Flor de Lótus-edward e Bella

6 Capítulo 5- Flor de Lótus I


Edward atrasou-se pela primeira vez em dois anos para reunião de ordem de missão semanal. Entrou sério na sala em seu terno preto, com andar tenso, dor no pescoço e costas por causa da tensão e frustração da noite.

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‒ Bom dia, chefe ‒ Erick o cumprimentou. Edward tinha a aparência de que enfrentou insônia, o olhar caído, parecia mais velho. Ignorou os cumprimentos, pegou a pauta da reunião e leu em silêncio.

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‒ Bom, vocês já sabem o que fazer ‒ dispôs apático, assinou as ordens de missão organizadas pela Inteligência, entregou aos líderes de equipes e caminhou para sua sala sem despedir-se. Os presentes olharam uns aos outros confusos.

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Em sua sala, Edward fez um alongamento para ver se a dor nas costas e pescoço passava. O telefone da sua mesa tocou.

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‒ DEA, Los Angeles, Agente Especial Cullen.

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‒ Pensei que você iria aparecer para almoçarmos ontem depois do que aconteceu sábado ‒ Rachel cobrou direta.

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Ele suspirou, impaciente. Mais essa.

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‒ Rachel, aquilo sábado foi... er... ‒ mediu as palavras para não magoá-la. Não iria despejar nela seu péssimo humor.

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‒ Um erro? ‒ completou.

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‒ Não um erro, mas... ‒ coçou a cabeça.

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‒ Sexo casual, satisfação física, prêmio de consolo, remédio para esquecer outra ‒ enumerou ressentida.

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‒ Não! ‒ negou energicamente.

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Houve uma pausa de silêncio.

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‒ Tudo bem, Edward. Se não é nada disso, vou te dar mais um tempo ‒ concedeu compreensiva. Ele balançou a cabeça cético pela sua insistência. ‒ Eu não vou desistir ‒ desligou. Ele jogou-se na cadeira, cansado e pôs-se a trabalhar.

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Por volta de dez da manhã, Erick entrou em sua sala.

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‒ Cadê as nossas rosquinhas Donuts? ‒ perguntou brincalhão. Edward ignorou o preâmbulo, virou a cadeira frente à janela de vidro e olhou compenetrado para fora enquanto mordia distraído a tampa da caneta.

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‒ O que você acha que elas são dele? ‒ murmurou introspectivo.

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Erick sentou-se à mesa.

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‒ Não sei... Sei que ontem Alice descobriu que sou tira ‒ informou. ‒ Cuspiu no meu rosto quando fui me explicar ‒ contou revoltado.

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Edward abriu a boca perplexo.

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‒ Emmett viu você se explicando? ‒ quis saber, preocupado.

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‒ Não ‒ deu de ombros. ‒ Porém, não deve ter passado despercebido que você não parou de secar a florzinha dele um minuto ‒ insinuou divertido, mas saiu como acusação.

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Edward girou a cadeira e encarou-o. ‒ De onde tirou essa ideia? ‒ contrapôs aborrecido.

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‒ Só você não viu. Tem que tentar disfarçar essa sua obsessão por Emmett e por coisas dele. Vai matar seu pai de preocupação assim.

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‒ Meu pai protege Emmett! ‒ jogou a caneta na mesa, irritado.

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‒ Eu não o culpo por isso. São amigos ‒ lembrou calmamente.

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Edward iria discutir e explodir sua ira, mas foi interrompido por um toque de mensagem no celular. Ele leu, inspirou profundo, mais irritado ainda, e excluiu-a. Some da minha vida, garota!

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‒ Me deixe sozinho ‒ determinou sério. ‒ Não estou para conversas hoje.

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Erick registrou o celular dele sendo violentado raivosamente pela mão. Daria o mundo para saber o que ele leu.

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Isabella acordou exausta. Não pensou que a primeira noite em que dormiria sem Peter seria tão desgastante. Há mais de cinco anos cercava-o e vigiava-o a cada resmungo na madrugada. Dormiam abraçados.

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Tomou a atitude de deixá-lo dormir só porque a psicóloga do garoto aconselhou. Disse que ele ficaria menos manhoso e mais independente. Doeu muito, pois, se para o bebê era difícil desligar-se, para ela era pior. Nenhum dos dois dormiu direito. Foi ao quarto dele dezenas de vezes durante a madrugada vigiá-lo.

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‒ Você não vai hoje? ‒ Alice perguntou ao notar que ela estava desarrumada e atrasada para ir à escola.

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‒ Não. Vou passar o dia com Peter, já que não dormimos juntos ‒ explicou chateada.

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‒ Pelamordedeus, Bella... Ele precisa disso! ‒ repreendeu e parou frente ao espelho, conferindo a saia jeans curta que usava.

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Isabella não estendeu a discussão. Ninguém a compreendia. Caminhou arrastando o chinelo para o quarto ao lado. Alice seguiu-a e sentou-se no puff. Isabella se deitou na cama de Peter e o abraçou protetoramente. Ele agora dormia um sono tranquilo, não mais choramingando como foi a noite toda quando sentia falta dela.

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‒ Como está o seu lance com aquele cara, o ex-viciado em crack? ‒ Alice questionou.

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‒ Não sei... Estamos frios ‒ fugiu do assunto.

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‒ Sabe por que você está com ele, Bella? ‒ Alice perguntou, passando a escova no longo cabelo ruivo. ‒ Porque acha que ele precisa de você, igual é com Peter ‒ apontou o garoto. ‒ Mas não tem que ser assim, Bella. Nós temos que usar os homens, não cuidar deles. Não somos as mães deles. Pelo contrário. Eles que têm que nos mimar.

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‒ Não se usa pessoas como se fossem coisas, Alie ‒ censurou divertida.

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Alice deu de ombros.

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‒ Eu uso ‒ defendeu orgulhosa. ‒ Você também deveria.

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Isabella torceu os lábios ao ouvir o absurdo conselho, mas rendeu-se.

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‒ Eu gosto dele, mas não tem... Como posso dizer... ‒ sugeriu embaraçada.

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‒ Química, eletricidade, tesão ‒ Alice enumerou.

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‒ Isso ‒ admitiu acanhada, lembrando-se da oposta sensação que sentiu com Edward, sábado. ‒ Mas gosto do nosso relacionamento.

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‒ Mas sábado você não estava gostando nadinha.

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‒ Só porque ele está muito possessivo. Mas domingo conversamos na igreja e nos acertamos.

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‒ Que lástima. Pensei que iria ganhar uma companheira de farra ‒ Alice fez um bico contrariada. ‒ E o tio que você está cuidando? Já está melhor?

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Isabella deu um suspiro inconsciente.

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‒ Tenho pena dele ‒ revelou introspectiva.

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‒ Tomara que não seja a mesma pena que você teve do Daniel ‒ alertou e voltou-se para a porta.

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‒ Não. Daniel entrou nessa por rebeldia adolescente. Já ele... É triste, distante, solitário. Queria ajudá-lo ‒ explicou com ar penoso.

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Alice encarou-a, a mão na cintura.

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‒ Cuidado, Bella ‒ analisou-a atenta. ‒ Adulto é diferente de um garoto. Não se contenta com beijinho, como Daniel. Beijou, comeu. E Emm não vai gostar dessa história. Só aceitou o Daniel porque aquele menino frouxo morre de medo dele, mas outro homem não vai deixar você cuidar ‒ zombou insinuante.

