Flores Para Alemanha
4 Flor Tulipa.
Notas iniciais
Espero que gostem ^O^
O principal significado da tulipa é o amor perfeito, mas os significados podem variar, dependendo das diversas cores de tulipas. Estas flores também podem estar associadas à prosperidade e independência
Mesmo sem perceber, o inverno se aproximava rápido e com ele as festas de final de ano. Na Alemanha todos já usavam casacos e luvas, emborafaltasse duas semanas para o inverno. As crianças saíam agasalhadas de suas casas e as mães seguravam suas mãos pequenas para levá–los às escolas ou apenas à loja de doces na esquina. Todos estavam felizes, esperando que a neve caísse e ansiosos pela chegada do natal. Ninguém tinha tempo para olhar a jovem estrangeira sentada no banco da praça, ela estava bem agasalhada e segurava um papel, seus olhos miravam aquelas palavras com dor e mágoa. "Se eu tivesse sido forte", ela pensava enquanto lia pela quarta vez o papel. Um suspiro cansado e ela jogou o cabelo que caía em sua face para trás, com toda a certeza aquilo não seria fácil de explicar a seus irmãos.
Ou talvez não precisasse contar, apenas iria a sua cidade natal alegando ir visitar o túmulo da avó e voltar apenas quando tudo acabasse, mas, ao pensar nisso, não podia aceitar, ela não era mulher para algo assim, tinha que pensar em outra coisa. Já imaginando a reação de seus irmãos, ela estremeceu, não queria contar. Na verdade, ela queria continuar sentada ali esperando algo acontecer.
Perto dali, passava um jovem de cabelos castanhos escuros carregando uma caixa de tomates, seu uniforme estava um pouco bagunçado, mas não trazia mais curiosidade do que sua caixa de tomates. Qualquer alemão se impressionava com ele, afinal ele era descendente de espanhol e qualquer pessoa podia jurar que ele era um idiota. Antônio andava calmo e observava o céu, ele gostava de tudo na Alemanha, mas seu sonho era conhecer a amada Espanha de sua mãe, por isso trabalhava, para um dia ir visitá-la. Foi neste passeio que ele viu uma imagem conhecida na praça, seus lábios se abriram num sorriso e ele se apressou em ircumprimentá-la.
– Fernanda! — A voz do maior a tirou de seus pensamentos.
– Antônio? — Espantada, ela o olhou, e deixou o papel cair no chão, amassado. Não queria que ninguém soubesse, ela não estava pronta.
– Fernanda, o que faz aqui na cidade neste dia nublado? – O descendente de espanhol ficou preocupado, não era costume a moça ser vista tão longe da casa do general.
– Eu vim ver se o terno do General estava pronto, — Ela sabia que uma desculpa como aquela poderia livrá–la de uma enorme confusão desnecessária, e para ter certeza de que ele acreditasse no que havia dito, completou:–mas infelizmente ainda não posso levá-lo para a casa do meu chefe.
– Verdade, em falar nisso, meu chefe vai visitar o seu essa semana, acho que hoje a noite ou amanhã, então irei passar lá para ver o Lovino. – O sorriso do homem ficou ainda maior, ele gostava de ver aquele pequeno italiano problemático.
– Isso o deixará feliz, vou contar a ele. – Estava claro que o gêmeo mais velho ia surtar com a notícia, pelo o que elalembrava,Lovino sempre foi rígido com seus sentimentos em relação aquele rapaz e não era fácil deixá–lo calmo perto de Antônio.
– Tudo bem, boa sorte com a viagem de volta. – Ele se afastou sorrindo, gostava de ver os irmãos Vargas, principalmente um certo gêmeo nervosinho, mas aquilo ele aguentava muito bem, na verdade Antônio estava ansioso para vê-los.
Ela ainda ficou parada ali, e aos poucos seu corpo começou a se mover. Ainda que não pudesse contar a alguém, ela teria que ser forte para proteger a si e àquela criança em seu ventre, afinal não podia deixar que algo a abalasse, pois ela era uma Vargas e não devia chorar, e sim rir, é isso que Vargas fazem: sorriem mesmo que doa.
Com passos lentos começou a sua longa e dura caminhada para casa, em sua mente ela planejava uma forma de contar sobre o ocorrido a seus irmãos naquela noite, não ia ser fácil, mas ela estava disposta a revelar tudo.
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Lovino estava fazendo o jantar, teria uma festa naquela noite e ele estava um pouco nervoso, pois não era todos os dias que seu chefe dava festas ou recebia a visita de sua família, não seria exatamente uma festa, mas podia ser considerado uma. O italiano preparava o molho enquanto tomava cuidado para o macarrão não passar do ponto.
Estava tão ocupado que tomou um susto quando o gêmeo mais novo entrou correndo na cozinha. Feliciano sorria após rever o irmão, mas Lovino não gostou muito de ver seu gêmeo mais novo ali.
– O que quer aqui? — O maior não desviou a atenção da panela.
– Eu já acabei a minha função hoje, quer ajuda? — Fazia poucos dias que Feliciano havia decidido ajudar os irmãos no trabalho.
