For Grissom
22 Jantar
Notas iniciais
Ele estava um pouco nervoso.
Era a primeira vez que reunia as mulheres que mais amava em torno de uma mesa de jantar. Escolheram o conforto e a privacidade de sua casa em vez de um restaurante; ambiente perfeito para tipos como eles.
Entretanto, a privacidade lhe causaria mais proximidade e talvez ele não estivesse tão preparado para isto.
Talvez estivesse mais nervoso que o comum.
— É ela — exclamou o supervisor ao ouvir a campainha. O semblante natural, de repente, mudou para um rosto aflito. Podia sentir que sua camisa social e o suéter o estavam sufocando. — Deus, é ela.
— Acalme-se, Gilbert.
— Meu Deus, acho que... me esqueci de tudo. — De repente ele começou a fechar e abrir as mãos com tremenda ansiedade. — O que eu vou falar?
Rápida, Sara se levantou e se pôs à frente dele, aproveitando para ajeitar a gola de sua camisa. Assim como ele, também optou por algo menos informal. Escolheu um vestido longuete azul cobalto, de alças medianas e decote em ‘u’. Para completar o visual, ela utilizou um cordão dourado com pingente redondo da mesma cor; presente de Grissom. Os cabelos soltos foram divididos ao meio e para as orelhas, optou por brincos discretos; pequenos, destacando uma pedra branca.
— Eu é quem deveria estar nervosa. — Ela brincou. — É minha futura sogra.
Desviando o olhar rapidamente para retomar o fôlego, Grissom assentiu em agradecimento pela tentativa em deixá-lo melhor.
— Tem razão. — Assentiu novamente, mas depois mudou sua feição novamente. — N-não, você não... — Ele respirou fundo. — Não... não fique nervosa.
Ela não pôde deixar de rir. Dando dois tapinhas com as palmas aberta em seu peito, Sara ajeitou novamente a roupa do noivo e então lhe pôs um olhar confiante.
— Vá falar com sua mãe. Tenho certeza que vai saber dizer o que tem que dizer.
— Certo. — Ele moveu a cabeça num gesto positivo. — Obrigado, querida.
— Você consegue.
Após trocarem um beijo rápido nos lábios, Grissom se dirigiu à entrada quase correndo. Respirou fundo e então abriu a porta. Não sabia porque ficou daquele jeito; deveria ficar mais feliz que ansioso. Parecia estar prestes a subir ao altar em vez de se reunir com a mãe e a noiva num jantar especial.
— Mãe!
Ao ver o rosto resplandecente de Betty, ele abriu um sorriso largo no mesmo instante para disfarçar a carga de nervosismo que o assolava há pouco. Recebeu-a com um abraço apertado, como adorava fazer toda vez que se encontrava com ela. Mal reparou em suas roupas de início: saia reta bege com um cinto marrom, camisa linho abotoada branca e um sobretudo envolto em suas costas.
Quando encarou o filho pela primeira vez após tanto tempo, os olhos da mulher se encheram de lágrimas. Seu maior desejo foi realizado e ela estava infinitamente grata por isto. Seu filho sobreviveu e naquele momento a recebia de braços abertos. O abraço se manteve por mais tempo que ele esperava. Não precisava de muito para saber que sua mãe se sensibilizou demasiadamente.
Grissom beijou o topo de sua testa com carinho e sorriu como um filho que acabara de voltar para casa.
— Está linda, mãe. — Ele se comunicou em ASL, falando ao mesmo tempo para que Sara pudesse compreender o que diziam. Foi combinado desse jeito. Ele queria que sua noiva tivesse a oportunidade de participar ao máximo da conversa.
— Você está magro. — Analisando-o de cima a baixo, Betty não pode deixar de notar a diferença física em seu filho. Ela tentou secar as lágrimas decorrentes e até conseguiu conter-se um pouco, mas estava nitidamente emocionada.
— Acho que estou bem. Queria perder uns quilos. — Grissom brincou.
A feição reprovadora da mãe disse muito para quem não gostou da resposta. Ele disfarçou com um sorriso torto na tentativa de amolecê-la um pouco. Provavelmente sua tentativa funcionou, porque logo em seguida Betty tocou em suas bochechas e as apertou brevemente, deixando-lhe com uma careta desconfortável. Após isso, puxou-o para perto e beijou sua testa carinhosamente. Sua aparência física não lhe agradava, mas o importante era que seu filho estava à sua frente e bem.
Grissom sugeriu que ambos entrassem. Sara, de pé quase no mesmo lugar de onde estava com ele, esperava para receber a futura sogra. Tinha que admitir que se encontrava um pouco nervosa pelo por aquele jantar. Não foi a primeira vez em que os três se reuniram, mas a ocasião era mais que especial para todos eles.
