Flower Girls
10 Tomamos uma bronca da ajhumma tagarela
Notas iniciais
— Cadê o meu batom vermelho? – Rose gritou enquanto, literalmente, jogava tudo para o alto.
— Serve aquele ali? – Jasmine questionou, apontando pra um batom do lado da cômoda da ruiva.
— Ah... É... – Ela ficou meio sem graça por não ter visto o objeto antes.
Nós não sabíamos que horas eles apareceriam aqui, já que a tonta (eu) esqueceu-se de marcar um horário. E nós não seguimos o conselho de Camellia, ou seja, começamos a nos arrumar à 20 minutos atrás. Eu poderia dizer que o nosso dormitório parecia o cenário perfeito para representar a Segunda Guerra Mundial. Pulei na minha cama, vendo que meu celular vibrava em cima da mesma. Era uma mensagem do Kook, meu coração falhou uma batida.
“Estamos saindo do quarto agora, estejam prontas!”
Ai meu Deus!
— Er, gente... – Chamei a atenção delas.
— O que foi? – Camellia perguntou, enquanto tentava terminar de alisar seu cabelo. Eu sinceramente não entendia o porquê de usar uma chapinha, já que seu cabelo é liso naturalmente.
— O JungKook me mandou uma mensagem. – Falei.
— Você tem o número dele? – Daisy me encarou de olhos arregalados.
— Isso não vem ao caso! – Fiz uma pausa. – Eles já saíram do quarto. – Falei e Rose praticamente caiu da cadeira na qual estava.
— Nós precisamos correr! – Camellia, que já parecia estressada, largou a chapinha e começou e pentear os cabelos com uma escova. Eu terminei de calçar meus sapatos, ao mesmo tempo em que Rose limpava o borrado de seu batom. Olhei para ela por um segundo e revirei os olhos. Essa menina ama um batom chamativo. Ouvimos alguém batendo na porta, e fui andando para atender.
— Não abre a porta ainda! – Implorou Camellia, gesticulando, e fazendo com que a escova voasse de sua mão, enquanto ela apontava para porta. Acontece que quando isso aconteceu, eu já havia aberto a mesma, e a escova a atravessou, batendo em cheio no nariz de Suga.
— Ops... – Eu sussurrei, olhando o rosto do mesmo se contorcer em uma careta, enquanto ele massageava o local atingido com a mão direita e balbuciava coisas como “por que é sempre comigo?”.
— Está tudo bem Suga-Hyung? – Jimin perguntou, ficando de frente para o mais velho. E como resposta, recebeu um grunhido de indiferença.
— Vamos logo meninas! – Jasmine sussurrou, levando todas para fora do dormitório, e trancando a porta trás de si. Pigarreou. – Olá meninos!
— Olá! – Responderam todos de uma vez.
— Eu peço desculpas por Camellia, ela geralmente não ataca pessoas que não sejam mais íntimas, dessa vez foi sem querer. – Rose fala, numa tentativa de soar educada.
— Não tem problema! – NamJoon se pronuncia. – Já esperávamos algo assim vindo de vocês. Depois de todas as histórias que já presenciamos... – Esse comentário me deixou um pouco sem graça, já que a culpa por todos os micos que já pagamos é minha.
As meninas automaticamente começaram a se defender, jogando a culpa para mim, mas, poxa, eu não fui a única! Não fui eu quem caiu de boca na salada! Não fui eu quem obrigou a Camellia a participar das minhas maluquices, e não fui eu quem acertou um pente no Min YoonGi, mas resolvi ficar quieta. O caminho até o elevador foi muito agradável. O assunto surgiu facilmente para nós. Na hora de entrar no elevador que o verdadeiro sufoco começou, afinal, estávamos em doze pessoas ali. O elevador aceitava até nove pessoas, porém, todos se recusaram a esperar. Esmagamo-nos até acharmos a posição mais “confortável” para todos. Acontece que onde eu estava de longe era confortável, a não ser que esperar um elevador descer com a bochecha colada no espelho do mesmo seja considerado agradável. Daisy olhou em minha direção e abafou um riso.
— Gente, alguém aí está com um celular? – Ela questionou, e eu me perguntei o que ela planejava.
— Por quê? – Vozes de todos os cantos do elevador surgiram.
