Flores Para Alemanha
16 Flor de Jasmim
Notas iniciais
Bom, agora só faltam dois capítulos pessoal o/
O Jasminpossui um perfume envolvente, exótico e afrodisíaco. A noite acentua a sensualidade. É considerado o “rei das flores” devido ao seu odor. A sua cor representa inocência, pureza e paz.
Há séculos o Jasmim no Oriente é considerado como o símbolo da beleza e da tentação das mulheres. Na Índia, Kama, o deus do amor, chegava a suas vítimas por setas acompanhadas de flores de jasmim. Cleópatra teria ido ao encontro Marco Antônio em um barco cujas velas foram revestidas com essência de jasmim. O casamento de jasmim é o símbolo dos 66 anos de casamento no folclore francês.
Era a terceira vez que aquela sirene tocava naquela semana, o mais interessante daquilo era que não haviam visto um avião ou bombardeio durante aquele mês, mas como ninguém ali queria abusar da sorte, todos iam para seus devidos porões, onde ficavam quietos esperando todo o tormento passar.
Gilbert apertava a mão do namorado, enquanto via de forma triste Vash e Lili se abraçarem com medo, os dois gatos nos braços de Feliciano também estavam assustados, o que tinha cor clara e marcas marrons pelo corpo parecia tremer de medo enquanto o gato preto de brilhantes olhos azuis olhava um pouco nervoso para todos da sala, como se a qualquer momento o teto fosse descer sobre suas cabeças.
Mesmo sem os barulhos de bombas aquela sirene dava medo, as vezes o albino tinha pesadelos com aquela sirene e acordava no meio da noite com a impressão que estava tocando e isso sempre deixava Roderich confuso, afinal o austríaco acordava meio lerdo.
– Vai ficar tudo bem — Tentou sorrir para os outros, Gilbert sabia que talvez não fossem ter bombas naquela noite, porém, não tinha certeza.
– Miau — O gato que miava era o negro, chamavam ele de Lu, porque seus olhos azuis lembravam o olhar de Ludwig.
Aos poucos todos começaram a rir, aquela gargalhada gostosa que se dá e vai contagiando a todos. Fazia um bom tempo que não riam daquela forma, então as risadas duraram mais do que o previsto.
Gilbert não gostava de passar a noite naquela sala, mas não queria correr o risco de acabar morrendo ou ver alguém ferido. Roderich dormia encostado em seu ombro, o castanho era tão fofo, tinha vontade de morder ele sempre que o via daquela forma. Contudo, havia mais alguém acordado naquela sala.
Feliciano olhava para a parede, mas ele não a via, seus olhos pareciam estar enevoados e Gilbert tinha a certeza que ele pensava em sua família. Os gatos continuavam no colo do italiano, mas dessa vez eles dormiam.
– Você devia descansar — Fazendo uma pequena pausa disse. — Não dorme há quanto tempo?
– Hum? — O outro o encarou por um tempo antes de responder. — Acho que há alguns dias — As bochechas de Feliciano ficaram vermelhas.
– Você devia descansar melhor, a falta de sono é prejudicial a saúde, Feliciano — A voz repreensiva de Gil não combinava com ele e logo ambos riram.
– Não se preocupe, eu só ando tendo dificuldade para dormir, logo passa — O italiano falava como se pedisse desculpas, com a cabeça baixa e voz triste fazia o alemão se perguntar o que o outro pensava.
– V-você devia ir ao um médico — A voz vinha da menina loira que estava em um canto da sala.
– Ah! Desculpa, por ter acordado você, Lili — Feliciano ficou sem graça, agora ele estava deixando os outros preocupados consigo e ele não gostava disso.
– Não me acordou, eu estou bem, não se preocupe — Ela sorriu para eles.
Os rapazes sorriram para a moça e Gilbert começou outro assunto, um que ele sempre quis saber desde que havia conhecido eles.
– Lili se me permite perguntar...Bom, é que eu desejo saber como você conheceu o Vash — O pedido foi feito de forma delicada, de longe se via o constrangimento na face do albino.
A menina o encarou por um tempo, ficou surpresa com aquela questão, mas sorriu.
– Quando eu era pequena meu pai se casou de novo, a mulher já tinha um filho, um menino e quando a guerra começou... — Sua voz sumiu subitamente, por um momento parecia que ela ia chorar, contudo, continuous. — eles morreram, estavam trabalhando no campo e não tiveram tempo para se esconder quando a sirene tocou.
