Notas iniciais
Oi,
Agradecimento especial às minhas últimas indicações. Valeu, meninas, as palavras de vcs me pões para cima.
Bjus
pcwinter, PaulaBCullen, Anikelly_Vondy, jujuba_m

Capítulo 15- Tempo

Amar não é apoderar-se do outro para completar-se, mas dar-se ao outro para completá-lo. Lao Tse


Nada poderia tirar a paz daquele instante. Ninguém dormia, mas o silêncio no quarto era absoluto, sendo interrompido somente pela repercussão do som de pingos de chuva que gotejavam harmonicamente na janela de vidro.

Bella encontrava-se deitada de bruços, com um lençol cobrindo o quadril, enquanto Edward seguia com a cabeça descansando em suas costas, os dedos deslizando em sua cintura.

A realização enchia o coração da adolescente, onde um sorriso contente enfeitava seus lábios, ao passo que sua mente vagueava na reprodução dos detalhes gráficos da nova experiência.

Já Edward, após ter a necessidade fisiológica satisfeita, mergulhou em si, com a razão subvertendo a emoção, e deparou-se com o frio sentimento de acusação. A análise do modo que a tratou antes, catapultava sentimentos aflitivos de culpa e repugnância, deixando sua consciência à beira do caos emocional.

Bastava acariciar a delicada pele embaixo de seus dedos para que recordasse sua idade e condição. E, embora, seus sentimentos e decisões anteriores permanecessem inalterados independente da nova situação, haviam responsabilidades suscitadas a serem reavaliadas. Por isso, precisavam conversar.

“Acho que você precisa de um banho.” Ele sussurrou com a voz vazia de emoção.

“U-hum.” Exaurida, não teve forças de abrir os olhos. Todavia, quando menos esperou, sentiu o corpo ser erguido da cama. “Hei, eu consiga andar!” Resmungou, mas apoiou com langor a cabeça em seu peito.

Ele caminhou com o pequeno corpo nos braços como se não pesasse nada.

“Essa é a primeira vez que eu te vejo em uma posição dependente. Deixe-me cumprir meu papel de homem por aqui.” Deu-lhe um beijo na testa, sentou-a na borda da banheira e ligou as torneiras. Ela encostou a cabeça na parede, indolente, e esperou-o adicionar meticulosamente sais à água de banho. A seguir, colocou-a delicadamente na água.

“Está me tratando como uma criança.” Resmungou e encostou a cabeça na borda da luxuosa banheira.

“Deixe-me cuidar de você.” Passou o polegar em sua bochecha. “Não está acostumada a que façam isso, não é?”

“Não.”

“Acostume-se. Fique aqui um pouquinho, enquanto eu organizo as toalhas e troco os lençóis da cama.”

Deixou-a lá, voltou para o quarto e deparou-se com a prova de horas de sexo. Os lençois desfeitos, úmidos, e a mancha de sangue no local onde Bella deitou antes. Balançou a cabeça para sua estupidez e cegueira, convicto de que suas obrigações se duplicaram, recolheu os lençóis e seguiu o caminho da lavanderia. Não iria deixar provas ali para que dona Kebi suspeitasse do que tinha feito. Não iria expor sua intimidade.

Após repor os lençóis, voltou para o banheiro e Bella encontrava-se quase imersa até o pescoço por espuma e água. Desligou as torneiras, pôs as toalhas no pegador e entrou, aconchegando-se atrás dela, que ainda jazia tórpida. Sentou-a entre suas pernas, apoiou as costas na boda, deitou-a em seu peito e esperou uns segundos antes de ressuscitar assuntos procastinados.

“Por que usa anticoncepcional, se não tinha uma vida sexual ativa?” Acariciou-a displicentemente na lateral do seio, tentando mostrar-se tranquilo.

Ela suspirou e preparou-se mentalmente para a série de perguntas que, finalmente, não precisaria mais evadir. Não agiria mais como uma adolescente insegura que usou de artifícios para ludibriar e prender um homem. Ele esperava uma conversa sincera e adulta. Era assim que seria.

“Por que desde quando fiquei mocinha, não era regular. Tinha ciclos duas vezes no mês, depois ficava três meses sem nada, para então vir de um jeito que me passava vergonha na escola. Por isso o médico me receitou hormônios que eu só tivesse ciclo de seis em seis meses. Muito mais tarde fiz mais exames e descobri que tenho ovários policísticos. Por isso essa disfunção.”

Pensativo, ele derramou um pouco de loção de banho na mão, espalhou uma na outra e passou a esfregar as mãos nos braços da menina, massageando. Depois dirigiu-se aos seus ombros. Ela mudou o corpo e passou a beijar devagar o seu peito, acariciando nesse tempo o peitoral com a ponta dos dedos.

“Explique-me de novo tudo que aconteceu quando foi morar com Emmett. Detalhadamente para que eu possa entender porque eu não consegui ver antes o papel de Peter na sua vida.” Buscou ocultar na voz a irritação interna em não ter examinado minuciosamente o fato. Estava tão preocupado em meter-se em suas calcinhas que nem cogitou deliberar impedimentos. E é lógico que ela supostamente ser mãe era somente um incentivo mental a seguir em frente... Cego.

“Hmmm, repetindo, quando minha tia procurou para Emmett, dizendo o que minha mãe queria fazer, imediatamente ele me buscou e eu fui morar na casa que ele tinha na Zona Sul.”

Edward assentiu, trazendo imediatamente o cubículo que Emmett morava à memória. Apesar que, Emmett praticamente morava em sua casa, não na Zona Sul.

“...Bom, Emmett quase não vinha em casa. Às vezes só uma vez por dia, às vezes dormia, muito raramente. Ele tinha uma vida muito agitada. Estudava, trabalhava...”

Edward fez os cálculos mentais da data e anotou que essa época já estudava na Virginia.

“...Eu acostumei a ficar sozinha. Um mês depois, Emmett conseguiu mudar meu nome e arrumar uma escola para eu estudar. Só que neste mesmo ano Peter veio para mim, então o ano escolar foi praticamente perdido, já que eu tinha que cuidar dele.

“Mas cuidou dele sozinha?”

“Não. Uma vizinha me ajudava de vez em quando.”

“De quem Peter é filho?” Sua voz saiu mais dura do que desejava.

“Meu.” Respondeu indiscutivelmente.

Ele suspirou buscando paciência, o mau humor querendo sobressair.

“Quem é a mãe biológica de Peter? Você a conheceu?”

Bella negou balançando a cabeça, sentindo-se tensa como cordas de violino ao vê-lo distanciar-se. “Não. Não a conheci. Só sei que era alguém que Emmett gostava muito.”

“Por que ela não ficou com Peter?”

“Não sei. Emmett não fala.” Defendeu-se já um pouco nervosa. Não entendia porque ele ficava mais gélido quando falavam de Emmett. Antes entendia que tinha ciúme. Agora havia uma antipatia injustíficável que não conseguia classificar motivos.

“Eu quero que você me fale tudo, datas, acontecimentos.”

Desconfiada, ela continuou, sem fazer objeção ao motivo de seu interesse.

“Parece que eles passaram por alguma crise antes dela engravidar. Desde que eu mudei para cá, todas as vezes que Emmett ia em casa, parecia que ele estava sempre de cabeça quente. Eu pensava que era por minha causa, mas ele dizia que não. Eu imaginava que podia ser que ele estivesse sem dinheiro, por ter que estudar e me sustentar. Porém, eu nunca passei precisão, então talvez não fosse esse motivo. Depois de um mês que eu estava aqui, tudo piorou. Ele mudou da água para o vinho. Ficava sempre distraído, oprimido, olhando para o teto. Então meses depois dessa mudança, Peter veio para casa. Nessa época, Emm chorava muito em frente ao bercinho dele.”

“Você acha que a mãe negou o Peter?” Perguntou introspectivo.

“Acho que não. Acho que ela era doente. Teve problemas na gestação que afetou Peter.”

“Você nem imagina o nome dessa mulher?” Perguntou distraído nas hipóteses que levantava mentalmente. De Rosalie tinha certeza que Peter não era filho. Peter tinha acabado de fazer seis anos, e Rosalie foi cremada seis anos e três meses atrás, isso além de ter ficado em coma dois meses, logo, não tinha essa possibilidade. Portanto, Peter era filho de outra garota. Emmett além de namorar Rosalie, envolveu-se com sua mãe, ainda engravidou outra garota. Filho da puta!

Lógico, sabia antes que ele não era totalmente fiel, afinal, quando Rosalie terminou com ele uma vez, procurou consolo nos braços de outras meninas. Isso presenciou. Todavia, nunca imaginou que chegaria a ter um filho com outra mulher.