— É que eu queria tirar uma foto da Violet. – Ela falou rindo, e todos olharam para mim, caindo na gargalhada logo em seguida. Até Jasmine deixou uma risadinha escapar. Afinal de contas, qual é o problema com a minha cara?
JungKook, que estava esmagado quase ao meu lado, tirou o celular com dificuldade do bolso de trás da calça jeans, e eu não pude fazer muita coisa, à não ser esperar que a foto fosse tirada, já que meus braços estavam esmagados contra meu corpo. Ele fotografou, e deu um sorrisinho, enquanto analisava o resultado, virando a câmera para mim logo em seguida. E foi aí que eu entendi a graça. Com a bochecha esquerda esmagada no vidro do espelho, minha boca formou um bico de pato, enquanto meu olho esquerdo praticamente sumiu, e eu diria que neste momento, estava parecendo o Quico, do Chaves.
— Ixo não tem graxça! – Exclamei, mas isso foi motivo para mais piadas, já que eu não consegui falar direito, devido às condições atuais. Revirei os olhos e esperei a exaustiva jornada do elevador acabar.
Quando saímos, me senti aliviada por estar livre daquele cubículo. Massageei minha bochecha enquanto andávamos em direção à saída da empresa. Enquanto passavam pela porta, os meninos colocaram máscaras, cobrindo metade do rosto, provavelmente não queriam ser reconhecidos. Eu que “devia a salada”, então tecnicamente, eu que deveria leva-los para algum lugar, mas eu nem sequer sabia onde estávamos indo. Só deixei que eles nos guiassem. E como a calçada não era larga o suficiente para andarmos todos lado a lado (óbvio), tivemos que nos separar um pouco. Mais à frente, andavam J-Hope, Camellia e Suga que, por incrível que pareça, estavam imersos em uma conversa animada. Jasmine e Jin andavam juntos logo atrás, reclamando sobre a bagunça que fazemos em nossos dormitórios, ou sobre como somos irresponsáveis (coisas de mães) e NamJoon, ao lado deles, ouvia tudo calado, protestando algumas vezes, e afirmando não ser bagunceiro. JungKook andava atrás deles, sozinho e pensativo. Jimin e Rose, que estavam atrás dele, estavam paquerando na maior cara de pau, sem nem ter vergonha de esconder. Isso era visível pelas trocas de olhares e risos embaraçados. Eu andava atrás deles, com o braço entrelaçado no de Daisy, que conversava com TaeHyung com estranha tranquilidade. Olhei para os dois ao meu lado, e pensei em entrar na conversa, mas estava com a leve sensação de que eu estava sobrando ali. Desvencilhei-me do braço da menina de cabelos rosas, que me olhou um pouco confusa. Apenas lhe dei uma piscadela, com um sorriso insinuante, revezando meu olhar entre ela e V, fazendo-a corar. Fui mais para frente e enquanto passava pelos pombinhos ruivos (Vocês já devem saber quem são) falei em português, somente para Rose entender:
— Você é rápida hein? – Soltei uma risada, e a mesma franziu o cenho.
— Me erra, garota! – Exclamou irritadiça, enquanto pensava em uma maneira de traduzir para Park Jimin o que eu acabara de falar.
Parei ao lado do garoto pensativo. Ele andava com as mãos no bolso do moletom, e seus cabelos lisos se encontravam embaixo de uma touca preta. O mesmo ainda não havia notado minha presença, então decidi falar algo. Pigarreei.
— Posso andar do seu lado? – Perguntei, olhando para o chão.
— Tanto faz, faça o que quiser. – Ele deu de ombros, e eu bufei mentalmente (Se é que isso é possível). Cadê aquele JungKook fofo e romântico que eu vejo em fanfics e histórias? Pelo visto, a realidade resolveu me dar um tapa na cara. Caminhamos durante uns três minutos, em um silêncio que já me deixava desconfortável. Todos os outros conversavam relaxados, por que não poderíamos também?
— Aonde nós vamos jantar? – Questionei, o olhando dessa vez, porém ele encarava fixamente o céu acima de nós.
— Em um restaurante. – Respondeu simples.
