Flor de Lótus-edward e Bella
8 Capítulo 7- Relutância
Notas iniciais
Valeu Carla Kordel, Lokaporfiks, Carlinha Swan, Clau-Swan, Marcela, Dani_ams. Obrigada por me acompanhar a tanto tempo, meninas.
Divirtam-se e nos encontramos lá embaixo.Bia Braz
A semana seguiu tranquila. Sem acontecimentos relevantes. Mas durante as noites, seios redondos e cheios invadiam seus sonhos, levando-o a acordar tenso e ofegante. Droga.
\n\nO tipo de mensagem que recebeu de Bella também mudou desde segunda. Falava agora de sonhos.
\n\nSem sonhos, a vida não tem brilho. Sem metas, os sonhos não têm alicerces. Sem prioridades, os sonhos não se tornam reais. Sonhe, trace metas, estabeleça prioridades e corra riscos para executar seus sonhos. Melhor é errar por tentar do que errar por omitir!
\n\n\nAugusto Cury http://pensador.uol.com.br/
\n\n\nEle tinha suspeita de que personificou seu sonho àquela tarde, embora a atitude posterior dela dissesse que não. Não podia ter certeza. Deus ajudasse que não.
\n\nQuarta-feira, Edward trabalhava a todo vapor preparando uns papéis para uma reunião importante que teria quinta à tarde, passou apressado na sala da Inteligência para falar com Erick e ouviu uma conversa entre Stephan e Mike.
\n\n‒ Eu daria tudo para lamber suas calcinhas ‒ Mike disse. Edward rolou os olhos para a falta de ética profissional do novinho, mas estava bem-humorado demais para ralhar com ele.
\n\n‒ Cara, olha o modo como você fala da mulher dos outros ‒ Stephan alertou. ‒ Presta atenção no jeito como Mattel segura na mão dela. Parece dono.
\n\nA conversa ganhou total atenção do chefe, que virou bruscamente o rosto e dirigiu sua vista aos visores de câmeras internas do prédio.
\n\n‒ E daí? Puta que pariu, olha que pernas longas e torneadas! Eu a comeria bem devagar sobre a minha mesa ‒ Mike comentou fazendo um gesto obsceno com o quadril para frente e para trás na cadeira. Edward fechou as mãos em punho.
\n\n‒ Estão sem serviço?! ‒ perguntou, irado, desligou os monitores dos dois e saiu a fortes pisadas da sala, sem concluir o que iria fazer.
\n\nAndou de um lado ao outro em sua sala, curioso em saber o que Emm fazia no 4º andar. Não poderia ir questioná-lo por vários motivos, mas o principal era Bella. Se acontecesse uma discussão com Emmett, o que era comum acontecer entre eles, ela descobriria a mentira e deduziria estar sendo usada.
\n\nDe mãos atadas, sentou-se em sua mesa e ligou no 4º andar.
\n\n‒ DEA, Ariel, bom dia.
\n\n‒ Bom dia, Ariel. Aqui é o Agente Especial Cullen ‒ cumprimentou-a atencioso. ‒ A Srta. Ângela está?
\n\n‒ Sim, mas ela está ocupada.
\n\n‒ Com o quê?
\n\n‒ Está emitindo autorização que foi protocolada terça-feira.
\n\n‒ Hummm. Ariel, faz um favor para mim... De um jeito bem sutil, peça para Ângela vir a minha sala com o documento antes de imprimir a autorização, ok? ‒ persuadiu-a. Ângela atendia Emmett.
\n\n‒ Ok, senhor Cullen ‒ concordou atenciosa, pensando que não era normal o chefe de investigações pedir algo pessoalmente.
\n\nEle desligou e todo o papel calmo que encenara foi para o espaço quando entrou no programa que mostrava as câmeras do prédio. Bella estava sentada ao lado de Emmett, vestindo o uniforme escolar, ambos em frente à mesa de Ângela. Suas pernas expostas na saia curta balançavam de um modo que lhe causou arrepio ver. Lutou consigo para não ir lá tampá-la com o paletó.
\n\nA porta de sua sala se abriu e Ângela entrou.
\n\n‒ Com licença. Pediu para eu vir aqui?
\n\nEle fechou a tela e estendeu a mão sem delongas para pegar o documento que ela trazia. Ela aproximou-se sem jeito pela recepção e lhe entregou os papéis.
\n\n‒ Eu não me lembro de ter visto nada em minha mesa sobre requerimentos do Sr. Mattel ‒ comentou, logo que leu.