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‒ Respeita o meu trabalho, Alie. Eu não falei em beijo, falei em ajudar! ‒ repreendeu-a séria. ‒ E pode deixar que eu mesma vou contar para Emm ‒ garantiu ofendida.

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‒ Ok ‒ deu de ombros com descaso. ‒ Deixe-me ir para os meus gatinhos ‒ e saiu.

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Isabella abraçou Peter com o coração apertado pela maldade que julgava ter cometido ao ter dormido longe dele. Resolveu acordá-lo para que aproveitassem o dia.

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‒ Bom dia, bebê ‒ beijou seu cabelo louro.

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Ele resmungou, mexeu um pouco, mas não queria acordar agora que finalmente tinha conseguido dormir.

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‒ Que tal você acordar e irmos passear? ‒ propôs com um sorriso e lhe fez cócegas. O garoto abriu os olhos ainda sonolento, levantou os dedinhos no ar e comunicou-se, dizendo que queria ir, mas estava cansado. Isabella ergueu a mão no ar e falou com a voz fininha enquanto mexia o dedo mindinho. ‒ Tudo bem, rapazinho, vamos ficar deitadinhos mais meia hora, depois tomamos banho cada um no seu banheiro, okay? Será que você consegue tomar banho sozinho? ‒ perguntou sorrindo. Ele levantou o mindinho no ar e resmungou ‘u-hum´.

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Enquanto se arrumava, decidiu que precisava comprar mais pelúcias e carrinhos para o quarto dele ficar mais acolhedor. Segundo a psicóloga, por ele ser homem, precisava desde agora de sua individualidade.

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‒ Lava esse pi-pi direito ‒ não resistiu e apareceu com o dedinho dentro do box, brincalhona. Ele gargalhou contente, esfregou-se desajeitadamente mais algumas vezes e terminou o banho orgulhoso de si. Ela enxugou seus cabelos com a toalha e o inspecionou vestir-se.

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Quando ele estava pronto, ela foi terminar de arrumar-se. Passou um perfume diferente do habitual, vestiu uma blusa tomara-que-caia azul clara, um short branco balonê e uma bota meio cano rosa envelhecido, combinando com a bolsa e haddband rosa no cabelo. Equipou a bolsa com acessórios de Peter, desde band-aid, para caso Peter caísse, a óleo de bebê de erva-doce, que usava quando o garoto estava muito agitado.

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‒ Para onde vão? ‒ Tia Esme perguntou ao notá-la produzida e perfumada.

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‒ Vamos à brinquedoteca no shopping, depois vou fazer compras ‒ sentou-se à mesa e arrumou o lanche do garoto. Preparou cereal com banana e mamão cortados.

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‒ Bella, deixe que ele escolha o que quer comer ‒ Esme ralhou séria. ‒ Quando você não está em casa, ele sempre escolhe. Você tem que parar de mimá-lo. Ele não pode ser tão dependente de você.

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‒ Ele é MEU filho ‒ retrucou com um bico e continuou cortando a banana. Não gostava que ninguém se metesse em sua criação. Já bastava ter que ouvir a psicóloga. Tia Esme não estava lá quando realmente precisou de alguém que lhe ensinasse. Teve que aprender como pôde e deu o seu melhor. Não seria agora que iria permitir o mundo se intrometer.

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‒ Eu não disse que ele não é seu filho... ‒ Esme se retratou constrangida. Não foi sua intenção insinuar nada. ‒ Mas não é por isso que vai estragá-lo ‒ apaziguou num tom maternal ao notar o semblante contrariado da jovem.

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Isabella suspirou ressentida, entregou o prato com cereais ao garoto e o acompanhou no lanche, em silêncio. Peter chamou sua atenção com a mãozinha no ar, sorriu persuasivo ao ver o rosto triste e comunicou em linguagem de sinais ‘Não ligue. Florzinha é a melhor mamãe do mundo’. Ela sorriu agradecida e o abraçou forte, os olhos cheios de lágrimas. Adorava-o.

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‒ Também amo você, bebê.

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Ela organizou alguns bolinhos de laranja na bolsa, depois subiram e escovaram os dentes.

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‒ Tô indo, tia ‒ avisou de bom humor novamente. ‒ Se Emm perguntar, diga que eu fui ao shopping aqui perto. E diga que eu não pretendo ir à Zona Sul, não precisa mandar Rilley atrás de mim.

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‒ Ok.

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Pegou algumas peras e suco na geladeira. Era precavida. Se Peter sentisse fome, não o permitiria comer industrializados na rua. Deu um beijo em sua tia e saiu de mãos dadas com Peter, colocou-o no banco de trás, depois deu partida.

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Enquanto ele brincava na brinquedoteca vazia, ela lia um livro de reflexões diárias sentada do lado de fora, sempre o observando. Tirou uma frase do livro e mandou por mensagem para Edward.

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Não fique preocupado com o dia de amanhã. Olhe para as aves do céu. Elas não semeiam nem regam. Mas são cuidadas e alimentadas por quem rege o universo. Você não conseguirá acrescentar uma única hora ao curso da sua vida por andar ansioso. Seja feliz.

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Biblia Sagrada Matheus

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O passeio no shopping tomou quase a manhã toda. Comprou roupas e brinquedos para o garoto, tirou fotos. Foi a uma loja de decoração, não resistiu e comprou um item para casa de Edward. Almoçaram sushi em uma casa japonesa. Quando saíam do shopping, conferiu as horas, 13 horas. Provavelmente Edward não tivesse almoçado, pensou surpresa por ter pensado nele várias vezes na manhã. Preocupação com o cuidando, justificou. Teve uma ideia e mandou outra mensagem para ele, dessa vez sorrindo para o celular ao imaginar a carranca que ele faria.

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Animada, passou num restaurante chinês, comprou mais comida e seguiram rumo a Santa Mônica.

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Após ler a mensagem, Edward contou até dez, vestiu o paletó que estava na cadeira e deixou sua sala. O que essa garota queria com ele, afinal? Bateu a porta atrás de si irado, decidido a dar um basta de uma vez por todas.

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Acelerou o máximo que pôde no seu carro. Mal registrou quando dez minutos depois já estacionava na garagem do seu prédio. Agitado, apertou o botão do elevador várias vezes na esperança de acelerá-lo. Encontrou a garota em pé, perto do elevador.

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‒ O que veio fazer aqui? ‒ inquiriu carrancudo antes mesmo de descer. Ela aproximou-se, ignorando a hostilidade, sorriu, pôs os braços em volta de seu pescoço e deu-lhe um beijo estalado no rosto.

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‒ Boa tarde! ‒ bagunçou seu cabelo.

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Pego de surpresa pela afável recepção, ele ficou imóvel uns segundos. Sentiu seu calor, seu perfume e desarmou-se. Pôs, inconsciente, a mão em sua cintura. Queria ser forte, empurrá-la e mandá-la embora... Abraçou-a e afagou suas costas. Devia ter ignorado a maldita mensagem e deixado-a esperar até cansar... Inclinou o rosto e cheirou seu cabelo.

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Inferno.

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As memórias da noite anterior – ela abraçando Emmett, assim como fazia com ele agora –, voltaram à mente. Revoltou-se irritado e escurecido por um sentimento que não sabia decifrar. Iria afastar-se do abraço quente, macio e tentador, empurrá-la e mandá-la finalmente embora, mas antes de descontar nela sua frustração e fúria – como vinha fazendo com todos esta manhã por não ter prendido Emm –, avistou a criança de olhos azuis olhando-o especulativamente. Arregalou os olhos surpreso. Foi Bella quem se afastou.

