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11 Theo Raeken
Notas iniciais
10/02/2013
A sensação era de estar lutando contra a correnteza. Por mais que ele tentasse nadar até a margem, uma força sobrenatural o empurrava cada vez mais para o fundo, para o perigo. Theo nunca quis machucar ninguém, nunca quis machucar a sua própria irmã. Se perguntassem o porquê dele não ter salvado ela do afogamento, ele não saberia responder. Ele não saberia explicar de quem era aquela voz, aquele toque maligno. Theo não estava mais aguentando o sentimento de culpa, já havia tentado tirar a própria vida, mas de alguma maneira ele sempre voltava. Tudo o que ele queria era ser um garoto normal de 15 anos, namorar, festar e não ter responsabilidades.
A voz sempre sussurrava o que ele tinha que fazer, mas ultimamente a voz não sussurrava mais nada. Ele deveria estar aliviado, mas no lugar da voz veio à dor da culpa, era uma dor insuportável. Desespero definiria muito bem a situação de Theo Raeken. Ele estava sozinho, não tinha mais ninguém que se importasse com ele.
Ele levantou da cama e ficou encarando o se reflexo no espelho: Suado, magro e patético. Fazia dois dias que estava dormindo em um motel repugnante, tudo porque uns malditos caçadores resolveram se divertir com um maldito Omega.
Se a voz ainda estivesse comigo eu saberia o que fazer, pensou.
_ Eu estou _ Sussurrou a escuridão.
O garoto levou um susto. Apesar de não ser um lobisomem exemplar ele jamais seria pego de surpresa.
_ Quem está ai? _ Perguntou alarmado.
_ Nós! _ Respondeu a escuridão.
Theo caiu de joelhos no chão e começou a chorar soluçando.
_ Não, não, não. VOCÊ NÃO É REAL _ Gritou desesperado.
_ Você gosta de enigmas? _ Perguntou a escuridão.
O garoto estava confuso. Será mesmo que até em um momento de alucinações a sua mente seria tão inútil?
_ É mais poderoso que os deuses, mais maligno que os demônios. É algo que os pobres têm e os ricos precisam. Se você comê-lo, você morre. O que é isto? _ Perguntou a escuridão ignorando a expressão de confusão do garoto.
_ O-o que? Eu não sei!
_ É mais poderoso que os deuses, mais maligno que os demônios. É algo que os pobres têm e os ricos precisam. Se você comê-lo, você morre. O que é isto?
Theo já estava ficando aborrecido.
_ EU NÃO SEI!
_ É mais poderoso que os deuses, mais maligno que os demônios. É algo que os pobres têm e os ricos precisam. Se você comê-lo, você morre. O que é isto?
A cada vez que a voz repetia o enigma, ele podia sentir uma presença mais forte e mais próxima.
_ E-eu não... Eu acho que... O NADA! É O NADA!
A escuridão ficou silenciosa novamente. Theo soltou o ar que estava preso nos pulmões e relaxou. Minutos se passaram até que ele começou a sentir um cheiro de sangue e de medo.
Ele levantou do chão e abriu a porta do quarto do motel. A cena era repugnante: Os caçadores estavam estraçalhados, as cabeças estavam formando o número cinco invertido. Theo vomitou e lacrimejou, foi quando ele percebeu que ele estava coberto de sangue... e-ele havia feito isso? Ele teria matado os caçadores? Theo chorou mais ainda.
E foi ai que o garoto sentiu o ar gélido da morte, ele estava aqui.
_ Eu posso fazer tudo isso desaparecer, eu posso desaparecer. _ Disse a escuridão.
_ O que eu tenho que fazer? _ Perguntou contendo a raiva.
_ Eu nunca fui, mas sempre serei. Ninguém nunca me viu, e nunca verão. Ainda assim, sou a esperança de todos. Quem sou eu? _ Perguntou a escuridão.
Theo suspirou. Mais um enigma de merda, pensou. Mas ele sabia a resposta para esse enigma.
_ O futuro _ Respondeu o garoto.
O silêncio reinou no local. Theo sabia que a escuridão ainda estava presente, mas ele também sabia que teria um pouco de paz.
02/12/2014
Theo acordou ofegante, tivera um pesadelo terrível. Já havia certo tempo que a escuridão ou voz deixara de atormentar o jovem lobo, mas isso não significa que ele não estava presente. Desde o último encontro fatídico tudo na vida de Theo deu uma melhorada surpreendente. Ele tinha família, tinha um Pack e tinha pessoas que cuidavam dele. Mas ele sabia que tudo isso era proporcionado pela escuridão.
Ele levantou da cama e foi até a cozinha beber um pouco de água gelada. A casa de seu Alfa estava silenciosa. Bom, não deixava de ser sua casa também. Ele fora acolhido por um casal de lobos que haviam perdido o filho quando estavam fugindo dos mesmos caçadores que queriam ele morto. Theo fora acolhido imediatamente pelo casal, claro que ele sabia que em um momento de luto eles só queriam abafar a dor de perder um filho. Isso não incomodava, ele queria uma família e o casal queria um filho, Theo estava fazendo tudo o que podia para ser um bom filho.
O garoto pegou um copo e estava prestes a encher de água quando sentiu um liquido pegajoso. Ele correu para acender a luz e a cena que viu foi devastadora: Seus pais adotivos estavam decapitados no chão da cozinha. Ele soltou o copo, mas não escutou o barulho de vidro quebrando. Olhou para o chão e viu que na verdade estava segurando a cabeça de seu pai.
Ele estava em choque.
Isso não é real, pensou.
_ Mas pode ser _ Sussurrou a escuridão.
_ O que você quer? _ Perguntou desesperado.
_ Eu posso ver o corpo que me projeta, mas não posso ver a luz que me cria. Quem sou eu? _ Perguntou a escuridão.
Theo estava desesperado. Sua família estava estraçalhada no chão da cozinha e o pior é que ele não sabia se tinha feito aquilo.
_ Como é que eu vou saber? _ Retrucou.
_ Eu posso ver o corpo que me projeta, mas não posso ver a luz que me cria. Quem sou eu?
_ Eu não sei! Me deixe em paz. _ Gritou aflito.
_ Eu posso ver o corpo que me projeta, mas não posso ver a luz que me cria. Quem sou eu?
Se eu não responder logo ele não vai me deixar em paz, pensou.
_ Eu acho que... E-eu não...
Theo suspirou. Ele sabia a resposta, mas não conseguia pensar em mais nada no momento.
_ Eu posso ver o corpo que me projeta, mas não posso ver a luz que me cria. Quem sou eu?
_ A sombra! _ Respondeu confiante.
E com uma rapidez absurda os corpos desapareceram. Não havia mais nenhum sinal de luta ou mutilação. Era a mesma cozinha de sempre. O copo que antes Theo pensava ser a cabeça de seu pai estava estraçalhado no chão.
Ele soltou o ar.
_ O que você quer de mim? _ Perguntou suplicante.
A escuridão deu risada e começou a assumir uma forma física. Era repugnante. Um homem enfaixado com uma boca nojenta que cuspia algo preto. O odor era insuportável. Mas Theo manteve o olhar firme, não iria mostrar fraqueza ao ser que ele sempre quis matar.
_ Vá até Beacon Hills e encontre Stiles Stilinski. Entrarei em contato novamente.
Theo acordou gritando e pedindo ajuda. Seus pais entraram no quarto e abraçaram o filho em uma tentativa de acalmar o garoto, mas já era tarde demais. A escuridão já havia abraçado o jovem lobo.
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