Notas iniciais
ESSE CAPÍTULO DEU MAIS DE 5 MIL PALAVRAS, EU JURAVA QUE TINHA SÓ 2 MILKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK EU ME EMPOLGUEI OK? Cês sabem que eu me empolgo, uma história que poderia ser uma drabble fica com 10k de palavras eh isto E depois de ter ficado sem internet, com mil tarefas e uma dor de cabeça eu sobrevivi e estou postando mais um capítulo no desespero. Mas não se preocupem, eu estou bem haha. Como sempre, vocês alegram o meu dia com visualizações, comentários maravilhosos e favs. Obrigada por todo apoio com esta fic, vocês são demais. Continuem se cuidando, se Deus quiser vamos superar este período tão difícil.

Três meses haviam se passado desde a entrada de Grissom ao hospital. Para muitos que pensavam no pior cenário possível, já não se lembravam mais dos pensamentos negativos acerca dele. O que lhes restou foi a espera por seu retorno.

Foi uma série de sessões de fisioterapia, muita conversa e dedicação. Para sair do hospital era necessário um trabalho em conjunto somado à própria força de vontade de Grissom. Ele sabia que não adiantava o desejo dos outros para se recuperar, também tinha de fazer sua parte. E não foi fácil. Um homem de meia-idade "reaprender" desde os movimentos básicos foram tarefas estressantes demais. Para alguém como ele, aficionado pelo trabalho e por se enfurnar em várias tarefas, ter seus movimentos limitados pela fraqueza consumia suas energias mais do que fazer alguma coisa.

Ficou assim por um tempo; tempo demais para ele.

Voltar a falar era outro problema, talvez o mais grave para ele. Sua mente e corpo travavam batalhas exaustivas; ele não sabia se estava preparado para voltar a falar ou se realmente poderia voltar a falar. Desde a noite em que falou com Sara e desabafou seus medos, Grissom deveria se sentir mais confiante para prosseguir com os primeiros passos que havia efetuado. Deveria. Ele fez uma promessa a si mesmo que deixaria seus medos para trás e se agarraria no voto de confiança que fez a Sara. Tinha de acreditar em suas palavras e na própria capacidade.

Criando mantras para si mesmo, “eu posso”, “eu estou bem”, “eu consigo”, Grissom decidiu enfrentar a si mesmo e se lançar no “escuro”. Se não saísse daquela zona o quanto antes, corria o risco de nunca mais sair, ficando preso dentro de si mesmo. Um trauma psicológico e emocional de grande impacto.

Gradativamente começou a engatinhar com sua voz. Início tímido, frases curtas e simples, palavras pequenas. O que não faltava em seu resumido vocabulário era o nome da mulher que amava. Voltar a dizer aquela palavra lhe trazia conforto; era um modo de recobrar à mente que não estava só naquele hospital frio.

Os dias iam passando. Pouco a pouco ele trazia a si a habilidade de falar normalmente. Um exercício de paciência e força de vontade, tanto para ele quanto para sua noiva, que o acompanhava desde sempre. Talvez seu maior trunfo sobre a situação foi estimulá-lo a falar por meio de simples conversas. Perguntar como ele se sentia, se a posição na cama estava confortável, o que pensava sobre o novo corte de dela. Algumas questões o faziam rir, um bônus para Sara, que adorava arrancar sorrisos naquele rosto tão abatido ultimamente.

Grissom, que nunca foi um ser emotivo, sentiu vontade de chorar algumas vezes ao pensar em todo carinho que recebeu ao longo daquelas semanas. Nunca demonstrou explicitamente, se conteve nos últimos instantes.

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— Como você está? — perguntou o supervisor dentre mais uma de suas diversas pequenas frases. Repousando sobre a cama, ficou observando Sara se deslocar para um "mundo distante". Seu desejo era de sondar seus pensamentos, temendo ao mesmo tempo de encontrar o que não queria.

Sara, que estava distraída a olhar pela janela, foi pega de surpresa por ele. Gostava de fazer aquilo ao se imaginar fora daquele prédio. Enquanto se perdia naqueles pensamentos, projetava seu futuro e o dele após deixarem aquele hospital.

— Hã? — Ela se virou e sorriu pelo teor da frase. — Não sou eu quem deveria te perguntar isso?

O supervisor permaneceu quieto, atento a ela enquanto esperava por uma resposta. Aparentava estar um pouco ansioso, como se a resposta fosse de extrema importância; mais importância que a própria pergunta.

Vendo que ele não ficaria satisfeito com aquilo, Sara caminhou para perto dele e passou a mão no topo da cabeça até a nuca. Trataria de retocar a tinta e cortar os cabelos já crescidos quando saísse dali.

— Melhor que antes — respondeu, evitando se esconder em seus "repetitismos"; basicamente falou que estava bem.

