Notas iniciais
PARECE mentira, mas estou realmente aqui postando mais um capítulo! Se eu contar tudo o que aconteceu em poucas semanas vocês não iriam acreditar kkkkk ou talvez iriam, eu não sei Mas enfim, muito obrigada a todos que estão lendo e pela paciência. Boa leitura!!

— Ei, pequeno. Por acaso você gosta de ciência?!

Foi o que Grissom falou ao pegar a criança no colo em um único movimento cauteloso. Sorria de orelha a orelha porque conheceu o filho de seu amigo, afinal. Curioso e um pouco desconfiado de início, Eli começou a rir e a gritar quando foi erguido até o alto. O que foi um alívio para Grissom, sem ideia alguma de como lidar com crianças, tampouco como falar com elas. Tudo o que fez foi sob a palavra de Warrick, que o incitava a brincar um pouco com Eli.

Grissom abriu um largo sorriso ao atentar para as feições do rosto dele. Era a versão mais jovem de Warrick, não teve dúvidas assim que bateu o olhar nele. Seus olhos não eram verdes como os do pai — eram castanhos —, mas emitiam uma luz parecida com a jovialidade e persistência que sempre viu em seu amigo. O sorriso do garoto era seu chamariz; sorriso que afastava os fantasmas de qualquer um.

— Eu não tenho mais ideia do que fazer! — Grissom falou enquanto ria de nervosismo.

— Ah, é só continuar fazendo isso. Eli está adorando! — O pai respondeu enquanto observava contente a cena engraçada.

O pequeno não parava de rir enquanto era cuidadosamente erguido para o ar. Parecia nunca se cansar, ao contrário do supervisor que aos poucos ia perdendo força.

Eram umas seis e meia da tarde. Depois de uma conversa com sua ex esposa sobre levar o filho à casa do supervisor — não era o dia em que ficaria com Eli normalmente — os dois chegaram a um consenso e Warrick pôde levá-lo consigo para Grissom conhecê-lo.

Sara também estava na casa. Ela se ofereceu para preparar algumas bebidas e retornou para vê-los. Ela notou logo a felicidade no rosto do noivo ao pegar a criança no colo, um momento raro de se ver. Por um minuto ela soube que Grissom se esqueceu de todos os problemas ao ouvir a risada contagiante de Eli.

A todo o momento a criança tentava alcançar os óculos de Grissom, que precisou tirá-los para não ocorrer algum imprevisto. Sem jeito, continuou a balançar Eli para cima e para baixo, arrancando dele várias e várias risadas.

— Eli é maravilhoso, Warrick. É a sua cara.

Quando enfim sentiu o cansaço em seus braços, o supervisor repousou Eli sobre seu peito, guardando-o como um pai. Como um tio, para falar a verdade.

— Eu não acho. — Brincou ele sem tirar os olhos do filho. — Mas ele puxou um pouco da minha persistência.

— Persistência ou teimosia? — Foi a vez de Sara caçoar dele.

— E não é a mesma coisa? — Brown rebateu.

— Touché. — A morena apontou com o indicador e polegar para ele.

— Quer segurá-lo, Sara? — Grissom perguntou. Sem jeito, ela chegou a encarar Warrick para saber como reagiria já que mal falara sobre.

— Eu não sei... eu não sou uma pessoa que se dá bem com crianças... Não me leve a mal. — Ela ergueu as mãos em rendição.

— Vá em frente. — O pai de Eli estendeu a mão em cordialidade.

Não era exatamente o que Sara queria fazer. A ex-CSI nunca se achou uma pessoa "sociável" com crianças, mesmo que em quase todas as ocasiões em que precisou lidar com elas em seus casos tudo desse certo. Aquela não era sua zona de conforto e Grissom tinha noção. Não a forçaria e tampouco tentaria convencê-la novamente a tentar.

Para não fazer desfeita ou deixar o clima pesado, ela concordou em segurar Eli pela primeira vez.

Ao lado dele Grissom no sofá, ele se virou para que Sara pudesse pegar Eli com segurança. No começo seus braços hesitaram, mas quando ele falou que ficaria tudo bem, a mulher prendeu a respiração para se concentrar. Pareceu uma tarefa difícil, mas não passou de algo simples. Já em seus braços, a criança olhou para ela como alguém que encarasse um estranho. Seu olhar confuso causou um mau pressentimento em Sara, imaginando que Eli fosse chorar a qualquer momento. Todavia, quando ela observou seus pequenos olhos castanho escuro ao se focar neles, a criança pareceu ficar hipnotizada.

Sara o ergueu à altura do pescoço, tentando se mostrar maleável com ele. Nunca foi seu forte interagir com crianças pequenas quando era necessário no trabalho. Não se sentia à vontade na maior parte das vezes e, por incrível que pareça, Sara ganhava certo tipo de afeto por elas.

Ela forçou um sorriso bobo e o tom de voz ameno para falar com Eli. Sua perspectiva mudou quando, de repente, percebeu o semblante entusiasmado que se formava nele. Bastou pouco, muito pouco, para ela se render àquela carinha.

— Ei, pequeno Eli, vamos ser amigos? — perguntou ela, mais animada que antes.

O supervisor se viu admirado pelo rosto resplandecente da noiva, que pouco a pouco ficava à vontade ao interagir com o bebê. Adorava seu jeito de tentar lidar com situações longe de sua zona de conforto, principalmente em situações como aquela.

