Flores Para Alemanha
5 Flor de Carmélia Japonesa - Parte I
Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo e tratem de comentar ^^
E, por favor, leiam as notas finais.
Essa flor oriental significa arrependimento, é uma flor de cores intensas e formas belas e seu cultivo é fácil (para quem mora no frio '-'). No japão pode ser cultivada o ano todo, mas principalmente no inverno e outono.
A noite estava fria e a lua não podia ser vista, o céu estava tão escuro que mal dava para vislumbrar o jardim, o que sempre era possível de se fazer quando a lua brilhava. As janelas da casa estavam fechadas e os hóspedes agasalhados.
Não havia mais nenhum convidado na sala, todos já tinham ido embora em seus carros luxuosos e com seus devidos companheiros, não iam ficar mais, afinal ninguém queria dar mais trabalho além da empregada doente.
Por mais frio que estava no lado de fora, não se comparava ao clima tenso que se instalou no local. Além de estarem com Fernanda inconsciente, Roderich, o médico amigo de Gilbert, não estava demostrando uma face feliz, o que indicava problemas sérios, o que, por consequência, não era nada bom. E apenas isso já era capaz de deixar os irmãos Vargas assustados e preocupados, o que poderia estar acontecendo com a sua amada irmã?
– Roderich, ela está bem, né? — As palavras baixas e calmas de Gil chamou a atenção do médico.
Roderich ficou um tempo medindo suas palavras, como ele poderia dizer aquilo a eles sem magoá–los ou deixá-los realmente preocupados?
– Ela está saudável, mas só o tempo poderá dizer. – Aquelas não foram as melhores palavras, no entanto, foram as únicas que veio em sua mente.
Como não tinham escolha, eles voltaram a se silenciar; Ludwig e Darem também estavam no local, podia se dizer que ambos estavam nervosos e a todo momento olhavam para a moça que dormia na cama, Lara estava no andar de baixo arrumando a casa, enquanto Antônio ficava ao lado de Lovino tentando deixá–lo calmo.
Ao olhar para cena, Feliciano ficava triste, ele também queria ter alguém por perto naquele momento, para abraçá–lo e confortá-lo, para lhe dizer que tudo acabaria bem e ele não precisava se preocupar, mas naquele momento não importava mais. Foi então que algo aconteceu, ela pareceu acordar.
Primeiro abriu os olhos devagar, se adaptando lentamente à claridade da luz; depois mexeu os dedos, e aos poucos foi se sentando na cama em que se encontrava. Ela olhou todos os rostos que a encaravam, alguns demonstravam dúvidas e nervosismo, outros pareciam confusos e assustados, mas todos diziam a mesma coisa "O que aconteceu?".
– Sorella... — A voz doce de Feliciano quebrou o silêncio.
– Acho melhor dizer, senhorita Vargas. – A voz do médico chamou a atenção de todos, nem Gil havia visto o outro tão sério.
Ela sorriu triste e abaixou a cabeça, e após um longo suspiro ela disse:
– Estou grávida.
Aquelas duas palavras causaram espanto a todos, menos em Roderich, ninguém entendia como aquilo era possível. Lovino entrou em pânico, começando a fazer milhares de perguntas enquanto ela mantinha a cabeça baixa; Feliciano, diferente de seu gêmeo, ficou em silêncio, ele tentava entender aquilo.
– Fernanda...Como isso aconteceu? — A voz tímida de Antônio foi o que fez a menina perceber tudo que estava acontecendo ali.
Ela devia contar, ela tinha que contar a eles.
– Foi há alguns dias atrás, — Ela começou triste. — eu estava indo para a casa quando um soldado me parou, no começo eu não entendi o que estava havendo, mas depois quando ele... – Ao relatar os fatos, as faces de todos ia ficando cada vez mais apavorada.
Lara que entrara no quarto um pouco antes dela acordar quase chorou. Enquanto Fernanda falava, cada um deles sentia raiva e dor, Lovino se culpava mentalmente pelo ocorrido e Feliciano desejava chorar. Ela disse que depois do ato mal conseguira andar, então ficou deitada por um tempo até seu corpo normalizar.