— Oh, isso explica muita coisa! Obrigada pela útil informação! – Ironizei. Pensei que isso o deixaria bravo, mas o mesmo apenas soltou um sorriso, enquanto sacudia de leve a cabeça. Olhei para o céu, assim como ele, e admirei aquela vista. – As estrelas estão brilhantes hoje. – Comentei, mudando completamente meu tom de voz, que agora estava sereno. Estrelas geralmente tem esse efeito sobre mim.
— É, mas ainda vai chover mais tarde. – JungKook falou.
— Como você sabe? – Perguntei.
— Dá para ver as nuvens vindas do norte. – Apontou mais a frente, onde uma massa escura se movia lentamente. Animei-me com a ideia de um banho de chuva, já que quando morava com a minha mãe, a mesma sempre me proibia de me molhar, afirmando que eu ficaria resfriada.
— Chegamos pessoal! – J-Hope exclamou mais a frente. Examinei a frente do local, era simples, porém bonita.
O estabelecimento se encontrava entre uma loja de sapatos e uma de acessórios para celular. Ele possuía uma parede de pedras cinza, uma porta de vidro com as bordas amarelas, uma janelinha ao lado e um toldo listrado vermelho e rosa por cima. Entramos um por um no local, e à medida que passávamos pela porta, os meninos tiravam as máscaras.
— Não tem problema vocês ficarem sem máscara aqui dentro? – Jasmine perguntou.
— Na verdade não. Nós sempre comemos aqui, desde o período como trainees, então todos nos conhecem. – NamJoon responde.
Logo, uma senhora em torno de seus sessenta anos de idade, com um avental sujo de molho e os cabelos presos em um coque desarrumado, apareceu com um sorriso desdentado.
— Ó meus meninos, que surpresa mais agradável! – Ela praticamente voou em nossa direção, apertando as bochechas de Jimin, que ficou um pouco envergonhado.
— Olá Ajhumma! Essas são nossas colegas de trabalho. – Jin nos apresentou, e a velha senhora alargou seu sorriso dez vezes mais, se é que era possível. – Será que a senhora teria uma mesa grande o suficiente para todos nós?
— Claro, claro! Sigam-me! – Ela começou a andar e a falar ao mesmo tempo. – Sejam bem-vindas garotas! Espero que venham aqui mais vezes! Vocês parecem simpáticas! Ah, você me lembra minha neta, ela tem cabelo rosa também! – Essa última frase fora dirigida à Daisy. – Sabe, ela é formada em psicologia, mas sinceramente não sei como conseguirá ser contratada com aquele cabelo! Ah não, nada contra o cabelo de vocês, está na moda e é bonito também... – Ela continuou falando, enquanto nos guiava por um corredor um pouco estreito, que nos fez andar em fila indiana, Rose ia à minha frente e JungKook atrás de mim. Fiquei em silêncio o tempo todo, esperando aquela mulher parar de tagarelar.
Finalmente chegamos à nossa mesa. Ela era redonda, provavelmente a maior do restaurante. A senhora disse que voltaria com mais cardápios, e nós nos sentamos na ordem da fila, eu, consequentemente, ficando entre Rose e JungKook de novo. À minha frente estava Jasmine, e ao seu lado, Jin. O garoto grudou nela feito carrapato, mas acho que ela não tem do que reclamar. Ao lado de Jin estava J-Hope, seguido de NamJoon e Jimin, que se encontrava ao lado de Rose, de novo. E já prevejo qual será o mais novo casal 2016. Ao lado de JungKook estava Daisy, seguida de Camellia, TaeHyung e Suga.
Uma conversa se iniciou entre J-Hope e NamJoon, e de repente, todos estavam falando de uma vez só. Eu tentei entrar no meio de um dos assuntos, mas com tanto falatório eu não conseguia entender nada e posso jurar que às vezes escutava sendo ditas coisas como: “Eu ajudei meu pai a fabricar dentes” ou “A maçã come mostarda”. Eu tentei ignorar, já que provavelmente era só um fruto do meu coreano um pouco falho e das palavras embaralhadas. Mas eu não consegui me controlar quando pensei ter ouvido “O Jimin ama morcego com repolho”. Comecei a gargalhar escandalosamente, mesmo sabendo que a frase nem fora tão engraçada assim. Todos pararam de conversar aos poucos, e começaram a me encarar. Fui ficando vermelha, mas não por vergonha, e sim por falta de ar. Sabe quando você ri tanto, que o ar falta e você começa a gargalhar sem fazer som? Comigo foi assim, só que enquanto eu tentava puxar o ar para dentro, fazia uns sons esquisitos, como “hááánn” ou “Hiii Hiii”. A Ajhumma chegou com os cardápios, mas assim que me viu, voltou de onde veio, afirmando que traria um copo d’água.
