Flor de Lótus-edward e Bella
17 Capítulo 16- Medo
Capítulo 16- Medo
Não deixe o mundo ditar quem você é, tampouco reger seus sentimentos.BB.
Por ser a última semana de férias, Bella curtiu naquela manhã de sexta o último dia do curso intensivo de pintura que fazia com Peter. Mais tarde, sentou-se com Peter no banco do jardim de sua casa e tocaram a nona sinfonia de Beethoven na flauta, fazendo um dueto. Peter podia ser somente um iniciante, mas acompanhava o ritmo com desenvoltura. Desde que Bella trocou de Psicóloga, esta lhe pediu que praticassem atividades cognitivas que estimulassem Peter a comunicar-se com o externo, fosse por meio da música, ou por meio da arte, atos que certamente exporiam suas emoções. Logo, Bella passou as férias se dedicando a isso.
Sorria para o garoto, sentados borboleta um em frente ao outro, quando foi interrompida por Alice, que chegou ofegante ao jardim.
“Bella, tem um homem lá dentro falando sobre você com a minha mãe.” Disparou num fôlego só. Bella parou de tocar e ergueu o olhar, curiosa.
“Quem?”
“Não sei. Mas não se preocupe. Não deve ser ninguém da parte de sua mãe. Esse tem jeito de fino, intelectual, rico. Ele chegou de motorista.”
“Fica aqui, bebê, que Bella vai ver quem é.” Deixou a flauta e as cifras no banco, pegou na mão de Alice e caminharam em passinhos leves até o corredor próximo ao local onde Esme recebia o homem.
“Você poderia ir também, se fosse o caso...” Ouviu uma voz serena. Colocaram mais a cabeça ao lado da porta e espiaram de quem se tratava. Era um homem louro e alto. Bella teve uma vaga impressão de conhecê-lo. Ele continuou. “...Não há porque negar. Ela estará sob minha responsabilidade.” Argumentou com um sorriso torto, charmoso e familiar. Imediatamente Bella o reconheceu, em choque.
“Por que seu filho não veio com o senhor? Eu ainda não o conheço.” Esme perguntou de uma forma contida, parecia sem jeito.
“Porque ele está na Capital do país, fazendo curso.”
“Ah, Bella nunca fala dele.” Refletiu. “Um dia ela disse que iria trazê-lo para jantar, mas ele nunca apareceu. Crianças...” Sorriu
“Será que ela vai negar?” Bella sibilou no ouvido de Alice. “Ele é o pai de Edward. Deve ter vindo me convidar para algo... Engraçado, Edward não me avisou nada.”
“Pelo jeito ela já negou.” Alice respondeu com uma torcida de lábio.
“Ah, não, eu quero ir.” Resmungou e cruzou os braços, chateada pela negativa da tia.
“Mas você nem sabe direito o que é.” Alice argumentou com um cochicho.
“Deve ser algo importante para Edward ter mandado o pai vir pessoalmente.”
Esme continuou o assunto, mas não sem antes dar uma disfarçada olhada para a própria roupa, ficando automaticamente embaraçada ao perceber que vestia roupas caseiras, um short de lycra e blusa regata. Sem jeito, encolheu-se no sofá e pôs uma almofada sobre as pernas, continuando a conversar.
“... Ele deve estar preocupado com o que vai encontrar aqui. Adolescentes sempre ficam receosos... O problema é o irmão dela. Este é muito ciumento.”
O pai de Edward pareceu desconfortável com o assunto. Bella imaginou o porquê. Tia Esme estava referindo-se a Edward como se ele fosse um adolescente.
“Eu até aprecio o senhor ter vindo aqui pedir, pois recentemente a bonitinha simplesmente foi dormir na casa de vocês e nem mesmo me pediu. Mas dessa vez eu não posso deixá-la...”
Ao pressentir a negativa aparentemente incontestável da tia, Bella tomou fôlego, obrigou-se a sair do esconderijo e atravessou a sala. “Oi, tio!” Pôs o braço em volta do pescoço do juiz espontâneamente e lhe deu um beijo no rosto, como se conhecesse há tempos. Ele foi pego de surpresa, segurou em suas costas e olhou-a com o cenho franzido. “Como vai o senhor?”
“Vou bem.” Respondeu no automático e deliberadamente avaliou-a com olhos cerrados. A menina usava um shortinho amarelo de ficar em casa, um top vermelho e os cabelos amarrado em rabo de cavalo. O juiz não acreditou que Edward fora capaz de envolver-se com aquela criança.
“Então, o Edward mandou me buscar?” Perguntou com confiança e não o esperou responder. “Eu já vou arrumar minhas coisas.” Afastou-se e fez menção de subir a escada.
“Bella... “ A tia interrompeu-a. “Mas eu não deixei v...”
“Por quê?” Contrapôs determinada. “Eu já até durmo com ele. Não vejo porquê você negar que eu vá com o pai dele.” Argumentou dócil. Carlisle abriu a boca perplexo com o que ouviu no meio e novamente avaliou-a, descrente de que Edward tivesse... Deus, seria possível?
“Você está sob minha responsabilidade.” Esme explicou calma. “Você é menor e não pode simplesmente viajar com... ”
“Viajar?” Interrompeu boquiaberta, entre chocada e assustada, fitando o juiz, que observava com incredulidade cada uma das expressões obstinadas a frente. Conturbado, ele dizia para si que só fazia aquilo para dar um voto de confiança a Edward, mas encontrava-se atônito ao deparar-se com a situação real. Deus, uma criança! Resolvida, mas ainda uma criança.
Após recuperar-se do susto de ser convidada para uma viagem, Bella voltou ao tema, decidida. “Por que não posso viajar? Você sabe que, teoricamente, tenho idade para cruzar o continente.” Teimou, sem dar chance de refutação, recebendo no mesmo instante um olhar reprovador de Esme.
Bella sabia que, para a tia, o problema não era sua idade, mas sim, o fato de sair com um estranho. Por mais que Esme quisesse não desconfiar do homem que exalava seriedade a frente, temia confiar nos homens, no geral. Para ela, quanto mais poderosos, mais subjulgavam meninas novinhas e inocentes. Com seus 34 anos, já viveu tempo suficiente para adquirir experiência nesse campo.
Vendo a luta em seus olhos, Bella antecipou-se em sugerir uma solução. “Alice pode ir também, se esse for o problema.” Sugeriu ansiosa. “Ela já é legalmente maior, se o problema for isso. Pode cuidar de mim.” Insistiu manhosa. Alice, que estava na porta, apontou para si com uma negativa muda no rosto. “Ah, Alice. É uma boa idéia.” Fez careta para Alice, insistindo apoio com o olhar, depois virou-se novamente em direção a tia “Por favor, tia. Esses dias eu fui para o estado de Washington e passei três dias por lá. Dessa vez, vou ficar fora só hoje e...” Virou-se para Carlisle, incerta da resposta. Ele ainda a inspencionava analiticamente, julgando suas mínimas atitudes. “Quando nós iremos voltar, tio?” Perguntou com um sorriso interesseiro.
Ele hesitou, um pouco irresoluto em seguir adiante. No entanto, agora via ser quase impossivel voltar atrás tendo essa garota voluntariosa como pivô. A menina não parecia disposta a desistir enquanto não manobrasse a situação. E ele queria ver no que iria dar.
“Creio que o ideal é deixar Nevada no domingo pela manhã.” Sugeriu. “Amanhã ocorrerá o casamento às cinco horas, portanto a festa deve se estender por toda a noite.”
“Por que vocês não podem ir somente amanhã?” Esme tentou, ainda que consciente da causa perdida.
“Porque hoje à noite a noiva oferece uma recepçãozinha para amigos íntimos e familiares.” Explicou com um sorriso persuasivo.
“Hmmm.” Esme ponderou, ainda relutante.