Por um momento, por mais curto que fosse, Grissom imaginou como seria a vida dos dois se tivessem um filho. Tinha certeza que ela seria uma ótima mãe. Talvez estivesse se valendo de sua experiência de vida com ela, mas não havia nada que dissesse o contrário.

— Pelo visto estes dois se deram bem. — Assim como Grissom, Warrick também notou que Eli caiu nas graças de Sara.

— Ele é a coisa mais fofa que eu já vi. — Ela falou com a voz alterada para chamar a atenção de Eli. — Ainda bem que ele não puxou o pai. — Sara mal olhou para o amigo quando o provocou.

— Ei! Eu vou levá-lo para casa agora. — Warrick a ameaçou, mas sempre mantendo o bom humor.

— Não, isso não vai ser necessário. — Grissom interveio. Sabia que o amigo estava brincando, mas quanto menos evitar discussões, melhor seria. Há pouco acabara de conquistar a confiança do menino então faria de tudo para aproveitar o tempo.

— Eu acho que ele gostou de mim e quer ficar por aqui. — Sara argumentou enquanto ensaiava diversas caretas na frente de Eli.

— Não tenho dúvidas de que ele herdou o charme do pai. — Warrick apresentou um sorriso vanglorioso. — Conquista o coração de todo mundo.

— Não tenha tanta certeza sobre isso. — Ela retrucou quase rindo.

— Não é o café que já está pronto, Sara? — Com um sorriso presunçoso, Warrick apontou em direção à cozinha.

— Ah, mer– droga! — Esquecendo-se de que estava preparando as bebidas, segurou-se no linguajar por estar segurando o pequeno. — Você é cruel, Rick. Já te disseram isso? — Ela retrucou, sendo recebida por uma série de gargalhadas do perito.

Antes de se levantar, Sara se despediu brevemente de Eli, abraçando com vontade seu novo amigo a quem não queria mais se afastar.

— Deixe ele com o tio Grissom. — O supervisor ergueu os braços e fazendo um gesto para segurá-lo. O próprio falou sem tirar a feição boba do rosto.

— Tio Grissom, é? — Ela o questionou surpresa. De todos, era o que menos esperava falar daquele jeito.

— É — afirmou sem o menor ressentimento.

Warrick começou a rir ao presenciar o momento. Talvez nunca mais fosse ver algo do seu feitio, então torceu para que a situação rendesse.

Quando Sara voltou à cozinha para preparar as bebidas, Warrick pôs a chupeta na boca do filho após ele dar sinais de que queria o objeto.

— Já contou aos outros sobre ele?

Movendo os lábios para responder, Warrick acabou recuando. Ele, que estava inclinado para a frente, recostou-se na poltrona e bateu levemente os pés no chão. Claramente se encontrava ansioso.

— Não. Eu não... estou confortável em dizer isso ainda.

Grissom deixou de dar atenção para a criança em seu colo para focar no amigo à sua frente. Seu olhar não era reprovador, pelo contrário.

— Você não é obrigado a falar, ainda mais se não estiver à vontade.

— Eu sei. É que... — O perito levou a mão à nuca. — Me sinto no dever de contar. São nossos amigos.

— Não conte se não estiver preparado, Rick. Quer fazer isso só por minha causa?

— Não... — Warrick hesitou, mas logo em seguida balançou os ombros. — Tá, só um pouco. Eu ia... queria contar a você antes daquilo acontecer. Mas... — Ele cruzou os dedos das mãos e voltou a se inclinar para frente. — Eu não sei.

— Uma lástima eu não estar presente na audiência de custódia. Sinto muito por não ter acordado a tempo. — Grissom tentou levantar seu astral brincando com a situação.

— O único que tem que sentir muito já está pagando por isso.

Um sorriso orgulhoso se formou nos lábios do supervisor. À vista, podia perceber que Warrick tinha superado aqueles eventos, ou ao menos aprendeu a lidar com eles. Melhor para os dois, melhor ainda para Warrick, livre de uma culpa inexistente.

— Você queria conhecer o tio Grissom logo, não é, Eli? — Grissom mudou de feição assim que olhou para a criança. O supervisor fez (ou tentou fazer) várias caretas no intuito de arrancar mais risadas dele. Mesmo de chupeta, Eli ameaçava começar a abrir a boca para rir. — Eu também estava louco para te conhecer. Sabia que seu pai é um herói? — Ainda segurando-o em seus braços, ele apontou discretamente para Warrick. — Ele salvou a vida do tio Grissom.

— Ah, Gris. Isso não... não precisa falar assim. — O perito se encheu de vergonha, mal conseguia argumentar. Para ele, “herói” era uma palavra forte demais e não devia ser usada de forma banal, além da ficção.

— Só estou falando a verdade. — O supervisor respondeu ao fitar o amigo por uns instantes. — Não é, Eli?

O bebê observava Grissom atentamente, como se estivesse hipnotizado. Ele ameaçou pular novamente na tentativa de fazer o “tio” erguê-lo pelo ar como fez antes.

— Quando você crescer vai ser igual ao pai, não é, pequeno?

Warrick pedia tanto que Eli se espelhasse ao menos um pouco em Grissom e agora se deparava com um outro caminho. Poucas vezes ouvia o supervisor elogiar seus colegas de trabalho com tanta veemência; ele era um dos casos. Aquilo só o enchia de vergonha por ter a moral tão elevada como naquele momento.