\n\n‒ Quem assinou foi o Coordenador Marcus Denalli ontem à tarde ‒ explicou calmamente, mesmo notando a hostilidade usual.
\n\n‒ Mas o responsável por esse tipo de autorização sou eu, até porque tenho que fazer uma inspeção no local antes ‒ retorquiu, sério.
\n\n‒ O Sr. Denalli deixou avisado que esse pedido iria chegar e quando chegasse era para ir direto para mesa dele ‒ explicou, receosa.
\n\nEdward terminou de ler o documento e deixou os ombros caírem impotentes ao não encontrar nenhuma irregularidade. Emmett era bioquímico e tinha autorização para pesquisas. Frustrado, entregou de volta o documento.
\n\n‒ Obrigado, Ângela ‒ resmungou e esfregou os dedos no cabelo. ‒ E desculpe pelo meu humor ‒ adicionou descontente. Ela deixou a sala surpresa. Ele voltou a atenção ao monitor, puxou o zoom e presenciou sorrisos e carinhos. Fechou as mãos em punho desejando esmagar o crânio de Emmett.
\n\nO restante do dia não foi nada agradável. Por consequência, tentou descontar toda sua ira no tatame. O agente Sebastian sofreu sua fúria. À noite, Edward não conseguiu dormir por causa da raiva inexplicável. E o mau-humor não se aplacou mesmo no dia seguinte.
\n\nDuas da tarde de quinta-feira, uma mensagem de Bella vibrou em seu celular, avisando que o esperava em sua casa. Ela não lhe deixou opção de negar, ainda que tivesse uma reunião agendada para as quatro. Sem saber por que não se opôs, saiu da agência ansioso como se seguisse para um combate. Lembrou-se de tirar seu distintivo de agente federal e colocar no bolso, tirou a arma do coldre de suspensório e pôs embaixo do banco, odiando-se pela mentira. Queria saber até quando sustentaria isso. Hoje tinha que dar um basta.
\n\nEncontrou-a sentada indiana no chão em frente à porta do apartamento com dois vasos de flores ao seu lado. Ela sorriu calorosa ao vê-lo, alheia à tempestade de sentimentos negativos no homem. Ele a encarou indeciso se descontava nela sua inexplicável raiva ou se simplesmente a admirava. Ela era a imagem jovem do errado. Vestia saia curta xadrez vinho com pregas, blusa de botão branca dobrada em três quartos e tinha o cabelo amarrado em um rabo com algumas florzinhas lhe enfeitando nas laterais. Era o traje típico do Junior. Enfatizava que ela era menor de 18. Após passar os olhos, hipnotizado, por seus joelhos e evocar lembranças do dia anterior, sua fúria de novo foi acesa.
\n\n‒ O que faz aqui? ‒ perguntou ríspido e se dirigiu à porta. Ela olhou-o perdida por sua atitude. Não entendia sua atual hostilidade quando segunda-feira foram tão íntimos.
\n\nSó você que sabe que foram íntimos, Bella. Ela censurou-se.
\n\n‒ Eu estava fazendo um trabalho em grupo, umas mudas de flores sobraram e eu resolvi trazer para cá ‒ explicou e entrou atrás dele no apartamento.
\n\nAborrecido pela noite mal dormida, por lembrar-se das mãos de Emmett pousadas possessivamente no ombro dela enquanto encarava as câmeras do elevador como se soubesse que era vigiado e, ainda assim, provocasse e, principalmente, por ela teimar em invadir seu espaço com algo que ele ditou não aceitar, contou até mil, jogou o terno no sofá, caminhou a passos duros para cozinha e pegou um refrigerante na geladeira.
\n\n‒ Boa tarde para você também ‒ ela acentuou chateada e passou para sacada, onde colocou as plantas. Em seguida parou em frente ao aparelho de som e programou músicas da Madonna. Talvez isso o animasse, pensou.
\n\nEle ouviu a música da cozinha, voltou e a observou um tempo sob o umbral enquanto ela cantava. Sentiu-se levemente vulnerável a sua presença. Tirou o sapato e sentou-se no sofá.
\n\nEla sentou-se indiana no chão em sua frente e sorriu acolhedora.
\n\n‒ Onde você estava que está com carinha de cansado? ‒ perguntou, carinhosa.
\n\nEle cometeu o erro de olhar suas pernas expostas e perdeu o foco. Lutou com a incoerência para encontrar uma nova mentira.
\n\n‒ Fui a...
\n\n‒ A...? ‒ encorajou-o, tocando seu joelho com a ponta dos dedos, circularmente. Isso não ajudou. Essa mania dela de tocar tudo era irritante.