Não era isso que ele gostaria de ouvir. Queria mais. Queria saber o que realmente se passava em sua mente. Grissom a conhecia muito bem para reconhecer seus meios de fuga para assuntos dos quais não queria abordar, afinal, era igual a sua noiva. Queria saber muito mais que uma simples resposta, assim como Sara buscava fazer com ele.

— Sua pesquisa... — comentou receoso, chegando a desviar o olhar dela por um instante. Ele se referia ao projeto em que Sara trabalhava antes de voltar a Las Vegas.

— Eu desisti dela. — Sara respondeu diretamente, talvez até um pouco rispidamente a seu ver. — Não faria sentido voltar com você ainda em coma.

— Você... tem uma vida lá. — A voz de Grissom saiu mais baixo que antes. Unindo suas mãos como se estivesse pensando no que dizer em seguida, ele apenas se retraiu fisicamente e em seus pensamentos. Piscou várias vezes, engoliu em seco. Se viu sem saída. Era a pergunta que não queria fazer.

Foi então que Sara compreendeu aonde ele queria chegar. Era “aquela” pergunta, aquele questionamento que ela pedia tanto para não receber ou para nunca receber. Ao refletir sobre isso sentiu incômodo. Ainda na Califórnia, chegava a se esquecer algumas vezes que deixou Las Vegas e tudo mais naquela cidade para trás. Ou ao menos quase tudo.

Quando seu pensamento pairava sobre Grissom, era nesse momento que seus caminhos desandavam e ela perdia o foco.

— E acha que você não faz parte da minha vida? — Ela retrucou um tanto incrédula.

Os dois trocaram olhares tristes. Ninguém queria se aprofundar naquilo; o melhor era esquecer o assunto e seguir em frente. O problema era que os dois também não estavam dispostos a deixá-lo. Grissom, principalmente.

— Este lugar te machuca. — Grissom falou tomando um pouco mais de ar.

Ele a amava. Desesperadamente. Mas ele sabia que para ela, voltar a Las Vegas tinha um preço: ter que pisar no local que a deixou marcas profundas demais e que desencadeou nela numa crise severa. Um caminho que por pouco não a destruiu.

Haviam momentos em que Sara se incomodava demais com os comentários de Grissom por serem devidamente certeiros. Comentários que a atingiam bem no fundo e a encostavam numa parede, sem perspectiva de fuga.

— Se eu vim aqui não foi pelo que eu acho ou sinto, mas foi por você. — Ela tocou no peito, reafirmando sua postura. — Tá! Esse lugar aqui me traz lembranças desagradáveis, mas quem disse que eu pensei nisso quando larguei tudo e vim pra cá?

Ela tinha de confessar que se alterou um pouco e poderia ter se segurado. Levando a mão às têmporas ela respirou fundo e moveu a cabeça ligeiramente para cima e para baixo. A postura, assim como a voz, regrediu.

— Desculpe — disse baixo.

Ele não respondeu.

Era seu maior desejo perguntar o que Sara faria quando ele se recuperasse após voltar para casa. Tê-la de volta seria como uma dádiva, porém uma realidade longe de acontecer. Grissom só queria que ela fosse feliz, ainda que a milhares de quilômetros de distância. Mas se pudesse ter a oportunidade de estar ao lado da mulher que amava novamente agarraria esta chance com todas as forças.

— Quero que você seja feliz. — Grissom curvou os lábios num sorriso melancólico.

Aquela frase foi o estopim para ela.

Sara uniu a palma das mãos frente ao rosto e fechou os olhos. Era a última coisa que ela queria conversar sobre. Ela respirou fundo novamente para se recompor e tentar contornar o assunto.

— Primeiro a gente foca na sua recuperação. Só isso que importa agora.

— Sara. — Ele sussurrou, depois parou de insistir quando sentiu uma leve pontada no peito. De vez em quando sentia algumas dores localizadas. O médico havia dito que aquilo era normal de acontecer, mas para ela qualquer manifestação de dor era preocupante.

— Gilbert? — Deixando toda a discussão de lado, ela tratou de atendê-lo. — Tá tudo bem? Quer que eu chame a enfermeira? — Ela disparou.

— Não. — O supervisor negou balançando a palma da mão na tentativa de acalmá-la. — Estou bem. Foi algo passageiro.

— Melhor pedir que cancelem a visita. Você precisa descansar, Gil.

Catherine e Warrick combinaram de visitá-lo naquela tarde. Nick havia feito uma visita ontem, bem no final do horário enquanto Greg e o doutor Robbins vieram anteontem.

— Não precisa — argumentou ele, fazendo questão de receber seus amigos. — Eu quero vê-los.

— Gil. — Ela insistiu. Se pudesse fazer de tudo para preservá-lo, Sara faria sem hesitar. O problema era que nem sempre os dois concordavam.

— Por favor.

O semblante abatido, como de filhote de cachorro abandonado matou Sara de vez. Ele não queria perder a oportunidade de saber como estava o mundo lá fora. O “mundo lá fora” no caso, era o trabalho.

