For All Time

5 O Encontro No Central Park


Notas iniciais
Olá, gente, aqui está o cap. Postando com um sorriso por que tenho uma nova leitura (que graças à Deus não é fantasma), e isso me animou muito. Bem, sem mais enrolação, boa leitura!

Exalando ar, Joelce recostou a cabeça no vidro da janela. O que Quentin olhou de relance, pegando no volante e dando partida no carro. O carro percorreu alguns Km de estrada, então Quentin voltou a olhar para a garota encolhida e quieta.

— Ainda estás chateada por ontem?

Um minuto completo pareceu passar até que ela respondeu:

— Não.

— Não é isso que parece. Só espero que você me perdoe.

“Tudo bem, se você tivesse ido me buscar eu não ganharia uma boleia do Stor. Jackson.” Joelce pensou e sorriu discretamente, então parou ao responder:

— Está tudo bem, sério. Eu não estou aborrecida, mesmo.

— Ainda bem, porque eu não suporto estar nesse clima tenso com você, você sabe que eu te amo, rapariga.

— E também amo você, Quentin. – Joelce encostou levemente a cabeça no ombro do tutor e esse sorriu continuando a dirigir.

~*~

— Bom dia, Jackson.

Michael levantou o olhar para a mulher simpática que acabava de entrar na sala e sorriu.

— Bom dia, Inês.

— Como está? — aproximou-se ela, com um andar elegante.

— Bem, e você?

— Também. Feliz em vê–lo.

— Sério? — Michael baixou os olhos para o papel onde escrevia, sorrindo timidamente.

— Sério! — Inês parou ao seu lado — Então... o que me contas?

— Bem... nada. E você?

— O mesmo. Ah, deveriamos mudar isso.

— Como assim? — Michael levantou–se e a olhou enquanto batia a pilha de folhas juntas.

— Poderiamos sair, um dia desses... um dia proximo, de preferencia.

Michael estava perto o suficiente para entender os olhares da mulher o comendo vivo, mas apenas deu um sorriso calmo em resposta.

— Você acha? — a voz saiu mais calma ainda.

— Sim, você não?

Michael não respondeu quando Samanta adentrou a sala.

— Eu... tenho uma aula agora, depois falaremos melhor. — se afastou para a porta.

— Está bem. — Inês sorriu o vendo sair, e logo lançou um olhar aborrecido à amiga.

— Desculpa se estraguei o clima, não sabia que estavam só os dois. — Samanta tratou de falar, puxando uma cadeira e sentando.

Inês abanou a cabeça para ela, mas apenas puxou outra cadeira e também sentou.

~*~

Sentada na escrivaninha diante do seu computador, Joelce entrou na sua conta do facebook e ficou a mexer nas notificações. Haviam muitas, pois não era uma pessoa muito sociável e raramente as checava, mas clicou nas mais importante, as que se deviam a assuntos como sua família.

Será que o professor Jackson tem uma conta? A pergunta surgiu em sua mente, e sem hesitar levou o mouse ao procurador, escrevendo: “Michael Jackson”.

Got it!— murmurou com um sorriso ao encontrá–lo.

Era uma conta tão abandonada quanto a dela, poucas publicações, sua maioria marcações de amigos, poucas fotos, mas a de perfil deixou a babar-se. Ele usava chapéu e óculos escuros e tinha o sorriso mais cativante que ela já vira na vida.

Sem pensar duas vezes baixou-a, e então entrou na mensagem. O que escrever? Pensou em todas as maneiras possíveis de cumprimentar alguém e chegou a escrever, mas acabou por apagar.

Já sei!

Saiu de sua conta, com um sorriso. Em seguida criou uma nova sem dados e com o nome “Anonima”, e assim que o encontrou novamente enviou um pedido de amizade.

Realmente cartas já haviam saído da moda, postais mais ainda. Então, por que a “admiradora secreta” não entraria em contacto com ele usando a tecnologia?

~*~

— Há quanto tempo você não entra em sua conta do facebook? Eu envio muitas piadas para ti e nunca tenho uma resposta.

Michael nem queria fazer as contas, então lançou um olhar estreito de preguiça à irmã deitada no cadeirão ao lado.

— E no Whats? E no twitter? Mike, você tem muitas seguidoras.

Michael virou o rosto para ver a outra irmã. La Toya, que se encontrava limando as unhas, com intervalos que mexia no seu telefone, possivelmente na sua conta do Twitter na qual era viciada.

— Vocês sabem que não tenho tempo para essas coisas.

— Tempo sempre tem, meu bem, só que você prefere ser anti-social. — La Toya levantou o ombro e soprou as unhas.

