Notas iniciais
MUSICA: Everything Has Changed - Taylor Swift feat. Ed Sheeran

N/A: Obrigada pelos comentarios!! *-*

Percy –

Eu estou no corredor, as costas apoiadas no meu armário, uma mão no bolso a outra no meu skate conversando com meu amigos. Grover dá um cutucão no meu braço e apontou para a porta, mas foi discreto.

Ela tinha acabado de entrar no corredor. Ela tem um modo calmo e leve de andar, seu cabelo está preso em um coque, ela não usa maquiagem. Ela é simples. Normal.

Penso que ela vai vir na direção, mas no meio do caminho ela para em um armário. Pega um papel no bolso e confere para ter certeza que esse é seu armário então coloca alguns livros dentro dele e fecha a porta.

Dessa vez não tem saída, ela vai passar por mim, será que vai falar comigo? Talvez eu devesse falar com ela.

Nossos olhos se encontram, e trocamos um breve sorriso. Tá certo. Devo falar com ela. Mas na mesma hora em que tomo essa decisão, um veterano, e não qualquer um, mas Luke Castellan surge, vindo sabe Deus da onde, do lado dela. Eles começam a conversar, e ela passa direto por mim. Ele diz algo que faz ela rir e eles continuam andando. Quando eles estão no final corredor, ela olha para trás, para mim, e depois desaparece.

— É ela? – Grover pergunta. Eu tinha comentado com ele sobre o que aconteceu no Dickson’s.

Balanço a cabeça e finjo que estou prestando atenção em algo uma coisa que Nico e Beckendorf estão discutindo. De todas as pessoas da cidade, ela tinha que fazer amizade com Luke Castellan? Eu sou um idiota. Eu devia ter ido falar com ela assim que ela parou em seu armário. Talvez, se Luke me visse com ela, não se aproximaria. Mas não. Eu resolvi esperar. E esse foi meu erro.

— Você sabe alguma coisa sobre ela? – pergunta Grover.

— Não – eu respondo. Sei duas coisas sobre ela: seu nome é Annabeth, e ela anda com Luke..

O primeiro sinal toca e cada um segue seu caminho, indo para a sua primeira aula. Eu não queria, mas acabei dormindo mais da metade da aula de Historia. Quando a professora estava se aproximando de mim, Rachel me deu um empurrão, me fazendo acordar.

— Fascinante o modo como a Revolução Francesa se iniciou – eu pulo na cadeira, falando isso.

— Que bom que você acha isso Percy, mas já acabamos com a Revolução Francesa faz tempo.

— Isso faz dela menos fascinante? – eu pergunto, tentando me salvar de uma detençaõ de algum modo.

— Jackson, apenas preste atenção – ela diz e volta para frente da sala.

— Obrigada Rach – eu agradeço quando a aula termina.

— Se você não ficasse até tarde fumando e andando de skate, você não dormiria na aula.

— Rachel! – eu digo com falsa indignação. – Eu também bebo não se esqueça.

— Idiota.

A segunda aula se arrastou até finalmente chegar na pior aula do dia. Economia domestica. Por que mesmo eu me inscrevi nisso? Ah é. Dois motivos: achei que seria legal saber cozinhar alguma coisa, porque meu pai só sabe fazer peixe, e se eu não pegasse Economia Domestica, teria que fazer francês. Eu já não falo a minha língua mãe direito, imagine francês.

Pelo menos Beckendorf está nessa aula comigo. Ele pode consertar qualquer coisa mecânica nesse mundo, mas o garoto não sabe nem quebrar um ovo direito. Exatamente igual a mim.

— Olá querida – eu digo para ele quando entro na sala.

Como boas-vindas, ele joga um avental na minha cara. Sempre tenho minhas duvidas em relação a professora. Ela me faz sentir que estou em um episodio de Hell’s Kitchen. Ela não sorri, nem é simpática com a gente. Ela tem o dom de fazer as pessoas desistirem da aula dela. Mas eu ainda prefiro passar por isso do que aprender francês.

- Duplas – ela diz. – Hoje vocês vão uma coisa extremamente fácil. Cupcake. Não há mistérios.

Dois minutos depois, ela entra na sala. Está ofegante e parece um pouco confusa.

— Me desculpe, não consegui achar a sala – ela diz para a professora.

— Você é nova aqui – fala a professora. – Todos já têm uma dupla...

— Não me importo em trabalhar sozinha – ela interrompe a professora.