“Não sei o nome da menina. Ele é muito calado. Não toca no nome dela. Sei que ele gostava dela. Fez uma promessa depois que ela morreu de desenvolver um remédio para o tipo de doença que ela tinha.” Mudou o corpo e pegou em seu queixo, disposta a dissipar a tensão imcompreensível que se instalou entre eles. “Mas porque esse interesse?”

Por instantes Edward ficou calado, obrigando-se a portar-se calmo e dissimular suas reações. Ato continuo apoiou a mão na nuca da menina e voltou a deitá-la em seu peito, para então deslizar delicadamente as pontas dos dedos do pescoço a base das costas.

“Curiosidade. Afinal, você afirma que Peter é seu filho. Por isso quero saber a história de vocês dois. E documentos do Peter? Ele é registrado no nome de quem?”

“O registro original fica com Emmett, e eu nunca vi. Mas a mesma pessoa que cuidou dos meus documentos falsos, cuidou de registrar Peter em meu nome.” Disse despreocupadamente.

“Por que mãe? Por que Emmett deixou você adquirir essa responsabilidade, quando podia ser simplesmente a tia?”

“Eu quis.” Disse convicta.

“Só um tolo acredita que você foi mãe com dez, onze anos.” Resmungou aborrecido consigo, passou a mão em seu ombro, limpando uma espuma, a seguir mordeu-o devagar, passando a língua sensualmente onde mordia.

“Eu fui.” Gemeu e fechou os olhos para curtir a carícia. “Não biologicamente, mas fui. Decidi dar a ele o que eu não tive: amor de mãe. Por isso afirmo que sou com tanta convicção.”

Edward, mais relaxado com o assunto mais leve, passou a acariciar o seio juvenil, beliscando o bico rosado. A menina respondeu arrastando-se como uma gata nas coxas dele, sentindo imediatamente a promessa do órgão masculino desperto, pressionando seu quadril.

“Quero de novo.” Sussurrou sedutoramente, a consciência sexual vibrando em sua pele como uma corrente elétrica, a excitação revivendo vertiginosamente em seu interior, fazendo-a querer o prazer que ele lhe ensinou a desfrutar.

“Não, Bella.” Segurou-a no quadril e restringiu o movimento provocante que ela fazia sobre seu membro bem disposto. “Vamos dar um tempinho para você. Eu não fui tão gentil. Você precisa de um tempo para se recuperar.” Disse e beijou-a na testa.

“Não quero que me trate como se tivesse que cuidar de mim.” Disse com um bico obstinado. “Principalmente depois de ter feito amor. Eu não sou delicada. Sou mulher agora.”

“É sim.” Sorriu, com o humor recuperado. “Tô vendo até uma ruguinha aqui.” Gracejou e acariciou seu rosto. “Mas tem certeza que não está dolorida?” Voltou a acariciá-la no seio, culpado.

“Não. Só um pouco incomodada, mas feliz.”

Ele torceu os lábios com desagrado. “Eu devia saber... Devia ter parado.”

“Você não tinha essa opção.” Replicou convictamente.

Com um suspiro de redenção, ele inclinou e mordiscou seu pescoço, dividindo beijos até o ombro. “Foi diferente para mim.” Revelou pensativo.

“Foi?”

“Sim.”

“Como? Explique.” Sorriu curiosa. Queria tanto que ele dissesse...

“Não sei. Geralmente sexo para mim sempre foi só corpo. Com você não. É como se dentro de você, eu encontrasse meu lugar...” Abraçou-a a forte ao seu peito. “É como se eu pudesse absorver sua energia, vida. E eu estava desesperado por ela. Por ter mais de você...” Suspirou meio sem jeito pelo que declarou. “Argh... Tô viajando, né? Acho que você não me entende.”

“É lógico que entendo!” Adiantou-se rápido, temendo que a falta de estímulos o impedissem de abrir-se mais. “Se eu te falar que vi estrelinhas, cores e luzes brilhando, você entenderia?”

“Acho que sim.” Torceu os lábios em um sorriso.

“Então eu também te entendo.”

Edward abraçou-a de novo, já notando a água um pouco fria, resolveu sair do banho e, enquanto ela terminava de se vestir, foi a cozinha e esquentou uma lasanha pré-assada no microondas.

Em silêncio, mergulhou novamente na introspecção, e Bella ao encontrá-lo pensativo na cozinha, preocupou-se com qual seria o motivo da quietude, embora imaginasse que fosse algo ligado a condição atual dos dois. Sentou-se à mesa de vidro, ele os serviu e sentou-se em sua frente.

“Temos que falar sobre nós agora.” Ele sugeriu sério.

“O quê?” Indagou, retesada.

“Quando faz dezessete?” Perguntou e cortou sua massa tranquilamente, levando a seguir a boca.

“Em dois meses... Por quê?” Parou o garfo no ar, preocupada.

“Talvez você não tenha pensado sobre isso, mas a lei da Califórnia pune com prisão e multa aliciamento de menor. Ou melhor, corrupção sexual de menor.” Ocultou que no caso dele, sendo representante do Estado, a pena era agravada.

“O que você quer dizer?”Forçou serenidade na voz. “Já está decidido a terminar?”

“Não!” Negou veementemente, chocado com sua dedução. Ela suspirou involuntariamente de alívio. Ele completou. “Eu só queria te dizer que teremos que ter alguns cuidados. Teremos que evitar chamar atenção juntos.”

“Isso a gente já fazia. Mas está querendo dizer que devemos nos comportar em público como amigos?” Perguntou frustrada em ter que aguentar comportamentos reservados.

“Até que andar de mãos dadas na rua, tudo bem. Só temos que evitar chamar atenção com beijos, por exemplo... Não sei... Temos que ser discretos.” Explicou sem esconder a chateação pelo fato.

“Tudo bem.” Respondeu com um dar de ombros. Não o pressionaria por mais do que ele poderia dar.

Ele continuou se justificando. “O que não quer dizer que eu não queria exibir você por aí como minha namorada.” Atravessou a mão na mesa e acariciou seu rosto. “Mas não pense que iremos nos privar de programas de namorados normais. É novo para mim ter uma namorada e eu quero curtir tudo de você. Agora mesmo, se não tivesse chovendo, iríamos caminhar na praia de mãos dadas. Depois iríamos dar uma volta na minha moto. Porém, teremos outras oportunidades.” Prometeu com um sorriso terno, voltaram a comer, depois passaram o restante da tarde abraçados sobre almofadas no carpete, comendo pipocas e assistindo TV.

Edward, devolveu-lhe as chaves de seu ap e deixou-a em casa por volta de sete da noite, entretanto recusou-se a entrar. Argumentou que era melhor que dessem um tempo antes de formalizar o relacionamento. Bella entendeu. Sabia que existiam barreiras nele que ainda precisavam ser ultrapassadas. O receio com sua idade era uma delas. Pior agora que ele parecia ter absorvido uma responsabilidade muito maior sobre si, por saber que era inexperiente.

Ao chegar em casa, Bella teve que enfrentar silenciosa a inquisição de sua tia, depois enfrentou as perguntas indiscretas de Alice.

“Você deu pra ele?!” Alice perguntou direta, curiosa enquanto cercava Bella de um lado ao outro no quarto.

“Que negócio é esse de dar?” Bella deu as costas, procurando distrair-se em arrumar sua gaveta de calcinhas. Mas depois resolveu acabar logo com a curiosidade da prima. “Sim... E foi lindo.” Suspirou romântica.

“Aff, eu quero saber é se foi bom. Como ele é? Pelo que eu vi ontem a noite ele é quente. Como foi? Ele foi rápido, devagar, carinhoso, selvagem? Ele era grande ou pequeno?” Disparou sem respirar. Bella rolou os olhos e continuou dobrando suas calcinhas, ignorando a ansiedade da prima.

“Ele foi tudo isso. Às vezes rápido, depois devagar. Às vezes carinhoso, então me olhava com os olhos fervendo e se tornava selvagem. Eu sei lá. Estava distraída demais para notar tudo. Você pergunta demais.” Balançou a mão no ar, opondo resistências às perguntas indiscretas de Alice.

“Machucou? Foi bom?” Insistiu novamente.

“Ai, Alice!”

“Só mais essa!” Alice juntou as mãos, ajoelhada na cama.

“Eu não sabia que doeria tanto.” Revelou mordendo os lábios.

Alice gargalhou e rolou as costas na cama. “Se você tivesse me dito que iria dar para ele, eu teria te arrumado um cremezinho. Em todo mundo dói.” Brincou. “E o tamanho? Qual o tamanho?” Sentou-se novamente, ansiosa.

“Pelo amor de Deus, Alice, o tamanho tem alguma coisa a ver?!” Ruborizou-se, mas dissimulou o embaraço agora mexendo na outra gaveta.