Ele não tirava os olhos dos dois. Torceu demais para ver aquele dia e agora o estava vivenciando. Parecia mentira. Era o encontro que ensaiava em participar por várias vezes nos últimos tempos e lá estavam aqueles dois, parecendo que se conheciam há muito mais tempo.

Não muito tempo depois Sara apareceu com uma caneca de café, uma xícara de chá e um copo de suco e entregou as respectivas bebidas aos dois, ficando com o suco. Para que não ocorresse algum acidente ou imprevisto com a bebida quente, Warrick se ofereceu para deixar Eli no bebê conforto.

— Obrigado, querida — disse carinhosamente ao receber o chá.

— Obrigado pelo café. — Warrick também agradeceu.

Aos poucos cada um foi se servindo suas respectivas bebidas, hidratando as gargantas previamente "gastas" pelos minutos de conversa. Por um momento foi possível se lembrar dos velhos tempos em que varavam a noite e o dia enquanto investigavam um caso. Horas de trabalho e uma pausa era necessária para repor a mente no lugar.

— Quer alguma coisa para comer, Warrick? — Grissom ofereceu após repousar a xícara morna sobre a palma da mão.

— Não! Não precisa. Isso aqui já está ótimo. — Ele reafirmou.

— Devia ter provado os brownies que fizemos há uns dias. — Grissom visou Sara por um instante. — Ficaram maravilhosos.

— Não devia ter dito isso, Gil. Vai deixá-lo com água na boca agora que não tem mais. — Ela replicou de modo presunçoso. Uma espécie de vingança ao que Warrick dissera anteriormente.

— Quem é cruel agora, hein? — O perito se manifestou. — Isso sim é maldade, não é, filho? — Ele se virou para Eli, que mal dava bola para a situação.

— Se você acha isso crueldade, então não me conheceu direito. — Sara não tirava o sorriso maléfico do rosto enquanto falava.

Os três adultos riram pela situação que eles mesmo criaram.

— E a audiência? A juíza já deu o veredito ou algum prazo? — perguntou Sara, um minuto após terem trocado aquelas provocações.

— Se tudo ocorrer bem ela vai anunciar a guarda definitiva dele em breve. — Warrick respondeu assim que deixou a caneca de lado para dar atenção ao filho.

— Você vai conseguir. — Sara afirmou. — É um ótimo pai e tem plenas condições de ficar com Eli.

— Eu realmente espero que eles pensem a mesma coisa, Sara. — Ele respondeu, mas sem a mesma convicção que a amiga tinha. — Tê-lo comigo seria meu maior presente.

— Hum! — Quase se engasgando com o restante do suco, Sara deixou o copo na mesa apressadamente e visou o noivo. — Gil! O presente! — Ela o alertou, que despertou de seu estado passivo na mesma hora.

— Céus! — Grissom também deixou sua xícara sob a mesa. Porém, como se encontrava mais perdido que ela, esperou por seu movimento.

— Presente? Do que é que vocês estão falando? — Warrick perguntou, mas foi ignorado completamente.

Grissom preparou para se levantar, mas Sara se adiantou e fez um gesto para que ele permanecesse ali.

— Não, deixa que eu pego. — Ela se levantou num pulo e com pressa. Correu até a estante da sala, abriu a gaveta inferior e retirou uma caixa de tamanho mediano.

Ao se aproximar deles, Sara entregou a caixa ao amigo carregando consigo um sorriso nervoso. Não podia acreditar que ela e Grissom quase se esqueceram daquilo. Talvez o detalhe pelo qual mais se preocuparam anteriormente.

Quando a viu segurando a caixa, Warrick, perplexo, questionou-a o que era aquilo e o motivo de ter trazido aquela caixa. Não recebeu resposta, apenas um semblante ansioso dela para que ele pegasse a caixa. Enfeitada e feita de um material resistente, sua estampa era marcada por vários desenhos de animais coloridos num fundo branco. De quebra foi presa a um laço vermelho cintilante.

— O-o que é isso?

— Eu e Gil ficamos loucos procurando algo para dar ao Eli — explicou logo após entregar a caixa para Warrick. Então se sentou ao lado do noivo. — Não sabíamos o que dar então escolhemos algumas coisinhas — disse animada.

— Na verdade... nós... quase discutimos. — Grissom comentou meio envergonhado.

— É, nós discutimos — respondendo logo após ele, Sara entregou a si e ao noivo. Por causa disso recebeu um olhar incrédulo de Grissom, que não esperava ouvir aquela revelação.

— Ei, espera aí! Eu e meu filho não queremos ser motivo de discussão entre vocês dois. — Warrick levantou as mãos na defensiva. Trazia consigo um sorriso nervoso.

— Já nos resolvemos, não é, Gilbert? — Presunçosamente, seu semblante o atingiu em cheio.

— C-claro. — Grissom pigarreou. Depois estendeu a mão para que Warrick abrisse a caixa.

Ainda sem saber o que fazer por não acreditar no que havia recebido, Warrick, enfim, ergueu as mãos em desistência. Ficou sem jeito por completo. Olhou para a caixa em silêncio, sentindo-se tocado por tamanho carinho que acabou de receber.

— Não... precisava disso. Vocês não... precisavam ter feito isso.

— Nós queremos fazer. — Grissom falou. — Nunca fizemos compra desse tipo antes, então... espero que goste.

— Eu quem... devia estar fazendo isso.