Gilbert se arrependeu internamente por fazê-la lembrar daquelas coisas, imaginava que deveria ter sido algo bastante complicado, mas não aquilo.
– Meus pêsames e desculpa — Ele disse quando se recuperou do choque.
– Tudo bem, você não sabia, não é sua culpa — Ela voltou a rir, sua voz estava fraca e pela sua face ela devia estar morrendo de sono.
– Ele é um bom garoto — Feliciano olhou para Vash que dormia, agora eles entendiam o motivo do outro ser sempre daquela forma.
– Sim, um ótimo menino — Ela falou baixo se enconstando na parede para poder dormir.
Gilbert sorriu, ela e seu irmão eram incrivelmente fofos.
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Já fazia exatamente um ano que a guerra havia acabado, o mundo já estava começando a se reerguer e as feridas a se cicatrizar. Mas aquilo não era importante naquele momento, em seu quarto Gilbert vestia mais uma vez sua farda, só que dessa vez ela negra, era uma farda especial para enterros.
Olhou para o espelho e se sentiu um idiota, seu cabelo branco estava devidamente penteado e aquela face séria não combinava consigo. Sentia uma grande tristeza no coração, mas não podia chorar, ele não ia chorar, pois não queria.
Passou muito tempo olhando para si mesmo pelo espelho, apenas reparou em Roderich quando este colocou a mão em seu ombro. O austríaco também estava triste naquele dia, triste pela tristeza do namorado e por tudo o que tinha acontecido, esboçando um pequeno sorriso tentou animá-lo.
– Ele está bem agora Gil, ele está com ela — Roderich podia não saber o que dizer exatamente, entretanto, pensara que talvez aquilo o deixasse feliz.
– Eu sei, eu sei — Gilbert suspirou cansado, ia sentir muita falta de seu pai.
O silêncio pairou novamente sobre eles, aquele quarto estava gelado e muito escuro para alguém fazer algo divertido ou até dizer palavras amáveis. Sem esperar mais, o casal desceu para o primeiro andar e encontraram os dois loiros lhe esperando.
Tanto Vash quanto Lili estavam quietos, as duas crianças se sentiam triste pela perda do albino, mesmo nunca admitindo ,já haviam se acostumado com o casal e aceitado eles como seus pais. Claro que nunca iam dizer aquilo em voz alta, mas era isso que eles pareciam ser, uma estranha e divertida família.
Gil olhou para as crianças e fez sinal para que entrassem no carro, não teria problemas com educação, afinal Vash e Lili eram muito educados e obedientes. Quando todos entraram, o albino ligou o automóvel e partiu, ia ter um longo dia pela frente.
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Para a família Beillschmidt era um dia de dor, mas para a família Vargas era também um dia de alegria. Mesmo que todos estavam indo para um enterro, Lovino não conseguiu segurar seu riso quando viu sua irmã descer do carro ao lado de seu marido.
Ela o abraçou fortemente quando se aproximaram e beijou sua testa, ele tentava conter as lágrimas que cismavam em cair. Antônio, que vinha logo atrás, ria abobalhadamente com o reencontro dos irmãos. Ficara muito animado com aquele reencontro, logo o espanhol também foi abraçado pela italiana e sorriram um para o outro. Ela teve o cuidado de apresentar o seu filho a eles, era um menino loiro que os cumprimentou com educação, mas não conseguiu escapar dos abraços de Lovino.
Quando tudo acabou foram eles para o local do enterro, não podiam faltar isso. Foi um pouco estranho quando Ludwig chegou acompanhando de um inglês, de um francês, de um americano e de um brasileiro, com certeza ele teria muito o que explicar mais tarde.
Roderich veio com Gilbert e mais duas crianças loiras, aquilo causou um certo murmúrio entre os outros ali presentes. Feliciano veio com eles, porém, o italiano não chegou perto dos outros irmãos e nem de Ludwig, como havia chegado em cima da hora ia deixar as conversas para depois.
Foi um enterro rápido, os presentes ficaram um pouco com os parentes e um a um foram indo embora. Quando finalmente estavam sozinhos na sala, todos se olharam, como se perguntassem um ao outro "Como você passou a guerra?"
– Esses são Vash e Lili — Rod estava um pouco constrangido com aquela situação, não havia cabimento de contar tudo em uma noite.
– Que fofos — Fernanda sorriu para as crianças. — Se quiserem eu faço bolo para vocês.
