Foi Só Um Sonho.
4 Quarto 504
Notas iniciais

Olhar Cadu naquelas condições ainda era uma tarefa difícil para Clara. Desde que Cadu voltou do hospital, tem se mantido em um descanso absoluto, recebendo apenas algumas vezes ao dia, a presença inusitada de Ivan com seus livros favoritos para ler para o Pai na cama.
Já era noite e Clara pediu para Ivan ir escovar os dentes e se despedir do pai que precisava descansar. Ivan beijou o rosto do Cadu agarrando-se em seu pescoço o que logo o fez ouvir uma bronca da mãe até a saída do quarto. Na volta, Clara fechou a porta e se deitou do lado do marido, já em uma longa blusa de beisebol branca no corpo e apagou as luzes, fazendo ouvir somente a respiração de Cadu depois de um tempo. Não demorou muito para Clara voltar a abrir os olhos e sair de mansinho da cama para o banheiro em questão de segundos. Fechou a porta com cuidado para que não fizesse barulho e encarou o vestido pendurado em um cabide na parede que parecia lhe sugerir um passeio, toda vez que ela o olhava. Clara buscou o vestido e rapidamente tirou a roupa que vestia para dar a ele sua vez.
Clara levou o vestido até o chão e foi subindo-o até que se modelasse em seu corpo. Com uma pequena dificuldade, fechou o zíper que dava finalmente o deslumbre completo que o vestido aparentava ter. Outra difícil descrição: Como o vestido caia muito bem no corpo de Clara. Parecia ter sido feito apenas para ela. Mas foi encontrado em uma loja de departamento popular. O vestido era preto e liso com alguns detalhes de renda que lhe caiam muito bem. Clara completou o look com um blazer também preto e um salto alto elegante. Seu cabelo obtinha detalhes ondulados e logo no pescoço um grandioso Maxi colar rose com spikes trabalhados e nas orelhas um Maxi brinco com banho de ouro, base navete preto com aplicação de strass cristal ao redor, pingente três correntes de quadradinho com aplicação de navetes pretos na parte inferior acompanhando em seu rosto um batom nude que dava um complemento e uma elegância inquestionável.
Clara segurou o salto e abriu o porta do banheiro apagando rapidamente a luz e foi em direção a porta do quarto nas pontas do pés. Olhou pelo vão da porta avistando Cadu que parecia dormir como um anjo e a fechou delicadamente. Foi a vez de avistar Ivan. Abriu a porta do filho e o viu também dormindo como um sonho bom, sorriu e fechou a porta. Agora era vez de abrir a porta da saída. Clara se encostou em uma das paredes e colocou seu salto alto e andou lentamente até a porta. Segurou a maçaneta e respirou fundo e contou até três. Ultrapassou a porta e sabia que a partir dali, alguma coisa iria mudar.
Já estava nervosa. Juliana estava no carro enquanto Clara sentava no banco do passageiro e logo assinava alguns papeis se apoiando no porta-luvas quando Juliana começou.
– Esqueci de dizer – disse Juliana pegando na bolsa antes de dar partida no carro um pacote fechado. – Helena não conseguiu falar com você e me pediu para entregar isto.
– Ah, já está pronto. – Clara pegou o pacote e colocou na bolsa que carregava. – São os flyers da festa beneficente que a Helena está fazendo na casa de leilões para o Cadu. – soltou um pequeno sorriso. – Acho que vai dar certo sabe, tia? Quero muito que dê.
– É notável o seu desempenho para tentar salvar Cadu- juliana observa o rosto de Clara sorrindo aos ventos- seu desempenho e nobre e seu esforço para ajudar ele também.
Juliana deu partida no carro e se entregou nas ruas do Rio de Janeiro. Estava começando a chover e Clara ficava preocupada se tinha fechado as janelas de casa. Clara era muito mulherzinha. Quando se deu conta, estava chegando ao um grande hotel luxuoso em que só de imaginar a diária, se implantava o medo aterrorizante em Clara. Quem poderia estar lá, que mulher com tamanho dinheiro gastaria com outra pessoa apenas por um pouco de afeto.
– É aqui? – perguntou Clara para Juliana enquanto ainda se deslumbrava com a vista do hotel vista de baixo.
– Sim é aqui – dizia Juliana estacionando o carro na vaga em frente do hotel e desligando o motor.
– Quem é ela? – perguntou Clara curiosa.
