Fobias
28 Palavras Duras
Notas iniciais
Agora chega de tititi e leiam esse capítulo mais especialíssimo que o abrilíssimo da nickelodeon~
-E, como eu disse antes classe, este é Cleres, transferido do turno da manhã para nossa turma. –a voz do professor de biologia não parecia muito alegre enquanto ele forçava um sorriso e apontava o garoto de cabelos negros ao seu lado- Agora Cleres, gostaria de dizer algo?
-Eu só vou ficar nessa droga de sala até meu advogado convencer o diretor de que a culpa não foi minha. –ditou entre os dentes.
Naehe olhou de canto para Sarae, que olhou respectivamente para Alec. Os três pareciam pensar a mesma coisa.
-Um animal. –falou batendo com fúria a porta do armário- Dá pra ver naqueles olhos ignorantes e aquela voz que mais parece um rosnado de cachorro.
-Não precisa exagerar Naehe. –Alec deu tapinhas no ombro dela para acalmá-la.
-Ela não está exagerando. Vocês viram a cara que ele faz quando olha pros outros? –Sarae disse abraçada no fichário- Parece até que ele quer devorar o meu rosto, que medo!
-Vocês todos estão sendo muito extremistas. Ele só é novo, não deve ter se acostumado ainda com a turma, só isso. –Tomás fez bico enquanto falava- Ele pode ser uma boa pessoa.
-Desculpe interromper o seu momento profundo Tom, mas aquele cara foi transferido para a nossa turma depois de ser acusado de manhã de ter jogado um garoto pela janela e ter queimado dois armários. –Alec explicou enquanto sacava uma ficha de arquivo amarela cheia de papéis escritos dentro.
Os outros três suspiraram surpresos.
-Alec! De novo!? Já dissemos para parar de pegar escondido as fichas de alunos dos arquivos do colégio. –Sarae reprimiu-o.
-Diga por você mesma Sara, eu quero ver isso daí. –Naehe avançou sobre Alec e pegou o arquivo.
-Isso não vai acabar bem... –Tomás choramingou.
-Relaxa Tom, é só uma espiadinha. –Alec chegou o rosto mais perto das folhas para ver junto de Naehe.
-Saca só. Ele já foi transferido de outras duas unidades escolares! Um bad boy! –Naehe brincou- Deve ser por isso que ele fica usando aquelas roupas pretas cheias de acessórios de gangue. Parece até um arruaceiro.
-Nossa... Quanta coisa anotada. –agora até Sarae tinha espichado o pescoço para ver- Uma enorme e negra ficha de detenções e suspensões, repetiu a quinta e a sexta série, alérgico a... Azeitona?
-Fala sério cara... –Alec ficou surpreso- Quem é alérgico à azeitona!?
Naehe riu e deu um soquinho no ombro dele.
-Olha só, registro de medos. –Sarae apontou.
-Pensei que só pessoas fóbicas tivessem registro de medos preenchido na ficha arquivada do colégio. –Naehe puxou levemente a folha.
-Gente, isso aí tem informações muito pessoais, não devíamos continuar lendo. –Sarae olhou para Naehe e depois para Alec.
-Mas ele é fóbico. –Alec puxou pro outro lado, surpreso- Homofóbico.
-O-o que isso significa? –Tomás perguntou.
-Significa medo ou aversão exagerada a homossexuais. –Alec explicou.
E àquela hora da tarde, o garoto descia a rampa larga e vazia do colégio. Seus cabelos loiros sacudiam ao vento fraco que batia. Cantarolava uma música infantil enquanto mexia levemente os quadris e carregava o regador verde lotado d’água que pingava de vez em quando.
Aquilo já se tornara bastante comum na rotina de Idan. Depois das aulas ia sempre para o canteiro de trás do colégio. Mas era a primeira vez que vinha sozinho, sem o resto das meninas do Clube de Jardinagem, do qual agora era membro.
Seu rosto fino e tranquilo sempre esboçando um sorriso, assim como agora. Cantava baixinho enquanto se aproximava dos canteiros floridos. Logo se abaixou com cuidado e tocou algumas rosas vermelhas que haviam crescido muito bem.