“Por favor, por favor, por favor.” A adolescente juntou as mãos em preces e deu pulinhos insistentes, com olhar de súplica, e não notou que o pai de Edward a encarava como um cientista em frente ao microscópio.
“Deixe-a ir, senhora Esme.” Intercedeu charmoso.
“Senhorita.” Corrigiu distraída com os olhos azuis que a fitavam. “Ok. Vocês vão.” Suspirou vencida. “Mas o Peter fica comigo. Não vou passar o fim de semana sozinha.” Impôs, com um sorriso rendido.
“Tudo bem.” Bella assentiu sem ânimo. Não tinha cogitado deixar Peter, mas como estava de férias e passou boas semanas com ele, a culpa por deixá-lo era menor. “Obrigada.” Sentou no braço do sofá e beijou bajuladora o rosto na tia. Esme virou o rosto, fugindo. “Obrigada, obrigada, obrigada!” A menina beijou de novo, insistente ao ver a tia encabulada, e espalhou beijos molhados em seu rosto. A seguir, afastou-se, puxou a mão de Alice e subiram as escadas correndo, deixando Esme e Carlisle estupefatos pelo pequeno furacãozinho que passou por lá.
“Ela é sempre assim?” O juiz perguntou logo que as viu sumir no segundo andar.
Esme sorriu. “Desde criança. Quando ela faz aquela carinha, não tem quem consiga lhe negar algo.” Explicou com olhar maternal. “Mas fale-me de seu filho. Em qual curso ele se gradua?”
Carlisle engasgou e encostou as costas no sofá, indeciso de qual resposta dar, invadido pela sensação de pisar em ovos. “Química. E a outra adolescente?” Evadiu-se propositalmente. Era dificil aceitar a situação que submeteu-se por um capricho do filho. “Ela é sua irmã caçula, não? Parece-se muito com você.” Comentou amistosamente, longe de flertes ou segundas intenções.
“Não. É minha filha. Eu a tive com dezesseis anos.”
“Devem dar muito trabalho juntas.”
“Até que não. São ótimas companhias.” E passou os instantes seguintes explicando com prazer as alegrias de ter adolescentes em casa, deixando-o admirado pelo afeto em suas narrativas.
Enquanto ela falava, Carlisle olhou em volta e observou distraidamente as cores que compunham a decoração da casa. Era um ambiente feminino, com quadros de cores vivas e adesivos de sol e corações na parede das escadas, sugerindo uma atmosfera alegre. O sofá era de um lilás claro com uma grande rosa vermelha no centro, daqueles tipos que se afunda confortavelmente, induz a levantar os pés no puff, jogar os livros de lado e simplesmente curtir a sensação de não fazer nada. Não parecia em nada ter um homem residindo ali. Era longe de ser comparada a decoração masculina de sua casa ou dos apartamentos dos filhos, que foram arquitetadamente projetados com cores frias e decorações suscintas. Por outro lado, sua filha Rosalie, se estivesse viva, teria adorado aquela casa, o tipo de móveis, as cores nas paredes, pensou com nostalgia. A casa parecia ter sido projetada pensando nela.
Esme chamou-o gentilmente até a cozinha e lhe preparou um café. Ele seguiu-a contemplativo e disse para si que certamente seu garoto Emmett se sentia acolhido e amado naquela casa.
Uma hora depois, as duas meninas desceram com duas malas como se fossem passar um mês fora. Bella passou direto para o jardim a fim de despedir-se de Peter e Alice esperou-a na sala.
“Olha só.” Inclinou-se para ficar da mesma altura que Peter, com o coração na mão de saudade antecipada. Era inusitado passar mais de um dia sem ele. “Vou dormir fora hoje e amanhã, mas domingo estarei aqui e levarei você para passear com o tio Du, tudo bem?” O garoto levantou o polegar no ar, concordando. “Tem certeza que vai ficar tudo bem?” Perguntou triste. Peter parecia sair-se muito melhor que ela. “Então tchau.” Levantou o dedinho mindinho no ar. “Te amo. Cuida da tia Esme.” Disse com a voz fininha. Ele assentiu mais uma vez, ela inclinou-se, abraçou-o forte e ficaram um tempo abraçados. Ao separarem-se, o menino pediu para mandar um oi para o tio Du. Ela concordou e afastou-se, já com lágrimas nos olhos por deixá-lo.
No avião, enquanto Carlisle lia um livro, as primas conversavam baixo, embora Alice não estivesse de todo animada. O juiz olhava-as furtivamente vez ou outra, sempre perguntando-se o que o filho intencionava. Após um tempo, depois de muito debater mentalmente hipóteses, notou a adolescente levantar-se de seu banco e sentar-se cordialmente ao seu lado.
“Você quase não vai ao AP do Edward. Podia ir lá almoçar conosco qualquer fim de semana desses.” Propôs naturalmente, de pernas cruzadas, enquanto balançava o pé tranquilamente no ar.
“Almoçar com vocês?” Repetiu cético e jogou a revista jurídica de lado.
“Sim. Você gosta de peixe?” Quis saber, animada. “Sei fazer um cação muito bom.”
“Er, eu gosto.”
“Então vou fazer um para o senhor!” Propôs triunfante e, depois de forçar a barra, passou a lhe perguntar à vontade sobre o seu trabalho, comentou casos que protagonizavam a mídia. Ele respondeu atencioso, esquecendo em alguns momentos que idade ela tinha. E, contente com o desenvolver da conversa, ela sentou-se meio de lado e observou-o atentamente, analisando nesse tempo seus traços: as sobrancelhas bem feitas, os olhos azuis, nariz fino. De algum modo, os cabelos louros e olhos lembravam Peter. Será que já era saudade de seu garoto? Sorriu e teve vontade de bagunçar aquele cabelo meticulosamente penteado para trás. Ele também tinha traços muito parecidos com os do Edward. O queixo firme, sorriso torto, olhar enigmático. Será que Edward ficaria bonito assim quando fosse mais velho?
“Sabe que você parece com o meu Edward.” Comentou com olhar sonhador e sorriso apaixonado.
“Seu?” Citou com bom humor.
“Sim. Meu.” Sorriu convicta. “Mas eu gosto mais do cabelo dele.” Piscou e fechou a mão para suprimir a vontade de bagunçar traquinamente o cabelo do sogro.
Ele notou um olhar diferente ao falar de seu filho e, no fundo do coração, gostou disso. Sentiu que, embora estapafúrdio, era verdadeiro o sentimento da menina pelo filho. Será que era recíproco?
“Ah é?” Carlisle sorriu de canto e passou inconscientemente a mão no cabelo, gesto igual ao do filho.
“E a mãe dele? Parecia-se com ele?” Perguntou curiosa. Já que com Edward era difícil falar da mãe, queria descobrir mais informações por meio do pai.
Carlisle retraiu-se e fechou o sorriso, lembrando-se automaticamente que Edward pediu que não falasse sobre a família.
“Sim. Parece-se com ela no jeito reservado.” Respondeu com uma torcida de lábios.
Bella percebeu que não era um assunto bem-vindo e suspirou, frustrada.
“Ah, ele também não gosta de falar sobre ela. Deve ter sofrido muito com sua perda.”
“E sofreu.” Admitiu baixo.
“Que tal jogarmos xadrez?” Propôs para mudar de assunto, ao ver seu claro desconforto.
“Hmmm.” Ele acompanhou seu olhar, parando na mesa de jogos próxima. “Estamos quase chegando.” Evadiu-se com um pretexto.
“Ah...” Deu um muxoxo ao ter suas tentativas de intercâmbio sem êxito.
Ele observou-a complacente. “Mas eu fico te devendo uma partida. Se tivermos um tempo, levo você para me acompanhar no pôquer hoje à noite.” Prometeu com um sorriso paternal, perguntando-se o que ela tinha que era tão difícil lhe fazer pouco caso.
“Ah, boa idéia!” Levantou-se elétrica. “Posso ir lá na cabine?”
