Notas iniciais
Olá a todos, vocês são o máximo, sabiam? Me incentivam a continuar essa história sempre, a review de vocês me tiram sorrisos maravilhosos. Obrigada por essa sensação de reconhecimento que vocês me transmitem toda vez que me dão suas digníssimas opiniões. Aliás, quero comentar sobre uma das minhas "comentaristas" favorita, que se denomina aqui, como ~Regina Phalange~. Ela criou também uma história de Clarina e quem tiver o interesse de ler, se sintam convidados. O nome da história é As Duas Faces do Amor. Você acha aqui mesmo no Nyah. Agora sobre o capítulo. Hoje, um capitulo meio Marina, meio Flanessa (Vanessa e Flávia), um pouco do lado da história pelo ponto de vista do universo da Marina, já que até então eu foquei bastante no universo de Clara. Gente, pelo o que eu estou vendo, essa fanfic vai demorar para acabar, haha, sintam-se felizes ou tristes, não sei. Mas pretendo acabar junto ou antes da novela. Veremos, de qualquer jeito, boa leitura!

A campainha do estúdio fotográfico toca. Vanessa, que estava distraída em uma montanha de papeis burocráticos, descansou sua mente por alguns segundos e se rendeu a abrir a porta. Ao abri-la, se depara com um entregador segurando um cabine com o que parecia ser uma fantasia. Vanessa olha para Flávia que coloca um pequeno sorriso tímido em seu rosto ao ver o modo de Vanessa ao se deparar com a cena em sua frente. Marina desceu rapidamente pela escada com um sorriso estampado no rosto e passou por frente de Vanessa, recolhendo o cabide da mão do entregador depois de assinar o papel, que o daria o direito da entrega e se despedindo do mesmo em seguida.

Vanessa observou Marina voltando as escadas para ir ao andar superior do estúdio, quando a interrompeu com algumas questões que rondavam a sua cabeça. Marina parecia alegre e descontraída. Típico de pessoas levemente alcançadas pelo fenômeno da dopamina. Já que que sem ela não alcançaria este estado de espírito. Pelo menos, não Marina.

– Você está chapada ou você realmente assinou um papel de entrega de uma fantasia sem sentido? – falou Vanessa ao olhar a fantasia por debaixo da proteção.

– Qual é o problema? Eu vou em uma festa fantasia. – disparou Marina sem rodeios.

– O problema, Marina, é que pessoas como você, vão em uma festa fantasia como uma princesa, não com uma fantasia como está. – Vanessa apontava para fantasia que Marina segurava. – Você está cada dia mais louca!

– É bom lembrar mesmo que eu posso estar possivelmente louca, porque aí, me faz lembrar porque raios eu ainda consigo conviver com você. – disse Marina com um tom rude na voz.

– Certo Marina. – começou Vanessa furiosa. – Convive lá com suas prostitutas emocionais, paga para elas, para ter um pouco de feição por você. Porque hoje em dia é bem difícil mesmo. – disse Vanessa. – Engraçado para passar uma linda noite sexual comigo, praticamente toda a noite, é possível a convivência. Mas tudo muda quando a Mariana decide que sua vida agora é receber afeto das pessoas que ela não conhece. Se eu ver alguém que pinte egocentrismo por ai, Marina, eu juro que vou apresentar há você.

– Meninas... – interrompeu Flávia se colocando no meio entre as duas. – Por favor não briguem!

– Não perderei meu tempo. – disparou Marina contra Vanessa e se pôs a subir as escadas com a fantasia na mão.

Flávia observou Vanessa se distanciar após ver Marina subindo as escadas, já com uma feição triste e desapontada que ainda conseguia fazer uma longa mistura com a raiva que sentia da situação. Marina entrou no quarto de maneira displicente e jogou a fantasia em cima da cama e se sentou em uma das poltronas que se encontrava próxima ao local. Flávia a acompanhou e observou pensativa, como se as pessoas não entendessem seu jeito de viver.

– Eu não entendo como as pessoas conseguem me julgar assim, de maneira tão intensificada. – comentou Marina para Flávia. – Sabia Flavinha, que existem pessoas que sentem um desvio sexual de uma intensa atração pelo aspecto leitoso da Via Láctea? – disse Marina.

– Eu não estou julgando você. – disse Flávia ouvindo os pensamentos avoados de Marina.

– Eu sei que não está. – falou Marina. – O nome desse desvio sexual é Galaxiafilia. – disse Marina soltando um pequeno sorriso. – Eu gravei para lembrar a mim mesma que eu não sou a única pessoa no mundo com gostos peculiares.

– Eu sei que não Marina, mas... – Flávia deu uma pequena pausa. – Ainda é difícil para pessoas entenderem como uma pessoa como você, tão bonita, tão interessante, perca seu tempo em amores fictícios.

– É tão simples como respirar, Flavinha. – disparou Marina. – Eu não aceito despedidas. – Marina sorriu. – As mãos são as mais usadas para fazer esse ato. Por isso pago apenas para sentir elas, para segura-las. – Marina olhou nos olhos de Flávia que parecia entender o sentido das coisas. – Eu consigo fazer delas, um sentimento de recepção, não de decepção. Por isso faço isso. Existe coisa melhor do que se envolver sem ter o perigo de se decepcionar?

– Mas com as mãos as pessoas também demonstram carinho e também tem o cafuné, que é uma delicia. – concluiu Flávia.

– É por isso que eu também me apeguei a elas. – admitiu Marina. – A mão que te fere pode ser também a que te cura. – Marina riu. – Você sabia que o “Cafuné” não tem tradução para as outras línguas?

