Notas iniciais
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O que será que essas pessoas pensam que eu sou? Um objeto sexual? Tsc. Eu tenho sentimentos! Quem ela pensa que é para me agarrar daquele jeito? Quem ela pensa que é para ficar passando a mão em mim? Maldita Mendy. Não é que eu não tenha gostado, é só que eu estava farto de ser “usado”. Faz um tempo que eu queria algo sério. Para ser mais exato, quero algo sério desde que conheci o Theo. Mas Theo só queria uma transa, apenas isso.

Mendy era louca, ela mandou uma mensagem, algo do tipo “me encontre no banheiro feminino, é urgente” trouxa do jeito que eu sou, eu fui. Nem tive tempo de falar muito coisa, porque assim que me viu a lunática me puxou para uma das cabines e já foi me beijando. O beijo dela era familiar... Oh! Mendy era a garota com quem eu transei na casa do Theo, que merda. Fiquei transtornado entre deixar rolar e simplesmente sair. Optei pela segunda opção e sai da escola sem falar com ninguém. Estava chovendo muito forte, por isso fui dirigindo um pouco devagar.

Cheguei em casa e fui direto para o banho, precisava relaxar, precisava relaxar meu amiguinho. Tomei um banho quente e vesti uma roupa leve. Hoje era um daqueles dias cinzentos e melancólicos. Um daqueles dias que eu me lembrava da minha mãe, ela sempre cuidava de mim em dias chuvosos.

Balancei a cabeça numa tentativa frustrada de afastar esses pensamentos tristes. Ainda teria certo tempo até a hora do almoço, então resolvi dormir um pouco. Deitei na minha cama e fiz meu casulo de cobertores, estava protegido do mundo.

A campainha toca. Mas que inferno. Não posso nem mais ter momentos depressivos sem ser incomodado?

Desci as escadas como se tivesse carregando o mundo nas costas e tenho certeza que minha carranca iria assustar quem quer que esteja atrapalhando o meu sono. Parei atrás da porta e esperei que a bendita da pessoa tocasse a campainha de novo. E o ser repugnante fez.

Abri a porta e me deparei com um olhar preocupado do Theo. “Ele pode atrapalhar o meu sono”.

_ O que você quer? _ Perguntei sempre educado.

Theo revirou os olhos e entrou. Ficamos bem próximos.

_ Que cheiro de perfume feminino barato é esse? _ Exigiu saber.

_ É o cheiro da depressão feat melancolia. _ Tentei fazer graça porque ele não parecia muito contente.

_ Responda!

Malditos lobisomens. Automaticamente pensei em Derek. Stiles, foco!

_ Então? _ Insistiu.

_ Fui atacado por uma garota com sérios problemas mentais.

Theo pareceu ponderar a situação, e por alguns instantes não disse nada, apenas ficou com uma expressão confusa.

_ Você gostou? _ Ele perguntou aflito.

_ Que tipo de pergunta é essa? Claro que não! Não sou um objeto. _ Respondi exasperado.

Theo soltou o ar de deu um risinho.

_ Ótimo.

Minha vontade era de dar na cara dele, aquele idiota. Eu estou aqui me remoendo de tristeza e ele está mais preocupado em saber se eu gostei de ser molestado.

_ O que foi? _ Perguntou.

_ Nada. _ Respondi seco.

Tentei subir as escadas e ir para o meu quarto, mas Theo me imprensou contra a parede. Suas mãos estavam me prendendo e sua perna estava posicionada no meio, não poderia sair dali nem se eu quisesse.

De repente não estava mais frio, por que será?

Theo e sex appel do caralho.

_ Sweet, não me trate como se eu não fosse importante. _ Sussurrou na minha orelha.

Puxei o ar com força. Esse homem não é de Deus.

_ Desculpe. Agora me solte. _ Pedi baixinho.

Theo começou a morder de leve o lóbulo da minha orelha, já estava todo arrepiado.

Prendi um gemido. Ele não gostou muito disso.

_ Jamais reprima os meus toques! _ Exclamou bravo com os olhos em um tom amarelo animalesco.

