Notas iniciais
Capitulo surpresa, haha! Prometi a mim que só postaria depois que a Regina Phalange deixasse sua review para eu saber a sua opinião (é importante para mim, acreditem). Agora me deixa mais feliz é que agora saberei duas opiniões em dois capítulos. E isso é ótimo, haha! Ouça: Heitor Freitas - Um - ouça lendo esse cap ou porque simplesmente vale a pena, porque vale.

O interfone de Clara havia tocado ainda cedo. Helena dizia eufórica do outro lado da linha que quase tinham conseguido. Clara passou a mão na cabeça, se perguntando o que havia acontecido para tamanha emoção de Helena. Concordou que iria e foi voando para o quarto vestir uma roupa para que pudesse ir ao encontro de sua irmã. Colocou um short jeans, uma blusa discreta e foi ao encontro de sua curiosidade, desceu aproximadamente 3 andares para que chegasse ao de Helena. Desceu do elevador e foi imediatamente para a porta do apartamento de sua irmã, tocou a campainha e não demorou muito para que Rosa atendesse.

– Clara! Que bom que veio. – disse Rosa, contente, abraçando Clara. – Está todo mundo animado ali na sala.

– Como assim todo mundo animado? – contestou Clara. – Leninha me pediu para ir até ela mas não me falou para o quê.

– Então entre, minha filha. – disse Rosa, puxando Clara para dentro do apartamento. – Você ficará extremamente feliz quando souber da notícia.

Clara andou em passos lentos na direção de Helena e Virgílio, que permaneciam sentados em sua mesa com papéis distribuídos sobre ela. Pareciam contentes com o resultado que Clara não sabia qual era, quando a viram Helena saltou da mesa e correu em sua direção lhe dando um abraço muito apertado, do qual nunca havia recebido antes.

– Nós conseguimos, minha irmã! – disse Helena agarrada ao pescoço de Clara, que tentava manter o equilíbrio.

– Conseguimos o que, Leninha? – disse Clara se desprendendo dos braços da irmã.

– Nós conseguimos. – repetiu Helena. – Tá, quase conseguimos. Faltou muito pouco.

– Calma. – disse Clara. – O que exatamente nós conseguimos?

– O dinheiro que precisávamos para a cirurgia do Cadu. – disse Helena, eufórica e sorridente.

– Não brinca! Meu Deus, como assim? – disse Clara, perplexa ao saber da notícia e se sentando no sofá mais próximo enquanto tentava esconder o que sentia.

Em pleno êxtase diante da notícia surpreendente que abarcou uma miríade de sentimentos eufóricos, Clara encontrou-se distante em sua própria serenidade inquieta. Por breves instantes, mal pôde estar presente fisicamente para ouvir o que as pessoas ao redor diziam, sua alma estava contagiada pela alegria e a consumiu naquele momento prazeroso e, de certa forma, esperado.

Ao recobrar os sentidos, Clara tornou a prestar atenção nas palavras de Helena, que estava transbordando em vitalidade desencadeada pela esperança, como todos ali presentes.

– Sente-se ao nosso lado, Clara. Você precisa ver isso de perto. – disse Helena, apontando para a papelada que repousava sobre a mesa. – Virgílio, aproxime-se também. – finalizou. Clara mal acreditava na quantia de cheques e envelopes que via ali.

– Nossa! Que incrível, quantas pessoas se empenharam em nos ajudar? Há muita disposição envolvida nisso tudo. – disse Clara, avaliando quantia por quantia, surpresa.

– Eu disse que você ficaria feliz. – afirmou Helena.

– E esse cheque aqui? – perguntou Clara, ao observar um número aparentemente superior aos demais cheques que estavam na mesa. Clara aproximou o cheque e conferiu o valor: R$ 160.000,00.

– Marina? – exclamou Clara, mudando rapidamente de semblante ao demonstrar inevitável surpresa.

– Marina? – questionou Helena. – A fotógrafa?

– Sim. – disse Clara, constrangida sem saber o que responder.

– Vocês ficaram bem próximas, né? – questionou Helena novamente. – Que bom que ela foi solidária nesta questão, acho que a comoveu, pelo visto.

Antes que Clara pudesse responder, a campainha do apartamento de Helena toca. Rosa, que ainda estava contente com a notícia do arrecadamento da festa de Cadu, demorou a se tocar que havia alguém na porta.

– A porta. – comentou Virgílio para Rosa.