– Você e sua paixão por coisas que não tem traduções em outras línguas. – ria Flávia.

– Eu sou um glossário. – Marina solta uma risada que descontrai o ambiente e completa. – De um jeito ou de outro a vida acaba se resumindo em amor e isso que me mata. E se eu simplesmente não querer resumir minha vida nisso? Será que a Vanessa não consegue se colocar na minha situação?

– Ela está presa a maneira que você pensava Marina. – disse Flávia calmamente. – Vocês namoravam, e ela ainda não superou o fato de você não fazer mais uma soma para ela. – comentou Flávia desviando o olhar, chamando atenção de Marina.

– Você sabe que eu sou uma grande apaixonada semântica, não sabe? – questionou Marina.

– Sei sim, eu aprendo contigo um pouco disso todos os dias. – Flávia dá um sorriso tímido. – Eu acho que nunca conheci alguém que tenha sempre uma palavra misteriosa para me mostrar.

– Existe uma que eu tenho muito interessante, que é: Iktsuarpok. – disse Marina.

Iktu... o que? – Flávia riu. – Que palavra complicada. O que significa?

– Pode ser Inuit também. – Marina riu ao ver Flávia tentar repetir a palavra. – É uma palavra do inuíte, região do Ártico na América do Norte.

– Que bacana Marina, adoro isso. – Flávia se empolgou se encostando perto da janela do quarto de Marina que dava a vista da piscina, onde Vanessa estava sentada, quando voltou a concentração com a curiosidade que a arrebatou os pensamentos. – Mas o que significa? – quando Flávia virou para observar Marina, percebeu que a mesma estava exatamente atrás dela, observando também, a mesma vista: Vanessa.

A frustração de ficar esperando alguém aparecer. – Marina encarou o rosto de Flávia que pareceu desmanchar uma face que escondia. – Você ama ela, não ama Flavinha?

– Amo. – Flávia parecia ter criado uma coragem maior do que ela para dizer aquilo em voz alta. – Mas o campo de visão dela só consegue focar em você, não existe ninguém mais Marina. – comentava Flávia parecendo estar incomodada.

– Mas isso não é justo. – Marina se lamentou. – Você viu porque eu repudio o amor? Ele tende ser assim, injusto.

– Mas Marina... – Flávia respirou e admitiu. – Seria muito difícil qualquer pessoa não se interessar em você. – confirmou Flávia. – Você é o tipo de pessoa que deixa qualquer sexo em dúvida. – Flávia riu meio tímida. – Competir com você no coração de Vanessa é se dedicar a uma causa perdida. Será que existe uma palavra no meio das suas semânticas que explique isso?

Won. – Marina observou Vanessa da janela do quarto. – Vem do coreano. Significa a relutância de uma pessoa em desistir de uma ilusão.

– Viu, além de bonita é muito inteligente. – sorriu Flavinha. – Eu até não me importo de perder para você.

– Não seja boba, Flavinha. – Marina sorriu e passou a mão no rosto da amiga. – Você não tem noção do teu potencial. – Marina sorriu e se lembrou de um dos fatos que havia comentando com a amiga horas mais cedo. – Lembrei, você fez o que te pedi?

– Fiz sim. – Flávia sorriu. – Fiquei feliz que se preocupe com essas causas, bacana da sua parte, Marina.

– Ah, obrigada. – Marina sorriu como se seu plano tivesse dado certo. – Não contou para Vanessa como eu te pedi, certo? – reafirmou Marina.

– Não contei, fique tranquila. – Flávia sorriu. – Não precisamos de outra briga de vocês por hoje.

– Por favor! – Marina levantou as mãos para cima e riu junto a Flavinha.

Flávia se despediu de Marina e foi resolver alguns problemas de clientes para o estúdio. Marina a observava sair e reparava nos seus detalhes como se fosse uma foto única. Flávia tinha uma diferente beleza, que chamaria atenção de qualquer um passasse por ela. Por várias vezes, Marina não entendia como Vanessa não havia reparado em Flávia. Sua pele pálida junto a suas madeixas pretas a davam um charme de mistério. Sua voz era rouca e continha um poder de sedução muito forte. Sua sobrancelha era um pouco mais grossa que as convencionais e era incrível como isso caia perfeitamente bem nos detalhes do rosto de Flavinha. Seus lábios? Uma total tentação que Marina ás vezes se pegava pensando. Fotografar Flavinha era seu hobby favorito. Sentia-se honrada em conviver com uma beleza daquela todos os dias.

Já era noite e Marina havia saído do banheiro já de calcinha e sutiã, distraída separando os acessórios que usaria para festa do flyer que Clara havia deixado cair na noite que havia se reencontrado com ela. Olhou para fantasia na sua frente e se pegou dando risadas, não acreditava que estava disposta a usar aquilo. Mas era importante para ela. Quando se questionou novamente, ao se ver entrando no carro depois de ver os julgadores olhares de Vanessa. Qual semântica combinaria para seu ato de ir ver Clara, daquela maneira. Quando pensou na palavra japonesa “Aware”, definia bem a sensação que até então, achava que não existia tradução.

O gosto agridoce de um momento rápido e evanescente de beleza transcendente.

Clara, Clara.

Notas finais
haha, eu sou apaixonada por semântica, precisava colocar essa paixão na Marina. Como eu sempre digo, nossos personagens sempre tem um pouco de nós. Capitulo que vem encontro de Clarina