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‒ Vim trazer o Peter para conhecer você ‒ disse natural e apontou o menino.

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Edward suspendeu o ar, receoso. Afastou-se completamente de Bella e ofegou nervoso, a mão esfregando a fronte. Será que ele o reconheceria? E daí? Importava se ela descobrisse agora? Não era nem para ela estar aqui!

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O garoto abriu um sorriso largo, levantou o indicador no ar e apontou uma arma imaginária a Edward. Foi reconhecido.

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‒ Oi ‒ cumprimentou-o tenso.

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‒ Fala com ele, Peter ‒ pediu Bella, o garoto deu um passo à frente e estendeu o punho para que Edward tocasse. Edward tocou reservado. Ainda que fosse filho de Emmett, o menino não merecia hostilidade.

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O garoto se virou para Bella e perguntou em linguagem de sinais se ela e o homem eram amigos. Bella estudou Edward um segundo e assegurou.

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‒ Sim, lógico que somos ‒ sorriu convicta e aplaudiu o ombro de Edward para enfatizar.

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O garoto deu uns pulinhos e gesticulou. ‘Que bom. Podemos brincar de polícia?’

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Edward não entendia a linguagem de sinais, mas teve uma ligeira suspeita quando viu o gesto de tiros nos dedos de Peter. Gelou ao prever que o garoto o delataria como o policial do Pier.

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‒ Depois, bebê. Depois o tio brinca de polícia com você ‒ concedeu. O garoto assentiu satisfeito.

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Edward ficou sem ação. Sentiu o chaveiro ser tirado de sua cintura por Bella, em seguida ela abriu a porta.

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‒ Vamos entrar, Peter. O tio Edward congelou ‒ gracejou. Peter entrou na frente. Bella deu dois passos no hall de entrada, jogou umas sacolas no chão e inclinou-se para tirar a bota de salto que a incomodava. Edward parou atrás dela, baixou o olhar e analisou-a naquele ângulo, traseiro arrebitado, pernas longas expostas no short. Deus, por que ela tinha que ser tão tentadora?

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‒ Peter, leve essa comida para a cozinha ‒ ela pediu. O garoto caminhou para o corredor, incerto, segurando a sacola. ‒ Isso. É aí mesmo ‒ encorajou-o, encolheu a outra perna e desabotoou a bota. ‒ Estou bonita? ‒ perguntou ao perceber os olhos do dono da casa sobre si. Ele desviou o olhar ao ser flagrado.

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‒ Está ‒ assentiu sério.

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‒ Eu trouxe comida para você ‒ informou. ‒ Vem que eu vou esquentar ‒ caminhou descalça para a cozinha. Ele a seguiu.

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‒ Por quê? ‒ acusou, recorrendo a rejeições para proteger-se.

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‒ Estava na hora do almoço, e eu imaginei que não tivesse comido ‒ balançou os ombros como se fosse o óbvio e abriu a embalagem de isopor que Peter colocou sobre a mesa.

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‒ Bella, não precisava ‒ contrapôs com uma careta. Ela ignorou-o rolando os olhos, pôs a embalagem no micro-ondas e olhou-o de cima abaixo.

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‒ O que está fazendo de terno? ‒ questionou curiosa. Ele ficou tenso e fechou o lado esquerdo do paletó, escondendo o distintivo e o coldre do suspensório que usava por baixo da roupa.

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‒ Er... ‒ virou de costas, indeciso. ‒ Fui ao banco ‒ improvisou chateado por recorrer à mentira.

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‒ E tinha que ir tão arrumado? ‒ comentou desconfiada, mas achou que ele ficava bem de terno.

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‒ O que veio fazer aqui durante a semana? ‒ desviou o assunto enquanto afrouxava a gravata e caminhava ao quarto.

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‒ Pensei que éramos amigos, então vim trazer almoço e passear com Peter. Fiz mal? ‒ perguntou indecisa, notando seu mau humor. Bem, não era novidade.

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Ele não respondeu. Não quis ser sincero e mal educado, trocou sua roupa formal por uma bermuda e camiseta e voltou à cozinha. Sentou-se à mesa e observou-lhes conversar por sinais.

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‒ Só um pouquinho, bebê, que eu só vou dar comida para o tio aqui, depois vou lá ligar a TV para você ‒ avisou carinhosa.

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‒ Ele estuda? ‒ perguntou Edward só para ter assunto. Tinha algo nele que era familiar.

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‒ Não ‒ torceu os lábios evitando falar do tema perto da criança. O micro-ondas sinalizou o ponto, ela tirou a embalagem e colocou na mesa.

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Embora fosse duas da tarde, Edward não tinha notado que estava faminto até Bella abrir a embalagem fumegante, despejar o conteúdo no seu prato e o servir com um sorriso presunçoso que ele já conhecia. Maldição, por que não comeu mais cedo? Assim não estaria fisgado pela ardilosa garota.

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O cheiro era bom. Rendido, inclinou-se sobre o prato e levou o garfo à boca devagar, degustando, enquanto a observava perplexo com o modo dela agir como dona da cozinha e tratá-lo como mero convidado.

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Ela se virou para Peter e pegou em sua mão. ‒ Vamos lá ‒ levou-o para sala de TV, ligou o aparelho e arrumou umas almofadas para Peter no carpete. Quando voltou, encostou-se ao lado de Edward e começou a falar sobre o garoto.

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‒ Estou esperando ele completar seis anos para que estude em uma escola especial. Enquanto isso, fazemos muitas atividades educativas em casa. Inclusive, ele já aprendeu a escrever e a ler comigo. Eu também ensino Matemática através de joguinhos, ensino a pintar quadros. Dizem que essas atividades cognitivas estimulam o desenvolvimento.

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Foi até a gaveta, pegou um garfo, encostou-se ao lado de Edward e enfiou-o no prato dele. Ele comia macarrão com legumes e carne. Yakissoba.

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‒ Você já almoçou? ‒ ele questionou, incomodado. Ela ergueu o garfo cheio de macarrão no ar e os sugou fazendo um bico.

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‒ Já. Mas não comi comida chinesa ‒ explicou enquanto mastigava, puxou uma cadeira ao lado dele e inclinou-se mais próxima, pegando apetecida mais uma garfada de macarrão. ‒ Humm, está tão bom.

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Ele parou de comer e olhou-a atônito, apertando o maxilar pra não dizer nada. Ela não percebeu, encheu o garfo e o conduziu à boca de Edward. ‒ Vai esperar esfriar? Sabia que quanto mais esquentamos no micro-ondas, mais perde vitaminas? Abre a boca ‒ encostou o garfo no lábio do homem, e ele virou o rosto. Ela fez um bico e balançou a cabeça em negativa. ‒ Você é adulto, mas parece criança ‒ resmungou ao perceber que ele não comeria em seu garfo, trouxe-o de volta à boca e sugou o macarrão sonoramente. Sujou a boca e passou a língua em volta para limpar, tendo total atenção crítica do homem. Repetiu o processo duas vezes.

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‒ Ah, que é isso! Por favor, não coma assim. Esses barulhos são... horríveis ‒ reclamou com uma careta e afastou o prato de sua frente.

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Bella empurrou o prato de volta, contrariada, deixando que seu humor fosse atingido pelo homem.