Ostentando um largo sorriso, Sara a recebeu com um forte abraço, assim como Grissom. Ficou feliz de vê-la novamente num lugar que não fosse o hospital. Envergonhada sem um motivo aparente, Sara mal conseguiu trocar uma conversa franca com ela naquele dia. Preferiu-a deixar ter seu espaço junto do filho.
— Estou feliz em te ver. — Ela sinalizou. Antes mesmo daquele dia, enquanto ainda morava em Las Vegas, Sara chegou a aprender com Grissom algumas palavras e frases em ASL e aproveitou para treinar mais um pouco. Ainda assim achou importante dizer a frase com a voz e visar seu noivo por um instante para saber se executou os movimentos corretamente.
Para seu alívio ele piscou uma vez para indicar que estava indo bem.
Com uma postura enfática, Betty sinalizou para Sara palavras que a ex-CSI não compreendeu num primeiro momento.
— Ela disse que você está mais bonita agora que no hospital. — Ao se aproximar da noiva, ele se pôs de lado para conseguir ver melhor as duas e auxiliá-la com as traduções.
— Ah é? — Pega de surpresa, Sara mal sabia para quem olhar. — Obrigada!
Sem utilizar de um sinal específico, Betty sorriu e indicou os lábios curvados. Sara nem precisou perguntar a Grissom para saber o que o gesto significava: sorriso. O rosto alegre de Sara era o motivo que deixou mais bonita que da última vez que Betty a viu. Todas as suas dúvidas sobre o que a futura sogra pensava sobre ela iam sendo sanadas. Uma onda de receio lhe sobrevinha quando imaginava que a senhora Grissom impunha certa culpa sobre ela pelo que ocorreu com o filho. Culpa por não estar perto dele ou ter feito algo para evitar a quase tragédia. Tinha medo de perguntar-lhe, de questioná-la se ela realmente impôs alguma culpa sobre a ex-CSI.
Todavia, seu abraço e o modo como falou com Sara abriram espaço para um novo horizonte. Talvez as coisas fossem melhores que imaginou.
Grissom ajudou a mãe guardando seu sobretudo, deu a deixa e os três se dirigiram à sala de estar. O último prato do jantar estava quase pronto, oportunidade para os três conversarem um pouco. Ele se sentou na poltrona posicionada frente ao sofá enquanto as duas sentaram juntas no móvel maior.
— Queria pedir desculpas — comentou Sara. Atento, Grissom percebeu que suas palavras se dirigiram à mãe e então começou a traduzi-las. — Ainda não estou habituada com ASL. Gil tem me... ajudado com isso.
Com um ar de riso, Betty gesticulou que estava tudo bem. Ela se dirigiu ao filho e disse algumas coisas enquanto visava Sara de vez em quando. Preocupada pela mudança de postura da futura sogra, Sara olhou para o noivo com um semblante ansioso.
— Ela perguntou quando será o casamento.
— Hã?
Sara arqueou as sobrancelhas ao ficar sem reação pela pergunta que acabaram de receber. Esperava ouvir questões menos diretas de início, até se preparou para coisas do tipo.
Ela e Grissom trocaram olhares desnorteados; nenhum dos dois estava preparado para responder à pergunta. Grissom nem tanto, mas Sara foi pega de jeito. Depois do "novo" pedido de casamento, a única coisa em que pensava era na recuperação de Grissom, imaginando que ele pensasse o mesmo.
— Bem... — Sara chacoalhou os ombros, torcendo para que Grissom tivesse algo melhor que nada.
— Nós... — Ele fez o sinal indicando os dois, mas logo em seguida visou a noiva. Torcia por uma resposta que os salvasse.
— ...estamos pensando na recuperação do Gilbert primeiro. — Sara explicou e ele traduziu na mesma hora. Viu que a resposta da noiva era cem vezes melhor que a dele. Sara não viu outra alternativa melhor senão aquela.
Mantendo a posição incisiva, Betty continuou a argumentar sobre o casamento. Vendo-a reagir daquele jeito, Sara já sabia sobre o que se tratava.
— Ela continua firme. — Grissom baixou o olhar em derrota. — Mamãe quer saber dos nossos planos para o futuro. E... — Ele chegou a rir antes de voltar a falar. — Se nós vamos ter filhos.
— Gil? Ainda nem comemos o jantar... — Um pouco nervosa, quase ao ponto do desespero, ela falou entredentes. Forçando um sorriso nervoso, ela se virou para a mulher de idade na tentativa de amenizarem a situação. Receio de sua futura sogra se aprofundar ainda mais e jogá-los contra a parede.
Não era daquele jeito que Sara gostaria de iniciar a conversa e tinha medo que se tornasse um desastre.
— Jantar! A propósito, acho que já está pronto! — Se levantando rapidamente, Grissom ganhou a oportunidade que queria. Ele se dirigiu à cozinha e deixou a noiva e a mãe sozinhas.
