Foi Só Um Sonho.

1 A maneira que você se move.


Notas iniciais
Todo capitulo eu recomendarei uma música porque eu acho que ficaria perfeito na trilha sonora que vem em minha mente. All I Want da banda Kodaline cairia muito bem nesta leitura. Espero que gostem do capitulo. Enjoy.

A exposição estava linda. Fotos penduradas em grande escala pelo salão todo. Garçons com taças de champanhe correndo contra o tempo, para chegar aos mais necessitados de álcool, que precisavam disso, para enxergar pelos olhos de Marina. Pessoas conversando sobre arte, sobre cultura, sobre os olhos dela. Era possível ver o olhar impressionado de cada pessoa apreciando as fotos tiradas por ela. Eram todas mulheres nuas, demonstrando em vários detalhes significantes, suas particularidades. Só quem tinha um olhar diferenciado das coisas da vida, podia sentir a intensidade de Marina.

O Brasil era aconchegante depois de sua longa temporada fora do País. Nada melhor do que rever aquela cultura única no mundo para ela. As praias, as pessoas sempre receptivas, a família. O Brasileiro, ou melhor, os cariocas, tinham uma presença que enxia o coração de Marina de alegria. Era na grande Rio de Janeiro, que Marina florescia seu coração.

Lá estava ela entrando em sua própria exposição. Aplausos preenchiam o som do grande salão, as pessoas a viam descer a grande escada que unia o segundo andar ao subsolo. Brilhante como um anjo em seu vestido branco que cabiam tão bem em suas curvas, que pareciam poesia aos olhos de quem via. Sorria com um sorriso avassalador a todos que a olhavam. Seu olhar era penetrante como um tiro. Não tinha uma pessoa sequer, que conseguisse escapar das armadilhas dos olhos de Marina. Sua pele transparente parecia de longe ceda, por alguns momentos, era possível sentir as pessoas querendo a tocar. Ela tinha a presença de algo genuíno. Seus lábios possuíam a cor vermelho de um batom que caia perfeitamente bem nela. Ela andava devagar pelo salão como se admirasse a ela mesma. Olhava suas fotografias com um olhar apaixonante, porque ela mais do que ninguém, sabia como era importante. Seus cabelos jogados todo para o lado de um ombro só, formando breves andulados nas pontas. Seu tom escuro de cabelo, fazia um contraste com sua pele que era facilmente notável a qualquer um que olhasse. A tiara estava muito bem colocada, era dourada e muito linda. Seu rosto era triangular e cheio de detalhes delicados. Quem apreciava arte, provavelmente comtemplaria Marina ardentemente.

Marina andava pelo salão enquanto ouvia cochichos sobre tua presença. Dos mais sábios aos meros entendedores da arte, todo mundo parava para ver Marina andar. Nem a música e um grande número de pessoas, era possível distrair os olhos daquela presença.

– A coisa está ficando boa, você está me levando até para ver exposição de fotos de mulher pelada. – disse Cadu dando uma risada safada enquanto olhava para as grandes fotos expostas pelo salão.

– Cadu, fica quieto! – pediu Clara. – Essa é uma exposição de uma grande fotógrafa, uma fotógrafa chique viu? – comentou com a voz baixa como se estivesse explicando o óbvio para Cadu e continuou. – Alguém pode ouvir essas besteiras que você fala.

A exposição era a mais comentada do fim de semana. Estava em qualquer noticia cultural do Rio de Janeiro. Marina parou em frente de uma de suas fotografias enquanto fazia breves poses para que os paparazzis tivessem conteúdo no outro dia. Os fotógrafos não sabiam na verdade se olhavam Marina pela lente da câmera ou pelos olhos. Marina penetrava seus olhos na lentes que a fotografavam de maneira exuberante, quando se virou de costas para os flashs posicionando seu rosto para direita e encostando seu queixo no ombro preparando mais uma pose charmosa para as fotos desviando o olhar, quando percebe de longe, uma presença que lhe chamou a atenção.

