Fogo e Gelo

2 Conturbações.


Notas iniciais
Aqui se encontra mais um capítulo, ou melhor, o primeiro capítulo da história, já que o anterior fora apenas um prólogo.

Espero que o que foi escrito seja do seu agrado.

O trágico clima de inverno fazia a garota ainda mais depressiva, haviam anos em que ela não sorria nenhum simples sorriso sincero. Não se sentia mais viva, nem dava valor para o ar que respirava e pelo o que via. Sua vida não fazia mais sentido algum, um imenso muro a impedia de seguir e realizar seus próprios sonhos. Ela se sentia presa, se sentia perdida. Como se a mesma se encontrasse em um imenso labirinto sem saída.

Meu querido diário... Hoje estou mais uma vez sofrendo com o imenso tédio da tarde. Estar nesse reformatório não é nada legal, quanto mais se não fora você que matou seus próprios pais. Ser observada pelos professores e assistentes desse local como assassina não é divertido. Eu odeio tudo isso. Rebeca rabiscou no pequeno caderno, seguindo o conselho de uma das psicólogas do local de tentar ter um diário e contar seus sentimentos. Assim, acalmando-a.

Espera, o que estou tentando fazer?Reclamou em voz alta, mesmo estando sozinha dentro daquele quarto. Escrever em diários é coisa para menininhas frágeis e sem sentido. E eu não sou uma delas. Indagou, jogando o caderno em que acabara de anotar aquilo longe, que em segundos, já se encontrava no chão.

Ela nunca gostou de ser chamada de frágil ou nomes dados á meninas patricinhas ou indefesas. Aquilo seria uma ofensa para a mesma. Seu estilo era o famoso roqueira sarcástica e grossa, tudo isso servia apenas escondendo seus sentimentos ou quem ela realmente seria.

A garota suspirou, encostando-se na parede do local, desanimada.

Todos os dias eram complicados no reformatório Campbell para Rebeca Carter. Ter que ser culpada pela terrível morte de seus adotivos pais era algo horrendo, pois era notório que a menina não poderia ter feito algo do tipo.

Rebeca tinha apenas 13 anos quando um incêndio se formou em sua antiga casa, queimando então o corpo de seus pais. O fato de ser a única sobrevivente e única pessoa que se encontrava por perto poderia até ser suspeito. Mas uma pré-adolescente de 13 anos de idade nunca faria algo assim. Nunca provocaria um incêndio e mataria os Carter.

Rebeca fitou o chão, triste. Não desejava que as coisas se tornassem cada fez mais piores com o cessar de cada dia. Ela sentia ódio de si mesma pelo acontecido.

Enquanto brigava consigo mesma entre seus próprios pensamentos, foi interrompida pelo barulho da porta á abrir, destruindo o silêncio que havia no local.

Olá? Uma das assistentes aparece no quarto.

A garota vira seu rosto em direção á ela, querendo saber então o motivo dela se encontrar ali. Pessoas não eram bem vindas em seu quarto, apenas ela e seu mundo suicida.

O que é Alicia? Perguntou em tom irritado para a moça que a olhava na porta. Não gostava das pessoas dali.

Bom, você não saí deste quarto á três dias. Tem certeza que está bem? A mulher quis saber, com receio da menina fazer algo contra ela. A personalidade forte e as roupas escuras de Rebeca trasmitiam ainda mais medo á maioria das pessoas daquele reformatório.

Estou ótima! Deu um sorriso sarcástico, retirando os fios ruivos de seu cabelo que insistiam em cair em sua face. Agora pode sair daqui, senhora? Disse, apontando para a porta.

A assistente do local apenas assentiu, se dirigindo para fora do quarto.

Rebeca continuou ali, fitando o chão. Já não aturava mais continuar naquele local, sem amigos, sem família e além disso, sendo julgada como louca ou assassina.

Mas ela tinha que continuar ali, não poderia sair. Pelo menos não até ser maior de idade. Ela estava presa naquele local que tanto odiava.

Em outro lugar, não muito longe dali, morava a familiar Walker. Família de jardineiros, de aparência tranquilos, boas pessoas, e além disso, pais adotivos de Sarah.

Mãe, quando os biscoitos estarão prontos? Sarah se dirigiu para a mãe, que cozinhava um pouco de massa para fazer os cookies caseiros tão adorados pela filha.

A garota, com aparência ingênua e tímida, sempre fora admirada pelos pais. Era dócil como uma criança e pura demais para a sua idade. Todos se impressionavam com o comportamento tão clássico e especial de uma menina de 15 anos, já que todos os jovens costumavam ser rebeldes e não terem tanta educação.

Estão quase prontos, querida. Porque não vai colher flores no jardim enquanto eu os coloco para assar? Opinou a mãe. As flores ficariam lindas nesse vaso, não? Apontou para o vaso de flores que se encontrava sobre a mesa de jantar.

Oh, sim! Sorriu. Irei fazer isso agora mesmo! Falou, indo então para o jardim.

Nevava e o frio era intenso, Sarah continuou caminhando em direção á aquele local sem ligar para a temperatura atual. Na realidade, o frio intenso não era nada para a garota, incrivelmente ele não a incomodava.

Com um passo adentrou no jardim. Logo tendo flocos de neve em encontro com sua pele. A menina então sorriu, era confortante estar na neve e observar o canteiro de flores do jardim.