\n\n‒ Ao banco ‒ ajustou-se no sofá incomodado com a proximidade.
\n\n‒ Ah ‒ assentiu desconfiada. ‒ De novo? E precisa ir de terno todas as vezes que vai ao banco?
\n\n‒ Er, eu precisava conversar com o gerente.
\n\n‒ O que queria com ele? Dinheiro para o seu livro? ‒ questionou curiosa, depois sorriu. ‒ Se for dinheiro, pega comigo ‒ E abriu sua mochilinha. ‒ Dinheiro pouco eu tenho muito ‒ brincou e jogou algumas notinhas de dois dólares para o alto. Ele quase sorriu ao vê-la tentar agarrá-las. Ela era uma graça, alegre e espontânea... Mas também era muito nova. E era a garota de Emmett.
\n\nEla levantou-se do chão e jogou sua mochilinha no sofá.
\n\n‒ Hummm. Tem pipoca aqui? ‒ saiu animada em direção à cozinha.
\n\n‒ Não.
\n\n‒ Você podia pedir um lanche. Almocei cedo e saí tão rápido da sala de estudo que nem lanchei ‒ voltou com um refrigerante na mão.
\n\n‒ O que você quer comer? ‒ perguntou seco.
\n\n‒ Algo leve. Pode ser crepe de frango e vitamina de banana ‒ propôs e caminhou para sala de televisão. ‒ Vem pra cá. Vamos ver um filme.
\n\nEdward olhou no relógio e lembrou-se da reunião.
\n\n‒ Eu tenho um compromisso ‒ avisou frio. Bella notou o descaso, ligou a TV e disse para si que rapidinho o mau humor dele iria passar. Era sempre assim. Sempre que chegava à casa dele, ele a tratava com reservas, apesar disso, sempre melhorava. Mas como ela decidiu no início da semana que iria descobrir seus sentimentos por ele, minaria seus muros.
\n\n‒ Por que você não relaxa um pouco? ‒ sorriu e bateu no sofá ao seu lado, encolheu as pernas de lado e mudou o canal na TV. Ele sentou-se entediado, apoiou o rosto no punho e se perguntou milhões de vezes como tinha entrado nessa. Ligou no disk-entrega e pediu um lanche. Também não tinha almoçado àquela hora.
\n\nBella não conseguia se concentrar. Passou o tempo seguinte revirando canal por canal atrás de uma distração. Desistiu da TV e foi para outra sala mexer no som novamente.
\n\nEdward entreteve-se vendo um programa e esqueceu por alguns minutos da presença indesejada da garota na sala, embora fosse um fato difícil de ignorar, já que ela ouvia Link Park em volume alto. Não ficarei perto dela, não ficarei perto dela. Repetiu, até que soou o barulho do interfone para avisar que o lanche chegou.
\n\n‒ Você vai comer isso tudo? ‒ Bella acusou quando o viu abrir o sanduíche.
\n\n‒ Não tive tempo de almoçar ‒ justificou.
\n\nLancharam em silêncio na sala de TV. Bella não ousou invadir o lanche dele, mesmo que quisesse muito atacar as batatas fritas do seu trio. Comeu agitada. Antes de terminar, pegou seu copo de vitamina e saiu da sala.
\n\nCaminhou inquieta de um lado ao outro no carpete. Encontrou, sobressaltada, Edward a observando curiosamente da porta, os braços cruzados. Estava nervosa assim por causa de sua decisão de tomar iniciativas para definir o que sentia. Não parou de pensar nele um segundo nos últimos dias. Queria vê-lo, tocá-lo. Precisava saber se era somente afeição por um cuidando ou paixão adolescente. A última resposta parecia ser a mais lógica.
\n\nÉ óbvio que ainda iria resolver sua situação com o namorado. Não podia dar seguimento ao relacionamento quando se sentia tão confusa com Edward. Conversaria com o namorado sábado, pessoalmente.
\n\n‒ Podíamos fazer alguma coisa, tipo sair ‒ ela tentou parecer casual depois de vencer uma tremenda desordem emocional.
\n\nTorceu mentalmente que ele entendesse o que propunha. Aff, não sabia flertar. Principalmente com um adulto. Será que ele iria entender que isso seria, tipo, um encontro?
\n\nEdward foi pego despreparado e encostou-se à parede, surpreso. Bella mexeu freneticamente os dedos das mãos, ansiosa, contendo o desejo de acariciar seus cabelos e tirar o cansaço de seu rosto.
\n\n‒ Eu não posso sair. Já disse que tenho compromisso ‒ negou baixo.