Assenti com a cabeça e ele pareceu relaxar.

_ Você me deixa louco. Totalmente louco.

Theo me beijou com força e urgência. Eu estava ficando sem ar e tentei me soltar. Ele me prendeu com mais força ainda e acabei gemendo em um misto de dor e excitação. Ele gostou. A excitação dele era grande e evidente. Parecia um pouco descontrolado. Tentei me afastar novamente, mas dessa vez ele rosnou e as garras apareceram e ele perfurou de leve a minha pele, frustrando qualquer tentativa de fuga.

Ele cansou de brincar com a minha orelha e começou a atacar o meu pescoço.

Definitivamente ele estava me assustando. Mas como parar um lobo com problemas sexuais?

_ Se nós estivemos juntos você seria forte _ A voz surgiu de algum lugar obscuro da minha mente insana.

Eu jamais permitiria sequer pensar em sucumbir a ele.

_ Você poderia mata-lo rapidamente, nós gostamos de matar. _ A voz insistia.

Não, não, não... Você não. Por favor, não, não, não... _ Eu dizia sem parar e chorando.

Isso causou um efeito em Theo que parou de me agarrar e agora estava me abraçando e dizendo que tudo ia ficar bem. Deixei ele cuidar de mim e chorei como nunca, não havia percebido o quanto isso me afetava. Ele me levou até o meu quarto e deitou na cama comigo.

Theo ficou fazendo carinho no meu cabelo e repetindo que sentia muito e que não iria mais passar dos limites. Tentei protestar e dizer que a culpa jamais seria dele, mas acabei dormindo. Ele era tão acolhedor e cuidadoso, seria impossível resistir a isso.

Acordei com meu pai me chamando. Olhei no relógio e vi que já passada das quatro da tarde, caramba. Espreguicei-me e fui comer alguma coisa.

Preparei um sanduiche e fui ver um pouco de televisão. Como nunca tem nada que preste troquei a televisão pelo meu celular. Isaac havia ligados três vezes e deixado uma mensagem.

Isaac: Idiota

Bufei. Simples e eficaz, como sempre.

Respondi: Você!

Scott também tinha mandado uma mensagem.

Scott (garota gostosa): Oi

Revirei os olhos. Como é possível alguém ser tão lento?

Respondi: Vamos sair hoje? Sei que você vai responder sim, esteja aqui 19 horas.

Nada como fazer uma boa ação.

Voltei para o meu quarto e decidi estudar. Encontrei um bilhete na minha mesa. Era do Theo.

“Desculpe sair sem te avisar, escutei o seu pai chegando e imaginei que você ainda não contou a ele sobre nós. Depois quero conversar sobre o que aconteceu.”

Suspirei. Credo, já estava parecendo uma garotinha apaixonada.

_ Stilessss _ Meu pai chamou/gritou.

_ O que? _ Respondi/gritei.

_ Não grite!

Mas ele é que estava gritando.

Fui até a sala ver o que ele queria.

_ Filho, o diretor da sua escola ligou e disse que você saiu no meio do período. O que aconteceu? _ Perguntou meu pai bastante preocupado.

Não poderia contar para o meu pai que fugi porque uma garota me molestou. Pensando bem, acho que fui muito burro em fugir. Mendy é uma gata e luta por anões. Quantas garotas lutam por anões?

_ Fiquei com dor de barriga _ Respondi por fim.

Meu pai até que ia falar alguma coisa, mas ele acabou rindo e voltou para o que quer que ele estivesse fazendo.

_ Hoje vou sair com o Mascott _ Avisei dando de ombros.

_ Scott sabe que você o chama de Mascott? _ Perguntou meu pai.

_ Algumas coisas são tão obscuras que devem ficar no anonimato.

_ Você é estranho. _ Disse meu pai.

Dei uma risada e resolvi voltar para o meu quarto. Ainda não tinha terminado o trabalho que estava fazendo para o Sr. Saltzman.