Por fora, tudo o que Sara podia fazer era sorrir. Por dentro, pedia por misericórdia da mulher ao seu lado e que parasse de adentrar naqueles assuntos, ao menos os adiasse pelo maior tempo possível. A última coisa que gostaria era de protagonizar um momento constrangedor com a mãe de seu noivo e futura sogra. Aquela noite não podia dar errado. Sara faria de tudo para que o jantar fosse mais que especial.
Para fortalecer ainda mais o laço com Betty, uma das primeiras atitudes que Sara tomaria adiante era aprender ASL em definitivo. A cada segundo que passava a sensação de que havia um mar separando as duas era evidente. Era como se todas as poucas palavras ou expressões aprendidas quase às pressas com Grissom fossem desaparecendo como um castelo de areia tocado pelo mar.
Quieta, como se perdesse o dom da fala, Sara mal percebeu quando Grissom voltou à sala para anunciar que a refeição estava pronta.
— Vamos? — Seu sorriso descontraído foi o gongo que a salvou.
— Claro! — Sara se manifestou na mesma hora. Pensou que fosse o sinal dos céus que tanto esperava.
Ajudando Betty a se levantar, as duas se encaminharam para a cozinha junto de Grissom.
Valendo-se do cavalheirismo, puxou as cadeiras para as duas e se sentou por último. Sara e Betty ficaram frente a frente e ele se pôs entre elas para ajudar como uma ponte de comunicação. Estava perfeito.
Observando as mulheres de sua vida com orgulho e felicidade que não lhes cabiam no peito, Grissom chegou a se questionar o porquê de não realizar encontros como aquele previamente. Reuni-las no mesmo lugar por uma boa ocasião aprazia seu espírito, tão transtornado nos últimos tempos. Poucas coisas o deixavam tão alegre como ver aquela cena.
Como não poderiam ficar inertes por muito tempo, Grissom pensou bem nas primeiras palavras para quebrar o gelo.
— Sara e eu preparamos o jantar. Caso não fique bom, saiba que foi de coração. — Ele brincou, despertando a curiosidade da mãe.
A mesa estava posta e o cheiro agradável invadia suas narinas sensíveis. Na verdade, Betty sentiu o aroma da comida assim que se aproximou da cozinha, porém esperou por um deles falar da refeição.
— Está cheirando bem. — Ela disse, mostrando empolgação em seu rosto.
— Pelo visto... acho que ela gostou. — Sara se virou para o noivo, recebendo um gesto positivo.
O supervisor descobriu os recipientes sobre a mesa, revelando os pratos a serem degustados: purê de batatas com molho devidamente temperado, almôndegas veganas e salada de vagem. Ainda havia a sobremesa que viria em seguida: brownies de chocolate.
A feição de Betty resplandeceu ao ver a refeição sobre a mesa, o que elevou a moral de Sara e Grissom. Eles trocaram olhares orgulhosos pelo gesto, mas não se exaltaram, afinal o que mais importava era o sabor, sendo a primeira vez que os dois cozinhavam para alguém além deles mesmos.
— Deixe que eu te sirvo, mãe. — Grissom se ofereceu já tomando a iniciativa. Betty enfatizou que não precisava, mas já era tarde.
— Espero que esteja tratando sua noiva assim. — Ela o alertou.
— Eu estou, mamãe. Não há ninguém que eu trate melhor em Las Vegas, em Nevada, no mundo todo, que a mulher por quem me apaixonei. — Após servir primeiramente o purê de batatas, Grissom fez questão de enfatizar os sinais e a sua voz. Tinha de confessar que estava adorando chamar Sara de "noiva" em vez de "namorada". Era uma afirmação de que realmente havia amor naquele relacionamento, quase se concretizando num matrimônio.
Apesar de rir pelo momento descontraído, o rosto de Sara corou um pouco pela resposta direta dele. Não eram habituados a comentar com outras pessoas sobre algo tão íntimo quanto aquele relacionamento e por isso sentiu certo desconforto de início. O que a deixou melhor foi notar a reação de Betty ao longo da conversa e a forma como se dirigia a ela; nada de indiferença ou desdenho. Havia sinceridade naquele olhar e isto lhe fazia bem.
— Gilbert... — Ela baixou o olhar por um instante. Buscou se lembrar dos sinais corretos antes de continuar e não cometer um deslize. — Tem cuidado muito bem de mim.
Para a surpresa da ex-CSI, sua constante tentativa de se comunicar em sinais e a forma como se propunha a falar chamou a atenção do próprio Grissom, que se deixou distrair por ela. Mal percebeu que ainda segurava a colher com uma porção de salada no ar. Ao dar conta disto, Grissom disfarçou arrancando uma breve risada de Sara. visou a mãe com um sorriso de orelha a orelha.
Ao terminar de servir Betty, Grissom se inclinou brevemente para o lado de sua noiva e sussurrou algumas palavras:
— Você foi incrível — falou com orgulho. Apesar de sua mãe ser deficiente auditiva, ele preferiu se expressar daquela forma por puro e simples desejo de manter o momento a dois em particular.