\n\n‒ Ah... Er, falta um ca-cachorro nesta casa ‒ balbuciou embaraçada por ter sido rejeitada. ‒ Aliás, falta muita coisa ‒ apontou em volta, ignorando a resposta do homem. ‒ Posso comprar um cachorrinho pra você? ‒ improvisou, tentando esconder a frustração.
\n\n‒ Não. Não gosto de nada que afete minha rotina ‒ sentenciou, sisudo por seus olhos traidores estarem nas pernas da garota, imaginando-as cruzadas em sua cintura enquanto lhe... Desviou o olhar.
\n\n‒ Aff, você é muito esquisito, sabia? ‒ reclamou com um bico e se jogou no sofá, lutando para alcançar novamente sua espontaneidade e leveza. Não o deixaria afetar seu humor e determinação. Ele era tão tosco que nem devia ter percebido o teor do convite. ‒ Então vamos comigo ao parque de diversões aqui perto? Um dia você me ofereceu um passaporte ‒ propôs com olhar pidão.
\n\n‒ Eu tenho compromisso, Bella, já disse ‒ negou com a guarda mais baixa. Ela não merecia seu tratamento rude. Era somente uma marionete na mão do marginal.
\n\nAo notar sua flexibilidade, em um movimento fluído, Bella aproximou-se e enlaçou os braços em volta do seu pescoço.
\n\n‒ Mudaria algo se eu dissesse que senti sua falta e quero passar um tempo com você? ‒ declarou coquete. Acariciou sua nuca hesitante no começo, depois com mais segurança. Ele tentou dar um passo atrás, mas atrás dele era a parede. Olhou no olhos verdes, confuso com o que via. Ela estava tentando seduzi-lo? Não. Não podia.
\n\nFoi consciente do corpo próximo com todas as resoluções em conflito. Seu perfume e calor o enlouqueciam.
\n\nEla o encarou por segundos, sentindo-se confiante. Desviou os olhos para sua boca e umedeceu os lábios ao lembrar o gosto. Queria experimentar seus beijos com ele acordado, mas também queria que as coisas acontecessem naturalmente. A começar por saírem hoje. Depois, quando ela terminasse o namoro, poderiam dar um passo de cada vez nesse romance, até que as diferenças de idade e de personalidade não fossem mais um problema. Teriam que ter paciência para se ajustarem. E pior, ainda tinha Emmett. Não sabia como ele iria aceitar esse envolvimento com um homem mais velho.
\n\nEdward fechou as mãos atormentado. A vontade de tocá-la era quase insuportável. Os dedos formigavam de cobiça. Queria apertá-la ao seu corpo, cobrir sua boca, enfiar as mãos por debaixo da saia, acariciar a coxa e espalhar os dedos na nádega. Depois a jogaria no chão, levantaria sua saia e enfiaria o rosto entre suas pernas. Só esse pensamento o fez dispensar mais censura sobre si. Merda. Sou um maníaco, por acaso?
\n\nEla lhe deu um suave beijo no rosto cheio de promessas, tocou o ombro dele e virou-o.
\n\n‒ Vamos, vista uma roupa mais à vontade para passearmos ‒ empurrou-o em direção ao quarto. ‒ Nenhum compromisso é mais importante que sua cuidadora ‒ gracejou, levou a mão à sua gravata e afrouxou o nó. ‒ Deixa que eu te ajude com isso ‒ dispôs prestativa e a desfez de um jeito tentador. Uma atitude ingênua que para ele soou sexy. Ele a olhou com a respiração acelerada, já perdendo o controle da situação. Ela passou a gravata por sua cabeça. Com os olhos escuros por causa da conotação sexual do ato, ele segurou seus pulsos rudemente e encarou-a irado consigo por querê-la tanto. Embora ela não parecesse ter intenção de lhe seduzir, a postura natural foi distorcida em sua mente. A excitação inoportuna se manifestava. Respirou fundo, buscando clarear o cérebro dessa atração infundada e infantil.
\n\n‒ Você não para nunca, garota? ‒ rosnou transtornado consigo, soltou-lhe os braços bruscamente e ficou de costas para ela, tentando esconder seu estado. Era isso ou jogá-la em sua cama como um homem das cavernas.
\n\nA garota deu um passo atrás assustada com seu tom ríspido e abriu a boca para defender-se. As palavras não saíram. Não entendia o que fez.