Sua atenção foi perdida. Seus sentidos estavam desorientados. A única coisa que conseguia sentir, além dos flashs em seus olhos, era fixação de olhar a mulher que estava ali, tão impressionada olhando ao alto as suas fotografias. Marina quis por um segundo que seus olhos tirassem fotos, só para memorizar aquele momento mais um pouco.

A mulher de que prendia sua atenção, parecia ser mais alta que Marina e com o típico bronze Carioca, de quem gosta de pegar um sol vez em quando, diferente de Marina que parecia uma tela de pintar, de tão branca. Ela tinha um sorriso cativante de quem adorava o bom da vida. Andava com elegância também, mas de um jeito mais solto, mais leve. Tinha longos cabelos castanhos e uma franja indefinida que criava a ela, um charme especial. Tinha um nariz bonito também, como sua boca e seu corpo, que mantinha as curvas brasileiras mais lindas que Marina havia enxergado. Totalmente diferente do teu corpo que tinham curvas delicadas. Dela não, era um corpo de uma mulher bem formada. Olhava tudo ao seu redor, como uma psicanalista que tentava desvendar os mistérios das outras pessoas. Era transparente, era visivelmente transparente. Seus sentimentos não pareciam ser algo desvalorizado. Mantinha um mistério duvidoso. “Parece ser uma pessoa tão simples, mas porque mantedora de tantos mistérios?” se passava na cabeça de Marina enquanto os flashs acertavam seu rosto, que mirava na direção da mulher.

Marina observava seu vestido longo branco com detalhes azul de longe. Ela não saberia dizer quais são os exatos detalhes do vestido que a mulher usava, porque não conseguia tirar os olhos de seu rosto. A mulher parecia conversar encantada com o rapaz que a acompanhava, que também, portava ser um homem muito belo. Seus cabelos eram puxado para um grisalho charmoso, parecia estar num período de amadurecimento. Possuía um rosto maduro com traços fortes e olhos sedutores. Sorria como um garoto bobo que gostava de brincar o tempo todo. Era alto e portador de um corpo bem definido, devia ser o garoto mais bonito, nos tempos de colégio e tinha muito em comum com a Marina. Ambos, desejavam a mulher em que olhavam.

Aquele instante parecia ter sido curto demais. Os olhos da mulher continuavam a percorrer pelo salão, quando finalmente se pousaram sobre os olhares diretos de Marina. Ela sorriu envergonhada ao ver que a estrela da noite estava a olhando diretamente pra ela. Jogou um sorriso ao vento que acertou em cheio Marina, que pareceu ainda mais curiosa ao ver que mesmo envergonhada, ela voltou a encarar Marina de volta, enquanto o rapaz que a acompanhava, falava sozinho sem perceber.

Marina ignorou os flahs que ainda vinham em sua direção e voltou-se a andar em direção a mulher que a olhava, como cada piscada que seus olhos dessem, fosse um convite para sua chegada. A mulher ficava nervosa a cada passo que Marina dava, se aproximando cada vez mais do casal. Quando a ruiva surge na frente de Marina fazendo seu plano de chegada ser cancelado.

– Onde você pensa que está indo Marina? – disse Vanessa grudando em seus braços e a virando ao lado contrario e disfarçadamente olhando entre os ombros em direção da mulher que Marina observava.

– Quem são eles? – perguntou Marina ainda distraída.

– Não sei, devem ser pessoas como qualquer outra né Marina. – disse Vanessa. – Rio de Janeiro inteiro está sabendo desta suas exposição, faz tempo que você não expõe no Brasil.

– Quero conhecer. – disse Marina de imediato.

– Qual dos dois? – questionou Vanessa.

– Os dois Van. – disse tentando disfarçar seu real interesse. – Os dois são lindos e contagiantes.

– Ai. – lamentou Vanessa. – O que eu não faço por você, né, Marina. – virou-se em direção a mulher e começou a andar ao lado de Marina até ao casal. – Me acompanhe.

