Flower Girls
11 Participamos de uma edição especial de "Jogos Vorazes"
Notas iniciais
— Acorda! Acorda! Acorda! – Daisy gritava em meu ouvido, e tudo que fiz foi me encolher na cama, enquanto minha crise de espirros se iniciava novamente.
— Aigooo... – Reclamei manhosa. – Por que eu preciso acordar tão cedo sendo que... – Dei um espirro. – Não posso participar dos ensaios? – Questionei com a voz anasalada por conta do nariz entupido.
— Humpf! Você acha que nós iríamos acordar cedo e deixar você aí, dormindo e aproveitando o quentinho da sua cama? Esquece! Você pode estar gripada, mas vai, pelo menos, ficar acordada! – Camellia falou.
— Poxa, vocês são muito... – Outro espirro. – Malvadas! Eu estou doente à dois dias e vocês não tem um pingo de compaixão pela minha pessoa! – Finalizei essa frase com mais um maldito “Atchim”.
— Nós já estamos de saída, tem sopa de alga no frigobar. – Jasmine falou, vindo até mim e depositando um beijo na minha testa.
Depois disso, fiquei sozinha no quarto. Fui até a “mini-cozinha” que havia em nosso dormitório (Acho que não mencionei isso antes) e peguei a sopa, comendo ela fria. Após lavar o pote que usei, voltei para a cama, pensando que finalmente conseguiria dormir. Mas, eu simplesmente não conseguia. Peguei meu celular e comecei a mexer nas minhas redes sociais, acabei até encontrando o Facebook da tia Cleide! Tomara que ela aceite minha solicitação. Fiquei praticamente uma hora inteira jogada no colchão sem fazer nada. Decidi levantar e fazer algo útil da vida, mas não sem antes mandar uma mensagem para JungKook, perguntando se o mesmo ainda estava gripado também.
Coloquei a Playlist do celular para tocar no modo aleatório, e o quarto foi preenchido pelo som de Born To Be Wild do Steppenwolf (Link nas notas finais do capítulo. Sugiro que vocês escutem a música para ler essa parte). Aquela música me deu uma injeção de energia, e eu fui pulando em direção ao banheiro. Penteei meus cabelos de qualquer jeito e comecei a escovar os dentes. Acontece que o refrão estava chegando, e eu tinha que cantá-lo. Podia ouvir a voz do cantor:
“Like a true nature's child
We were born, born to be wild
We can climb so high…”
Cantei, ou melhor, gritei junto com ele a frase seguinte, com a voz anasalada e cuspindo pasta de dente para todo lado:
— Never wanna diiiieeee! – Continuei gritando, só que dessa vez, escorreguei com a pantufa rapidamente até o centro do quarto, e usei a escova de dente como microfone. – BORN TO BE WIIIIIILD! – Comecei a fazer uma dança esquisita, e só terminei quando a música acabou.
Logo em seguida começou a tocar Highway To Hell do AC/DC, e eu tive que me controlar para não fazer a mesma coisa que fiz há poucos segundos atrás. Contentei-me em ir terminar de escovar os dentes, e limpar os restos de pasta de dente que respingou no espelho do banheiro. Chequei meu celular e vi que JungKook havia respondido minha mensagem.
“Sim, ainda estou doente graças a certo alguém... (Não citarei nomes :-P) e você?”.
Ignorei a tentativa dele de me fazer sentir culpada e respondi sua mensagem, afinal, eu não havia o obrigado a ficar comigo na chuva.
“Também não estou nada bem, e para piorar a situação, estou sozinha aqui sem nada para fazer.”
A resposta chegou dois segundos depois:
“Espera ai...”
Pensei que ele iria escrever mais alguma coisa, então fiquei encarando a tela do celular durante algum tempo. Mas, o mesmo parecia ter sumido, então simplesmente esqueci e fui trocar de roupa, já que não queria ficar de pijama o dia inteiro. Vai que alguém me vê vestida de galinha? Sim, meu pijama é de galinha. Eu sei, é estranho, mas fazer o que? (Link nas notas finais).
Fui separando algumas peças de roupa para vestir, mas não consegui concluir minha ação, pois meu quarto foi invadido por dois garotos sorridentes. Como eles entraram aqui? Intercalei meu olhar entre os dois, totalmente confusa.
— J-hope, Jimin, o que... – Mais um espirro. – Fazem aqui? – Questionei.
— Nós viemos te ver! – J-Hope exclamou animado, vindo em minha direção e pulando ao meu redor.