“Lógico que sim! O tamanho é essencial. Tudo bem que grande demais só serve para propaganda de cuecas. Não tem mulher que aguente.”

“Credo, você fica por aí medindo?” Censurou-a balançando a cabeça.

“Não. Mas a gente sabe quando se tem um bom volume pela calça.” Brincou, colocou algumas meias dentro do short e desfilou pelo quarto, mostrando um volume no short e gargalhando. Bella não conseguiu não rir diante das palhaçadas da prima, deitou as costas na cama e suspirou.

“Era grande, eu acho.” Sussurrou como se contasse um segredo. “Mas talvez fosse impressão por nunca ter visto outro.”

“Tenho a solução. Vamos assistir uns filmes pornôs e você me fala o tamanho.”

“NÃO!!” Bella gritou e pôs a mão na boca.

“Pára de ser certinha. Toda adolescente deveria assistir filmes pornôs uma vez na vida. Vamos. Vou ao meu quarto buscar alguns, estourar pipocas e depois vamos assistir.”

Uma hora depois as duas encontravam-se assistindo TV com as portas trancadas, olhando para a tela com a seriedade de um trabalho cientifico.

“Isso é mentira. Uma mulher não precisa gritar tanto assim.” Bella censurou e jogou umas pipocas na boca.

“Gritar é estimulante para os homens.”

“Acho que sexo não tem que ser assim.” Bella apontou tranquilamente para a TV. “Falta muita coisa aí. Falta os olhares de confiança, os sussurros, os toques. Mas acho que o mais importante são os olhares cumplices durante o ato.”

Alice olhou-a por um longo tempo, depois sorriu.

“Pelo que fala deve ter sido bom. Está apaixonada, não está?” Pressionou dócil.

“Foi bom, Alice, foi ótimo. E sim, estou apaixonada.” Sorriu boba, virou-se de lado e esqueceu-se da TV. “Ele é ideal para mim. No começo me machucou um pouco, mas, como você disse, é normal na primeira vez de qualquer menina. Depois foi como se tivessemos nascido um para o outro. Sei que você não acredita muito no romantismo, gosta mais da praticidade, mas eu não me arrependo de ter tido minha primeira vez com alguém especial. Ele foi perfeito. Tudo na medida certa. Não podia ser diferente... Só faltou uma coisa...”

“O quê?”

“Ele dizer que gosta ou que está apaixonado por mim.” Sua voz morreu no fim.

“A linguagem sentimental dos homens é sexual. Eles amam uma vaca se estão comendo-a.” Ironizou e jogou mais pipocas na boca.

Bella balançou a cabeça em negativa. “Você crê muito pouco nos homens.” Suspirou com pesar pela prima. “Mas eu sinto que ele gosta de mim.”

“Bom pra você.” Deu de ombros. “Penso que se é de ser usada, eu prefiro usar.”

“Eu sei, prima. E não te censuro.” Admitiu solidária. Alice poderia ter se fechado para o mundo depois do que passou, entretanto preferiu inverter o quadro. Quem era ela para julgar? Cada sobrevivente tinha seu método. “Mas isso não quer dizer que eu fui usada.” Bella defendeu-se, a fim de desviar o assunto, já que ouviu a amargura na voz da prima. “Eu me satisfiz. Foi bom para os dois.”

“Legal.” Apoiou sinceramente. “Espero que deem certo. Você merece.” E abraçaram-se.

Após a conversa, Bella foi ao quarto de Peter levar um leite antes dele dormir, esperou-o escovar os dentes, deitou abraçada com ele até que dormisse, em seguida seguiu suspirando para o seu quarto. Sentia-se mulher. A pequena dor nos seus músculos inferiores lembrava-a disso.

Sábado, repetiu o programa dos outros dias antes da ruptura, trazendo Peter logo cedo. O dia estava frio, ventando para ir a praia, logo, enquanto Bella estava na casa de recuperação, Edward levou Peter a uma loja de brinquedos e escolheu um presente de aniversário atrasado para o menino. Um guitar hero. E passaram a manhã tocando em frente a TV, enquanto Edward cantava no microfone. Bella chegou e os encontrou na sala, tocando Guns in Roses, sorriu e parou os observando, sem ter sido notada. Peter fazia caras e bocas, tentando acompanhar o ritmo na guitarra, enquanto Edward lhe sorria, movendo a cabeça e engrossando a voz para cantar dont no cry tonight.

Estava feliz por Edward continuar tratando o menino bem, mesmo sabendo que não era filho biológico dela. Nada tinha mudado.

Sem querer interrompê-los, seguiu para cozinha com o frango assado que trouxe, colocou-o no forno e começou a fazer um arroz e salada. Minutos depois de começar, foi surpreendida por Edward, abraçando-a por trás.

“Não vi você chegar... Pensei que iríamos almoçar fora.”

“Achei melhor ficarmos aqui hoje.” Disse e virou-se para abraçá-lo. “Está frio lá fora.”

“A manhã foi muito longa sem você. Você podia ter dormido comigo ontem.” Reclamou manhoso, enquanto a sentava na ponta da mesa e lhe dava selinhos.

“Você sabe que eu não posso.”

“É super estranho ter uma namorada que tem horários a seguir. Acho que eu nunca me envolvi com alguém assim.”

“Garanto que terá muitos benefícios em me namorar.” Disse com um sorriso brincalhão, embora tivesse percebido o tom desgostoso no comentário.

“Que tipo de benefícios?” Quis saber malicioso, e a ela enlaçou as pernas em volta de seu quadril.

“Eu não costumo ter dor de cabeça, não fico de mau humor, sou legal, bonita e uma ótima companhia.” Enumerou. Edward inclinou e mordiscou seu pescoço.

“Além de ser muito modesta.” Sorriu e desviou beijos da mandíbula até a boca. “Isso basta... por enquanto.”

“Por enquanto?” Repetiu brincalhona. “Enquanto eu for dependente legal e financeira dos outros, você quis dizer. Isso requer tempo.”

Tempo, repetiu para si a palavra. Isso era algo que ele sabia que não tinha... O tempo conspirava contra ele.

Continuaram conversando assuntos desvinculados, o almoço ficou pronto e chamaram Peter para comer. Após o almoço, Bella chamou-o para fazer exercícios de Ioga, seguiram para sala e sentaram-se no carpete branco. Peter foi a outra sala assistir tv e tirar um cochilo.

“Você não faz mais, faz?” Ela perguntou já sentada indiana para iniciar exercícios.

“Sim. Algumas vezes antes de dormir.” Disse e sentou em frente a ela. “Manter a mente em branco e o corpo relaxado antes de deitar me ajuda com o sono, já disse uma vez.”

“Então vem.” Sussurrou e programou a música no som, depois fechou os olhos.

A música iniciou. Fizeram os exercícios corriqueiros, e após terminarem, Edward encolheu as pernas e a observou-a fazer alongamentos no chão, inocentemente sexy e apetitosa.

Fascinado, deitou no carpete, surpreendeu-a com o braço em volta de sua cintura e a trouxe para cima do seu grande corpo, colando a seguir os lábios, com as mãos espalmadas em suas nádegas.

Ela era como uma perigosa droga, constatou. Nunca estaria saciado dela. Não tinha 24 horas em que tinham feito sexo, e seu corpo inexplicavelmente a reclamava como se fizesse dias, numa necessidade ardente. Todavia, não podia, para aplacar sua fome, propor trancar-se no quarto tendo uma criança em casa.

“Sou louco por você.” Declarou, recebendo em troca um sorriso feliz, e rolaram em amassos no chão.

Mais tarde, assistiram um filme juntos na sala de TV com Peter, regados a pipoca, sorvete e guaraná, deitados de conchinha. E não perderam a oportunidade de roçar-se um ao outro, deixar as mãos passearem, para no fim da tarde despedirem-se.

Domingo, ele pegou Peter cedo na igreja, já que Bella iria para a Rua Spring, passeou de bicicleta com o menino, depois encontrou Bella para almoçar e passaram a tarde juntos no apartamento. À noite, voltou para o curso na Virgínia.

Essa era uma semana de treinamento tático de invasão. Baseados no lema de que a repetição é o melhor treinamento, grupos simulavam invasões, estouro de bocas, tudo isso envolvidos em uma tensão como se fato fosse real, com uso de gás lacrimogênio na estratégia de assalto, spray de pimenta neutralizador. Um trabalho além de cansativo, estressante.