— Não seja tolo! — Chocada com aquelas palavras, Sara tratou de intervir. Grissom concordava com sua posição. — Não nos deve nada.

Ganhando confiança ao receber o apoio de seus amigos, Warrick respirou fundo e se preparou para abrir a caixa. Ao desamarrar o laço e levantar a tampa, os olhos do perito se arregalaram ao ver seu conteúdo.

— Deus... Vocês... — Ele balançou a cabeça ao se deparar com os presentes. O sorriso foi de ponta a ponta, mal podia imaginar. — Vocês não existem.

A primeira coisa que captou o olhar de Warrick foi um pequeno coelho de pelúcia cinza vestido com um macacão xadrez.

— Oh!... Mais que coisa linda! Olha só, filho! — Ele pegou o coelho e mostrou ao filho, que logo se viu hipnotizado pelo brinquedo. Estendendo suas mãos para alcançá-lo, Warrick não teve outra escolha senão entregar. — Parece que ele gostou do primeiro presente.

— É antialérgico. — Grissom ressaltou.

— Adivinha só quem escolheu. — Sara tomou a palavra sorrindo sem escrúpulos.

— É muito bonito. Obrigado! Obrigado. — Warrick continuava sem acreditar.

O próximo presente foi um livro de história. A capa dura, cuidadosamente elaborada com detalhes vibrantes e coloridos chamava a atenção de qualquer um a metros de distância; perfeito para uma criança em desenvolvimento.

— O Touro Ferdinando! — Warrick leu o título num tom animado. Olhou para o filho e mostrou o livro de longe para ele. — Olha só, Eli! — Até que tentou, mas ele estava concentrado demais em seu novo brinquedo, levando-o a boca e tentando morder.

— Parece que alguém não quer saber mais de nada. — O supervisor brincou com os pezinhos de Eli.

Ao colocar o livro no braço da poltrona, Warrick observou o conteúdo da caixa para ver os presentes restantes. Havia um sapatinho branco em formato de tênis. Ele o pegou com as mãos com uma feição de quem se apaixonou à primeira vista.

— Não sabemos o quanto ele calça então... fizemos uma estimativa. — Sara moveu os ombros. — Se não ficar bom agora é só esperar ele crescer um pouco.

— Está perfeito! — Ele disse. — Meu Deus... vocês não... existem. Sério. Não precisava de tanto...

— Vá, ainda tem mais. — Grissom gesticulou para que Warrick continuasse.

O próximo item foi um macacão azul fantasma com bordas amarelas. Feito de poliéster, nele havia dois dinossauros brancos e amarelos bordados; um maior e o outro menor, escondido sob o pequeno bolso.

— Oh... — Warrick ergueu a roupinha à altura do rosto para admirar o presente. — Se vocês queriam amolecer meu coração, vocês conseguiram. É lindo!

Grissom e Sara trocaram olhares alegres. Talvez aquele tenha sido um dos presentes mais difíceis de se escolher. Diversos modelos, cores e bordados surgiam entre gôndolas e vitrines; infinidade de opções que deixava qualquer um louco. Os dois pareceram pais de primeira viagem quando foram sair para comprar os presentes, sem saber para onde ir ou o que escolher.

Warrick que percebeu o singelo olhar entre os dois chegou a sorrir. Não imaginava que seu supervisor pudesse encontrar sua outra metade e ficava feliz por eles dois. Para Warrick, o casal mais improvável e ao mesmo tempo mais entrosado que ele já viu.

O último presente também era uma roupa, mas para ser usada em outro tipo de ocasião. Um macacão social formado pela calça e colete da cor preta, contendo listras brancas verticais bastante singelas encheram os olhos do pai de carinho. As mangas e a gola branca davam a impressão de ser um conjunto separado, mas na verdade todo o macacão foi costurado de forma que se assemelhasse a um conjunto social adulto. Warrick não sabia dizer de qual roupinha gostou mais; pelo seu gosto pessoal diria que o último lhe chamou mais atenção.

— Vai ficar estiloso igual ao pai — declarou Warrick. — Céus... muito obrigado, vocês dois. — Emocionado, faltava pouco para se exceder e, quem sabe, começar a chorar. — Nem sei mais o que dizer, o que agradecer...

— Queríamos ter feito mais, só que... como era uma surpresa, ficamos sem saber o que fazer direito. A gente não podia falar com você. — Ela riu em seguida.

— Foi a melhor coisa que já recebi! E olha que eu e Tina ganhamos muita coisa quando ele nasceu.

— Ah, Warrick, não precisa falar desse jeito. — Ela brincou ao ser pega de surpresa por aquela declaração.

— Sabe por que esta foi a melhor coisa que eu já recebi? Por causa do valor dele. Isso aqui — disse o perito enquanto apontava para os presentes. — Tudo isso aqui é de um valor inestimável. — Ele assentiu por várias vezes e, pouco a pouco, foi guardando os objetos. — Eli vai fazer vinte, quarenta anos, mas eu nunca vou me desfazer destas coisas.

— Obrigado pela consideração. Ficamos muito felizes que tenha gostado.

Assim como Sara, Grissom também ficou sem jeito. A ideia dos dois veio de última hora, o que gerou uma correria para escolher o melhor presente. Como não chegaram a um consenso, imaginaram que seria interessante presentear não apenas com uma coisa, mas várias.