Ela o encarou bem para ter certeza de que ele não estava mentindo. Para o supervisor era difícil esconder algo dela; ou Sara acabava descobrindo ou ele contava por si só.

— O que eu não faço por você... — Ela bufou. — Mas se eu perceber que não está bem, você vai ser ver comigo. — Estendendo o indicador em ameaça, Sara tentou segurar o riso após vê-lo fazer uma careta.

Prestes a se afastar dele, Grissom a segurou pelo pulso delicadamente, puxou-o e então beijou o dorso de sua mão. Apesar de tentar resistir a ele, o gesto derreteu o coração de Sara, que chegou a mover o canto dos lábios num sorriso torto.

— Senti sua falta — disse ele, do jeito mais romântico que conseguiu.

Poucas palavras eram necessárias para desmontar Sara por inteiro; a frase era uma delas, ainda mais se a pessoa quem falou era justamente Gil Grissom. Desmontava-se mais ainda por todo um contexto em que aquelas palavras se encaixavam. Faltou muito pouco para perdê-lo e ainda assim ele mal falava de si mesmo ou de sua quase morte. A distância não fez seu amor por ela diminuir, apenas aumentar a dor que sentia por não tê-la por perto.

Ela segurou a mão dele e a cobriu. Respirou fundo e visou seu rosto mais uma vez. Ficar chateada com ele era uma tarefa difícil nos últimos tempos.

— Seja sincero: você está bem para isso? — Sara o questionou, desta vez sem aspereza no tom.

— Estou.

Valendo-se de um suspiro, Sara se deu por vencida.

— Ok.

O melhor seria não forçá-lo a discussões levadas por emoções. Tudo o que precisavam focar era na mais rápida e melhor recuperação de seu corpo.

— Vai falar com ele? — perguntou, referindo-se a Warrick.

Grissom olhou para a frente, ajeitando-se na cama para ficar confortável. Ao passar a mão pela nuca, moveu a cabeça num gesto positivo. Depois do que melhor da situação, basicamente o que ocorreu na noite do crime, Grissom passou a se preocupar com o amigo e a culpa que o mesmo trouxe para si. As lembranças daquele ainda eram vagas e talvez continuariam assim pelo resto de sua vida. Mas se havia algo do qual Grissom não iria se esquecer era da presença de Warrick. A mente lhe pregaria peças, mas ele tinha certeza de quem o tirou do carro.

— Espero que ele te ouça desta vez.

Deixando de lado sua mão, Sara passou a mão pelos cabelos ainda longos de Grissom. A barba antes aparada por ela crescera novamente, chamando sua atenção. Os cabelos foram deixados de lado por enquanto, o que lhe dava uma aparência diferente da convencional.

— Já está na hora de fazer essa barba, não? — Ela falou enquanto deslizava a palma da mão sobre sua bochecha. O que recebeu foi um sorriso intencionado.

— Eu também acho — respondeu sem tirar o semblante presunçoso. Adorava quando Sara o barbeava. Suas mãos leves percorriam seu rosto com tanta maestria que mal sentia uma lâmina atravessando sua pele.

Ela beijou sua testa com afeto. Aproveitou para mover os cabelos para trás novamente. Seus olhos brilhavam de paixão a cada toque seu. Ele nem precisava dizer, Sara já percebia o quanto ele sentia sua falta.

— À noite. — Ela respondeu. — Depois que eles forem embora.

Ele aceitou sua proposta sem questionar.

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Catherine e Warrick chegaram ao quarto de Grissom sozinhos devido ao limite da quantidade de visitantes. Vieram após a confirmação da enfermeira e passaram pela porta, sendo recebidos por um cumprimento carinhoso de Sara, que abraçou ambos.

— Olha só como ele está! — A supervisora se aproximou de Grissom e segurou sua mão firmemente.

— Ei, Cath. — O homem respondeu sorrindo. — Warrick. — Ao ver o amigo se aproximando, ele estendeu a mão esquerda.

O CSI fez questão de cumprimentá-lo na mesma hora. Era bom demais para ele vê-lo se recuperar. Para alguém que ficou tanto tempo em coma, Grissom melhorava num ritmo considerado bom para sua idade.

— Ganhou mais peso, hein? — Warrick brincou.

— Não me faça rir. Estou muito longe ainda do que era antes. — Respondeu, fazendo ele sorrir também.

— E a recuperação? — Catherine tomou a palavra, chegando a se virar para falar com Sara também.

— Ótima. Ele não para de falar. — Sara brincou.

— Eu quis me resguardar. — Grissom replicou em voz baixa, mas audível. — Por isso eu... preferi manter o silêncio.

Havia muito mais que um simples resguarde. Mas para ele e Sara o melhor era deixar isso em secreto; deixar o assunto morrer.