— JungKook falou que ainda estava doente, e nós tivemos uma ideia. Espero que não se assuste. – Jimin falou e foi nessa hora que eu deixei de entender as coisas. Por que eu me assustaria, afinal de contas?
Minha pergunta foi respondida quando J-Hope, que estava ao meu lado, me ergueu como um saco de batatas, e começou a caminhar em direção a saída.
— Ya! O que estão fazendo? – Perguntei um pouco alterada e soltei mais um espirro, enquanto me debatia nas costas dele, que só dava risada.
— Nosso maknae também está se sentindo solitário lá no dormitório, e como temos ensaio daqui a pouco, resolvemos que é melhor os dois ficarem juntos, do que cada um em seu dormitório. – Hoseok explicou.
— Mas, eu acho desnecessário ser carregada desse jeito, ainda mais vestindo esse pijama! – Bufei.
— Pega Jimin! – J-Hope gritou, e de repente, fui jogada ar, e pega logo em seguida pelo menino de cabelos laranja.
— Vocês são loucos?! Que ideia foi essa?? – Berrei irritada e espirrei novamente.
— Eu sempre quis fazer isso. – Jimin falou sorridente.
— Aish. – Resmunguei, e me conformei com o fato de que eles não me colocariam no chão enquanto não estivéssemos em seu dormitório.
Permiti-me ser carregada até lá, e incrivelmente quase dormi enquanto Jimin me segurava. J-Hope abriu a porta do quarto, e o burro de carga (Vocês já sabem quem é) adentrou no cômodo, me jogando no sofá logo em seguida.
— Woaaa, por que vocês têm uma sala e uma televisão e nós não? – Questionei.
— Por que nós somos outro nível! – J-Hope respondeu, lançando um beijinho para mim.
— Pabo... – Murmurei, e o mesmo não escutou.
— Nós dois vamos para o ensaio agora, o resto do pessoal já está lá. – Jimin informou. – JungKook está no quarto. É o primeiro do corredor. Tchauzinho! – Explicou apressado, enquanto empurrava J-Hope para a porta e fechava a mesma atrás de si.
Caminhei cautelosa em direção ao quarto em que JungKook se encontrava. Eu estava nervosa. Mas, quem não ficaria? Parei em frente ao cômodo e vi que a porta do mesmo se encontrava fechada. Respirei fundo antes de colocar a mão na maçaneta. Por que eu ficava tão nervosa em conversar com ele, quando o mando mensagens o tempo inteiro? Isso nem eu sabia explicar.
“Tiffany, preciso de palavras encorajadoras!” – Mandei o recado para a minha consciência, que me respondeu logo em seguida.
“Ah, relaxa... Ele é só Jeon JeongGuk, um idol super famoso e gato, que está sozinho com você no dormitório. Sem pressão!”
“Puxa... Ajudou muito! Valeu Tiffany”.
Ignorei todo o nervosismo e girei a maçaneta, adentrando no local logo em seguida. Toda minha ansiedade sumiu quando avistei JungKook, dando lugar a uma gargalhada que chamou sua atenção.
— Uau! Belo pijama, “Pikachu”! – Comentei, olhando para o mesmo, que estava sentado de pernas cruzadas em sua cama.
— Humpf! Olha só quem fala! – Exclamou, rindo de mim. – E que voz de morta-viva é essa? – Zombou do meu nariz entupido.
— Como se você estivesse muito melhor! – Retruquei.
— Pelo menos eu consigo falar direito!
— Ok, ambos estamos ridículos, fim de papo! – Encerrei o assunto. – E então? O que pretende fazer agora?
— Não sei... – Falou pensativo.
— Como “não sabe”?
— Eu só queria uma companhia, não pensei em algo que pudéssemos fazer. – Me aproximei dele e me sentei na cama de frente para o mesmo, cruzando as pernas logo em seguida.
— Pensaremos em algo.
~//~
— JungKook, cuidado! – Gritei exaltada.
— Eu sei! – Respondeu irritado. – Você que tem que prestar mais atenção, tem um cara armado ali atrás! – Apontou.
— Aigo. – Resmunguei, e com certa dificuldade, mirei e atirei no mesmo. Porém minha mira foi falha, e ele me atingiu em cheio no peito, fazendo aparecer na tela da televisão o famoso “Game Over”. Bufei frustrada, era a quarta vez consecutiva que errava a mira e que eu e JungKook perdíamos no videogame.
— Aish, cansei disso! – Ele reclamou, depositando o controle em cima da mesa de centro da sala, frustrado.