— Eu adorei! E com certeza o Eli aqui também adorou. — Olhando para a criança entretida com o coelho, Warrick preferiu deixar a pelúcia com ele. — Ele está focado ali no coelhinho, mas com certeza vai curtir os outros presentes depois.

O trio dedicou a última hora para uma conversa trivial. Falaram sobre a criação do filho de Warrick, sobre o trabalho e sobre o que estão comentando sobre Grissom no Departamento. Warrick evitou comentar ou perguntar diretamente sobre o relacionamento dos dois. Conhecendo-os bem, sabia que era um assunto que eles preferiam não falar abertamente e o que o melhor seria deixá-los falar por si só.

— Ah, eu quero segurar ele mais um pouco. — Sara não resistiu e pediu para ficar mais um pouco com o novo amigo.

— Parece que a Sara que não se dava bem com crianças mudou, não é?

— Tenho o direito de mudar de opinião. — Sem esperar, a morena se ergueu do sofá e, com todo cuidado, pegou o bebê que não largou de mão o coelhinho de pelúcia.

Sara não conseguia resistir àquele rostinho fofo e por isso deixou de lado suas opiniões e receios ao lidar com uma criança pequena. Esqueceu-se de tudo e focou apenas nele, que por um bom tempo, ironicamente, se mantinha concentrado no novo brinquedo.

— Você gostou do presente, Eli? — Ela ameaçou fazer cócegas nele num primeiro momento, mas depois o fez em seguida. O menino começou a rir e gesticular, tudo isso sem largar o coelho.

— Olha só, fez ele rir. — Warrick se mostrou surpreso. — Eu tenho que admitir que ele não ri assim tão fácil pra qualquer um. Quero saber o que fizeram com ele, ele está amando vocês dois!

— Eu não sei! Só estou rindo aqui e tentando fazer ele rir! — Sara replicou.

— Carisma, talvez? — Grissom deu de ombros, o que fez o perito prender uma risada. Ele conhecia os dois muito bem para saber que de todos do grupo, Grissom e Sara eram os menos carismáticos; muito por conta do comportamento antissocial e introvertido. Mas isto não significava ser duas pessoas antipáticas, pelo contrário.

— Eu acho que ele adotou vocês dois como padrinho e madrinha. Perdi meu direito de escolha. — O pai zombou, gerando mais risadas entre eles.

— Estava aqui pensando, já comentei com Sara antes... Queria reunir todo mundo para jantarmos nesta semana. — Grissom comentou após esperar por alguns segundos. — Ou ao menos comer alguma coisa pela tarde.

— Ah é?

— Desde que eu saí do hospital nós não... tivemos uma oportunidade como esta. A última vez que isso aconteceu fui baleado em seguida. — O sorriso melancólico foi em tom de brincadeira, mas a impressão que saiu foi o contrário. — E Sara não estava conosco. — Ele fitou a noiva com o olhar apaixonado de sempre. Seu último comentário amenizou o clima entre eles.

— Eu adoraria. Mas isso vai depender de como vai ser o trabalho. Você sabe. — Ao terminar de guardar os presentes na caixa, Warrick tentou imitar o laço anteriormente amarrado, porém não foi muito bem sucedido.

— Entendo. Vou falar com Catherine para ver se ela flexibiliza um horário para todos vocês.

— Adoraria mais ainda. Folga — brincou o perito.

Ao ser colocado de volta no bebê conforto, Eli já não se encontrava tão agitado quanto antes. A mamadeira com leite quente, recebida pouco tempo depois o deixou mais calmo, tanto que já ensaiava dormir por ali mesmo. Quando Warrick percebeu a sonolência do filme, tratou de finalizar a conversa, infelizmente, contra a sua vontade.

— Eu queria ficar mais, realmente queria. Mas o garotão aqui pegou no sono. Não quero "desregular" essa máquina. — Com cuidado, Warrick passou a mão pela cabeleira rala de Eli.

— Nós entendemos. Obrigado por ter vindo aqui com ele. Nem imagino o quanto deve ter sido complicado para fazer isso. — Grissom se apoiou sobre o sofá para se levantar. Sara se levantou logo em seguida para acompanhá-los. Os dois queriam pegá-lo no colo uma última vez, porém perceberam que isto poderia acordá-lo e quem sabe fazê-lo chorar.

— Deixa que eu ajudo. — Sara se ofereceu para levar a caixa enquanto Warrick pegava o bebê conforto.

— Obrigado.

Sem muita pressa, o trio se encaminhou para a entrada da casa. Um sentimento de melancolia encheu a casa, outrora preenchida por risadas e rostos sorridentes. Infelizmente não podiam passar a tarde a noite. Warrick precisava trabalhar logo mais e ainda por cima precisaria levar Eli de volta à casa da mãe. A visita valeu a pena, todavia.

Como despedida Grissom e Warrick trocaram um aperto de mãos, que logo se transformou num abraço por iniciativa do supervisor. Sorrindo e fechando seus olhos, Grissom deu um tapinha nas costas dele.

— Estou orgulhoso de você — disse em voz baixa para que somente ele o ouvisse.

Warrick moveu a cabeça em resposta. Seu olhar era o de um filho contente pela aprovação do pai. Ele nunca se esqueceria daquele dia, assim como o primeiro abraço que recebeu dele no hospital.

Quando se afastaram, Grissom falou novamente, desta vez com o tom de voz normal:

— E tenho certeza que Eli vai te dar muito orgulho. Tanto quanto você me deu.