— Que bom que já está falando de novo, Gil. Imagino que gostaria de ter dito alguma coisa quando fomos te ver — disse a ruiva.

— Na verdade... não.

— Nossa — Catherine ergueu as mãos. — Mas nem um “que bom ver vocês”, homem de lata?

— É. Eu acho que isso... pode valer.

— Deus. — A supervisora ergueu os braços. — Você acordado ou dormindo é a mesma coisa, então, não é? — Ao dizer aquilo, Catherine dirigiu seu olhar se direcionou a Sara, que chacoalhou os ombros como na outra vez. Recebeu a mesma feição de quem não podia fazer nada.

— É o jeito dele. — Sara argumentou.

— Você... conseguia nos ouvir ou algo perto disso? — Warrick, que ficara alheio à pequena conversa, teve um lampejo de curiosidade. Queria saber se o amigo pôde ouvir e compreender o que os visitantes disseram para ele. O próprio, no caso.

— Não conseguia distinguir alguma coisa da outra, na verdade. Não sabia se os sons que surgiam vinham de fora ou da minha mente. — Grissom moveu a cabeça em negativa lentamente. — Mas... eu... sentia que de alguma forma não estava sozinho.

Ouvindo tudo, Sara se recordou de quando fez uma pergunta semelhante a ele dias atrás. O que recebeu dele foi não ter reconhecido o que foi dito por ela, mas sim de sua presença e de seus toques. Que de alguma forma, o carinho que recebeu animou seu espírito inerte. Disse que teve medo de não ser real, acordar e saber que ela estava longe. Tentou resistir no começo, mas logo se deixou levar e se agarrou nisso.

— Fico muito... grato por terem vindo me visitar. — O supervisor falou sem jeito, desviando o olhar da dupla a quase todo momento. Ele respirou fundo e se ajeitar na cama. Ficar deitado por muito tempo o deixava inquieto.

Catherine riu brevemente ao ver o amigo daquele jeito. Sabia que ele nunca foi bom com palavras que não fossem termos técnicos e científicos. Só de vê-lo voltando a ser o mesmo era um alívio enorme.

— Como estão os outros — perguntou Grissom após mudar de assunto. Na verdade, queria falar sobre o trabalho; todavia, aquela única palavra se tornou um tabu no quarto, principalmente quando Sara estivesse por ali. Ela seria a primeira a intervir, tudo para deixá-lo o menos estressado.

— Bem. Sempre perguntando ou falando de você. — A supervisora respondeu.

— Não sabia que era tão querido assim. — O comentário bem-humorado de Grissom fez os outros rirem. — Até o Ecklie?

— Ah! Nem me fale dele. — Por instinto, Catherine olhou para trás. — Está insuportável!

— Deve estar sentindo minha falta. — Grissom esboçou um sorriso. — Peça-o para vir me visitar.

— Tem certeza disso, Gris? — Foi Warrick quem se manifestou dessa vez, recebendo uma resposta positiva do amigo.

— Claro. Quem atura mais ele que o supervisor-chefe?

O comentário sarcástico de Grissom fez com que todos na sala rissem.

O assunto da conversa não se resumiu ao trabalho. Várias outras coisas foram surgindo nos minutos que se seguiam. Não foi a primeira visita dos dois a ele, mas pareceu ser. Sempre havia alguma novidade, um detalhe que escapou das outras vezes. Cada vez que Warrick e Catherine viam o rosto sorridente do supervisor uma sensação de paz tomava conta de suas vidas. Nem parecia o sufoco pelo qual todos passaram nos últimos meses.

— Acho que já está na minha hora de ir. Estou começando a gostar da comida de hospital. — Grissom comentou dentre um dos vários assuntos que iam abordando de repente. Apesar de não falar muito sobre isso, sua maior vontade era de deixar o hospital o quanto antes. Sentia-se como um hamster dentro de uma gaiola, preso às mesmas rotinas de sempre. Não que não fazia isso em seus dias normais “pré-incidente”; acostumou-se com as rotinas que ele mesmo impôs a si, não as rotinas impostas contra a sua vontade.

— Ah, isso é mau. — Warrick replicou no mesmo tom. — Eu e o pessoal podemos pensar num plano de te tirar daqui às escondidas.

Repousando no sofá enquanto via Grissom aproveitar o tempo com os dois, Sara curvou os lábios em um sorriso tímido. A cada minuto ali, vendo o tempo passar enquanto ele conversava com Catherine e Warrick, Sara percebeu o quanto ele queria aquilo, fazendo questão de aguentar firme uma possível dor que acometeu em seu peito. Às vezes achava que seu noivo se forçava demasiadamente para situações de pequena importância e às vezes achava que ele só queria resgatar o tempo perdido.

Os visitantes ficaram em torno de meia-hora no quarto; abaixo do tempo-limite, mas o que foi combinado entre Warrick e Catherine. Caso passassem do tempo não haveria como receberem outra visita naquele dia. O momento também lhes era conveniente, visto que iriam sair juntos para um compromisso em particular.