Curvando os lábios em agradecimento ela sussurrou de volta. Então ele começou a servi-la. Podia sentir que a reunião começou bem; nada de discussões ou situações (tão) embaraçosas. Bastava continuarem assim e a noite terminaria da melhor forma possível.
Terminado ali, Grissom se serviu por último. Dentro de pouco tempo os três já estavam comendo. Para ele e Sara, que mal provaram a comida preparada direito, puderam saborear o bom gosto com o qual a refeição ficou. Alívio para ambos já que o medo de o jantar ser um desastre era real.
— A refeição está muito boa. — Após dar suas primeiras garfadas, Betty parou de comer para elogiar a comida.
— Obrigada. — Percebendo que o comentário se referia ao jantar ao reconhecer alguns sinais, Sara fez questão de responder na mesma hora.
— Foi Sara quem teve a ideia do cardápio. — Grissom também parou de comer só para elevar a moral dela com a mãe.
— Ah... — Sem saber o que responder ela acabou corando pelo comentário. Disfarçando, Sara afastou uma mecha dos seus cabelos já crescidos para trás.
Os dois minutos seguintes foram carregados de silêncio. Carregados, talvez, de insegurança para iniciar um assunto novo. Uma pergunta sobre o projeto de Betty na Universidade em que atuava, sobre como Sara estava prosseguindo com "vida nova" em São Francisco ou até mesmo uma pergunta direcionada ao casal. Eles continuaram a jantar até o momento em que no meio de sua refeição, Betty parou de comer e visou o filho seriamente.
— O que houve com o criminoso?
Pego de surpresa pela pergunta inesperada, Grissom encarou perplexo a mãe e tomou um gole do vinho para fazer descer a comida.
— Está preso. Ele nunca mais vai fazer mal a ninguém. Não se preocupe. — Ele a tranquilizou.
— Como deixaram um homem como aquele solto por tanto tempo?
As palavras de sua mãe deixaram-no submerso. Visando-a por uns instantes, o supervisor baixou o olhar na tentativa de lhe entregar uma resposta decente. Sara o fitou na esperança de receber alguma dica sobre o que Betty estava falando. Mas ao refletir na expressão corporal passada, ela pesou bem no teor daquela conversa e entendeu o assunto. Ou ao menos pensou que entendeu.
— Estas coisas acontecem, mãe. — Sem uma resposta melhor, Grissom se limitou a mover os ombros após responder. — Não podemos presumir que situações como aquela possam acontecer. — Ele mostrou-lhe um sorriso melancólico e terminou de falar fitando a noiva. — Ainda mais em circunstâncias adversas que nós passávamos.
Perdida em seus próprios pensamentos, Sara imaginou dizer ou fazer algo para acalentar um homem abatido pelo assunto. Virou-se para ele e tocou em seu braço de modo gentil, despertando-o de si mesmo. Ele, por sua vez, agradeceu sem se expressar com palavras.
— Você quase morreu, Gilbert. — Betty o repreendeu, imaginando que o filho tratou do assunto com pouca importância. — Este é o momento para comemorar a vida. A sua vida.
O olhar cabisbaixo de Grissom fez sua noiva se preocupar ainda mais. Era para ele estar contente com a resposta da mãe, ou ao menos conformado. Mas não ficou; pelo contrário. Sentiu-se vulnerável de repente. Praticamente declarando seus últimos meses como situações corriqueiras da vida em vez de uma experiência de quase morte.
— O que foi? — Preocupada com a mudança gradual de suas expressões, Sara enfim perguntou a ele do que se tratava aqueles sinais.
— Desculpe — disse, referindo-se ao silêncio de outrora por não traduzir as palavras da mãe. — Ela disse que... que eu quase morri. — Sua voz baixa combinava com seu espírito. — Que... devíamos comemorar a vida.
— E não é o que estamos fazendo? — Mostrando-lhe um tímido sorriso, Sara tentou motivá-lo a refletir sobre suas palavras.
Pela primeira vez ele a encarou páreo a páreo, olho no olho. Prestes a balbuciar alguma palavra, viu de relance sua mãe se comunicar novamente:
— Seu pai esteve pouco tempo conosco. Mas nós aproveitamos cada minuto juntos.
— Papai era aficionado pelo trabalho. — Grissom esboçou um sorriso ao falar dele. Não chegou a admitir que se tornou seu espelho — Confesso que não me recordo de tantos momentos assim.
Sara prestava atenção em cada palavra sua, ficando surpresa pelo comentário acerca do pai. Foram poucas as vezes em que Grissom falou dele; sempre citando uma qualidade ou alguma situação envolvendo os dois.
— Só porque não se lembra, não significa que não aconteceu, Gilbert.
Grissom não sabia se tinha vergonha ou medo de encarar a mãe novamente. Tudo o que ela disse era verdade, não havia nada para se questionar. Ele sabia que tinha de ser diferente do que foi, agir diferente de antes. As palavras da mãe foram um alerta, mas saíram como uma bronca.