— Eu sou um socialista e vocês sabem bem disso. — Jackson se defendeu.

— Então está aqui, actualize suas contas, Sr. Socialista. — Janet estendeu–lhe seu Iphone.

Michael revirou os olhos sorrindo. Ele certamente era deslumbrado por tecnologia, mas não conseguia acompanhar o empenho das outras pessoas em segui-la. Mas, se conhecia bem a irmãs, elas não iriam parar de chateá-lo até que atualizasse suas contas, ou elas mesmo iriam atualizar, portanto decidiu receber.

~*~

Joelce deu um gole no suco de maracujá que tinha ao lado, na escrivaninha, e voltando a mexer no seu PC arregalou os olhos quando caiu a notificação: Michael Joseph Jackson aceitou seu pedido de amizade.

Ergueu–se na cadeira giratória e afastou o cabelo do rosto, encontrando–o na lista do chat, “online”. Tentou hesitar, mas logo deu por si enviando:

“Olá, Michael Jackson”.

Levou algum tempo que ela ficou tentando se distrair, mas por fim chegou a resposta:

“Olá”.

“Tudo bem?”

Dessa vez a demora foi mais curta até que a resposta veio:

“Sim, obrigado.”

Dando um suspiro de encorajamento, Joelce escreveu:

“Sou a sua admiradora secreta”.

Michael ergueu–se do cadeirão, de repente, e as irmãs o encararam curiosas vendo que franzia a testa.

— O que foi, mano? — questionou La Toya.

— Não, não me diga que eles laquiaram sua conta. — Janet abanou a cabeça.

— Nã... não. — Michael sorriu para elas e sossegou novamente, procurando calma natural para responder.

“Minha admiradora secreta? Foi você quem deixou os postais nas minhas coisas?”

“Sim.”

Joelce escreveu e estalou alguns dedos aguardando a resposta, que não demorou a chegar.

“Quem é você?”

“Se eu dissesse... deixaria de ser secreta, não?”

“Então não pensa em se identificar para mim?”

“Eu não acho que você gostaria de saber.”

“Como não? Estou curioso sobre quem é você, me diga.”

Joelce mordeu os lábios antes de enviar:

“Não, melhor não, eu não conseguiria lidar com você sabendo dos meus sentimentos.”

“E pensa em viver com eles sozinha enquanto eu me martelo a pensar quem você é?”

“Olha, eu não vou mais deixar nenhuma carta nas suas coisas, então você já não terá que fazer isso.”

“As duas que você deixou foram suficientes para me deixar curioso, e eu não acho que eu vá perder a curiosidade tão cedo, diz–me quem és.”

Quando a resposta não veio, Michael acrescentou:

“Ao menos me dê pistas.”

“Okay... eu te vejo todos os dias, mas você só me vê algumas vezes.”

“Você é minha aluna?”

“Talvez sim, talvez não.”

“Jesus, pare de dar voltas, diga–me quem é você. Espere, você é minha aluna da 8ª série... Alexandria, é você não é?”

Joelce franziu o semblante e anotou mentalmente “Alexandria da 8ª serie”, antes de responder:

“Acho que não”.

“Acha? Olha, vamos fazer assim, seja você quem for, vá ter comigo ao central park amanhã às 5h da tarde, pode ser?”

Um encontro? Joelce mordeu o lábio, nervosa. Ficou paralizada um longo instante, até que conseguiu escrever:

“Pode. Como quiser, você vai saber quem eu sou.”

“Certo, eu vou deixar agora, mas me dê um número que eu possa ligar para você.”

Joelce pensou um instante, mas acabou dando o número do seu celular, e quando fechou a conversação levou as mãos ao rosto. Droga, o que ela tinha feito? Iria se identificar para Michael no dia seguinte, que seria sábado, iria encontrar com ele no Parque Central. Iria?

~*~

Durante a manhã toda de sabado, por mais que Joelce tentou se concentrar em outra coisa, seus pensamentos acabavam no que estava por acontecer de tarde.

Como seria?

— Bom... — Quentin deu um sorriso, conformado — Já que você não vai mesmo à festa da Mary... eu estou indo.

Joelce assentiu com a cabeça e mal o tutor beijou sua testa ela baixou os olhos para o telefone consultando: 14:55m.

— Até logo.

— Até! — Joelce o viu sair do seu quarto, então exalou ar, deixando seus nervos à flor da pele a dominarem. Iria ao Central Park dentro de uma hora e alguns minutos?

Teria coragem? Por parte, ela queria realmente se revelar, sabia que o professor não a via mais do que como uma aluna e não teria nada com ela, mas queria deixá-lo saber seus sentimentos de qualquer forma.

