Fobias

29 Aeroporto


Notas iniciais
Me desculpem a demora, mas dessa vez não tem como dizer que o capítulo ficou pequeno, tá gigante(ocupou 9 páginas no word, ui) u_u
e é, eu inventei o tal aeroporto central, nem sei se existe isso, hm.
lol, eu tenho uma mania estranha de fazer fanservice com o Alec e o Tomás..
Bem, espero que gostem desse capítulo, escrevi com muito carinho às duas da manhã ♥
/chegadenotadeiniciodecapituloinutil

Fobias

Capítulo 29 – Aeroporto.

“Nove de Julho de 2001

Dormia silenciosamente abraçado em sua pelúcia, os cabelos negros e bagunçados chegavam facilmente aos seus pequenos ombros. Tinha agora seus seis anos, mas mesmo assim era pequeno e frágil como um bebê. Remexia-se na cama de um lado para o outro, aproveitando o espaço que tinha de colchão. Ao seu lado, na mesinha de cabeceira, uma caixinha de música azul bebê tocava uma lenta e melodiosa música de ninar sem a qual ele não dormia.

A casa pequena e modesta só abrigava quatro moradores: a mãe, o pai, o filho e o filhotinho de pastor alemão que chegara recentemente, a quatro dias atrás, quando o filho o ganhara de presente de aniversário.

A noite seguia lenta e calma, lá fora já não passavam mais quase nenhum carro, o único som era o da caixa de música, tocando e tocando continuamente sua melodia.

Passaram-se alguns minutos, e o ar foi ficando pesado, estalos eram ouvidos vindos de alguma parte do primeiro andar. Os olhos enormes e cinzentos da criança abriram lentamente. Acordou sentindo um imenso calor, o que era muito anormal por estar em pleno inverno. Ainda tentando acostumar seus olhos ao escuro, ouvia o som de latidos finos do filhote que acordara momentos antes. Sentiu o cheiro pesado no ar e tossiu.

Sacudiu a cabeça e, com as mãos tampando o nariz e boca, olhou ao redor. O quarto colorido era tomado por uma fumaça negra e sufocante. Ao pé da cama, o filhote latia bravamente para a porta. O pequeno se levantou e, pegando o filhote nos braços, saiu do quarto.

Do lado de fora, a fumaça era insuportável e a casa ardia em chamas. O fogo lambia o teto e as paredes, fotos e pinturas já haviam virado cinzas. A criança, assustada, começou a chorar. Lá embaixo, o primeiro andar já estava quase todo tomado pro chamas que queimavam aos poucos as escadas e móveis. Pilastras de madeira abaixo do chão do segundo andar estalavam, a casa se rendia ao fogo.

-Mamãe, papai! –gritou correndo pelo corredor incandescente.

Grunhiu de dor quando tocou a maçaneta e esta queimava. Usou a manga do pijama para abrir a porta sem se machucar tanto e pulou para dentro, gritando por seus pais. Tarde demais, o quarto já estava tomado por chamas. A criança chorava silenciosamente. Por um momento seu choque foi tão grande que não conseguia se mexer.

A cama de casal estava tomada pelo fogo. E nela, seus pais estavam deitados, ainda dormiam como se nada estivesse acontecendo. Juntos num abraço mortal, os dois ardiam em chamas num sono profundo do qual nunca mais acordariam.

A casa tremeu com o grito estridente que saíra daquele quarto. O menino chorava aos berros, gritando por seu pai e sua mãe, abraçado no cão que grunhia assustado.

Os móveis de madeira foram se desfazendo um por um. O enorme armário do casal tremeu em chamas e caiu em cima da cama, fazendo as cinzas subirem e sujarem o a face do menino, que agora era feita de puro medo.

Só teve forças para se levantar e correr para fora do quarto. Olhou em volta. O fogo só se espalhara mais. As escadas mais próximas estavam prestes a desmoronar, mas foi a única saída do pequeno, que as desceu desesperadamente.