Eram tão lindas. Respirou fundo e sua mente se encheu de lembranças junto do cheiro forte da flor. Por algum motivo lembrou-se do começo daquele ano.
Lembrou daquela vez em que Daren curiosamente abriu a porta do zelador e tiveram o primeiro abraço. Da primeira vez que viu Alec, Daren, Sarae, Naehe, Tomás.
Lembrou de como Alec o fazia rir sempre que chorava por algum motivo bobo. Lembrou de como Sarae era ótima com conselhos e também consolos. Lembrou de todas as vezes em que Naehe brigou com alguém apenas para defendê-lo. Lembrou dos sorrisos de Tomás, tão doces e puros, e quando ele o abraçava e dizia que estaria tudo bem. Então, finalmente, lembrou de Daren. De todas as vezes que o defendeu, que o protegeu, que o deu calor, carinho, amor. Lembrou também de quando o garoto não hesitou em enfrentar seja lá quem fosse por causa dele.
Só saiu de pensamentos quando se tocou de que seus dedos estavam sangrando. A bela rosa, tão pura e bonita, tinha espinhos cortantes que feriram Idan como as más lembranças que teve. De todas as brigas que já teve com o grupo, todas sempre acabavam com o grupo se desculpando, se abraçando e sorrindo.
As lágrimas quentes escorriam pelo rosto do garoto loiro.
Por que essa briga foi diferente? Por que ninguém mais está sorrindo?
-Já se passaram três semanas.
-Quantas vezes vou ter que repetir que o grupo não está se extinguindo? –Alec disse mordendo o lábio- É só uma briga.
-Isso já passou de uma simples briga. Estão a três semanas sem se falar ou se olhar, nem mesmo chegam mais perto da gente. –Sarae insistiu.
-Isso já passou é do ridículo! O que eles tem na cabeça!? Isso é criancice! –Naehe disse revoltada, batendo o punho pesado na pobre cartolina esticada sobre a mesa.
-Amassou o trabalho. –Tomás grunhiu.
-Isso ficou mais complicado do que eu achei que seria. –Alec choramingou.
-Estou com saudade do Idan e do Daren antigos. –Sarae disse chorosa- Idan só anda com as meninas do Clube de Jardinagem e o Daren voltou a ser solitário e anti-social.
-Temos outros problemas para nos preocupar agora. –Naehe falou baixo- É impressão minha ou o punk metaleiro está vindo pra cá?
-Naehe! –Tomás repreendeu.
-Ei. –a voz rosnada soou quando o garoto parou do lado da mesa deles.
-Não devore o meu rosto, senhor chupa-cabra! –Sarae grunhiu escondendo o rosto no estojo.
Os outros da mesa a olharam como se perguntassem “Que diabos você está fazendo?”.
-Eu só ia pedir a tinta preta emprestada. –ele disse erguendo uma sobrancelha.
-Negra como o seu coração. –Sarae pegou a tinta e empurrou o pobre potinho contra o peito do garoto, que hesitou, pegou a tinta, se virou e saiu andando.
-Sarae! –os três falaram em uníssono quando o menino se afastou- O que foi isso!?
-Ele parecia um valentão. E dizem que valentões não entendem os malucos. Só queria que ele fosse embora logo. –ela explicou voltando ao normal.
-Sua esquisita, ele foi embora e nunca mais volta, isso sim! –Naehe riu.
-Ei, a mesa do Cleres não era aquela outra? –Tomás apontou e todos os outros da mesa olharam.
Ele realmente tinha dado uma volta e ido parar do outro lado da sala de artes. Todos estavam concentrados dos projetos, então foi fácil para o novato de aproximar até chegar atrás da cadeira de Idan e levantando o braço acima do nível da cabeça dele. Então abriu o potinho de tinta.
-Sua bichinha metida.
E só se ouviu um grito assustado e logo todos explodiam em risadas do loiro todo gosmento de tinta preta. Luza tomou um susto também e só deu tempo de ver a trilha de tinta preta respingada no chão, pois Idan já corria chorando pelo corredor.