— Está na hora de ir — disse Catherine, visando o companheiro por um breve instante.

— É. O tempo passa muito rápido aqui. — O perito completou sorrindo, embora tivesse o desejo de ficar mais um pouco.

— Warrick. — A voz de Grissom pegou ele e Catherine de surpresa. Ele o chamou logo após o perito fazer seu comentário.

— Sim?

O supervisor pigarreou por um instante.

— Quero falar com você.

As poucas palavras do supervisor ecoaram pela sala e pegaram ainda mais de surpresa os visitantes. Sara, que já sabia das intenções do noivo, visou Catherine logo em seguida no intuito de que saíssem do quarto sem dar muita deixa. Levantando-se do sofá, com um pequeno gesto ao tocar em seu braço direito, Sara falou algumas palavras próximas de seu ouvido. Foi logo após isso que Catherine compreendeu o que estava acontecendo ali. Assentindo em resposta, a supervisora se despediu de Catherine e lançou um olhar caricato ao parceiro. Ficaria esperando por ele do lado de fora.

Quando as duas mulheres saíam do quarto, tudo o que restou para Warrick foi uma sensação de sufocamento. Não era para se encontrar daquele jeito, mas estava. O clima deveria ser o mais leve possível; acabaram de encerrar minutos regados de uma sadia conversa, mas para Warrick o tempo virou como num instante.

Disposto a ouvir o que Grissom tinha a dizer, ele permaneceu calado, apenas encarando o homem em seu leito.

Se de um lado, Warrick não sabia o que iria ouvir, por outro lado, Grissom não sabia como iniciar seu discurso. Irônico saber que para alguém que teve "todo o tempo do mundo", o supervisor não ter em mente a melhor sentença para começar aquilo. Anos trabalhando com pessoas ao redor e ainda lhe faltava muito para melhorar neste aspecto.

— Em primeiro lugar eu... eu quero te agradecer.

Surpreso pelo pontapé inicial, Warrick arqueou as sobrancelhas.

— Você já me agradeceu antes. E nem precisava, Gris...

Ao ver o supervisor erguer a mão na tentativa de interrompê-lo, Warrick parou de tentar se justificar ou eximir Grissom de lhe agradecer.

— Eu estava sozinho naquele carro... Sinceramente... não me lembro do que aconteceu direito após a chegada do McKeen.

Sara sempre insistiu que ele não tentasse pensar nos acontecimentos daquela noite. Triste para ele, que não se recobrava mais de tudo que ocorreu no restaurante. As memórias vagas eram confusas algumas vezes e quanto mais tentava se lembrar, mais forçava a si mesmo e, frustrado, sofria com isto. Só parava de tentar quando era repreendido por Sara.

— Mas eu me lembro de você — disse o supervisor com toda a convicção que sua mente lhe proporcionava. — Não tem como eu me esquecer.

Quase inerte pelo que ouvia, Warrick mostrou-lhe um semblante emocionado. Prometeu a si mesmo que não iria mais chorar pelo incidente e se esforçou por isso.

— Não sei, talvez nunca vou saber se foi uma intervenção divina ou se você estava lá na hora certa.

— Um pouco dos dois? — O perito brincou, fazendo ele reagir com um sorriso.

Antes de voltar a falar, Grissom, trazendo um sorriso no rosto, encarou o amigo por uns instantes. Era muito bom saber que Warrick saiu daquela história sem se ferir gravemente. Seu maior medo era que o amigo estivesse envolvido a tal ponto que não pudesse sair mais.

— McKeen está preso agora. Por sua causa.

O brilho no rosto de Warrick foi se esvaindo. Já imaginava que o supervisor pudesse tocar naquele assunto. Grissom deixou que o amigo pensasse bem na sua declaração antes de falar novamente. Queria que compreendesse toda a atmosfera que envolveram os acontecimentos passados.

— Lembra do... pedido que fiz a você meses atrás? — Ele perguntou pausadamente, ritmo que tem adotado desde que voltou a falar. — Pois eu tenho outro: pare de se culpar pelo que aconteceu comigo. Por favor.

Warrick mudou de semblante aos poucos, como se tentasse com todas as forças seguir seu conselho, mas que falhava no final. Ouviu palavras como aquela por diversas vezes ao longo dos últimos meses. Todavia, ouvi-las diretamente da boca de Grissom teve muito mais intensidade que das outras vezes.

— Eu... vacilei, Griss. — Warrick tentou se explicar ao levar a mão ao bolso. — Eu poderia ter agido de outra maneira.

— Assim como eu deveria ter previsto os movimentos do McKeen. — Grissom respirou fundo e se ajeitou na cama outra vez. — Se você acha que tem culpa nessa história... então eu tenho culpa por não ter te acompanhado até sua casa.