O mais velho se calou e, hesitando a responder, começou a julgar mentalmente aquela ideia, seria bom ter ajuda na cozinha, havia muita coisa para fazer em pouco tempo, então uma pessoa a mais poderia ser bastante útil. E Feliciano não era um completo retardado, o menor sabia cozinhar muito bem e, mesmo odiando admitir, Lovino sabia que o gêmeo menor era melhor que ele na culinária, mas isso ele nunca diria em voz alta, nunca!
Feliciano ficou parado perto da pia esperando a resposta do mais velho, como ele mesmo não tinha nada para fazer, ajudar os irmãos era a sua melhor ação naquele momento. Aliás, lembrava-se que seu próprio irmão havia dito para nunca ficar desocupado na casa do General, porque poderia demonstrar falta de interesse e isso, consequentemente, ia prejudicar seus irmãos.
Após um longo silêncio, Lovino abaixou a concha que estava em suas mãos e, com palavras calmas, ele falou:
– Tudo bem, prepare a sobremesa e os doces enquanto eu faço a comida. – Lovino apontou para o armário onde estava as outras panelas para que ele pegasse.Lovino sabia que o menor não ia precisar de ajuda, apenas mostrar onde estava os ingredientes e o material que ele preparava tudo sozinho, por isso, o italiano não esquentou a cabeça.
Ogêmeo mais jovem fazia o que sabia, por não conhecer muito a culinária alemã, ele apenas fazia doces e sobremesas italianas, tinha certeza que seu chefe ia gostar de seus doce. Desde que tinha vindo para aquela casa, seu chefe havia sido muito gentil com ele, então a comida tinha que sair perfeita.
Sempre antes de começar a cozinhar, ele lavava as mãos, após isso,colocou o avental branco e começou a escolher os ingredientes. Para sua sorte, Ludwig tinha todos os ingredientes necessários em sua despensa. Não demorou muito para que da cozinha saísse um cheiro gostoso de comida boa, que ia dando fome a todos que moravam na casa – no caso Ludwig e Gilbert -, com toda a certeza os meninos italianos iam ter que preparar um tira–gosto para os irmãos Beillschmidt.
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Quando a noite finalmente chegou, tudo estava pronto, a mesa estava repleta de iguarias italianas e alemãs — Lovino e Feliciano acharam um livro sobre comida alemã na cozinha -, as flores estavam perfeitamente colocadas nos vasos e seu cheiro era sentido por todo o cômodo, o carpete estava limpo como qualquer coisa naquela casa.
Como Fernanda havia chegado, os irmãos conseguiram arrumar tudo a tempo para festa. O trio tomou banho e colocou roupas apropriadas para servir os convidados, a irmã Vargas parecia nervosa quando abriu a porta e deixou os convidados entrar, o sorriso costumeiro estava em seu rosto, e logo a sala ficou cheia de soldados e coronéis, aquilo estava uma bagunça.
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No quarto de Gilbert, o albino estava parado se olhando no espelho, seus olhos vermelhos se destacavam com aquele terno negro com as suas medalhas, ele não se sentia confortável naquela roupa.
Passou seus olhos pelo quarto novamente, a janela estava aberta, o que deixava a cortina levantada com o vento frio que entrava, o tapete vermelho no chão era muito macio e cobria quase o quarto todo, Gilbert se perguntava que tipo de trabalho aquilo podia dar a Fernanda quando ela ia limpar aquilo tudo.
– Gilbert? — A voz que chamou o albino era feminina, mas o outro conhecia ela muito bem.
– Lara*! — Quando o mais jovem olhou para a loira a sua frente se surpreendeu, não esperava ver sua irmã mais velha naquele local.
– Gilbert. – Ela sorriu aliviada, estava tão feliz em ver seu doce irmão bem naquele local, com passos rápidos, foi até ele e o abraçou.
No primeiro momento o albino não sabia o que fazer, quando percebeu que era abraçado, ele apenas colocou seus braços envolta dela, querendo retribuir, não queria vê-la triste. Não durou muito tempo, mas foi confortável o suficiente para ambos, afinal depois de anos sem se verem, mereciam aquele abraço.
Quando ambos se olharam, ele pôde observar os olhos claros que ela possuía, era engraçado o fato que apenas ele tinha aquela aparência e todos os outros fossem loiros com olhos claros, o caçula se lembrava de todas as noites de insônia que tivera por conta disso.
E sem dizer uma palavra ela o segurou pela mão e o levou para baixo, onde estavam todos os convidados reunidos.
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Não há muitas palavras para descrever o que Ludwig sentiu quando viu seus dois irmãos descendo juntos. O loiro sabia que era difícil Gil e ela se encontrarem, fazia anos que ambos simplesmente só sabiam do outro por conversa do general. Luddy não gostava de ser o único meio de comunicação entre eles dois, mas não tinha outro jeito, Gilbert recusava-se a ir às festas de final de ano e Lara vivia ocupada demais para visitar os dois, então sempre que ele podia falava sobre o outro perto deles, mesmo sendo sutilmente ainda podia se ver o sorriso no rosto deles ao saber que o irmão estava bem.
