Foi Só Um Sonho.
6 Me ver por dentro de ti.
Notas iniciais
O começo de tarde estava lindo no Rio de Janeiro. Clara olhava atentamente as pessoas minúsculas sobre a janela do apartamento. Sua família toda estava reunida em volta do Cadu animados com o leilão beneficente na Casa de Leilões de Helena. Clara oscilava sentimentos. Ao mesmo tempo que gostava de todos tentando ajudar Cadu, se preocupava também com seu estado de saúde. As pessoas não entendiam que ele não teria mais o pique de sempre, porque seu coração simplesmente não o deixava. Clara achava engraçado a maneira que Helena se articulava na conversa, ela era sempre tão ativa e a frente de tudo, que algumas pessoas chegavam a procurar problemas porque sabiam que Leninha daria conta deles por você. Perdida em pensamentos óbvios, só existia uma pessoa dona de todas as suas complexas piscadas de olhos, para a lembrar que está realmente enxergando tudo muito bem. Marina se prorrogou em sua mente desde a última visita. Invadiu a seu pensamento como se tivesse comprado um lote dentro de Clara. Fez uma linda e confusa casa e ali ficou.
Depois de grandes distrações, Clara resolveu se interagir de volta aos familiares. Era uma boa causa e estaria salvando Cadu, então teria que aguentar ver as pessoas perto dele quase o sufocando. Ao se direcionar a sala, para de imediato, ao perceber a entrada de sua Tia Juliana. Ver Juliana fez Clara ter um súbito ataque nas memorias novamente. Era como se enxergar Juliana lhe fizesse voltar ao quarto de Hotel com Marina dias antes. A sua confusão interna era um mistério, Clara não sabia porque era dona tantos pensamentos difusos.
Juliana veio em direção de Clara ao momento que a enxergou entrar em sua casa. Cumprimentou os familiares e logo acompanhou Clara até a Janela para que conversassem sobre a noite com Marina. Desde que foi ao seu encontro, evitou sua Tia Juliana por um tempo.
– Para de ignorar, eu sei que está fazendo isso. – disse Juliana para Clara que estava meio avoada.
– Eu não estou te ignorando Tia. – mentiu Clara.
– Clara... – suspirou Juliana. – Acredito que até o Ivan saberia mentir melhor que você. – lamentou Juliana.
– Ah... – os suspiros invadiram Clara. – Ok, eu estou mentindo. – lamentou.
– Eu sei que você não vai fazer este trabalho sempre. – cochichou Juliana para Clara. – Mas se você tivesse atendido minhas ligações teria ganhado mais dinheiro.
– Mais dinheiro? – Clara não sabia exatamente do que Juliana estava se referindo, provavelmente não sabia que tinha negado do dinheiro de Marina.
– A pessoa do seu último encontro... – Juliana se referia a Marina fazendo a feição de Clara mudar rapidamente. – Então... Ela quer outro encontro com você, ela disse que adorou estar com você. – disse Juliana contente com o feito.
– Ela disse? – Clara estava confusa. Ela havia saído do Hotel onde Marina estava da maneira mais trágica possível, com direito a tapa na cara. Será que Marina era uma dessas sadomasoquistas? Pensou Clara.
– Sim ela disse. – Juliana sorriu. – Pagaria até o dobro para ver você novamente.
– Eu não quero. – respondeu Clara de imediato.
– Como não? – Estranhou Juliana. – Não é possível que você não tenha gostado dela. Todo mundo gosta dela. – Juliana abaixou a voz como se fosse dizer uma curiosidade erótica para Clara. – Algumas meninas já chegaram a se apaixonar por ela nos encontros. – Juliana deu uma pequena risada discreta. – Mas ela nunca se envolve com ninguém. Até eu cheguei a suspeitar da minha sexualidade quando eu fiz meu P.E com a Marina... – Era possível ver Clara se arrepiar ao ouvir o nome dela. – Ela nunca pedi para ir com a mesma pessoa, nunca, e de repente, resolveu querer com você novamente...