Grissom não podia negar que ficou decepcionado com Warrick por ignorar sua recomendação de ficar longe de Gedda e retornar àquela boate. Ele poderia tê-lo acompanhado de volta para garantir que Warrick não mudaria de ideia, mas achou melhor deixá-lo seguir seu caminho sozinho. Tantos caminhos e escolhas poderiam evitar aquele desfecho. O destino foi doloroso, mas não cruel.

Suas palavras pegaram Warrick em cheio. As memórias daqueles dias doeram ainda mais e Grissom percebeu que ele aparentava sofrer por isso.

— Não... não fale assim. — Inconformado com o que Grissom falou, ele o repreendeu. Não podia sequer deixar que seu amigo trouxesse a culpa para si, sendo que os culpados foram aqueles desgraçados.

Gedda, McKeen, corjas do mesmo saco, mas que pareciam ser dois opostos. Warrick cerrou os punhos por instinto. Raiva por aqueles homens ou talvez raiva de si mesmo por se deixar cair pelos desejos internos.

— Desgraçados... — Ele se afastou de Grissom e caminhou para o centro da sala. — Gedda já pagou pelo mal que fez, e aquele outro... Ele não sai mais da cadeia, disso eu tenho certeza!

— Deixe o passado para o passado, Warrick.

— Eu faço isso. — Ele deu de ombros e depois balançou a cabeça. — Eu tento fazer isso! Mas... Eu não sei, parece que não sai, não quer sair.

Warrick parecia irredutível, coisa que Grissom não poderia admitir. Não de seu amigo, aquele que enfrentou um inferno pelos últimos meses.

— Olhe para mim — pediu o supervisor.

O perito relutou no começo, permanecendo com a atenção voltada para o chão. Rosto fechado, de poucos amigos, deu a impressão de que iria bater o pé e ignorar o supervisor. Grissom continuou por ali, esperando pacientemente até que Warrick amolecesse.

— Estou vivo. McKeen não conseguiu terminar o trabalho e vai pagar pelo que fez. Conversa encerrada. — Grissom achou que atenuar seu tom de voz poderia adiantar.

O perito franziu as sobrancelhas, atordoado pelo tom quase áspero que Grissom usou para virar a página. Boquiaberto, olhou para os lados e sorriu incrédulo. Foi a primeira vez que alguém falou tão diretamente sobre o tema com ele.

— Desculpe-me. Sara me contou que você ficou abatido. Não podia deixar que continuasse assim.

— Ela te contou é? — perguntou retoricamente, recebendo um gesto silencioso em afirmativa. — Ótimo...

— Ficar apegado ao passado nos impede de seguir adiante, Warrick. — Grissom, com toda a paciência que carregava naquela hora, tentou de todas as formas tirar aquele peso de cima dele. Imaginou que se ele ficou assim desde o atentado, então seu caso era grave e precisava ser tratado.

— Quem falou isso? Um filósofo? — O perito gesticulou, um tanto farto pelas frases de efeito de Grissom. — Um dos seus dramaturgos que você adora citar?

— Minha mãe.

Warrick arqueou as sobrancelhas novamente, chegando a rir incrédulo pela resposta inesperada.

— Se você não puder esquecer, então... não deixe que isto o abale mais. — Ele pausou por um instante para suspirar. — Deus, nem quero pensar como vocês reagiriam se o meu destino fosse a mesa do Al.

Deus, nem eu, pensou o perito. Se deixou levar pelos pensamentos obscuros; um cenário no qual Grissom não passaria daquele carro após os tiros efetuados por McKeen. Uma vida sem a companhia do supervisor, um buraco deixado no laboratório e em sua vida.

— Pense só, poderia ser você aqui, Rick. Sabe o quão preocupado eu ia ficar? Como acha que nós, todos nós, iríamos ficar? — Apesar do tom cômico, o maior medo de Grissom era que algo pior acontecesse ao amigo naquela época.

Warrick encarou seus olhos como pouco o fazia. Como quando Grissom se punha a frente dele para falar sério; não como seu chefe, mas como seu amigo. A pior coisa que podia saber desde seu retorno do coma era o estado emocional de Warrick.

— Está bem, Gris. — Ele baixou o olhar e cruzou os braços. Uma hora teria de largar o passado e focar no que viria pela frente. Talvez a melhor forma de começar isto seria com um incentivo do homem que ajudou a salvar.

— Sério?

— É. É sério.

— Ótimo. — Ele assentiu satisfeito. — Ótimo... Você queria... me dar um abraço?

— Eu? — Warrick apontou para si mesmo, rindo ao achar engraçado o jeito com o qual ele falou.

— Você mesmo. E todos os outros. — Grissom não entendia o porquê de Warrick ficar surpreso. — Vocês me visitavam todo dia, imagino que queriam fazer isso.