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‒ Você é muito complicado, Edward. O que tem eu comer com você? Tenho alguma doença por acaso? ‒ suspirou desgostosa, olhou-o séria e se afastou. ‒ Se você continuar tão hostil com as pessoas, vai ser sempre sozinho. Não sei como pretende se curar de seus problemas!

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‒ Eu não tenho problemas ‒ retrucou ofendido. Por que ela tinha que dizer essas coisas?

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‒ Não? ‒ levantou chateada. ‒ Pensei que tínhamos superado essa fase ‒ lembrou-lhe com um suspiro frustrado.

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Aborrecido com a inútil discussão, ele levantou o olhar do prato para ela, e a garota mantinha os braços cruzados no peito, olhando-o censuradora.

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‒ Coma, Edward, que eu vou ficar com Peter ‒ saiu desiludida da cozinha. Ele era muito difícil. A pouca evolução que teve, desandou por completa. Queria descobrir o que o fazia tão amargo.

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Sozinho na mesa, Edward voltou a comer de modo lento, agora sem apetite. Não compreendia por que acabou descontando nela a frustração, quando ela era tão... tão afável. Arrependido, terminou de comer, arrumou o que ficou desorganizado na cozinha e foi ao banheiro fazer sua higiene bucal. Caminhou desconcertado para sala de TV onde Bella encontrava-se deitada no chão entre um monte de almofadas com Peter vendo Pica-pau. Os dois riam divertidamente das travessuras do personagem.

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Ele parou na porta, ela o olhou e não parecia mais irritada. Deu até um sorriso acolhedor que foi correspondido com uma torcida de lábios, um quase sorriso sem graça, algo que soou como um pedido de desculpas. Ela lhe tinha vencido e abrandado sem que ele advertisse.

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‒ Pega mais algumas almofadas e senta aqui ‒ ela apontou para o carpete onde estava.

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‒ Não. Eu sento no sofá. Minhas costas estão doendo um pouco.

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‒ Por que suas costas estão doendo?

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‒ Não tive uma boa noite de sono ‒ disse sinceramente, todavia o real motivo de sua dor nas costas era a tensão da operação na noite anterior.

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‒ Vamos, relaxe aqui conosco que a dor passa ‒ bateu novamente no carpete. ‒ Aliás, traz um lençol para forrarmos aqui. O contato direto com o sintético pode fazer Peter espirrar.

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Ele iria negar. Iria, porque era estranho tê-los em sua sala; além da garota, o menino. No entanto, ela olhou-o tão persuasiva que foi impossível negar depois que ela o abandonou comendo solitário na cozinha.

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Foi até seu quarto buscar no armário um lençol, travesseiros e mais almofadas. Argumentou que pelo menos hoje não teriam que fazer as cansativas aulinhas de yoga. Se bem que a ideia de tê-la contorcendo-se no chão usando somente short e tomara-que-caia era muito tentadora.

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Não comece, Edward!

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Censurando-se, afastou as ideias e entregou tudo a ela, que estendeu o lençol sobre o carpete e espalhou as almofadas. Ela jogou-se no chão animadamente e puxou o garoto, dando beijos em seu pescoço e lhe fazendo cócegas.

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Edward assistiu a cena sem respirar, sentindo-se deslocado. Lembrou-se de sua infância e a dor foi instantânea e brutal. Sentia falta de sorrisos como os que via diante de si.

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Foi extraído da distância mental quando um travesseiro atirado em sua direção lhe acertou o rosto. Ele segurou sério a ponta da fronha, Bella sorriu desafiadora, pegou outro travesseiro traquinamente e lhe acertou na cabeça. Forte. ‒ Vem, Peter! ‒ convocou animada. ‒ Vamos derrubar esse gigante ‒ atacou Edward com travesseiradas. Ele se esquivou sério, protegendo a cabeça e rosto. Ela insistiu até que o desequilibrou e o derrubou no sofá. ‒ Agora vamos ao ataque de cosquinhas ‒ anunciou com bravata, pularam animadamente no sofá e atacaram suas costas e barriga.

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‒ Para, Bella! ‒ tentou se afastar, arrastando-se no sofá, mas ela e Peter permaneciam rindo, cutucando-o e bombardeando sua resistência.

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‒ Sorria. Você consegue ‒ ela espetou. As costas de Edward caíram no sofá, impotentes. Os adversários continuaram rindo e atormentando-o, as mãos cutucando sua barriga e axilas. Ele tinha muita cócegas, mas não se submeteu. Não iria rir. Não era engraçado. Pelo contrário, era irritante. Faria-os parar imediatamente.

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Em um golpe ágil, fez com que Bella caísse sobre ele e a prendeu com suas pernas, imobilizando-a. Ela gargalhou, dando gritinhos e se debateu. ‒ Trapaceiro! ‒ ralhou, dando tapinhas em seu peito. Em pé, Peter tentava fazer cócegas no pescoço do homem.

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Com os olhos cerrados, Edward rodeou-a com o braço, mudou o corpo e reprimiu-a entre ele e o encosto do sofá. Ela riu tentando escapar, ele prensou-a mais.

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Tudo mudou. Os olhos se encontraram, o sorriso nela morreu e a sensação quente que a invadiu a deixou encantada. Podia sentir correntes elétricas atravessando a pele. Roçou o pé na perna dele testando a emoção e textura dos pelos. Edward inspirou profundo, sentindo a confusão no corpo. Olhou para os lábios rosados e entreabertos, a bochecha corada pela alegria, a respiração arfante e assustou-lhe o desejo intenso de beijar seus lábios, saber se eram macios e quentes como pareciam.

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Todo o sangue do corpo concentrou-se num só lugar. Apertou-a mais, ambos respirando ofegantes. Queria mergulhar a língua em sua boca, sentir seu sabor, provar sua respiração, conferir se ela tinha o gosto tão bom como seu cheiro.

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Poderia fugir ou... se render à atração deslocada que o perturbava tanto.

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Baixou o rosto e encostou o nariz em sua bochecha, rendido. Saboreou o perfume de flores, cheirou sua boca. Ela arregalou os olhos confusa quando caiu em si e registrou o que ele fazia. Ficou imóvel.

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Um aperto forte de bracinhos magros se fechou no pescoço de Edward. O garoto rosnou, quebrando a frágil bolha. Edward olhou para trás, e Peter fazia força para puxá-lo.

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‒ Hei, o que foi? ‒ perguntou Bella, desvencilhando-se do aperto de Edward. O garoto questionou em sinais se o homem a estava fazendo mal. Ela riu. ‒ Lógico que não. Ele é fraco ‒ zombou brincalhona e sentou-se, ignorando o ocorrido confuso. ‒ Vamos continuar a brincar? ‒ puxou Peter pela cintura. Ele olhou sério e desconfiado para Edward, depois olhou questionador para Bella. Ela percebeu as dúvidas em seu olhar. Edward o tinha tratado com reservas desde que chegou. ‒ Ele é bom. Só está com saudade da mamãe dele, por isso é triste. Mas agora ele vai brincar com você, não é, tio Edward? ‒ quase suplicou a Edward.

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Edward ainda estava meio atordoado.

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‒ Vou? ‒ coçou a cabeça. Não era dado a brincadeiras, principalmente com crianças.

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‒ Vai, sim ‒ demandou e o empurrou do sofá para o chão. ‒ Deixe Peter te vencer ‒ sussurrou em seu ouvido.