– Eu não entendo. – disse Clara observando o chão como se ele fosse lhe dar todas as respostas para perguntas em aberto que Marina havia deixado em sua mente. – Como uma mulher como ela, linda, poderosa, rica e influente, que poderia ter qualquer coisa, faria algo como isso. – Clara estava pensativa quando encarou Juliana. – Se fosse só o dinheiro que Marina possuísse, seria tudo menos complicado de se entender. Mas ela possui aquele mistério e aquela beleza, que faz vida dela se tornar cada vez mais fácil. – Juliana observava com atenção a linha de pensamento de Clara. – Ela tem as 3 coisas que as pessoas mais procuram na vida, desde que veio ao mundo. – Clara levantou a mão fechada e levantava um dedo a cada palavra dita. – Beleza, dinheiro e juventude. – Clara estava com 3 dedos levantados enquanto encarava Juliana. – Então o amor, que é a quarta coisa e uma das mais importantes, se torna uma busca lenta e não imediata . Ela faz isso de P.E, porque não quer encontrar o amor da sua vida, porque ela achará que a vida dela não fará mais sentido algum se ela encontrar. Ela não vai ter mais o que procurar. – Juliana encarava arduamente Clara em seus pensamentos obtidos. – Não consigo por na minha cabeça de como uma mulher daquelas consegue negar o amor.
– É para isso que as pessoas recorrem a pessoas que fazem P.E. – explicou Juliana. – Clara é muito mais fácil para alguém como Marina se envolver com qualquer pessoa, mas ela não quer o envolvimento, não quer aquele cadeado que prende você em uma pessoa por tempo indeterminado. Pode ser um mês, pode ser sua vida inteira. – Juliana parecia por um segundo entender ao olhar Nando. – Ela quer o sentimento egoísta do amor diretamente. Ela não quer dar para receber, por isso optou por está situação. Ela pode ter um amor, mesmo que não seja verdadeiro e sabe disso. Ela não precisa se preocupar se vai magoar a pessoa ou não, então ela paga, porque é única coisa que ela pode oferecer sem que seja ela, é o dinheiro que ela tem.
– Juliana riu ironicamente. – Muitas pessoas recebem amor dessa forma e não sabem Clara, sejamos sinceras. Amor de mentira é o que mais existe por ai, a única diferença que pessoas como Marina sabem e preferem encarar esse, do que ter a experiência de ter alguém sobre seu controle. – Clara pensou por um segundo que Marina havia conseguido o que queria. Mesmo distante, ela conseguia se manter viva perto das pessoas, seja qual for a longitude que ela esteja.
– Eu não sei se quero encontrar com ela novamente. – Clara desviava os olhares para o horizonte. A presença de Marina era algo que a atingia em cheio. Era como se ela não tivesse força s o suficiente para conseguir fugir das estranhas sensações que Marina lhe causava.
– Ela disse que ficou com um colar que você deixou cair. – incentivou Juliana.
– Ah não... – Clara se lembrou da importância do corrente. – Era a corrente que eu havia ganhado do papai. – Clara lamentou.
– Então vá busca-la. – Juliana buscou sua bolsa e dela retirou um bilhete e entregou a Clara. – Este é o endereço do Hotel que você havia ido. É o mesmo Hotel o mesmo quarto e as mesmas regras. – explicou sua Tia. – Eu vou falar que você tem que resolver algumas coisas no salão de festa e você sai de fininho sem que ninguém veja. Ela está te esperando, falei que iria te convencer a ir ver ela para almoçarem juntas. – disse Juliana.
– Mas não tem como eu sair agora. – retrucou Clara. – Eu nem me arrumei e vai que Cadu ou Ivan precisem de mim... – Juliana interrompeu.
– Clara, só você olhar para sala que vai perceber que pessoas para cuidar do Cadu e do Ivan não irão faltar. – Juliana observou Clara olhar os seus familiares em volta de Cadu conversando entrei si sorridentes.
– Ok, eu vou, mas pela corrente do papai. – Clara pegou de fininho a bolsa e ela e Juliana caminharam discretamente até porta para sua saída imperceptível até o Hotel de Marina. – Mas péra... – Clara parou diante da porta. – Como você sabia que eu iria? – analisou Juliana. – Como sabia que eu não iria dizer não?
– Porque ninguém nega um pedido de Marina. – Sorriu e abrindo a porta empurrando Clara rapidamente para fora do apartamento. – Bom passeio! – Juliana fechou a porta do apartamento de Clara com um sorriso maléfico. Entendia aos poucos, o poder de Marina sobre qualquer pessoa.
