Notas iniciais
Olá gente, como o Nyah ficou fora por um tempo, comecei a postar está história no Anime Spirit também. O nick: yurilovelyclub (porque é diferente do daqui). E como eu já tinha escrito cap 2 e 3, vou postar aqui de uma vez só. Este capitulo muda um pouco todo o sentido da história e entra para o meu ponto de vista. A partir daqui podemos ver os acontecimentos se distanciarem um pouco da história original. Mas prometo que não vou fazer o casal Clarina ser bastante intenso. Obrigada para quem está gostando e acompanhando a história, mesmo que não comente (apesar que adoraria saber sua opinião). Aconselho ouvir: Milky Chance - Down by the River

O despertador estava tocando como um sino de igreja. Clara ouvia aos poucos o som se aumentar conforme sua consciência vinha a tona. Cadu entrou pela porta do quarto do apartamento onde moravam, com a escova de dente na boca como de costume frequente entre dois. Clara viu a cena de Cadu entrar e deu uma batida forte no despertador ao seu lado como se ele fosse o grande causador da destruição dos seus sonhos, e voltou a se enrolar na coberta. Cadu entrou no banheiro e voltou, após ouvir a força com que Clara batia em seu despertador favorito.

– Meu Deus. – riu Cadu. – Quanta violência. – falava abafado graças a toalha que enxugava seu rosto.

– Aí Cadu. – começou Clara. – Já disse para jogar está porcaria fora. Me deu um baita susto. – murmurou.

– Mas ele é o único despertador que te acorda, amor. – falava Cadu, como aqueles meninos de 6 anos que tentavam explicar o óbvio da história do seu Game favorito para sua mãe. – Você tem que tratar ele bem.

– Vai sonhando Cadu. – olhava Clara de canto de olho. – O que depender de mim, esse despertador é jogado fora hoje mesmo.

– Nem pensar. – Cadu vestia sua roupa todo desengonçado enquanto nesse meio tempo, tentava colocar seus sapatos. – Falar nisso... – olhava para Clara tentando manter o equilíbrio. – Eu vou levar o Ivan pro colégio hoje.

– Finalmente né, Cadu? – disse Clara revirando os olhos e colocando as mãos para cima como se tivesse sido abençoada por um milagre. – Já estava na hora de você ter essa iniciativa. – lamentou.

– Uai – Cadu se senta na ponta da cama, após perder a guerra do equilíbrio com seus sapatos. – Quando faço você reclama, quando eu não faço você também reclama. Qualé a tua? – falou do seu jeito fofo com seu corpo inclinado para chão amarrando o sapato.

– Eu quero que você pague as contas, Cadu. – disse Clara com a voz suave e brincalhona dando um pequeno empurrãozinho em Cadu com as pontas do pé. – Falar nisso... – disse Clara como se acabasse de lembrar de algo importante. – Você pagou a conta da luz?

– Eita... – Cadu colocou a mão na testa como se tivesse acabado de cometer um grande erro. – Eu esqueci amor. – Se encolheu fazendo um cara de arrependimento antes que Clara o desse um esporro. – Desculpa, mas eu pago na volta da escola do Ivan. – subiu na cama e agarrou Clara, arrancando dela, graciosos beijos apaixonados por cima do cobertor.

Clara se entregou aos braços do marido. Sempre o beijava com a mesma intensidade de quando se beijaram pela primeira vez. Eram novos, indecisos, porém apaixonados. Após as aventuras passadas pelo corpo de Cadu, Clara desvinculou-se do amado correndo em direção a porta do banheiro, antes que prologassem aqueles beijos e não conseguissem se soltar mais.

Fechou a porta do banheiro e olhou-se no espelho desejando a si, um bom dia. Clara mantinha sempre uma mente positiva em relação a tudo. Um pouco de convivência com ela seria possível ver isto facilmente. Sorriu como se desejasse os braços de Cadu e correu para o chuveiro. Abriu o registro e sentiu aquela água morna correr como cascatas em suas curvas e perdeu o pensamento no mesmo instante.

Não demorou muito para que sua mente voltasse na noite anterior. Aquela exposição magnifica e olhar da fotografa que havia insistido em perceber sua presença. Clara soltou um sorriso tímido pelos ventos, ao lembrar dos olhos de Marina e a grande obsessão que qualquer um teria de olha-los. O convite ainda era um proposta absurda, mas a curiosidade sobre a Marina tomava todos os rumos do box e dos pensamentos. Quem era ela no mundo, além da rica fotografa internacional que possuía a intensa facilidade de conduzir as pessoas a gostarem dela.