— Sim, mas... Você está aí nessa cama. — Ele respondeu na defensiva, chegando a erguer as mãos.

— É por causa disso?

Sem esperar por alguma resposta, Grissom tomou a iniciativa e, num súbito movimento, deslizou as pernas para o lado. Em poucos segundos já se preparava para se levantar.

— O-o que está fazendo?! — O perito tratou de correr em sua direção para tentar impedi-lo de fazer o que pretendia. O que recebeu foi apenas uma palma aberta, impedindo-o de prosseguir.

— O que estou fazendo? Estou indo em sua direção! — Grissom respondeu sem hesitar. Chegou a rir ao respondê-lo. — Aproveite que estou de bom humor hoje.

— Deus! Não pode ficar se esforçando desse jeito! — De frente para Grissom o perito ergueu as mãos para fazê-lo parar.

— Não estou morto, Warrick. Nem incapacitado.

— Eu sei! — Utilizando-se de gestos contínuos para que Grissom parasse de se mexer, Warrick, enfim, desistiu de pará-lo. Ao encarar o supervisor de pé após tanto tempo vendo-o "preso" a uma cama, de repente, foi como se os tempos ruins se esvaíssem como a névoa.

— Então?

Grissom ostentou o melhor sorriso que pôde, mesmo sem mostrar os dentes. Ele ergueu os braços e esperou que o amigo viesse ao seu encontro. Anos convivendo com o supervisor e foi a primeira vez que Warrick o viu fazer aquilo. Para um homem fechado em seu próprio mundo, Grissom parecia um outro homem.

— Deus — falou emocionado o perito. — Olha só pra você. Já está aí de pé... — Movendo a cabeça várias vezes, Warrick parecia não acreditar.

De repente, viu-se diante de uma figura distante, um pai que nunca teve e que de alguma forma poderia julgá-lo por suas atitudes. Ao dar o primeiro passo, Warrick decidiu largar estas confusas concepções e abraçar seu velho amigo. Então assim o fez.

Da última vez em que o envolveu nos braços, Grissom sangrava seriamente. A cor predominante em suas mãos era o vermelho carmesim, suas memórias se resumiam no preto, branco e vermelho. Agora ele o abraçava, com força até, esbanjando vitalidade apesar da visível debilidade física devido ao longo tempo desacordado.

— Obrigado por me salvar. — Ele falou em voz baixa.

— De nada... — Warrick respondeu sem jeito. Aquelas palavras o quebraram. — Sabe que poderia ter sido qualquer um a ter feito isso, não sabe?

— É, poderia. Mas foi você.

Warrick fechou os olhos irritado de maneira saudável porque Grissom estava prestes a fazê-lo chorar novamente. Ele teve cuidado suficiente para não apertar demais o abraço e prejudicá-lo de alguma forma, ao contrário do supervisor, querendo provar que estava vivo realmente.

— Quero que conheça meu filho. — Warrick tomou coragem de contar isso ao supervisor. Coisa que gostaria de ter dito há mais tempo.

— Filho? — Atordoado pelo que acabou de ouvir, Grissom encerrou o abraço e tocou nos ombros de Warrick para saber melhor da história. — Meu Deus... Filho, Warrick?

— É... — respondeu sem jeito.

— Céus... — Ele deu um passo para trás, levando a mão à testa. — Por quanto tempo eu fiquei dormindo? — perguntou perplexo.

— Não, não é isso. É uma história meio longa. Você vai saber melhor depois. — Warrick falou com um sorriso amarelo. Uma ponte dificultosa de se atravessar separava a verdadeira história que envolvia seu filho.

— Qual o nome dele? — Empolgação tomou conta do supervisor, agora animado por saber que seu amigo e colega de trabalho se tornou pai.

— Eli.

— Eli. — Grissom bateu de leve em seu ombro esquerdo. Não sabia se estava mais orgulhoso que Warrick, o peito estupefato dava a impressão de explodir a qualquer momento. Queria insistir ao amigo o motivo de não ter revelado isso antes, mas aquilo pouco importava. — Não tenho dúvidas que está sendo um ótimo pai.

— Se... eu for 10% do que você é... vou ficar feliz.

Sem falar, o supervisor o questionou o motivo de ter se referido a ele como referência à paternidade. O CSI Brown riu ao reparar no rosto confuso do homem à sua frente.

Entre seu olhar de incredulidade que parecia não ter fim, Grissom acabou avistando Sara que se aproximava do quarto. Ela não entrou de cara, ficou observando o interior para saber se não estaria interrompendo alguma coisa. Quando seu olhar e o de Grissom se encontrara, o supervisor fez um gesto para que ela entrasse.

— Ei. — Sara cumprimentou os dois.

— Oi. — Warrick acenou para ela, aproveitando para visar o relógio no pulso por causa da hora.

— Fez o Gil se levantar, é? — Sara se dirigiu ao amigo e depois para o noivo. — Deveria ter vindo mais vezes — brincou.