Clara entrou no elevador e chegando ao térreo pediu para que o porteiro chamasse um táxi para ela ir ao encontro de Marina. Chegou a pensar centenas de vezes a cada segundo que passava da aproximação do táxi, que tudo que ela estava fazendo era uma má ideia. Olhou para si mesmo e estava diferente de quando Marina a viu. Estava simples, com uma calça jeans um scarpin preto, uma blusa branca básica, um dos seus colares e claro, um Maxibrinco que fazia sua aparência dar um diferenciada. Ao ver o Táxi na frente do prédio onde morava, foi em direção ao carro e entrou. Entregou o endereço para o taxista e já se perdeu sua concentração pelas ruas. Reparou cada pessoa que seus olhos encontravam a cada rua que o carro passava. Depois que conheceu Marina passou a analisar mais as pessoas. Estava proibida de se encantar com qualquer pessoa que não conhecesse. O egocentrismo de Mariana no último encontro tinha sido uma decepção muito marcante.
Chegando ao grandioso e chic Hotel, Clara pagou o táxi e saiu do mesmo, já se deslumbrando da arquitetura ao seu redor. Lembrou-se das regras de Juliana: Entre calada, saia mais calada ainda. Entrou no saguão do Hotel mostrou a chave do quarto para hostess e logo viu sua mão sinalizando o elevador. Era como tudo da última vez, só que sem o mistério de quem Clara encontraria. Entrou no elevador e apertou o número 22 e novamente deixou com que o frio na espinha a dominasse. Quando a porta do elevador se abriu, se deparou com a porta branca com fechadura a dourada com o número 504 no semblante. O bilhete desta vez estava sem exigências e sem urgências estava apenas escrito: “Apenas entre”.
Clara respirou fundo e ultrapassou novamente a porta. Ao abrir encontrou Marina encostada em um dos pilares olhando a porta como se esperasse sua chegada. Clara paralisou por milésimos ao reparar a forma que Marina a observava. Como se estivesse procurando mistérios silenciosamente na existência da Clara. Ou criando mais alguns. Marina foi até sua direção em sua calça jeans preta e uma blusa com a estampa escrita “Almadóvar, Kubrick, Allen, Trier e Tarantino”. Clara não fazia ideia do que isso significava, mas tinha certeza que ficava ótimo em Marina. Sua boca ainda era dona do tom vermelho que a dava um charme especial e dessa vez, usava um óculos de grau com a armação bem grossa e preta dando a ela um visual mais nerd e uma aparência jovial. Clara chegou a perguntar nos poucos segundos que analisava Marina como era possível tudo que colocassem nela pudesse ficar tão bonito. Seus cabelos mantinham a aparência de sempre.
– Que bom que aceitou o meu pedido. – Marina sorriu para Clara a desarmando rapidamente.
– Quem é você? – Falou Clara de modo direto.
– Posso te apresentar se quiser. – Marina soltou um sorriso tímido.
– Você é louca, não é? – Soltou Clara observando as cascatas de diamante negros que formavam os olhos de Marina.
– Só gostaria de me desculpar por aquele dia, fui prepotente e indelicada, me perdoe. – concluiu Marina um pouco tímida. – Não costumo fazer aquilo, então me Desculpe.
– Olha, meu dia foi meio ruim, minha vida andou piorando de uns dias para cá. – retrucou Clara fazendo o olhar de Marina se perder pelo quarto de Hotel. – Eu não sei com funciona essa sua personalidade louca. – Clara se irritou ao ver Marina se distrair no celular enquanto falava.
– Eu posso te mostrar um pouco de mim se aceitar almoçar comigo. – concluiu Marina e seus mistérios.
– A última vez que eu tentei jantar com você, foi uma tragédia. – rebateu Clara.
– Se rende, por favor! – Pediu Marina com uma carinha que sabia que Clara não resistiria.
– É apenas um almoço? – disse Clara desconfiada.
– Apenas um almoço. – afirmou Marina sorrindo discretamente.
Clara se rendeu. Marina pegou sua bolsa e finalmente guardou o celular que mexia atentamente enquanto falava com Clara. Marina abriu a porta de uma forma cavaleira para que Clara ultrapassasse e seguisse em direção do elevador. Esperaram o elevador enquanto Marina puxava assuntos superficiais sobre o dia. Clara respondia tudo com um certo receio. Estava esperando a parte egocêntrica de Marina aparecer. Mas era como se aquela parte dela fosse na verdade, algo forçado que Marina resolveu mostrar para Clara apenas naquele dia. Ao entrarem no elevador, Marina apertou 25, que era o terraço. Clara desconfiou mais continuou seguindo a fotógrafa.