\n\n‒ Você está sempre se movendo, bagunçando, fazendo barulho! ‒ continuou entre dentes. ‒ Eu me canso, sabia?! A minha casa deveria ser o lugar em que eu descanso, não o lugar onde eu fico cansado! ‒ despejou, sem olhá-la, esfregando o cabelo ansioso. ‒ E eu não vou a lugar nenhum com você! Não vou ficar andando com uma menina por aí! Sou homem! ‒ isso era um lembrete para si. ‒ Além disso, já disse que tenho compromisso! ‒ sentenciou, sentindo-se miserável por ofendê-la.
\n\nHorrorizada pelas rudes palavras de rejeição, Bella juntou toda dignidade que tinha, ergueu o queixo e deu um passo atrás.
\n\n‒ Tchau ‒ despediu-se segura, ainda que consternada. ‒ Fique com seu compromisso e solidão ‒ espetou cáustica e deu as costas apressada. Ele ouviu o barulho de porta se fechar bruscamente e controlou-se para não correr atrás dela e pedir desculpas.
\n\nIniciada a pauta na reunião, finalmente conseguiu se concentrar em algo que não fosse a garota, subjugado pelo teor sério do assunto. Foram citados, em relatório feito pela Inteligência, policiais de ronda da Divisão de Polícia ostensiva de Los Angeles, por facilitação de contrabando e corrupção ativa.
\n\nEdward decidiu levar o caso ao seu superior, Coordenador Marcus Denalli, para que ele entrasse em contato com a corregedoria da polícia local e informasse que seus policiais estavam sob investigação externa. Por se tratar de investigação a milícias, era um serviço de alta periculosidade. Exigia qualificação especializada. Ele mesmo chefiaria a diligência.
\n\nAo voltar para casa, Edward deparou-se com a evidência de que o furacão Bella esteve lá. Almofadas espalhadas, copo vazio sobre o som, controle fora do lugar e, sobretudo, aquelas irritantes florzinhas na varanda. Observou as mudas com inimizade preconcebida. Se Bella achou que iria regá-las, estava muito enganada. Deixaria que elas secassem até ter uma desculpa para jogá-las fora.
\n\nSexta-feira, depois de treinar no stand de tiros, uma mensagem de Bella vibrou no celular.
\n\nA persistência é o menor caminho do êxito.
\n\n\nCharlie Chaplin http://pensador.uol.com.br/
\n\n\nEle leu, interessado; depois, riu, amargo. Ela não desistiria dessa amizade infactível, percebeu. Não desfiou o assunto. Partiu para as tarefas do dia.
\n\nNo dia seguinte, pedalava na rua beira-mar quando o telefone vibrou no bolso. Parou para atender.
\n\n‒ Fala, pai ‒ atendeu frio. Desde o último telefonema, por causa da operação, só tratava o pai com reservas.
\n\n‒ Está lembrado que hoje iremos voar para Nevada? ‒ perguntou diplomático. Edward fez uma careta e bateu a palma na testa.
\n\n‒ Não vai dar. Tenho que...
\n\n‒ Não invente, Edie ‒ Carlisle o interrompeu severo. ‒ É o noivado de seu irmão. Em meia hora passo em sua casa para te pegar ‒ sentenciou e desligou.
\n\nEdward montou novamente a bicicleta e dirigiu-se indignado ao seu apartamento. Por que seu pai o tratava como se tivesse dez anos de idade? Preparou uma mala pequena, tomou banho e, quando penteava o cabelo, o interfone soou insistentemente. Sinal de que seu pai não iria nem subir.
\n\nO motorista lhe esperava em frente ao prédio, o motor ligado.
\n\n‒ Como estão as coisas na Agência? ‒ seu pai iniciou, logo que Edward sentou atrás, ao seu lado.
\n\nEdward passou o trajeto até o aeroporto lhe explicando sobre as novas investigações. Dentro do avião, lembrou que sábado era dia de Bella ir vê-lo, procurou seu número na agenda para avisá-la, mas não tinha rede.
\n\nDurante o jantar de noivado em Nevada, o clima não era muito agradável entre os irmãos Edward e Jasper. Não se falavam desde que discutiram a última vez por causa de Emmett. Jasper defendeu que não iria romper as relações com Emmett por sua causa e insistiu, na ocasião, que Emmett não teve culpa da overdose de Rosalie. Edward sabia a verdade. As palavras de Rosalie foram claras. É Emm quem traz cocaína.
\n\n‒ Boa noite, Edward ‒ Mariah cumprimentou-o com um abraço apertado. Afastou-se e deu uma indiscreta conferida no físico do irmão caçula de Jasper.
\n\n‒ Boa noite, Mariah. E parabéns ‒ esquivou-se da promotora.
\n\n‒ Vai dormir por aqui? ‒ perguntou sugestiva, mordendo os lábios.
