Fluxo Contrário
2 Melina
Móveis novos, limpos, modernos. Piso impecável. Cheiro de casa limpa, roupa lavada.
André chega, faz carinho em Josh, o gato. Passa pelo corredor, entra direto no banheiro. O dia havia sido longo. Hora de um banho pra tirar todas as marcas, relaxar e aproveitar o perfeito silêncio morador daquela casa.
A água escorre avermelhada, sinais de seu trabalho. O cheiro de sangue invade o cômodo. Realmente, não fora um dia fácil.
Naquela manhã, ao dirigir para o DP, percebeu uma menina que andava rapidamente, como se estivesse fugindo de algo ou alguém. Parou o carro imediatamente, jogando-o na calçada. Desceu e continuou-a seguindo de longe. Reparou que um homem alto, de pele negra, roupas sujas e gastas, corria em direção a menina, que escondia seus seios fartos na blusa.
Melina corria apressada, com medo daquele monstro que havia elogiado seu corpo. Corria, apertando a pasta contra o peito arfante. Medo. Entrou num beco sem saber que não haveria saída. Gelou.
O homem estava bem ali. Alisava seu próprio corpo, mostrando o que a menina teria que fazer. Chegou perto e puxou os longos cabelos castanhos, cheirou-os e lambeu o rosto de Melina. Tirou a pasta das mãos da menina imóvel e rasgou sua blusa. Apreciava feito um animal sua nova presa, tremendo de medo, suando frio, rezando para não morrer. Percorria o corpo da menina como quem procura uma imperfeição no papel, milímetro a milímetro.
Jogou a garota no chão, que se esgueirava entre latas de lixo e caixas de papelão. Abriu sua calça velha e suja. Colocou a mão trêmula de Melina em seu membro e deliciou-se com a sensação.
A garota chorava, sentido-se suja, tendo seu corpo invadido por um estranho.
André não conseguia encontrar a menina, nem o homem. Corria entre as ruas, procurando qualquer sinal. Sabia que aquilo não era normal, não para os normais. Para ele, era mais um rosto em sua lista.
Passou pelo beco. O beco. Viu que uma mulher, a sua menina, se levantava, juntando o pouco de roupa que lhe restava. Sinal de que o estuprador estava por perto, não poderia perdê-lo.
- Ei! Fique aí! Não saia, não. Já venho te ajudar! — Disse André. André Saiu correndo, olhava atento para todos os rostos, mas saberia reconhecer um estuprador... Reconheceu, numa esquina, o maldito. Conferiu no bolso, sua seringa estava lá. Ele mesmo havia preparado a mistura na tarde anterior. Chegou perto. Mais perto. Parou atrás do fedorento e, muito rapidamente, espetou a agulha no braço descoberto do homem e injetou o conteúdo. O homem, pesado, cambaleou e André, como quem tenta ajudar, segurou-o, levando-o de volta ao beco. Aquele morreria por envenenamento.
Jogou o corpo sujo num canto oposto onde encontrava-se Melina. Chegou perto da garota, com um pano nas mãos. Aproximou-se um pouco mais. Com uma rapidez extrema já estava segurando a garota pelo pescoço e fazendo-a respirar o clorofórmio. Assim ganharia tempo para livrar-se do corpo do homem e levar a vadia dali.
Buscou o carro e entrou no beco. Seguro o homem pelos pés e colocou-o na porta malas, todo sem jeito. Amarrou as mãos do porco e jogou um cobertor preto por cima. Trancou o porta malas. Pegou nos braço de Melina e colocou-a no banco traseiro. Acomodou a garota e, para não levantar suspeitas, jogou um cobertor no corpo.
Dirigiu normalmente, como quem não carrega dois corpos. Abriu o portão da garagem e entrou. Primeiro, cuidaria de quem ainda podia acordar.
Levou Melina para o seu laboratório, nos fundos da casa, num porão limpo, organizado e moderno. Tirou as roupas da garota, colocou-a em cima da mesa, amarrou seus braços e pernas e abriu o chuveiro localizado no teto. Assim ela acordaria e a brincadeira poderia começar.
Voltou ao carro, puxou o corpo já fétido do porta malas e abriu uma porta escura que dava para um galpão. Ao fundo, um armário frigorífico com gavetas. Depositaria ali o corpo do morto até que não o procurassem mais, depois o levaria para a fazenda da mãe para enterrá-lo junto com os outros. Viraria adubo.
Já era possível escutar Melina gritando no laboratório e a água correndo para o ralo.
Tirou sua roupa e vestiu o macacão branco, impecável. Colocou as luvas de látex e voltou ao laboratório.
Melina se assustou, tentando olhar para aquele vulto branco que, em instantes, já estava parado entre suas pernas, olhando minuciosamente cada detalhe de seu corpo. Começou a gritar:
- Socorro! Alguém!!! Socorro!!!
André soltou uma longa gargalhada, sempre se divertia com os pedidos de socorro, por uma chance de viver.
- Não adianta, garota. Ninguém vai te escutar aqui. — Disse André. — Por favor,implorava Melina, me deixe sair daqui! Não faça nada comigo! Você disse que me ajudaria...
Melina caiu no choro novamente, olhava para o teto e só via a luz por trás do chuveiro que molhava seu corpo com água gelada.
Hoje, eu vi você correndo, fugindo daquele homem que eu matei. Mas eu não o matei por sua causa, não. Só matei porque te queria só pra mim. Só te aconteceu isso porque você quis. Ninguém mandou você sair com uma blusa tão decotada, tão apertada. Ninguém mandou você olhar as pessoas com desejo,,,
– Mas eu não fiz naaaada... Só estava indo para a escola. Por favor, me deixe sair daqui, me solte!
— Não. Você fica. É minha vez de brincar com você.
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