Quarta-feira daquela semana, na Capital do país, a equipe que treinava, destes, chefes de operações especiais e grupos táticos da polícial federal americana, sendo representantes das agencias DEA, FBI e US Marchaus, partiram de um quadro de treino simulado, para ação em situação real. A missão era frustrar um roubo a banco que segundo a Inteligência Americana iria ocorrer em um banco em Maryland, o banco o qual servidores do Governo movimentavam suas contas, já que era dia de pagamento. Para isso, vinte homens em treino arquitetaram estratégias. Entre essas, alugaram carros, locaram um carro forte, um caminhão de lixo e os posicionaram em lugares estratégicos próximos ao banco.

A missão de Edward era simular ser um cidadão comum que lanchava em uma lanchonete perto do banco, local onde ele poderia descrever por celular acontecimentos próximos.

Às onze horas, dois snipers se posicionavam no alto de um prédio, cinco policiais encontravam-se dentro do carro forte e mais cinco encontravam-se no caminhão de lixo. O restante apaisavam fingindo ser transeuntes comuns.

A ação finalmente iniciou por volta de meio dia e quarenta, logo que chegou uma mulher empurrando carrinho de bebê. A seguir entraram cinco homens e anunciaram assalto. Edward percebeu o movimento e avisou por telefone. A idéia não era surpreender os assaltantes no banco, pois isso poria em risco os clientes. A estratégia era suspreendê-los quando saíssem.

O plano foi seguido, os assaltantes foram surpreendidos quando o caminhão de lixo fechou a rua, impedindo sua fuga por carro, tentaram fugir a pé, mas os policiais escondidos nos carros fortes e no caminhão de lixo os cercaram e impediram a fuga. Cinco assaltantes fortemente armados renderam-se ao ver-se cercados.

Edward participou das prisões, algemando os meliantes enquanto os outros agentes armados com as subs faziam o perímetro. Um dos agentes da DEA do estado de Washington, quando um assaltantes resistiu a prisão, xingou-o e cuspiu insultos em sua direção, saiu de si, algemou-o com a mão para trás e lhe deu uma entrada por trás, fazendo com que caísse de bruços com a mão algemada. Não foi suficiente. Após vê-lo ao chão, passou a lhe dar chutes nas costelas, cabeça, golpes movidos por fúria cega, quando foi interrompido por Edward.

“Velho, já chega.” Pediu e pôs-se na frente do agente para impedí-lo de continuar, com postura ofensiva, mas ao mesmo tempo controlada, enquanto encarava o agente. “Somos a lei aqui, caralho.” Disse entre dentes. Foi surpreendido quando notou-se sendo filmando por um integrante da imprensa que acabara de chegar ao loca. Deu as costas, tentando esconder-se, inclinou-se para levantar o assaltante, depois escoltou-o até a viatura, em todo tempo esquivando-se da filmagem.

Depois daquela noite, Edward, que em todo tempo quis passar despercebido no curso, passou a ser alvo de piadinhas e citações. Procurou não dar atenção ao caso, mas a cada dia a situação piorou um pouco. Como se não bastassem seus problemas pessoais, ainda ganhou inimigos por falta de corporativismo.

Na vida particular, trocou telefonemas todas as noites com Bella, mas foi na quinta seguinte que notou que ela também precisava dele tanto quanto ele dela. Durante um telefonema em que ela tentava manter a compostura, a decepção em sua voz era clara e vencia a segurança que ela atinha pertinazmente manter.

“Mas você nem ao menos se apresentou?” Edward perguntou pacientemente.

“Se você tivesse uma família equilibrada, mulher e filhos, você iria querer me conhecer? Lógico que não.” Argumentou com a voz chorosa.

“Mas isso não vai mudar o fato de você ser filha dele.” Tentou novamente.

“Você não entende, Edward.” Suspirou. “Eu não quero mais conhecê-lo. Eu sabia que ele não podia ser um inocente, afinal, ele frequentava uma casa de prostituição na beira da estrada. Mas também não imaginei que ele fosse um policial, com mulher e filha. Alguém que deveria dar exemplo. Poxa, ele é o xerife em Forks. Já tinha uma família quando frequentava o estabelecimento da minha mãe. Isso prova que ele não tem caráter nenhum.”

“Não é porque ele é policial que não pode errar, Bella.” Pegou-se dizendo.

“Não. O erro maior dele foi já ter uma família. Mas ser policial conta. Ele deveria estar combatendo o crime, não fomentando-o ao frequentar casa de prostituição. Mas ele não é o único policial em descaminho que eu conheço. Você sabe, não gosto do tipo. Eles se acham a lei em pessoa.”

“Você não pode generalizar.”

“Não estou generalizando.”

Depois daquele telefonema, Edward passou o restante da noite pensativo sobre a cama enquanto esperava o sono chegar. Sentia-se cada vez mais pressionado a abrir seus segredos, explicar porque mentiu, porque a evitou antes, porque sempre julgou que esse relacionamento era um erro. E, por fim, tinha que revelar sua profissão e todo o envolvimento com Emmett.

Se antes, dormir era uma suspensão temporária da vida por viver numa amargura continua, agora dormir era uma garantia de que o tempo passaria e que brevemente poderia estar com sua menina. No entanto, junto aos dias que se passavam, a certeza que que seu tempo esgotava o perseguia. Emmett voltaria em breve e nesse tempo que lhe restava tinha que conquistar mais confiança da menina, mostrar seus sentimentos para convencê-la de que tudo não era o que parecia ser aos olhos de outros, e adquirir certezas que Emmett não teria argumento para separá-los.

O pouco tempo que tinha era seu único aliado.

Sábado, depois de ficar um tempo na praia com Peter, ensinando-o a nadar escondido de Bella que pedia sempre antes de sair que o menino não entrasse no mar, subiu com ele e ficaram na varanda enquanto Peter desenhava.

“O quê?” Edward pediu para que Peter repetisse o que propôs.

‘desenhar.’ fez um gesto de rabisco no papel. ‘rosto’ passou a palma da mão no rosto. “mama.” Exprimiu com sons.

“Ok.” Edward sentou ao seu lado no chão. “Deixe-me ver se você realmente é bom.” Encorajou e Peter começou, rabiscando os cabelos.

“Hmmm. Olha, o cabelo da Bella tem umas mechas mais claras aqui.” Apontou para o papel. Deu um tempo e deixou Peter desenhar. Quando os traços de Bella já ficavam mais claros no papel, sorriu. “Garoto, você é bom!” Bagunçou o cabelo de Peter, olhou para os olhos que ele desenhava e pegou um lápis de cor verde. “Vamos, pinte o olho dela de verde.” Pediu. Peter balançou a cabeça em negativa e levantou o grafitte no ar, argumentando que o desenho seria em preto e branco. Edward teimou. “Mas Bella tem os olhos verdes. Aliás, não tão verde.” Refletiu e evocou a imagem na mente. “Bom, é verde com algumas rajadas douradas e em certas horas fica meio azul clarinho...” Ponderou distraído, com o lápis de cor na boca. Depois deu um tapa na própria testa. “Mas que merda é essa, Edward!?” Balançou a cabeça para si. “Saber o tamanho dos peitos de Bella é uma coisa. É normal, coisa de homem. Saber o tamanho da bunda, outra coisa correta. Absolutamente correta. Mas saber definir as cores dos olhos, isso é sinal de que você está muito enrolado.” Fez uma careta se autocensurando e parou quando notou grandes olhos azuis o fitando.

‘Você xingou.’ Peter gesticulou, apontou o dedo em direção a Edward e bateu na própria boca.

“Eu?” Pôs a mão no peito, negando cinicamente.

‘Sim.’ Balançou a cabeça depois pegou nos próprios peitos. ‘E falou de peitos.’ Sinalizou, a seguir, inclinou-se e começou a escrever no canto do papel. “Você quer que eu desenhe os peitos dela?” Rabiscou inocentemente.

“Não!” Negou alarmado.

“Eu sei desenhar. Quer vê?” Escreveu e começou a rabiscar uns seios redondos, empinados, com biquinhos atrevidos. Edward ficou petrificado no primeiro instante, ao ver que o desenho saia com perfeição, e deixou-o terminar, enquanto analisava a precisão e rapidez com que o menino desenhava. Quando terminou, Peter levantou orgulhosos o novo desenho.

‘Gostou?’ Quis saber, presumido.

Edward olhou boquiaberto o desenho. Era perfeito.

“Você gosta?” Perguntou no papel.

Edward abriu a boca, chocado demais até mesmo para negar.

“De quê?”

“Do meu desenho.” Mostrou o desenho.

“Sim. Onde aprendeu a desenhar isso?” Apontou o desenho como se fosse algo errado.

O menino deu de ombros e escreveu no papel. “Desenho sempre coisas bonitas.”

“Quando você viu essa, er, coisa bonita aqui?” Engasgou para perguntar.