Mas por outro lado, e isso era mais forte, tinha medo de que ele considerasse isso um assedio, que pensasse mal dela, que a julgasse. O que ela deveria fazer?

~*~

— E se for a menina assanhada da 8ª serie? O que você vai fazer, meu caro?

Michael olhou de relance para o amigo e amarrou–se o roupão de banho.

— Bem... acho que teremos uma boa conversa sobre sentimentos humanos e eu a exclarecerei que o que sente por mim é mera ilusão... o mais sensivelmente possível... e que encontrará alguém da sua faixa etária que a irá merecer.

Ne–yo pôs–se a rir e sentou no cadeirão lendo uma Playboy.

— E se não for ela? Se for uma garota mais velha... talvez uma finalista...?

— As finalistas, por mais que pareça engraçado, são as que menos falam comigo além das aulas e não vêem com outros assuntos... se não for Alexandria... pode ser Susan, da 10ª serie, ou Diana da 9ª...

— Okay, boa sorte para você, caro “quebra–coraçõeszinhos de adolescentes”. Só espero que possa ser no mínimo uma garota bonita que você possa... de repente... talvez... “comer”.

Michael abanou a cabeça, indignado.

— Isso não vai acontecer, seja quem for, não é isso que eu trago dentro de mim, não é esse tipo de coisas que eu penso sobre essas meninas de 15 e 16 anos... eu tenho 35, Ne–yo, você sabe disso.

— Pronto, não está mais aqui quem falou, senhor “santidade”, agora vá para esse banho antes que chegue a hora e a menina fique plantada lá a sua espera.

Michael então calçou os chinelos e virou–se indo para o WC.

~*~

Seu coração palpitava forte, e Joelce começava a duvidar se conseguiria levar avante aquela situação.

Mas ela já estava lá, rodeada do bonito e momentaneamente isolado Central Park, sentada num banco, olhando para o pôr do sol. Como era lindo!

Aquilo estava sendo tão repentino, por que ela simplesmente não disse que não? Questionava-se. Era mais fácil continuar nas sombras, certo? Não! Soltou um suspiro. Não, ela não iria embora, ela o amava e queria viver aquele momento.

Mas sua confiança começou a esmorecer quando voltou o olhar para o telefone. Já eram quase dezoito, Michael estava uma hora atrasado. Ele teria mudado de ideias?

Esfregando as mãos, levantou o olhar para o céu. Estava escurecendo rapidamente, será que iria chover? Era só que faltava! Ela ficar plantada e enxarcada. Suspirando de novo, olhou ao redor e seu peito doeu de nervosismo quando avistou um homem se aproximando.

Ele vinha calmo, e tinha um terno preto vestido, foi tudo o que viu antes de voltar o olhar para frente nervosamente. Calma, Joelce, calma!

Fechou os olhos por um segundo, de repente desejando que pudesse ficar invisível e fugir, mas quando começou a ouvir claramente os passos sob o pátio tremeu intensamente e soube que não havia volta.

— Boa noite!

Demorou para que conseguisse, e quando virou o rosto o encarou calmamente, até perceber que era outro homem, um desconhecido.

— Boa noite. — tratou de responder, reparando que só a distância esse se parecia com Michael. Seu cabelo era castanho, não preto, e apesar de muito bonito não chegava à ele.

Ele sorriu vendo-a o estudando.

— Posso me sentar ao seu lado?

— Ham... claro, o parque é público. — ela perguntou entre decepcionada e triste.

Ele não vai aparecer. Terá acontecido alguma coisa?

— Sim, mas sua companhia não é, não é mesmo?

Joelce sorriu do ponto de raciocínio do homem, então olhou–o sentar ao seu lado, e estender sua mão grande e masculina ao dizer:

— Louis.

— Joelce. — Apertou–a.

— Bonito nome.

— Obrigada. — baixou os olhos a sorrir.

— Ele é um sortudo.

— Quem? — franziu o semblante voltando a olhá–lo.

— O cara por quem você está esperando. Você é muito linda.

— Obrigada. — Joelce voltou a sorrir, até que seguiu o olhar do homem e virou a cabeça vendo o outro que chegava em passos apressados, abrandando-os agora.

Seu coração reagiu com intensas batidas, e seu corpo imobilizou–se. Agora era ele, agora era... Michael.

Com uma camisa azul e calças pretas sociais, subindo pelo reuvado, seu cabelo negro e curto abanando–se. Céus, como ele era perfeito!

— Vou adivinhar; é ele!