— Otimo, qual é o seu nome?

— Annabeth Chase – ela responde.

— Vá se sentar.

A sala é dividida entre dois grandes balcões com o espaço de dois metros entre eles e ao nosso redor temos tudo que precisamos. Os fornos ficam nos fundos da sala. Annabeth pega o balcão oposto ao meu, um pouco mais para o fundo.

Quando a professora começa a passar a receita no quadro-negro e todos copiam. Menos Annabeth. Ela só olha para a professora escrevendo, nem tira um caderno da bolsa.

Beckendorf vai pegar os ingredientes. Annabeth pega cada um dos ingredientes com calma e coloca no balcão. E quando todos pegam as batedeiras, ela pega uma colher de pau.

— São apenas cupcakes. Vocês pensam que sabem cozinhar, mas aqui uma novidade para vocês: saber fazer miojo não faz de vocês grande chefs. – a professora fala para nós.

— Como funciona essa coisa? – pergunto a Beckendorf.

— É só colocar os ingredientes dentro – ele fala, e então jogamos as coisas dentro da batedeira, mas acho que colocamos algumas medidas erradas. – e ligar.

No momento em que ele ligou a maquina, farinha e leite espiraram para todos os lados.

— Desliga, desliga, desliga!! – eu digo para Beckendorf, mas já tarde demais, mais da metade da mistura está jogada em nós.

Annabeth da uma risadinha de nós a distancia, sem parar de bater a massa ao modo antigo, na mão. Pensei que tinha papel de idiota com a cena da batedeira, mas olhando ao redor, todo mundo está com algum tipo de problema. Menos Annabeth. Ela parece calma no meio do caos alheio, todos correndo e gritando e ela enchendo suas formas com a massa.

— Percy acho que fizemos alguma coisa errada... – comenta Beckendorf olhando para a massa. – Ela devia ter essa cor?

— Acho que precisa da mais farinha – eu digo jogando um pouco mais de farinha no meio da massa.

— Acho que você colocou demais.

— Temos que colocar isso no forno logo – eu digo pegando uma das bandejas. Já tínhamos perdido muito tempo refazendo a massa. Fomos os últimos a colocar a massa no forno, tivemos a brilhante ideia de aumentar a temperatura para ir mais rápido. Simplesmente brilhante. Enquanto os cupcakes estão no forno, limpamos o balcão e nós mesmos.

Pego uma luva e retiro os cupcakes do forno.

— Quente, quente, quente!! – eu digo jogando a forma no balcão.

Annabeth já decorando seus cupcakes.

— Acho que queimou um pouco – eu digo tirando um da forma. A parte de cima está queimada.

— Cupcakes são pesados desse jeito? – Beckendorf pega um.

— Quem vai experimentar? – eu pergunto.

— Deixa a professora fazer isso, vamos decorar – ele diz.

Pelo menos a decoração ficou bonita, cupcakes azuis e vermelhos, nem dá para perceber que está queimado. Quem sabe ainda existe uma salvação?

A professora começa a provar os cupcakes pelo meu balcão, Beckendorf e eu nos preparamos mentalmente para o que está por vim quando a professora se aproxima.

— Dá para ver que vocês colocaram a mão na massa – ela olhando para nós, sujos de farinha, e pegando um dos cupcakes.

Ok, das mil e uma coisas que ela falou, eu me lembro de algumas do tipo “nem um cachorro de rua comeria isso” “meu avô consegue fazer algo melhor, e ele só tem um das mãos” entre outras coisas. Fomos declarados os piores cozinheiros daquela turma. A gente já sabia disso, mas agora era oficial.

— Não deve estar tão ruim assim – eu digo olhando para meus pobres e rejeitados cupcakes.

Beckendorf toma coragem e come um deles. O cupcakes não ficam 5 segundos dentro da boca dele antes de ele cuspir tudo.

— Percy – ele me chama. – Acho que a professora tem razão em cada palavra do que disso. Isso está completamente horrível. A gente colocou açúcar nisso?

— Achei que você tinha colocado.

— Eu achei que você tinha colocado.

A professora chega a Annabeth e eu já me sinto mal pelo o que está por vim para ela. Ela é nova, não está preparado para as reações hostis e comentários cruéis da professora.