– Mas você não foi a polícia? — Darem gostava da garota, achava ela linda e amável, por isso ele se perguntava como alguém pôde machucar algo tão amável quanto ela.
– Eu fui, mas eles disseram que não tinham tempo para tratar de uma estrangeira como eu. – Ela sorriu triste, lembrando-se das risadas que ouvira ao relatar aos policiais.
Aquilo foi o suficiente para calar a todos, Ludwig não acreditava que aquilo havia acontecido, afinal de contas era um grande desrespeito ao sangue e a honra alemã, aquele soldado tinha que ser punido severamente por seus atos imundos contra a honra de uma mulher.
Depois daquilo, os Beillschimdt deixaram o quarto, ficando apenas os três Vargas. Lara foi correndo buscar chá decamomila para todos, Antônio ofendeu com mil palavrões quando se afastou de Lovino, aquilo era um problema e ele não podia ajudar seu amante em nada.
– Acho melhor eu ir para casa. – Falou Roderich, levantando–se do sofá.
Porém, não chegou a dar um passo, a manga de seu casaco foi segurada pelo albino que queria que o outro ficasse. O que fez o castanho se sentar novamente, pois sabia que embora não parecesse, Gilbert era uma pessoa com um grande coração e amável.Roderich suspeitava que Gil estivesse com medo de algo acontecer consigo, por isso ficou sem reclamar.
– Vocês podem dormir aqui hoje. – Ludwig tinha uma voz firme e calma, entretanto, estava nervoso por dentro. — Todos vocês.
– Obrigada, irmão. – Foi a única frase que Lara conseguia dizer naquele momento.
Os quartos foram divididos e as meninas dormiriam juntas, Gilbert arrastou Roderich para seu quarto, enquanto Darem foi para a biblioteca alegando que só conseguia dormir após ler um livro; Ludwig ficou em seu quarto e os irmãos Vargas dividiram outro quarto, enquanto Antônio dormia no sofá da sala.
Não era uma divisão muito boa, mas poderia servir para aquela noite. E aquela ideia foi bem aceita, Ludwig insistiu para que os Vargas passassem a morar em sua casa, era verdade que o chefe parecia se sentir culpado pelo ocorrido, então eles não puderam debater.
xxx
A casa estava em pleno silêncio, as luzes apagadas e a cama bem aquecida, contudo, Ludwig não conseguia dormir. Deitado, ele pensava em tudo que estava ocorrendo em sua casa, cada detalhe passava em sua cabeça e ele começava a se perguntar se aquilo não era uma grande armação do destino para acabar com a sua vida.
Percebendo que não ia conseguir dormir, levantou-se e foi à cozinha, talvez comer alguma coisa o ajudasse a tirar aquele estresse. Tinha que admitir, sua casa era assustadora a noite, o corredor frio e escuro não parecia ser nada convidativo, mas ele queria comer batatas, então, com um passo de cada vez, ele andou até a cozinha, mas quando chegou lá tomou um susto.
– Ve~ alemã não conseguiste dormir também? — A voz suave do menor ecoou por todos os cantos do cômodo.
– S-sim. – Disse o loiro nervoso.
– Ve~ alemã, você está com o cabelo desarrumado. – O menor encarou o loiro curioso, ele nunca tinha visto o outro daquele jeito.
Ludwig recuou com a proximidade do outro, não era correto chegar perto de uma pessoa com aquela roupa, na verdade seria falta de vergonha. Feliciano estava vestindo apenas uma longa camiseta social branca e pela forma como ficava folgada em seu corpo magro, Ludwig pôde presumir que aquela roupa não pertencia ao menor, mas ficou muito vermelho ao perceber a quema roupa pertencia.
– Feliciano, quem te deu isso? — A voz nervosa do loiro demonstrava constrangimento.
– Seu irmão, ele disse que era um ótimo pijama. – Feliciano olhou para baixo. — O estranho que ele não cobre as pernas direito... — O menor friccionou as penas.