Agradecendo com outro aceno, Warrick se voltou a Sara com o mesmo gesto. Menos longo quanto o anterior, mas tão carinhoso quanto. O casal se limitou a visar Eli, já caindo de sono com sua chupeta. O olhar alegre dos dois carregava certo alívio por tudo ter dado certo, tudo porque eram pessoas inexperientes em lidar com crianças. Aquele dia foi como uma vitória.

Grissom e Sara o acompanharam até o carro e o ajudaram a colocar o bebê no veículo. Ela entregou o presente nas mãos do amigo e depois se juntou ao noivo para assisti-lo dar a partida e ir embora.

— Obrigado pelo convite e pelos presentes. — O perito agradeceu mais uma vez.

— Obrigado por trazer Eli até aqui. — Grissom respondeu. — Voltem em segurança.

—-|--

Eles retornaram para dentro.

— Eu não acredito que a gente conseguiu. — O orgulho na voz de Sara era evidente. Ela pegou a louça deixada na sala, prestes a seguir para a cozinha.

— Não entendo como quase deixamos passar o presente. — Ele zombou da situação.

— Podemos admitir que o rostinho do Eli tirou nosso foco. — Ela se rendeu ao dar de ombros.

— Ele é uma graça. — O supervisor sorriu orgulhoso. Todavia, o semblante foi se apagando aos poucos quando lhe sobreveio algumas imagens dos eventos ocorridos antes do incidente. — Mais um pouco e... Warrick ficaria longe do filho.

Sara percebeu na hora do que se tratava.

— Mas isso não aconteceu. Graças ao trabalho de vocês.

Grissom, que visava o chão no momento em que ela falava, ergueu a cabeça para encará-la frente a frente. Forçou um sorriso de lado porque ela tinha razão, afinal. Sara, por sua vez, respondeu com o mesmo gesto e, como não havia mais nada a se dizer, se encaminhou para a cozinha.

Por uns instantes, ele ficou parado na mesma posição em que foi deixado. Olhou para trás meio sem rumo, pensando no que fazer em seguida. Levou a mão ao lado do rosto, pensativo. Resolveu, então, segui-la para saber se precisava de ajuda.

— Acho que acertamos nos presentes. — Contente, Sara comentou ao perceber que ele estava próximo. Ela terminava de lavar a louça restante.

— É... — Encostando-se à entrada do cômodo, Grissom uniu as mãos como se quisesse dizer alguma coisa. — Se não fosse por você, eu... estaria perdido.

— Imagine eu — comentou em sarcasmo. — Talvez estaria numa loja daquelas até agora.

Ele riu pelo comentário, diferente no dia em que foram às compras. Uma mistura de tensão e dúvidas sobre o que comprar, logo duas pessoas completamente inexperientes para executar uma tarefa tão “complicada”. Eles, que chegaram a imaginar um desfecho insatisfatório, agora respiravam aliviados por tudo ter se encaminhado bem.

— Estou muito feliz por ele — afirmou convicto. — Deus, quem diria. — Ele permaneceu em silêncio, apresentando um sorriso tímido ao pensar em toda uma retrospectiva de sua convivência com ele.

— A vida nos guarda surpresas. — Ela disse, fazendo-o sorrir de lado pela resposta.

— Você e Eli se deram muito bem. Tem certeza que não se conhecem há mais tempo? — indagou Grissom, poucos segundos depois.

— Ah, nem me fale! Eu estava morrendo de medo de estragar tudo! — Ela desabafou ao se afastar da pia. — Nunca me dei muito bem com crianças, eu já contei isso várias vezes.

— Não me pareceu naquela hora. — O supervisor discordou sem hesitar. Nunca viu a noiva tão à vontade ao lidar com um bebê em seus braços. Sentiu que uma ligação havia sido criada entre os dois.

— Eu não pensei em muita coisa. Só que devia segurá-lo firme e tentá-lo fazer rir. — Dando de ombros, Sara admitiu risonha.

— Sabe como conquistar as pessoas. Todos acabam gostando de você.

— Está querendo me agradar ou está me dando uma cantada, Gil?

— ... as duas coisas? — Ele apresentou um sorriso pretensioso.

Sara teve de considerar seu esforço, afinal. Ela se aproximou de Grissom e lhe deu um selinho.

— O importante que é conseguimos cumprir a missão, comandante Grissom. — Ela ensaiou uma voz diferente, como se estivesse atuando.

Tendo conseguido o que queria, Grissom desviou o olhar dela por um instante. Visou o chão, procurando por uma saída ou algum começo. As mãos esquentaram e não levaria muito tempo até suarem. De uma hora para outra seu corpo leve se enrijeceu de ansiedade.

— Está se sentindo bem? — Ela perguntou. Qualquer mudança de humor ou postura, para ela, deveria chamar sua atenção.

— Vou ficar até... resolver um assunto inacabado — respondeu um pouco hesitante.

— Do que está falando? — Encostando-se na parede adjacente à entrada, Sara cruzou os braços ao encará-lo de modo desconfiado. O sorriso presunçoso em seu rosto entregava sua curiosidade.

Seus olhares se encontraram. O silêncio sepulcral de Grissom a deixou remoendo de curiosidade, Sara não podia negar. Sabia que mesmo as suas tentativas de persuadi-lo a atender seu pedido não iriam adiantar, porém aquela insistência em não responder e a mudança repentina de semblante começavam a preocupá-la.