“Tomano banho com ela.” Respondeu como se fosse normal. “Mas aí meu pai me proibiu de tomá banho com ela depois que desenhei os peitos para a doutora picicóloga. Não sei porque.” Fez uma careta pensativa. Edward admirou sua capacidade de escrever sem nem mesmo ter frequentado escola. Era o efeito pela dedicação de Bella a ensiná-lo.

“Er, seu pai tá certo.” Concordou sem convicção. “Homens não podem tomar banho com mulheres.” Burlou. Via naquele instante a dificuldade de se ter filhos. Esse tipo de conversa era desconfortável.

'Não?' Cerrou os olhos desconfiado.

“Não.”

“Mas aquele dia que você estava com dor de barriga, ela tomou banho com você. Eu senti o xeru de sabonete em vocês.” Argumentou teimoso. O homem de compleição forte, sentiu-se pequeno ao ser encurralado pela perspicácia do garoto.

“Tá, casados e namorados podem tomar banhos.” Emendou, querendo evadir-se imediatamente do assunto.

“Você é namorado ou casado dela?”

“Namorado.”

O menino sorriu. “Eu gosto de você namorado dela.”

“Eu também.” Sorriu, mais aliviado por terem colocado um fim no assunto, pegou furtivamente o último desenho e o levou para seu quarto, colocando-o em sua gaveta.

Bella chegou quando Edward terminava de fazer uma lasanha. Depois de almoçar, saíram para um pique-nic no parque à tarde e o casal sentou-se embaixo de uma árvore, enquanto Peter, sozinho, subia e descia no escorregador. Um tempo depois, duas menininhas o chamaram para brincar. Antes de ir, Peter olhou em direção a Bella, pedindo autorização com o olhar.

“Deixe.” Edward pediu no momento em que ela fez menção de se levantar para ir buscá-lo. “Ele tem que tentar se virar. Se eu que sou adulto consigo manter comunicação com ele, porque estas meninas não vão conseguir?”

Ela hesitou uns minutos, mas quando viu as meninas lourinhas subirem e chamar Peter, relaxou um pouco, todavia não voltou a deitar a cabeça na perna dele. Ele puxou-a e a fez deitar novamente em seu colo, enquanto deslizava os dedos nas longas mechas.

“Peter está evoluindo mais esses dias.” Edward comentou para distraí-la, encolheu uma perna e encostou as costas na árvore. “O que aconteceu?”

“Ah, eu me esforço muito para mantê-lo em atividade. Também troquei de psicóloga. Além disso, estou indo ao fonoaudiólogo.”

Edward passou a acariciar o braço de Bella e quando subia, a mão roçava propositalmente no seio, fazendo com que conforme passasse, o bico enrijecesse.

“Realmente tem feito efeito. Como é a relação dele com seu ex-namorado?”

“Daniel? Ah, ele não tinha muita paciência por eu sempre que ia a casa dele, levar Peter, igual faço com você.”

Edward passou a acariciar o bico com o polegar disfarçadamente. Ela, em resposta, levantou sua camiseta na frente e o beijou traquina a barriga.

“Mas eu ia pouco.” Sorriu ao notar que ele se enrijecia sob a cabeça dela e continuou falando, passando nesse tempo os dentes sensualmente no caminho de pêlos. “Como ele mora na Zona Sul, Emmett não gostava que eu fosse lá.”

“E ele? Ia muito a sua casa?” Sussurrou com uma pontinha de ciúme, olhou para os lados para ver se eram notados e passou a apertar com mais vigor o seio da menina por cima da regata, paralelamente olhando-a nos olhos, com desejo no olhar.

“Muito não.” Ela murmurou e nem lembrava mais qual era o foco inicial do assunto. Sentia o corpo responder ao seu toque, o calor esquentar entre suas pernas. “O irmão dele trabalha para o Emmett, o ajuda no laboratório. Então ele ia às vezes.”

“Ele ainda vai?”

Ela subiu as mãos por dentro da camiseta e arranhou peito e abdomen, ainda mordiscando sua área baixa da barriga, a cabeça roçando no seu membro já excitado, que se encontrava indócil sob a calça de moletom.

“Um pouco. Somos amigos, antes de tudo.” Respondeu absorta nas sensações deliciosas das mãos afoitas de Edward agora dentro da regata, apertando o seio. Virou o rosto e deu uma olhada no rumo do escorregador para conferir Peter. Ele ainda subia e descia animadamente.

“Hmmm. Não gosto dele.” Edward murmurou cheio de luxúria, deliciando-se com cada movimento proposital que ela fazia sobre ele.

“Eu sei.” Olhou-o por baixo dos cílios, virou o rosto e deu uma mordidinha sutil no volume embaixo de seu rosto.

“Não faz mais isso, se não te levo para casa agora.” Ameaçou rouco, com a mente enturvando-se de desejo.

“Me leve.” Provocou, passou a língua sob o cós da calça e sentiu-o estremecer quando sua língua deparou-se com a ponta rosada do membro que quase pulava para fora da calça.

“Ai, delícia... Bem que eu queria ir...” Ele gemeu com a voz grossa e olhou novamente para os lados, tendo a precaução de manter uma perna flexionada e o braço de escudo protegendo-os. “E Peter?...”

“Lidamos com ele.” Passou novamente a mão no seu peito, a cabeça fazendo mais um movimento de pressão e usou furtivamente a língua vez ou outra.

Em meio a provocações, deixaram Peter divertir-se e cansar e mais tarde seguiram de volta ao apartamento. Lá, Peter tomou banho, e enquanto o fazia, o casal preparou o lanche, trocando vez ou outra beijos prometedores nas paredes da cozinha.

Após ver o garoto sonolento deitar alimentado no sofá rodeado por almofadas, Bella ligou a TV e encarou Edward com expectativa. Um desejo que deixou seu corpo pronto a tarde toda.

“Vem.” Puxou sua mão ansiosa, quando o menino dormiu, e levou-o para o quarto, mal esperando a porta fechar-se para tirar a regata, ofegante de desejo acumulado.

“Tem certeza que ele não vai acordar e vir aqui?” Edward hesitou e levantou as mãos para cobrir os seios da menina, enquanto lhe beijava, com ela já desfazendo apressada da camiseta dele.

“Não. Ele não dormiu hoje e está bem cansado.” Murmurou, desceu os dedos e desamarrou-lhe o nó da calça, desfazendo dela, encantada com a forma intrigante de seu abdómen e o triângulo que seguia com pêlos claros até sumirem dentro da cueca.

Com a respiração tão acelerada que precisava de uma grande quantidade de ar, observou-o apertar seu seio com gestos que pareciam ansiosos, admirando-os e medindo-os, e o ato deixou-a presunçosa com a sensação de feminilidade.

“Eu senti sua falta.” Sussurrou e desceu a calça dela, tirando junto a calcinha, a seguir deitou-a na cama, enquanto chutava a própria calça presa nos pés. “Não imagina quanto tenho desejado você de novo.” Cobriu seus seios com os lábios, dedicando um longo tempo com pequenas lambidas no enrijecido bico. Ela desceu a mão, abaixou sua boxer na frente e lhe acariciou no sexo, deslizando no comprimento com os dedos, espalhando os fluidos. Em reflexo, ele abriu mais a boca no seio, chupou-o avidamente e rebolou devagar em sua pequena mão, com rosnados baixinhos deixando os seus lábios à medida que explorava as cheias mamas.

Após um tempo de troca, ofegou e beijou-a no ombro, no mesmo instante em que desceu a mão e acariciou os pêlos curtos da púbis fêmea, encontrou a fenda e inseriu delicadamente um dedo na cavidade, a fim de conferir se estava pronta. “Será que vai incomodar dessa vez?” Murmurou hesitante, notando que ela não tinha mudado nada, em questão de aperto.

“Não. Vou ficar bem.” Sussurrou, encolheu as pernas e elevou os quadris em ardente súplica, sem pudor ou recato em expor sua pressa.

Ele apoiou o joelho na cama, segurou com as duas mãos no quadril e encaixou-se em sua entrada, olhando-a com feroz ternura possessiva. Olhou para baixo e viu a imensa discrepância entre o seu orgulhoso mastro e a rosada feminilidade adolescente. Enfiou-se devagar, preocupado em dessa vez não perder o controle, e deixou que a úmida carne se esticasse para recebê-lo.

Viu, com o peito ofegante, parte da ponta brilhosa entrar, penetrando só levianamente, fechou os olhos e enfiou-se mais, rolando os olhos pelo prazer. Não houve barreira qualquer dessa vez, a pressão era aconchegante e a menina parecia confortável, de olhos fechados enquanto o recebia. Acessível.

Após ter entrado completamente, deitou sobre ela, pôs a mão em sua nuca e a beijou, devagar, terno, ao mesmo tempo que movia-se com uma lentidão aflitiva dentro dela, marcando um ritmo controlado.

