Flores Para Alemanha

10 Flor Miosótis


Notas iniciais
Olá!^^

Para aqueles que ainda tem duvidas, eu posto todas as sextas-feiras, caso acontecer algum tipo de problema eu postarei no sábado, mas será sempre as sextas mesmo gente.

Flor Miosótis significa recordação, fidelidade e amor verdadeiro. É também conhecida como “Não-me-esqueças”. A flor miosótis pode apresentar mais de 50 variedades e por algumas pessoas também é conhecida como Verônica.

Esta é uma planta rasteira que tem origem na Rússia, e na fase de florescimento, pode chegar aos 25 ou 30 cm de altura. Deve ser cultivada ao sol ou à meia-sombra e tendo em conta que é uma flor que gosta de baixas temperaturas, é comum encontrá-la em lugares de grande altitude, como nos Andes.

Segundo a lenda europeia, o jovem apaixonado era um cavaleiro que ao tentar apanhar a flor Miosótis para oferecer à sua amada, caiu no rio e se afogou devido ao peso da armadura que usava. Desde então, a flor simboliza o amor sincero e desesperado.

O mundo estava em guerra e em qualquer lugar que fosse poderia ver a assinatura do homem que provocara tudo aquilo. Enquanto voltava para a casa, Roderich ficava cada vez mais preocupado com o destino do mundo, apertava as vezes contra seu peito a sacola de compras que carregava nos braços, tudo parecia tão surreal, como um só homem podia ter conseguido tamanha coisa sem disparar uma bala? Como Hitler havia conseguido tal controle sobre todos apenas com suas palavras?

Isso despertava medo no austríaco, temia por sua vida e por todos os outros seres da Terra, parecia que um grande demônio havia tirado a inteligência humana deixando todos na escuridão e a mercê de Hitler. Sua amada e querida Áustria, o local que já foi muito conhecido por sua rica cultura, agora estava destroçada e logo seria oficialmente nazista.

Já estavam em março de 1939, e não havia recebido nenhuma notícia de seu amado Gilbert, podia parecer estranho para alguns, mas o castanho nem pôde se despedir adequadamente. Pensando nisso, não havia uma despedida adequada para amantes que se separam na guerra, você passa anos com uma pessoa e então vem um doido que começa uma guerra e seu amado é tirado de si, aquilo era de enlouquecer qualquer um! Não era possível que seres humanos aceitassem tais coisas e era aquilo que Roderich mais temia, ele não temia a Hitler; não temia ao nazismo; mas temia a mente humana.

O italiano que andava ao seu lado já estava bastante preocupado com o castanho, Roderich não comia direito e nem dormia corretamente, já era comum vê-lo andar pela a casa tarde da noite ou vê-lo triste olhando para o piano ou alguma roupa do amante albino tinha em sua casa. Feliciano suspirou, precisava fazer algo para tentar animar Roderich.

– Ve~ Eu posso fazer pasta hoje? — Sua voz saía de forma amável e tirava o austríaco de seus pensamentos. — Eu irei fazer uma pasta bem gostosa para você, Roderich, para quando ele voltar, você está sorrindo graças a minha pasta.

O outro olhou para o menor de forma assustada, ficou surpreso ao ouvir aquilo em plena guerra e um sincero sorriso foi dado pelo castanho. Gostava daquele jeito do Feliciano e achava que Ludwig não ia achar alguém melhor do que o italiano para namorar.

– Feliciano, você quer voltar e comprar mais alguma coisa para essa comida especial? — O austríaco aos poucos ia demonstrando interesse, em sua mente ele duvidava que existisse tanto tipo de massa assim, mas gostava de ver o brilho nos olhos de Feliciano.

– Acho que não, devemos ter tudo o que precisamos lá em sua casa — O italiano tentava manter um clima agradável, afinal não era sempre que o castanho se deixava levar pela sua conversa.

Aquilo deixou Feliciano ainda mais feliz, afinal de contas estava conseguindo fazer com que Roderich esquecesse aquela bagunça, mesmo sendo por um breve momento ele estava se esquecendo e isso era bom.

Enquanto voltavam para a casa Feliciano contava para o castanho tudo o que sabia sobre macarrão, molhos e pizzas, e mesmo com as dúvidas de Roderich sobre a existência de tanta coisa ainda podia se observar um riso divertido nos lábios de Feliciano.