Após longas demandas de pensamentos, Cadu bate na porta do banheiro acabando com o grande monologo criado na cabeça de Clara sobre os mistérios de vida. Avisou que Juliana estava esperando por ela na sala de jantar e que já estava saindo para levar o Ivan para colégio. Clara concordou que já saia enquanto se enrolava na toalha tirando a toca do cabelo, evitando ele de ter sido molhado. Secou seu corpo calmamente, apesar de ter sua Tia na sala. Olhou por alguns segundos para si mesma no espelho e saiu do banheiro indo na direção de seu guarda roupa. Vestiu uma calça escura combinando com uma blusa semitransparente preta. Voltou para o banheiro e fez sua maquiagem rotineira e depois voltou a penteadeira para buscar seus grandes brincos de costume e foi em direção a sua Tia.

Quando Clara chegou na sala, já foi recebida com um grande abraço. Juliana era Tia de Clara que mais causava tumulto na família e estava passando por uma longa crise de relacionamento com o seu tio e amigo, Fernando. Mas para superar tudo isso, Juliana sempre arranjava alguns freelancers alternativos para trabalhar de vez em quando.

Juliana possuía um corpo esguio e um aparência abatida. Sempre parece estar preocupada com alguma coisa ou criando algum tipo de paranoia. Tem um olhar piedoso de quem aclama por sentimentos correspondidos. Vestia um vestido azul com um leve decote elegante e se acomodava no sofá enquanto Clara fazia café para as duas colocarem os papos em dia.

– Você está sumida. – disse Juliana.

– Estou não Tia... – dizia Clara enquanto procurava duas xicaras no armário. – Eu não tenho nem a desculpa para te dizer não é? Eu sou dona de casa né tia. – comentou. – Eu tenho que cuidar da casa, do Ivan do Cadu, que parece uma criança também. Está complicado. – disse depositando o café na xicara em sua frente enquanto Juliana ainda permanecia sentada.

– Mas o Cadu não é mais criança Clara. – comentou Juliana enquanto Clara se aproximava com uma bandeja a depositando encima da mesa de centro com as xicaras com café e oferecendo uma das xícaras para Juliana.

– Eu sei né Tia. – disse Clara sentando ao lado da Tia. – Hoje mesmo ele esqueceu de pagar as contas. Eu fico brava com isso sabe? Mas ele é um conquistador, eu nunca consigo ficar brava com ele por mais de cinco minutos. – lamentou Clara.

– Queria dizer isso em relação ao Nando. – disse Juliana depositando a xicara na pires após um gole de Café. – Mas vocês estão dando conta de pagar tudo?

– Estamos indo daquele jeito né? – Clara passa as mãos no cabelo como se fosse difícil imaginar o futuro em relação as contas. – Preciso de um emprego, isso sim. – disse Clara terminando o café.

– Bem, foi sobre isso que eu vim falar com você. – começou Juliana. – Eu estava aqui para te fazer uma proposta de emprego. – Juliana segurava a mão de Clara que a olhava esperançosa e feliz com a proposta.

– Eu adoraria, nossa... – Clara suspira como se sua Tia tivesse lhe dito o trecho de sua música favorita. – Eu adoraria trabalhar, eu estou precisando muito mesmo. Agora com essa de Cadu querer ser Chef de cozinha, as contas andam meio complicadas de ser pagar e... – Juliana interrompe Clara.

– Calma, calma... – Juliana encostou no ombro de Clara, que suspirou ao perceber como falava rápido sobre o assunto. – Esse é um emprego diferente dos outros Clara. – dizia Juliana como se procurasse as palavras certas para descrever a Clara exatamente qual era o trabalho.

– Diferente como? – perguntou Clara curiosa e surpresa.

– É... – começou Juliana. – Chamam o trabalho de P.E. – Juliana explicava para Clara que se concentrava fielmente no assunto. – 18,4% da população teve ao menos um episódio de depressão durante a vida. E a P.E meio que se designou disso. – explica. – E nisso tudo as pessoas começaram a se envolver cada vez menos com as pessoas. Por isso, a Classe A mundo a fora veio se isolando. A P.E começou na Europa e recentemente anda tendo bastante mercado no Brasil. Não é ilegal sabe? Talvez o P.E.C sim, mas o P.E não, são apenas pessoas sozinhas... – Clara faz uma expressão exuberante de quem não sabia nada e de que estava preocupada em saber.

