Foi Só Um Sonho.

3 Miocardiopatia Dilatada


Notas iniciais
Eu sei que está demorando um pouco para Marina entrar em cena novamente, é que eu tenho a necessidade de explicar detalhadamente os fatos para chegarem até ela, então não tem como evitar o senhor Cadu. Esse é mais um capitulo explicativo para os próximos que virão. De qualquer jeito eu espero que gostem. ;P Escutem: The Honey Trees - Moon River

O som da ambulância parecia uma orquestra bem organizada. Fazia um barulho destoante por onde passava. Os carros davam vez a sua voz. Clara sentiu no cheiro no hospital, um aperto repentino de que grandes bravatas viriam em direção ao seu coração. Segurava forte a mão de Cadu desacordado, enquanto o desciam com cuidado na entrada do hospital. Clara perdeu seu amado de vista, sobrando apenas o desejo de que tudo ficaria bem. A maca em que ele se colocava, saiu rapidamente adentrando a entrada de emergência do hospital onde seu irmão trabalhava.

Depois de longas delongas no hospital, Clara via de longe sua família toda reunida chegando como uma exercito da salvação. Chica, sua mãe, abraçou-a com muita força como se quisesse para ela, a dor que sua filha sentia, para que pudesse poupa-la.

Chica tinha cabelos castanhos curtos com detalhes repicados na ponta. Parecia ser bem mais jovem que sua idade lhe propunha. Se vestia formalmente e possuía uma elegância prevalente, aparentando ser uma mulher de bastante opinião.

Logo atrás veio sua irmã Helena, que demonstrava aparentemente uma enorme preocupação com a situação. Leninha, como gostavam de chama-la, era a irmã mais velha e que mais resolvia os problemas da família.

Leninha era a menina mais bonita do colégio e assim continuava em sua vida adulta, na adolescência passou por algumas tragédias pessoais no passado, mas mesmo assim, conseguia aguentar muita barra que colocavam nas costas dela. Seu cabelo era da altura do ombro e seu corpo era muito magro, porém bem estruturado. Possuía olhos bondosos de quem sabia escutar as pessoas muito bem.

Helena abraçou Clara com força, que evitava o choro em cada demonstração de afeto vindo dos familiares. Não demorou muito até que a esbelta doutora saísse por uma das portas com os resultados médicos de Cadu.

A médica era Silvia, velha amiga da família. Seu irmão era completamente apaixonado por ela, que no caso, era noiva de outro cara. Silvia não era de se ignorar, possuía curtos cabelos loiros um pouco acima do ombro e tinha um sorriso arrebatador. Tinha algo por trás do charme do sorriso dela que causava uma bela sensação de querer desvenda-lo. Sua feição era de uma pessoa preocupada, o que logo fez Clara entrar em um desespero profundo dentro dela.

– Temos boas e más noticias do Carlos Eduardo. – chamava o Cadu pelo nome sem nenhuma intimidade. – Qual vocês querem ouvir primeiro? – pediu Silvia.

– A boa, pelo amor de Deus. – disse Clara abraçada em Helena como se ela fosse um escudo contra noticias ruins.

– Cadu está bem e se recuperando. – disse a Silvia agora com um sorriso no rosto. – Mas existe um porém... – prevaleceu.
– Aí meu Deus. – Clara dizia respirando ofegantemente ainda se recuperando da notícia que Cadu estava bem. – Qual é o porém?

– Ela está bem agora, mas tem um sério problema ocorrendo com ele. – começou Dr. Silvia. – Cansaço, falta de ar e um edema no tornozelo surgem como os primeiros sinais clínicos de uma doença, muitas vezes, silenciosa. – falava Silvia deixando Clara cada vez mais assustada. – Cadu possui Miocardiopatia Dilatada.

– E o que é isso? – o olhar piedoso de Clara acertava em cheio Dr. Silvia.

– É uma que doença afeta diretamente o coração, fazendo com que ele “inche”. – explicou Silvia. – Essa dilatação dificulta o bombeamento normal do sangue para o todo o organismo e, consequentemente, leva à insuficiência cardíaca.

– E o que isso significa Dr. Silvia? – Clara aclamava por respostas.

– Cadu está em um estado avançado da Doença. – disse Dr. Silvia. – o que cria a ele uma necessidade de um transplante de coração.

– E quanto vai custar tudo isso? Eu quero meu Marido bem Dr. Silvia, pelo amor de Deus. – exaltava Clara.

– Olha Clara... – começou Silvia. – Tem a espera pelo coração compatível com o de Cadu. – pensou. – Mas tudo sai em torno de uns 150 mil.

Clara ouve a noticia e perde o apoio de uma das pernas assustando Helena que a segurava de um possível tombo. Helena a sentava enquanto Chica corria peara a cafeteria em busca de água. Não existia água no mundo, que tirasse a agonia naquele momento de Clara.