Ambos andavam com passos calmos, não tinha o porquê de chegar cedo em casa, lá só tinha os dois gatinhos e ninguém mais. Quando chegaram em casa encontraram os dois gatos dormindo no sofá, e como sempre deixaram um pouco da comida na cozinha e uma outra parte dentro da dispensa no porão da casa.

– O que vai fazer quando isso acabar Roderich? — O italiano estava curioso sobre os planos do mais velho.

– Gilbert sempre quis ter uma chácara, talvez a gente vá morar em uma — Um sereno sorriso se formou no rosto do musico.

– Que legal, boa sorte para você. — O menor se sentou no sofá e ficou ouvindo a história de como eles se conheceram.

Roderich parecia realmente feliz enquanto contava como tinha encontrado o outro. Era na primavera alemã, Gilbert havia entrado na sala de música e presenciou o castanho tocando piano de forma maravilhosa, após isso Gilbert começou a ir lá todos os dias só para vê Roderich e quando finalmente o castanho aceitou sair com ele, o albino o levou para dançar tango*, o que acabou num beijo entre eles.

– Ve~ isso é muito legal. — Feliciano fazia carinho em um dos gatos enquanto ouvia a estória do outro. — Ele é uma pessoa bastante gentil e amável no fundo.

– Sim, ele é. — Rod se sentou ao lado do menor, sua cabeça estava doendo um pouco e ele se perguntava se não era fome, até que lembrou de uma pergunta. — Feliciano o que sente pelo Ludwig Beillschmidt?

O austríaco não sabia o que podia dizer, ele estava tão curioso para saber qual era o sentimento que o menor nutria pelo loiro que não pensou duas vezes antes de perguntar.

Houve um pouco de hesitação por parte do menor, não estava preparado para responder algo daquele tipo, na verdade ainda não entendia direito os sentimentos que aparecia quando pensava no loiro. Mas, por fim, falou:

– Ele me faz sentir bem, não é por demonstração de carinho, a simples presença dele me faz sentir bem. — Feliciano colocou a mão no peito, mas logo voltou a falar. — Felicidade, ele é a minha felicidade.

Aquilo pegou Roderich de surpresa, sabia que o menor amava Ludwig, porém, não esperava àquelas palavras. No olhar do menor podia se ver um brilho diferente do que era normal.

– Eu estou te entendendo. — Um sorriso carinhoso se formou no rosto do jovem médico, aquele menino italiano havia conseguido achar uma ótima forma de definir o amor.

Não demorou muito para o silêncio dominar o local, não tinha palavras para continuar a conversar. Era assim que os dias eram passados, eles conversavam até ficarem sem palavras e depois apenas sentiam a presença um do outro, sentiam saudades de seus amados e não conseguiam negar isso.

xxx

Ludwig achava que seu dia estava muito chato, não fazia nada a não ser cuidar dos peões idolatrares de Hitler. E o que deixava chateado era que não existia ninguém com coragem o suficiente para tentar derrotar Hitler, nem ele tinha tamanha coragem.

Não que ele era um covarde, contudo, era perigoso se arriscar sozinho, ia precisar de mais de uma pessoa se quisesse matar Hitler. E as coisas não estavam indo muito bem, Ludwig estava muito nervoso com a ideia que a Áustria podia se render as forças nazistas, ele queria voar para lá imediatamente apenas para ver se Feliciano e Roderich estavam bem, mas sair de Berlim sem um motivo aparente era um ato de suicídio para ele e sem falar que colocaria a vida de seu amado e do namorado do irmão em risco.

Mal se sentou em sua cadeira e sua sala foi invadida por um soldado, ele era jovem e seus cabelos amarelos estavam tão bem penteado que Ludwig podia garantir que nem mesmo uma bomba ia conseguir desfazer aquele penteado.

– Tudo bem soldado? — Como só se pode falar com o general se ele falar com você, Ludwig sempre tinha que perguntar.

– Tenho uma carta do coronel do batalhão de seu irmão para o senhor. — O mais novo estava visivelmente nervoso, não ia ser fácil dar aquela notícia para Ludwig.

– E o que tem nela? — Ludwig achava que ia ser mais uma reclamação pelo comportamento infantil de seu irmão, por isso continuou a olhar para os papéis em sua mesa.

– Acho melhor o senhor lê-la. — O subordinado ofereceu a carta para o general, não teria a coragem de contar ao mais velho o que tinha acontecido.

Ludwig pegou a carta, e a cada frase que lia ficava cada vez triste, seu irmão havia desaparecido enquanto fazia uma ronda em volta do acampamento. Aquilo deixou o general muito triste, não tinha palavras para descrever o que sentia, deixou que o papel caísse de sua mão e pousasse em cima da mesa.