Não sabia mais o que fazer. Ao seu redor a casa estava prestes a cair, estava coberto de cinzas e seu corpo ardia por ter esbarrado no fogo e ganhado algumas queimaduras. Em seus braços o filhote latia tão desesperado quando o garoto.

O fogo sufocava a casa, o menino tossia sem conseguir respirar direito. Tudo ali virara uma massa negra de fumaça e fogo ardente.

Momentos depois ouviu a porta da frente ser derrubada brutalmente e dela entraram vários homens vestidos de roupas pretas e capacetes. Agora conseguia ouvir os sons vindos lá de fora: os carros de polícia soando, a sirene dos bombeiros tocando incessantemente. Vozes, vozes e mais vozes, mas nenhuma conhecida.

Aqueles homens uniformizados vieram bravamente para dentro das chamas, chamando por alguém. O menino gritou rouco e fraco, não tinha mais forças para nada.

Um dos homens finalmente encontrou o pequeno menino encolhido perto da escada que desabaria a qualquer momento. Falou alguma coisa sobre ficar calmo, pois os bombeiros haviam chegado e o pegou no colo.

Soluçando de dor, o menino agarrou-se desesperadamente na roupa do homem, chorando. Foi levado finalmente para fora, onde sentiu o cheiro da noite e o vento frio lhe fez tremer.

Foi deixado na beira da rua, onde policiais e vizinhos murmuravam e se amontoavam curiosos. Os bombeiros lutavam contra o fogo insistente que parecia não acabar. O pequeno menino só ficou ali, machucado, sujo, com um filhote nos braços, paralisado de medo enquanto assistia o fogo tomar sua casa rapidamente.

Chorava baixinho, suas pernas tremeram já sem forças e ele caiu ajoelhado. Soluçava chamando pelos seus pais, mesmo sabendo que eles não viriam mais. Ouviu então as primeiras vozes conhecidas naquela noite.

Seus avós acabaram de sair de um carro que chegava agora. Ambos pareciam tão confusos quanto o menino. Abraçaram-no repetindo que estava tudo bem, que agora estariam juntos e nada poderia separá-los. O filhote choramingava com feridas ardendo em seu pequeno corpo.

Algumas horas se passaram até que os bombeiros conseguiram apagar o fogo. Mas a casa havia sido inteiramente destruída. De cabeça baixa em respeito ao sofrimento da família, os bombeiros se aproximaram. Explicaram que a casa havia queimado por completo e nada foi salvo, ninguém foi salvo. O menino voltou a chorar naquela hora, até que um bombeiro, aquele que o salvara, tirou do bolso do casaco um papel amarrotado.

“Foi o único que conseguimos salvar” ele disse e entregou para o menino uma foto.

Estava queimada nas bordas e um pouco suja, mas ainda se via as três pessoas nela: a mulher de longos cabelos negros e lisos sorrindo docemente sentada num banco. No seu colo, o menino de cabelos igualmente negros sorria abraçado num filhote de cachorro que lambia seu rosto. E finalmente, sentado ao lado destes, o homem alto de cabelos castanho-escuros passava o braço pelos ombros da mulher.

Na parte de trás da foto, lia-se escrito com letras infantis:

“Mamãe, papai, Alec e Netuno. Uma família feliz!”

Não mais.”

Alec acordou num grito, sentando-se na cama rapidamente. Suor escorria pelo seu rosto, suas mãos tremiam e no canto de seus olhos haviam brotado lágrimas brilhantes. Levou a mão ao rosto e respirou fundo, tentando se acalmar.

Netuno acordara com o grito do dono e agora grunhia ao lado da cama, tocando o braço trêmulo de Alec com o focinho molhado, como se perguntasse se ele estava bem.

-Alec querido, foi você quem gritou? –a porta do quarto se abriu revelando a senhora idosa com uma expressão preocupada.

