Mônica chorava copiosamente quando entrou em casa. Seu trabalho era um problema, o chefe um desalmado. Só precisava desabar nos ombros do marido e abraçar André.

Ouviu gemidos vindo do quarto do filho. Viu que a TV da sala estava ligada no canal de futebol. Roberto estava em casa. Largou a bolsa em cima do sofá, enxugou as lágrimas, tirou os sapatos. Percorreu assustada o corredor, vendo um pequeno facho de luz debaixo da porta se movimentar. Encostou o ouvido, que captou o pior ruído que já ouvira em toda sua vida. Abriu a porta. Nunca mais esqueceria aquela cena... Roberto, seu marido, estuprando seu pequeno menino...

Saiu correndo do quarto do filho, entrou no quarto do casal, onde aquele filho-da-puta dormia com ela todas as noites. Revirou as gavetas de Roberto até encontrar sua arma, a pistola que comprara para proteger sua mulher e seu bebê. Estúpido...

Voltou ao quarto do filho, apontou a arma com a mão trêmula.

O barulho do corpo caindo ao chão. O filho chorando, gritando.

Acabou.

Desde o dia em que seu pai morreu, André não conseguia mais dormir. Passava as noites em claro, lembrando do choro da mãe e da dor que sentira. Não era uma dor física, mas uma dor na alma.

Seus anos na escola não haviam sido fáceis: problemas com colegas, indisciplina, brigas, etc. Havia se formado em medicina. Um dos melhores alunos da classe, adorado por professores e colegas. Trabalhava para a polícia, legista.. Um futuro promissor.

Legista e assassino.