Marina acompanhou a ruiva em direção ao dois. Vanessa estava deslumbrante também. Qualquer pessoa se sentiria atraído por Vanessa ali. Marina costumava a se sentir atraída por ela. Depois de um longo período de namoro e brigas, decidiram para que não houvesse suicídio emocional entre as duas, deveriam ser apenas amigas. Na verdade, Marina havia decidido isso.

Vanessa vestia um vestido preto todo brilhoso e que combinava com seu corpo magrelo, mas totalmente proporcional a ela. Era também, um pouco mais alta que Marina. Seus cabelos ruivos chamavam atenção de todos. Eram naturais e continham cachos adoráveis. Ela tinha um olhar julgador e com aspectos de uma pessoa sempre com o pé no chão. Vanessa não costumava sonhar muito. Desconfiou de seu interesse pelo casal. Conhecia Marina mais do que todos. Ela jamais incentivaria a si mesmo conhecer alguém, se não fosse algo que tivesse chamado sua atenção.

Vanessa parou na frente do casal acompanhada de Marina. O rapaz bonito continuava distraído no corpo das fotos expostas, enquanto a mulher e Marina trocavam olhares intensos que nem ao menos elas entendiam direito. Vanessa então deu dom da palavra.

– Boa noite. – começou Vanessa. – Eu sou a Vanessa e essa aqui... – apontou para Marina que ainda encarava a mulher, a deixando sem graça. – É a Marina, a fotografa das obras que vocês estão vendo hoje a noite. – finalizou sorrindo. – E Quem são vocês? – perguntou Vanessa de maneira curiosa e direta.

– Olá. – respondeu o rapaz fazendo a mulher ao seu lado sair do transe que os olhos de Marina causava.

– Olá, eu sou Clara. – disse desviando seus olhos para Vanessa e interrompendo-o soltando um sorriso simpático e tímido, agarrando os braços do rapaz ao seu lado. – Este é o Cadu, meu marido. – sorriu evitando olhar novamente para os olhos intensos da fotografa.

– Vocês formam um belo casal. – comentou finalmente Marina, fazendo Clara a olhar novamente. Clara tentava o máximo que conseguia, mas era impossível não ver que seus olhos brilhavam ao olhar para Marina que sorria simpaticamente correspondendo o momento muito bem.

– Suas fotos são lindas, eu estou encantada. – disse Clara para Marina que apenas sorria como se seu corpo estivesse encantado pela presença de Clara.

– É verdade. – disse Cadu. – Muita mulher bonita. – comentou fazendo Marina sorrir com sua simplicidade.

– Lindas mesmo. – e completou. – Lindas e únicas porque toda a mulher é única. – sorriu e logo deu um jeito de encontrar os olhos de Clara que também não parava de olha-la.

Cadu puxou o celular do bolso e se afastou um pouco de todos para que não fosse desagradável conversar mexendo no aparelho. Vanessa fez o mesmo logo em seguida, só que para cumprimentar um dos patrocinadores da exposição. Deixando Clara e Marina a sós pela primeira vez.

– Você é linda. – não hesitou Marina.

– Ah, que isso. – disse Clara abaixando a cabeça e soltando um sorriso tímido com o elogio. – Nunca. – deu uma risada. – Olha para você, parece uma boneca.

– Não, é sério. – Marina começou soltando um sorriso alegre. – você é realmente muito bonita. – Fez um pequena pausa e observou Clara mais atentamente.

– O que? – perguntou Clara confusa.

– Você deveria posar um dia para mim. – comentou Marina acompanhada agora de uma taça de champanhe que havia pego de um dos garçons que passava pelas duas.

– Pelada? – disse Clara assustada.

– Não... – disse Marina dando uma pequena risada com a reação de Clara. – Bem, a não ser que você queira. – seu olhar penetrante tomou conta novamente do ambiente.

– Acho que eu ainda não estou preparada para isso. – começou Clara visivelmente tímida. – E eu tenho Marido e filho, meu Deus. – Clara parou de falar ao sentir o toque de Marina em seu rosto acompanhado de um sorriso encantador.

– Eu também tiro foto de pessoas com roupas, não se preocupe Clara. – tirou a mão dos ombros de Clara para que as pessoas não ficassem olhando.