Seu olhar voltou-se para as rosas de cor vermelha, que se contrastavam entre a alva e fria neve.

Estas estão perfeitas. Sussurrou, pondo as suas pálidas mãos sobre uma rosa, e a arrancando levemente.

Fez isso com mais duas flores, até que achou que era o bastante para decorar a mesa.

Sorriu então meiga, com as três flores em mãos, já pronta para voltar e coloca-las no vaso.

Bom, vamos lá. Disse, mas acabou sendo surpreendida por algo, jogando as rosas no chão, amedrontada com o que via.

Um vulto negro, encapado e macabro a observava. E logo ao perceber que Sarah o olhou, se aproximou dela lentamente, com um sorriso assustador escondido pela longa capa que vestia.

Desesperadamente, a garota tentou caminhar em direção á casa, mas foi empurrada pelo vulto, caindo então na neve.

Ahh! Gritou assustada, levantando sua face em direção á sombra escura que se aproximava cada vez mais perto da garota.

Sarah então tentou correr, mas estava amedrontada demais para conseguir realizar tal ação, tendo que se arrastar para fugir da coisa á sua frente.

Não tente fugir de mim, menininha. Sussurrou a criatura encapada, com uma voz macabra que assustou ainda mais a garota.

O q-que você quer? Gaguejou, assombrada. Era obvio que algumas pequenas lágrimas já caiam sobre seu rosto.

Tsc, tsc... Não sabe de nada mesmo, não é Sarah? Continuou ele.

Deixe-a em paz! Uma voz desconhecida foi ouvida, mas a garota sentira que estava protegida pelo menos nesse momento. E logo depois, uma coruja branca moveu-se no ar em direção ao vulto.

Aquilo era assustador para a menina, o que acabara de ver não tinha sentido.

Fechou então os olhos com força, amedrontada. E só o que pode ser ouvido foi um gemido de dor da criatura negra. Nada mais além disso.

Curiosa, a garota abriu novamente seus olhos. E a sombra havia desaparecido.

Sarah chacoalhou a cabeça, confusa.

E-eu... P-preciso f-fugir. Disse ofegante, correndo desesperadamente para casa.

Entrou então lá, sentando no chão cansada. O que seria aquilo e o que queria com ela?

Achou melhor então ir em direção aos seus pais, pelo menos assim estaria segura. Não contaria nada disso para eles, era obvio. Pois senão a achariam louca, o que de fato não é.

Caminhou lentamente em direção á sala, eles deveriam estar ali.

Mãe? Pai? Os chamou. Sem sucesso, nenhuma resposta foi escutada.

Sarah estranhou, pois disse seus nomes alto demais, eles responderiam.

Estão aí? Por favor, estou com medo. Murmurou.

Vendo que eles não falavam absolutamente nada, tomou coragem e decidiu procura-los.

Caminhou em passos rápidos, o silêncio a deixava desesperada no momento. Bem que sua falecida avó sempre dizia em seus contos de tardes nubladas que por mais que o silêncio governasse algum local, mentes conturbadas estariam ali. Nesse caso, havia somente Sarah, mas tudo era atormentador. Talvez pelo fato de sua vida ter sido muito tranquila e nunca tiveste presenciado algo assim. Poderia ter congelado acidentalmente os sapatos de uma das meninas que a criticou e também poderia ter sonhos estranhos, mas nada era tão anormal quanto a criatura que viu.

Mas isso ainda não era nada, ela estava bem próxima de descobrir que a vida não é um conto de fadas, ela iria mudar sua visão de tudo a partir daquele momento.

O que é isso? Indagou, assim que sentiu um cheiro forte e desagradável. Aquilo não estava a fazendo bem, então resolveu procurar a causa do odor.

Seus olhos automaticamente arregalaram-se ao ver o que realmente se encontrava ali. Havia sangue em todo o local. Sangue...

Um grito escapuliu de seus lábios, que depois foram cobertos por sua mão, não querendo chamar a atenção de alguém que morasse por perto. Sarah respirou fundo, e seguiu a trilha de sangue que estava ali. Talvez esta não fosse a melhor escolha, mas ela decidiu obedecer sua curiosidade e tentar esconder seu próprio medo.

O sangue se encontrava por toda a parte da cozinha, o que fazia a menina ter náuseas. E logo no fim do cômodo, estava a resposta de onde vinha o cheiro e o líquido avermelhado. Eram seus pais...

A cena que passava pelos olhos da menina a deixavam desesperada. No chão do local, dois corpos mutilados sangravam. Os pais dela estavam lá, mortos, sangrando.

Mamãe? Papai? Sarah se pôs para perto dos mesmos, tentando reanima-los e faze-los voltar a vida. Não conseguia entender, um momento de paz se transformou em um pesadelo. Então ela chorou, chorou para tirar o desespero que tinha consigo. Não sabia mais o que fazer. Seus pais, que ela tanto amava, estavam ali, sem vida.

A menina quis morrer, se torturar. Ela não tinha conhecimento do que se passava, era obvio. Mas ela tinha uma certeza; Aquela coisa teria feito aquilo.

Notas finais
Bom, sem querer ser um tanto chata... Já que chegou até aqui, poderia deixar pelo menos um pequeno review? Garanto que isso seria muito importante para mim.

Até mais!