Flores Para Alemanha

3 Flor de Crisântemo


Notas iniciais
Olá!^^ Queria fazer um pedido, aqueles que por acaso encontrar algum erro explicar a onde ele está nos comentários, isso ajuda muito gente ^^

Essa flor está ligada a ideia de nobreza, conhecida como a flor de ouro em alguns países Europeus. Considerada também como uma planta medicinal, na China o crisântemo era usado como um remédio para a dor de cabeça. As pétalas também podem ser usadas em saladas e as folhas para fazer uma bebida. Uma lenda afirma que juntar pétalas de crisântemo numa taça de vinho aumenta a longevidade e vitalidade de uma pessoa.

O clima na Alemanha não era tão quente quanto na Itália, e isso permitia a Feliciano dormir um pouco mais. O cabelo castanho bagunçado, o peito que subia e descia livremente com a respiração calma, tudo demonstrava que depois de um belo dia de trabalho Feliciano estava tranquilo e perfeitamente acostumado com tudo. Mas aquele belo momento de paz não emocionava o gêmeo que lhe olhava de forma reprovadora.

A vontade do rapaz desperto era derrubar o outro da cama, mas a sua irmã havia pedido para ele ser gentil. Então não podia chutá-lo da cama, algo que desagradou o gêmeo. Lovino pôde apenas se abaixar e balançar gentilmente o italiano que dormia como um anjo.

Não demorou muito para obter a reação que queria, logo se pôde vê um dos olhos castanhos brilhantes se abrindo devagar, seguido pelo outro e aos poucos Feliciano ia acordando para seu novo dia. Até mesmo a forma de acordar do gêmeo Vargas era infantil, ele não perdia o ar gracioso nunca.

– Buon giorno* ~ — Falou enquanto se espreguiçava.

– Buon pomeriggo * você quis dizer. — A voz irritada de Lovino demonstrava a sua insatisfação pela forma que o gêmeo lidava com a vida.

– És muito tarde? — Feliciano sabia o quanto seus irmãos queriam que ele falasse em alemão, mas ele ainda não estava plenamente acostumado com a língua.

– Já está quase na hora do almoço, Feliciano! — O gêmeo exaltou a voz. — Você devia está trabalhando há horas e não dormindo!

– Desculpe-me mio fratello* — As duas línguas se misturavam naquela pequena boca do italiano.

Lovino não conseguia ficar bravo por muito tempo com o menor, era praticamente impossível não perdoá-lo daquela forma: seus olhos passavam bastante tempo fechados, devia ser o fato de tanto ele sorrir, e o cabelo levemente bagunçado dava um ar preguiçoso a Feliciano.

Feliciano foi levantando devagar e acompanhando o irmão até a cozinha, como a casa era pequena podia se sentir o cheiro de comida em toda a área, e aquilo deixava o italiano ainda mais desperto para o dia. Com passos largos ambos foram se sentar em volta da mesa, afinal Lovino também havia ficado com fome apenas com o cheiro forte do molho. Fernanda ria, com o seu belo e típico sorriso, para os irmãos que queriam comida, e como eles, ela também estava gostando do clima da Alemanha.

– I miei fratelli* — Ela chamou a atenção deles. — Eu vou ao médico mais tarde, por este motivo peço que não deixem de terminar suas tarefas — ela olhou de forma severa para ambos, sabia que seus irmãos eram capazes de fazer quando não eram vigiados.

– E fará o que mia sorella*? — Lovino, de todos os irmãos, era o mais cauteloso, alguns diziam nervoso, mas ele gostava de usar a palavra "cautela" para se descrever.

– Eu vou fazer exames de rotina, — As palavras dela saíam de forma estranha, um pouco melancólica e exaltada. — não há nada para se preocupar.

Feliciano abriu a boca para comentar, mas ao vê o sincero sorriso da irmã preferiu retribuir com outro sorriso e após essas poucas palavras ela serviu a comida, não era nada muito extravagante, apenas um molho chamado Puttanesca, que levou em seu preparo: azeitonas, alcaparras, enchovas, alho, salsa picada e tomates; tudo misturado na panela e depois de pronto colocado por cima da massa, algo divino, falava os irmãos.

Logo a conversa se tornou animada e o trio ria de casos engraçados ou até mesmo elogiava Feliciano pelo excelente trabalho no jardim do general. O jardineiro, de todos os irmãos, era o que mais tinha dúvidas sobre sua função ali, ele não estava reclamando, afinal o salário era bom e podia ficar ao lado de seus amados irmãos, mas algo naquele general parecia mexer com ele.

No fundo de seu coração Feliciano sabia que aquela era uma aproximação estranha e indevida, afinal sentia seu coração bater forte quando ouvia a voz dele.

– Feliciano! — A voz doce de Fernanda o tirou de seus pensamentos.

– O que foi? — Ele a encarou um pouco nervoso, havia sido pego de surpresa.