A professora come um olha para Annabeth e diz: — Bom. Então passa para a próxima dupla. O QUE? COMO ASSIM? Sem comentários, criticas, reclamações, apenas um “bom” e vai embora?! Perai, aquilo foi a sombra de um sorriso que eu vi no rosto da professora? Beckendorf e eu compartilhamos um olhar de surpresa/indignação.

Quando o sinal toca, praticamente corremos para fora da sala.

All I knew this morning when I woke
Is I know something now
Know something now I didn't before
And all I've seen since 18 hours ago
Is green eyes and freckles and your smile
In the back of my mind making me feel right

— Sabe, francês não é tão ruim assim – eu digo enquanto andamos pelo corredor.

— É verdade, sempre falam coisas legais sobre Paris – concorda Beckendorf. Tanto eu quanto ele usamos um tom de voz cansado e derrotado.

— Esqueci meu casaco na sala – eu paro subitamente. – Vou voltar para pegar.

— Vou estar no banheiro – ele fala.

Corro de volta para a sala que está vazia agora, meu casaco está caído no chão e um pouco sujo de farinha. Quando me levanto, vejo Annabeth ainda sentada em seu balcão arrumando seus cupcakes mágicos em uma caixa.

I just want to know you better know
You better know you better now
I just want to know you better know
You better know you better now
I just want to know you better know
You better know you better now
I just want to know you know you know you

Não vou perder essa chance, decido que vou falar com ela. Ela coloca cada cupcake dentro da caixa com cuidado para não estragar a decoração.

— Oi – eu digo.

- Oi – ela responde.

Tudo bem, o que eu digo agora? Pensa em algo rápido!

— O que acha da cidade? – eu pergunto me sentando do lado dela.

— Ainda é muito cedo para formar uma opinião – ela responde. – Sei lá, é boa...

— Como seus cupcakes?

Ela ri então olha para mim: — Quer um? – ela oferece.

Cause all I know is we said hello
And your eyes look like coming home
All I know is a simple name, everything has changed
All I know is we held the door
You'll be mine and I'll be yours
All I know since yesterday is everything has changed

Sim, eu quero experimentar um dos cupcakes mágicos de Annabeth Chase. Pego um decorado de azul e verde, que me lembra o mar e como. Wow, isso sim é um cupcake, é incrível, completamente oposto do que eu e Beckendorf fizemos. Paro de sentir dó dos meus cupcakes e sinto um pouco de vergonha deles.

And all my walls stood tall painted blue
But I'll take them down
Take them down and open up the door for you
And all I feel in my stomach
Is butterflies the beautiful kind
Making up for lost time, taking flight
Making me feel right

— Realmente bom – eu digo com a boca cheia e isso faz a rir novamente. – Eu te ofereceria um dos meus, mas sabe, eles acabaram. No lixo – eu completo.

— Vocês tem um grande dom quando se trate de batedeiras – ela comenta fechando a caixa e olhando para minha camisa.

— Aquela batedeira estava com defeito – eu me defendo.

— Sim, claro – ela responde e fica me olhando.

— O que?

- Seu rosto, está um pouquinho sujo... – ela responde.

I just want to know you better know
You better know you better now
I just want to know you better know
You better know you better now
I just want to know you better know
You better know you better now
I just want to know you know you know you

— Onde? – eu pergunto. Que maduro Percy! Se sujou comendo um cupcake! Passo a mão ao redor da boca, tentando limpa-la.

— Calma – diz Annabeth pegando um lenço de papel dentro da bolsa. – Vem aqui.

Annabeth segura meu rosto com a mão esquerda, sua mão é macia e quente, e com a mão direita ela limpa meu rosto. Isso é tão estranho, parece um gesto tão intimo. Ela está tão próxima de mim, prendo a respiração, e nem sei porque faço isso. Volto a respirar e sinto seu perfume, é leve e tão bom.

— Pronto, limpinho. Seu rosto pelo menos – ela fala jogando o lenço no lixo.

— Obri..gad..do – eu digo, um pouco sem jeito.

Cause all I know is we said hello
And your eyes look like coming home
All I know is a simple name, everything has changed
All I know is we held the door
You'll be mine and I'll be yours
All I know since yesterday is everything has changed

Ela se levanta pega sua bolsa e a caixa com os cupcakes. Ela olha para mim como se esperasse algo mais, o que eu devo falar? Fico calado olhado para ela.

— Tchau Percy – ela diz saindo. Fiquei olhando para o cupcake comido pela metade em cima do balcão. Quem é você Annabeth?