falso dele e... E nada aconteceu.
Voltando a visar Grissom, Nick parecia estar diante de um homem acordado, encarando-lhe com um olhar reprovador. Ele até imaginava como seria a reação e a resposta do supervisor.
— Olha, você tem que voltar logo. A gente consegue trabalhar sem você, mas... não é a mesma coisa. Não é o mesmo sem o seu jeito "Grissom" de ser. — Ele brincou novamente. — Até a sua garota está aqui em Vegas esperando por você. Ela veio de muito longe pra te ver. Talvez fique por aqui agora.
Nick riu após falar aquilo. Grissom não se sentia à vontade quando ele dizia que Sara era "sua garota". Talvez não se sentisse jovem o suficiente para aderir ou concordar com termos daquele. O CSI encontrou na brincadeira uma forma de se aproximar do supervisor.
Stokes juntou as duas mãos e olhou para o chão.
— Eu não queria que contassem a ela. Achei que iria protegê-la de se machucar com essa notícia... — Ele abriu as mãos gesticulando sua resposta. — Mas acho que... só iria piorar as coisas.
Nick passou a mão pelo braço e depois levou-a ao queixo. Na noite do crime ele permaneceu no restaurante a fim de conversar com a garçonete, um possível novo interesse. Ficou por lá até o momento em que recebeu um comunicado sobre o ocorrido com Grissom. Sentiu remorso, uma sensação de culpa de um "por que" não estar lá por perto ou até mesmo no carro de Grissom quando aquilo aconteceu. Poderia ter sido ele próprio a pessoa atingida, mas ao menos iria revidar, disso Nick tinha certeza.
— Se eu estivesse lá com você naquela hora o McKeen iria pagar caro. Eu não tô nem aí para o que dissessem depois, mas ele não iria sair daquela.
Mais uma vez, não era isso que Nick gostaria de falar; mas foi o que saiu de sua mente. Um dos outros motivos dos quais o CSI não visitou seu supervisor foi a certeza de que teria aquele tipo de pensamento. Vingança era algo muito forte de se cogitar, "troco" era o melhor termo que ele trazia para si. Se dependesse dele o ex sub-xerife nunca mais veria a luz do dia, confinado numa solitária para o resto da vida. Injeção letal ainda seria muito pouco para o que ele fez, não somente atirar contra Grissom, como se envolver com mafiosos numa série de crimes debaixo do nariz de todos.
— Não tem um dia que a gente não fale de você. Todo mundo mandando boas energias pra você sair daqui. Eu sei que vai.
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Ao sair, Nick avisou que não iria ficar para esperá-lo, a princípio, para resolver uma questão pessoal. Greg se despediu dele e entrou no quarto.
O jovem CSI fez como de costume dos outros, aproximou-se do supervisor, observou como ele se encontrava e então se sentou na cadeira. Indeciso, Greg não sabia o que dizer num primeiro momento. Após ter escrito um livro as palavras, por ironia, não quiseram sair. Difícil para ele, ver o homem que conviveu junto no trabalho há anos estar numa situação tão delicada. Aquele não era o lugar dele, Greg não estava acostumado em ver aquilo. Viu Nick e Sara passarem por uma situação difícil, mas no momento via seu chefe e amigo lutando para sobreviver, num estado em que muitos céticos deixam de acreditar em uma melhora. Acostumou-se a ver apenas vítimas de seus casos numa cama de hospital, não alguém próximo.
— Grissom, — disse ele, na expectativa de prosseguir com alguma frase. Todavia, o silêncio permaneceu sobre o CSI.
Greg se lembrou da breve conversa que teve com ele naquela madrugada. Um assunto banal, como uma despedida simples acerca do voo que ele estava prestes a tomar até Los Angeles. Estranho para ele foi ter se esquecido de alguns detalhes do pouco tempo que esteve com o supervisor, porém nunca se esqueceria do aperto de mão e do leve tapinha em seu braço que Grissom lhe deu. Lembrava-se do sorriso meio cansado e do discurso improvisado parabenizando-o por ter escrito o livro e, em breve, publicando-o em alguma editora. Grissom não era do tipo que se expressava bem com as palavras, mas naquele momento, forçando a si mesmo um rosto decente para o subordinado, o supervisor assentiu a ele e disse:
Estou orgulhoso de você.
Uma lágrima ameaçou descer pelo seu rosto. Greg não chorava com facilidade, não chorou nem quando soube da notícia, mas ao se ver diante de um Grissom sedado, imóvel e num estado delicado, aquilo aconteceu naturalmente.
Será que ele conseguiria sobreviver? Será que sairia dessa bem, sem nenhuma sequela? Eram muitos "será" na mente do CSI. Se aquela conversa que teve com ele próximo ao restaurante tenha sido a última, então Greg terá se arrependido de não ter aproveitado mais.
Ele se inclinou para a frente e cobriu o rosto com as duas mãos. Não falou mais nada.
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Catherine não apareceu no mesmo dia que os outros, deixou para fazer isso no dia seguinte. Ela chegou cedo, assim que o horário de visitas começou. Prometeu a si mesma que faria isso logo e que não se estenderia.
— Gil.
Ao se sentar na cadeira, Catherine cruzou as pernas e se recostou.
— Fiquei te devendo uma visita. — Ela afirmou enquanto verificava se Grissom estava numa boa posição na cama e os equipamentos ao seu redor. — Espero que estejam te tratando bem por aqui ou vão se ver comigo.
Sorrindo pelo próprio comentário, a supervisora cruzou os braços e respirou fundo. Ao imaginar como deve ter sido a cena, lembrou-se logo do momento em que seu pai biológico Sam Braun sofreu um atentado e morreu nos braços da filha. Justo na época em que ficaram mais próximos.
Warrick continuava sofrendo com isso mesmo dizendo a ela que estava bem. O homem que lamentava não ter chegado antes para socorrer Grissom. O homem que agora era amante de Catherine ninguém tinha ideia. Tudo poderia ser diferente caso o supervisor-chefe não interviesse na caçada de Warrick por justiça.
— Por sua causa a xerife Linston promoveu uma limpa na polícia. — Ela falou em tom de brincadeira. — Por sua causa, Gil — disse, seriamente desta vez. — Incrível que, você, mesmo preferindo trabalhar atrás das cortinas consegue mover montanhas naquele lugar.
O tempo parecia correr devagar naquela sala. Mais devagar que numa sala de laboratório, onde se esperava o resultado de uma análise surgir sob a tela de um computador ou numa folha de papel. Ali, as horas corriam como as nuvens em tempo nublado; pareciam não se mover e quando menos se percebia, estavam longe.
— Eu tenho muito a te agradecer, mas não vou fazer isso de frente para um caixão. Me recuso a fazer isso, Gil. — Catherine respirou fundo. Vê-lo assim era de partir o coração. Até mesmo Catherine que não era uma pessoa que se levava por emoções facilmente ficou abatida. — Saia dessa logo, meu amigo.
Não era assim que Catherine gostaria de assumir a posição de chefia. Aquilo estava errado, era injusto. Mais que possibilidade de perder um colega de trabalho, acima de tudo, Grissom era uma pessoa inestimável, um irmão. Perdê-lo estava fora de questão.
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