-Estou bem, vó. -o rapaz esfregou as lágrimas na manga do pijama, soluçando baixinho- Eu só... Tive aquele sonho de novo. Agora... Me deixe um pouco sozinho, por favor.

-Querido... –ela murmurou.

-Por favor. –repetiu.

Ela hesitou, mas acabou por acenar com a cabeça e sair, fechando a porta.

Alec se levantou e começou a tirar a camisa do pijama para se trocar. Olhou para a escrivaninha perto da cama e encarou os dois porta-retratos nela. Um deles continha uma velha foto amarrotada e semi-queimada, a velha foto que lhe sobrara depois do incêndio, a única coisa que tinha de recordação da sua família.

O segundo porta-retrato tinha uma foto mais atual, de seis adolescentes, cada um fazendo uma careta diferente. No canto, duas marcas de patinhas. Era a foto tirada quando Tomás chegara. Alec esticou a mão e abaixou o porta-retrato.

Eles eram sua nova família.

Seus olhos se encheram de lágrimas e ele se permitiu chorar como não chorava a um bom tempo.

E, mais uma vez, ele estava perdendo sua família.

A atmosfera daquela sala de aula estava mortalmente pesada. Idan, que sempre era tão falador e agitado, estava agora quieto, tenso, encolhido na sua cadeira ao lado da janela e mordiscando a ponta do enfeite de flor da caneta cor-de-rosa. Seus cabelos tinham um toque úmido e ele não aprecia tão bem arrumado quanto nos outros dias.

Sarae, que sempre se sentava perto do loiro, olhava de soslaio para ele, preocupada com o estado do garoto. Se bem que durante esses três dias após aquilo que Daren dissera, Idan parecia aflito e tenso a cada momento.

“Meus pais vão voltar para a Alemanha. E eu vou com eles.”

-Ah, Daren... –Sarae suspirou pesadamente, olhando para trás, para o lugar que Daren sempre sentava, mas que hoje especificamente estava vazio.

Cleres chegou abrindo a porta com um chute, assustando Mathias e Matheus, que estavam perto da porta e se encolheram enquanto o repetente passava quase que se arrastando pelas carteiras. Enquanto este andava olhando ignorantemente para algum canto da sala, Sarae observou-o bem, com um olhar fixo de quem memoriza um rosto.

O rosto do garoto possuía dois piercings vermelho-carmim no canto da sobrancelha direita e uma cicatriz de um corte pequeno, porém profundo que atravessava o canto esquerdo do lábio dele. Sua pele era levemente morena, num tom um pouco amarelado. Seu cabelo negro e mal-tratado ia quase que até o meio das costas.

O garoto olhou Sarae e torceu o nariz, provavelmente lembrando-se daquela “garota estranha”. Depois passou o olhar por Idan, que o olhava com medo. Sorriu sarcasticamente e jogou a mochila suja de couro velho na carteira que Daren sempre sentava.

-Ei, bicha loira. –Cleres chamou com um aceno de cabeça, e Idan hesitantemente olhou para ele- Cadê o seu pseudo-namorado emo, hein? Ele te abandonou, é?

É claro que os rumores de que Daren ia embora já estavam espalhados pelo colégio, mas ninguém, nem mesmo os garotos que o incomodavam, falaram nem uma palavra sobre isso com ele. E Cleres ter dito aquilo, logo Cleres, que não sabia absolutamente nada sobre ele, o feriu ainda mais.

Idan abaixou o rosto e encolheu os ombros. Cleres voltou para a frente da mesa dele, segurando num tufo de cabelo do loiro e puxando-o para cima, forçando Idan a olhar para ele.

-Ah, o que foi? Você vai chorar, é? –o moreno riu sarcasticamente e soltou o cabelo dele, fechando o punho, preparando para um soco.

Mas ele foi impedido. Quando já estava pronto para socar o pequeno loiro, sentiu um forte impacto no seu pescoço. Estava tão distraído em aterrorizar Idan que havia esquecido do mundo e levara um soco incrivelmente habilidoso, que o fez cambalear para trás, para longe de Idan.