“Lógico.” Sorriu e voltou a ler sua revista.
“Vamos ali, Alice.” Puxou animada a prima rumo a sala de controle e lá fez com que o piloto, contagiado por sua graça, lhes explicasse tudo sobre o pequeno avião. Mais tarde, quando sobrevoavam Las Vegas, Carlisle teve a impressão de levar uma alienígena a bordo. Bella deu gritinhos quando viu as luzes coloridas de início de noite e passou a tagarelar entusiasticamente sobre roupas, sapatos, maquiagens, tentando assim contagiar a prima.
Com um mover de cabeça para os lados, ele se perguntou como alguém vinha a Las Vegas preocupado com outra coisa que não fosse jogos. Ai, ai, mulheres. Ou melhor, crianças.
Após acomodarem-se no apartamento que o juiz reservou para elas, as meninas arrumaram-se e subiram no horário marcado. Ao entrar no salão, Bella assustou-se com o glamour que as esperava, quando o pai de Edward disse que era somente uma recepçãozinha para íntimos. Ficaram meio perdidas, sentindo-se peixes fora d’àgua, principalmente ao comparar as distintas roupas que usavam com o tipo usado no local.
“Aff, eu não imaginava que era traje de noite.” Alice reclamou, apontando para o vestido preto curto que usava, depois pegou um champagne que o garçom uniformizado ofereceu.
“Nem eu.” Bella fez uma careta e olhou ansiosa para a porta, percebendo nesse instante a entrada da ex-psicóloga de Peter, Rachell, em um vestido vinho longo, o cabelo preso em um coque, e salto bem alto. “Alice, você não pode beber!” Bella protestou ao ver que a prima bebia para relaxar, e ela não tinha o que fazer para driblar seu nervosismo, a não ser esperar e ver o que a noite ia dar.
“Posso sim. Já fiz dezoito, esqueceu?”
“Mas bebidas só são permitidas aos vinte e um.”
“Somente em festas públicas. Festas particulares pode. Além disso, Bella, não seja chata. Estamos em Las Vegas: A cidade do pecado. Aqui pode tudo. E quer saber? Eu só vim para essa festa chata por causa de você.” Disse e bebeu um grande gole.
“Também não precisa desse mau-humor.” Cruzou os braços e encolheu-se preocupada em estar vestida inapropriadamente. Será que embaraçaria Edward?
Depois de muito pensar, disse para si que vestia-se adequada a sua idade. Não ia deixar que o exterior lhe influenciasse e ditasse quem ela devia ser ou vestir. Depois de declarar isso, relaxou. Não estavam vexatórias ou horrorosas. Vestiam-se normais. Alice usava um preto mulamanca, curto e tinha o cabelo solto, com o novo novo corte que havia feito. Não usava mais cabelo longo, como Bella. Seu corte agora era curto e espetado. Já Bella, usava um delicado vestido drapeado de tafetá rosa bebê, tomara-que-caia, com uma faixa preta na cintura. Usava o cabelo solto, preso somente com duas presilhas de borboletas em cada um dos lados. E sua maquiagem era rosa e preta.
O salão já se encontrava movimentado, com muitos grupos conversando, enquanto uma música era tocada pela orquestra. Bella ainda olhava ansiosa para a porta, quando um rapaz louro, elegante, de olhos azuis, com o cabelo penteado com gel para trás, cumprimentou-as.
“Vocês eu não conheço.” Disse amistosamente e pôs a mão no ombro de Alice. “São primas da Maria?”
“Não. Somos penetras.” Alice resmungou insociável. Ele avaliou Alice interessado da cabeça aos pés, e após ver o bico que ela fazia, sorriu divertido.
“É dificil acreditar. Se fosse penetra, estaria aproveitando.” Brincou espontâneo. “Mas de qualquer maneira, sintam-se à vontade.” Saiu com um sorriso educado e cumprimentou a mesa próxima.
“O primeiro homem bonito que vi por aqui.” Alice comentou indiferente.
“Também achei ele bonito.” Bella avaliou-o achando-o familiar.
“Mas quem gosta de velho é você.” Torceu o bico, carrancuda.
“Ele não parece tão velho.” Opôs-se tranquila, tentando não ligar para o mau-humor da prima.
“Todo mundo para você é novinho agora.”
“Ai, Alice, chega de rabugice. Desculpe ter te obrigado a vir.” Cruzou os braços e deu passos para longe dela, a fim de caminhar um pouco para distrair-se, já que também estava inanimada. Foi com alívio que, após dar uma volta pelo salão admirando a decoração e quadros do ambiente, observou Edward cruzar a porta, olhando para todos os lados, para por fim olhar em sua direção, como se tivesse sido atraído por um imã.
A menina suspirou longamente, igual cenas de filme romântico, e sentiu a pulsação correr. Ele aproximou-se, parou em sua frente, vestido num elegante terno preto, o cabelo em gel penteado para trás. Encarou-a com os olhos azuis entrecerrados, tocou sua mão e levou aos lábios.
“Oi.” Sussurrou, enquanto a beijava nas costas da mão, com um sorriso torto.
“Oi.” Ofegou e desejou abraçá-lo, emocionada por finalmente ter uma chance de estar em seu mundo. “Você demorou.” Comentou num murmúrio, indecisa se podia enlaçar o seu pescoço. Ele estava tão formal...
“Atrasei-me... Que bom que veio.” Olhou-a intensamente, como se só tivesse ela no ambiente.
“Não foi fácil. Só vim porque obriguei Alice a vir. Minha tia não iria deixar.” Sorriu com leveza e notou que ele desceu o olhar por sua roupa. Preocupada em não ter agradado, adiantou-se em justificar. “Você não me avisou antes. Podia ter dito ontem no telefone ou ter passado uma mensagem hoje pela manhã. Eu teria comprado algo de noite para vestir. Nunca fui a festas assim. ”
“Você já é linda.” Deu um sorriso lisonjeiro, mas não a convenceu. Ela já tinha percebido antes que ele não era de todo feliz com o modo que vestia. Entretanto, ele tinha que aceitá-la como era. Não queria mudar.
“E aí...” Perguntou ansiosa. Era a primeira vez que saíam para um evento público. A primeira vez que seria apresentada a alguém como sua namorada. Estava contente ante a perspectiva. “Como vai ser? Você tem amigos aqui? Vai me apresentar a seus familiares?”
“Eu não tenho parentes, nem amigos aqui, a não ser meu pai e irmão.” Explicou, olhou para o lado e notou alguns rostos familiares, fossem juízes amigos de seu pai ou conhecidos da Califórnia. O jantar que julgou que seria simples, tinha um número grande de pessoas. Inferiu naquele instante que certamente a exposição dos dois desencadearia uma série de problemas, principalmente por ela chamar tanta atenção com sua juventude. Logo, acovardado, retraiu-se da decisão que tomou antes. “Eu queria te pedir algo...” Sussurrou e rezou que ela entendesse o que ele pediria.
“O quê?”Juntou as sobrancelhas com suspicácia ao ver o tom cauteloso de sua voz.
“Queria que fôssemos discretos esta noite.”
“Como assim?” Perguntou inocente. Segundos depois seu cérebro trabalhou intensamente em cima da sugestão e chegou a conclusão do motivo antes mesmo que a explicação viesse. Ele não queria ser visto com ela, deduziu. E imediatamente ficou magoada.
Sobretudo, reuniu toda dignidade que tinha, ergueu o queixo orgulhosa, tentando esconder a frustração, e deu um sorriso fraco, consentindo. “Tudo bem.”
“Tudo bem?” Repetiu, sentiu que ela puxou a mão que estava dentro da sua e deixou-a ao lado do corpo, tensa.
“Sem problema.”
“Tem mais uma coisa...”
“Fale.” Pediu e sentiu a ansiedade na boca do estômago, fazendo-a ofegar nervosa com a intuição de que não gostaria do que iria ouvir.