Por um ato incontrolável, Ludwig olhou para baixo e viu aquelas belas coxas do menor, todo o corpo do estrangeiro parecia incrivelmente macio e delicado, Ludwig estrangulava seu irmão mentalmente por fazer aquilo consigo; Gilbert não precisava dar a sua roupa para o italiano, justo a sua camisa predileta.
– Feliciano, por favor. – Ludwig tentava recuperar o autocontrole, não era possível que estava tendo desejos com aquele menino.
– Algum problema alemã? — Feliciano chegava cada vez mais perto, o que deixava o loiro ainda mais corado.
– Nenhum! — Falou rápido se afastando do outro, aquela situação era preocupante. — Na verdade eu quero saber se gostou do quarto.
– Eu gostei, mas não consigo dormir e nem Lovino, — O menor se sentou na cadeira. — então eu desci e chamei o Antônio para fazê–lo dormir.
– Eles estão dormindo juntos? — "Nota mental: Ludwig troque a roupa de cama" pensou ao ouvir aquela frase.
– Sim, Antônio queria que eu fosse junto, mas eu não quis atrapalhar.– Feliciano parecia cansado, sua voz ficava cada vez mais sonolenta.
Ludwig tinha a impressão que o outro ia dormir ali mesmo se alguém não o segurasse.
– Não durma aí, está frio e faz mal a coluna. – Mesmo achando tudo vergonhoso, Ludwig se importava com o menor, devia ser assustador para ele receber aquela notícia.
– Mas eu não posso ir para o quarto, Antônio deve está indo até o fim com Lovino agora.– O menor tinha a voz chorosa e seu corpo estava mole.
Luddy preferiu não fazer mais perguntas, com certeza ele estaria se metendoonde não devia se continuasse. Contudo, não podia deixar o menor naquela situação, ele tinha que fazer alguma coisa. Foi então que ele teve uma ideia.
– Você pode dormir na minha cama, ela é grande o bastante para nós dois dormirmos confortáveis. – O convite foi feito de forma tímida, o general sentia suas bochechas queimarem.
Feliciano abriu um grande sorriso, ele ficou eufórico com o convite e aquilo deixou o outro meio nervoso.
– Tudo bem, alemã. – O italiano começou a seguir o alemão, que o levava até seu quarto.
Podia parecer um pouco absurdo, mas eles só iam dormir então não tinha problemas, certo? Isso não ia acontecer sempre, era apenas porque o outro não tinha onde dormir, e o sofá da sala não parecia ser um bom local para se passar a noite.
Quando chegaram ao cômodo, o mais alto abriu a porta, seu quarto era o maior de toda a casa, as paredes eram decoradas de dourado e os móveis restantes eram de cores claras para combinar com o tom claro de lá.
O general mal pôde perceber quando o menor passou por si, ele só teve tempo de observar o outro se ajeitando para dormir, aquela cena foi até fofa de se ver, Feliciano era tão belo. "O que foi que eu pensei?", repreendeu–se ao perceber o que tinha pensado, não podia ter a coragem de tirar a pureza daquele ser tão fofo e adorável.
– Não vai dormir alemã? — O italiano ficou embaixo das cobertas olhando para o outro.
– Eu vou, só tenho que ir ao banheiro primeiro. – Ele sorriu para o menor e saiu do quarto com a intenção de matar o irmão caçula no dia seguinte.
xxx
O dia nasceu normalmente e, como era de seu costume, Ludwig Beillschimdt acordou um pouco tarde sentindo o leve cheiro de café fresco, que se espalhava pela casa logo de manhã. Mas naquele dia, quando Luddy virou para o outro lado da cama, viu um tufo de cabelos castanhos.
Ao olhar direito entendeu tudo. Feliciano estava dormindo todo enrolado nos cobertores, havia um sorriso no rosto dele e o jovem estrangeiro estava abraçando o travesseiro do alemão. Logo as lembranças da noite passada voltou em sua mente e Ludwig teve a certeza que Gilbert, seu querido irmão, morreria naquele dia.
Se aproximou devagar do outro, não queria assustá-lo, sua voz saiu amável enquanto tentou acordá-lo.
