Flowers and Cigarettes

7 \"Eu quero voltar no tempo e...\"


Atena –

Meu me olha esperando uma resposta. Ele quer saber o que a carta na minha mão diz, mas eu não sei como contar para ele. Estamos no seu escritório em casa, me sento na cadeira ao meu lado, de frente para ele.

— Filha? – ele me chama.

Eu não acredito no que a carta diz. Eu nunca tinha pensando que ele poderia fazer uma coisa dessas. Entrego a carta para meu pai e o deixo tirar as próprias conclusões.

— Atena, o que isso quer dizer?

— Quer dizer pai, que meu querido ex-marido tirou tudo que eu tinha. – eu respondo. Eu perdi tudo. O apartamento em Nova York, a casa na Florida, e metade da minha conta bancaria.

— Ele não pode fazer isso!

— Ele já fez. Ele é Eric Cronos, ele faz o que ele quer – eu digo. Estou chorando, mas não é por causa das coisas que foram embora, mas sim de raiva. Raiva de Eric, pelo o que ele fez comigo pelo o que ele fez com Annabeth e raiva de mim mesma por um dia ter me apaixonado por alguém como ele!

Eu sempre escolho o homem errado, sempre! Eu simplesmente deveria desistir!

— Calma Atena – meu pai fala.

— Não me peça para ficar calma! – eu grito a resposta.

— O que está acontecendo? – pergunta Annabeth aparecendo na porta do escritório.

— Nada filha – eu respondo enxugando as lagrimas.

— Chorando de novo mãe? – ela diz, se aproximando.

— Estou bem filha. Não se preocupa. Você vai ensaiar agora? – eu pergunto.

— Sim ,mas se você precisar de mim...

— Pode ir filha – eu a incentivo. Não a quero aqui agora, não quero contar isso para ela logo agora que ela parece estar se ajustando a cidade.

— Tudo bem, tchau – ela diz, saindo de casa.

Assim que ouço a porta da frente fechar e tenho certeza de que Annie saiu, eu me viro para meu pai, ele me olha preocupado.

— O que vou fazer pai? – eu pergunto esperando por qualquer resposta, procurando por algum conforto em suas palavras. – Ele tirou praticamente tudo que eu tenho!

— Não Atena, ele não tirou tudo de você – ele começa a falar. – Você é jovem, inteligente e ousada, você ai dar um jeito nisso. E você ainda tem a sua filha e seu pai para te ajudar, isso não é o fim mundo.

Meu pai não entende que esse é o fim do meu mundo. Olho ao meu redor e percebo que voltei para a estaca zero, sem emprego, com uma filha, insegura, ansiosa, enganada, cheia de conflitos internos, com medo, me sinto com 17 anos novamente. Isso é tão errado. Tão injusto. Eu quero voltar no tempo e me impedir de casar.

Mas se eu pudesse voltar no tempo eu impediria tanta coisa de acontecer. Não deixaria minha mãe morrer. Nunca teria me aproximado de Poseidon, nunca me deixaria ser enganada por ele. Fico em duvida se tiraria Fredrick da minha vida, afinal de contas ele me deu Annabeth e ela é simplesmente a coisa que mais amo nesse mundo, mas ele também me fez sofrer.

Não posso fazer nada para mudar o passado, mas o meu futuro vai ser diferente, eu vou fazer as coisas do jeito certo. Uma hora eu vou ter que acertar e vai ser dessa vez! Meu pai está certo, não estou sozinha. Tenho a ele e Annabeth.

Poseidon –

Olha para Percy mais uma vez. Ele está parado na minha frente usando apenas a calça do pijama com o cabelo bagunçado e cara de sono. Já o mandei voltar para a cama mais de uma vez, mas ele continua a me ignorar. Estou verificando os armários para ter certeza de que não falta nada.

— Já pegou tudo? – pergunta Percy olhando para a minha mala.

— Já sim – eu respondo.

Estou indo para o mar e só volto daqui a três dias e durante esse tempo ele vai ficar sozinho. Mas eu confio nele e não seria a primeira vez.

— Boa sorte – ele diz quando coloco minha mala na porta.

— Juízo. Não destrua a casa, nem acabe indo para a policia enquanto eu estiver fora – eu digo.

— Não garanto nada – ele responde.

— Tchau – eu digo e ele vem me abraçar. – Qualquer coisa, me liga.

— Pai, seu celular não tem sinal no mar.

— Se vira, manda um pombo correio – eu falo e vou embora.

Percy não gosta de quando eu vou para o mar sozinho, mas eu preciso de um pouco de tempo para mim mesmo. Eu gosto dessa sensação de ser o único homem no meio de um mar que parece ser tão infinito.

*xxx*~~*

Estou no mar a apenas três horas, já joguei a rede no mar e agora é só uma questão de tempo. Quando estou andando para a parte interna do barco uma onda bate na lateral do barco, fazendo-o balançar e derrubar algumas coisas que estavam em cima de um dos armários.

Uma caixa retangular de latão velha e enferrujada nas laterais caiu no chão. Demorei algum tempo para reconhecê-la. Eu a recolho levo para meu quarto. Sento na cama e abro a caixa.

Nem acredito no que está dentro da caixa. Fotos antigas, de quando eu estava no colegial. Um Poseidon de 17 anos, mais magro e menos musculoso, com os olhos mais brilhantes e o cabelo mais curto sorri para a câmera com uma caneca de cerveja na mão com seus melhores amigos do seu lado. Olhando para as fotos, eu percebi que faz muito tempo que sou amigo de Ares, Hefesto e Dionísio e eu nem faço ideia o motivo porque, sinceramente, ele são meio retardados as vezes.

No fundo da caixa existe um livro. Está velho e malcuidado. É um exemplar de “Orgulho e Preconceito” de Jane Austen. Uma fotografia marca a pagina onde eu parei de lar ( parei de lar na pagina 50, das quase 300). A fotografia é da pessoa que me deu o livro.

Atena.

Na foto ela está usando um suéter de lã, encolhida em uma poltrona com uma xicara de chá fumegante. Seu cabelo está solto, selvagem livre, caindo nas suas costas. Seus olhos cinza estão perdidos olhando para a janela, vendo o sol nascer.

Eu me lembro de quando tirei esse foto. Lembro-me de tudo que aconteceu antes daquela foto, e de tudo que aconteceu depois. Por que o tempo não parou naquele exato momento? Quando tudo estava bem entre nós?

Como conseguimos estragar aquilo que era perfeito? Acho que isso é um dom humano, destruir a perfeição. Somos autodestrutivos. Estragamos tudo e depois ficamos nos perguntando o porque, culpando alguma forma divina, sobrenatural ou o universo.

Sinto um aperto no coração e reconheço a saudade. Saudade do que? Do passado. Eu queria voltar no tempo e viver esses dias de gloria novamente e novamente e eu nunca ia me cansar. Eu quero voltar para onde as coisas eram simples.

Deito-me na cama, acendo um cigarro e abro o livro na primeira pagina. É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa... E começo a ler.