O mais velho ficou envergonhado e a menina sorriu, gostava de bolos. Os olhares recaíram sobre Ludwig, que até então não havia dito uma palavra sobre como havia achado aquele grupo exótico.
O alemão ficou um pouco hesitante no começo, mas enquanto ia narrando os fatos que vivenciou todos iam entendendo o motivo. Gilbert gostou de conhecer o francês e pareciam que iam se tornar amigos depois, mesmo que o loiro parecia querer assediar ele e o espanhol todo o tempo.
– Hey Tônio — a voz vinha de um lado da sala, ela pertencia ao brasileiro que ria com os surtos de ciúmes do inglês em relação ao francês que conversavam com eles . — Como vai a Maria?
– Ela está bem, só querendo que você volte logo para casa — O espanhol ria também, mas não do ciúmes de Arthur e sim da bagunça que ele, Gilbert e Francis pareciam fazer.
Lovino, notando os olhares curiosos, narrou sua travessia pelo mar até o país tropical, contando sobre os asiáticos, os transportadores de vinho e sobre sua vida no Brasil. Quando acabou todos ficaram surpresos com algumas manias, mas no fim todos riram.
Novamente, os olhares caíram sobre Roderich e Feliciano, todos queriam saber detalhes sobre suas vidas durante a grande guerra. Feliciano ajudou o outro a narrar, Roderich corou ao lembrar de como havia reencontrado Gilbert e Feliciano explicou sobre Vash e Lili, o que pôde, claro.
– Então eles acabaram salvando vocês e vocês resolveram adotá-los? — Fernanda estava com o filho nos braços e aconchegada em seu marido.
– Foi exatamente isso — Gilbert sorria animado com aquilo enquanto cobria as duas crianças que dormiam abraçadas.
Aos poucos podiam se observar alguns bocejos e esse era o sinal para que todos fossem dormir. Darem pegou o filho nos braços e o carregou para o andar de cima, Gilbert e Roderich guiaram os sonolentos "filhos" até um quarto vago e como havia mais pessoas do que na última vez que a casa foi usada alguns dormiram na sala mesmo.
XXX
Ludwig não dormiu, sentira saudades de sua cama e de sua casa, mas ele tinha a certeza que não ia conseguir dormir naquela noite. Andando pelos corredores da casa, ele pensava como ia seguir sua vida agora, havia outro problema pendente, não era um problema para ele, mas nunca se sabe.
O problema tinha nome e sobrenome, amava pastas, tinha cabelos castanhos e um sorriso contagiante. Feliciano Vargas era o que tirava o seu sono, bem antes da guerra começar Ludwig já se sentia atraído pelo jardineiro, mas agora ele não fazia ideia de como se aproximar do menor. Podia parecer idiotice, no entanto, podia ser chamado de vergonha o que sentia.
Atravessando a sala com cuidado para não acordar os rapazes, Ludwig chegou a cozinha e colocou em um prato de sobremesa um pedaço do bolo que havia sobrado. Contudo, ficou assustado quando se virou e viu um jovem rapaz o encarando.
– Ve~ está com fome também, alemã? — A voz do italiano preencheu o cômodo e fez o ex general de guerra estremecer.
– Eu só não conseguia dormir — Ludwig respondeu e virou o rosto para o outro lado, sentia um pouco de vergonha de encarar o outro.
– Tudo bem — Feliciano disse um pouco baixo, ficou triste ao notar que o outro não o olhava.
O silêncio era constrangedor, ambos se amavam, só não sabiam como dizer. Vendo a face triste do menor, Ludwig se culpou e resolveu melhorar o clima.
– Err...Feliciano, se você não tiver um lugar para ficar podemos morar juntos se quiser — Ludwig estava vermelho, olhava para tudo menos para o menor a seu lado. — Mas se você quiser morar com sua irmã ou com seu irmão, eu vou entender, é que eu pensei que você ... bom...
Assim que ouviu àquelas palavras os olhos do italiano brilharam e seu sorriso ficou enorme, pode se ouvir um doce e amável "Ve~" antes do menor abraçar o alemão. Ficou tão feliz com o convite que apenas quis abraçá-lo e apertá-lo.
Ludwig, obviamente, ficou ainda mais vermelho, mas fez um leve carinho no topo da cabeça do menor. De longe percebia que teria uma vida complicada dali para frente com aquele amável italiano.
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