— Estou melhorando... Vou fazer diferente desta vez. Eu... — Ele fez uma pausa, olhou para o prato quase vazio e levou a mão à nuca. No modo automático, acabou tocando na região em que foi atingido pelo disparo da arma. Ele chegou longe demais, não podia sequer pensar em recuar. — Vou mudar. Acredite.
Bastou um olhar certeiro para a feição de Betty mudar. Pareceu satisfeita com a atitude do filho. Somente ela para conhecê-lo tão bem ao acreditar em poucas palavras, e ainda por cima, hesitantes.
O clima, de repente, mudou de temperatura para o alívio de Sara. Ela, que viu mãe e filho trocarem sorrisos orgulhosos, agradeceu internamente por não ter havido um conflito ou discussão grave.
— Vou começar ganhando alguns quilos. — O supervisor zombou, mas recebeu de sua mãe uma feição satisfeita. Sara, por sua vez não entendeu nada.
—-|--
Final de jantar, hora da sobremesa. Depois da breve conversa entre mãe e filho que por fim se resolveu bem, os três terminaram a refeição da melhor forma possível. Falaram pouco, mas o suficiente para que a hora do jantar não fosse manchado por um período ruim.
Os três se levantaram da mesa. Grissom acompanhou Betty até a sala de jantar enquanto Sara permaneceu na cozinha para servir os brownies recém assados. Ao retirá-los do forno, o cheiro agradável da massa invadiu suas narinas trazendo-lhe uma sensação nostálgica. Mesmo para ela que se acostumou a preparar o doce ficou surpresa com a boa aparência que ficou.
— Deus, eu já estou com fome de novo. — Ela comentou em voz alta ao cortar os brownies.
Sara não percebeu que alguém entrara na cozinha até o momento em que se virou para trás. O susto foi breve, mas o suficiente para deixá-la em alerta.
— Gil. Oi! O que houve? — Aproximando-se dele, que parou perto do balcão no meio do cômodo.
Quando percebeu certa apreensão nele, Sara deixou o que estava fazendo de lado para saber o que aconteceu. Coisa boa não devia ser.
— Ei. Tá tudo bem? — Ao vê-lo tocar na testa preocupado ela ficou da mesma forma.
— Eu quase estraguei tudo — desabafou transtornado. — Céus! Por que eu... — Balançando a cabeça por várias vezes, Grissom parecia inconsolável.
Decerto que, após recobrar a consciência e recuperar seus movimentos e voz, a impressão que Sara começava a ter de Grissom era de que ele se tornou um homem mais expressivo. Mais expressivo, e ao mesmo tempo, mais inseguro; mais que antes. A mudança de rumo em sua vida o fez repensar em algumas de suas atitudes e postura ao longo de certas situações. O fez (ao menos tentar) desabafar o que realmente pensava, assim como ter mais receio das consequências de suas atitudes.
— Gil, você foi ótimo! — Ela tentou alcançar seus olhos, mas ele continuava relutando. — Por que diz isso?
— Eu sinto que fiz tudo errado. O que ela vai pensar de mim agora? — Ainda tenso, Grissom ergueu as mãos. — Deus...
— Vai pensar que você está se esforçando. E não é o que está fazendo? — Aproveitando uma janela de oportunidade, ela tocou em seu rosto com as duas mãos na tentativa de acalmá-lo.
— Não sei. — Grissom mordeu o lábio inferior em nervosismo. — Eu tenho receio de não acertar. — Levando a mão às têmporas, questionava a si mesmo pela performance duvidosa no jantar minutos atrás.
— Você está se saindo muito bem. Acredite em mim. Não percebe quanto Betty está feliz em te ver aqui, fora daquele hospital? — Sara argumentou. Imaginou que sua tentativa deu certo, já que ganhou para si a atenção dele. — Não há nada no mundo que faça uma mãe feliz depois de ver o filho sair daquela situação. Ela só quer que você... aproveite mais a vida.
Grissom assentiu algumas vezes, parecendo concordar com seu argumento.
— É o que vamos fazer, não é? — perguntou enquanto resvalava a mão direita sobre o canto do rosto dele.
Grissom nunca poderia afirmar ou desmentir. Era como se Sara carregasse algum tipo de poder, uma força que não deixava seu barco afundar em meio a águas turbulentas. Ele chegou ansioso na cozinha, estava inquieto até o momento em que ela lhe disse poucas palavras e tocou em seu rosto fazendo-o se apaixonar cada vez mais.
— Vamos — sussurrou ele, muito mais calmo que antes. Fechando os olhos para tomar uma respiração calma, Grissom falou mais uma vez: — Vamos.
— Ótimo. — Puxando-o para perto ela beijou seus lábios. Mais do que aquelas palavras, beijo carinhoso foi o suficiente para reanimá-lo.
A feição reluzente no rosto dele disse muito, assim como seus olhar contente.