— Eu também, vamos fazer outra coisa. – Joguei o controle em cima da mesa, tentando imitar o gesto do menino ao meu lado e parecer legal, mas o máximo que consegui foi quase quebrá-lo. Ops...
Ele revirou os olhos e se pôs a pensar em algo, fiquei o observando curiosa, esperando o que ele iria dizer.
— E se... – Ele parou de falar por um segundo, fazendo uma careta estranha e logo em seguida espirrando. Depois de se recompor, voltou a falar. – Nós reencenássemos algum filme?
— Como? – Questionei, aquela ideia havia me agradado.
— Nós podíamos fingir que estávamos em Hogwarts, ou qualquer outro lugar fictício, e criarmos nossa própria história! – Explicou animado por finalmente conseguir pensar em algo.
— Acho que já tenho o filme perfeito em mente! – Completei seu raciocínio.
Depois de contar o que eu tinha em mente, JungKook ficou ainda mais contente. Nós fizemos montes, espalhados por toda a sala e cozinha, com os travesseiros dos meninos. Eles nem vão se importar, não é mesmo? Depois de organizarmos mais algumas coisas, nos posicionamos um de frente para o outro, no centro da sala.
— Eu vou ser a Katniss! – Falei apressada.
— Então eu vou ser o Peeta! – Retrucou.
— Agora, escolhamos nossas armas! – Ordenei, e passamos a procurar algo que servisse para representar uma espada e um arco e flechas.
Peguei alguns pares de jeotgarak na gaveta da cozinha e um estilingue que achei nas coisas de TaeHyung. Acho que isso deve servir. Voltei para o centro da sala, vendo que JungKook já se encontrava em posição, atrás de uma pilha de almofadas. Fiquei atrás de outra pilha, de frente para o mesmo, e de trás dela gritei:
— Que os jogos comecem, e que a sorte esteja sempre ao seu favor!
~//~
2 horas depois...
Sim, isso mesmo que você leu. Já se passaram duas horas, e nós ainda não finalizamos nossa “brincadeira”. Nessa nossa nova versão de Jogos Vorazes, o Peeta odeia a Katniss, e vice-versa, então eu estou até agora tentando “matar” JungKook. Ele, neste exato instante, parou de frente para a porta, com uma fronha branca de um dos travesseiros amarrada em um cabo de vassoura, simbolizando sua rendição, também usava um cobertor amarrado em volta do pescoço, como uma capa de super herói, mas a mesma servia somente para aquecê-lo, já que o tempo estava realmente gelado. Eu possuía um cobertor também, mas o mesmo estava em volta da minha cabeça, como se fosse uma mulher me protegendo do calor do deserto.
— Eu me rendo! Paz na Terra! – Gritou desanimado.
— Eu não caio nesses truques baratos, Jeon...— Respondi, ainda atrás do sofá.
— Meu nome é Peeta, não Jeon.
— Ah é, eu esqueci. Foi mal! – Me redimi. – Enfim... Não vou cair nessa! Nos jogos vorazes só há um vencedor, ninguém é louco a ponto de... – Meu próprio espirro me interrompeu. – Se render à morte! – Falei com os olhos semicerrados. Ele soltou uma risada sarcástica.
— Você é esperta roxinha! Vamos acabar com isso de uma vez, apareça e vamos duelar!
— Eu vou fazer algo melhor do que isso. – Sussurrei, com um sorriso triunfante no rosto.
Peguei o último jeotgarak e posicionei no estilingue. Contei até três e atirei. Mesmo minha mira não sendo das melhores, eu teria acertado o alvo, se a porta não tivesse aberto bruscamente, empurrando JungKook para o chão e fazendo minha “flecha” acertar a pessoa do lado de fora, bem em cheio na testa. Wow, aquilo com certeza deixaria uma marca.
— Quem foi que jogou isso em mim? – Perguntou pausadamente, fazendo-me estremecer de medo. Levantei-me do meio dos travesseiros com a melhor cara de arrependida que pude fazer, e fui ajudar JungKook a sair do chão, já que o mesmo ainda estava jogado lá. Ele se posicionou ao meu lado, e ficamos encarando, culpados, a pessoa à nossa frente. – Então nós deixamos dois doentes sozinhos por algumas horas, e eles resolvem fazer uma simulação de “Jogos Vorazes” no meio do dormitório? Que bagunça é essa?
Já fui me preparando psicologicamente para o sermão interminável que estava por vir, enquanto tirava o cobertor da cabeça, e dava adeus à nossa divertida brincadeira.
Acho que nunca mais nos deixariam ficar sozinhos depois dessa.
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