“Seria bom que vocês não chamassem atenção. Eu já vi você e sua prima em festas e sei que constumam ser o centro das atenções.”
“Traduzindo: fique invisível. ” Completou friamente. O coração lhe pulsava forte no peito e sentia um pouco de náuseas. “Você acha mesmo que eu não sei me comportar em público?” Questionou-o ressentida. Por mais sólida e adulta que tentasse ser, ainda era uma adolescente, e esse fato justificava seus pontos débeis em situações inusitadas como essa.
Antes que ele elaborasse uma explicação razoável, foram interrompidos.
“Oi, Edward!!!” Animada, Maria se pôs entre os dois, o abraçou e beijou no rosto, pendurando-se em um ombro. “Saudade de você! Meu cunhadinho continua gostoso.” Comentou baixo, mas de uma altura que Bella pode ouvir, e passou a mão maliciosamente em seu peitoral. Edward afastou-a constrangido e olhou sem jeito para Bella.
“Oi, Maria. Er, esta é Bella.” Apontou para a adolescente, que a cada segundo percebia que poderia se arrepender muito por ter vindo.
“Quem é?” Maria apontou para ela indiferente. “Eu a conheço?”
Bella adiantou-se, incapaz de aguentar a humilhação de vê-lo embaraçar-se para apresentá-la. “Sou uma conhecida. Sua festa está linda.” Deu um sorriso falso, disposta a manter a postura.
“Ah, obrigada.” Avaliou a menina da cabeça aos pés. “Você veio com quem?”
“Com o sr. Cullen.” Apressou-se em dizer. Edward procurava o seu olhar, mas não o olhou mais.
“Ah, esse tio Carlisle é danadinho. No mínimo você deve ser filha de alguma namorada nova dele.” Deu um tapinha no ombro de Bella. A menina somente forçou um sorriso educado, sem interesse em desenvolver o comentário.
“Vem, Edward, que sua parceira está te esperando.” Maria colocou a mão no braço de Edward e puxou-o, quando mais uma pessoa foi adicionada ao grupo.
“Olá, Edward. Que bom que chegou. Pensei que não vinha.” Rachell cumprimentou-o e apossou-se do lado livre, ato seguido ergueu-se e deu-lhe um selinho longo na boca. No primeiro intante, Edward congelou surpreendido, depois afastou-a gentilmente pelo ombro.
“Boa noite, Rachell.”
“Rachell, eu estáva falando de você!” Maria virou-se para a amiga, isolando Bella do grupo. “Está aí seu parceiro. Agora não vai mais poder reclamar de ficar sozinha.” Deu as costas e saiu, deixando os três em situação embaraçosa.
“Maria disse que talvez você não viesse, mas ora lá, você está aqui!” Rachell disse e pôs as duas mãos em volta de seu pescoço, possessivamente. “Ainda somos padrinhos, não?” Perguntou entusiasmada, e só então notou aonde o olhar distante dele estava. Acompanhou-o e enfim percebeu a presença de Bella próxima a eles.
“Olá, Flor.” Afastou-se dele e cumprimentou-a com curiosidade e prepotência, enquanto ainda apoiava-se com um braço no ombro de Edward.
“Oi.” Bella respondeu com a postura ereta, o queixo erguido com valentia, ainda que sentisse uma mescla de comoção e horror pelo ocorrido ultrajante.
“Com quem você veio?” Olhou-a com desdém, de cima abaixo.
“Não acho que isso seja da sua conta, tia Rachell.” Respondeu tranquila, com feroz orgulho. “Mas se quer mesmo saber, vim com o tio Carlisle. Até mais.” E deu as costas, caminhando a seguir até Alice, sem perder a pose. Será que se fechasse os olhos fervorosamente e pedisse com muita fé a roedora de ossos desapareceria?
Com o ar preso na garganta, tentou controlar a ansiedade que resolveu embrulhar seu estômago e não ousou olhar para eles depois que Rachell apossou-se dele. Se ele não se impôs, quem era ela para reividicá-lo? Via agora a dificuldade que seria o relacionamento fora de quatro paredes. Edward não era homem suficiente para enfrentar as dificuldades, e ela não aguentaria a exclusão.
“Quem eram elas, Bella?” Alice perguntou após ter assistido a cena de longe, notando que a prima chegou com uma palidez cadavérica cobrindo suas feições,.
“Uma delas era a noiva descarada que te falei dias atrás. A outra é uma ex, que não larga o osso. Pelo jeito as bruxas resolveram atacar.” Respondeu chateada e sentou-se ao lado de Alice em uma mesa, servindo-se depois de um canapé que o garçom lhe servia.
“Ninguém mexe com minha prima. Se você quiser, podemos declarar caça às bruxas.” Alice propôs com ar conspirador e mordeu um canapé, com um brilho genioso no olhar.“Seria interessante agitar essa festa.”
“Não. Elas não vão ditar minhas ações.” Negou convicta.
“Ah, e você vai ficar ae fria como um pepino?!” Perguntou indignada.
“Não sei... Talvez eu faça um boneco de vodu.” Piscou forçando um sorriso no rosto e espetou brincando um garfo no suflê de milho que tinha na mesa.
Alice sorriu a primeira vez na noite. “Às vezes eu invejo seu controle emocional e segurança.” Comentou solícita. Não gostava de ver a florzinha da família triste.
“Você acha que eu estou segura agora, vendo o cara que eu acho que namoro sendo agarrado por outra mulher?” Bella sorriu com tristeza e observou furtivamente o casal no fim do salão. “Não é fácil. Minha vontade é dar uns tapas na cara dele para ver se ele acorda e dá um chega pra lá na cabelo de fogo. Mas fazer o quê?” Suspirou frustrada, refugiou-se em si mesma e levantou um escudo mental.
Carlisle, que também assistiu a cena, observou o filho ser asfixiado pela insistente Rachell e olhou compadecido para as meninas que isolaram-se no canto. Admirou a postura firme de Bella. Se fosse somente uma adolescente fútil e mimada, certamente faria cena ao ver o suposto namorado ser arrastado por outra. Mas não. Ela portou-se superior e agiu tranquilamente.
Com um bufo irritado pelo que ocorria, o juiz amaldiçoou mentalmente o filho por submetê-la a situação assim, criticando atitudes e intenções, depois pediu licença aos dois colegas juízes que conversava e, decidido, caminhou em direção às meninas.
“Crianças, vocês podem me acompanhar?” Chamou-as com um sorriso paternal. Elas assentiram desentendidas, ele apoiou gentilmente cada um dos braços por cima dos seus ombros e caminharam no salão. “Os netos de um amigo meu estão aqui.” Explicou simpaticamente. “Acho que vocês seriam ótimas companhias.” Sorriu complacente e pararam em frente a um senhor magro, alto e de cabelos grisalhos. Perto dele, tinham dois rapazes com semblante entediados, ambos destoando com o restante de presentes, usando camisa social por fora da calça e gravatas frouxas. Típicos rebeldes.
“Olá, Marcus. Vim apresentar minhas...” Olhou para as meninas perguntando-se por segundos como deveria apresentá-las.
“Tudo bem?” Bella adiantou-se ao percebê-lo também incerto de qual nomenclatura usar, e estendeu a mão para Marcus. “Sou Bella, e esta é Alice.” Dissimulou seu humor com um sorriso educado.
“Olá. Como vão, meninas?” Após cumprimentá-las, o senhor franziu o cenho em direção a Carlisle, sem entender o motivo da apresentação.
“Na verdade, Marcus, vim trazê-las para conhecer seus netos.” Adicionou ao ver a dúvida. “Parece que a festa está meio entediante para as crianças.” Comentou prestativo e sorriu atencioso para as meninas. Não sabia ao certo a idéia de Edward em tê-la trazido. De qualquer maneira, ele teve sua chance e desperdiçou. E agora a menina a frente não merecia ser humilhada, quando notava nela tanta inocência, consideração e afeto por Edward. Por isso, no instante em que a viu desolada, decidiu que precisava intervir.
