Fogo e Gelo

3 Welcome to reformatory...


Notas iniciais
Aqui está o 2° capítulo da fic. Eu peço perdão pela demora, os estudos estão tomando o meu tempo. Obrigada por todos os reviews até o momento, espero que não parem, hehe.
Boa leitura.

Sarah fitou a paisagem sombria de inverno enquanto o motorista desconhecido dirigia em direção ao seu novo lar. Talvez não pudesse chamar o local onde ficaria de lar, mas gostava de se sentir pelo menos segura em relação á casas.

A garota então observou a roupa do homem, achando-o estranho por estar vestido com um terno formal apenas para deixa-la em um reformatório.

–Desculpe-me atrapalhar, mas, porque o senhor se encontra vestido assim, tão sofisticado? Só está me levando até o reformatório, creio que não haja porque usar isso. –Disse Sarah, curiosa, porém tentando ser a mais educada possível.

–Ora garotinha, eu trabalho para eles, e sou obrigado á parecer o mais elegante possível. Educação e classe são algo que a diretora de lá admira, sabia? –Respondeu grosso, dando uma pequena, mas, visível olhada pelo retrovisor em direção á ela.

Suspirou, voltando seus olhos para a janela do automóvel.

–Porque me colocaram aqui, moço? Eu não matei meus pais. –Sarah choramingou decepcionada com o acontecido. Ela não havia feito aquilo. Mas assim que um dos vizinhos escutou a garota a chorar e foi ver o que houve, pensou que ela assassinou seus próprios pais, e nem deu chance da mesma se explicar. Não havia ninguém além dela no local, as suspeitas cabiam á ela. E como menor, teve de ir á um reformatório. Doía saber como sua vida seria agora, ela poderia dar um fim nela ali mesmo.

–A velha desculpa esfarrapada, não? Muitos já disseram isso, menina. Não vai nos enganar fingindo que não os matou, sabemos o que fez. –Falou o homem, arrogante. Sarah deixou uma pequena lágrima escorregar de seus olhos e traçar uma marca úmida pela sua bochecha.

Passaram certos minutos, e o carro finalmente chegou ao local desejado. O senhor que dirigia fez uma freada brusca, que formou uma pequena nuvem de terra junto á neve ao redor do carro. Eles agora estavam no famoso reformatório da família Campbell.

O local era totalmente fechado, tudo o que se podia ver eram muros e mais muros de cor cinza e neve acompanhada de folhas secas pelo chão. Mas logo uma silhueta feminina, de alguém com cerca de vinte anos de idade surgiu na enorme porta de entrada do seguinte reformatório, caminhando em direção á eles.

–Olá Ryan! –A mulher morena alcançou o carro, pondo suas mãos dentro do próprio casaco, talvez pelo clima frio á incomodar um pouco. –Esta é a nova integrante? –Perguntou á o homem, apontando os dedos cobertos por luvas de couro em rumo á Sarah.

–É sim, Helena. Foi essa que matou os pais. –Avisou o homem, fazendo com que a moça a observasse indignada.

Sarah continuava calada, tentando entender o que fazia os outros pensarem que foi ela mesma que conseguiu fazer um crime tão cruel. Ela amava seus pais.

–Mas ela parece tão boa menina. –Disse Helena, curvando o cenho.

–As pessoas atualmente são assim. Elas mascaram seu próprio eu e criam uma barreira para que ninguém descubra seus sentimentos ou a sua realidade. É por isso que ficou ainda mais difícil descobrirmos assassinos.

–Você deve ter razão, Ryan. Bom, posso leva-la?

–É claro. –Respondeu, saindo do carro e abrindo a porta para que Sarah se dirigisse para fora. –Vamos menina, está na hora de ir.

A garota suspirou, pondo suas sapatilhas contra a neve, dando dois passos até Helena, que a fitava.

–Venha. –A mesma indagou, puxando as pálidas mãos de Sarah e dando uma última olhada em Ryan, que sinalizava que ele já poderia ir.

O grande e velho portão que dava entrada ao local foi aberto, as grades velhas e enferrujadas traziam um universo sombrio junto á neve, mas parecia que ninguém ali se importava em pelo menos colocar flores para alegrar o local. Era tudo triste, depressivo. A paisagem não agradava Sarah, ela desejava ter as suas rosas vermelhas de volta.

–Bem vinda ao reformatório Campbell, menina. –Helena forçou um sorriso, mas se preocupava por estar ao lado de uma assassina. Os dias ali, onde ela teria que conviver com menores perturbados eram estressantes, desejava sumir daquele local o mais rápido possível. Mas nunca achou um emprego melhor do que este, tendo que continuar. –Espero que goste daqui e reveja seus conceitos. Aqui é um local onde com certeza poderá melhorar e ser uma boa pessoa. Poderá ter uma readaptação sobre a sociedade, sabia?

Sarah apenas suspirou, em resposta. Mal entrara ali e já se sentia esgotada.

–Você não trouxe armas ou qualquer outro objeto afiado, trouxe? –Brincou a mulher.

–Não, senhora. –Mexeu a cabeça de um lado para o outro, assustada.

–Era só uma brincadeira. –Riu. –Mas terá que ser revistada e... Perderá o celular. Ligações só no final de semana, e se você se comportar. –Completou Helena.

–Não há problema nenhum, moça. E eu não tenho celular. –Disse, dando um sorriso forçado.

–Oh, não? Mas é uma garota de dezesseis anos, todos da sua idade têm celulares.

–Aquela “coisinha” não me agrada nem um pouco. –Fez careta.

–Tudo bem. Venha, o nosso segurança irá assegurar que não existe nada perigoso com você, e então a levaremos para o seu dormitório. –Informou ela. Sarah assentiu, seguindo Helena.

Enquanto isso, Rebeca observava os finos flocos de neve á cair pelo segundo andar daquele reformatório. Se sentia triste, algo lhe destruía por dentro cada vez mais. Era como um ácido quando toca sua pele ou seu estômago, ela estava sendo morta por si própria.

–Que dia de merda. –Murmurou para si mesma, retirando os diversos braceletes que cobriam seu braço e observando o pulso, que se encontrava cheio de cortes.

Já era comum mutilar á si mesma para aliviar a dor interior. Não importava como, Rebeca sempre encontrava um modo de ferir o seu próprio corpo. Seja com cacos de vidros, peças cortantes e até móveis.

Não sentia incômodo algum, a dor já era algo diário.

–Senhorita Carter? –Alguém bateu na porta. A menina não respondeu, não era obrigado á ser simpática com ninguém. –Senhorita, eu irei abrir a porta, está bem? –Perguntou a mulher, com receio. Nenhuma resposta foi escutada. Ela então entrou no local.

–O que foi? –Exclamou irritada, Rebeca.

–Queremos prepara-la para receber a sua nova companheira de quarto. –Explicou a assistente.

–O que? –Levantou-se a menina, em um pulo, da cama. –Uma companheira de quarto?

–Sentimos muito. Não há mais quartos disponíveis para ela e o caso da garota é bem parecido com o seu. Achamos que... Fosse o melhor á fazer.

–Mas é obvio que não é!

–Não mudaremos nossa escolha. Arrume a outra cama, ela logo chegará. –Informou. Rebeca revirou os olhos.

–Só aviso que ela não será bem recebida. –Cochichou raivosa, assim que a mulher saiu do quarto.

Notas finais
Que tal deixar pelo menos um review para mostrar que leu o capítulo? Não custa nada e me alegra muito!