19 horas em ponto Scott estava tocando a campainha. Ficamos um tempo procurando o que fazer já que Beacon Hills não era um lugar muito badalado. Ficamos andando de carro até que encontramos uma pseudo festa. Melhor do que nada. Era uma festa de aniversário de uma patricinha qualquer. Como somos caras de pau entramos sem convite mesmo e ninguém pareceu ficar incomodado. As garotas adoraram e uns garotos também.

_ Ta vendo aqueles caras ali? _ Perguntei apontando para um grupo que estava nos encarando.

_ Sim. O que tem?

_ Meu amigo, você está sendo comido. _ Respondi colocando meu braço no ombro dele.

_ Mas eu não sou gay. Não gosto de homens. _ Rebateu Scott.

Fiz biquinho e comecei a gargalhar.

_ Como pode dizer que não gosta se nem ao menos experimentou? _ Perguntei fingindo inocência.

Scott arregalou os olhos.

_ Você sabe que eu disse a verdade. _ Disse antes que ele começasse a falar dos sentimentos dele por Kira. _ Sempre achei o Liam perfeito para você.

_ Eu também. _ Respondeu tímido.

_ MEU DEUS VOCÊ É GAY? VOCÊ É GAY! VOU CHORAR DE EMOÇÃO. COMO ASSIM VOCÊ É GAY E FICARIA COM O LIAM, MAS NÃO COMIGO?

_ Fala baixo! Eu não disse que não ficaria com você e eu não sou gay. É que muita coisa mudou depois da morte da Alisson, você saber que ela é meu único amor. _ Explicou.

_ Eu sei.

Nós entreolhamos e concordamos em beber. Ele até que tentou, mas não conseguia ficar bêbado. Piada eterna.

Um dos caras chegou no Scott com um copo de bebida e o retardado aceitou. Depois tem a audácia de dizer que não é gay. Bebi um pouco e já estava me sentindo tonto. Meu celular vibrou. Mensagem do Derek. Derek? Será que tinha acontecido alguma coisa? A mensagem só dizia me ligue.

Eu iria ligar, mas não com aquele barulho infernal, acho que era uma música da Nick Minaj. Tem coisa mais gay? Avistei Scott conversando com o cara, ele fez contato visual e eu apontei para o meu celular e ele deu uma piscadela.

Sai da festa e fui andando até o meu jipe. Liguei para o Derek e ele atendeu no primeiro toque.

S: Aconteceu alguma coisa?

D: Sim

S: O que? O que aconteceu?

D: Venha até aqui que você vai saber.

O desgraçado simplesmente desligou. Mas que vontade de capar certo lobo.

Fui dirigindo nervoso. O que estaria acontecendo de tão grave assim? Cheguei ao prédio dele em menos de dez minutos. Fui pelo elevador e aquela maldita música ambiente estava me dando nos nervos. Quando o elevador abriu fui em disparada até a porta do Loft e bati com força na porta.

Derek abriu a porta, sem camisa. Que abdômen é esse?

_ O que aconteceu? _ Perguntou com tédio.

_ Como assim? Eu é que pergunto! _ Respondi nervoso. _ Você me ligou, lembra?

Derek pareceu lembrar.

_ Lembrei.

Fiquei esperando ele continuar, mas ele ficou quieto.

_ Então?

_ Não sei como dar banho no gato.

Respire, apenas respire.

Derek fechou a porta e eu sentei no sofá. O tal do gato estava lá. Era um gatinho muito bonito, mas estava sujo.

_ Não sabia que você tinha um gato.

Derek sentou no meu lado.

_ Eu o encontrei na rua hoje, faz alguns minutos. _ Disse acariciando o gatinho que começou a ronronar.

Que cena fofa.

_ Vamos dar banho nesse gato e você tem que preparar algo pra ele comer. _ Levantei e peguei o gatinho.

Derek suspirou.

_ Ta achando ruim? É melhor se acostumar, agora você é pai. _ Disse fazendo graça.

_ Tudo bem desde que você seja a mãe. _ Respondeu ele naturalmente.

Maldito. Eu e minha boca grande. Fiquei vermelho e levei o gatinho até o banheiro. Dei banho no gato e Derek comprou whiskas para o gato e uma pizza para nós. Conversamos bastante e nem dei conta que peguei no sono.

Notas finais
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