“É tão bom estar aqui.” Beijou-a no canto dos lábios, na bochecha. “Talvez você não saiba, mas é muito mais que corpo.” Disse e beijou-a languidamente nos lábios, provocando-a com a língua. A menina concentrava-se nos mínimos movimentos, movendo-se com ele, como uma aprendiz dedicada, enquanto sentia todo o corpo derreter-se.

“Não pode ser só corpo. Você sente isso?” Ela murmurou, levantou uma de suas mãos e acariciou o queixo másculo a frente, deslizando pela barba recém crescida até a boca úmida. “Sente essa eletricidade?”

“Eu sinto tudo.” Beijou a palma de sua mãos e rebolou. “Todos os pêlos do meu corpo ficam em alerta com você por perto.”

“Isso é porque eu te amo... Quer dizer que nos completamos.” Ergueu as pernas e cruzou-as em volta dele.

Ambos fecharam os olhos, e ele pode sentir o amor dela em uma simplicidade e intensidade que o deixava sem fôlego. Uma mescla imprevisível de inocência e contradição. Sentia que todas as lacunas de sua vida poderiam ser preenchidas com o amor que ela lhe oferecia.

Passou a mordiscá-la no queixo, e Bella, querendo participar ativamente do ato, inclinou o rosto e lambeu-lhe o peito, mordiscando o mamilo. Em meio a gemidos controlados, ele entrava e saia dela, devolvendo as mordiscadas como dois gatinhos brincalhões rosnando.

“Podemos mudar um pouco?” Pediu em seu ouvido, depois virou-a de bruços e pôs um travesseiro sob sua barriga, para em seguida voltar a se introduzir. A boca deslizou pela coluna, a língua percorria todo o perímetro, e mordidas eram dispensadas em suas costas à medida em que se empurrava.

“Posição nova... Gosta assim?” Abriu mais sua perna e rebolou devagar. Ela arqueou e ronronou assentindo. “Ou é melhor assim?” Estocou duro e fundo, comprimindo o quadril arredondado nos dedos. Ela grunhiu mais alto, estremeceu e se empinou mais, dando mais acesso. Cheio de luxuria por sua resposta, optou por golpear possante, fechou os olhos e gemeu com os dentes apertados, enquanto se movia, lembrando-se no fundo da mente de conter o barulho.

“Vou te castigar por ter me provocado no parque.” Afastou-se e deu um tapa em sua bunda. Ela gemeu, ele se enfiou de novo com um grunhido. “Quase gozei nas calças igual um adolescente.” Rosnou, cadenciou os movimento em forte, fundo, rápido. E ela já ofegava impaciente, desesperada pelo prazer que as contrações prediziam.

“Você é a versão de rosa e florzinhas no cabelo do diabo.” Diminuiu o ritmo para concentrar-se. E disposto a empurrá-la mais, inclinou-se e passou a beijá-la no pescoço, lambendo devagar atrás da orelha. Continuando, desceu uma mão e adicionou um incentivo no clítoris. Ela correpondeu rebolando em sua mão.

“Não faz isso, se não, eu não aguento.” Confessou em seu ouvido e inseriu a língua. A menina grunhiu e projetou-se para trás, com o orgasmo construíndo-se em seu cérebro. Percebendo seu estado, os dedos tornaram-se ágeis, a língua mais ansiosa. Ela ofegou, gemendo, e ele sufocou-lhe o grito com a mão, no instante em que ela tremia e se agitava ansiosa embaixo dele, anunciando que seu orgasmo implodiu.

Ele quase foi junto ao ter-se pressionado pelas sensuais convulsões internas fermininas. Entretanto, diminuiu o ritmo para buscar equilibrio emocional, esperou que ela terminasse a agitação violenta e ficou uns segundos parado dentro dela.

Após ter o cataclisma sob controle, virou-a na cama, ainda acariciando-a com o polegar, ergueu uma perna sua até seu ombro e voltou a se impulsionar dentro dela com movimentos lentos, disposto a buscá-la de volta.

Sempre a imaginou nesta posição quando via-a se contorcer no carpete. Agora observava, com fascinio, que ela não fazia o mínimo esforço em manter a abertura. Deliciou-se com isso. Tinha-a aberta, exposta para recebê-lo. Uma posição em que assistia com deleite seu membro ser engolido, pressionado, aquecido, para depois sair, só o tempo suficiente de engolfar novamente naquela fonte de prazer.

Com a boca aberta de excitação, poderia ficar horas observando-se sumir e aparecer, enquanto mordiscava a perna elevada. E ainda que sentisse a culminação alastrando, lutava para segurar tempo suficiente de guardar aquela imagem crua e selvagem na memória.

Entretanto, antes que tivesse suficiente, ela voltou a corresponder, movendo-se inquieta e exigindo mais. Ele fechou os olhos, incapaz de manter o domínio, inclinou-se sobre ela e ofegou, com a respiração pesada na garganta.

“Não estou mais aguentando.” Confessou com um ofêgo, a necessidade premente pulsando na cabeça de seu pênis.

Ela mudou novamente na cama, completamente ativa, enfiou os dedos em seus cabelos e beijou-o. “Vem.” Enlaçou seu quadril com as pernas, puxou-o e prendeu-o profundo nela. Ele passou os braços fortes em volta da cintura pequena, apertou-a com vigor e passou a mover-se mais rápido, sem deixar de receber incentivos e gemidos, trazendo-o a borda com suas respostas.

“Eu vou...” Rosnou e rebolou mais, ofegante como se estivesse correndo quilômetros sem água. Apertou possantemente os dedos em sua nádega, entrou profundamente e parou dentro, sentindo seu sémen atirar enquanto convulsionava, tremendo, os olhos desfocalizados, com uma veia na testa ameaçando estourar, tamanho era o fluxo de sangue no seu corpo e as batidas se seu coração.

Ela abriu os olhos e olhou-o realizada em vê-lo satisfeito, fascinada por aquela chama em seus olhos, deliciada com o ato sexual, que ainda era novo, mas lhe trazia uma satisfação além de física. Era um momento em que ele pertencia unicamente a ela, sem nada que os separassem, um dentro do outro, dividindo respirações, pulsações, fôlegos. Eram um.

Feliz, ela abraçou as costas largas ao seu peito e acariciou seu cabelo enquanto a respiração do homem fabuloso em cima dela se normalizava, o grande corpo suado parando aos poucos de estremecer. Tão forte, adulto, mas tão dependente, pensou com um sorriso.

“Fica comigo.” Ele sussurrou depois de um tempo e apertou-a, possessivamente. “Essa porcaria de apartamento fica tão vazio quando você vai embora.” Reclamou pesaroso, sentindo o peito sufocado de sentimentos. Ela sorriu, olhando para o teto.

“Não posso.” Continuou com os dedos em seus cabelos. “Por que você não aproveita e vai ver o seu pai ou seus irmãos. Você tem irmãos, não tem?”

“Tenho um irmão.” Resmungou desinteressado. “Mas não sou próximo a ele.” Disse e mudou na cama, colocando-a por cima.

“Por que não?” Perguntou curiosa e aconchegou-se ao seu braço, com os dedos passeando tranquilamente por seu peitoral sólido.

“Por quê...?” Franziu o cenho e buscou na memória o motivo de seu distanciamento de Jasper. Depois de ponderar a resposta, deduziu ser um motivo ínfimo perto da situação que atualmente se encontrava. Não só namorava a irmã de Emmett, mas esta lhe amava e respeitava como tutor. Logo, o motivo de ter se afastado de Jasper era irrisório se comparado ao que tinha para manter Bella longe, já que afastou-se de Jasper por diversidade de opiniões quanto ao caráter de Emmett.

Todavia, embora julgasse insignificante o motivo do distanciamento, não podia dizer esse a Bella. Consequentemente, recorreu a subterfurgios.

“Ah, ficamos adultos, ele mudou de cidade, aí minha mãe morreu e cada um resolveu viver sua vida e se virar como podia. Faz muitos anos que não somos uma família. Temos opiniões diferentes sobre tudo. Depois, com o tempo, ele arrumou uma namorada vadia, ela dava em cima de mim quando nos encontrávamos ocasionalmente, tentei alertá-lo algumas vezes, ele não acreditou e isso piorou de vez nossa relação.”

“Mas você não sente falta dele?”

“Não... não sentia.” Negou instrospectivo.