Ao ouvir ao seu lado, Joelce voltou o olhar nervoso para o homem chamado Louis.

— É.

— Então do que está a espera para norteá–lo? Vá ter com ele.

— Ham... é um pouco complicado. Ele não sabe que... eu sou eu... ele está procurando... a sua admiradora secreta.

— Ah! — Louis exclamou, enquanto ela voltava a virar o rosto para lá.

Michael passeava pelo local com os olhos, e logo então olhava para eles, o que a fez voltar os olhos para o outro homem, nervosa como se pedisse socorro silencioso.

— Vá ter com ele.

— Não, não serei capaz... olhe para mim, eu sou...

— Linda! Você é linda, e sejam quais forem os contras, vá revelar a verdade para ele, você sabe que deve isso à si mesma.

— Mas...

— Nada! Não coloque um pé atrás agora, você já está aqui, ele está ali, e ele veio por você, anda logo, rapariga.

Joelce sabia que aquele homem estava certo, mas...

Mas nada! Determinou–se e voltando o olhar para lá juntou todas as forças para se levantar.

Todo o seu corpo tremia, mas ainda era ela quem o comandava, então se meteu à caminho de lá, justo sob o olhar observador de Michael que logo a viu. Seu sobrolho foi se franzindo enquanto ele a reconhecia, e foi descendo o olhar por ela para reaparar no inevitável: ela estava linda!

Com um vestido preto, simples e jovial, uma bota alta e jaqueta. No cabelo, um coquinho estilo mal–feito que deixava seu rosto levemente arredondado. E trazia nas mãos uma carteira.

Quando a teve parada na sua frente, olhou direitamente o sorriso curto que ela deu.

— Professor Jackson... boa noite.

— Boa noite... Joelce. — ele sorriu de volta, depois seguiu o olhar dela para trás, visualizando o outro homem que olhava direitamente para eles.

Observando agora mais claramente, ele percebeu que não era quem pensara; Quentin. Era outro homem desconhecido, mas não era da sua conta, e a aluna apenas se tinha aproximado para cumprimentá–lo, então disse assim que seus olhos voltaram para si:

— Sua compania está olhando para nós, acho que ele não está gostando.

— Não... ele não se importa... na verdade... – Joelce queria dizer que ele não era sua compania, apenas estavam a conversar enquanto ela esperava sua real compania, “ele”, mas bloqueou.

Michael a encarava com a sombracelha para cima e ela não se sentia pronta a vê–lo franzi–la quando contasse a verdade, não estava pronta para ver a sua reação, então desconversou:

— O professor está esperando por alguém?

— Sim. — Michael levou os olhos ao relógio do pulso – Na verdade cheguei um pouco atrasado devido ao trânsito, só espero que ela não esteve aqui e foi... você está aqui há muito tempo?

— Nã... não exatamente... um pouco.

— Viu...? — Michael parou sorrindo, afinal não havia como descrever alguém que ele desconhecia. Poderia ser uma das alunas de seu palpite, como não. Poderia ser uma professora e as pistas que o dera pelo facebook fossem falsas.

Voltando os olhos para a aluna diante de si, num instante algo dentro dele bateu, como se no fundo, parte dele estivesse a desejar que... que fosse ela.

Mas ela estava acompanhada, e bem acompanhada, então suspirou e pegou no telefone.

— Acho que... vou ligar para ela.

Joelce sentiu–se mortalizada com a exclamação, e mal abriu a boca viu Michael levar o telefone ao ouvido.

Oh... Meu Deus!

Virou o rosto e fechou os olhos num segundo, até que começou a sentir o telefone vibrar dentro do seu clutch, e logo começar a chamar com a musica “Every Rose Has Its Thorn” de Miley Cyrus.

Michael voltou–se imediatamente ao ouvir o mesmo e lançou os olhos para o clutch nas mãos dela, de seguida subindo o olhar para o rosto dela, os olhos que se abriam devagar e o encontravam, brilhantes de nervosismo.

Seu rosto se inverteu, confuso, enquanto ele a via tremer os lábios na tentativa de dizer algo.

Ela tentava falar, mas as palavras... elas simplesmente estavam entupidas na sua boca. Então o viu, lentamente, baixar o telefone do ouvido, olhando–a no profundo dos olhos.

— Joelce... — seus labios sussurraram conforme deslizou o telefone para se fechar e a musica parou de fluir do acessório.

Notas finais
Então, é isso! Eu decidi postar um capítulo novo a cada sexta feira, que é o dia que me dá mais jeito atualizar minhas histórias. O que achou? Gostou? Comenta aí para eu saber... Bjinhos...