Tinha que fazer algo para alertar Roderich o mais rápido possível. Pegou uma folha em branco e começou a escrever, não gostava do fato de ser o portador de péssimas notícias, mas jurou que ia fazer de tudo para trazer Gilbert para a casa na carta.

Assim que terminou a releu para ver se não tinha erros, abriu uma gaveta de sua escrivaninha e tirou de lá um envelope, colocou um pouco de dinheiro no envelope tirando também seu colar e colocando lá dentro, fechou a carta e entregou ao soldado.

– Mande para este endereço, não abra e não deixe ninguém abrir, por favor. — Aquilo mais saía como uma súplica do que um pedido, era importantíssimo que ninguém lesse a carta fora Roderich ou Feliciano.

– Sim senhor! — O soldado não era doido de desobedecer uma ordem do general, principalmente, sendo um pedido.

Saiu da sala mais nervoso do que já estava, não sabia sobre o assunto da carta, mas temia levar algo que pudesse mudar o curso da história de seu país. Talvez ele levasse uma ordem importante para outro general ou até mesmo um pedido para começarem o alistamento da Operação Valquíria*. Seja o que for, era realmente importante.

Quando se viu sozinho em seu escritório, Ludwig suspirou cansado e pegou para ler, novamente, a carta sobre o desaparecido de seu irmão caçula, mas antes que chegasse na metade seu telefone começou a tocar. Atendeu rapidamente, não gostava de esperar que atendesse quando ele ligava, então não deixava os outros esperando quando ligavam para ele.

– Salve Hitler! — Desde que Hitler havia tomado o poder aquele era o comprimento oficial da Alemanha.

– Não é preciso disso agora general Beillschmidt, — A voz não era conhecida pelo general, mas Ludwig teve certeza que devia temê-lo. — mas acho que ele ficaria feliz ao saber sobre sua fidelidade, senhor Beillschmidt.

– Obrigado pelo elogio, mas pode me dizer qual é o motivo da ligação? — O loiro não gostava de surpresas, na verdade não gostava da voz dessa pessoa, parecia ser tão fria e sombria.

– Desculpe-me, pelos meus modos, — O outro soltou um risinho, que gelou a alma de Ludwig. — mas o senhor quer ir direto ao ponto então iremos, eu vim te avisar que o senhor deve comparecer a Toca do Lobo* neste final de semana, vai ser de tarde, mas você sabe que ele não gosta muito que demorem em suas reuniões.

O sangue de Ludwig chegou a gelar naquele momento, a Toca do Lobo era o pior local para se ficar naquela época.

– Você vai comparecer, não vai? — A voz do outro lado continuou a falar, e mantinha seu tom sarcástico e frio.

– Irei! — Mesmo não querendo Ludwig teve receio de colocar todos daquele local em perigo, uma resposta errada e com certeza estaria morto.

– Ótimo, sei que Hitler vai apreciar a sua presença. — Não disse mais nada, desligou o telefone sem se despedir deixando Ludwig perplexo.

Teria que levar alguém com ele, alguém confiável, pensou em várias pessoas, mas depois se lembrou do rapaz que havia lhe entregando a carta, era jovem e parecia ser bastante fiel, ele serviria.

Andou até a porta do escritório e abriu, procurou com os olhos sua secretária que logo o atendeu.

– Quando o jovem soldado voltar, chame ele na minha sala, por favor.

– Sim, como o senhor ordena. — Ela respondeu de imediato, não era uma boa coisa desobedecer o general.

xxx

Desde que havia se juntado a tropa de desertores do pai não havia mais conseguido falar com Roderich, o que era uma pena, pois amava o austríaco e queria vê-lo o mais rápido possível. Outro problema de sua nova vida era que não entrou em contato com seu irmão para avisá-lo que estava bem, ou apenas para dizer um "Oi".

No entanto, desde que havia se juntado ao seu pai as coisas estavam um pouco mais divertidas, eles sempre acabavam bebendo de noite e contando piadas sujas e um pouco de palhaçada, que sempre acabavam com alguém caindo no chão sujo de lama. Infelizmente Gilbert ainda não compreendida o motivo de seu pai está daquela forma. Pelo que lembrava seu pai era um homem rígido e que gostava de servir muito bem seu país, então qual seria o motivo de estar contra Hitler?