“Sabe, Edward, eu queria ter uma família de verdade, um histórico familiar e não tive. Você acha que eu não tenho vergonha de contar a minha história para alguém? Tenho. Afinal, sou filha bastarda de um policial com uma prostituta. Isso não é bonito. No mínimo, se eu contar isso, as pessoas esperam de mim que eu venha a me perder. Mas eu tento fazer diferente. Lutei para não me envolver com bebidas ou drogas. Tento estudar, mesmo que tenha que passar por tanta coisa para isso. Luto e invisto na família desconvencional que eu tenho, que é Emmett, minha tia, Peter e Alice. E você, que teve uma família de verdade, que cresceu com sua mãe, foi educado e feliz com seus pais, tem uma história de vida, não valoriza isso. Não é porque sua mãe morreu que você tem que enterrar a história de sua família com ela. Você tem que voltar a viver. Ninguém vive sozinho neste mundo... Sabe, eu posso ser novinha, mas quantas vezes foi no meu colo que Emmett se consolou quando estava com depressão! Quantas vezes foi no meu quarto que ele veio dormir quando estava se sentindo só. Irmãos são para isso. Irmãos se protegem. Se ajudam. Você não pode abandonar seu irmão só por incompatibilidade de opiniões, só porque ele está com uma mulher que você não gosta.”

Ele ouviu calado, pensativo. Bella cada dia limpava mais a parte negra de seu coração, despertando nele desejo de esquecer o passado, viver o presente. Com ela em sua vida, era como se não existisse um universo paralelo de traições, enganos, crimes. Não sentia necessidade de isolar-se.

Quem dera tivesse a encontrado anos atrás. Quem dera ela tivesse nascido em outro tempo e tivesse sido sua namorada quando também tinha dezesseis anos. Tudo seria tão mais fácil. Talvez, se ela estivesse ao seu lado antes, não teria sido tão dificil enfrentar a dor da perda e solidão, enfrentar aquela ferida lancinante que faz alguém acordar e pensar com saudade todos os dias se um dia aquela dor da ausência irá diminuir. Uma dor sufocante. Pior ainda quando o sentimento de impunidade acompanha a dor da saudade, resultando na busca de um culpado.

Foi assim por anos. Revolta pelo que se perdeu.

Agora, mesmo que soubesse quem era o culpado, não via forças de seguir adiante na perseguição. Algo mudou e sabia disso. Não poderia magoar Bella assim, sentindo quanto amor ela devotava ao irmão.

O único que poderia fazer era alcançar uma forma de acertar uma trégua momentânea com o passado, viver em concórdia com o presente e investir no futuro.

“Talvez eu tente me reaproximar do meu irmão.” Concebeu sem delongas. “Prometo tentar.” Bella sorriu com o resultado e abraçou-o feliz que tivesse derrubado mais um muro nele.

Mais tarde, após tomarem um banho, seguiram para a sala e deitaram no carpete para assistir tv, enquanto Peter ainda ressonava no sofá. Então no fim da tarde desceram a garagem para despedir-se e encostaram-se ao carro de Bella.

“Não vá.” Pediu persuasivo, beijando-a no pescoço enquanto a abraçava.

“Não posso.”

“Durmam aqui.” Enrolou os dedos nas mechas de cabelo que caíam no rosto.

“Não dá. Não temos opções de roupas aqui e amanhã cedo o levarei à missa.”

“Ah, não é suficiente esse tempo que passamos juntos. Uma semana sem te ver requer muito tempo para compensar.” Resmungou como um menininho manhoso.

“As coisas lá em casa não funcionam assim.” Lamentou sinceramente. “Não pode esquecer que sou uma adolescente.”

“Eu peço para sua tia. Posso ligar para ela. Aquele dia ela não brigou por você ter dormido aqui.” Argumentou ainda beijando-a no pescoço.

“Você que pensa. Eu tive que ouvir por duas vidas. Agora devo a ela uma vida de servidão.”

“Sua tia é severa?” Afastou-se para perguntar.

“Não. Até que ela é tranquila. Mas ela diz conhecer os homens profundamente e que em breve irei perceber que os homens só querem de alguma maneira nos usar. Principalmente quando se é nova como eu.”

“Ela está errada, você sabe.” Voltou a enrolar mechas louras nos dedos, despreocupado. “Eu não quero te usar. Você é especial.” Declarou.

“Sim. Eu sei.” Sorriu complacente, mas esperava algo mais.

“Precisamos de mais tempo juntos.” Ele voltou a dizer. “Quero mais você. ” Sugeriu cheio de manha.

“O que você acha de ir a minha casa?” Propôs animada. “Emmett está viajando e você não teria que ter a conversa responsável com ele sobre estar namorando sua irmã menor.” Brincou persuasiva e lhe deu um selinho.

Edward observou-a desejando sinceramente que as coisas fossem fáceis assim, que o único contratempo que se interpusesse entre eles fosse: a conversa responsável. Mas no momento, o que o impedia de ir lá era pensar em sua tia, que além de reconhecê-lo, poderia fazer a comparação de idade.

Nem tão cedo poderia ter com Bella uma vida de namorados normais, sabia disso. Mas estressava-o passear com ela sempre preocupado se alguém notaria que ela era muito nova para ser sua namorada. Era mortificante isso.

Além de tudo, perto do que teria que conversar com Emmett quando ele voltasse, a conversa responsável sobre estar namorando a irmã menor não significava nada. Enfrentá-lo ganhava o topo em suas preocupações desde que decidiu desistir do acordo e namorá-la.

“Hoje não.” Negou com um pedido de desculpas no olhar. Ela fez um bico, desapontada. “Mas busque roupas para ir a igreja e voltem para dormir comigo. Eu adoraria ser acordado de novo daquele jeito.” Tentou de novo, maliciosamente, e a apertou ao seu corpo, cobrindo-a de beijos persuasivos, aproveitando que Peter estava do outro lado do carro e a garagem era isolada.

“Não. Não vou dormir aqui.” Disse definitivamente. “Amanhã eu venho almoçar com você.” Ditou e não restou nada, além de aceitar.

Despediram-se, Edward voltou solitário para seu ap e chegou a tempo de ouvir seu telefone funcional tocar insistentemente no aparador da sala. Olhou para tela e franziu o cenho ao notar que era Erick.

“Fala, Erick.” Fazia mais de duas semanas que não falavam, logo deduziu ser algo importante.

“Oi, chefe.” Cumprimentou meio desanimado. “Tenho algumas notícias para repassar. As coisas não estão muito legais por aqui.”

“Porra, notícia ruim em pleno sábado a noite!” Jogou-se no sofá. “Fala logo.”

“A primeira é: tem alguma coisa estranha rolando por aqui. Michael agora vive de segredinho com Stephan e Laurent. Além disso, fui tirado das escutas e me colocaram carimbando papéis.” Resmungou aborrecido. “Hoje eles pegaram a viatura e inventaram uma missão muito suspeita. Se eu fosse você, daria um jeito de investigar para ver o que rola.”

“Não vou me intromenter em serviço do Laurent, Erick.Tenho só mais duas semanas de curso. Depois as coisas voltam ao normal.”

“Tudo bem. É você quem sabe. Pra mim, tá cheirando a sujeira. Mas, vamos para a próxima notícia. É sobre Emmett. Pelo que ouvi, ele vai voltar em breve.”

Edward ficou um tempo imóvel, encostou as costas no assento, nesse tempo mexeu nervosamente no cabelo. Se isso fosse verdade, e Emmett voltasse logo, não estaria preparado.

“Tem previsão?”

“A última vez que pude ouvir e decodificar as mensagens dele com o capanga Rilley, ele disse por código algo referente a uma semana ou um mês, mas como isso tem mais de uma semana e ele não voltou, eu deduzi que seria um mês.”

“Hmmm.” Edward gemeu e apertou os dedos na fronte, como se prevesse uma dor de cabeça. “Mais alguma coisa?”

“E agora é mais uma pergunta do que uma notícia...” Hesitou. “Eu aproveitei que estava com tempo e fui a sua mesa abrir a gaveta com a senha que você me falou. Porém, pense qual foi o meu susto quando não encontrei o cartão me memória lá! Por isso te liguei, pra confirmar se realmente você o deixou lá.”

Edward levantou ansioso do sofá. “É lógico que eu o deixei!” Ouviu-se dizer nervoso, mas era só um fio de voz. Em pânico, fechou os olhos uns segundos, concentrou-se em manter o foco e voltou a dizer. “Dê mais uma olhada. Pode ser que você tenha passado despercebido.” Pediu sem vida.

“A gaveta estava aberta, Edward.”

Ele sentou novamente no sofá e deixou os ombros caírem em derrota.