– Acho que o restaurante fica para outro lado. – comentou Clara quebrando o silêncio quando a porta do elevador se abre e vê um longo terraço.
– Você havia mencionado algo sobre ter tido um péssimo dia. – Marina andou um pouco com Clara quando a mesma reparou um enorme helicóptero parado ocupando a maior parte do terraço. – Então resolvi te levar a um lugar especial.
– Uou! – Clara levou um susto ao ver que o havia realmente um helicóptero em sua frente e logo voltou seus pés no chão. – Isso é legal, mas minha mãe sempre me disse para não entrar em helicópteros com pessoas desconhecidas. – Clara tentava conter o sorriso ao ver o sorriso de Marina.
– Não se preocupe temos um plano de voo. – Marina mordeu os lábios na tentativa de não sorrir. – As pessoas saberão onde está. – Marina encarou os olhos de Clara. – Confie em mim!
– Eu não queria ser grossa mas... – Clara ainda encarava sem jeito Marina. – Porque eu deveria confiar em você? – questionou Clara.
– Olha, quando alguém se está na posição que eu me encontro, percebo que as pessoas são previsíveis. – Marina começa dizer observando atentamente Clara. – Não me lembro da última vez que alguém me surpreendeu.
– Ficou surpreendida porque eu sai? – Clara se referia ao fato de não ter ficado no encontro trágico da última vez que viu Marina.
– Sim. – respondeu Marina com um sorriso sem graça arrancando um sorriso segurado de Clara. – Não me lembro de alguém me envergonhar assim desde os tempos de colégio. – Marina ainda continuava tímida. – Mas me surpreendeu por você ser tão confiante e real. – Marina suspirou. – E detesto o fato que seu dia pode ficar ainda pior do que já estava, então deixe-me, por favor, tentar compensa-la. – Mariana sorriu tentando convencer Clara.
– É apenas um almoço? – Clara perguntou desconfiada novamente.
– Apenas um almoço. – Marina afirmou mais uma vez.
Clara embarcou no helicóptero sem rumo. Ela nunca tinha se aventurado muito pela vida. Conheceu Cadu nos tempos de colégio, desde então, privou seus olhos do mundo. Clara ficou surpresa ao passar pelo Cristo Redentor e lembrou que havia um mudo inteiro que ela ainda tinha que explorar. Passou a reparar Marina que não conseguia não registrar uma foto de cada lugar que passava. Era como se para Marina, o universo precisasse ser registrado pelo ponto de vista dela. Lá estava ela, em um dos seus possíveis personagens ou pior, como ela mesmo. Clara desejou por um tempo que a Marina que estava em sua frente fosse a de mentira, um personagem criado por ela mesma para controlar depois decepcionar e sim, que ela fosse aquela mulher desagradável dos dias anteriores. Era mais fácil para Clara, por algum motivo.
O Helicóptero estava pousando. Clara ficou apreensiva e nervosa quando sentiu sua mão sido tocada. Marina apertou sua mão sem dizer uma palavra enquanto olhava a vista pela pequena janela. Clara se sentiu aliviada
Ao pousar saíram do Helicóptero e caminharam para dentro de um grande prédio que parecia ter uma arquitetura maravilhosa. Quando perguntou a um dos homens que as guiava para lado dentro do prédio onde estavam se viu surpresa ao descobrir que estavam no Museu de Arte Sacra. Uma maravilhoso Museu de Angras dos Reis. Seguiu Marina que parecia saber cada detalhe daquele local. Ao entrar totalmente no museu reparou mil obras incríveis. Clara se distraiu um momento da presença de Marina e passou a reparar a obras em seu redor. Marina caminhou em sua frente e se posou em uma toalha espalhada no chão com uma cesta, típicas de piquenique, duas taças de champanhe e claro, o champanhe. Clara se sentou na frente de Marina, ainda impressionada com a situação.
– Sabe que vai estragar os meus passeios nos museus para sempre? – disse Clara tomando uma taça de champanhe depois de ter comido com Marina, um delicioso Camarão.
