Notas iniciais
Olá!^^Minha primeira vez postando neste fadom, espero que gostem ^^

Na estação de trem as pessoas andavam apressadas, muitos tinham reuniões para ir, outros já acompanhados de sua família iam para viagens divertidas com seus filhos e mulheres, outros já estavam mais preocupados em receber visitas e por isso olhavam bastante para o relógio. Todos tinham suas vidas e caminhos para seguir e, por este motivo, não se preocupavam com os dois irmãos italianos vestidos de roupas simples e um pouco sujos, por trabalharem todos os dias em afazeres domésticos. Para os passageiros eles eram simples jovens imigrantes que fugiram de seu país buscando melhores condições de vida na Alemanha, o que era um pouco estranho se vê naquela época, afinal a Alemanha havia perdido muito graças a primeira grande guerra.

O casal de irmãos havia chegado mais cedo do que foi marcado, este era o motivo de tanta espera. A menina tinha seus cabelos castanhos presos num rabo de cavalo, ela havia posto seu melhor vestido para buscar o terceiro gêmeo na estação, mesmo que ele esteja um pouco sujo e ameaçado, ela queria causar uma boa impressão. Já seu irmão estava agachado, ele olhava para baixo, às vezes engraxava uns sapatos dos homens ricos e poderosos que passavam por ali, algo que sua irmã não gostava já que haviam ganhado um dia de folga para buscar o mais novo. O outro não se importava, e retrucava dizendo que era um bom negócio.

Quando o relógio marcou três horas pôde se perceber o trem se aproximando, o que fez os gêmeos pararem de discutir sobre trabalho fora de hora. Ela logo estapeou levemente seu vestido para tirar o pó que podia está nele, dando lhe assim um ar limpo — era o que ela pensava-, seu irmão simplesmente ajeitou a boina em sua cabeça e procurou com os olhos o ser que tanto esperava.

Não demorou muito para se ouvir a voz do gêmeo tão querido. Feliciano vinha carregando sua mala marrom ignorando os olhares curiosos, já que ele tinha um ar simples e infantil para transitar naquele local. Quando os três se encontraram foi até bonito de se vê, todos se abraçaram e risos foram dados de tamanha felicidade.

Você está muito bela neste vestido, minha irmã. — Feliciano falava em sua língua natal com muito sotaque ainda.

Agradeço meu irmão, - O sorriso que ela dava era de plena satisfação e orgulho — mas vamos parar de falar italiano aqui, lembra-se sobre o que conversamos entre cartas?

Claro que Feliciano se lembrava. Lovino e ela haviam ido para a Alemanha trabalhar enquanto ele ia cuidar do avô deles na Itália, lembrava-se da despedida e de cada carta que recebia dos irmãos, todas ele guardava com muito carinho e relia tanto que já havia gravado cada palavras.

– Sim, como o vovô sempre dizia "Se está na Roma, faça como os romanos". — Podia se um velho ditado bobo, mas lembrar do avô morto não foi algo bom naquele momento.

Era difícil admitir a morte daquele senhor tão bondoso que havia cuidado deles desde pequenos, sua mãe havia morrido no parto dos trigêmeos e seu pai morreu trabalhando nas fábricas e agora seu avô.

Lovino olhou para a sua irmã, ambos sabiam o quão ligado era Feliciano ao vovô, e também sabiam o trabalho que foi convencer Feliciano a vim para Alemanha, foi um ano de trabalho e por fim eles tinham recebido a carta dizendo o dia e a hora que ele ia partir da Itália. Foi uma grande festa para eles quando a carta foi lida, ela não falava outra coisa a não ser sobre isso e, graças a Deus, seu patrão deixou que tivessem o dia livre para buscá-lo, outra coisa muito boa eles diriam.

– Não fique assim Feliciano. — Mesmo que Lovino não tivesse jeito com as palavras ele tentava animar o irmão — Vamos para a casa e comer macarrão, que tal? — Aquela era uma ótima ideia, afinal o outro amava macarrão.

xxx

A casa dos jovens imigrantes era limpa, pequena e confortável, o leve frescor de rosas entrava pela janela e, como os dois irmãos tinha deixado tudo pronto para o terceiro, Feliciano não teve problemas para se instalar no local. Enquanto sua irmã fazia uma macarronada ele sentou na cama que ia lhe pertencer, seus pensamentos estavam longe, em sua antiga casa para ser mais exato.

Para Feliciano aquilo era absurdo, deixar seu amado país, as belíssimas mulheres italianas, suas comidas e seu jardim apenas para trabalhar num lugar tão estranho e frio. Mas um barulho alto tirou-o de seus devaneios, não demorou muito tempo para ir até a cozinha, preocupado, e quando lá chegou ficou assustado e perplexo. A panela estava no chão, o macarrão derramado, e sua irmã estava ajoelhada, seus longos cabelos castanhos cobriram seu rosto.

Fernanda! Você está bem? — Seu italiano ainda muito presente saía rapidamente de sua boca.

Estou, meu irmão, só fiquei um pouco tonta. — Ela se levantou com dificuldades, não parecia está nada bem.

– O que está havendo... — Lovino não completou a frase, ficou apavorado com o que viu, levantou a irmã colocando-a sentada e começou a limpar a bagunça.

Feliciano não compreendia o que estava acontecendo, aquilo era certamente um absurdo e por isso ficou muito preocupado com a sua amada irmã. Ela já sorria para ele, mesmo que não explicasse nada e nem ajudasse, ela sorria para deixá-lo tranquilo.

A noite tinha chegado e nenhum dos irmãos disse algo sobre o incidente, mesmo que Feliciano tivesse curiosidade, ele tinha percebido que não devia se falar sobre aquilo. Comiam quietos a sopa de legumes que tinha sido feita, a menina estava triste por não ter conseguido fazer o macarrão que o recém-chegado tanto amava.

– Feliciano. — A voz de Lovino saía baixa e calma, escondendo um pouco de nervosismo — Você vai começar a trabalhar amanhã cedo, então não durma muito tarde.

– Sim. – A resposta foi curta, mas satisfatória para quem esperava – Mas a onde vamos trabalhar?

– Bom você vai servir na casa do general com a gente, conseguimos um emprego lá. – Lovino disse o que era necessário, foi um pouco complicado arrumar um emprego para Feliciano, mas com muito esforço seu chefe aceitou o menino.

– Você pode ser o jardineiro, afinal aquela casa precisa que alguém cuide do jardim. – A irmã explicava os serviços da casa para o outro – Mas, por favor, Feliciano, nada de bagunça ou confusões, ele é um general muito rígido e se perdemos este emprego teremos muito problemas.

– Tudo bem, minha irmã, ele nem perceberá que eu estou lá. – O grande sorriso no rosto do menor era a comprovação que ele ia se esforçar ao máximo para não atrapalhar os irmãos.

Notas finais
Gostaram? Odiaram?Por favor digam ^^Beijos