\n\n‒ Não. Vamos dormir em um hotel.
\n\n‒ Lógico que não iremos deixar isso acontecer ‒ enfatizou maliciosa. ‒ Se for preciso, eu cedo a minha cama.
\n\nEdward percebeu o olhar de Jasper à distância, olhou o pai e pediu auxílio com o olhar. A noiva do irmão não perdia uma oportunidade para insinuar-se. Fora motivo outrora de indisposição entre os irmãos. Carlisle acudiu-o. Não queria mais um confronto.
\n\nQuando o brinde das alianças ocorreu, Edward respirou aliviado por finalmente ter cumprido o social. Caminhou até o jardim suspenso, pôs a mão no bolso e novamente segurou o celular na mão, talvez pela centésima vez no dia. Não ligou ou passou mensagem usando como argumento a presença do pai. Óbvio que essa alegação mental era só uma atenuante para sua covardia. Não tinha desculpas pelo bolo de hoje, muito menos pela grosseria de quinta.
\n\n‒ O que faz aqui? ‒ Jasper questionou ao aproximar-se pela primeira vez na noite. Edward olhou-o surpreso por ele ter tomado a iniciativa. Há dois anos não se falavam, há mais de cinco, brigaram.
\n\n‒ Estou dando um tempo para ir embora ‒ respondeu desinteressado.
\n\n‒ Eu me pergunto por que veio, se não pretendia me cumprimentar ‒ Jasper acusou e encostou-se a uma pilastra.
\n\n‒ Eu me pergunto por que se casar, se puta para dormir se encontra em qualquer esquina ‒ atacou-o insolente.
\n\n‒ Eu não me importo com sua opinião, Edward ‒ rebateu tranquilo.
\n\n‒ Tanta mulher de verdade por aí, foi escolher justo uma que não presta ‒ apontou Mariah no bar, revoltado.
\n\n‒ Ninguém presta para você ‒ rebateu impassível. ‒ E o que seria a mulher de verdade, maninho? ‒ Jasper questionou irônico.
\n\nEdward suspirou com uma falta estranha no peito.
\n\n‒ Alguém que te faça rir, mesmo que seu humor esteja péssimo ‒ expôs baixo e novamente olhou para o celular. ‒ Que cuide de você, quando você teima que não precisa.
\n\n‒ Ah, e você conhece alguém assim? Essa mulher existe para você? ‒ zombou. Sabia que o caçula não tinha experiências suficientes para responder. Não era uma pessoa de relacionamentos. Desde que eram adolescentes, nunca o vira com namoradas sérias.
\n\n‒ Não. E nem preciso. Não dependo de mulher, como você ‒ defendeu-se ofendido.
\n\n‒ Não. Eu não sou um dependente. Temos bases para um relacionamento saudável ‒ elucidou prático.
\n\n‒ Tudo bem ‒ Edward fez um gesto encolhendo dois dedos do meio, insinuando um chifre. ‒ Quem sou eu para censurar seus gostos e julgamentos ‒ ironizou.
\n\n‒ É isso! ‒ Jasper empertigou-se. ‒ Você que não tem maturidade para julgar ninguém. Por isso é um policialzinho de merda ‒ destacou e deu as costas, colérico. Não era assim que Jasper esperava terminar sua noite. Sentia falta do irmão e pensou que hoje pudessem finalmente conversar de modo evoluído.
\n\n\n\nEdward passou a semana seguinte envolvido nas investigações das milícias. Quarta-feira, pela madrugada, ele seguia o policial Félix, acompanhado de Stephan e Erick. Félix entrou na boate que Emmett era dono. Erick tirou fotos. Félix saiu com uma bolsa e seguiu em seu carro rumo à Zona Sul. Depois de passar algumas horas em uma casa na periferia da Zona Sul de Los Angeles, Félix saiu sem a bolsa, acompanhado por dois tiras.
\n\nSexta-feira pela manhã, dirigiam para agência depois de uma noite seguindo policiais, Erick cruzou com um Lótus lilás em frente da escola Junior de Beverly Hills.
\n\n‒ Pare! ‒ Edward alarmou-se e olhou para trás, registrando o exato momento em que o Lótus estacionava. Erick parou o carro. Duas garotas graciosas, ruiva e loura, desceram no estacionamento e cumprimentaram outros estudantes. Edward suspendeu o ar, hipnotizado pelos cabelos louros brilhando ao sol. Antes que raciocinasse o que fazia, ligou o seu aparelho de escuta à distância e pôs o fone em seu ouvido. Queria ao menos ouvir o som de sua voz. Pareciam anos que não a ouvia.
