Flores Para Alemanha

2 Flor de Girassol


Notas iniciais
Olá!^^Leiam as notas finais ^^

A flor de girassol significa felicidade. A cor amarela ou os tons cor de laranja das pétalas simbolizam calor, lealdade, entusiasmo e vitalidade, refletindo a energia positiva do sol. No entanto, o girassol também pode representar altivez.

Alemanha era um país belo, tinha todo o ar glamoroso de qualquer outro país Europeu e, mesmo com a derrota na primeira guerra, o orgulho de seu povo não diminuía; para os alemães era tempo de um novo começo e tentar se fortalecer. O inverno já havia passado, criam eles, e não queria mais problemas com mais ninguém, apenas queriam viver suas vidas pacatas e nada mais. Infelizmente, seu novo governante parecia querer o contrário e era uma tristeza para muitos de seus filhos tirados de casa e forçados a ir se alistar para o exército, mas havia também pais que obrigavam seus filhos a ir mesmo que esse fossem amarrados, e para a tristeza de muitos a família de Ludwig era uma dessas.

O general se lembrava muito bem de como foi difícil para ele frequentar as escolas militares, no começo foi bastante difícil para ele e seu irmão se encaixarem no colégio, havia meninos de todos os tipos e muitas vezes ele e Gil haviam tentado fugir, o que sempre resultava em ficar presos e apanhando pelo desaforo. Ao olhar para o passado o general se sentia triste, mas tentava se convencer de que o que seus pais fizeram foi para seu bem e, por isso, ele sempre discutia com seu irmão mais novo quando este não queria ir nas festas de natal para vê seu pai.

Sentando em sua cadeira, ele olhava para o quadro de sua família, seu pai fardado e com um ar sério e frio ao lado de uma delicada moça, sua amada mãe, e três crianças ao seu redor, ele, sua irmã mais velha e Gilbert, ainda bebê nos braços da mãe. Aquela imagem sempre lhe fazia sorrir, era engraçado pensar que Gil havia sido o único dos filhos que tinham puxado totalmente a mãe, os olhos vermelhos, os belos cabelos brancos e até mesmo o amor por pássaros. Mesmo que a personalidade seja única, Gilbert era uma réplica quase perfeita de sua amada mãe. Mas a mesma foto que o fazia sorrir podia fazê-lo chorar, sua mãe adoeceu quando Gilbert nasceu o que a fez morrer antes que o mais novo pudesse se lembrar, pensava que talvez seja esse o motivo de seu pai ter tanto ódio do mais novo.

Olhou em sua volta, seu escritório estava impecável, não havia sujeira ou sequer algum grão de poeira e aquilo era o orgulho do general. Andando pela sua sala observava os móveis, que mesmo sendo velhos estavam bem conservados, todos tinham histórias para falar e se paredes e móveis tivessem boca com certeza eles não parariam de contar sobre o que viram e viveram, aquele breve pensamento infantil lhe fez novamente sorrir.

Escutando uma batida na porta e disse o baixo "Entre" como resposta. A pessoa que entrou sorriu com gentileza a ele antes de se pronunciar.

– O almoço estará pronto em algumas horas. — A jovem empregada era em si bonita, mas seria desastroso para um soldado de alto patente se envolver com uma empregada.

– Obrigado Fernanda. — Não é que ele queria tê-la como amante, e que ele estava pensando em constituir uma família para dar continuação a linhagem de sua casa. — Fernanda! — A chamou enquanto está saía da sala.

– Diga, por favor. — Ela era sempre educada, pertencia a uma família de pessoas que te fazia desejar todo o tipo de felicidade do mundo, inclusive um bom casamento.

– Talvez o meu irmão venha para cá hoje, então quero que lhe prepare um quarto e comida para nós dois. — O general sabia que era muito difícil seu irmão ir vê a família, então se sentia feliz pelo menor ainda visitá-lo.

– Sim, senhor. — Ela sorriu novamente, sabia o quanto era importante para seu querido chefe a visita do irmão mais novo.