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Edward sentou no chão ainda resistente. O menino o observava em inocente expectativa. Aos poucos a resistência de Edward desmanchou, deitou-se rendido no chão e estendeu a mão para Peter, chamando-o.

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‒ Vai, bebê. Acaba com ele! ‒ Bella gritou, e o garoto atacou com vontade, fazendo cócegas desajeitadas. Bella sorriu para Edward grata e aplaudiu Peter. ‒ Isso Peter. Ele não é de nada!

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O garoto ganhou mais confiança e sentou na barriga de Edward

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‒ Ah, você acha que é mais forte que eu? ‒ Edward desafiou, entrando na brincadeira. Peter concordou com um grunhido e tentou segurar suas duas mãos para imobilizá-lo. Edward escapou e rolou no chão. O menino subiu em suas costas e deu tapas em seu traseiro, fazendo sons, brincando de cavalinho.

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Isabella gargalhou ao ver a cena. A amizade entre os dois foi selada. Deixou-os à vontade e saiu sorridente para pegar água. Lembrou-se do item de decoração que comprou para Edward, pegou na sacola e colocou a escultura artesanal no aparador de entrada da sala. Era Flora, deusa das flores, feita em alumínio.

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‒ Vamos começar a trazer flores para sua vida, Edward ‒ profetizou, pegou outros souvenirs que comprou para si e resolveu dar um rumo diferente a eles. Foi ao quarto e enfeitou a mesinha ao lado da cama de Edward, divertida ao imaginar seu semblante de horror e contrariedade. Seguiu sorrindo para cozinha. Era hora de Peter comer. Pegou alguns bolinhos na sua bolsa e abriu a geladeira. ‘Aff, só tem leite e refrigerante nesta casa’. Conferiu desgostosa, derramou leite no copo e esquentou no micro-ondas.

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De volta à sala, flagrou Edward erguendo Peter no ar com seus pés, os braços e pernas do garoto abertas no ar. Admirou-lhes extasiada, perplexa com as semelhanças físicas. O formato da cabeça, testa, olhos, nariz. O garoto ria animadamente... Edward sorria.

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‒ Viu, você sabe voar ‒ Edward incentivou, entretido.

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‒ Hummm, pelo jeito os garotos se deram bem ‒ Bella aprovou com um sorriso. Edward desceu rapidamente o garoto e sentou-se desajeitado. A garota fingiu não ver seu embaraço. ‒ Senta aqui, bebê. Eu trouxe bolinho ‒ colocou o prato com bolinhos e o copo de leite no carpete. O garoto sentou. ‒ Trouxe água para você ‒ estendeu o copo para Edward. Ele tomou. ‒ Você quer bolinhos de sobremesa? Eu trouxe ‒ ofereceu e sacou algumas embalagens em sua bolsa.

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Ele olhou o plástico personalizado, desconfiado. Reconheceu-os da operação de tempos atrás.

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‒ Quem fez?

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‒ Eu, lógico ‒ garantiu e sentou-se entre os dois, as costas apoiadas no sofá. Pegou o controle e mudou para o canal da Disney.

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‒ Você que faz esses bolos? ‒ questionou acusador.

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‒ Sim. É gostoso. Experimente e pare de olhá-lo como se tivesse envenenado ‒ tomou o bolo de sua mão e encostou-o na sua boca, obrigando-o morder. ‒ Já provei que sei cozinhar maravilhosamente bem nesses três sábados seguidos ‒ defendeu presunçosa, arrumou as almofadas nas costas e deitou para assistir o programa.

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A conversa gravada por Erick aos poucos se repetiu no cérebro de Edward. Farinha de trigo, fermentos, açúcar... Balançou a cabeça cético com o engano. Julgou-a errado aquele dia. Ela pediu foi ingredientes para fazer bolos, não produto para batizar cocaína, pensou aliviado. Olhou apetecido para o bolo e o mordeu com vontade, gemendo quando um creme de laranja derramou em seus lábios.

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‒ Gostou? ‒ Bella provocou-o, sorridente.

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‒ Sim.

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‒ Faço na quinta ou sexta para levar para a casa de recuperação. São mimos para os cuidandos ‒ explicou, orgulhosa.

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‒ Por que não compra pronto?

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‒ Porque gosto de fazer. Ponho amor nas receitas, dedicação e uma prece ‒ confidenciou, sorridente. Ele olhou-a tentando subjugar a fascinação. Quem era esta garota? Nunca conheceu alguém assim.

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Peter terminou de comer e deitou-se preguiçoso nos travesseiros espalhados no carpete. Bella o ajeitou, notando seu olhar cansado de quem não tinha dormido bem à noite. Conferiu as horas, três da tarde, e argumentou para si que poderia ficar mais um pouco.

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O silêncio os envolveu. Bella assistia à TV mimando Peter com dedos nos cabelos, Peter cortejava o sono, e Edward montava um quebra cabeça mental, pensando na perfídia de Emmett ao usar os bolos de Bella para despistá-lo e brincar com ele... Também pensou no que sentiu quando a abraçou no sofá e reprovou-se. Tinha que levar adiante a empreitada de agir como alguém decente e afastá-la, mas a cada segundo perto dela sua resistência era minada com artilharia pesada: desleal encanto.

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‒ Obrigada por ter brincado com ele ‒ Bella dispôs grata. Ele olhava para o teto. ‒ Eu poderia fazer uma massagem em você ‒ ofereceu, impassível. Ele olhou-a surpreso e confuso. ‒ Você disse que estava com dor nas costas ‒ explicou tranquila. ‒ Então eu posso te massagear.

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Ele abriu a boca pronto a negar. Tinha que negar. A mão da garota deslizando sobre ele o deixaria quente e ansioso. Negaria. Ainda que não fosse algo sexual e sim medicinal, negaria. Embora realmente suas costas doessem, negaria. Na verdade, estava moído e exausto... Talvez uma massagem, ainda que fosse negar, o deixasse melhor.

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Ela notou sua relutância, sentou-se sobre as próprias coxas e desligou a TV.

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‒ Tire a camiseta e deite-se de bruços ‒ instruiu prática e adiantou-se, estendendo a mão para a barra da camiseta. Edward arrastou-se para trás, assustado com seu ar decidido e intimidador.

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Cedeu e tirou a camiseta. Bella parou o olhar no seu peitoral, digitalizando-o como se fosse a primeira vez que o via. As mulheres costumavam olhá-lo assim, óbvio, mas ela não deveria. Não podia. Era uma menina.

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Ela mordeu os lábios, entretida, e continuou explorando-o. Nunca tinha notado nele tanta masculinidade. Já o viu sem camisa antes, claro, mas sem enxergá-lo. Era-lhes inexpressivos o peitoral largo, o abdômen em v, os pelos abaixo do umbigo...Chocada com sua nova percepção, desviou o olhar.

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‒ De bruços ‒ obrigou-se a soar espontânea. Ele deitou, ainda questionando o erro daquilo. Ela puxou sua bolsa no sofá, pegou o óleo de erva-doce de Peter, derramou-o na mão, ajoelhou e espalhou-o nas costas de Edward. Ele estremeceu ao tato do líquido frio, ela supôs.

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‒ Sem resmungos ‒ exigiu brincalhona. Ficou em pé, pôs um pé nas costas do homem e mudou seu peso para cima dele.

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‒ Ai, porra ‒ ele tensionou de dor, quase a derrubando.