Olhou para o céu mais uma vez, queria saber o que Roderich estaria pensando naquele momento, perguntava-se se o outro estava comendo ou se o outro estava tocando de forma sexy seu piano, ele amava ver o namorado tocar, era tão sexy e glamoroso que mal sabia o que fazer; as vezes tinha vontade de fazer sexo com o austríaco em cima do piano mesmo. Embora pensando no namorado, Gilbert não deixava de prestar a atenção a sua volta, por isso não ficou surpreso ao perceber seu pai se aproximando.

– Você devia comer, — Disse o loiro mais velho que se sentava ao lado dele. – pode ir, eu ficarei tomando conta do acampamento.

– Obrigado pai, mas eu não estou com fome agora. – Era tão estranho dizer “pai”, passaram anos sem se verem e agora lá estavam eles, unidos para fazer algo bem diferente dos pais e filhos comuns.

– Tudo bem.

Ficaram em silêncio por um tempo, nem Gilbert e nem Gerson sabiam manter uma conversa por muito tempo, o máximo que chegavam a conversar era sobre o novo “trabalho” deles e isso era muito pouco, afinal só falavam sobre os planos. Aquilo deixava um clima estranho e triste no ar, afinal eles eram pai e filho e não desconhecidos que tentavam se conhecer para se tornarem amigos.

Gerson não sabia se era certo puxar assunto com o filho, na última vez que haviam se visto tinha ocorrido uma briga e agora ambos estavam sem saber se era certo reconciliar.

– Como vai nos relacionamentos? Anda saindo com alguma menina? – A pergunta podia parecer imprópria para local ou horário, mas ele apenas queria voltar a ver seu filho caçula no natal.

– Bom, eu ando namorando um rapaz, pai. – Gilbert admirava a coragem do outro, pelo visto seu pai queria se desculpar, então ele resolveu ser sincero também; se tinham que brigar, eles iam brigar.

No fundo Gerson ficou muito chocado, contudo, seu filho parecia feliz, então ele não ia precisar brigar, né? E aquela era uma conversa para tentar uma reconciliação, então brigas e implicância por causa de escolhas não era a coisa certa a se fazer. O loiro suspirou um pouco cansado, tentando manter a calma, não ia estragar a felicidade de seu filho ou seu momento com Gilbert.

– Ele está na guerra ou...? – Aquela frase foi dita sem pensar, então o loiro mais velho não sabia o que dizer para terminá-la, deixando apenas um vácuo na frase enquanto sua voz sumia devagar.

– Ele não é alemão, ele é da Áustria. — Gilbert respondeu o pai, ou tentou pelo menos.

O mais velho olhou para o filho e pensou antes de falar, não era sempre que recebia uma notícia daquelas, ainda mais de seu filho mais baderneiro.

– É aquele músico que você vivia atrapalhando a aula dele, não é? — O pai se lembrava das traquinagens do filho, ele sempre ouvia as reclamações de alguém falando que Gilbert havia atrapalhado a aula de música de seus alunos para perturbar Roderich.

– Sim, ele é médico e músico agora, você ia amar ouvi-lo tocar. — Os olhos de Gilbert chegaram a brilhar quando lembrou do castanho tocando.

– Deve ser legal, nunca tive paciência para ouvir música clássica .- Um riso bobo se formou no rosto dele.

Talvez aquilo fosse a única que eles tinham em comum, ambos não tinham paciência para ouvir música clássica, afinal Gilbert só ouvia esse estilo musical quando seu amado Roderich resolvia tocar algo para ele.

Ambos riram com aquelas palavras, seria uma tarde legal se eles não estivessem em um campo aberto com risco de serem acertados por uma bomba de algum avião inimigo.

Notas finais
* Em 13 de março de 1938 a Áustria foi oficialmente declarada nazista, então isso deve explicar porque esse clima todo na casa de Rod.

* Operação Valquíria é um plano que Hitler fez para ser executado caso ele morre-se durante a guerra, para mais informações sugiro que vejam o filme com este mesmo nome.

* A Toca do Lobo é um tipo de local a onde Hitler ia para vê o progresso da guerra, era um ponto de encontro rs

Bom gente se estiver algo errado me avisem, eu não me sinto muito feliz com este capítulo, eu estou insatisfeita com esse final =/
Então diga o que acharam, por favor.

Espero que tenham gostado da nova capa, uma amiga que fez para mim e eu não pode negar, porque é maravilhosa, simplesmente divina rs
Beijos e até os comentários ~