Rosa voltou rapidamente à sua consciência assustada, de um transe de felicidade para a realidade. Foi até a porta e abriu-a, recebendo do outro lado Juliana. Ela abraçou Rosa e foi até o centro da sala, onde todos estavam, com um sorriso contente no rosto e não permitindo que a conversa de Clara e Helena se prorrogasse. Juliana deu um apertado abraço em Clara, que o devolveu no mesmo instante.

– Que bom que vocês conseguiram! – disse Juliana, eufórica. – Eu sabia que conseguiriam.

– Graças a Deus, tia. – suspirou Clara após deixar os braços de Juliana. – Graças a Helena, tudo ocorreu bem.

– Que isso, Clara. – disse Helena, tímida. – O Cadu é da família, eu ajudaria de qualquer jeito.

Não demorou muito para que Helena se retirasse da conversa para nos oferecer um café. Saiu, deixando apenas Juliana e Clara em uma conversa que aparentava ser privada.

– Eu preciso falar com você. – sussurrou Clara para Juliana.

– Eu também preciso. – disse Juliana no mesmo tom. – Fiquei sabendo que você levou a Marina para a festa do Cadu. Você está louca, Clara? Você não pode misturar isso com a sua vida pessoal. — Juliana olhou para trás para se certificar de que Helena não estava ouvindo. – Existe alguma relação entre vocês?

– Não, tia, claro que não! Pelo amor de Deus! – disse Clara, reativa. – Nós conversamos e nos conhecemos melhor, só isso, somos apenas amigas.

– Não, Clara. O que é isso? Não estou te julgando. – disse Juliana com a mão sobre o peito, como se não culpasse Clara por nada. – É que até mesmo eu tive dúvidas com a Marina, ela é absurdamente sedutora. Bem, você sabe, já deve ter reparado os olhos dela.

– Eu sei que eles devoram, tia, mas eu não caio nesse tipo de armadilha. – disse Clara, confiante. – Eu só quero o endereço dela para... – Clara fez uma breve pausa para pensar em uma desculpa. – agradecer.

– Agradecer pelo o que, Clara? – questionou Juliana.

– A doação que ela fez para o Cadu. – comentou Clara, desinteressada para que Juliana não prorrogasse a conversa e não demorasse a passar o endereço.

– De quanto? – questionou algo que Clara temia.

– Não sei, tia. Não me lembro. – Clara fez a perdida, como se fosse possível se esquecer daquela quantia. – Você não vai me passar o endereço?

– Ah, está aqui. – disse Juliana pegando o celular da bolsa e enviando o endereço à Clara por mensagem.

– Obrigada. – disse Clara se levantando e dizendo a todos que iria se ausentar um pouco e que voltaria em breve, mas que seu celular estaria à disposição caso precisassem dela. Saiu do apartamento antes que fizessem muitas perguntas, não saberia muito bem o que responder caso ouvisse alguma delas. Iria ao encontro dela, não era possível ignorar os fatos. Clara suspirou diversas vezes no banco traseiro do táxi enquanto ele seguia em direção ao destino que seria a casa de Marina.

Preocupada demais com a provável discussão que teria com Marina posteriormente, Clara não reparou que adentrava em um bairro nobre. A imersão em seus pensamentos cessou-se imediatamente quando a voz distante do taxista a despertou para a visão de uma luxuosa moradia imponente. Pagou a corrida e se retirou do carro, dirigindo-se à campainha de Marina. Tocou-a, esperando uma resposta que logo surgiu em sua frente. Após o portão se abrir, Clara se deparou com a ruiva que acompanhava Marina em sua exposição quando a conheceu. Vanessa se lembrou Clara.

– Você deve ser uma das modelos. – disse Vanessa, puxando Clara pelas mãos portão adentro.

Enquanto Clara era guiada por Vanessa, encantou-se com as plantas frondosas que propiciavam um vigor inerente ao porte do local, que possuía diversos equipamentos fotográficos posicionados aleatoriamente. E a piscina, claro, que mais parecia a extensão da mais cobiçada fonte rejuvenescedora dos contos que se lia na infância.

Clara se tocou que estava cada vez mais próxima da porta da casa, quando Vanessa a abriu.

Marina encontrava-se no andar superior e, ao ouvir a porta se abrir, desceu as escadas correndo cautelosamente ao encontro dos que chegaram com aparente pressa. Vanessa, agindo apenas conforme manda o figurino e desconhecendo quem acabara de trazer para dentro da mansão, finalmente introduz Clara à Marina.

– Ufa, aqui está ela, Marina. A sua modelo atrasada. – disse Vanessa sem ter a mínima idéia do que fazia.