No momento em que Grissom desviou sua atenção, ele puxou algo do bolso do suéter azul e estendeu para ela. Decidiu que deveria fazer aquilo de uma vez, era tudo ou nada. Se hesitasse acabaria recuando e talvez perdendo uma oportunidade de ouro. Podia sentir a adrenalina correr por seu sangue, o momento era aquele ou não haveria outro. Tudo ou nada.

— Eu devia ter feito isso há mais tempo. Me desculpe.

Ainda em dúvida, Sara baixou o olhar para ver o que ele trazia na mão. Foi questão de pouquíssimos segundos. Seu coração gelou naquele instante. Inacreditável. Era um porta-anel; impossível de não reconhecer. Ainda assim se reservou no direito de lhe perguntar.

— Gil. Você... está me dizendo que... — As palavras saíram hesitantes, quase falhas. — Meu Deus. Tem um... anel aí dentro?

— Dois — respondeu logo após abrir a pequena caixa.

Sara não sabia se continuava a olhar incrédula para ele ou se focava nos dois anéis. Atônita pelo que acabava de ver, ela baixou o olhar com cautela. O primeiro era menor, mais fino, porém mais delicado nos detalhes. Prata, o anel solitário era decorado com uma pequena pedra transparente. O anel maior era da mesma cor, mas liso, como um complemento. Nunca foi uma pessoa de reparar nesse tipo de objeto, porém achou aqueles anéis os mais lindos que já viu na vida.

— Gilbert, você... Eu não acredito nisso...

— Queria ter dado algo mais que... uma picada de abelha. — Ele sorriu pelo próprio tom brincalhão do qual usou para lembrá-la de meses atrás.

Emocionada, ela balançou a cabeça várias vezes em negação tentando se reconectar e provar a si mesmo que o que via à sua frente era verdade. Mal passou por sua mente presenciar um momento como aquele. Provavelmente se encontrava mais sobressaltada agora que no “primeiro” pedido de casamento.

— Céus, você... não precisava fazer isso. Sabe que não precisava.

— Quero recomeçar — respondeu ele. — E tentar reparar meus erros.

Sara insistia em não acreditar no que via e, ao mesmo tempo, queria fazer aquela hora durar uma eternidade. Ela tocou em gentilmente em seu peito e respirou fundo. Não tirava o sorriso bobo do rosto; era como se vivenciasse um sonho. Talvez fosse o dia mais marcante em sua vida após ele ter acordado do coma.

— Como escondeu isso de mim esse tempo todo, hein? — Ela brincou, recebendo uma breve gargalhada dele.

— “A vida esconde surpresas” — parafraseou-a, trazendo consigo um semblante orgulhoso. Vendo seus lábios franzirem para evitar um sorriso e a vitória dele, Grissom se viu hipnotizado por aquele rosto. Não sabia se continuava admirando-a ou se a beijava naquele momento.

Por fim, ele gesticulou perguntando timidamente se podia continuar com o pretendido. Sara não pensou duas vezes e acenou com a cabeça. Acuado de início, Grissom retirou o anel feminino da caixinha, deixando-a sobre a mesa próxima. Engoliu em seco, buscou seus olhos a coragem para prosseguir e o motivo que o fez chegar até aqui. Sentiu-se estar em cima de um altar, prestes a envolver em seu dedo uma aliança de casamento.

Era o que ele mais gostaria.

Grissom deslizou o pequeno objeto sobre o dedo anelar direito. Faltava pouco para as mãos dele começarem a suar de nervosismo; ele só se acalmou quando terminou, enfim.

— Gil... Ele é lindo. — Sara falou quase perdendo a voz. Antes mesmo que pudesse erguer a mão para observar o anel mais de perto, Grissom pegou sua mão e a beijou; precisamente no local onde o anel foi posto.

— Não tanto quanto a mulher que o está usando. — Grissom parou para observar sua mão, chegando a brigar consigo mesmo de não ter tomado aquela atitude antes. — Deus... Ficou perfeito. — Ele riu por um instante, mais por alívio ao saber que o anel encaixou como devia.

Corada pela resposta meiga ela virou o rosto para o lado e franziu os lábios, disfarçando o sorriso que se formou. Aquilo estava sendo demais para ela. Muita coisa acontecendo num curto espaço de tempo.

— Por quê? — Ela sussurrou, quase lhe suplicando pelo motivo de trazer os anéis de compromisso.

— Eu quase perdi a vida e... a chance de viver o que sempre sonhei ao seu lado. — Após respondê-la, ele visou o anel posto na mão de Sara. — Nasci de novo. Foi o que você falou para mim. Por isso quero algo novo.

— Gilbert... — Levando a mão esquerda ao rosto, Sara riu por uma espontânea incredulidade. Não sabia se era possível se apaixonar mais por ele, porque a cada dia que se passava ela sentia algo forte dentro do peito por aquele homem.

— Este é o “terceiro” pedido, não? — Ele disse em tom de brincadeira. — Mas prometo que vou fazer valer.

— Sabe que eu acreditei em você em todas as vezes, não sabe?

Ele acenou que sim. Seu rosto vermelho disse muito sobre como ficou após aquela resposta.

— Minha vez, não?

Suas palavras o despertaram de seus sonhos. Enquanto fitava aquele anel ele se deixou levar por imagens do passado e projeções de um futuro ao lado dela. Coisas que por pouco não deixou de ter por causa daqueles tiros. Um misto de emoções começava a tomar conta do supervisor.