– Feliciano, Feliciano, acorde, por favor. – O maior tocou com hesitação o corpo do outro, sua pela era tão macia quanto Ludwig havia imaginado.
Não obteve resposta, o menor continuava dormindo calmamente e não parecia disposto a levantar, aquela reação fez o general suspirar, não havia obtido o que queria. Pensando um pouco sobre o que podia fazer, surgiu uma ideia que achou engraçada e absurda.
– Feliciano, a sua irmã fez macarrão para você. – Falou perto do ouvido do menor, talvez assim ele levantasse.
– Macarrão! — O grito que o outro deu ao acordar foi tão alto que quase fez o maior cair da cama. — Hum? Alemã cadê o macarrão?
– Não tem macarrão, Feliciano. – Disse o general se recuperando do susto.
– Comeram tudo? — Pelo que Luddy tinha percebido, Feliciano ainda tinha sono.
– Nem chegaram a fazer, Feliciano. — O outro suspirou, aquilo era trabalhoso. – Vamos, levante-se e vamos tomar café.
Após dizer isso, ele ficou em pé e andou até o banheiro pegando algumas roupas em sua cômoda. Não demorou muito lá dentro, apenas fez sua higiene e trocou de roupa e, quando saiu, encontrou Feliciano já se vestindo também.
Pelo visto o menor tinha achado suas roupas de trabalho e escolhido de arrumar no quarto do chefe; o menor pretendia se desculpar mais tarde por isso.
– Ve~ alemã, eu estou me vestindo! – Falou ao perceber que era observado pelos olhos azuis do maior.
Ludwig riu com aquilo e virou de costas; era cômico alguém te dizer isso depois de você passar a noite ao lado dela, com ela vestindo apenas uma longa camiseta social branca que lhe pertencia. A cada dia ficava ainda mais impressionado com a inocência do menor.
Feliciano estava numa situação complicada, desde que havia acordado ele não parava de pensar em sua irmã, aquela lembrança em relação a noite passada tinha dado fim a alegria matinal, o que era muito difícil.
– Já pode virar alemã– O menor falou após colocar a blusa, já estava praticamente vestido, só faltava os sapatos.
O silêncio ainda estava no local, apenas o som dos cantos dos pássaros eram ouvidos, mas algo chamou atenção de Ludwig, seu empregado não parecia feliz.
Feliciano podia está com um sorriso no rosto, mas o loiro sabia que o rapaz não estava feliz, na verdade nem ele estava feliz, o ocorrido da noite passada ainda estava bem vivo em sua mente. "Talvez..." pensou o alemão. Ludwig tinha que fazer algo para o outro ficar feliz, algo que ele julgava fácil.
– Você não tem mais que cuidar do jardim agora que o inverno chegou, — Ludwig começou a falar de forma calma, não queria fazer o menor entender errado. — mas se ainda quiser trabalhar aqui você pode me ajudar em algumas coisas... — Sua voz ia sumindo a cada palavra, mas o que raios ele estava fazendo?
– Sério alemã? — Ludwig tomou um susto, além do menor ter ido atéele rapidamente, os olhos castanhos estavam brilhando de uma forma única.
– Sim, se você concordar pode continuar a trabalhar aqui. – Ludwig andaria para trás se não fosse pelo fato que o outro segurava suas mãos.
– Obrigado alemã~ — O italiano não segurava mais aquela alegria dentro de si, por isso, abraçou o outro.
O ato fez Ludwig andar para trás, mas por peça de seu destino, ele tropeçou no par de sapatos atrás de si, resultando na queda dos dois no chão. O sorriso do menor ainda estava em seu rosto, o que fez Ludwig se acalmar.
Um leve e simples sorriso se fez no rosto do loiro, algo que deixou o italiano ainda mais alegre, nunca havia visto seu chefe sorrir daquela forma.
– Viu? Eu disse que eles estavam bem, tio. – Falou o albino que estava em pé com a porta aberta olhando para eles.
A seu lado estava Darem, o tio que tinha vindo da Bavária.
Notas finais
Espero que entendam a mudança de capa no próximo capítulo, afinal terá mas sentido depois.
Beijos e quero comentários seus fantasmas u.ú
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