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Ela riu baixinho.

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‒ Relaxa, boca suja. Eu sei o que estou fazendo. Sou quase especialista em massagem Ashiatsu ‒ moveu os pés devagar em suas costas. ‒ Inspire e expire igual em yoga ‒ pediu, subiu mais um pé nas costas dele e massageou os músculos dos ombros com uma pressão suave. Ele fez uma careta de incômodo, mas não reclamou .

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‒ Como foi a festinha daquela tia sábado? ‒ perguntou para distraí-lo e alternou a pressão entre um pé e outro.

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‒ Que tia?

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‒ Aquela, com aquela cor de cabelo ‒ rolou os olhos.

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‒ Ah, normal.

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‒ Ela era só sorrisos para você. Ficou com ela? ‒ questionou direta e pisou perversamente nos ombros.

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‒ Não! ‒ ofegou de dor. Ela mudou a cadência. ‒ E você...? ‒ ele devolveu. ‒ Hoje está com o humor melhor que sábado ‒ comentou, mais relaxado. Ela não era pesada. Além disso, parecia experiente. ‒ O que te incomodava?

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‒ Um monte de coisa, mas decidi que não vou deixar a atitude de ninguém influenciar na minha.

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‒ Como assim?

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‒ Você pode ser reticente, teimoso, defensivo, mal-humorado, mas não vai mudar o que acredito. Não vou desistir de te trazer para luz ‒ acentuou zombeteira, embora quisesse que ele repensasse suas atitudes.

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Ele sentiu-se culpado por seus modos rudes. Pensou em se retratar, todavia, antes que materializasse o pensamento, retrocedeu. Todas as desculpas seriam falsas. Não podia dizer que a queria longe porque se sentia perturbado por sua presença e força emocional. Não podia dizer que às vezes a odiava por ela ser de Emmett Mattel, ou que não queria que fosse. Não podia dizer que não a via como um cuidando veria, amigo, muito menos como um imparcial policial veria.

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Não podia dizer nada.

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Após uns minutos de massagem silenciosa, ela apoiou os joelhos no carpete, com ele entre suas pernas, encheu novamente a mão de óleo e apertou os dedos no seu pescoço. Ele reclamou.

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‒ Dói? ‒ apertou mais, rindo maldosa.

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‒ Ai, porra... Um pouco.

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‒ Não deve falar palavrão perto do Peter ‒ repreendeu baixinho e castigou-o com nova pressão. Ele grunhiu. ‒ Você nunca faz massagens? ‒ ela perguntou.

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‒ Não.

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Ela desceu as mãos nas suas costas e manteve-as subindo e descendo repetidamente. Edward fechou os olhos e suspirou satisfeito. Bella diminuiu os movimentos, dedilhando com as pontas dos dedos. O clima mudou para Edward. Sua concentração voltou-se para o calor do corpo sobre ele, para a coxa da garota em sua cintura. Sentiu-a se inclinar sobre ele, as mãos macias percorreram da coluna à nuca. Seus pelos arrepiaram quando sentiu o calor da respiração no pescoço.

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‒ Apenas respire ‒ ela soprou, os dedos fazendo uma mágica. ‒ Devagar.

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As delicadas mãos desceram pela espinha e pararam na costela, onde ela fincou as unhas. Ele abriu os olhos, assustado com a conotação sexual da massagem, olhou-a por cima dos ombros, e ela encontrava-se com a boca aberta, olhos cobiçosos. Ele pensou em derrubá-la no chão, subir em cima dela e beijá-la até exorcizar o desejo. Enforcou o pensamento e buscou controle.

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Queria que ela parasse de tentá-lo. Queria muito. Queria que ela fosse embora. Ela tinha que compreender que não existia amizade entre mulher e homem. Não com ele, pelo menos. Ele era homem, não santo. Pior, não podia aceitar que as mãos que tocavam outro o acariciassem com tanto, oh, Deus, seria desejo?

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Ela não podia querê-lo.

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Ele ofegou quando sentiu um beijo em seu rosto. Uma grande parte de si desejava que ela não parasse, que tomasse iniciativas, quebrasse as regras e livrasse dele a culpa por desejá-la. Estava em conflito.

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Como se sentisse a tensão no homem, Bella saiu de cima dele e deitou-se de lado, ao seu lado. O clima era instável. Tudo era. Principalmente seus sentimentos. Ela não entendia o que a levou a ter coragem de tocá-lo de um modo mais íntimo.

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Mais uma vez ignoraram o ocorrido e recorreram ao covarde silêncio. Mas Isabella não era ingênua. Sabia distinguir sentimentos. Tudo mudou entre eles, sabia. No início realmente era cuidado, então amizade. Agora era atração. Simples assim. Mas não sabia por quê, se ele não fazia seu tipo. Era seu oposto. Aborrecido e introspectivo. O que a atraía nele? Seu corpo, seu rosto, seu cheiro. Uma parte feminina e perversa soprou em seu ouvido. Isabella olhou-o. Seus olhos azuis, sua boca, seu queixo. Enumerou. Ele era lindo e masculino, consentiu. Mas é mais velho! – ressaltou, rejeitando-o. Definitivamente não fazia seu tipo.

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O silêncio total na sala fez os três, que não tiveram uma boa noite de sono, escorregar para a inconsciência. Edward dormiu de bruços, Bella cochilou de lado e Peter dormia de costas para Bella, abraçado aos travesseiros.

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Isabella foi despertada por resmungos distantes. Edward. Ela abriu os olhos e viu a expressão enrijecida em sua face, o suor na testa. Observou-o preocupada. Tinha o mesmo sintoma de quando o encontrou na rua. Tremia e mantinha as mãos fechadas em punho. Outrora foi efeito de droga, agora o que seria?

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‒ Hei... ‒ tentou abrir sua mão, encostou a cabeça dele em seu tórax e acariciou seu cabelo. ‒ Está tudo bem ‒ sussurrou. São pesadelos, deduziu quando o viu travando o maxilar. ‒ É só um sonho... Shiu ‒ cochichou em seu ouvido, repetindo palavras de consolo.

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Aos poucos a expressão dele se suavizou, parou de tremer, ele passou os braços em volta dela e voltou a dormir. ‒ O que aconteceu com você, hein? ‒ sussurrou condoída e beijou seu cabelo gentilmente.

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Ela fechou os olhos, abraçando-o protetora. Sorveu o cheiro de seu cabelo, acariciou suas costas frias do suor e provou furtivamente o tato daquele corpo espetacular. Suspirou contente em roubar para si aquele instante. Novamente cochilou.

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Os olhos de Edward desviaram-se do lago dos seus sonhos ao ouvir que estava tudo bem. Seria sua mãe? Não. Sua mãe estava morta. Seria Rosalie? Não. Não podia. Um perfume de flores suave o envolveu. Foi embalado por batidas tranquilas de coração. O sonho mudou. Seios macios e altos deram abrigo à sua cabeça. A boca encostou-se à pele perfumada. Lambeu a fonte do perfume. Estava no céu. O melhor dos sonhos.

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Um calor úmido escorregou no colo de Isabella. Era bom, fazia cócegas. Ela flutuou na letargia adorável do sono, mas despertou com a pressão deliciosa no bico dos seios. Abriu os olhos preguiçosa e confundiu-se com a cena que flagrou. Seus seios descobertos e Edward agarrado a eles. Quis gritar, empurrá-lo, mas tudo que fez foi arregalar os olhos e sentir, petrificada.

