Fogo e Gelo
4 A companheira de quarto.
Notas iniciais
Digamos que, minha vida está super cheia e eu quero escrever caps pelo menos razoáveis. Então, costumarei demorar um pouco para trazer capítulos. Apenas não esqueçam de mim, rs.
Sarah caminhava em passos largos tentando acompanhar Helena, que andava rapidamente em direção ao seu novo quarto.
-Onde eu ficarei? -A menina perguntou duvidosa, ainda seguindo a assistente.
-Logo verá. -Advertiu, continuando.
O corredor onde andavam era bastante silencioso e vazio. As janelas eram a única fonte de luz dali, e um cheiro mofado e de casa velha enchia o ar. Era fácil sentir que havia diversas pessoas solitárias por aqueles quartos. Talvez até problemáticos e loucos sem mais nenhum destino de vida. Pessoas que se tornaram isso por situações iguais ás dela.
Era isso que preocupava Sarah. Tinha medo de se transformar em um deles, de ser condenada pela vida toda pela morte dos Walker. Pensando de forma inteligente, ela estava certa em conter preocupação em relação á isto. Não gostaria de conviver tendo que fazer terapias e aturar olhares a estressando.
-Chegamos. –A mulher parou em frente á uma porta. Sarah fitou-a no primeiro segundo, dando um passo á frente. –Aqui é o quarto onde ficará. –Disse Helena, informando-a. – Terá uma companheira de quarto, então não estará sozinha. As duas passaram por um caso parecido e será ótimo que se recuperem do mesmo modo.
-Tudo bem. –Assentiu a menina. –Eu posso entrar? –Apontou para a porta.
-É claro. Suas malas já estão na sua cama. –Helena se direcionou então para longe dali. Em um segundo já não se podia mais vê-la no imenso corredor.
-Obrigada. –Deu um último murmuro, fitando as suas sapatilhas brancas nervosa com a situação. E se a companheira de quarto não a agradasse? E se ela a incomodasse? –Bom, acho que nada é pior do que ser condenada pelo o que não fez. –Pensou alto, rolando os olhos e abrindo então a porta, que rangeu. Típico de locais velhos.
Aos poucos o quarto foi ficando visível. A menina abrira a porta aos poucos, lentamente e calmamente, mesmo com o estômago á embrulhar de curiosidade sobre quem se encontrava ali.
Quando a porta abriu totalmente, foi possível observar uma garota deitada na cama com um livro em mãos. Era ruiva, pele pálida, cabelos ondulados e esguia. Muito bela para uma primeira impressão. E também muito familiar para Sarah.
A ruiva percebeu a presença da menina e então logo olhou em sua direção. Uma corrente elétrica tomou o corpo das duas, certa espécie de conexão pode ser notada facilmente. Sarah soltou um suspiro de surpresa. Não sabia o que estava havendo. Arregalou os olhos e tentou manter a consciência em estado normal. Mas estava encabulada e... Estranha. Estranha, era esta a palavra. Fora como se conhecesse a menina que se encontrava á sua frente, como se a mesma significasse algo para ela.
-Olá? –Disse a garota misteriosa, cortando o silêncio e o clima tenso dali. –Então é você que veio para incomodar minha pessoa? Aviso que poderia muito bem ter obedecido a seus pais e não ter roubado alguma loja ou ter brigado com alguém. Agora terei que atura-la como companheira de quarto. É divertido perturbar pessoas? –O tom grosso foi detectado por Sarah, e logo a mesma percebeu o quanto poderia ser difícil conviver com ela.
-Desculpe-me. Eu não tive a intenção de incomodar você. –Falou, constrangida. Sentia-se uma pessoa chata. Mas quem diria que ela não era? Todos já haviam lhe dito isto.
-Tudo bem. –Disse irônica. –Sente-se e faça o possível para eu não notar sua existência. Estou lendo e não quero que atrapalhe.
Sarah suspirou. Na sua mente ela imaginou a sua companheira de quarto legal e tímida. Talvez vidrada em livros ou em fofos pandas. Não suspeitou disso.
-O certo é não se importar. –Pensou com si mesma. Era comum se decepcionar com pessoas. –Esta é minha cama? –Perguntou, fitando uma cama velha, com suas malas sobre ela e desenhos feitos com algo cortante na madeira da cabeceira ao lado.
-É. –Respondeu a ruiva, sem dar atenção.
-Pode me disser pelo menos seu nome? –Sarah curvou o cenho, tentando socializar-se.
-Rebeca. –Murmurou, olhando em direção á ela. Parecia estressada.
-Obrigada. –Deu um pequeno sorriso, contente pela garota ter respondido sua pergunta. Surpreendentemente, Rebeca deu outro sorriso em resposta, que apesar de minúsculo e não tão alegre, saiu de seus lábios.
Um grito agudo pode ser escutado no final daquele imenso e velho corredor, que chamara a atenção daquele que ouviu o chamado de socorro passar pelos seus ouvidos.
-O que foi isso? –As duas se entreolharam, assustadas.
-Eu não sei. –Respondeu Rebeca, correndo em direção á porta, tentando observar o que se continha ali. –Não está dando para ver, existem muitas pessoas ali.