-Mas que me-...!?

-Aí! –Naehe ainda estava com o punho fechado, depois de ter dado o soco em Cleres- Se você se meter com ele, se meteu comigo, ouviu!?

A garota estava com uma expressão visivelmente irritada. Atrás dela, Sarae e Tomás estavam acuados, mas com uma postura frustrada. Cleres se ajeitou, desferindo baixos xingamentos incompreensíveis.

-Você tem sorte que eu não bato em mulher. –ele apontou para Idan e se voltou para sua carteira, se sentando de qualquer maneira.

Sarae foi imediatamente abraçar Idan protetoramente, como uma mãe que dá carinho ao filho. O loiro se ajeitou no abraço dela e respirou fundo.

-Vamos conversar no recreio. –ela disse baixo, com uma voz gentil.

Todos se sentaram quando o professor de português chegou batendo no quadro e pedindo silêncio. Ao decorrer dos tempos de aula, Alec chegou atrasado, dando um bom-dia desanimado e andando cabisbaixo para sua cadeira.

O sinal finalmente tocou. Naehe havia passado um bilhete escondido para que os outros quatro a encontrassem no canteiro da escola no recreio. E não se passou nem dez minutos e lá estavam os cinco reunidos.

-Ele não veio hoje. –Idan murmurou.

-Nós sabemos disso. –Sarae murmurou, mordiscando o lábio- O que houve com você? Parece abatido.

-Eu passei esses dias tão alheio a tudo... Só tentando me acalmar em relação ao Daren... Ligava todo dia para a casa dele, queria tentar em desculpar, pelo menos falar com ele, mas sempre que ele atendia e eu tentava falar algo, ele desligava e não tornava a atender mais.

-Idan... –Tomás tocou a mão dele- Você sabe, ele está sofrendo com isso também.

-Eu sei. –o loiro choramingou, colocando as mãos no rosto- Mas... Eu não quero que ele vá. Eu não quero...

-Nós entendemos, Ida. –Naehe falou tentando manter a calma, tocando o ombro dele- Mas temos que pensar no melhor. Quem sabe ele esteja negociando com os pais? Ele pode até ter dito isso só para assustar, ou...

-Ou ele foi embora sem falar com a gente. Recusando despedidas sofridas. –Alec disse rispidamente num tom de voz frio.

-Não, isso não... –Idan olhou assustado para Alec- Ele não faria isso... Não...

-Ele e você não são mais namorados, Idan. Entenda, ele foi embora sem querer passar por um momento de despedidas que o fariam sofrer mais. –Alec olhou para o loiro- Ele se foi, Idan.

-Alec! –Tomás falou alto, bem mais alto do tom que sempre usa, dando um tapa forte no rosto do moreno.

Silêncio. Todos estavam assustados com a reação repentina do ruivo, que sempre se mostrou ser o mais calmo do grupo.

-T-Tomás... –Sarae olhou para Tomás, que abraçava os próprios ombros.

-Você está doente, Alec. Está falando coisas sem sentido. –o ruivo soluçou- Daren não faria isso... Ele não iria embora sem dizer nada.

Mais silêncio. Ninguém sabia o que dizer, enquanto Tomás estava à beira de lágrimas. Sarae e Naehe também haviam percebido que Alec agira estranho hoje. Por fim Alec respirou fundo e tocou seu rosto. Estava cansado. Seu pesadelo não saia de sua cabeça. Estava agoniado.

Segurou a mão de Tomás e o puxou para perto de si, abraçando o garoto agora com uma imensa calma. Pediu desculpas baixo. Fez um carinho no cabelo dele e olhou para os outros, que tinham um semblante compreensível.

-Bem, só tem um jeito de descobrirmos a verdade. –Alec cortou o silêncio- Sara, me passa o seu celular.

-Ahn.. Certo. –ela jogou o aparelho para o moreno, que o pegou com uma mão- O que você vai fazer?