– Eu estou preocupada em perguntar mas... – Clara dá uma pequena pausa na fala. – O que é P.E?

– Prostituição Emocional. – disse Juliana diretamente, fazendo uma careta como se já esperasse uma bronca vindo da sobrinha.

– Esse era o emprego imperdível que talvez me ajudaria? – disse Clara assustada com uma pequena alteração na voz.

– Clara, não é algo carnal. – tentou explicar Juliana. – É algo emocional. São pessoas que pagam para não se envolver.

– Não se envolver? – Clara não entendia. – Então porque eles pagam para ser amados?

– Eles pagam exatamente para isso. – Juliana mantinha a pose serena. – Algumas pessoas não conseguem se envolver com ninguém, talvez por antigos traumas, então pagam por carinho, por toque.

– Toque? – Clara questionou.

– Toque nas mãos. – disse Juliana. – É algo importante para maioria deles. Não todos, claro, mas a maioria ama quando tem as mãos tocadas. – Juliana sorri como se tivesse vivido a experiência. – Mas odeia abraços.

– Se desejam toque, porque não abraço? – perguntou Clara.

– Porque eles consideram abraço um envolvimento emocional que passa dos limites estabelecido por eles. – Juliana abaixou o tom de voz. – É o mesmo que beijar para prostituas. Elas odeiam.

– Mas não são pessoas ricas? – Clara se comportava como se uma dúvida gigantesca se plantasse em sua mente. – Acredito que pessoas ricas tem mais probabilidade de ter pessoas por perto para fazer isso, digo, sem precisar pagar, não é?

– Nem sempre. – explicou Juliana. – Existem até mulheres nisso. – Juliana olhou para Clara e sorriu. – A minha proposta para você, por sinal, seria um encontro com uma dessas clientes. – pegou nas mãos de Clara e olhou em seus olhos. – Pensei que como tem o Cadu, acho que ele ficaria triste por você fazer isso por um homem, então sendo uma mulher, deixaria as coisas mais fáceis.

– Você é louca. – levantou e levou a bandeja com as xicaras para pia e voltou-se olhando para sua tia. – Como você chegou a trabalhar nisso? – Clara andou e sentou ao lado de Juliana novamente, e segurou sua mão. – O Nando sabe que você esta trabalhando nisso? – perguntou Clara. – Vocês estão ruim de grana?

– Não Clara. – respondeu. – Eu só quero ser uma mulher independente. – comentou.

– É, você é louca. – Clara passou as mãos no cabelo. – Ser uma mulher não deixa as coisas mais fáceis Tia. – Olhou para suas mãos que pareciam nervosas. – Não deixa de ser uma espécie de prostituição.

– Mas essa paga maravilhosamente bem. – deixou em aberto a proposta, o que deixou Clara com cara de curiosa mas de quem não perguntaria. – 5 mil reais por encontro – comentou Juliana sem que Clara precisasse perguntar.

– Você é louca. – Clara passou a mão nos cabelos novamente e olhou para o horizonte observando os próprio móveis pensativa com a proposta.

Clara não confirmou nenhuma resposta para Juliana, mas continuaram a falar sobre outros assuntos, como família, amor e casamento. A visita não demorou muito após a proposta, que sua tia disse que teria até sexta para confirmar caso ainda quisesse o dinheiro.

A fim de tarde estava chegando e Cadu chega em casa um pouco mais cansado do que o habitual. Clara que terminava de passar uma vassoura na casa percebe que o marido não aparenta estar bem e vai e sua direção, já com um ar de preocupação rodeando sua mente.

– Cadu? – disse se abaixando na frente do marido que já estava sentado no sofá. – Você está bem?

– Estou... – falou Cadu ofegante e com a palma da mão aberta sobre o lado esquerdo do peito.

– Está nada Cadu. – disse Clara meio desesperada. – Você forçou demais né Cadu? O que foi? O Carro estragou de novo?

– Sim. – Cadu deu uma pequena risada que logo se transformou em uma feição de que as coisas internamente não estavam bem. – Clara...

– Sim? Cadu? CADU?!

Cadu perdeu a consciência nos braços de Clara.

Notas finais
Obrigada por estar acompanhando minha expressão nesta história e se quiser comentar o que achou, eu adoraria. E não esqueça de favoritar, caso queira acompanhar a história toda vez que for postado um capitulo novo. Beijos e até a próxima.