— Já fizemos isso, não? — Ela brincou. E após esperar por sua reação, Sara continuou. — Vai, sua mãe deve estar estranhando essa demora.
— Vou com você — afirmou. Preferia voltar na companhia de Sara a ter que dar uma explicação pelo sumiço repentino.
— Então vai ter que me ajudar aqui. Não vai ficar sem trabalhar. — Lançando-lhe um sorriso presunçoso, Sara fez um gesto com o indicador para que ele o seguisse.
Ganhando uma mãozinha extra, Sara cortou os brownies enquanto seu noivo os deixou em uma travessa para serem servidos. Não trocaram muitas palavras na verdade; a maior parte do tempo finalizavam os últimos detalhes com a sobremesa em silêncio. De vez em quando trocavam algumas feições afáveis. Cozinhar nunca foi um hobby ou atividade preferida entre os dois, mas aprenderam a gostar de fazer aquilo juntos.
Ao retornarem para a sala de estar, eles vieram com a travessa repleta de brownies animando Betty quase que imediatamente. Grissom se desculpou pela demora, mas não disse o motivo. Teve receio de se enrolar em sua explicação e "estragar" tudo novamente. Veio sorridente, como se a conversa que teve com Sara não tivesse acontecido. Sentiu-se revigorado, pronto para continuar com a noite maravilhosa que estava tendo ao lado de sua mãe e sua noiva.
Betty sequer o questionou sobre o motivo da demora. Fingiu que não prestou atenção nos minutos que passaram, mas a verdade foi que presenciou um pouco da conversa entre os dois. Fez isso porque se levantou do sofá justamente para falar com o filho, intrigada por não ter retornado logo. Ela o seguiu até a cozinha e viu os dois conversando. Sara, que tinha visão para a entrada do cômodo nem percebeu sua presença, focada demais em seu noivo e a pequena crise que lhe atingiu.
A senhora Grissom não quis atrapalhar o momento; mesmo sem ouvir era evidente notar a conexão entre os dois. Algo atingiu seu filho que o deixou frustrado; foi o que a mãe percebeu ao vê-lo inquieto, mesmo de costas. A seu ver, a conversa que teve com a noiva foi o suficiente para lhe por de volta aos trilhos.
Pegos de surpresa pela mudança de lugar de Betty, que passou a se sentar na poltrona individual, os dois trocaram breves olhares confusos. Grissom ficou sem jeito ao ver a cena, porém não comentou sobre. Deixou que sua empolgação falasse mais alto. Animado, ele ofereceu um brownie para a mãe deixando que fosse a primeira a experimentar e veio a se sentar ao lado de Sara. A reação ao provarem o doce foi unânime: todos aprovaram. Ponto para o casal, que se esforçou para realizar toda uma operação naquele jantar.
— Está maravilhoso — disse a mãe após terminar seu primeiro pedaço.
Ela observou Grissom traduzir suas palavras a Sara e de quebra lhe lançar um sorriso orgulhoso. Talvez nunca tenha visto seu filho tão apaixonado quanto agora. Mal precisava dizer duas palavras; seus gestos e comportamento quando estava ao lado de Sara já falavam muito. Era um livro aberto sem se manifestar.
Felicidade maior foi a e Grissom e de Sara, contentes por suas ideias terem funcionado. Foi quase um tiro no escuro; um jantar especial com receitas que raramente preparavam — o brownie inclusive —. Grissom contara à noiva que sua mãe gostava daquela sobremesa, oportunidade perfeita para agradá-la. A tentativa deu mais que certo.
— Hank não tira o olho da bandeja. — Grissom falou do boxer, que deitado próximo ao sofá, observava timidamente os brownies deixados sobre a mesa de centro.
— Parece que temos mais um fã. — A mulher de idade comentou.
Dentre tantas e tantas risadas a conversa se prosseguiu. O que achavam ser o maior empecilho entre eles — entre Sara, inclusive —, a comunicação, foi um “problema” sanado. Grissom não gostava de afirmar que ser uma ponte entre a mãe e a noiva fosse um trabalho. Ele fazia aquilo por amor e não por obrigação. Aos poucos foi pegando jeito e ser o intérprete chegou a ser uma tarefa divertida.
O restante da noite foi regado a um clima agradável, maravilhoso para falar a verdade. Sara já não sentia o receio inicial sobre o que sua futura sogra iria pensar sobre ela. Viu uma mulher doce e de personalidade forte, que não se escondia em dizer o que pensava e não gostava muito de ser contrariada. Nada com que não pudesse lidar.
— Gostaria que visitasse a Universidade como minha convidada — disse Betty enquanto Grissom a traduzia ao mesmo tempo.
Espantada pelo convite repentino, Sara encarou os dois esperando alguma explicação, porém não a recebeu. Pelo visto ganhou pontos com a futura sogra e pouco a pouco conquistava mais de sua confiança. Receber um convite daqueles tinha de ser um bom sinal.
