Flowers and Cigarettes
4 Um pequeno jogo de perguntas e respostas
Annabeth –
Ao sair da escola eu deveria ir direto para casa. Especialmente porque eu não nenhum outro lugar para ir. Mas não faço isso. Aproveito que já estou na cidade e vou comprar algumas coisas.
Sobrevivi ao primeiro dia na escola com louvor, e estou orgulhosa disso. Ainda me sinto um pouco ansiosa, porque esse foi só primeiro dia, tenho o resto do ano para enfrentar. As únicas pessoas com quem conversei foram Luke e Percy, não vi Thalia o dia todo, talvez ela estivesse me evitando. É claro que eu senti falta da minha outra escola, eu muitos amigos, não que eu me considere popular, mas pelo menos eu nunca estava sozinha, e nessa cidade isso é tudo que eu faço: ficar sozinha.
Luke é super legal e engraçado e me ajudou bastante. E Percy... o que foi aquilo? Quando eu percebi, eu já estava limpando o rosto dele como se fosse sua babá, ele deve pensar que eu sou uma sem-noção. O que eu estava pensando? Pensei que ele fosse falar alguma coisa, mas como ele não disse nada eu resolvi sair antes que eu piorasse a situação. É que... Percy é tão... argh! Sei lá! Ele é bonito e tem amigos, e vê-lo tentando cozinhar é a maior comédia, e ai tem aqueles olhos incrivelmente verdes. Não que eu esteja começando a gostar dele, nem nada do tipo, mas existe algo nele que sempre chama a minha atenção.
Em Nova York eu tinha um namorado, mas eu terminei com ele um mês antes de minha mãe anunciar sobre a mudança. Eu não era “apaixonada” por ele, ficar com ele era como um passatempo, ele era legal e me tratava bem, mas chegou em um momento que eu me senti horrível por mentir para ele e terminei. Ele pareceu lidar bem com tudo no começo, e tive certeza disso quando vi com uma das minhas amigas.
— Hey Annabeth! – alguém me chama. Acabei de sair da loja de matérias para construção com duas latas pequenas ( mas pesadas) de tinta.
Vejo Poseidon dentro de um carro acenando para mim. Aceno de volta.
— Quer uma carona? – ele pergunta. – Não acho que você vai conseguir levar isso até sua casa.
Juro que eu se estivesse na minha antiga cidade, eu nunca aceitaria carona de um estranho, nem em um milhão de anos. Mas essa é St. Carter, e existe a possibilidade de Poseidon responder as perguntas que minha mãe nunca me responde.
— Eu aceito – eu digo andando até seu carro. Coloco as latas de tintas no porta-malas e depois entro no carro.
Poseidon usa uma camisa havaiana e chinelos. Ele parece estar relaxado, mas seu modo de dirigir é... louco. Ele não é do tipo “motorista responsável”
— De onde você conhece minha mãe? — eu pergunto.
— Nossa, você é direta – Poseidon fala sem tirar os olhos da rua. – Bem, estudamos juntos. Só isso. Por que sua mãe voltou para a cidade?
— Isso é um jogo de perguntas?
— Não sei, parece ser um?
— Pode ser um. Voltamos porque... ela queria voltar para casa. – eu respondo olhando pela janela vendo a cidade.
— Sua mãe jurou que nunca voltaria para cá. Ele deve ter um motivo maior do que “saudade” para voltar.
— Ela se divorciou.
— Ela se casou depois do seu pai? Por que ela se divorciou?
— Primeiro: era minha vez de perguntar. Segundo: Ela se casou de novo depois do meu pai, e terceiro: ele era um grande idiota.
— Tudo bem, obrigado. Sua vez.
— Vocês eram amigos?
— Você pode dizer isso.
— Isso não é resposta.
— Isso vai ser o melhor que vai conseguir.
— Ok. Vocês já foram mais do que amigos?
— Por que acha isso?
— Sei lá. Então?
— Parece que já fomos mais do que amigos?
— Está respondendo minha pergunta com outra pergunta?
— Talvez. O que está achando da cidade?
— Legal. Por que mudou de assunto?
— Você é um a garota esperta – Poseidon disse sorrindo. Isso é tão estranho, eu me sinto tão confortável com ele, é fácil conversar. – Sente falta de Nova York?
— Sim, bastante. Você sentiu falta da minha mãe quando ela saiu daqui?
