Fogo & Gasolina

2 Parte I – Capítulo 02: Imã


Ela pegou o spray na bolsa, os seguranças tentavam separar os dois. O mais novo disparava palavrões para o mais velho. Du só conseguiu reagiu quando o maior se soltou dos seguranças e atingiu um soco no rosto do outro. Ela mirou o spray para os olhos do cara o fazendo gritar. Ela se virou para o rapaz que era sustentado por dois homens, sua sobrancelha sangrava consideravelmente. O homem atacado por ela foi afastado dali.

_ Tu tá bem? – ela segurou o rosto do rapaz e encontrou seu olhar perdido.

Ela conhecia muito bem aquele olhar, ele estava drogado.

­­_ Du! DU! – Beatriz apareceu atrás dela, empurrando todos a sua frente e alcançando a amiga. – Tu tá bem!? Tu tá bem!?

_ Eu tô bem. – só agora que ela percebia que tremia.

_ Porra, Marcos, eu falei pra você ficar de olho nela. Caralho! – ela começou a xingar o barman atrás do balcão.

_ Bia, tá tudo... Bem. – Du disse após respirar fundo. – Tu vai fazer o teu show e vou sair fora daqui.

_ Mas tá tarde, tu vai pra onde?

Du olhou para o rapaz que ainda estava pendurado nos braços dos seguranças e não dizia coisa com coisa.

_ Eu vou cuidar desse encrenqueiro aqui. Foi ele que me ajudou. – ela disse quando a amiga a olhou confusa. – Devo isso.

_ Mas você nem conhece esse cara!

_ Não, pô. Mas vou ajudar. Vá lá fazer o teu show. Fica tranquila.

Os homens começaram a levar João Lucas, depois de guardar o spray, ela os seguiu.

_ Ele é camarada do homem. – um deles falou. – A gente não pode botar ele pra correr.

_ Ele não pode ficar aqui também, porra! Olha a bagunça que ele fez!

_ Pra onde vocês estão levando ele? – ela perguntou aos homens.

_ Moça, é melhor ficar de fora disso. Ele é bem crescidinho, sabe onde se meteu.

_ Não, pô. Deixa ele comigo, eu ajudo.

Os homens levaram Lucas, que apagou no meio do caminho, até a saída da boate onde estava o seu carro. Conferiram seus bolsos para ver se ele estava com a carteira e as chaves. Du mal sabia dirigir um carro comum, imagina um carro automático e de última geração como aquele. Ela pediu ajuda para coloca-lo no banco do carona e entrou no banco do motorista. Travou as portas e ficou ali.

Como o carro estava parado na frente da boate, os seguranças da entrada observavam o veículo. Du jamais iria sequestrar alguém. Mas pelo porte do carro, o frangote era gente importante e merecia toda aquela atenção. O carro era lacrado de insulfilm, duvidava que alguém conseguisse ver se tinha alguém lá dentro.

Ela observou o corte que jorrava sangue pelo rosto dele, tirou a camisa xadrez que vestia sobre uma camiseta do Aerosmith, sua banda preferida, e começou a limpar o líquido vermelho. Passava com delicadeza para não acorda-lo.

Só depois de ter limpado todo aquele sangue que pode ver com ele era bonito. Seu rosto bem definido e seus lábios cheios e convidativos. Ele era o seu tipo.

Apesar de muita gente achar que Du é lésbica por causa de seus trejeitos, ela sempre soube que era amarradona em um homem. Mas não qualquer um, ela tinha um jeito só dela de se sentir atraída e agora ela se sentia como imã perto de seu salvador.

Já era quatro horas da manhã quando ele começou a balbuciar coisas sem sentido. Ela que estava dormindo acabou acordando com a voz dele.

_ Não, pai, eu não... – ele dizia.

Ás vezes ele também chamava pela mãe, mas a maior parte ela não entendia.

O sol apontava no horizonte quando Bia saiu da boate, após ser indicada pelos homens da entrada, ela veio até o carro. Du desceu e a amiga a abraçou de novo.

_ Me desculpa por ter te metido nessa. Porra, eu devia saber que ia dar merda.

_ Pô, nada a ver, eu já vim contigo nesses lugares. É que tive a sorte dessa boate ter mais babacas por metro quadrado.

Apesar da pouca idade, Maria Eduarda era uma pessoa extremamente ansiosa e estressada. Quando Bia lhe ofereceu um cigarro, ela nem pensou duas vezes em aceitar. Entre um trago e outro contou o que houve para amiga.