— Eu adoraria!
Talvez a pessoa mais feliz com tudo o que estava acontecendo fosse Grissom. Tinha as mulheres que mais amava juntas para comemorar um momento que muitos achavam impossível de se alcançar. Mais uma vez: chegava a pensar que pudesse estar em coma ainda, imaginando em seu inconsciente um futuro feliz no qual tudo começava a dar certo. Era bom demais para ser verdade.
— Tem um restaurante que serve comida vegetariana perto de lá. Você vai adorar. — Ele disse para Sara.
— Sério? Acho que já estou apaixonada.
Enquanto traduzia as palavras de Sara, Grissom deixou escapar um ar de riso. A sugestão de sua mãe nunca chegou numa hora tão certeira quanto aquela. Tudo estava dando certo.
Um assunto deu lugar a outro num conversa que parecia não chegar ao fim. Jantar em casa naquela oportunidade foi melhor que em um restaurante. Em seu rosto apenas semblantes contentes pelo tempo bem aproveitado. As únicas coisas que os deixaram tristes foi o término dos brownies e a iminente partida de Betty, que após olhar para o relógio no pulso, percebeu que já estava na hora de ir. Era visível que Grissom ainda estava se recuperando, mesmo sabendo que poderia executar tarefas por conta própria. Ainda que quisesse passar muito mais tempo com ele, Betty não poderia ignorar sua saúde física e tinha de deixar seu filho descansar.
— A senhora pode dormir aqui, mãe. Temos um quarto extra. — Grissom argumentou. Já passava das onze, quanto menos riscos se correr, melhor, pensou ele.
— Não. — Ela foi incisiva. — Já está na minha hora. Irei voltar para a Universidade.
— Mãe... — insistiu o filho. — Está bem tarde. Fique conosco.
Mesmo que não entendesse a conversa como o todo, Sara sabia muito bem o caminho que estava se tomando. Também era adepta à ideia de que Betty passasse a noite ali, tanto que ela e Grissom se prepararam para isto. Arrumaram o quarto para que ela ficasse e planejaram como seria o dia seguinte na companhia dela.
— Gilbert. — Betty parecia irredutível. — Não argumente comigo. Tomei a minha decisão e vou seguir com ela.
A feição derrotada de Grissom não precisou de explicações. Nem foi necessário que ele traduzisse as palavras da mãe para a noiva; Sara ficou tão decepcionada quanto. Betty não iria ceder ao pedido dos dois.
Apesar da resposta dura, a mulher de idade sorriu para os dois como se os visse juntos pela primeira vez. O que mais sentia era orgulho e felicidade por seu filho ter encontrado o amor que nunca pensou em procurar.
Sem esperar mais, Betty se ergueu do sofá, dando sinais que já estava pronta para ir. Sara e Grissom fizeram o mesmo, visto que não tinham outra escolha.
— Obrigada por ter vindo. — Sara falou sem hesitar. Queria demonstrar que sua presença era mais que bem-vinda. Poucos detalhes separavam as suas de se tornarem parentes pelo meio legal, mas Sara queria o tipo de aproximação que não se conseguia num papel. O jantar foi o pontapé inicial.
As duas trocaram um abraço forte, carregado de bons sentimentos. Diferente do encontro anterior não havia o peso de uma tonelada sobre os ombros da ex-CSI. Claro que eram visíveis certas diferenças de pensamento entre as duas, o que era normal. Mas o importante era que dali sairia uma relação saudável.
— Me deixe te acompanhar até a Universidade, mãe — disse ele ao término do abraço. Assim como ela, seria difícil fazer Grissom mudar de opinião. Ele conhecia Vegas muito bem para ter que se preocupar com a mãe deficiente auditiva no meio da noite. Uma preocupação exacerbada, talvez, mas era da mãe que estava falando.
— Fique com sua noiva, Gilbert. — Ela argumentou, visando a mulher ao seu lado.
Intrigada sobre o motivo de receber sua atenção, Sara fitou ele em busca de uma resposta. Apenas seu olhar foi o suficiente.
— Ela... quer que eu fique aqui com você. — Hesitante, Grissom ficou nitidamente envergonhado em dizer aquilo.
— Não! Não se preocupe comigo. — Ela respondeu na mesma hora. — Vá com ela. Está tudo bem. — Sara fez questão de falar com Betty também. Imaginava desde cedo que Grissom gostaria de trocar algumas palavras com a mãe, mas tinha receio em dizer.
Apreensivo, Grissom olhou para a mãe na esperança de que as palavras da noiva surtissem efeito.
— É bom que saia mesmo. O leite acabou. — Sara deu a deixa. A verdade era que havia leite o suficiente, mas foi a melhor desculpa que pensou na hora.
Ele traduziu o que Sara disse, porém ficou sem entender. Se a questionasse naquela hora o plano de ambos viria por água abaixo.