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Era a cena mais erótica e estranha que viveu. Ele parecia um filhote possessivo mamando na mãe, soltando rosnados roucos de olhos fechados. Advertiu que ele sonhava e congelou em horrorizado estupor. Isso era errado!

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‒ Hei... ‒ sussurrou, afastou-o delicadamente e subiu a frente do tomara-que-caia. Ele teimou e baixou bruscamente, a boca caindo em mordidinhas no bico. Ela queixou-se com um gemido involuntário. Como podia ter tão pouca vergonha ao ponto de estar gostando? Era muito para sua consciência.

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Esfregou uma perna na outra, defendendo-se de uma ansiedade desconhecida torcendo no ventre. Olhou-o passivamente, sem ação, mordeu os lábios e permitiu impotente seu seio sumir na boca masculina com chupadas insaciáveis. ‒ Nossa ‒ estremeceu e puxou o ar nos dentes, a respiração arfante, o sangue bombeado a todo vapor. ‒ Você é mais inquieto dormindo ‒ apreciou subjugada. Espasmos moveram-na do chão. Ofegou indecisa se puxava o cabelo dele para longe ou se apertava mais a boca ao seu seio. Obrigou-se, com muito custo, a subir novamente a frente da blusa, sentindo-se quente e confusa. Não podia acontecer.

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Ele não reduziu o ímpeto. Passou a lamber e mordiscar famintamente o pescoço. Em estado letárgico, ela fechou os olhos e decidiu que não queria parar. Não se permitiria censura ou julgamentos. Iria apenas ser naquele instante. Esqueceu-se de que ele era alguém que precisava de ajuda. Era apenas um homem. Quente e habilidoso, não o frio e reservado. Até a forma como a perna dele encaixou-se entre as suas era estimulante e prazerosa. Parecia certo.

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‒ Hei ‒ chamou-se à lucidez quando um gemido de prazer escapou. Estava assustada com sua própria aceitação. Não podia se aproveitar do homem em seus sonhos gráficos. Embora fosse tentadora a ideia de abusar dele, não deveria... Poxa, mas ele não saberia depois...

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‒ Não! ‒ afastou-o sem vigor de seu pescoço. Ele não recuou, subiu pelo queixo e sua língua invadiu a boca, ocupando-a.

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Uma mão a prendia nas costas, outra segurou seu rosto. Ela fechou os olhos e flutuou no sabor, respirou seu gosto. Tão bom. A língua afoita e decidida investigou cada canto de sua boca. A paixão oculta por seus muros manifestou-se.

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Ela não correspondeu, apenas sentiu. Ele desceu uma mão na coxa, apertou-a, e roçou nela a potente ereção, grunhindo com os lábios tão envolvidos que suprimiam todo o som de ambos. Ela sentia-se como sacudida num redemoinho. Perdeu o ar e afastou o rosto. Ele teimou e prendeu seu lábio inferior nos dentes numa leve mordida, seguidamente recomeçou as chupadas ávidas do queixo para o pescoço.

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Meu pai, é muita informação!

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Ela arqueou instintivamente o tronco quando ele sugou seu pescoço de forma longa e atrevida dando-lhe pequenas mordidas, para logo depois voltar para a boca, faminto. Ela estava se derretendo e temeu isso, esse desejo novo e ardente.

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‒ Edward ‒ murmurou absorta quando ele invadiu o botão de seu short e os dedos tentaram descer o zíper.

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Ela notou o que ele fazia e segurou com bastante força de vontade a mão insistente do homem, forçando-se à razão diante da tempestade de sensações. Os dedos teimosos, mesmo com o pulso preso, moveram-se frenéticos em uma procura cega pelo caminho rumo ao vértice feminino. Ela mordeu os lábios fortemente para não gritar ou soltar um gemido ao sentir que ele a tocou intimamente por cima do short. Um estremecimento desconhecido a atravessou quando ele esfregou-a, desobediente. Ela arregalou os olhos, sentindo as misturas de medo e vontade, certo e errado, e o corpo suplicou para que o deixasse continuar tocando-a e estimulando-a pela primeira vez. No entanto, dando-se conta do erro, pulou fora da tentação, esmagou fortemente o punho do homem e o expulsou de lá. Empurrou-o e deu-lhe um tapinha em seu rosto.

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‒ Edward! ‒ mais dois tapinhas. ‒ Edward!

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Ele abriu os olhos desorientado, olhou-a como se visse um fantasma, depois olhou em volta, procurando se localizar. Sentou-se alarmado, demorou o olhar no pescoço de Bella e registrou manchas vermelhas. Suspeitou, quase em pânico, que talvez não tivesse sido só um sonho.

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Isabella quase podia apalpar as ondas de preocupação e horror em seus olhos e, embora estivesse nervosa e confusa, decidiu intervir.

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‒ Você estava tendo pesadelos, por isso te acordei ‒ justificou tranquila, equilibrando respiração e voz. Fechou disfarçadamente o botão do short e deitou de costas para ele, dando-lhe espaço.

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Suspirou aliviada ao notar que Peter ainda dormia profundamente. Conferiu as horas, cinco e meia, e decidiu deixá-lo dormir mais um pouco.

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‒ Com o que você sonha, que treme e fecha os punhos? ‒ ela questionou enquanto tentava se recompor desamassando a roupa. ‒ Agora já sei que daquela vez na rua era sonho, não alucinações. O que sonha?

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Edward deitou-se de lado, as pernas encolhidas para esconder o volume sob a bermuda. Ela merecia respostas. Por causa dela, seu sonho transformou-se. Em lugar de acordar se debatendo, acordou duro. Poderia acordar assim todos os dias, fantasiou, com essa deliciosa sensação de peitos na boca.

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Balançou a cabeça criticando-se pelos pensamentos vis e obrigou-se a criar um foco. A presença dela o deixava meio perdido. Não conseguia pensar com clareza. Essa porra de drama adolescente o qual vivia desde que ela entrou em sua vida o enlouquecia.

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‒ Ninguém sabe ao certo o porquê dos pesadelos ‒ explicou rouco. ‒ Acontece desde meus dezenove anos ‒ confidenciou pensativo. ‒ Normalmente traumas irreversíveis acontecem com crianças, mas comigo aconteceu adulto ‒ forçou um sorriso, mas sua tensão era clara. Bella se virou frente a ele e ambos apoiaram as cabeças nas almofadas. Os olhos dele fixaram-se no teto. ‒ Eu morava em Malibu com meus pais. Nossa casa tinha um espelho d’água cercado por arbustos e jardins ‒ pausou um tempo, o olhar distante. ‒ Um dia duas pessoas da minha casa desapareceram por mais de doze horas ‒ começou incerto. Não sabia por que resolveu se abrir.

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‒ E? ‒ a garota leu a hesitação, tocou sua mão e fez círculos na palma para distraí-lo. ‒ Avisaram a polícia? ‒ pressionou.

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Ele suspirou.