-Estou com um pressentimento ruim... –Sarah pensou alto.
-E isso não me interessa. –Foi grossa, demonstrando não ligar para a garota. -Irei ver o que houve. Vai ficar aí? –Perguntou. Sarah balançou a cabeça, negando. As duas então se encaminharam para fora do quarto.
Apenas escutavam-se gritos e grunhidos. Alguém possivelmente estava fora de si.
As duas meninas então iam em direção ao tormento, estavam curiosas sobre o que seria. Apesar de estarem em um reformatório repleto de problemáticos, coisas assim não eram tão comuns.
Passaram então pelo mutuado de gente, curvando-se e tentando chegar à fonte dos gritos. E chegaram.
No cantinho do corredor, bem abaixo de uma velha janela, era possível ver alguém á cobrir sua própria face. Era uma menina. Cabelos castanhos, pele corada.
A mesma gritava muito alto, como se alguém a machucaste por dentro. Grunhidos também eram surgidos dos lábios da mesma, qualquer religioso diria o quanto ela poderia estar possuída.
As pessoas do local a fitavam assustadas com a situação, alguns riam ou zoavam, mas a maioria se mantinha com olhos arregalados.
Naquele momento foi possível Sarah perceber como os integrantes do reformatório Campbell eram. Rebeldes, misteriosos e nervosos com qualquer coisa que se aparecesse á frente. Tudo isto fora possível ser percebido apenas com uma observada sobre alguns.
-O que está havendo com ela? –Sarah entrou em uma expressão de horror, dirigindo-se á Rebeca.
-Não sei. Ela deve estar dando um ataque histérico. –Deu de ombros, soltando uma risadinha.
-Ela parece estar com medo... Eu vou ajuda-la. –Informou, caminhando em direção á garota estranha.
A menina então foi lentamente pondo a mão sobre a face da que gritava e grunhia, tentando acalma-la. A mesma então parou de gritar imediatamente, levantando a cabeça fitando Sarah e arregalando rapidamente os olhos.
-O-o que foi? –Sarah estranhou o comportamento da garota ao vê-la.
-Eles vão pegar você... –Sussurrou trêmula. –Todos eles vão acabar com você... –Deixou lágrimas escaparem. –Eles vão matar você e sua irmã! –Desta vez gritou, empurrando Sarah com força em direção á parede, grunhindo, raivosa. –Eles irão arrancar sua pele e a colocará como jantar principal. Assim como fazem com todas as suas vítimas. –Sua face mudou, um sorriso maldoso era visto enquanto a mesma falava. –O final se aproxima, e agora que as duas estão juntas, tudo será mais fácil. –Riu, apertando a garganta de Sarah contra a parede. –Nós iremos acabar com você. –Seus olhos ficaram negros, totalmente negros.
Enquanto a situação acontecia, ninguém tinha a boa vontade de interromper o que estava acontecendo. Sarah já gemia de dor, a garota a sufocava cada vez mais.
-Alguém ajude! –Exclama Rebeca. –Querem que ela morra? –Rola os olhos ao ver que ninguém se importa. –Tudo bem então. –Suspira indo procurar a diretora, pedindo para que ela acabasse com a confusão.
Sarah continuava ali, machucada pela garota que se encontrava fora de si.
-E-eu preciso... T-tentar... S-sair... –Pensa alto, tentando soltar-se da menina.
Cansada de tanto batalhar, resolve realmente usar a força, sem medo de machucar a estranha que ainda ficava á surtar. A empurrou, ofegante. E quando finalmente se livrara, segurou firmemente os ombros da mesma, apertando então os braços e a deixando sem poder se locomover. Em um suspiro, a menina desmaia, caindo sobre os braços de Sarah.
-Ah! –Cambaleia, tentando segura-la. Com força, a põe no chão.
Logo a diretora do reformatório chega. Já era velha, cabelos grisalhos e corte curto. Sua expressão foi apenas um lábio sendo boquiaberto. Murmurou algo não escutado, com uma reação desanimada ao ver a menina.
-Tudo bem, jovens! Voltem aos seus quartos, eu resolverei isto! –Gritou, fazendo sinal para que todos se afastassem. Eles obedeceram.
-Qual é seu problema, garota? -Rebeca foi á caminho de Sarah. –Não vê que ela estava surtando? Ela poderia ter te matado.
-Eu tive pena dela. –Fitou o chão, envergonhada por sua idiota decisão de tentar ajuda-la, que apenas rendeu em alguém tentando a matar.
-Pois aprenda uma coisa: As coisas aqui não são como os contos de fadas que você lê, ok? –Perguntou, apontando um dedo sobre seu peito, com firmeza.
-Entendido... –Sarah assente, nervosa. –Bom, mas você viu os olhos dela? Ficaram negros de repente, foi terrível.
-O que? –Rebeca curvou o cenho, assustada.
-Os olhos da menina que surtou. Eles estavam totalmente negros, desde ás pupilas ás pálpebras. Você não viu?
-O olho dela não ficou assim, Sarah. Não ficou. –Rebeca negou, fazendo Sarah arregalar os olhos.
Afinal, ela estava louca?
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