Eu ria e nem sabia mais o motivo. Simplesmente ria, e todos continuavam me encarando. Daisy começou a gargalhar comigo, como uma boa companheira de micos. Eu sabia que ela estava rindo da minha própria risada, mas quando escutei a dela, quase engasguei com a saliva, nunca pensei que alguém teria uma risada tão horrível quanto a minha e a de Rose. Logo, todos estavam gargalhando tão alto quanto eu. Ninguém sabia o real motivo, só ríamos como se não houvesse amanhã. Senti meus olhos marejarem, e logo já estava chorando de rir. Olhei para JungKook ao meu lado, e ele ria de minha própria situação. Comecei a sentir calor, por conta da agitação, e tirei minha blusa de frio, ficando somente com a blusa regata que usava por baixo. A senhora voltou com o copo de água e assim que viu todos gargalhando, revirou os olhos e apenas deixou o copo na mesa.
Peguei-o sem hesitar, e bebi, tentando não engasgar. A água me acalmou, e eu esperei os outros pararem de rir. Aos poucos, as risadas foram cessando, mas um sentimento bom se instalou entre nós. Sabe aquela felicidade que você sente depois de rir durante muito tempo? Aquela euforia, aquela animação? Acho que todos se sentiam assim. Depois de um tempo, apenas nos encarando e tentando entender o que havia acontecido, todos voltaram à conversar. Dessa vez, comecei a participar de uma conversa com Rose e Jimin, só para não ficar sem fazer nada. Então, de repente, JungKook se inclina na minha direção. Virei-me para ele, e vi o mesmo com um sorriso mínimo no rosto.
— Fazia tempo que eu não ria assim... – Começou ele, sussurrando apenas para mim ouvir. – Obrigada, roxinha! – Deu um sorriso sapeca.
Espera um pouco...
Eu. Fiz. Jeon JeongGuk. Sorrir?
A
I
T
I
A
C
L
E
I
D
E
!
Essas simples palavras me fizeram sorrir pelo resto da noite. Nada me deixava mais feliz, do que fazer os outros felizes. Esse foi um dos motivos pelo qual decidi seguir esse caminho. Quero que as pessoas fiquem felizes enquanto escutam minha música. Quero que elas sintam a felicidade através das minhas palavras.
Nós pedimos a comida, e eu viajei em meus pensamentos. Fingia prestar atenção no que me era dito, mas minha mente insistia em estar em outro lugar. Esse lugar era o Brasil, e eu pensava, especificamente, em uma pessoa: minha mãe. Não sei por que, mas decidi pensar nela justo agora. Uma pequena parcela de mim se sentia culpada por estar aqui me divertindo, enquanto ela mal prega os olhos, com medo de meu irmão ter mais um de seus “ataques”. Mas, essa pequena parcela sumiu quando avistei uma senhora baixinha, muito conhecida por mim, adentrar o local. Não é possível, será que ela me persegue? Acenei freneticamente, com ambos os braços acima da cabeça, tentando chamar sua atenção. De duas, uma: ou ela é cega, ou ela descaradamente me ignorou. Ah, é assim que vai ser tia Cleide?
Esperei ela se sentar em uma mesa, que estava bem atrás de nós. Ela foi acompanhada de duas colegas de trabalho. A ajhumma que nos serviu antes apareceu com uma bandeja em mãos e um pano de prato pendurado no bolso do avental. Quando ela passou perto de nós, peguei emprestado seu pano e mirei na tia Cleide. Percebi que JungKook me olhava com curiosidade, assim como Daisy, que estava próxima à nós. Criei coragem e enfim, atirei. Porém, eu nunca falei que minha mira é certeira. Eu tinha que errar! Enterrei minha cabeça sobre os braços, quando vi que o pano acertara Camellia em cheio. Todos voltaram sua atenção para ela. A mesma tirou o pano do rosto e nos olhou com fúria, procurando o culpado.