– O problema é que eu não levo o mínimo de jeito para essa coisas sabe? – comentou Clara meio baixinho. – Eu não me acho bonita ou que eu tenha corpo suficiente para fazer esses ensaios fotográficos.

– É uma tola de pensar desta forma. – começou Marina. – Você leva com certeza, todo o jeito do mundo. – de um sorriso maroto. – Você é linda Clara, eu não disse isso por pura educação.

– Ah Marina, você é muito educada. – Clara deu uma risada tímida.

– Faz assim. – disse Marina tirando de sua bolsa de mão um bloco de notas e uma caneta e entregando para Clara – Escreva seu número aqui e talvez eu te chame para sair para fazer você mudar de ideia. – persistiu Marina.

– Claro. – Clara pegou o bloco de notas e apoiou o mesmo na palma de sua mão e escreveu ali teu número. Achou de primeira muito fofo fato de Marina ser uma mulher tão sofisticada e mesmo assim, anotar o celular das pessoas em meros blocos de papeis. – Aqui está. – Entregou

Clara observou o sorriso de Marina se formar novamente ocasionando automaticamente o seu. Ela não sabia como responder ao nível toda aquela intensidade que Marina transpirava só de existir. Cadu voltou roda com seu jeito meio desengonçado e voltou a conquistar a atenção de Clara.

– Amor precisamos ir. – disse Cadu para Clara. – Helena já me ligou pedindo para nos encontrar na saída.

– Mas já? – comentou Marina demonstrando uma tristeza misturado com fofura na voz.

– Sim, sabe como é? Está tarde, tem o filhão em casa. – Cadu sorria como se sua vida fosse perfeita. – Mas adorei o cardápio da festa, muito bem escolhido. Só podia ter um pouco mais de opções...

– Cadu – Clara repreendeu o Marido rapidamente antes que ele continuasse com os comentários desnecessários.

– Qual é Clara, é verdade. – falou sem entender a repreensão de Clara.

– É verdade mesmo. – comentou Marina de forma serena. – Obrigada pela dica viu Cadu? Vamos pensar mais nisso na próxima exposição.

– Que isso Marina... – disse Clara constrangida com o comentário de Cadu. – Viu Carlos Eduardo, não se pode ficar falando esse tipo de coisa. – Deu um pequeno tapinha nos ombros de Cadu.

– Que isso Clara, não precisa se preocupar. – Marina soltava um sorriso escondido.

– Bem, agora estamos indo. – completou Clara. – Foi um prazer te conhecer a exposição está linda.

– Obrigada pela presença de vocês. – Marina foi em direção a Clara e a deu um beijo no rosto, rapidamente, era fácil ver como Marina por mais encantada que estivesse com Clara, evitava contato físico. Clara sentiu teu perfume em uma respiração rápida. Marina se soltou e logo deu beijo no rosto de Cadu que ficou feliz pela sua simpatia .

O casal se afastou andando em direção a saída do salão. Marina observava Clara se distanciar dela e Vanessa se aproximando lhe dando um pequeno susto.

– Você só assustada quando está concentrada. – comentou Vanessa. – O que viu no casal hein? – perguntou.

– Nada demais. – Marina sorriu como se estivesse planejando um plano.

O número de Clara era coisa mais bonita que tinha nas mãos a noite toda.

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado do começo da história. Gostaria de agradecer mais uma vez a Tainá Müller, que se talvez o personagem dela não tivesse me comovido, essa começo de história não existiria. Não quero parecer sebosa, nem fãgirl demais. Eu não a conheço e nem faço muita noção de quem é ela no mundo. Na verdade, nem sei se ela pode ser tão interessante quanto o personagem que interpreta, mas tudo que andei vendo dela nas redes sociais, me parece que sim. Alias, preciso comentar que ela e o Marido dela formam um casal maravilhoso. Eles me passaram uma sensação de cumplicidade, acreditam? Uns fofos. Enfim, até os próximos capítulos, fãs de Clarina.