– Nessa época do ano, tem jeito melhor que melhorar um dia do que um passeio no museu? – disse Marina deitada de lado apoiando a cabeça em uma das mãos.
– Isso com certeza melhorou meu dia. – Clara se levantou e foi olhar uma obra próxima.
– O que aconteceu de tão ruim? – perguntou Marina, discretamente.
– Só coisas normais. – disse Clara observando Marina deitada. – A parte pior é que eu estava com pena de mim mesma. – lamentou. – Depois descobri que meu Marido pode morrer por causa de um câncer no coração. – Cruzou os braços. – E que sua vida depende de um evento beneficente que temos para ele hoje a noite. – Clara logo soltou um sorriso. – Até agora eu falando sobre meus problemas. – encarou Marina. – Me sinto a mulher mais egoísta do mundo.
– Bom, Clara. – Marina se apoiou no chão e levantou caminhando em direção de Clara. – Só porque você não está morrendo não significa que não existam problemas.
– Porque você está querendo fazer me sentir melhor? – falou Clara observando o rosto angelical e maléfico de Marina.
– Eu não ajudo as pessoas. – disse Marina sem jeito. – Vim de família rica, sou uma fotografa internacionalmente conhecida, mas quase nunca falo com ninguém, apesar de ser bem simpática, quase por obrigação, por causa da minha profissão. – Sorriu. – Então minha interação com as pessoas era basicamente elas me perguntando o que eu quero e buscando para mim. – desviou o olhar de Clara. – Como se eu não fosse uma pessoa, sim uma carteira.
– Você é um pouco mais macia do que uma carteira de couro. – Clara disse sorrindo arrancando um sorriso tímido de Marina.
– O que eu quero dizer é... – voltou a encarar a dona de casa. – Eu me sinto viva com você. – Clara soltou um suspiro assegurável de que não tinha mais controle de nada. – E eu te julguei muito da última vez que nos vimos então, esse é meu jeito de lhe agradecer e de me desculpar.
– Bom.. – Clara tentava segurar o bobo sorriso. – De nada.
– Não há de que. – Sorriu quando Clara suspirou e lançou um dialogo comovente.
– Você é o tipo de pessoa que eu gostaria de conhecer todos os dias. Para te contar como foi bom te conhecer no dia anterior. – Clara fazia feições de alguém que acabará de perder um grande jogo. – Você é tanta gente, que me surpreendo como posso ser capaz de gostar da maioria delas. – Clara que até então evitava olhar para Marina, se perdeu em segundos para seus encantos. – Eu não sei o que você tem Marina. Sua lagoa de mistérios promete afogar qualquer um que tente evitar não se tornar uma eterna curiosa sobre você. – Clara encarou Marina na região que a mais fragilizava. – Seus olhos não perdoam ninguém. – nem sua intensidade, pensou Clara logo em seguida.
Marina após ouvir as palavras de Clara, se aproximou da dona de casa, que ficava paralisada cada vez mais intensamente conforme a fotografa se aproximava. Quando se deu conta, suas respirações eram quase as mesmas, como se fossem conectadas por um ponto vital. Marina respirava com cuidado, leve, já diferenciando Clara, que respirava fortemente. Marina tocou o rosto de Clara e o aproximou. Suas bocas estavam quase juntas quando Marina a deu um beijo no canto da boca. Seus olhos devoradores estavam desligados. Clara fechou os olhos como se esperasse algo mais. Formando uma intensa tensão sexual quebrada por Marina.
– Deveríamos voltar. – disse Marina ainda sentindo a respiração oscilante de Clara.
– Não sei se quero. – comentou Clara sem pensar.
– Eu também não. – disse Marina passando os dedos na própria boca e encarando o chão. – Mas o que eu estiver sentindo agora, se alguma coisa acontecesse entre nós. – confessou Marina ainda desviando os olhos de Clara. – Não posso parar de pensar que vai se arrepender. – concluiu já encarando os olhos confuso da dona de casa.
– Você está certa. – disse Clara como se tivesse tinha um pico de falta de consciência moral.
Clara sentiu de imediato: Apesar do ar que respirava ter sido exalado também, pelo pulmão de Marina, estava se sufocando com a falta de ar e de controle que Marina tirava dela.
No final, ele recuperou a corrente que tanto gostava.
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