– Você tem que ir trabalhar, logo chegará o Outono e não teremos tempo para admirar seu trabalho. — Ela mantinha o sorriso, mesmo sabendo que seria complicado manter o irmão no emprego quando começasse o tempo frio.

– Não se preocupe, eu irei ficar bem. — Feliciano sabia que ia ser difícil quando o inverno chegasse, mas se ele fosse um bom menino talvez o general lhe desse outra função.

E, sem dizer mais nada, ele se levantou e foi trabalhar, o trio morava em um conjunto habitacional* que ficava há alguns quilômetros da casa do general, mas o italiano não se importava muito com isso. Deixou sua irmã sozinha e foi andando pela estrada, a caminho da casa do chefe, com toda a certeza ele ia ter uma carona de alguma carroça no caminho, o que era bastante provável já que sempre foi sortudo.

xxx

Diferente da manhã corrida dos irmãos Vargas, Ludwig tinha uma manhã bastante tranquila e confortável, por assim dizer. Quando ele acordou foi ao banheiro de seu quarto, fez sua higiene matinal e desceu as escadas. Como era de costume, a mesa do café já estava pronta e Lovino estava apenas dando os últimos detalhes na comida. Cumprimentou o cozinheiro e se sentou à mesa, pegando o jornal que estava ao lado de seu prato para ler.

Mesmo nos dias que tinha visitas, aquelas ações não mudavam. Para falar a verdade, Ludwig não queria mudar e, por este motivo, não ligava para seu hóspede no café da manhã. O general amava o Sol da manhã e admirava o fato de seus empregados, os irmãos Vargas, acordarem mais cedo que ele para preparar as coisas, porém, naquele dia havia algo diferente.

Naquela bela manhã de Sexta, Ludwig pôde vê seu jardineiro arrumando as flores no vaso, era lógico que o loiro sabia que elas também deviam receber cuidados, mas era a primeira vez que via um de seus empregados com cara de sono e sem perceber ele deu um leve sorriso.

– Não gostou da comida senhor? — A voz do gêmeo fez com que Ludwig voltasse a realidade, afinal Lovino havia percebido que o loiro não tinha tocado no prato com o alimento.

– Está ótima. — Disse sem pensar e tentando diminuir o constrangimento disse: — Como se chama esse doce?

– É pão francês com geleia de morango, senhor. — O italiano ficou confuso e preocupado, Ludwig não era distraído.

– Ótima geleia. — Falou antes de levar a xícara de café aos lábios, querendo um gole.

Lovino olhou para Gilbert e como em uma conversa muda, eles trocaram olhares se perguntando sobre o ocorrido recente. O albino parecia se divertir e estava ficando cada vez mais convencido sobre a paixão do irmão, em sua cabeça Gil pensava em todo o tipo de mulher que seu irmão podia está amando, pensava até em casamento e, em seu interior gostava da ideia de ser chamado de tio.

Já Lovino estava muito preocupado, seu chefe andava agindo de forma estranha e ele se perguntava que tipo de doença o general podia ter contraído. Não era apenas o emprego que o deixava nervoso, ele realmente não queria que seu chefe ficasse doente, pensava em algumas comidas que ajudavam a melhorar a saúde, talvez as fizesse mais tarde.

E enquanto Lovino ia para a cozinha com seus planos de fazer comidas saudáveis, Gilbert olhava a sua volta, o albino estava tentando descobrir o que havia feito seu irmão agir daquela forma, afinal era a segunda vez naquela semana e não tinha explicação eminente. Um sorriso safado se formou em seu rosto quando deparou com o italiano sonolento e sorridente que arrumava as flores no vaso, podia ser absurdo a ideia, mas era a única que tinha.

– Luddy, você ainda tem aquele livro que Lara* me deu? — O albino não gostava muito de falar sobre a irmã mais velha, mas aquele foi um belo assunto para distraí-lo.

– Sim, ele está na biblioteca. — O mais velho riu, estava feliz pelo interesse do caçula sobre a família. — Quer que eu vá buscar?

– Não precisa ir agora, pode ser antes do almoço. — O mais novo estava com um plano em mente, mas precisava ter um pouco mais de certeza antes de colocá-lo em prática.

– Certo então. — O mais velho não desconfiava de Gil, afinal não havia motivos para se preocupar com o albino.

O resto da manhã ocorreu como de costume, após o café da manhã Ludwig foi para seu escritório terminar de ler as notícias do dia, e como Fernanda já havia terminado boa parte do trabalho ele concordou em deixá-la ir ao médico, mesmo que ela não comentasse o motivo da visita ao doutor.

Ludwig se ajeitou na cadeira e olhou o relógio de parede, logo iam chamá-lo para o almoço e ele ainda não tinha ido pegar o livro para seu irmão. As coisas seriam mais fáceis se a família não fosse tão absurda, o loiro sabia que Gilbert não voltaria para a casa do pai tão cedo, principalmente depois da última festa de natal em que filho e pai brigaram.