_ E agora, você vai ficar aí esperando o playboyzinho salvador da pátria acordar?

_ Ele tava chapadão, Bi, tu tinha que ver. Eu tava até com dó. – ela expeliu outro trago do cigarro. – Eu preciso ver se ele tá bem, vai que deu algo na cabeça do cara.

_ Se tiver faltando alguns neurônios a culpa não é sua, tu tá ligada.

Du acabou rindo da confirmação da amiga.

_ Eu consegui o dinheiro, não pensei que ia sair tão tarde. Mas, eles gostaram do meu show e pediram pra repetir. Acho que eu conquistei geral aí.

_ Quem tu não conquista, hein? Me diz.

_ Brad Pitt.

_ Eca, ele é horrível.

_ Falou, logo tu que gosta desses caras velhos e ridículos. – ela apontou pra camiseta da menina.

_ Não fala assim dos reis do universo.

O que Du mais gostava em Bia era o jeito de fingir esquecer a situação das duas, principalmente a dela. Ela acabou de sair de um show de strip em uma boate, mas parecia que acabou de sair de um churrasco na casa dos amigos. Ela tentava demonstrar que aquilo era natural pra ela e consequentemente, Eduarda aceitava e estava acostumada a acompanha-la quando precisava.

_ Eu vou lá entregar esse dinheiro pro chefe, tu quer carona? Eu pago o táxi.

_ Não, logo os ônibus começam a rodar. Vou esperar esse maricas acordar e tomo meu rumo.

Beatriz foi para o ponto de táxi mais próximo e Du voltou para dentro do carro, preocupada com o cara que não acordava nem sobre decreto.

_ Vamo, cara. Acorda aí, eu tenho que vazar daqui... – ela falava mais pra si mesma do que para ele.

Lucas acordava quando sentiu uma forte pontada na cabeça e acabou gemendo de dor. A mão foi parar exatamente no lugar da pancada que tomara.

_ Puta que... – ele abriu os olhos.

Sabia que estava dentro do seu carro, mas não fora um acidente. Ele se lembrava vagamente do momento que tomou um soco próximo do olho. Aquele maldito.

_ Finalmente!

Ele ouviu uma voz feminina e quase morreu de susto, dando um pulo no banco e encarando a moça que sentava ao seu lado no banco do motorista. Aquela luz vermelha que tinha perseguido e por ela tinha tomado aquela porrada. O que ele tinha na cabeça?

_ Quem é você? – ele perguntou.

_ Pera lá. – ela riu do susto dele. – Eu só vim pra te ajudar. Tu tá bem? Lembra do teu nome? Da sua família?

João Lucas apenas indicou que sim, ainda estava impressionado com a presença dela. Será que eles tinham transado? Não seria a primeira vez que uma mulher aparecia em seu carro. Mas ele tinha certeza que não. Com o efeito da droga e com pancada, com certeza tinha ficado apagado a noite toda.

_ Beleza, então. – a ruiva pegou uma camisa cheia de sangue que estava no painel do carro e já estava abrindo a porta.

Du sentiu os dedos dele lhe tocarem o braço e o segurar. Ela o olhou nos olhos pela primeira vez mesmo com parte da região inchada, ela conseguia ver sua íris. Castanha.

_ Qual é o teu nome?

_ Du.

_ Só Du?

Eduarda estava fascinada pelo jeito como os lábios dele se moviam e antes que ele percebesse puxou o seu braço com certa rispidez.

_ Pra você, é.

Dessa vez conseguiu abrir a porta do carro e saiu, a fechando na cara perplexa de Lucas. Ele abriu o vidro do motorista, ela já estava atravessando a rua.

_ Não quer saber o meu nome? – ele gritou.

_ Não!

Ela respondeu e sumiu após virar a esquina da rua.

Notas finais
Agradeço a todos os comentários que recebi, vou responder todos. A fic já teve mais de 600 visualizações no primeiro capítulo, estou muito emocionada. Gostaria de agradecer a Carol (@PrincessJosieP) por ter ajudado na divulgação da fic nas redes sociais. Quem não tiver a conta no Nyah pra comentar, me mande um tweet, ok? Eu adoro ver o retorno de vocês, é a minha motivação pra escrever. Queria comentar sobre o casamento Lucadu, mas estou tão desmaiada que não consigo. Foi lindo, apesar de ter sido curto. Enfim, até mais!