— É.. senti – ele respondi com o olhar meio perdido.
— Está feliz por ela ter voltado?
— Primeiro: era minha vez de perguntar. Segundo: eu hmmm, estou sim feliz que ela tenha voltado, mas isso não é grande coisa.
Fico calada, pensando no que ele disse.
- Sem mais perguntas?
— Vou processar o que eu já tenho, mas se preocupe, ainda vou te trazer muitas perguntas.
— Vou esperar ansioso. Já foi conhecer a praia? – ele pergunta.
— Ainda não.
— Como assim? É por isso que você ainda não gosta da cidade. Você tem que conhecer a praia!
— Vou colocar isso na minha lista de coisas a fazer. Conhecer a praia.
— Vou falar com Percy. Ele vai ter que te levar lá.
— Conversei com ele hoje. Fazemos aula de economia domestica juntos.
— Percy faz economia domestica? Não sabia. Ele não sabe nem fazer pipoca de micro-ondas direito.
— Acho que deu para perceber isso.
— Então é isso. Chegamos Annabeth – Poseidon diz estacionando na frente da casa do meu avô. Como assim? Por que foi tão rápido? – Precisa de ajuda para tirar as coisas do porta-malas?
— Não, eu me viro – eu digo abrindo a porta do carro. – Muito obrigada pela carona. Na verdade... – eu paro a frase no meio, e pego na minha bolsa a caixa com os cupcakes. – Aqui.
— Para mim?
— Hum-hum. Percy comeu um hoje, ele gostou. – Então eu saio do carro e pego minhas tintas no porta-malas.
— É gostoso – Poseidon diz. Assim como Percy, ele também se suja ao comer cupcakes. Deve ser de família. – Até logo Annabeth.
Atena –
Depois de deixar Annabeth na escola foi para a loja ajudar meu pai. No começo foi um desagradável ver a cara de surpresa de cada pessoa que entrava na loja, como se nenhum deles já não soubesse que eu voltei. Cidade pequena as noticias correm. Especialmente quando sua madrasta é uma fofoqueira.
Mas então minha salvação apareceu: Artemis. Minha melhor amiga da escola. Ela parecia a mesma, mais baixa do que eu, cabelo loiro avermelhado e olhos claros.
— Obrigada por avisar que estava voltando! – ela diz me abraçando.
— Me desculpa. Eu deveria ter avisado pelo menos para você. Mas ai não seria uma surpresa.
— Tudo bem, perdoada – ela diz sorrindo. – Precisamos fazer alguma coisa juntas.
— Podemos fazer isso agora – eu digo animada.
— Mas você não está trabalhando?
— Amiga se eu ouvir mais um “Atena você voltou!” eu vou arrancar os cabelos. Vamos embora – eu pego minha bolsa, aviso meu pai que estou de saída.
Andar com Artemis de braços dados na calçada foi como voltar no tempo. Foi tão bom fazer isso, calma, despreocupada e Artemis falou praticamente o tempo todo, e foi a única que não me perguntou porque eu voltei. Ela conhecia Eric, ela foi ao meu casamento, e assim como Annabeth, ela não aprovou ele.
Depois de entrar em umas quatro lojas diferentes de roupas resolvemos para comer alguma coisa, então paramos em um restaurante pegamos uma mesa do lado de fora porque é um dia sol bonito e queremos aproveita-lo. Enquanto eu escolho alguma coisa para comer, Artemis vai ao banheiro. Olho para meu relógio e vejo que Annabeth já deve ter saído da escola, e me sinto mal por não ter ido busca-la, mas ela mesma disse que não precisava.
— Olha, o peixe daqui é muito bom — diz alguém atrás de mim.
Me viro e vejo Poseidon parado, usando camisa havaiana, bermuda e chinelos.
— Não estou com vontade de comer peixe hoje – eu respondo.
— Mas é saudável, tem ômega 3, e além disso, eu sou o fornecedor.
— Não acho que nada que venha de você vai me fazer bem – eu digo olhando diretamente para ele.
— Ai, isso doeu – ele diz colocando a mão no coração. – Você já foi mais educada.
— E você já foi mais distante de mim – eu rebato.
— Atenas... – ele diz meu nome. Daquele jeito. Como se ele quisesse dizer mil coisas, resumindo tudo em apenas uma palavra e colocando todos seus sentimentos nela. – Pensei que o passado ficou para trás. Pensei que você tinha me perdoado.