“Garotos...” Marcus chamou os adolescentes que estavam mais afastados, de costas, com as mãos no bolso. Ambos eram morenos, um tinha por volta de quinze anos e o outro por volta de dezessete. Alice apertou a mão de Bella quando os viu, pensando que, enfim, teriam alguma distração. O mais novo era um moreno mais claro, com um sorriso iluminado e olhar acolhedor. Já o outro aparentemente mais velho, era forte, com ombros largos, tinha o cabelo meio grande e usava um diadema. Era um tipo de dezessete anos completamente seguro de si, com um olhar pícaro e sorriso sexy. “As sobrinhas de Carlisle vieram conhecer vocês.” Marcus informou animado.
Um dos rapazes, o mais velho, digitalizou-as detalhadamente, demorando em Bella. Já o outro sorriu e adiantou-se em se apresentar, satisfeito ante a perpectiva de arrumar companhia de sua idade aquela noite.
“Sou Seth. Este grandão aqui é Jacob.” O garoto apresentou-se e se pôs ao lado de Alice, como se já estivesse escolhido seu par.
“Olá, sou Alice e esta é Bella.” Cumprimentaram-se com os três beijinhos no rosto e nenhuma delas foi capaz de notar o olhar agudo que recebiam a menos de cinco metros de distância. Não podiam imaginar o temor mortal que Edward sentiu naquele instante ao vê-las interagir com os netos de Marcus, seu superior imediato na DEA... Seu segredo estava ameaçado.
Disposta a distrair-se, Bella agiu espontaneamente e seguiram animados para um canto do salão, tendo um prelúdio com assuntos desvinculados, falando sobre músicas, festas.
“Eu gosto de sair para dançar de vez em quando.” Bella comentou para desenvolver a conversa. “Mas não é sempre que posso sair... Onde estudam?” Não queria que o assunto acabasse. Percebeu o olhar interessado de Jacob e não pretendia incentivar seu interesse. Enquanto Jacob respondia, passou minutos abstraída mentalmente e, sem que percebesse, seus olhos chocaram-se com Edward, quando este conversava com conhecidos próximo a ela, acompanhado de Rachell. Altiva, ela desviou os olhos e tentou manter-se no assunto com os meninos.
“De onde vocês conhecem os Cullen?” Seth perguntou.
“De Los Ângeles mesmo.” Bella evadiu-se, sem dar ênfase a resposta.
“Meu avô é Capitão da DEA da Califórnia. Conhece a família Cullen há muitos anos.” Informou orgulhoso.
“Hmmm.” Serviu-se à vontade de um cupcake de chocolate que era servido.
“Cuidado, Bella!” Alice alarmou. Bella parou o bolinho no ar, preocupada, e procurou o que Alice poderia ter visto no que iria comer.
“Que foi?” Franziu o cenho.
“Acho que isso aqui são olhos de sapo.” Dramatizou com os olhos cerrados e pôs o indicador nas uvas passas que enfeitavam o cupcake que Bella mantinha na mão. Os meninos sorriram. A baixinha prosseguiu a fingida análise com o dedo no granulado. “Isso aqui são pernas de morcego e... argh, COCÔ DE BARATA!” Disse mais alto.
“Eca, Alice!” Bella afastou o doce com nojo. Todos os adolescentes sorriram, e Alice viu-se estimulada, agora encenando com voz de suspense.
“Toda a comida pode estar cheia de feitiço.” Arregalou os olhos e pôs as mãos na garganta, fingindo engasgar. “Fomos emacumbados!” Pôs a língua para fora.
Seth também pôs a mão na garganta entrando na brincadeira e começou a tossir, fingindo asfixiar. O clima tornou-se divertido entre os novos amigos. Todos desataram a rir, chamando atenção para o grupo.
Quando recuperou o controle de suas risadas, Alice continuou brincando contente por ver que Bella tinha se recuperado e já sorria naturalmente.
“Só isso explica o porquê da noiva ter conseguido casar.” Pendurou-se no braço de Seth, amistosamente, que não parava de rir. “Olha como ela parece uma bruxa! Nós podemos estar com uruca agora, sabia?” Apontou implicante para a noiva.
“Faltou uma verruga na ponta do nariz.” Seth completou e riu alto.
“No mínimo o estacionamento deve estar cheio de vassouras.” Jacob adicionou divertido.
Alice levantou a mão no ar e bateu na mão dele, brincalhona. “Isso!” E passaram os instantes seguintes adjetivando as pessoas presentes, atitude bem típica de Alice. Entretanto, após perceber que chamavam a atenção com os sorrisos, Bella sugeriu que fossem para a área externa da cobertura, local onde poderiam ficar mais à vontade.
Edward encontrava-se no outro canto, incomodado. A noite, para ele, estava sendo um fiasco. Por todos os lados que olhava o que via eram juristas e pessoas do mundo policial-investigativo, no total umas cem pessoas. Sentia-se intimidado, além de entediado.
Era nítido, sem sombra de dúvidas, que a turminha de quatro adolescentes era quem se divertia de verdade. Odiava ter que ser, ao contrário deles, regido por formalidades. Fora ingenuidade sua não imaginar que Maria tranformaria um jantar familiar num evento social, já que era filha única de uma rica e também renomada família de juristas. Agora estava preso ao papel que exercia: irmão, padrinho e homem público.
Merda, queria ter novamente dezesseis anos e não ter que se preocupar com aparências. Queria poder simplesmente abraçar sua garota e sorrir com ela. Queria ser o cara que recebia aquele sorriso naquele instante. Queria ser o dono daquele sorriso. Merda, merda, merda. Já não sabia o que fazer para livrar-se de Rachell e remediar sua noite. Lutava homericamente contra a intolerável frustração e insegurança que o dominava.
“Boa noite, Edward.” Jasper o cumprimentou, formal, a primeira vez na noite. “É uma surpresa que tenha vindo.” Disse hesitante, mas genuinamente satisfeito com a presença do irmão. Maria, ao seu lado, deu uma piscada furtiva para Edward, antes de comentar.
“Enfim, a família está reunida” Pegou seguramente no braço livre de Edward. “Então podemos começar a dançar.” Seguiram para o centro do salão e Maria fez sinal para que a orquestra iniciasse outra música. “Não pense que vai escapar de dançar comigo.” Sussurrou em seu ouvido. “Hoje ainda sou solteira.” Separou-se de Edward e iniciou uma valsa com Jasper. Ao mesmo tempo, Rachell segurou na mão e flanco de Edward e também iniciaram passos. Girando ao som da música, Edward olhou ansioso em direção a Bella, procurando estudar suas reações. Os olhos se encontraram novamente no instante em que os adolescentes caminhavam para a porta lateral. Indiferente, Bella desviou o olhar, como se não o tivesse visto e seguiu para fora, orgulhosa.
“Não é o seu Edward?” Alice perguntou em seu ouvido, apontando para o casal que dançavam elegantemente na pista.
“Sim.” Bella respondeu com um mover de queixo, deu as costas para pista e voltou a conversar com os meninos.
“Caramba, ela parece uma trepadeira em cima dele.” Alice sussurrou, chocada. Bella apertou as mãos uma na outra, sentindo-as frias. Sua respiração ficou difícil ao ver Edward tão íntimo com a... O que Rachell era dele mesmo? Ex amante? Talvez. Não sabia qual o nome usado por adultos para sexo casual.
“Meninos, quem de vocês sabe dançar essa dança chata?” Alice perguntou mal intencionada.
“Eu sei.” Seth prontificou-se e pegou sua mão.
Maquiavélica, a baixinha ardilosa sussurrou. “Vamos invadir a conferência das bruxas. Roubar a cena.”
“Alice!”