– Clarinha? – exclamou Marina, surpresa. – O que você veio fazer aqui? Já estava com saudades?

– Você já conhece a modelo? – questionou Vanessa.

– Ela não é modelo, Van. – comentou Marina para Vanessa.

– Ai, bem que eu percebi. – disse Vanessa de maneira rude, fazendo Clara franzir o cenho em forma de desaprovação. O telefone toca, dispersando a atenção de Vanessa. – Olha aí, deve ser a modelo. – Vanessa se retirou da conversa deixando Marina e Clara a sós.

– Você não quer subir, Clarinha? – perguntou carinhosamente Marina, feliz com a surpresa de Clara.

– Nem vem, Marina. – disse Clara, intolerante.

Marina se assustou ao perceber que a dona de casa estava intolerante por algum motivo e imaginou o que era, então pediu para que subisse com ela para que pudessem conversar melhor sobre os planos que Clara nem imaginava que Marina possuía em sua mente. Ao chegar ao andar superior, Marina convidou Clara a se sentar em uma poltrona próxima à cama, enquanto fazia o mesmo sentando-se em outra ao seu lado.

– Suponho que já tenha visto o cheque. – disse Marina calma, acomodando-se em sua poltrona.

– Você me disse que o dinheiro não ficaria entre nós novamente, está se contradizendo. – Clara disse nervosa para Marina, como se brigasse com alguém que amasse e se arrependesse no mesmo instante. – Eu não sei até qual ponto posso confiar no que você diz.

– Eu não vou me desculpar por ser boa com você. – disse Marina no mesmo instante.

– Você não pode doar R$ 160.000,00 para uma pessoa que nem conhece, Marina. – repudiou Clara. – Você pagou praticamente todo o transplante do meu marido.

– Eu sei. – comentou Marina tranquila, como se tivesse planejado algo. – Faltaram R$ 60.000,00. – e de fato, havia.

– Como você sabe disso? – questionou Clara.

– Porque eu sei onde eu invisto o meu dinheiro. – professou Marina. – Toda a minha doação teve como objetivo uma coisa. – concluiu.

– O quê? – Os olhos de Clara fitavam o olhar pesado de Marina.

– Trabalhe para mim. – disse Marina em tom exigente.

– Trabalhar para você? – Clara mantinha um ar duvidoso. – Por que eu trabalharia para você?

– Porque é melhor do que ficar se prostituindo emocionalmente por aí. – sinceramente disse Marina.

– Como ousa? – Clara se irritou profundamente e buscou sua bolsa com o intuito de ir embora. – Eu não vou trabalhar com você. E também não preciso desse dinheiro.

– Claro que precisa. – disse Marina em um tom severo. – Você não vai deixar o seu orgulho matar o seu marido, vai?

– Você está fazendo chantagem emocional? – disse Clara, desacreditada.

– Se for preciso para você trabalhar aqui, farei com o maior prazer. – disse Marina, afrontando Clara.

– É o melhor que você pode fazer? – provoca Clara, destilando ironia.

Marina cruza os braços e se contém. Aparentando a mesma calma de sempre, respira fundo e olha Clara diretamente em seus olhos.

– O melhor que eu posso fazer é lhe oferecer a oportunidade de tornar seu dinheiro transparente. Trabalhando para mim, terá um emprego digno que servirá de fonte limpa para arrecadar a quantia restante para a cirurgia, assim você prestará satisfação a qualquer um sem esconder o que faz. Ou ainda prefere se proteger atrás do seu orgulho e ainda por cima ficar de rabo preso? É esse o melhor que você pode fazer, Clara? Responda-me você, então.

Clara estava atordoada demais para responder no mesmo instante, ela sabia que era verdade e se limitou ao próprio silêncio pois não gostaria de admitir aquilo prontamente. Desviou seu olhar do de Marina e soltou um longo suspiro. Guardou o cheque de R$ 160.000,00 na bolsa e se deixou vencer pelos argumentos. Olhou para Marina com desaprovação e se retirou do quarto descendo as escadas rapidamente. Marina acompanhou Clara até a saída, abriu a porta e se retirou quando Marina disse suas últimas palavras: espero você na segunda.

Clara olhou para trás enquanto ia embora, fitando os olhos de Marina ferozmente. Dessa vez era Clara que a devorava. No fundo ela sabia, estaria de volta na segunda.

Desejando. Inconscientemente.

Notas finais
Gostaram? O que achou do desenrolar da relação de Clarina? Eu estou curiosa, quero saber ;P Beijos e até a próxima! ;)