Sara enfim pegou o outro anel dentro da caixinha e voltou para onde ele estava. Antes disso ela visou o pequeno objeto em sua mão e, de repente, sentiu-se a mulher mais feliz do mundo. Naquela hora dava um passo que sequer imaginou ultrapassar. Anos e anos buscando encontrar alguém que fazia seu coração palpitar de felicidade e agora estava a poucas etapas de trocar alianças de casamento com esta pessoa. Nunca uma escolha valeu tão a pena quanto participar daquela Conferência em São Francisco.

Ela pegou sua mão, deslizando o polegar pelos seus dedos lentamente. O rosto dela resplandecia de felicidade. Sara tinha em mente que ele não precisava ter feito aquilo — o pedido anterior já era suficiente —, mas vê-lo estendendo o anel de compromisso foi como receber outra prova de seu amor por ela e sua dedicação com o relacionamento, tão atingido nos últimos tempos.

— Não me importaria se estivéssemos nos casando agora — disse ela assim que terminou.

— Bem... Estamos em Las Vegas. Acho que há uma capela não muito distante daqui. — Ele sugeriu em tom de brincadeira. Não que não estivesse pronto para ir naquele momento.

— Falando desse jeito... confesso que fiquei tentada.

Os dois riram pela situação. Mais um pouco e seriam capazes de largar tudo para se casar naquele mesmo dia. Entretanto, ambos imaginavam que aquela não era a hora oportuna, apesar da chama da vontade que pulsava dentro deles.

Imitando o mesmo gesto, Sara ergueu sua mão e a beijou. Quando os dois se encontraram num olhar não levou muito tempo para que seus lábios selassem o momento com um beijo carinhoso, mas intenso na medida certa.

Após isto, Sara envolveu sua nuca e o trouxe para perto. Deixou-se levar pelo choro que se formava, um choro de liberdade. Há algumas semanas seu noivo estava em um hospital; há uns meses sem perspectiva nenhuma de um futuro. Agora ele estava envolto por seus braços, acabado de colocar um anel em sua mão e vice-versa.

— Eu te amo. Nunca se esqueça disso. — Ela sussurrou. A emoção era evidente em sua voz.

— Não. Eu não vou me esquecer.

Grissom nunca esteve tão convicto em sua vida. Ganhou uma nova chance de viver e faria esta chance valer a pena. Ao se afastar do abraço, sentiu uma pontada de culpa repentina ao ver os olhos dela vermelhos e lacrimejantes. Não importava qual fosse o motivo, nunca foi de seu gosto ver a mulher que amava chorar.

— Sara, querida. — Grissom voltou a segurar as mãos dela. Observou os anéis em cada mão e sorriu estupefato. Quando fitou seus olhos marejados novamente, ganhou toda a coragem que pedia para falar: — Eu estou pronto.

— Pronto? — Hesitante, por pouco ela não conseguiu terminar de falar. Tinha receio de questioná-lo, mas ao mesmo tempo era o que mais gostaria de saber. — O que quer dizer com isso?

— Você deixou sua vida em São Francisco para vir até aqui. — Passando a mão delicadamente sobre o rosto dela, Grissom analisou cada detalhe e cada expressão sua.

— Está falando da primeira... ou da segunda vez? — Sara perguntou. Achou engraçada a própria pergunta e por isso deixou um breve riso escapar. Um riso emocionado para falar a verdade.

Sara queria seu espaço de início, isto era verdade. Espaço e tempo para se recuperar de uma crise que não ia embora enquanto não saísse de Vegas. Grissom respeitou seu desejo quase explícito naquela carta de despedida. Mas ultimamente Sara vinha manifestando o desejo de que ele se juntasse a ela. Tímido, mas real. Numa hora os dois diziam juras de amor prometendo ficar juntos e na outra se encontrava a milhares de quilômetros de distância.

Juntar-se a Sara demandava um sacrifício. Aquele relacionamento demandava sacrifícios, que começaram anos atrás. Sara deixou sua vida em São Francisco para prosseguir com a carreira em Vegas, tudo isso por causado do convite de Grissom. Agora que ela retornou, o supervisor pensava em suas escolhas ou no que fazer: poderia não fazer nada, observando-a ir embora. Ou poderia tentar algo diferente.

Grissom acariciou aquele rosto macio mais uma vez. Quando fitava seus olhos marejados e cheios de brilho ganhava mais um motivo de se lançar ao que almejava há um bom tempo.

— Seu lugar não é aqui — afirmou ele pressionando suas mãos gentilmente, acariciando-as com o polegar. — E se o meu lugar é com você, então... Meu lugar também não é aqui.

— Gilbert. — A voz hesitante de Sara quase não a permitiu falar. Imaginou não ter entendido o que acabou de ouvir, quase se recusando a entender. O que Grissom disse há pouco era algo intenso demais para ser apenas palavras vazias ou uma brincadeira. — Você... está... pronto para isso?

Ele beijou as duas mãos da noiva lenta e carinhosamente.

— Levei tempo demais para tomar certas decisões. Estou mais que pronto.

Notas finais
Esta última parte do cap não estava planejada, mas entrou na minha cabeça e não saiu mais, então.............. É isso gente, eu só tenho a agradecer à vocês por todo apoio nesses últimos tempos. Espero em breve chegar com um novo ou novos projetos e seguir firme por aqui. Muito obrigada a todos que leram. Beijos e até o próximo capítulo!!