A festa seguiu normalmente e, por mais incrível que pareça, não teve problemas com brigas ou confusões indesejadas como sempre teve. Ludwig já achava que aquela era uma ótima noite quando percebeu seu tio Darem* dando em cima de Fernanda, aquilo o fez sorrir. Sabia que seu tio era um homem bom e tinha que admitir, ia gostar de saber que eles estavam juntos, ele também queria a felicidade para os irmãos Vargas.
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Lovino olhava para as garrafas de vinho em cima da mesa, como ele havia feito a comida, restava sentar e esperar a sua irmã viesse buscar o vinho. Ele estava bem ali, se não fosse pelo descendente de espanhol que invadiu a sua cozinha.
– Lovino! — Quando o menor ouviu o grito não conseguiu fugir, já estava sendo agarrado pelo mais velho.
– Me solta idiota! Eu estou no trabalho! — Disse enquanto tentava se soltar e seu rosto estava vermelho.
– Então posso te agarrar fora do trabalho? — O sorriso safado na face do espanhol era grande, mesmo sabendo que aquilo era brincadeira.
– O que você tá falando?! — O menor se apavorou, Antônio podia ser bastante pervertido as vezes.
– Eu estou brincando, — Afrouxou o abraço. — mas eu posso dormir com você está noite, se me deixar.
– Porque eu deixaria? — Lovino continuava vermelho, não sabia como reagir em situaçães tão vergonhosas.
O maior riu, amava ver aquela carinha fofa e envergonhada do menor. Segurando gentilmente o queixo de Lovino, beijou de leve seus lábios, o que fez o menor corar ainda mais.
Lovino sabia que estava correndo perigo ali, mas não fez nada para fugir, o menor foi deitado na mesa com calma, seu pescoço começou a ser beijado enquanto seu corpo era apalpado de forma devagar, Antônio não tinha pressa, queria que o menor se sentisse bem e não se importaria de ir devagar.
– Irmão? — A voz doce de Feliciano interrompeu aquele ato.
Aquilo fez os dois pararem com as carícias e olhassem para o italiano de olhos castanhos que os fitava com curiosidade. Lovino ficou apavorado pelo que viu.
– E-eu posso explicar. – O gêmeo mais velho estava muito nervoso, não queria que seu doce e inocente irmãozinho o visse numa situação tão comprometedora.
– Ha! Você deve ser o Feliciano, irmão caçula dos Vargas. – Por sua vez, Antônio, que estava por cima, tentou sorrir.
– Sim, esse sou eu. – A voz do menor saía de forma confusa e um pouco estranha, não sabia que seu irmão tinha aquele tipo de relacionamento. — Vocês são namorados?
– Q-que?! — O berro do gêmeo mais velho podia ser ouvido por todos da casa.
– Sim, embora ainda não tenha conseguido ir até o fim com ele. – O maior ria, conhecer todos os irmãos Vargas era seu sonho, e tinha a impressão que aquele menino não ia brigar caso assumisse a relação.
– Com quem você aprendeu essas coisas, Feliciano?! — O gêmeo mais velho estava nervoso. — E como assim ir até o fim seu estúpido?!
– Ve~ que bom para vocês, e espero que consiga ir até o fim um dia. – Feliciano não entendia aquelas palavras muito bem, mas tinha certeza que ambos iam ser felizes se fossem até o fim.
– Eu espero também, e você é tão fofo. – O descendente de espanhol ria, aquele Vargas era tão fofo.
– Feliciano não diga essas coisas e Antônio pare de encher a cabeça de meu irmão com bobeiras! — Lovino estava com vontade de bater no outro até matá–lo por suas ações.
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Na sala Gilbert empurrava Roderich para o piano tentando deixar a confusão na cozinha despercebida por todos, Roderich era um antigo amigo austríaco do albino, o termo amigo era usado para manter discrição, já que o albino parecia querer algo mais do que uma simples amizade com o rapaz estrangeiro. Enquanto isso, Fernanda se desculpava milhões de vezes pelas ações de seus irmãos e Darem falava que estava tudo bem, afinal seu empregado também era culpado pela confusão e ele estava interessado na moça.
Quando o alemão conseguiu fugir daqueles dois — Darem e Fernanda — ele se dirigiu para o centro da sala para dançar com uma jovem loira e bonita, o general sabia que ela era filha de algum oficial e por isso teve a gentileza de acompanhá-la na dança. Estava tudo indo bem até Fernanda cair no chão inconsciente e Roderich parar de tocar. O austríaco era médico, ele pediu para que Darem a levasse a um dos quartos enquanto ele ia até seu carro buscar material para fazer exames.
O que, consequentemente, estragou a festa que Ludwig foi obrigado a dar e, também, deixou os dois gêmeos Vargas aflitos, afinal o que teria acontecido com sua doce e amada irmã?
Notas finais
Como devem saber são setes irmãos Beillischmidt, então separei três para serem irmãos mesmo e os outros ficaram como tios ~~
Beijos
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