Assim que ela saiu, fechou a porta e foi tratar de cumprir as ordens que lhe foram passadas, deixando para trás um loiro refletindo sobre a ideia de se casar. Ludwig sabia que ele poderia escolher muito bem sua noiva, tinha casa, dinheiro e era bonito, seu único problema era ser do exército, após a Primeira Grande Guerra o exército alemão era algo mal visto ainda por muitos, e Ludwig não os culpava, a guerra fora terrível para todos e nem sabia como havia conseguido ficar fora daquela loucura por tanto tempo, e era naqueles momentos que agradecia a Deus por seu pai ter tido bom senso e não ter deixado ele entrar na guerra.

xxx

Já devia ser onze horas quando a sua sala foi invadida por um albino jovem de olhos bem vermelhos, o general de guerra estava sentado lendo um jornal quando escutou a voz tão conhecida, porém, ao mesmo tempo, raramente ouvida ecoar pela sala. Iria sorrir, se não fosse pelo fato de seu jornal ter sido tirado de suas mãos pelo jovem irmão.

– Não fique lendo essas coisas quando a melhor pessoa está aqui. — As palavras ditas podiam soar estranho e até mesmo ruins, mas aquela era a forma que seu irmão gostava de se apresentar.

– Tudo bem senhor alma-grande pode fazer o favor de me devolver o jornal? — O loiro olhou para o menor por cima dos óculos que usava para ler, já estava ficando chato a forma que o outro aparecia.

O albino, mesmo a contragosto, entregou o jornal ao irmão mais velho, Gilbert não esperava aquela recepção depois de tanto tempo sem se verem. Mas não disse nada sobre aquilo, o menor limitou-se a sentar — lê-se "deitar" — no lindo e confortável sofá de seu irmão.

Ludwig sabia muitíssimo bem que o albino não o deixaria em paz durante a sua estadia na casa, afinal era tão raro receber algo do menor que nem o próprio Ludwig sabia como agir ao ter Gilbert tão perto. Lembrava-se de quando eram crianças e o menor ainda era um menino tímido e calmo, naquela época Gil não parecia que ia se tornar alguém com um super ego, porém, mesmo sabendo sobre o forte ego do menor, o alemão sabia que o menino tinha um bom coração, afinal o albino odiava a ideia de guerras; era algo que não era grande, costumava dizer o caçula.

Suspirou cansado e preocupado, ter a companhia do seu caçula era algo que apenas ele em toda a sua família tinha o prazer de desfrutar, então seria muito ruim se eles ficassem sem se falarem. Olhando mais um pouco para o menor reparou que este estava quase dormindo em seu sofá, com toda a certeza devia está muito cansado da viagem que fizera.

– Você devia ter me avisado que horas ia vim. — Falou depois de um longo silêncio. — Passei a semana inteira te esperando. — A falta de comunicação que tinha com o mais novo era quase insuportável.

– Minha maravilhosa pessoa queria lhe fazer uma grande surpresa. — É, aquela era a forma do albino pedir desculpas pelos seus atos.

– Mesmo assim, poderia ter me avisado que pretendia vim antes de mandar uma carta me avisando que estaria aqui antes do mês acabar! — Ao pensar naquela carta Ludwig tinha plena certeza que seu irmão era uma pessoa incrivelmente estranha.

E mesmo que seu tom de voz seja duro, ele estava muito feliz em poder vê o albino seguro e bem tratado. Agradecia mentalmente a Deus por seu irmão não está doente ou ferido, não suportava a lembrança que tinha de quando seu irmão apareceu ferido em sua porta numa noite chuvosa. Só de pensar naquilo fazia seu corpo estremecer.

– Quer ir descansar? — A voz do alemão já estava mais controlada. — Quando a comida estiver pronta posso mandar alguém chamá-lo, se não for incômodo.

O albino sorriu, mesmo com os olhos fechados tinha a certeza que o maior não usava mais os óculos, que deviam estar na cômoda ao lado deste. E gostou de ouvir a voz do outro, Gilbert sabia que o mais velho sempre foi muito preocupado com ele e, por isso, aquele era seu parente predileto.

– Estou bem, e gosto desse sofá. — A resposta saiu de forma brincalhona, mesmo sabendo que teria problemas caso sujasse o sofá branco do maior.

– Não há gostar, você tem que dormir na cama Gilbert! — O loiro estava decidido a tirar o caçula dali, ia sujar seu sofá todo!

Naquele momento a empregada entrou anunciando o almoço, como era de seu costume, cumprimentou o albino com um sorriso. Não era novidade para ela vê o menor naquele local implicando com seu chefe.