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‒ Sim... Mas só se registraria desaparecimento depois de vinte e quatro horas. Também havia evidências de que elas não tinham saído. Os carros e bolsas estavam em casa ‒ contou desolado, a dor da lembrança machucando-o. ‒ A maior preocupação é que uma delas recuperava-se do vício de cocaína. Tínhamos medo de recaídas. Procuramos em todos os locais. Quartos, jardins, quintal... ‒ ele parou. Bella estendeu a mão e deslizou nas pontas de seu cabelo, tentando confortá-lo. Ele suspirou e fechou os olhos. ‒ Sem saber mais o que fazer, eu sentei em frente ao espelho d’água e baixei a cabeça rezando para encontrá-las ‒ tomou uma respiração profunda. Bella pressentiu que agora viria a parte mais difícil. ‒ Depois de um tempo, eu notei um rosto na água ‒ sussurrou. ‒ Parecia alucinação. Eu toquei a água em pânico e congelei com a certeza ‒ ofegou trêmulo. Ela aumentou a pressão dos dedos, notando sua vulnerabilidade. Não queria ressuscitar sua dor. Talvez fosse esse o motivo de ele ter entrado nas drogas, pensou.

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Bella segurou seu queixo na mão e o fez olhar para ela.

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‒ Tudo bem, Edward. Passou ‒ sussurrou preocupada.

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Ele continuou, sem olhar em seus olhos.

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‒ Ela não sabia nadar, então para mim há duas hipóteses. Assassinato ou suicídio. O caso foi arquivado como afogamento por acidente, mas eu não aceito ‒ acentuou revoltado.

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‒ Passou, Edward ‒ interrompeu-o comovida. ‒ Você devia esquecer ‒ aproximou-se e o abraçou, a cabeça dele abaixo de seu queixo. ‒ Lembranças ruins devem ser esquecidas.

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‒ Se esquecer, não terei forças de lutar ‒ defendeu, introspectivo, repetindo para si que jamais permitiria que algo ou alguém se interpusesse entre ele e o que ansiava.

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Bella o apertou no abraço pesarosa. Ele rendeu-se e a abraçou de volta, os braços envolvendo sua cintura fortemente. A recordação o deixava vulnerável. Queria poder esquecer. Mas ao mudar o foco da lembrança e concentrar-se no calor do corpo macio, percebeu a intimidade do abraço e deu um olhar incrédulo para seu eu. Como podia ser tão fraco? Estar abraçado a ela era a traição máxima consigo. Mesmo achando-a contagiante, era difícil abandonar a ideia preconcebida de que não deviam ser próximos. Ele queria voltar um mês atrás e apagar tudo. Não podia aceitar que os mesmo braços que abraçavam Emmett lhe cobrissem de ternura.

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Bella quebrou o silêncio ao senti-lo recuar e afastar-se.

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‒ Foi triste o que aconteceu com você. Às vezes passamos por coisas que nem sabemos o porquê... Aparentemente é tudo tão injusto. Mas quem somos nós para questionar nossa sorte ou o plano de Deus? Resta-nos aceitar, absorver as lições e seguir em frente, tentando ser feliz a cada dia.

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‒ Não existe felicidade, Bella. As pessoas mentem que são felizes ‒ salientou amargo e sentou-se numa distância segura.

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‒ Mas elas pelo menos tentam ‒ argumentou e também se sentou. ‒ Você devia tentar, não se fechar e se autodestruir como vem fazendo. Quando você não acredita na felicidade, está riscando sua existência do mundo.

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‒ Há, e como ser feliz? ‒ questionou cético. Fazia tempos que não sentia o que era isso.

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‒ Não tem uma receita. Mas ser feliz é um estado de espírito. Você tem que decidir ser.

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‒ Você é? ‒ quis saber.

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‒ Sim ‒ disse sinceramente. ‒ Hoje mais ainda ‒ garantiu com um sorriso misterioso.

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‒ Por que hoje?

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‒ Porque hoje eu tenho você ‒ declarou naturalmente e apertou sua bochecha. Não podia dizer que ele trouxe à tona um lado que desconhecia. Não. Não deveria pressioná-lo com sua fascinação adolescente. Deixaria os dias seguirem, e o que tivesse de ser, seria. Virou em direção a Peter e se inclinou sobre ele. ‒ Acorda, dorminhoco ‒ chamou enquanto o cobria de beijinhos na nuca.

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O garoto despertou com um sorriso e abraçou Bella. Disse por linguagem de sinais que queria ir ao banheiro. Ela o levantou no colo, com pernas abertas em sua cintura e o levou para o banheiro do quarto. Edward dobrou o lençol e recolheu os travesseiros. Terminou de organizar tudo e foi para o quarto. Bella penteava o cabelo e conversava com o garoto.

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‒ Todos lá em casa já devem estar doidos procurando por nós ‒ ela inclinou-se em frente ao espelho e sorriu ao ver as manchinhas vermelhas no pescoço e ombro, pensando em como maquiá-las. Ainda podia sentir certo formigamento ao lembrar-se do modo como ele a beijou. Passou os dedos no local distraidamente e encontrou os olhos de Edward observando-a pelo espelho. Desviou o olhar, inclinou-se e fechou o zíper de Peter, que a esperava segurando a bermuda jeans. ‒ Aff, seu pi-pi é torto, é? ‒ levantou o mindinho no ar, brincalhona. ‒ Ah, não Peter! ‒ ralhou com voz fininha. ‒ Você fez pipi na bermuda. Tem que aprender a segurar direito ‒ reclamou e arrastou o nariz no nariz do garoto.

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Edward não pôde evitar sorrir dela. Mesmo tão nova, era uma mãe perfeita para o garoto. Divertida e atenciosa.

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‒ Me espere na sala que eu já vou ‒ deu um tapinha no bumbum do garoto, inclinou-se frente ao espelho novamente e passou gloss. Recolheu seus itens em sua bolsa e se virou para Edward. ‒ Estou bonita? ‒ aproximou-se dele.

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‒ Sim ‒ deu um passo atrás, seus olhos o traindo nos lábios brilhosos e no cheiro de tutti-fruti.

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Então era dali que vinha o cheiro?

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‒ Foi ótima nossa tarde ‒ Bella notou seu olhar e se lembrou do beijo afoito. Não parecia ser do mesmo homem à frente.

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‒ Er, sim, foi ‒ concedeu, incomodado com a tensão.

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‒ Então tchau ‒ deu um beijo demorado ao lado de sua boca. Ele suspirou. Logo que ela se afastou, ele limpou o gloss e experimentou-o enquanto a seguia até a sala. ‒ Dá tchau para o tio Edward, Peter. Diga que foi um prazer conhecê-lo ‒ encorajou-o. Peter levantou os dedos no ar e sinalizou.

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Ela calçou as botas na sala e saiu segurando a mão de Peter, frustrada com a falta de calor na despedida. Custava ele dizer: Obrigado pelo almoço, valeu pela massagem; ou mesmo ter atos cavalheiros como abrir a porta, chamar o elevador? Meu Deus, ele é um tosco!

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Enquanto dirigia para casa, pensou no que conversou com Alice de manhã e no que aconteceu à tarde. Foi incrível. Queria soltar gritinhos, embora se sentisse confusa com o que sentiu; se foi paixão ou novidade da descoberta. Teria que experimentar novamente para ter certeza, concluiu sorridente, enquanto batia os dedos no volante. De preferência, com ele dormindo, já que era tão comedido quando acordado.

Notas finais
Oie!!!Obrigada por todos os incentivos e palavras de apoio.Grande beijo.Amanhã ou domingo posto o restante.Já conhecem a comu? Os capítulos saem primeiro lá. Basta cadastrar o email que o capítulo chega p vcs, mas não se esqueçam de vir aqui comentar, se não fica com poucos coments aqui.http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=98954049Bjus e bom FDSBia Braz.