— Eu perdoei. Mas não posso esquecer o que você fez para ser perdoado. – sinto um aperto na garganta e odeio isso. Perdi a fome. – Avise Artemis que eu precisei ir para casa.
— Atenas. Eu falei com Annabeth hoje. Ela é uma garota incrível, e eu fico imaginando como ser...
— Cala a boca. Fica longe de mim, e da minha filha, entendeu? – eu digo o mais claramente possível. Pego minha bolsa e vou embora.
Não acredito como ele estragou meu dia. Estava tudo indo tão bem, e como sempre ele apareceu e estragou tudo. Ele é bom nisso.
“..eu fico imaginando como ser..” Eu sei o que ele imagina, e eu sei que nunca vai acontecer, porque no momento em que eu mais precisei dele na minha vida, ele não estava lá. Percebo que estou chorando, de raiva, de tristeza. De tudo um pouco. Não era isso que eu queria que acontecesse quando eu decidi me mudar para St. Carter. O que eu tinha na cabeça? Por que eu pensei que seria fácil voltar?
Ele se aproximou da minha filha! Como ele ousa?! Ele tem algum problema?
Vou direto para casa, apenas Annabeth está lá nesse momento, ao entrar em seu quarto, eu a vejo revirando as caixas da mudança.
— Oi mãe. Viu minhas sapatilhas? – ela pergunta sem olhar para mim.
— Não. Por que?
— Eu vi um estúdio de dança na cidade. – ela responde.
— Estudio de dança? Filha você vai voltar a dançar? – eu pergunto emocionada. Annabeth sempre foi um excelente bailarina, e eu quando ela decidiu parar, eu nem lhe dei atenção porque estava namorando Eric, e isso me fez sentir terrível, mas agora ela vai voltar.
— Acho que sim. Como passatempo apenas mãe – ela especifica.
— Sim, isso é ótimo. – eu digo, então sento no chão com ela e começo a olhar nas caixas. – Sabe, seria mais fácil de achar isso se você arrumasse suas coisas...
— Você chorou. Por que mãe? – ela pergunta.
- Não filha, eu não chorei. É que ficar na loja com toda aquela terra e pólen ataca minha alergia, é só isso.
— Ta bom. Vou esperar até você me falar a verdade – ela diz. Poseidon está certo, ela é incrível. – Achei uma! – ela tira uma sapatilha de bailarina rosa de uma das caixas.
— Annie, você lembra daquele que você conhecer na lanchonete? Poseidon?
— Sim, eu o vi hoje. Ele até meu deu uma carona. – ela respondeu, calçando a sapatilha para ter certeza que ainda servia.
— Carona? Annabeth ele é um estranho para você, por que aceitou?
— Ele não é um estranho para você. Eu estava com algumas latas de tintas e elas estavam pensadas.
— Para que tinta?
— Para pintar. As paredes. – ela responde como se fosse obvio.
— Sim.. as paredes. Annabeth, por favor, não se aproxime desse homem, ok? Ele pode parecer legal e tudo mais, mas não deixe se enganar.
— Ele disse que vocês estudaram juntos – ela me conta.
Sinto uma pontada no coração, o que mais ele disse?
— Só isso? – eu pergunto.
— Por que? Tem algo mais?
— Não, é só isso. Estudamos juntos. Eu o conheço, só fique longe dele. E se puder ficar longe do filho dele, também seria bom.
- Por que?
— Porque é melhor para nós duas ficar longe daquela família. Nem o Poseidon, nem o filho dele vão fazer bem para você.
— Pois é mãe, eu sei muito bem como conhece as pessoas. Do mesmo jeito que você conhecia Eric.
— Aquilo foi um erro. Você sabe.
— E se você estiver errando novamente? – ela pergunta, já sinto o tom de revolta em sua voz.
— Talvez eu estivesse errada ao decidir voltar para cá. – eu respondo. – Aqui sua outra sapatilha – eu lhe entrego a sapatilha e me levanto. – Só faça o que eu lhe pedi, por favor. Pelo menos tente.
Eu só quero que ela entenda. Eu só não quero que ela cometa os mesmos erros que eu cometi por ingenuidade e um pouco de burrice, nem as com as mesmas pessoas. Mas eu sei que não vou conseguir protege-la de tudo, mas se pelo menos eu a deixasse longe de qualquer um com sobrenome Jackson, já valeria a pena
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