— Ah... era só ter chamado. — Entrando no clima, Warrick deu de ombros. Viu Sara se aproximar dele e o casal trocar algumas palavras das quais não pôde entender. Foi então que achou a oportunidade para dar sua deixa. — Eu acho que... é melhor ir. Já tomei quase o tempo todo da visita.

— Não se preocupe com isso, Warrick.

— Não, tudo bem. Catherine deve estar esperando por mim. — O perito assentiu. — Fico feliz que esteja se recuperando bem, Griss.

— Obrigado. Faça o que eu recomendei, combinado?

— Claro. Pode deixar. — Ele assentiu convicto. — Bom ver vocês. — Lançando-lhes outro gesto positivo, Warrick acenou para eles e decidiu sair do quarto.

Grissom não tirava o sorriso bobo do rosto, mesmo após se sentar na cama sem ajuda, valendo-se de seu esforço. A sensação que teve foi de ter passado uma parte de sua vida desacordado sem enquanto o tempo passava. Pensar nisso o deixaria triste, mas o que tirou do marasmo foram as palavras que ouviu de Warrick.

— Pelo visto as coisas saíram bem entre vocês dois. — Ela tocou em seu ombro delicadamente.

— Melhor do que eu imaginava.

— Que bom ouvir isso, Gil. — Sara veio a beijar sua testa assim que respondeu.

Ao olhar para cima, viu o rosto resplandecente dela, feliz por vê-lo tão leve após aquela conversa. Ele ergueu a mão direita, ameaçando acariciar seu rosto e obteve uma recompensa; Sara se inclinou para baixo e tocou em seus lábios com os dela num delicado beijo.

— Espero que ele pare de sentir culpa nessa história — disse ela ao apoiar suas mãos nos ombros dele.

— Eu também — afirmou. Grissom confiava na mudança de atitude do amigo, apesar de não saber de seus pensamentos mais profundos. Realmente esperava que isso acontecesse. — Ele... tem um filho. — A voz do supervisor ainda sugeria incredulidade. Incredulidade e, claro, felicidade.

— Um filho? — Sem conseguir acreditar de início, Sara arqueou as sobrancelhas. Ela se afastou dele para encará-lo frente a frente. — Sério.

— É. — Assentiu.

— Nossa... não fazia ideia. — Ela sorriu, tão incrédula quanto ele. — Quem diria...

— Tenho a impressão de que fui deixado para trás. — Grissom caçoou de si mesmo. — Tem certeza de que foram dois meses e não dois anos?

— Não diga isso.

Seria bom e ruim saber que seu trabalho ou sua presença no no Laboratório já não seriam tão necessárias como achou que era. Bom porque seus amigos e colegas conseguiriam seguir suas vidas sem ele e ruim ao mesmo tempo já que sua falta não seria mais tão sentida severamente.

Grissom a chamou para perto como um homem carente. Sem dizer nada ela atendeu seu pedido; voltou para perto dele, envolveu sua nuca com as mãos e o trouxe para si. Ele sorriu, contente por ser recebido por um gesto tão doce. Apesar da circunstância pela qual Sara voltou, ela estava bem ali, abraçando-o ternamente.

— Obrigado — sussurrou, aconchegando-se nela. Respirou fundo e se deixou levar pelo abraço. Não havia nenhum lugar no mundo do qual ele gostaria de estar.

— Estamos quase lá. Falta pouco pra gente voltar para casa. — Ela passou a mão por seus cabelos.

— Eu já estou em casa.

Suas palavras a deixaram desconcertada. Sara baixou o olhar em sua direção para saber como ele reagiu ao atingi-la em cheio. Nunca viu um semblante tão convicto quanto o dele.

— Desde quando voltou a falar você não para de tentar me impressionar, não é, Gil?

— Não reparei — afirmou sorrindo.

— Ah é? — Desconfiada, ela ergueu uma sobrancelha e o visou bem para saber se ele não estava brincando. Recebeu uma resposta positiva em seguida.

Houve um breve período de silêncio entre os dois, que aproveitaram aquele abraço novamente. Todo tempo juntos parecia muito pouco.

— Eu consegui?

Notas finais
Foi muita coisa nesse capítulo, mas não dava para separá-lo. Peço desculpas para quem não curte capítulos tão grandes assim. Por esse capítulo abordar tantos pequenos detalhes e não ter uma ideia de como traduzi-los em um único título, ele acabou ganhando o nome "O que dizer?" Parece poético, mas eu dei esse nome de última hora, literalmente antes de postar esse capítulo kkkkkkk POXA MAS NESSE CAPÍTULO EU ME EMPOLGUEI DEMAIS GALERA, EU NÃO ME AGUENTO KKKKKKKKKK Se vocês gostaram que teve muitas palavras então tá mec Obrigada a todos que leram! Beijos e até o próximo capítulo!