— Quem foi? – Perguntou ríspida. JungKook e Daisy apontaram para mim, ao mesmo tempo. Traíras. Soltei uma risada nervosa.
— C-Camellia, olha... – Ia explicar, mas a mesma me interrompeu.
— Violet, você já provou o japchae? – Perguntou com um sorriso tranquilo no rosto, o que eu achei particularmente estranho, mas não comentei. Neguei com a cabeça, de cenho franzido. – Ah, que pena! Prove um pouco agora! – E em menos de dois segundos, eu já tinha a cara cheia de japchae. Ergui-me sobre a mesa, incrédula. Todos observavam nossa cena em silêncio.
— Peça desculpas! – Exigi.
— Você que começou. – Camellia cruzou os braços e virou o rosto.
— Se é assim... – Peguei uma porção de kimbap com as mãos e atirei contra ela. Acontece que, novamente eu não consegui acertar o alvo principal.
Uma parte da comida ricocheteou em Daisy e atingiu TaeHyung, e a outra parte voou para cima de J-Hope. Todos ficaram quietos por um segundo, até Rose levantar e gritar:
— Guerra de comida! – E assim, toda a tensão sumiu, dando espaço para a diversão e bagunça. Parecia uma daquelas cenas de filme, todos se acertando com molho ou com carne.
Estávamos fazendo uma verdadeira lambança, que até a tia Cleide parou para olhar. Quer dizer, até a ajhumma aparecer com uma colher de pau na mão, e uma feição nada agradável.
— O que eu havia lhes avisado sobre guerras de comida no meu estabelecimento, meninos? – Ela perguntou enquanto chacoalhava sua colher e todos abaixaram a cabeça. Acho que não é a primeira vez que fazem isso aqui dentro. – Você! – Apontou para Jin com a colher. – Você é o mais velho e responsável, devia saber que era errado! – Jin assentiu, olhando para as mãos sujas de molho de ddukbokki. – Por isso, você vai pagar a conta! – Mandou, e o mesmo foi em direção ao caixa, cabisbaixo. – E vocês, para fora! – A velha senhora parecia brava, mas eu consegui perceber um leve tom de divertimento na voz.
Todos nós saímos em silêncio, e fomos em direção ao toldo, nos esconder, já que agora chovia forte. “Bem que JungKook falou”, pensei comigo mesma. Havia imaginado que depois disso, todos ficariam bravos ou quietos, mas parecia que a bronca de outrora nunca existiu. Todos conversavam e riam, enquanto esperávamos Jin sair do restaurante. Quando o mesmo chegou, disse que deveríamos esperar a chuva passar. Mas eu não estava afim de fazer isso. Esperei até que todos estivessem entretidos com algo, e fui me afastando discretamente.
— Aonde vai? – Alguém questionou atrás de mim. Suga. Virei-me e o encontrei ao lado de Rose e JungKook. Coloquei o dedo indicador sobre os lábios, pedindo que fizessem silêncio.
— Banhos de chuva são os melhores. – Comentei. – Uma oportunidade dessas não pode ser desperdiçada.
— Mas, você já viu o frio que estamos enfrentando? – JungKook questionou exasperado. – Está louca?
— Não. – Respondi simplesmente. Eu não ligava para o frio, só queria experimentar isso, e dessa vez, ninguém me impediria. – Sigam-me os bons!
Fui me afastando sem nem ver se alguém viria atrás de mim. Coloquei minha mão para fora do toldo, e estremeci quando a primeira gota de água caiu na mesma. Estava gelada. Resolvi sair de uma vez da cobertura que me protegia. Quando as gotas começaram a me atingir, senti frio, mas, também me senti livre. Por conta da intensidade da chuva, eu já estava encharcada. Não liguei para isso, e simplesmente saí correndo, de braços abertos.
— Ya, espere por mim! – Alguém gritou. Virei-me.
— JungKook?
— Não, sua prima Anastácia! – Respondeu sarcástico, enquanto se aproximava correndo.
— Aish! Por que veio?
— Você tem razão... – Parou de frente para mim. – Banhos de chuva são os melhores. – Falou fitando meus olhos. Meu coração martelava loucamente no peito, e nós ficamos assim, nos olhando, deixando a chuva nos lavar.
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