Eles assentiram e foram para a sala de jantar. Na mesa estava posta a comida do dia e mais um molho de macarrão; podia ser chato, Ludwig estava sendo forçado — literalmente — a comer macarrão! Talvez seja estranho essa notícia, mas era pura verdade. Ele não se lembrava de um único dia que não tivesse comido macarrão duas vezes. E era surpreendente perceber que existia tamanha variedade de macarrão e seus molhos. O alemão já estava até sonhando que era um macarrão!

O almoço fora tranquilo, não houve muitas piadinhas ou palhaçadas vindo do mais novo, era aceitável a vivência amável que tinham, e ambos sabiam que sempre podiam contar um com o outro em situações complicadas. Durante o almoço eles falaram sobre algumas coisas e ambos decidiram, por iniciativa do mais velho, dar um breve passeio no jardim, algo que o mais novo aprovou. Aquele breve passeio podia ser uma forma deles saberem mais sobre a vida do outro.

E após o almoço, como haviam decidido, andaram juntos pelo terreno do maior. A casa de Ludwig era mesmo muito grande vista tanto por fora quanto por dentro, Gilbert se perguntava o motivo de seu irmão morar naquele lugar sozinho e se ele não se sentia solitário ali.

Mas não era a casa que chamava a atenção e sim o maravilhoso jardim situado em sua volta. Possuía tão belas flores que se tornara impossível decidir qual era a mais perfeita. Algumas, ainda regadas, reluziam a luz do Sol por causa das pequenas e glamorosas gotas de água, o que fazia os irmãos Beillschimdt pensar o quão maravilhosa era a obra divina e a pessoa que cuidava de seu jardim.

– Meu irmão que tipo de ser angelical está cuidando de seu jardim? — Era certo que Gilbert costumava exagerar às vezes, só que no fundo Ludwig se perguntava a mesma coisa.

– Acho que é o irmão mais novo do Lovino. — Respondeu o irmão mais velho.

– O que é isso? A família Vargas é uma máfia de empregados? — O caçula sabia sobre a família que servia seu irmão, mas não sabia que tinham mais um irmão.

– Eu vou falar com o Lovino. — Ludwig olhou em sua volta procurando com os olhos o italiano e quando o viu, foi em sua direção.

O estrangeiro estava agachado perto de uma roseira mexendo com a terra, na verdade estava afofando ela para as flores poderem respirar, porém o alemão não se importava com aquele detalhe, ele apenas queria falar com o italiano sobre o trabalho de seu irmão.

– Lovino! Lovino! Lovino! — Chamou o loiro antes de tocar o ombro do italiano. — Lovino, por que não res-...

O que viu deixou petrificado, aquele não era Lovino, na verdade aquele garoto era muito diferente de Lovino. Seus olhos eram castanhos claros, seu cabelo tinha o mesmo tom do olhar brilhante, havia um riso no rosto dele que aumentava ainda mais o ar infantil dele. O chapéu de palha com abas longas lhe davam um chame especial, a camisa social branca dobrada até os cotovelos, para poder mexer com a terra, e a calça azul-clara dobrada até seus joelhos lhe davam um ar encantador.

O general de guerra alemão não sabia o que poderia falar para aquele ser tão infantil em seu jardim, o leve cheiro de rosas que estava no ar e a brisa leve da tarde fazia tudo parecer um sonho e Ludwig não sabia se aquilo fora fruto de sua mente. Mas seus devaneios foram embora quando a doce voz do menino em sua frente o chamou.

– Ve~ o senhor está bem? — Feliciano misturava italiano e alemão enquanto falava, sem contar suas pequenas manias de falar.

– H-ha ... Estou bem. — Ludwig demorou um pouco para responder e corou ao perceber o quão próximo o rosto do menor estava do seu.

– Não se preocupe pequeno Vargas, meu grande ser sabe cuidar do meu irmão. — Gilbert tomou a frente estranhando o rosto levemente vermelho do outro.

– Tem certeza? Ele parece ter febre. — Feliciano estava preocupado com o loiro.

– N-não, eu estou bem! — Falou o maior rapidamente se afastando do menor.

– Algum problema rapazes? — A voz vinha de Fernanda, que havia percebido algo errado ali e foi conferir.

– Não há nada de errado. — O general não parecia disposto a conversas, mas quando ia completar a frase foi interrompido.