Não era uma boa lembrança e muito menos queria revê-la novamente, para tentar afastar esses pensamentos ruins ele se levantou e com passos calmos se dirigiu a biblioteca. Sua biblioteca era grande, o cômodo que ela ficava tinha altas estantes que chegavam ao teto, todas as milhares de suas prateleiras estavam cheias de livros, alguns antigos e outros novos, alguns finos e outros grossos, havia ali vários livros de todas as formas. Ludwig achava cada um mais fascinante que o outro, e o tipo que ele mais gostava era aqueles que contavam a história do império Romano, o general admirava aquele antigo império.

Olhou a sua volta, tinha que achar a estante com o livro de seu irmão, o loiro já havia perguntado milhares de vezes sobre o motivo do livro do albino estar em meio a sua coleção, mas nunca obteve uma resposta concreta. Andou até o local, era perto de uma grande janela que dava para o jardim e sem perceber deu uma olhada no estrangeiro que mexia nas flores, e o que viu fez ele largar o livro e sair dali rápido.

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Quando chegou ao jardim teve vontade de matar Gilbert, queria bater muito nele! O albino estava fazendo um leve carinho no rosto do italiano enquanto ria. Ludwig não soube explicar o que sentiu, mas segurou seu irmão antes que seus rostos ficassem próximos de mais e se beijassem, só esse pensamento já o deixava nervoso!

– O que pensa que está fazendo? — A voz do loiro saía firme e irritada, o caçula era doido?

– Nada, apenas limpando a terra do rosto dele. — A voz um pouco maliciosa era acompanhada por um sorriso brincalhão, como se ele estivesse brincando com o outro.

– ve~ verdade senhor — A voz doce e infantil do italiano chamou a atenção dos irmãos.

Ludwig olhou para o menor, se perguntava se o outro era ingênuo mesmo ou aquilo era só impressão.

– Você deve tomar mais cuidado, Feliciano, as pessoas podem querer se aproveitar de você dessa forma. — A voz do general já saía mais controlada, ele não queria brigar com aquela pessoa.

– Aproveitar? Eu fiz algo errado para as pessoas se aproveitar de mim? — Feliciano não estava entendendo as coisas, por que seu chefe parecia tão nervoso?

– Não é você que faz Feliciano, — A voz cansada e preocupada do general soava de forma gentil ao menor — mas as pessoas podem fazer mal a você.

Para Gil, que ainda estava ali, aquela cena era no mínimo engraçada, seu irmão estava realmente amando o menor e demonstrava isso em seu curto e irracional acesso de ciúmes que logo havia se tornando em algo amável graças a doce voz do menor. Tinha que lembrar de agradecer o estrangeiro mais tarde, afinal, se não fosse aquelas palavras talvez tivesse levado uma surra.

Olhando de longe a cena era bastante bela, os dois estavam próximos e Ludwig tinha suas mãos nos ombros do menor, enquanto suas faces estavam se encarando. Ouvindo as palavras de cautela e repressivas do maior, Gilbert tinha plena certeza que ambos se amavam, caso contrário seu irmão não teria quase quebrado seu braço. Tudo estava perfeito se não fosse pela interrupção de Lovino para avisar que o almoço estava pronto.

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O dia se passou sem muitos problemas após isso, como Fernanda havia saído no horário de almoço para ir ao médico, eles não tiveram mais notícias dela e os irmãos esperavam receber boas notícias, afinal eles não queriam saber de alguma doença cruel.

Gilbert passou boa parte do dia em seu quarto pensando em alguma forma de aproximar ainda mais os dois e fazê-los confessarem seus sentimentos, um amor podia ajudar o mais velho a sair da seca. Já Ludwig ficou boa parte do dia em sua sala, tinha que se controlar para não acabar se apaixonado de verdade por um garoto!

Como a porta estava levemente aberta, o menor só teve que tentar bater nela para ela se abrir por completo.

– Me desculpe, senhor — Falou o rapaz enquanto entrava na sala.

– Tudo bem, o que houve Feliciano? — O general não obteve uma resposta, então olhou para o rapaz e pegou a carta que este tinha em mãos.

Após ler ficou surpreso, ele teria uma reunião com os outros soldados e isso incluía a sua "amada" família.

Notas finais
*Boun Giorno = Bom dia. *Boun pomeriggo = Boa tarde. *Mio fratello = Meu irmão. *I miei fratelli = Meus irmãos. *Mia sorella = Minha irmã. *Bom gente é o seguinte: Durante a Primeira Revolução Industrial foram formadas os bairros para os trabalhadores, e eu tive a ideia de colocar os irmãos Vargas dentro de uma dessas casas. E se eu tiver errado algum fato histórico me avisem. Beijos e espero comentários :3