-O que eu tenho que fazer, oras. –ele sorriu confiante.

Tomás olhou para o sorriso do veterano e não pode evitar de sorrir também.

Alec mexeu um pouco pra lá e pra cá no celular pequeno e velho de Sarae e logo já estava com o aparelho chamando alguém. Ajeitou desengonçadamente no viva-voz e afastou o telefone do rosto, deixando no meio dos cinco que se juntaram para ouvir.

-Pois não? –uma voz facilmente reconhecível soou do outro lado da linha, o viva-voz deixando todos ouvirem, mas somente Alec respondeu.

-Daren?

-Eu mesmo. –a voz respondeu.

-Sou eu, Alec.

-... –um silêncio profundo assustou os cinco, que temeram que ele desligasse agora.

-Se você desligar o telefone eu te caço com um rifle tranquilizante de urso. –Alec falou antes que o meio-alemão tivesse qualquer reação.

-O que você quer, Alec? –a voz de Daren parecia mal-humorada.

-É melhor você ter uma explicação para não ter aparecido hoje. –Alec fez bico.

-Isso não interessa pra você.

-Interessa sim! –Sarae falou aflita antes que Alec dissesse algo.

-Sara! –Naehe murmurou.

-Opa!

-O quê!? –Daren resmungou- Que droga é essa!?

-Daren! –Idan choramingou- Daren, por favor me diga que você não foi embora! Por favor!

-I-Idan? É você? –Daren gaguejou nervosamente.

-Sim...

-Ai meu pai do céu, vocês não me deixam falar. –Alec grunhiu.

Silêncio novamente. Ouviu-se um pequeno estalo do outro lado da linha, como que um muxoxo. Finalmente, depois de um minuto de silêncio, a voz de Daren sussurrou:

-Aeroporto Central, o avião sai às sete e vinte. – e então desligou.

Os cinco se entreolharam. Não disseram anda, mas pensavam o óbvio: não iriam deixar que Daren partisse.

O sinal tocou pontual como sempre, às seis da tarde. Os alunos saíram como jatos da sala, isso incluía os cinco que correram apressados pelos corredores, as mochilas sacudindo e alguns objetos caindo pelo meio do corredor.

Quando chegaram ao portão da escola, lá estava o alto moreno de cabelos lisos negros como carvão que desciam até pouco depois de seus ombros, os olhos azuis faiscaram por trás das lentes dos óculos quando viu que os cinco se aproximavam.

-Ei irmão, demoramos? –Sarae quase se jogou nele, abraçando sua cintura, já que era baixinha demais e ele, alto demais.

-Não, cheguei a pouco. Mas vocês me chamaram com tanta pressa, o que aconteceu? –perguntou olhando os outros, que pareciam um pouco acanhados diante dele, e sorriu um pouco.

-Nós precisamos chegar no Aeroporto Central em uma hora. –Idan falou meio tenso- S-Será que dá?

-Bem... Se eu ver bem o caminho e caçar todos os atalhos possíveis, talvez. Mas nós precisaríamos sair... Agora. –ele abriu a porta da van branca atrás de si- Entrando, cambada.

Todos se apressaram em correr para dentro, enquanto o mais velho se posicionava no banco da frente, arrancando com força.

-Seis e cinco da tarde. –Tomás conferiu o relógio.

-X-

-Daren! –a mulher loira chamou adentrando a porta do quarto do garoto- Estamos atrasados, termine logo de arrumar esta bendita mala e desça para a limusine!

-Certo, mãe. –o garoto disse num tom embargado, os olhos marejados.

A pequena Naruki estava no primeiro andar, brincando com um pônei roxo de pelúcia, parecendo muito entretida em galopá-lo pelo seu colo e fingir estar relinchando, enquanto sacudia as perninhas, sentada em cima da sua mala cor-de-rosa.

Daren logo apareceu ali, arrastando-se com a capa mal-colocada. Sentou-se no sofá perto de Naruki.