“Qual é, Bella.” Piscou inocentemente. “Só quero me divertir.” E saiu saltitando ao lado de Seth.
“E nós dois...?” Jacob sondou e estendeu a mão para Bella. “Concede a dança?”
Com um suspiro de redenção, a adolescente olhou para a pista que já era invadida por outros casais e resignadamente aceitou. Não por outro motivo, a não ser para tentar se divertir. Já que Alice, que nem era para estar ali, tentava se divertir, ela que não iria estragar a noite. Pensando assim, segurou na mão de Jacob e se dirigiram para a pista. Lá, perto dos outros adultos que dançavam, o rapaz segurou em sua cintura, deu-lhe a mão e iniciou a dança.
“Você até que dança bem.” Ela comentou ao sentir-se sendo conduzida com maestria.
“Este ano é minha formatura. Já estou treinando.” Comentou amistoso. “ E Você? Está perto de se formar também, né?”
“Está me chamando de velha?”
“Velha não... ” Sorriu confuso. “Mas você tem postura mais séria que sua irm...”
“Prima.” Corrigiu.
“Sim. Então pensei que você fosse mais velha. Você tem um jeitinho assim, tipo de responsável.”
“Hmmm, está querendo me ganhar, falando que eu pareço adulta?” Brincou, à vontade.
“Ah, é que mulheres são um bicho de sete cabeças. Minha tia, por exemplo, gosta de parecer mais nova. Já minhas primas querem parecer mais velhas. Vai saber!” Comentou sorrindo e rodopiou-a graciosamente, fazendo os longos cabelos louros voar no ar.
Ela sorriu e voltou à pergunta não respondida. “A minha formatura vai demorar. Estou atrasada dois anos. Agora que ingressarei na escola secundária.”
“Que foi? Reprovou?”
“Perdi um e reprovei outro.” Deu de ombros.
“Que pena.”
“Não sinta. Eu não me importo. Depois vou fazer uma aceleração e ganhar tempo para não entrar muito atrasada em uma faculdade.” Deu de ombros.
“Que curso pretende fazer?” Perguntou, levantou a mão no ar e a fez girar várias vezes segurando sua mão, para depois segurar firmemente em sua cintura e voltar aos passos. Ela sorria espontânea.
“Artes plásticas.” Respondeu feliz ao perceber que conseguia relaxar e se divertir. Alice dava pequenos risinhos com Seth na pista, já que o menino era bem brincalhão e conduzia-a com uma graça que a divertia.
“Ainda bem que vocês apareceram. Não via a hora de ir embora.” Jacob comentou e deitou-a sobre o seu braço, fazendo com que ela se assustasse e sorrisse alto, com os cabelos quase tocando o chão. Depois voltaram a posição inicial, elegantes.
“Se eu soubesse que me divertiria assim, teria vindo para a pista antes.” Ela comentou alegre. Alice também ria muito. Entretando, às vezes Bella teve a impressão que a baixinha esbarrava propositalmente no casal próximo a ela: os noivos.
“Que bom que você gostou. Mais cedo você estava muito séria. Seu sorriso é lindo para ficar tão séria.”
“Obrigada.”
“Quando sairmos daqui, vamos descer para os cassinos. Vocês poderiam ir conosco.” Sugeriu, girou-a e a abraçou mais forte, de um jeito mais ousado.
Bella sentiu um olhar cravado em suas costas, virou ligeiramente o rosto e encontrou Edward olhando-a com fúria assassina, ainda dançando com Rachell. Ignorou-o tranquilamente e voltou a atenção para Jacob. De longe, o juiz também observava curioso a cena que desenrolava com um sorriso divertido, enquanto bebia seu uísque.
“Não posso.” Bella voltou a dizer. “Estamos sob responsabilidade do tio Carlisle. Eu duvido que ele nos deixe ir, depois do tanto que minha tia foi relutante.” Explicou agradecida.
A metros deles, Edward sentia a os nervos repuxarem de tensão. Torcia que as músicas acabassem logo e pudesse arrancá-la daqueles braços. Não suportava mais aquilo.
“Quem trouxe a pirralhinha?” Rachell perguntou em seu ouvido, simulando uma intimidade que não tinham.
“Quem?” Perguntou distraído.
“A menina do Emmett. Quem trouxe?”
“Você quer dizer a irmã de Emmett?” Perguntou sério. Ela sorriu dissimulada e acariciou sua nuca.
“Sim. A irmãzinha dele.” Concordou irônica. “Nunca acreditei que ela fosse a mãe do menino, como dizia a certidão, até que o próprio Emmett me revelou em uma sessão que exigi a presença do pai. Eu não achava a suposta mãe com maturidade suficiente para o que eu iria sugerir.”
“E o que você sugeriu?”
“Que os dois parassem de ser tão dependentes.”
“Você nunca foi mãe para saber a real necessidade de um filho.”
“Ela não é mãe dele.” Zombou com um sorriso.
“É a única mãe que ele conhece.” Respondeu impaciente. Não gostava do tom de menosprezo com que ela se referia a Bella.
“Quem a trouxe?” Perguntou insolente e voltou a acariciar sua nuca.
“Meu pai.”
“Hmmm... Resolveu fazer as pazes com Emmett?”
“Isso não lhe diz respeito.” Segurou a mão que acariciava seu cabelo. “E não entre em um assunto que só te falei por causa de uma sessão. Seja profissional.” Com a paciência beirando zero, afastou-a, deixou-a na pista e caminhou até seu pai, esperando lá de braços cruzados e uma carranca no rosto que a maldita música terminasse.
“O que há?” Carlisle perguntou ao vê-lo com os punhos fechados, olhando para a pista com expressão de violência.
“Quem é o garoto que está com Bella?” Rugiu.
“Neto do Marcus.” Disse sossegado e pegou outra taça de uísque que lhe serviram. “Não faça uma cena com o neto do seu chefe.” Aconselhou, sério.
“Ok.” Suspirou intimidado e buscou acalmar-se. Não era grande coisa. A menina só estava dançando, não é mesmo? “Como foi lá, com a tia dela?” Perguntou para se distrair.
“Não foi fácil. Se a menina do Emmett não fosse tão determinada, não teria conseguido trazê-la.”
“Não a chame de menina do Emmett.” Disse entre os dentes, cansado desses mal-entendidos. “Ela é somente irmã dele.”
“Não deixa de ser uma menina.” Fez um gesto de pouco caso com os ombros.
Indisposto a manter diálogo, virou as costas para olhar novamente a pista e notou que os quatro adolescentes caminhavam de novo rumo a porta lateral do salão. Maçado, tomou a decisão de ir até eles. Entretanto, não conseguiu concretizar a decisão, pois foi abordado por Maria antes mesmo de sair do lugar. Ela tinha ao lado uma morena alta, provavelmente latina.
“Você fugiu da pista antes que eu te tirasse uma casquinha, né.” Brincou e apalpou disfarçadamente sua nádega, com um sorriso de quem já havia bebido algum champagne. Ele se esquivou aborrecido. Ela não percebeu. “De qualquer maneira, a noite é longa. Espero que me dê a chave do seu quarto para que eu possa me divertir na minha última noite de solteira, como nos velhos tempos.” Piscou sedutora. Carlisle, com um rolar de olhos para as brincadeiras de Maria, pediu licença e saiu. “Ah, esta é Emilly Montez, Edward.” Virou-se para a morena ao lado, parecendo lembrar-se só então que tinham platéia. “Uma colega de infância que estava doida para conhecer meu cunhadinho favorito.”
“Olá, Edward.” A morena alta, de cabelos negros trançados, estendeu-lhe mão formalmente.
“Boa noite, Emilly.” Cumprimentou-a educado, mas seus olhos não desviaram dos vidros que separavam a área interna da externa. Precisava inadiavelmente reparar os erros cometidos com Bella. Depois o melhor era ir para o refúgio do seu quarto e finalmente ter paz, protegendo-a assim daquele ardil mundo.