“Okay, vou repensar se realmente deixei lá.Também vou procurar por aqui. Qualquer coisa te ligo. Até mais.” Desligou e levantou mentalmente possibilidades de alguém da agência ter pegado o arquivo. Mas quem? E qual seria o interesse? O maior prejudicado seria ele, se esse documento vasasse. Pois teria Emmett mais que inimigo. Seria acusado, além de ter descumprido o acordo, de não ser homem o suficiente, sem escrupulos ou ética, para entregar o produto de um acordo não cumprido à polícia. Deu um tiro no próprio pé. Isso ultrapassaria e muito a tolerância quando ao certo e errado, principalmente em futuros argumentos de defesa diante de Bella.

Jogou o telefone no canto do sofá, olhou para a imensa sala cinza e caminhou até a varanda para tomar ar enquanto a brisa que vinha do mar esfriava seu corpo. Com um suspiro frustrado, encostou-se ao parapeito de alumínio e apertou a fronte.

“Droga, tô numa fria.” Resmungou, olhando para o horizonte. “Preciso contar tudo imediatamente para Bella.” Esfregou as mãos nos cabelos, ansioso.

Entretido, olhou para o lado e deparou-se com as florzinhas de Bella. “Nem pensem que eu estou falando com vocês!” Apontou os dedos aborrecido para elas. “Se algum dia conversar com vocês, podem mandar me internar.” Deu as costas para as plantas e fechou a porta de vidro atrás de si, mal humorado.

Após olhar um tempo o celular sobre o sofá, pensar no que Erick insinuou sobre estar acontecendo algo errado na Agência, aproveitou que não tinha programa para aquele sábado, ligou novamente para o oriental e marcaram de se encontrar para averiguar o que estava acontecendo. Para isso, após se encontrarem, Erick ligou amistosamente para Stephan, perguntou casualmente onde estavam, depois partiu com Edward para segui-los na Zona Sul de Los Ângeles.

“Não acredito.” Edward comentou e balançou a cabeça após vê-los recolher dinheiro no mesmo local onde meses antes presenciaram o policial Felix e James recolher.

“O cara é um rato.” Erick comentou. “Deve ter começado a assediá-los logo depois que aqueles policiais corruptos foram presos na operação das docas.”

Edward esfregou a testa preocupado, mas nada comentou.

“E ae, vamos continuar seguindo-os?” O oriental perguntou quando os dois agentes seguidos entraram no carro preto e deram partida.

“Sim.” Também deu partida e os seguiu.

Após terem presenciado-os passar em várias bocas e recolher o que parecia ser maços de dinheiro, chegaram a um traficantezinho de esquina e este aparentemente não tinha nada para oferecer. Neste momento, Michael cobriu-o de insultos e porradas. Ameaçou-o com a pistola, em seguida foram embora cuspindo ameaças, como dois arruaceiros, chamando a atenção de prostitutas e drogados locais.

“Melhor irmos, chefe.” Erick comentou ao perceber o semblante chocado do tenente, o maxilar travado.

“Só não ligo para o Laurent porque isso vai prejudicar você, já que ligou para o Stephan e perguntou aonde estariam.” Deu partida, frustrado. “Mas me ouça, quando voltar, ponho ordem na casa.” Disse mais para si e seguiu de volta a Malibu.

Domingo, após uma noite pouco dormida e os malditos pesadelos o atormentando, Edward passou todo o tempo reflexivo, sentindo como se uma linha tênue corresse atrás dele, uma tempestade se armasse em sua volta. Cada minuto que passava, a vontade de se abrir com ela o sufocava, sempre estudando o momento propício a falar no assunto.

Ao fim, ao perceber o quanto tinha medo de sua reação com toda essa bola de neve de omissões e mentiras, descobriu o quão covarde era e que não conseguiria falar. Logo, ansioso por absorver cada segundo de paz que pudesse ter dela, apenas curtiu sua companhia. Quando Bella menos esperava, recebia um carinho ou um tapinha no bumbum. Sucessivamente, quando Peter distraia-se ou dava as costas, eles beijavam-se e abraçavam-se como imaturos adolescente escondidos dos pais. Ao deitarem-se no carpete para assistir tv, a mãozinha boba de Edward entrava em sua blusa e deleitava-se furtivamente em seu seio, para depois, quando Peter dormia, correrem para o quarto como adolescentes que acabaram de descobrir sexo.

Os dias passaram e a vida afetiva e sexual ia bem, embora Edward se visse num precipício.

Notava que Bella ansiava por algo mais, ao interpretar sua linguagem corporal ansiosa quando despediam-se ou se encontravam. E só quando a semana do casamento de Jasper chegou, teve uma breve noção do que poderia ser que a incomodava: ele não fez esforço em ir a sua casa nenhum dia; pararam de sair completamente, já que ele não queria mais se expor; distanciou-se emocionalmente depois de saber que o arquivo sumiu; e nunca mais falou sobre si.

Ela tinha razão em esperar por mais.

Ainda assim, mesmo com o temor pessimista de tudo dar errado, obrigou-se a fazer algo que soaria como relacionamento sério, estabelecendo metas para atraí-la para as verdades de sua vida. Estas seriam, apresentá-la a sua família, ou melhor, ao seu pai e a Jasper, depois a levaria a conhecer a casa de seu pai, local onde aconteceu tudo. Quem sabe lá teria forças de contar tudo. Avançar esses passos eram atitudes de quem não tinha a intenção de manter uma relação entre quatro paredes. Assim esperava que ela interpretasse.

Para por a meta em prática, já no último dia de curso na Capital, discutia com o pai por telefone a ida ao casamento de Jasper.

“Por favor, pai...” Pediu mais uma vez.

“Edward, você já pensou no que está me pedindo?” Questionou sério, impassível.

“Já.” Admitiu intransigente. Foi extremamente desconcertante ter que pedir ao pai algo assim. Pior ainda o sermão que teve que conformar-se em ouvir aos vinte e seis anos de idade.

“Quer dizer que estão namorando.” Comentou desgostoso. Sua irredutibilidade diminuíra no decorrer da conversa.

“Sim.” Assentiu convicto.

“Você está indo longe demais com isso.”

“Eu gosto dela.” Impôs-se sério.

“Rá, e eu sou Aristóteles.” Ironizou.

“Pai...”

“Isso te torna um criminoso.”

“Pai...”

“Tá, Edward.” Suspirou exasperado. “Eu preferia não ter sido envolvido nisso. Espero que isso não desencadeie uma série de problemas.”

“Então você vai?” Quis saber, ansioso como criança em manhã de Natal, todavia manteve a frieza na voz.

“Sim.” Assentiu contragosto. “Você está se comportando como um moleque levando isso adiante.” Adicionou aborrecido.

Edward contou até dez para manter a compostura, já que era ele quem precisava do pai.

“Eh... pai...?”

“Hmmm.”

“Preciso de mais uma coisa.”

“O quê?”

“Não fale a ela nada sobre nossa família, ou sobre o fato de eu ser Agente da Narcóticos.”

“Ou seja, não converse com ela.” Espetou cáustico. “Você não pede muito, né?”

“Eu mesmo irei falar...” Adiantou-se.

“Se o seu objetivo for só o que eu imagino, tenho certeza que irá manter segredo até onde te convenha e tenha conseguido o que quer.” Acusou com mordacidade.

Edward contou até vinte, sem paciência em aguentar mais um sermão.

“O senhor está errado.” Disse calmamente. “Se fosse esse o caso, ela não serviria para nada, além de complicar.”

“A não ser para provocar Emmett, o que realmente terá efeito.”

“Merda, pai, eu já disse que não é mais assim... Ela é especial.” Sussurrou no fim. Será que o juiz não entendia o quanto era dificil lhe confessar isso?!

“Okay, Edward. Comigo não precisa de mentiras... Esteja lá.” E desligou.

Com um suspiro de alívio por ter conseguido sobreviver a inquirição, Edward seguiu ansioso para o auditório de encerramento do curso. Mais tarde fechou a conta no hotel, seguiu para o aeroporto e voou da Virginia direto para Nevada, local onde aconteceria no dia seguinte o casamento de Jasper.

Hospedou-se no Palms Casino Resort, Las Vegas, onde aquela noite ocorreria o jantar de ensaio, uma pequena reunião com familiares e padrinhos dos noivos. Apressado, tomou um banho, vestiu um terno preto com gravata borboleta, e dirigiu-se à festa no terraço.

Se seu pai tivesse cumprido o que prometeu, Bella já estaria lá.

Continua...


Notas finais
Oi!
Capítulo não betado. Se tiver erros, perdoem-me. A beta está sem tempo e não pode me enviar desde semana passada, por isso resolvi mandar sem betar. Quando ela revisar eu edito aqui.
Espero que tenham curtido os docinhos.
Vou entrar de férias no mundo real dia 27, aí vou viajar e tentar dedicar menos tempo ao pc. Ainda assim, vou deixar um capítulo pronto p/ mandar p/ vcs no intervalo.
Bjus