-O irmãozão tá triste? –a loirinha parou de relinchar para olhar Daren- Não fica triste, não! Lembra que aquele menino loiro legal sempre dizia? Ele dizia que sorrir faz bem! E você sempre se sentia bem quando sorria pra ele! Sorria pra Naruki também, irmãozão...

-O Nome dele era Idan, Naruki. –Daren tampou o rosto com o braço direito- Idan...

-irmãozão... –Naruki choramingou.

-X-

-Já são seis e cinquenta, Joshua! –Sarae reclamou.

-Desculpe, mas o trânsito está um horror! –o moreno no volante reclamou enquanto esfolava a buzina, que ressoava alta e estridente.

-Não vai dar tempo, não vai dar tempo! –Idan estava começando a surtar no bando de trás.

-Acalme-se, homem! –Naehe segurou Idan.

-Ah, vai dar tempo sim. –Joshua ajeitou os óculos finos no rosto- Segurem-se.

Antes que todos entendessem alguma coisa, o carro fez uma brusca ré que quase bateu no carro de trás e avançou por outra rua vazia que ia no sentido contrário.

-Pra onde está indo!? –Tomás falou assustado- É pro outro lado!

-Eu sei. –um sorriso se desenhou no rosto do motorista.

Ele pressionou o pedal e o carro arrancou mais rápido, então ele virou para uma entrada proibida que dava num bosque vazio e entrou com o carro ali, quebrando a corrente da placa de ‘entrada proibida’.

O carro avançou pelo bosque, os cinco gritando de susto, sendo que Naehe e Alec gritavam de animação, como se estivessem numa montanha russa. O bosque tinha poucas árvores, que a van driblou como se estivesse num vídeo game. Por fim saíram do bosque quebrando uma cerca e saindo numa rua vazia de frente para o estacionamento do aeroporto.

Todos ficaram um minuto em silêncio absoluto, em choque. De olhos arregalados, e boquiabertos, respiraram fundo ao mesmo tempo para conferir se estavam vivos.

-Você já tinha feito isso antes? –Idan murmurou.

-Não. –o rapaz mais velho riu nervosamente- E não pretendo fazer de novo.

O carro entrou no estacionamento com cuidado, então todos se entreolharam para conferir os outros com vida.

-Essa foi... –Alec começou- ...a coisa mais foda que eu já fiz na minha vida toda!! Vamos de novo!

Então ele e Naehe começaram a rir freneticamente, enquanto todos saíam da van.

-Certo, agora –Joshua deu um beijo na testa de Sarae- Creio que vocês tem um alemão para buscar. Espero aqui.

-Voltamos já! –Sarae sorriu para ele e os cinco correram para dentro do aeroporto.

“Voo 6434 com destino à Berlim, o avião irá decolar dentre alguns minutos. Favor entrada pelo portão 17.”

Cinco adolescentes atrapalhados corriam desengonçadamente pelo grande aeroporto enquanto seguiam a voz da mulher que soava pelas caixas de som. Sarae puxava Tomás pelo pulso, pelo ruivo ser muito lento. Idan quase deslizava no chão, procurando desesperadamente por entre os portões numerados.

Finalmente, no meio da multidão que enchia o aeroporto, encontraram o portão 17, já vazio, somente uma moça já entrava e o guarda se preparava para fechar o portão preguiçosamente.

-Por favor, não feche! –Idan pediu, se aproximando com os outros.

-Bilhete, por favor? – a aeromoça disse esticando a mão para o grupo.

-Não, nós não vamos embarcar, nós temos que tirar uma pessoa desse voo. –Alec tentou explicar- É urgente!

-Desculpe senhor, mas se não vão embarcar não podem passar pelo portão. –a moça falou com a voz polida.

-Por favor! É rápido! –Sarae choramingou.

-Não. –ela repetiu, agora mais séria.

-Por favor!

-Eu tenho que fechar o portão! Se não irão embarcar, façam o favor de ir embora. –o guarda disse distraidamente.