\n\nStephan dormia no banco de trás, mas Erick observou atento o que Edward fazia. O som de conversas saiu chiado no aparelho, Edward regulou o ajuste e concentrou-se no que elas diziam.
\n\nIsabella rolou os olhos cansada de uma discussão com Alice sobre ir ou não a um baile de garotas do High School dentro de alguns dias. A discussão estendeu-se em todo trajeto para a escola e ainda não tinha acabado.
\n\n‒ Então leve o seu namoradinho mesmo ‒ Alice concedeu, desdenhosa. ‒ Por favor! ‒ implorou persuasiva. ‒ Se você não for, Emm não vai me deixar ir. Não sei por que ele confia mais em você que em mim, sendo eu mais velha que você ‒ resmungou contrariada e levantou a mão no ar com um forçado sorriso para uns garotos. ‒ Além disso, se ele me deixar ir sozinha, vai mandar o Rilley ou o David me seguir ‒ adicionou, irritada com a esquiva da prima.
\n\nIsabella estava introspectiva nos últimos dias. Tinha passado a manhã de sábado e o domingo com seu namorado e decidiu que era assim que devia ser. Edward era somente seu cuidando e ponto. A sua paixonite adolescente não iria influenciar no que era certo. Óbvio que continuava magoada por sábado. Ter passado quase duas horas esperando-o na porta de seu apartamento foi frustrante. Se ele ao menos tivesse ligado de volta se explicando... Mas não. Não deu a mínima. Era pensando nisso que duelava entre a vontade de prosseguir e de desistir dele. Principalmente desistir do que sentia. Seu lado mais humano não queria procurá-lo nunca mais enquanto ele não ligasse. Mas não pretendia desistir dele como pessoa. E já que conseguiu fazê-lo confiar nela a ponto de lhe revelar o porquê dos pesadelos, pretendia ser sua amiga.
\n\n‒ Eu não sei, Alie. Vou pensar. Você sabe que nessas festas as pessoas bebem, se drogam e eu não quero que ele chegue nem perto de bebidas ou crack ‒ explicou apática.
\n\n‒ Meu Deus, Bella, você não pode regular seu namorado a vida toda. Se for para ele ter recaída, ele vai cair perto de você ou não!
\n\nEdward, à certa distância, franziu o cenho confuso com o assunto. Será que Bella tinha medo de Emmett usar drogas? Fechou os olhos e lembrou-se da primeira vez que experimentaram maconha, dez anos atrás, em uma festa na Zona Sul. Rosalie, com quinze anos na época, tinha pedido um tempo no namoro de quase dois anos, então, cada um dos rapazes tinha uma garota embaixo do braço. Emmett, com dezoito anos, calouro no curso de Bioquímica/Farmácia, foi o primeiro a experimentar a droga oferecida pelas garotas. Edward, por ser três anos mais novo que Emmett, precisou de muita insistência para que Emm liberasse.
\n\nAquela foi a primeira vez.
\n\nEdward balançou a cabeça rejeitando a lembrança. Vivia num terror mortal de que alguém na Agência descobrisse algo de seu passado. Um dos requisitos da Narcóticos era que seus agentes não tivessem históricos com drogas. Focou novamente as garotas, e a mais baixa delas, Alice, com pouco mais de um metro e sessenta e cinco, saiu emburrada rumo ao High School quando um garoto hispânico e musculoso encostou-se ao lado delas, desceu de uma moto e abraçou Bella.
\n\n‒ Que bom que veio me ver ‒ disse Bella sem sombra de animação na voz. ‒ Estava com saudade.
\n\n‒ Eu também. Não aguentei esperar até amanhã.
\n\n‒ De quem é a moto? ‒ Bella afastou-se e apontou para a Ninja preta.
\n\n‒ Do David. Ele me emprestou. Quer dar uma volta? ‒ o adolescente propôs, animado.
\n\n‒ Não. Eu estou atrasada. Além disso, você não tem permissão para dirigir. Melhor ir para casa ‒ ralhou séria.
\n\n‒ Tudo bem, Florzinha mandona. Daqui uns dias faço dezesseis e posso te levar para sair ‒ sorriu, abraçou-a mais forte e encostou os lábios nos dela. Ela correspondeu rígida, sentindo-se pela primeira vez estranha e velha ao ter um namorado mais novo que ela. Chateou-se por não sentir nada físico por ele mesmo que ele fosse forte, lindo, de olhos verdes. Afastou-se e deu um sorriso fraco. Ele percebeu a atitude esquiva da namorada e torceu os lábios, contrariado. ‒ Então até amanhã. Nós nos encontramos na igreja.