– Ele está vermelho, achamos que é febre. — Gilbert também se preocupou com irmão, não era comum o outro enrubescer.

– Deve ser o tempo. — A menina falou concordando com aquela possibilidade. — Deviam entrar e... — Foi então que olhou para seu irmão mais novo, cujo ainda não havia sido apresentado. — Senhor, esse é Feliciano Vargas, meu irmão, a quem eu e Lovino falamos para você.

– Há! Sim, obrigado por me dizer o nome dele. — Não era comum chamar os servos pelo nome na Europa, mas Ludwig já estava amigo da família Vargas, então os chamava pelo nome quando estavam a sós.

– Vamos, você precisa descansar. — Gilbert foi guiando o irmão para dentro de casa, tinha medo do outro adoecer.

Quando os italianos ficaram sozinhos, ela se pôs a observar o trabalho do irmão caçula, seu sorriso demonstrava satisfação total com aquele jardineiro. Já Feliciano perguntava-se o que poderia ter causado aquela reação no loiro, não sabia o que poderia dizer sobre aquilo.

– Ve~ quem era o albino mana? — Aquela foi a primeira pergunta que ele fez.

– Ele é o irmão mais novo, nosso chefe tem mais uma irmã, só que ela quase não vem aqui e ele também só vai vê a família no Natal. — Enquanto ela explicava para ele, Feliciano pensava o quão triste devia ser morar naquela casa sozinho.

Conhecendo o irmão, Fernanda logo percebeu o que este estava pensando, por isso falou de forma confortável:

– Não se preocupe com isso Feliciano, o chefe é solitário, mas as vezes aparece outros soldados aqui. — Algo em sua voz quando disse aquela última frase saiu triste, o que causou uma certa curiosidade no menor.

– Algum problema Fernanda? — O menor reparou no tom de voz melancólico que ela tinha.

– Estou bem. — Ela sorriu para acalmá-lo, não queria deixar seus amados irmãos tristes com seu humor chato.

Após falar isso Fernanda saiu de perto do irmão alegando que tinha coisas a fazer e, sem olhar para trás, se despediu. Feliciano não compreendia aqueles gestos, mas confiava em sua irmã quando dizia que estava tudo bem e, por isso, limitou-se a olhar para a grande casa de seu chefe.

Era uma casa grande demais para alguém sozinho, devia ser solitário e chato. Foi então que o jovem italiano teve uma ideia brilhante, com toda a certeza aquilo ia animar seu chefe.

xxx

Em sua sala Ludwig tentava entender o motivo de olhar tão atentamente para o estrangeiro, aquele garoto parecia ser muito bonito e inocente para trabalhar como jardineiro.

Sua mente estava uma bagunça, não era comum olhar para uma pessoa e dizer que ela era bonita, principalmente para um homem, mas foi essa a sua vontade que teve ao vê aquele italiano.

Novamente seus pensamentos foram interrompidos por causa de uma batida na porta e, como era do costume disse "Entre".

– O senhor está bem? — Mas quem havia entrado não foi a sua empregada e sim o jovem jardineiro que confundia seus pensamentos.

O alemão se assustou, não esperava aquele menino ali.

– Estou sim, Feliciano. — O alemão falou se recuperando do susto. — Posso te chamar assim?

– Claro german* ~ — O outro abriu um enorme sorriso. — Eu fiz isso para você. — O menor mostrou para o outro uma bandeja de chá. — É um chá típico de minha casa, ajuda a melhorar os resfriados.

– Obrigado. — Ele olhou para a xícara de chá e pegou um pouco hesitante, experimentando aos poucos.

O menor ficou observando o outro beber o seu chá, era algo incrivelmente bom saber que estava ajudando. E quando a porta se abriu novamente, o albino entrou.

– Está muito ocupado? — Gilbert percebeu a presença do italiano.

– Não, eu só estou bebendo o chá. — Ludwig respondeu e viu o menor sair de sua sala fazendo uma rápida referência deixando os irmãos a sós. – O que há de errado comigo? — O loiro perguntou sem pensar na presença do irmão caçula.

– Acho que sei, você parece está apaixonado ou com febre, então... — O albino sorriu, aquilo seria divertido. — Quem é a garota?

Notas finais
*german -> segundo o tio google, é assim que se fala "alemão" em italiano :P Espero que tenham gostado e quero os comentários, viu?^^ Beijos