A morena quebrou o silêncio, ao vê-lo distante. “Sou repórter do Los Ângeles Times e há tempos tento uma entrevista com você.” Explicou confiante. “Mas vi pelas inúmeras vezes que negou, que não gosta de publicidade, mas a Maria...” Continuou seu discurso, mas ele não ouvia mais, mergulhado em seus dilemas internos. Algo agitava seu estômago ao sentir que podia ter estragado tudo e decepcionado Bella. Temia o que ocorreria a seguir. E se ela percebesse que não era nada daquilo que queria? Que o mundo adulto não lhe agradava, que a companhia de um garoto de sua idade era muito mais interessante e divertida?
“Olha só, Emilly, é casamento do meu irmão.” Atinou a dizer, arrefecido. “Sinceramente não estou muito interessado em falar de trabalho. Aquele ali é o capítão Marcus. Ele é meu superior. Veja se consegue com ele uma entrevista. Com licença.” Concluiu e saiu sem humor rumo a porta.
“Para onde vai com essa postura homicida?” Dessa vez foi Jasper que interrompeu seu caminho. Putaquepariu, agora todo mundo iria se interpor entre ele e Bella?
“Vou tomar um ar, posso?” Apontou para fora e continuou andando, frio e distante.
“Por que toda essa hostilidade?” Jasper o seguiu, pondo-se ao seu lado.
“Eu sou assim.” Respondeu rabugento.
“Ok.” Jasper pôs a mão no bolso e parou, fazendo com que em ato reflexo Edward também parasse quando já estavam na área externa.
“Eu só quero dizer que agradeço muito por você ter vindo.” O irmão mais velho tentou quebrar o gelo, nervoso. “É um dia importante para mim, e eu sinceramente queria que a família estivesse presente.”
Edward comoveu-se diante do olhar sincero do irmão e obrigou-se a baixar a guarda, suspirando.
“Espero que as coisas saiam bem.” Disse formal, referindo-se ao casamento. “Se é isso que você quer.”
“É o que eu quero.” O noivo declarou convicto. “Ela é a companheira que escolhi.” Recitou solenemente, o que soou mais como um mantra que repetia para que pudesse acreditar.
“Então é isso.” Edward estendeu a mão, num gesto amistoso. “Seja feliz.” Disse e olhou novamente em direção aos adolescentes que, de novo, sorriam bem alto. Jasper percebeu seu olhar e fez a pergunta que a horas queria fazer. “Quem é a menina que você vigia como radar desde o começo da noite?”
“Quê?” Voltou sua atenção a ele.
“Aquela de rosa. Você não tirou os olhos dela um segundo. Quem é?”
Edward fez uma careta e observou a menina, lembrando que, se o objetivo principal de trazê-la a Nevada foi apresentá-la a sua família, iria voltar ao planejado. Então disse baixinho. “É minha...como posso dizer, tô ficando com ela... Eh... minha garota.” Confessou embaraçado, achando que a palavra soava estranho saindo de sua boca.
“Quê?” Jasper arregalou os olhos.
“É... É isso mesmo, minha garota, namorada.” Repetiu num tom mais convicto.
“Como assim? Há quanto tempo?”
“Estamos juntos há alguns meses, mas resolvi assumir tem três semanas.” Explicou sem jeito, com a mão no bolso, aguardando por um instante a avaliação que Jasper fazia da cabeça aos pés na menina.
“Você é... Você faz... Puxa! Você já... transa com ela?” Fez uma careta de desaprovação e um gesto obsceno com a mão, ainda medindo Bella como um homem normal avalia uma mulher: tirando a roupa com os olhos. Edward quis bater sua cabeça da parede ante a avaliação indiscreta e boçal, mas manteve a postura.
“Somos namorados normais.” Rolou os olhos. Tanta coisa para Jasper comentar e foi se prender logo a isso! Tudo bem que ela era gostosinha, com peitos cheios e desafiadores de beijos, bumbum empinado e redondo para fincar seus dedos quando lhe metia, pernas torneadas, boceta pequena e acolhedora e quente e deliciosa...
Balançou a cabeça expulsando os pensamentos intrometidos. Ela era muito mais que isso. Ela era sua menina linda, doce e esperta, acima de tudo.
“Seu louco!” Jasper deu-lhe um pequeno murro no ombro. “Isso é doentio. Ela tem que idade, quatorze, quinze?” Acusou com uma careta de repugnância, mas estava rindo. Aquela descontração serviu para quebrar o gelo entre os irmãos.
“Dezesseis. Quase dezessete.” Defendeu-se, arrumando a acordada ereção na calça.
“Meu Deus, vou abrir pessoalmente um processo contra você. Você é um criminoso, pedófilo de merda.” Brincou baixo, olhando para os lados para ver se eram ouvidos.
“Ela não é criança. Você iria gostar de conhecê-la.”
“Ah, vou, seu safado! Sobre o que sua adolescente conversa, quando você não está em cima dela? Sobre Justin Bieber?” Ironizou.
“Ai, ai, você iria se surpreender com minha adolescente.” Deu um sorriso largo. “Somos mais que isso.” Enfatizou fervorosamente. Jasper o olhou desconfiado. Edward decidiu esconder, por enquanto, o fato de que ela era irmã de Emmett. Não queria despertar também seus julgamentos. “Vamos lá que eu tenho que arrumar um jeito de dar atenção a ela.” Chamou e foi para o outro lado da área externa, local onde os adolescentes conversavam.
Alice ria das piadas que contava, o champagne que tomava fazendo efeito. Ainda que Bella lhe controlasse para que seus risos não ultrapassassem o bom senso, aos olhos dos presentes o grupinho de adolescentes não passavam despercebido. Bella ria discretamente de seus comentários bobos, mas foi quando esta falou do irmão de Edward, o qual estava a alguns metros, que sua bochecha doeu de tanto rir.
“... parece uma gazela, com aquele cabelo lambido para trás e o fraque apertadinho. Eu diria que a porção da bruxa não trasformou o príncipe em sapo, mas numa gazela! ” A pequena morena gargalhou e pôs a mão na barriga para se conter. Os outros também a acompanhavam. “Deve estar se casando com essa mulher esquisita porque...”
“Boa noite, crianças.” Jasper interrompeu e os cumprimentou educadamente. Edward somente pôs os braços em volta do ombro de Bella, possessivo.
De um jeito sutil, ela deu um passo ao lado e tirou a mão de Edward de seu ombro, a seguir deu-lhe um olhar gélido de advertência. Se ele queria discrição, iria ter discrição.
“Vejo que o assunto aqui está interessante.” Jasper comentou gentil, ainda que não tivesse passado em branco os comentários pejorativos sobre sua pessoa.
“É feio ouvir conversa dos outros, sabia?” A pequena geniosa disse com olhar desafiador, mesmo que sua altura não alcançasse o queixo do homem a frente.
“Ah, é? Desculpe, senhorita.” Zombou, achando a pequena garota engraçada. “Mas é que devia estar tão interessante.” Sorriu brincalhão.
“Não desculpo. Mas já que você está interessado em saber, falávamos de você e de sua noiva. Estávamos tentando descobrir o motivo de você casar-se com um tipinho daquele.”
Ele cruzou os braços divertido. “E aê? Descobriu o motivo?” Fingiu interesse.
“Sim.” Sorriu com triunfo e também cruzou os braços “Chegamos a conclusão que você tem algum problema sexual. Iríamos começar a discutir qual seria esse. Se era por você cortar para o outro lado e precisar manter as aparências. ” Expôs com arzinho provocador. “Ou se é porque é ela quem atrai os homens para dividir com você.”
Bella abaixou a cabeça e riu baixinho. Conhecia Alice suficiente para saber o porquê de sua atitude arredia. Costumava agir assim quando alguém que lhe interessava estava indisponível.