\n\nEla assentiu, ele montou na moto e acelerou o máximo. O motor roncou alto, e a moto queimou pneu antes de virar a esquina. Isabella balançou a cabeça reprovando as infantilidades e autoafirmações do namorado, deu as costas, e sua atenção fixou-se em um Camaro preto encostado na pista próxima ao estacionamento, com os vidros abertos e um homem de óculos de sol e cabelos lisos jogados de lado olhando em sua direção. Entrecerrou os olhos, curiosa, reconheceu-o e aprontou-se para acenar, todavia o carro partiu.
\n\nEdward não podia entender. Se ela era a garota de Emmett, como Emm aceitava que ela beijasse outro? Será que ela era dessas que beijava um e outro? E que droga de sentimento estranho foi aquele quando a viu nos braços dele? Infantil demais para tolerar. Ela tinha namorado, porra! Quem devia ter ciúme era Emmett, não ele!
\n\n\n\nSábado, no meio da madrugada, acordou atordoado por sonhos distorcidos. A última imagem que ficou foi o rosto de Bella. Sentiu vontade de vê-la. Droga! Suspirando, abriu a geladeira procurando algo para comer e deparou-se com a geladeira vazia. Podia ter sorvetes. Lembrou-se de ouvi-la dizer.
\n\nPor volta de dez horas, quando ainda pedalava, seu telefone vibrou no bolso. A mensagem de Bella pegou-o de surpresa por não obedecer à rotina dos sábados, embora ela tivesse continuado mandando todos os dias.
\n\nOlá, Edward... Você tem feito os exercícios diários? E o livro? Terminou de ler?
\n\nEle não respondeu de volta. Quando ela viesse mais tarde, pensou, conversariam pessoalmente. Com um sorriso no rosto, fechou a mensagem e passou no supermercado para comprar ingredientes para uma massa. Seria um pedido de desculpa a ela pelo bolo de sábado passado e pela grosseria de quinta.
\n\nEstava de bom humor. Fazia anos que não cozinhava. Até ligou o som esperando-a! No entanto, até as 14h, ela não apareceu ou ligou. Não o agradou comer sozinho e passar o restante da tarde entediado em frente à televisão. Bem, podia ser que ela não tivesse aparecido a fim de dar o troco por ter-lhe dado um perdido no sábado anterior, pensou. Mas logo ela iria aparecer.
\n\nNotou as flores, que ela trouxe outro dia, murchas por falta de água. Dona Keila devia ter regado no início da semana, mas elas já estavam secas. Debateu-se em regar ou não. Com um balançar de ombros, convenceu-se que não podia deixá-las morrer. Cuidaria delas até que Bella as levasse.
\n\nNão costumava sentir falta de companhia. Entretanto, sem que pudesse explicar o porquê, sentia-se só. Arrumou-se e saiu de casa sem rumo. Pensou em ligar para seu pai e sair para conversar, ou talvez ligar para Rachel e chamá-la para ver um filme no cinema, como faziam antes. Todavia, enquanto caminhava pela calçada à beira-mar, percebeu que não era a companhia deles que queria.
\n\nSegunda-feira, nenhuma mensagem vibrou no celular de Edward. Passou a maior parte do dia olhando no visor, tentando convencer-se de que não importava, afinal, o que era essas mensagens? Parágrafos copiados e colados da internet? Afundou-se em seu trabalho e resolveu esquecer. Não importava. Não mesmo.
\n\nTerça-feira, com a desculpa mental de que algo tinha acontecido para que Bella sumisse, passou de moto em frente à escola de Beverly Hills, estacionou embaixo de uma árvore, não tirou o capacete e esperou. 07h45min o Lótus Elise de Bella virou a esquina e entrou no estacionamento. Suspirou ao vê-la descer sorrindo para a prima. Podia até lembrar o som refrescante que saía de sua garganta. Percebeu que adoraria ouvi-la sorrir de novo. E saber foi perturbador.
\n\nEla está bem. Agora vá, Edward. Ordenou-se. Seu corpo teimoso parecia congelado no lugar, resistente em ir embora. Ele esperou-a conversar no pátio externo com várias pessoas, depois despedir-se da prima e caminhar rumo ao portão do Junior, usando aquela saia de pregas, o blazer de frio por cima da blusa branca, um tênis e uma meia até o joelho. Ligou a moto e foi embora sentindo um vazio inexplicável.
Notas finais
Lembrem que independente do meu curso agora, a gente combinou que eu postaria de 15 a 20 dias.
Bjus
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