Silvia foi em sua direção para examina-la. Sabia do choque que a noticia causava em Clara, sabendo que ela poderia perder o Marido por não achar o órgão ou por não ter dinheiro para transplanta-lo. Helena abraçava a irmã que chorava em seus ombros.

Depois de algum tempo, Silvia pediu para que levassem Clara para casa, já que Cadu iria repousar no hospital e teria alta no outro dia bem cedo. Clara se esquivou da ideia, mas foi vencida, após ouvir os conselhos para descansar da irmã. Seguiu o conselho de Silvia e acompanhou sua mãe e Helena até carro para irem para casa. Toda a família de Clara, morava no mesmo edifício.

O caminho pelas ruas do Rio de Janeiro não foram nada fácil. Clara examinava o céu com um aperto no peito achando que seria a última vez que veria as estrelas sem ter como Cadu por perto. A ideia de perder Cadu para morte assombrava a cabeça de Clara arduamente. Ela iria ter que viver um mundo sozinha e cuidar do Ivan sozinha, que cresceria sem conviver com o pai. Cada ideia que se passava pela cabeça de Clara, era uma maratona de tortura que ela mesma propunha em forma de pensamentos.

Ao chegar em casa sentou no sofá e apoiou os braços nas coxas passando a mão pelo rosto cabisbaixa. Sentiu também, um grande aperto no peito. Clara sabia que teria que pensar rápido para buscar uma solução para resolver os problemas que ocorriam em torno dela. Helena tocou a campainha do apartamento e já abriu a porta tendo com ela Ivan, que corria em direção a mãe.

– Mãe. – disse Ivan correndo para os braços de Clara. – Como está meu Pai? – questionou.

– Papai está bem, filho. – disse Clara soltando Ivan do intenso abraço. – Ele só teve alguns problemas mais já está bem, amanhã ele está em casa.

– Viu, eu disse que seu Pai ficaria bem. – disse Helena passando a mão nos cabelos de Ivan.

– Eu sei Tia. – Ivan sorria.

– Agora vai escovar os dentes para ir dormir mocinho. – disse Clara para Ivan.

– Ok mãe. – Ivan beijou a bochecha de Clara e de Helena e logo saiu correndo para seu quarto deixando Clara com um sorriso estampado no rosto, apesar dos apesares.

– Ele é uma graça de menino. – comentou Helena.

– Sim, ele é minha vida. – rebateu Clara que já fazia uma feição preocupada ao se lembrar da situação que passava. – O que eu irei fazer irmã?

– Eu estava pensando aqui. – começou Helena. – Poderíamos fazer uma festa para arrecadar fundos lá na casa de leilão para o transplante do Cadu. – Helena segurava as mãos de Clara. – Posso pedir para começarmos o quanto antes, acho que é um começo.

– Seria maravilhoso. – Clara apertava a mão da irmã. – Muito Obrigada Leninha, eu não sei como te agradecer pela iniciativa. – dizia Clara já emocionada.

– Como se precisasse né? – Helena agora abraçava Clara. – Somos uma família.

Clara se despediu de Helena e caminhou até a cozinha para buscar um copo de água enquanto lutava com seus próprios pensamentos. Onde iria encontrar dinheiro para o transplante do Cadu? Iria ter que arrumar um emprego o mais rápido possível. Mas e o Ivan? Como se comportaria com a ausência dos dois Pais assim? O pensamentos de Clara eram arrebatadores. Mas algo surgiu em sua mente enquanto buscava no armário do quarto seu pijama: Tia Juliana.

Ao olhar para o relógio que tanto odiava e ver o horário, Clara foi em direção a saída do seu apartamento com passos curtos e sem fazer nenhum barulho para que não acordasse Ivan. Abriu a porta lentamente e na mesma velocidade a fechou. Encarou o elevador mas preferiu as escadas, quem sabe ela não faria Clara desistir da ideia. Na frente da porta do apartamento de sua Tia, Clara tocou a companhia e esperou por respostas. Barulhos vindo de dentro do apartamento fizeram Clara sentir um tremor nas pernas. A porta se abriu e era Juliana com cara de sono e ainda surpresa com a visita naquele horário da sobrinha.

– Clara? – disse Juliana observando a sobrinha apreensiva. – Aconteceu alguma coisa?

– Eu quero. – disse Clara como se tivesse criado coragem para falar aquelas palavras.

– Aquilo? – Questionou Juliana sobre a conversa que havia tido momentos antes com a sobrinha.

– Sim. – se decidiu Clara. – Eu quero.

Juliana sorriu.

Notas finais
Obrigada se chegou até aqui e se quiser comentar o que acha, eu ficaria absurdamente feliz. Se você está triste porque a Marina não apareceu ainda, calma, você terá uma overdose dela nos próximos capítulos, então, continue a acompanhar. haha, obrigada, beijo e tchau :*