Por um segundo mortal, ninguém foi capaz de falar, afinal, a pequena encrenqueira foi longe demais. Foi Jasper quem quebrou o silêncio segundos depois com uma risada ressoante.
“E o que uma menina como você sabe sobre mulher de verdade? Ou melhor, o que um neném como você sabe de relacionamento? Não passa de uma molhadora de fraldas.” Apontou para ela com desdém.
Ultrajada, Alice riu falsamente e desejou tirar com as unhas o sorriso cheio de escárnio daquele homem.
“Hmmm, quer saber, acho que ela é realmente o que você merece. Você merece uma mulher de verdade, capaz de transformar sua vida num inferno. Aliás, uma vadia de verdade.”
“Como você, pequenininha?” Riu sardônico, a situação divertida transformando-se em hostilidade recíproca.
“É louco?! Nunca conheci um homem menos atrativo que você. Você é ridículo com esse seu jeito engomadinho!” Espetou com desdém, para confirmar as suspeitas de Bella, depois ergueu o queixo beligerante. “Posso não ter seu padrão de mulher de verdade, mas gosto de homens com H maiúsculo.”
Com repentina ira, ele fechou os punhos e encarou-a. Não entendia porque sua opinião o atingiu tanto. Odiou ser desprezado e, por alguma razão inexplicável, queria que ela engolisse as palavras, queria calar-lhe a boca atrevida. “Você é muito ousada. Nunca nenhuma mulher me achou ridículo.”
“Lógico. Você é rico!” Provocou e pôs as mãos na cintura. “Vira-latas como ela submetem-se a qualquer coisa por dinheiro.” Cuspiu.
Ele fechou novamente os punhos, alterado ao ponto de passar por sua mente rodear a mão em seu pescoço e sufocá-la. E isso o surpreendeu. Nunca sentiu isso. Como promotor, costumava orquestrar situações e emoções, dosando-as controladamente de acordo com o necessário. Entretanto, era como se um vulcão de emoções desconhecidas tivesse borbulhando. O ar combatente e rebelde da pequena beligerante inexplicavelmente o trazia a borda. O desafio o mantinha alerta.
Encarou-a por segundos mortais, era como se não pudesse desviar os olhos dela. Um poderoso e estranho fascínio manteve-o pétreo, estudando a oponente a frente, achando-a tola e sem sentido.
Sem saber como agir diante do clima tenso, novamente Edward tentou colocar o braço sobre o ombro de Bella. Ela afastou-se numa clara rebeldia e tirou-o de seus ombros, como se um mosquitinho a incomodasse.
Por intermináveis segundos só o que houve na rodinha foi silêncio, com fagulhas de intemperança palpáveis no ar.
“Você seria muito feliz se tivesse crescido para ver o repulsivo aqui em ação, criança.” Jasper rugiu com chispas nos olhos, enquanto inclinava-se ameaçador sobre ela.
“Nem tente! Já estou muito bem acompanhada. E nem adianta que eu não vou dividir meus bofe com você.” Segurou nos braços de Jacob e Seth, que assistiam a cena estupefatos, e levantou o queixo novamente em desafio. Ele observou-a mais uns segundos e, inexplicavelmente, teve vontade de rir da situação ridícula. O riso iníciou num chiado tímido, abriu-se, para depois gargalhar abertamente, tornando o clima leve, quando os outros também o acompanharam.
Um pouco mais relaxado, Edward dessa vez tentou pegar na mão de Bella, e ela escondeu-a na frente teimosa, ignorando-o por completo. Ele, já acalorado com a situação e por todo o stress vivido na noite, puxou-a pela cintura e virou-a para si, segurando na sua nuca, enquanto a puxava para centímetros de seu rosto.
“O que há?” Perguntou e a platéia virou-se para a próxima atração.
“Discrição, esqueceu?” Desafiou-o com a mandíbula travada.
“Isso era por você, não por mim. Era para te proteger.”
“Você só quer proteger a si mesmo. Agora me larga. Só somos namorados dentro de quatro paredes.” Empurrou-o pelo peito, rígida.
“Bella...” Implorou e apertou seu corpo contra ele. “Desculpe. Não era isso que eu queria que entendesse.” Recitou efusivamente, afastando-a depois do grupo para um canto mais reservado, atrás de um jardim.
Ela suspirou, pesou por um instante toda a situação e viu-se incapaz de deixar-se levar por imaturas exigências e ataques emocionais. Não iria bancar a infantil e insegura. Não podiam voltar atrás no que aconteceu e sabia que manter a desavença exigiria um enorme exercício mental, quando ainda haviam outros obstáculos quase intrasponíveis entre eles. Logo, deixando o corpo mais relaxado, tentou ganhar mais espaço e olhou-o com determinação. “Você mentiu. Também vou demorar a te perdoar por isso.” Sussurrou obstinada e seu hálito de tutti-frutti encheu os sentidos do homem a frente. Como ele sentiu sua falta. Queria tanto beijá-la.
“O quê?”
“Você disse que não sabia dançar.”
“Quando?”
“Na boate do Emmett, no primeiro dia que nos vimos. Agora você estava lá, dançando cheio de desenvoltura com aquela doutora.” Acusou, apontando cheia de birra para o meio do salão.
Ele sorriu e lhe deu um selinho forçado, achando fofo vê-la irritada. Ela continuou tentando afastar-se, empurrando-o com a pontinha dos dedos no peitoral... Que por sinal, estava, tão, tão, hmmm, acentuado naquele terno.
Meleca, queria lhe dar murros no peito e gritar com ele por ter deixado aquela, aquela coisa tocá-lo.
“Só por isso você está assim?” Perguntou como se a pergunta fosse dirigida a uma menininha emburrada encolhida no canto.
Sentia alívio que fosse esse o motivo. Por instantes temeu que ela tivesse descoberto algo através dos meninos... Sua história esteve a noite toda por um fio, como se caminhasse entre minas. Até quando aguentaria esse filme de suspense?
“Só por isso?!” Ela cerrou os olhos, indignada. “Será que ver uma mulher te alisando, beijando, pendurada no seu pescoço várias horas não conta? Muda alguma coisa se essa mulher foi a última que frequentou sua cama?” Disparou, irada.
“A última que frequentou minha cama foi você.” Brincou e mordiscou sua orelha.
“Você sabe o que eu quis dizer.” Cruzou os braços no peito para ganhar alguma distância, já que ele a apertava.
“Você está com ciúme.” Ele riu cínico e a apertou mais, dando selinhos no seu queixo e boca.
“Lógico que não!” Negou segura para proteger seu orgulho. “Simplesmente não vim aqui para disputar sua atenção com ninguém.” Soltou-se obstinada do abraço. “E quer saber? Volte para lá. Agora sou eu que não quero ser vista por aí com você, depois de você ter desfilado com aquela...” Engoliu as palavras e tomou fôlego. “Vá fazer sua sala como irmão e padrinho, que eu estou realmente me divertindo.” Deu as costas e saiu, deixando-o pasmo. “Te encontro no quarto, tio.” Adicionou causticamente, antes de voltar resoluta para onde estava a prima. Ele coçou a cabeça e observou-a. Queria saber que raio caiu sobre aquela menina para ter forjado ao caráter adolescente àquela férrea intrepidez.
Continua...
Oi!!!
Nesse capítulo eu tive a colaboração de uma pessoa muito especial para mim, http://www.fanfiction.com.br/janeherman
Jane Herman
Minha beta Kerima está com problemas e não conseguiu revisar os últimos dois capítulos, portanto, a Jane veio aqui me dar uma SUPER ajuda. Obrigada, chefa, dona do mais gostoso, sexy e poderoso Edward do mundo de fanfics, O mafioso de http://www.fanfiction.com.br/historia/69719/Entre_a_Nobreza_e_o_Crime
Entre a Nobreza e o Crime.
Bjus
Notas finais
Comentem, mesmo que para brigar.
Bjus
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