Desta vez eram dois contra um. Mesmo incisiva, seu poder de argumentação não funcionou e Betty acabou acatando à proposta dos dois.
Antes de ir embora, novamente se despediu de Sara. Pegou suas mãos como fez anteriormente e as pressionou. Para uma mulher captar o coração de seu filho, um homem tão reservado para relacionamentos, Sara devia ser mais que especial. Elas se abraçaram em seguida.
Com um breve aceno, Grissom se despediu da noiva e acompanhou sua mãe até o lado de fora, onde chamou por um táxi. Discreto assim como Sara, os dois evitaram o beijo nos lábios ou na bochecha enquanto Betty estava por perto.
Ao se encaminharem até o estacionamento, Grissom mal percebia que carregava um sorriso bobo, como se acabara de receber um presente desejado. Betty visava o filho e o seu semblante mais que evidente algumas vezes. Era óbvio que estava contente.
— Ficamos... muito felizes em te ver.
— E você não acha que eu não fiquei em ver meu filho de pé? — Ela se pôs frente a Grissom quando pararam próximos ao veículo dele. Foram noites sem dormir, rezando para que um milagre fosse feito em sua vida. A notícia do filho saindo do coma foi a melhor que já recebeu em anos.
— Me desculpe se a deixei preocupada. — Ele brincou.
— Não tente matar sua pobre mãe do coração, Gilbert. — Betty rebateu do mesmo jeito. Não contaria os detalhes de como reagiu à notícia do atentado ao filho. Detalhes preocupantes de como sua pressão ficou alta, a ponto de quase parar no hospital seriam omitidos. Imaginou que não seria a hora e talvez ela nunca chegaria.
— Me desculpe — falou novamente. A última coisa que Grissom queria era deixar sua mãe severamente preocupada. Não era tão idosa, mas já era uma senhora de idade e por isto tinha de se preocupar com sua saúde. — O importante é que isso já passou e agora podemos comemorar. Sara me disse que adorou ter você por perto.
— Senti um pouco de receio nela quando cheguei.
Rindo por conta do comentário, Grissom moveu a cabeça em negativa. Esperava que sua mãe fosse dizer algo parecido ainda lá.
— Talvez estivesse preocupada que não a aprovasse. — Ele deu de ombros. Não queria entrar em detalhes.
Foi a vez de Betty rir por um instante.
— Deixe-me adivinhar: foi você quem a deixou preocupada.
— Eu?! — Pego em cheio por ela, Grissom fingiu se indignar.
— Como posso me relacionar com a minha futura nora se você a assusta desse jeito? — Ela brincou.
— Ah, mãe... — Grissom não se conteve. Abraçando a mãe de lado, ele a trouxe para perto e beijou o topo de sua cabeça. — Sara adorou você e o tempo que passamos juntos. Eu tenho certeza que vocês vão amar passar mais tempo juntas. — Ele disse logo após se afastarem.
— Cuide bem de sua noiva. Entendeu?
— Eu vou, mamãe. — Assentiu sorridente.
— Cuide-se, você também. — Dando umas batidinhas em seu peito, ela o avisou. — Antes de se casar você precisa mudar suas atitudes.
— Eu sei. — Ele respondeu rindo.
— Você irá se tornar um homem casado em breve. Tenha postura. — Aproveitando a deixa, a senhora Grissom tentou ajeitar o tronco do filho para melhorar sua postura.
— Eu terei, mamãe.
Comentar sobre o futuro casamento parecia falar sobre um sonho de criança. Na verdade, mal se tocou que em pouco tempo (caso tudo ocorresse bem) ele se tornaria um homem casado. Tudo isso após de acordar de um coma por causa dos tiros que levou.
Eles estavam prestes a tomar seus lugares no carro quando Grissom, motivado por uma força vinda de repente. Antes de abrir a porta do carona para a mãe, ele voltou a falar:
— Eu nunca estive tão feliz. É... uma sensação que eu não consigo explicar.
A declaração foi puxada do fundo do peito. Felicidade por ter sobrevivido ao ataque, livre de sequelas. Felicidade por ter a mulher que amava ao seu lado e por ter a chance de vivenciar momentos adoráveis com ela e a mãe. O jantar foi maravilhoso, era uma das coisas que Grissom mais queria realizar após ter deixado o hospital.
— E eu estou feliz por você. Por vocês dois. — Betty ressaltou. Tantos anos vendo o filho se fechar para um mundo que ele mesmo criou, ver que ele estava prestes a formar uma família era como um presente para ela.
— Eu quero que saiba de uma coisa. Tomei uma decisão, mamãe. — Carinhosamente ele beijou a testa dela e segurou suas mãos por alguns instantes antes de voltar a falar. Suas expressões faciais e corporais exalavam entusiasmo.
— Qual, meu filho?
Betty não disfarçou a curiosidade que se instaurou nela após. Vindo dele, tudo poderia acontecer, até mesmo as ideias mais impossíveis.
— Eu estou pronto.
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