E no instante seguinte os quatro da outra mesa já estavam de pé. Alec, Naehe, Sarae e Tomás correram atrás de Idan antes que o perdessem de vista. Mas antes de saírem da sala, Sarae se virou para Cleres, sacudiu os braços e gritou um monte de letras sem sentido. Daí voltou a perseguir Idan.
-Idan? Idan? Idan! –Alec e os outros finalmente acharam o loiro agachado do lado do canteiro de rosas, chorando ainda imundo de tinta preta.
-Idan, você está bem? –Sarae foi a primeira a se curvar para tentar ver o rosto do rapaz.
-O que vocês querem? Me deixem em paz! –ele reclamou com a voz alterada pelo choro.
Estava com o rosto vermelho e banhado em lágrimas quando se virou para os quatro e se levantou.
-Idan, somos nós. Viemos ficar com você. –Tomás disse com a sua voz calma de sempre- Não precisa chorar, nós estamos do seu lado.
-É Ida, a gente cuida daquele babaca mais tarde. Como você está se sentindo? –Naehe falou se aproximando.
-Vocês não... Não tem raiva de mim? –o loiro fungou.
-Raiva? De você? –Alec- Está falando sério? Porque ficaríamos com raiva de você!?
-Foi minha culpa. Eu e o Daren brigamos, vocês foram pra detenção, nós não nos falamos faz três semanas. –Idan agora chorava de culpa- Eu me sinto tão mal... Mal por estar me afastando de vocês...
-Awn Idan... Era isso? Você achou que nós estaríamos bravos com você? –Sarae segurou uma mão dele- Não fique assim, os amigos são pra isso. A gente briga, a gente brinca, a gente ri, a gente chora, mas nunca tá separado.
-Exatamente. Não é uma briga boba que vai nos separar, Idan. –Alec disse com um sorriso confiante.
-Pessoal... –os olhos do loiro brilharam.
-É isso mesmo Idan, estaremos sempre aqui. Mas... Não somos só nós, não é? –Tomás se virou e sorriu- Eu já vi você aí Daren. Vem pra cá.
E assim surgido do final do corredor, Daren vinha andando quieto, a cada passo abaixando mais o capuz negro da cabeça. Olhou sério para o grupo e depois para Idan somente. Este o olhava com medo e hesitação.
-É realmente lindo o que vocês estão falando. Eu fico feliz de saber que a alguns poucos dias atrás, meras três semanas, eu estava incluído nesse grupo.
-Como assim “estava”? Você ainda é do grupo, Daren! –Naehe sorriu para ele.
-Não, vocês não entenderam, eu não... –suspirou o meio-alemão.
-Vamos Daren, para com isso e vem abraçar o Idan. –Alec falou.
-Pára Alec. Eu não vou abraçá-lo.
-Qual é Daren, já chega, para de ser egoísta. Todo mundo já esqueceu aquela briga. –insistiu.
-Pare de insistir e me ouça Alec.
-Não. Me ouça você. Pare de ser metido, esqueça o seu maldito orgulho e vem abraçar o Idan e pedir desculpas!
-Alec, eu já falei pra..
-Vem logo! O que foi agora, pra..
-Cala a boca Alec! Ouça o que eu tenho que dizer! Não é fácil pra mim também, tá legal!?
E com isso todos ficaram em silêncio, somente olhando para Daren.
-Daren, o que você está querendo dizer..? –dessa vez foi a voz trêmula de Idan que disse.
-Meus pais vão voltar para a Alemanha. E eu vou com eles.
Notas finais
agora sim eu preciso de espectativas maneiras:
Novo aluno homofóbico sem-personalidade(ei!) aparece para infernizar a vida dos nossos heróis(?) e tirar a paz de Townsville(?²) para começar uma aventura muito louca do barulho(?³). E além disso, o nosso querido(ou nem tão querido assim) Daren decide fugir para as montanhas(?²³²¹) -risca-em busca das insígnias pokemon!-risca- onde ele poderá abrir sua lojinha auto-suficiente de meias temáticas(?³²¹²³).
Tá, hora de falar sério........
.....eu não tenho nada de útil pra falar. *facepalm*
tá certo, agora vocês podem me matar.
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