– Ela é quem você vai descobrir quando chegar na cobertura do hotel. – disse Juliana entregando a ela a chave de uma porta que aparentava ser do hotel que elas estavam. – Você vai chegar mostrar a chave pro hostess do hotel e ele vai simbolizar com a cabeça que sim, e vai apontar em direção ao elevador, você entra lá quieta e sai mais quieta ainda chamando o taxi já no elevador.
– Mas pra que tudo isso? – perguntou Clara assustada com tanta exigência.
– Descrição. – disse Juliana direta. – O dinheiro vai estar no balcão em um criado mudo do lado direito da porta em um envelope vermelho. – Juliana riu como se estivesse cometido um engano. – Não, não... esta do lado esquerdo, por que ela e canhota e fez exigências que o criado mudo estivesse do lado esquerdo da porta.
– Nossa que metódica. – concluiu Clara
Clara se despediu de Juliana e se retirou do carro e arrumou seu vestido caminhando em direção a entrada do hotel. Nisso percebeu que todos que entravam no hotel aparentavam ser pessoas de classe social bem elevada da vida rotineira dela. Entrou no saguão e olhou de longe o hostess do lado de dentro de um balcão. Tirou a chave da bolsa e nisso reparou que estava com os flyers da festa de Cadu na bolsa e se arrependeu de não ter deixado com a sua tia para depois lhe entregar. Clara mostrou para o hostess a chave que carregava.
O hostess olhou a chave a pontou para direção do Elevador. Era um cara loiro e alto com os olhos bem azuis e aparentemente discreto. Ao mesmo tempo que apontava a direção do elevador falava italiano com um senhor de terno e grisalho ao lado de Clara, que rapidamente saiu em silencio a espera do elevador. Olhou para chave que carregava observou que nela tinha um semblante que representava o números: 22 – 504. Quando o elevador chegou ao térreo observou todos os números que nele continha. E observou que número 22 era o último andar e que provavelmente o número 504 seria o número do quarto em que a misteriosa mulher estaria.
Clara contou cada andar a medida que o elevador fosse subindo até chegar o número 22. A partir do momento que passou o número 19, as borboletas no estômago de Clara começavam a aumentar. O que mais a incomodava era tentar achar sustentação pra tanto sentimento a muito tempo irreconhecível.
Ao chegar em seu local de destino, Clara desceu do elevador e reparou que havia apenas uma porta branca com número 504 com fechadura dourada em volta de um lindo papel de parede de anjos italianos e um bilhete escrito: “Entre, sente e finja que pode se apaixonar por mim”.
Clara não pensou muito e logo abriu a porta, quando entrou do lado de dentro do quarto, se deparou com um loft com janelas enorme a qual era possível ver boa parte do Rio de Janeiro. O quarto possuía lustres de cristais, uma cozinha americana, o envelope do lado esquerdo da porta e ela, sentada de costas para Clara e tomando o que aparentava ser de longe uma garrafa de Whisky. Clara observou e para se sentir a vontade, decidiu deixar a bolsa ao lado do envelope, quando deixa sua bolsa cair, fazendo os flyers da festa de Cadu se espalharem pelo chão. Clara rapidamente começou a busca-los com rapidez para que a mulher sentada não visse em seu encontro. Depois do pequeno acidente, Clara se levantou do chão se ajeitou e caminhou em direção a mulher misteriosa.
A medida que Clara se aproximava da mesa ia observando a mulher que nela estava sentada. Não era possível identificar muita coisa dela, a não ser a roupa e o dinheiro aparente. Tinha uma pele bem branca e era bem magra acompanhado de uma cabelo escuro ondulado e uma falta de interesse muito grande pela aproximação de Clara. Em momento algum, a mulher sentada demonstrou algum gesto de recepção a Clara.
Clara parou em alguns metro de distância da moça observou suas costas e encarou uma das cadeiras vazias em sua frente. Sem pensar muito, Clara se moveu e se sentou na cadeira que observava e sem saber o que fazer, já que era primeira vez que estava fazendo este tipo de coisas. E finalmente olhou para mulher em sua frente e seu jeito seguro de que estava fazendo isto apenas para salvar Cadu se desmanchou em questão de segundos. Aqueles olhos, misteriosos que ela admirou dias antes, estava sobreposto bem em sua frente enquanto tentava recuperar o fôlego da surpresa.
Marina estava absurdamente linda e...
Solitária.
Fale com o autor