-Não iremos embora. –Naehe disse firme.

-Então chamaremos os seguranças. –a moça se afastou um pouco.

Silêncio. Eles se entreolharam.

Em segundos, Tomás nem conseguiu raciocinar o que ocorrera, Naehe e Alec empurraram o guarda e Sarae empurrou Idan para dentro do portão. O loiro desatou a correr enquanto ouvia vozes gritando atrás de si.

Em poucos segundos Idan estava fora do portão, de frente para a área aberta onde os aviões iam e vinham. Avistou um que estava pronto para decolar, e numa das primeiras janelas, ninguém mais ninguém menos que Daren, distraidamente olhando o nada.

-Daren! DAREN! –Idan gritou o nome do garoto, acenando com vontade.

O meio-alemão olhou para ele, e quando viu Idan ali acenando para si, grudou o rosto na janela. Gritou o nome do loiro com lágrimas brotando no canto dos olhos azuis cristalinos.

Dentro do avião, todos passaram a olhar o garoto que gritava na janela. Os pais, constrangidos, tentaram puxar Daren para longe da janela, mas o meio-alemão não queria se mexer nem um centímetro. Naruki achava aquilo divertido e riu.

-Mãe, pai, eu tenho que descer! –Daren continuava na janela, agora com um sorriso no rosto e lágrimas no rosto- Ele veio! Ele veio me buscar!

-Daren, por favor. –a mãe disse baixo, dura- Está nos fazendo passar vergonha.

-Não ligo! –o filho retrucou, deixando a mãe indignada- Por favor, me deixem descer, eu preciso ir lá.

Do lado de fora, as turbinas começaram a girar. Idan já chorava, mas sorria para o garoto na janela.

-DAREN! –ele gritou, a visão embaçada pelas lágrimas- EU TE AMO!

-e... EU TAMBÉM! EU TAMBÉM TE AMO, IDAN! –Daren gritou, então olhou para a aeromoça- Eu tenho que descer, agora!

-Senhor, me desculpe... Mas é impossível. –ela disse assustada.

-O... O quê? –o sorriso se desmanchou.

-É impossível, o avião já está decolando. –ela se curvou e saiu.

Daren parou por instantes, chocado. Ignorava os murmúrios das outras pessoas, as palavras cruéis de seus pais. Só voltou a si quando Naruki tocou sua mão. Voltou a olhar a janela, mas o avião já estava andando e Idan ia ficando aos poucos para trás.

-Daren... –Idan já estava sendo puxado pelos seguranças, mas não ligava. Chorava, vendo os olhos azuis brilhantes de Daren se afastando de si- D-Daren...!

-Ele se foi. –a mãe alemã completou ríspida olhando Daren friamente- E não voltará mais a ver esse menino. Nunca.

Daren via agora pela janela o ponto loiro ser arrastado para dentro. Não via, mas sentia que Idan estava chorando. Seu coração doeu como nunca havia doído antes. Estava sendo arrancado daquele que amava.

O silêncio finalmente reinou no avião. Um silêncio por demais doloroso.

Daren tirou o olhar da janela e ficou olhando fixo para o nada á sua frente, os olhos azuis marejados, rosto marcado por lágrimas e o olhar totalmente perdido. Ouvia a voz de Naruki ao seu lado lhe chamando, mas ela parecia tão distante... Tudo parecia não importar mais... Só ouvia suas memórias, a voz doce de Idan soando em seu ouvido, dizendo que o amaria para sempre, chamando seu nome carinhosamente.

De uma coisa estava certo: Se não pudesse ver Idan, nunca voltaria a ser feliz de novo.

Notas finais
eu chorei escrevendo isso, alguém chorou lendo? ((sejam sinceeeros~~
Entenderam a primeira parte do capítulo? Seria o motivo da fobia do Alec(já tava na hora!), tadinho.
Bem, agora é ver pra saber o que vai acontecer com o grupo, ohohoh..
podem me matar agora~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.